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be careful what you wish for, it might just come true

24 Abril, 2020
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Medida após medida, orçamento após orçamento, o governo de António Costa perseguiu os investidores imobiliários, sobretudo os mais pequenos, aqueles que apostaram no Alojamento Local e no turismo como complemento dos seus rendimentos, ou mesmo como rendimento principal. O resultado está aqui, e é bom que se tenha bem presente que estes números nada têm a ver com a pandemia do corona, para que, mais tarde, não se procurem confundir as coisas, e quando a bronca estoirar não se atire ainda mais areia para os olhos das pessoas. O resultado – apenas relativo à Baixa da cidade do Porto – foi de que, somente no 2º semestre de 2019, o investimento imobiliário desceu 27% em relação ao semestre anterior. Porquê? Por causa das medidas do governo contra o sector, anunciadas para o orçamento de 2020, que, naturalmente, afugentaram os investidores.

O potencial destruidor dessa política era, há muito, previsível. Nós mesmo o escrevemos aqui e noutros lugares, chamando a atenção para o óbvio: que fora graças à liberalização do imobiliário que o país tinha, em boa parte, conseguido sair da crise de 2011-14, que as cidades recuperaram os seus centros históricos devastados por décadas de políticas tresloucadas, que o turismo cresceu e teve milhares e milhares de leitos para ser bem acolhido e bem tratado, a preços reduzidos face à concorrência europeia, e que, em consequência de tudo isso, aumentou exponencialmente o emprego. Os governantes socialistas, com o raciocínio manhoso que os caracteriza, pensaram doutro modo: “o grosso do investimento está feito, vamos, agora, sacar impostos e obrigar os investidores a colocarem os seus imóveis no arrendamento de longa duração, a preços baixos, para ganharmos uns votos”. “Vamos corrigir o mercado”, como eles arrogantemente tanto gostam de pensar que podem fazer.

Pois bem: esquecem-se, ou ignoram, que a economia é um processo, e não um momento parado no tempo. Que os investidores contraíram, na grande maioria, empréstimos bancários para adquirirem os seus imóveis e criarem os seus negócios. Que os bancos estão – como estiveram em 2008 – pendurados no crédito imobiliário. Que o turismo alimentou o país nos últimos dez anos e que muito dele utilizava os serviços deste sector. Que o emprego cresceu graças a ele. Que, em torno destas duas actividades conexas – imobiliário e turismo -, se desenvolveram a restauração, a hotelaria, a construção civil e múltiplas pequenas e médias empresas de toda a espécie de serviços. Enfim, que o país estancou a crise devido a quem se dispôs a investir num momento arriscado e não graças ao Estado, que estava completamente falido para poder sonhar em fazer quaisquer investimentos. Hoje, já depois da quebra do 2º semestre de 2019, o investimento imobiliário não estará a zero, mas não andará muito longe disso. Aliado à quebra do turismo – o que certamente alegrará os inúmeros patetas que achavam que as nossas cidades estavam a ser sequestradas por invasores alienígenas – temos uma combinação explosiva para a nossa rudimentar economia.

Preparem-se, pois, porque aquilo que sempre desejaram vai acontecer: o investimento imobiliário vai parar e os turistas desaparecerão por muito tempo. Depois, quando vierem queixar-se da “austeridade”, a tal que o chefe Costa das “cativações” diz que jamais aplicará (até podia ter falado em francês…), lembrem-se do que andaram a pedir para a actividade que vos deu de comer.

14 comentários leave one →
  1. Expatriado permalink
    24 Abril, 2020 11:40

    Vejam, principalmente os mais novos (<60 anos), e reflitam sobre o que aconteceu a Portugal nos últimos 46 anos. Falou quem viveu todos os acontecimentos desde então e formou uma opinião alicerçada em evidências que muitos querem negar, vá-se lá saber porquê… Ficarão a saber porque Portugal está como está.

    https://blasfemias.net/2020/04/23/a-grandolizacao-do-condominio/#comment-2163440

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    • Expatriado permalink
      24 Abril, 2020 11:47

      Nesse debate/entrevista fica claríssimo quem são e o que os motiva Costa, Marcelo, Ferro Rodrigues, Rui Rio e outros personagens para além da interrogação sobre o comportamento das “elites” face às desgraças que o País tem enfrentado nas últimas quase 5 décadas.

      Fica aqui a sugestão.

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  2. Filipe Bastos permalink
    24 Abril, 2020 12:03

    “…perseguiu os investidores imobiliários, sobretudo os mais pequenos, aqueles que apostaram no Alojamento Local e no turismo como complemento dos seus rendimentos, ou mesmo como rendimento principal.”

    Óptimo. É mesmo de perseguir. Se não pelas razões chulas e oportunistas do governo sucateiro do Costa, certamente por outras. A habitação é uma necessidade básica, não é um mero investimento. Viver de rendas é chulice.

    Só é mau que seja sobretudo os mais pequenos, mas isso é a hipocrisia xuxa que os direitalhas confundem com “socialismo”: ao contrário deste, xuxas não estão interessados em redistribuir nada.

    Os xuxas só querem sacar e mamar – tal como, ironicamente, os “investidores” tão incensados pelo autor e pela direita.

    O turismo deu de mamar a muita gente, lá isso deu, a começar pelos Airbnbs, imobiliárias, senhorios e especuladores. Até há pouco, nem impostos pagavam; os Airbnbs ainda não os pagam.

    Por arrasto também trouxe muita massa à economia e criou empregos, mas nem tudo são rosas. Basta ver os preços absurdos das casas e das rendas. Sobretudo em Lisboa e Porte, tem sido mama e ganância em roda livre.

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    • lucklucky permalink
      24 Abril, 2020 21:22

      Existe maior chulo e mamão do que aquele que quer mandar no preço do que os outros fazem e oferecem?

      As tuas acusações são o teu espelho Filipe Bastos.

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  3. Weltenbummler permalink
    24 Abril, 2020 12:09

    kosta e suas menistras e menistros são os salvadores do socialismo

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  4. Telmo Pestana permalink
    24 Abril, 2020 12:43

    Vao haver sempre compradores para os imoveis no centro das cidades.

    Nao ser atractivo para investimento nao implica que nao seja atractivo para aquisicao para usufruto proprio.

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  5. Andre Miguel permalink
    24 Abril, 2020 14:01

    Rui,
    Veja a coisa pelo lado positivo: o turismo era uma bolha prestes a explodir, a geringonça só pôs agua na fervura. Portugal aos portugueses! Fora com os turistas! :)))))

    Só se esqueçaram que agora não há turistas e os portugueses continuam falidos para comprar esses imóveis. Portugal no seu melhor. Temos o que merecemos.

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  6. Luís Lavoura permalink
    24 Abril, 2020 15:12

    Pura especulação do Rui A.
    A partir de um dado estatístico, ele especula que 1) o investimento que caiu foi em alojamento local (e não noutra parte qualquer do setor imobiliário), e que 2) o investimento caiu por causa de temos dos empresários face à “política” do governo (se é que o governo tem uma “política” para este setor), e não por outro motivo qualquer.

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    • Zé Manel Tonto permalink
      24 Abril, 2020 21:59

      “o investimento que caiu foi em alojamento local (e não noutra parte qualquer do setor imobiliário)”

      Os aumentos de impostos foram anunciados para esse sector.
      O Luís tem que compreender, impostos a subir afastam investidores.

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  7. Prova Indirecta permalink
    24 Abril, 2020 16:25

    ” Viver de rendas é chulice ”

    🙂

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  8. Emparedado permalink
    24 Abril, 2020 18:48

    Lúcido e certeiro.
    Parabéns

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  9. JgMenos permalink
    24 Abril, 2020 20:06

    Estado socialista e Estado vigarista são sinónimos.

    Há um pormenor: o alojamento local nos centros históricos ocorreu em inúmeros espaços sem licenciamento possível para habitação ( por tal não ser exigido) num tempo em que o pequeno escritório praticamente não tem mercado.
    Para esses investidores, que nem podem alugar para habitação, é puro saque.

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  10. Ana Castro permalink
    25 Abril, 2020 00:19

    Não aprendem nada. Infelizmente.

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  11. Artista Português permalink
    25 Abril, 2020 00:45

    Como é que esta gente tem lata de dizer que a austeridade já acabou e que de futuro não volta a haver e ainda mantém 23% de IVA na electricidade? Modas da troika são para manter?

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