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A propósito da falácia do 1640 ao contrário

16 Outubro, 2019

Independentemente dos argumentos que se usem a favor ou contra do direito à idependência pela Catalunha convém que se poupe Portugal a essa humilhante e infundada comparação. Para lá do óbvio – Portugal era um Reino cujo rei era também rei de Espanha e não uma parte do reino de Espanha – os acontecimentos de 1640 e 1641 são completamente diferentes em Portugal e na Catalunha: em Portugal, o duque de Bragança é feito rei. A vice-rainha (pode parecer estranho mas antes de existirem quotas as mulheres já exerciam cargos de poder!) duquesa de Mântua não foi molestada (foi aliás mantida com tanta liberdade que até participou numa conjura contra Dom João IV) e sai mais tarde de Portugal sem sofrer qualquer moléstia. Portugal vai travar durante alguns anos  uma guerra com Espanha.

Nada disto ou sequer parecido aconteceu na Catalunha. A começa pela naturez ada revolta. Na Catalunha estamos perante uma revolta de características populares, muito violenta que leva ao assassínio do vice-rei, o conde de Santa Coloma. A aristocracia catalã  não tem a atitude da portuguesa: nesta uma parte significativa opta pelo rei Filipe III mas uma outra parte arrisca e arrisca muito quando aclama como rei o duque de Bragança.  Pode discutir-se, por exemplo, se os aristocratas portugueses que aderem à conspiração de 1640 o fazem por temerem uma generalização da violência popular que se ia registando em várias localidades e tem o seu mmento mais simbólico  em Évora com o “Manuelinho”, em que a contestação a Espanha acabou a virar-se também contra os notáveis portugueses da cidade.  Mas seja pelo que for 1640 não é uma explosão de violência como aconteceu na Catalunha mas sim uma efectiva tomada de poder. E sobretudo convém lembrar o que aconteceu em seguida na Catalunha e regra geral é omitido: em 1641, a República foi declarada e a Catalunha incapaz de se defender colocou-se sob a protecção da França cujo rei acabou Conde de Barcelona.

Portanto não podia ter sido ao contrário porque Portugal e a Catalunha não  estavam ao mesmo nível e isso fez toda a diferença em 1640 e nos anos que se seguiram. E faz toda a diferença hoje.

 

6 comentários leave one →
  1. 16 Outubro, 2019 14:37

    “A vice-rainha (pode parecer estranho mas antes de existirem quotas as mulheres já exerciam cargos de poder!) duquesa de Mântua não foi molestada”

    Mas o meu homónimo foi.

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  2. Jornaleca permalink
    16 Outubro, 2019 15:55

    O meu professor de história (tive nove anos de escola portuguesa lá fora) contou-nos assim:

    O primeiro Filipe (Filipe II em Espanha) foi assim assim.
    O segundo Filipe (Filipe III em Espanha) foi pior.
    O terceiro Filipe (Filipe IV. em Espanha, salvo erro) foi o pior.

    Nós não quisermos mais e eles tiveram que nos deixar em paz.

    Nenhum espanhol nos conquistou. Em nós eles não mandam.

    E assim tem que voltar a ser.

    Primeiro vamos virar as costas às putas em Bruxelas. Este povo não é escravo de ninguém.
    Depois tem que ir a esquerda fascista e totalitária e profundamente corrupta portuguesa. O pior do pior.

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    • xico permalink
      17 Outubro, 2019 12:58

      Filipe II (I de Portugal), que era tão português como a maioria dos nossos reis, foi um grande rei, aqui e em Espanha. Filipe IV (III de Portugal) foi um mau rei, aqui e em Espanha. A Duquesa de Mântua tinha sangue português. Curioso que fale nas putas de Bruxelas, pois são elas que pagam e não o contrário. As estradas, as redes de água e saneamento, as obras nas escolas, etc. etc. Não haverá obras em nenhum município sem as verbas de Bruxelas. Este povo foi escravo dos ingleses desde 1640. De resto Helena Matos tem razão. Comparar a revolta de Portugal com a revolta da Catalunha é desconhecer o que quer que seja.

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      • Jornaleca permalink
        17 Outubro, 2019 13:17

        @xico
        1. Como é que o Filipe II de Espanha era português? Desculpe, mas não percebo. Explique-me, por favor.

        Bem, as tal putas de Bruxelas usam o dinheiro, dos países que pagam mais para a caixa, do que recebem ou podem retirar dela, para distribuir à maneira deles.
        E agora somos “escravos” de quem, por favor?
        Portugal e os outros vigaristas controlam agora o BCE. Nada mau, não acha?
        Eu não sou escravo de ninguém.
        E as putas de Bruxelas ganham demasiado bem, sem fazer nada produtivo. Salvo erro, 4.000 ou 40.000 macacos a ganhar mais que a Merkel, outra burra, que vai destruir esta UE.
        A esquerda continua a matar, seja onde for. Catalunha, Bruxelas, Lisboa, Berlim, Paris. Londres já é a capital das facadas em Europa e da cocaína.

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      • xico permalink
        17 Outubro, 2019 15:40

        Filipe II era filho de uma princesa portuguesa, filha de D. Manuel I. Facto suficiente hoje em Portugal para poder ser eleito presidente da república. Quanto ao resto do que diz, são opiniões. A maior parte dos reis portugueses tem como um dos progenitores um ou uma estrangeiro/a

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  3. Artista português permalink
    16 Outubro, 2019 22:14

    Não esquecer: a luta durou 28 anos! Até os espanhóis desistirem. Os militares não deram prazo aos políticos para resolverem o problema….

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