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Cozido a banho socrático com todos

24 Outubro, 2015

José Sócrates falou em Vila Velha de Ródão perante as televisões e amigos que foram encher a sala. Não disse nada de especial.

Lá dentro, um senhor com uma cabeça desproporcional e todo vestido de rosa com chinelos de dedo, confidenciava que o Presidente da República só no fim do mandato pode responder penalmente por actos da vida privada.

um sucesso

24 Outubro, 2015
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Notável artigo de Miguel Sousa Tavares, hoje, no Expresso, onde crucifica António Costa e quase exalta Cavaco Silva. Não há dúvida que, em Portugal, quando toca à rasca e lhe toca no bolso, a nossa burguesia gauche-caviar enfia imediatamente o socialismo na gaveta. Não por acaso, o Partido Comunista nunca quis gente desta nas suas fileiras. Deixou-a pelo Bloco de Esquerda e pela esquerda do PS. A frente de esquerda tem, por isso, todas as condições para ser um sucesso.

que tal um governo monti?

24 Outubro, 2015
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Monty Python, obviamente.

governo de gestão

24 Outubro, 2015
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Não aceitar um governo de gestão é um imperativo político para Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Mau grado o que possa acontecer com o país, será sempre pior que a direita seja vista como a causadora da crise grave que aí vem, fique ou sai do governo, e que não marque uma profunda diferença entre si, o seu governo e os resultados que apresenta ao fim de quatro anos e a «aventura suicídária» (Sousa Pinto dixit) da frente de exterma-esquerda que o PS quer impor ao país. O poder não pode ser exercido a qualquer preço nem conquistado de qualquer jeito, e essa será uma primeira e fundamental diferença entre a direita e a atitude do PS, de António Costa e da extrema-esquerda. Para além do mais, o país não deu, de facto não deu, uma maioria absoluta aos partidos do governo e, pelo contrário, manteve a maioria sociológica de esquerda que há muito o caracteriza. Uma falência iminente não lhe chegou em 2011. Os resultados da «primavera grega» não lhe foram suficientemente elucidativos. Veremos se aprenderá com o que aí vem.

Somos “a direita”, seremos “a oposição”

24 Outubro, 2015

Há um custo real com o rompimento súbito das tradições: abdicando da base histórica para fazermos o que fazíamos, passamos a tomar como certo que faremos num futuro próximo o que no presente se alicerça como canónico. Não se trata de um jogo de palavras e sim de uma fácil constatação histórica. “A nossa liberdade é determinada por nós próprios”, a patacoada de Costa, impressiona, certamente, toda uma geração Facebook, mas é com esta dismorfia conceptual que contaremos doravante.

Como aqui diz o Mr. Brown, acabou o Bloco Central. A nova aliança entre PS e a extrema-esquerda, a que é um embaraço no resto do mundo ocidental e “força de mudança” nos países que cronicamente padecem de síndroma de D. Sebastião, se bem que não concretizada de forma formal, já o é, de facto, por via da assimilação linguística. Diz-se “a esquerda teve mais votos nas eleições”, tornando-a realidade, uma concretização una e indivisível de uma percepção consciente. Se há “a esquerda”, então “a esquerda” ganhou as eleições, como quase sempre ganhou, apesar da ausência dessa percepção pela inexistência prévia do conceito de “a esquerda”. O que há agora e haverá no futuro são dois blocos, “a esquerda” e aquilo que – de forma algo encabulada – se poderá designar como – valha-nos Deus – “a direita”.

O doutor Costa parece percepcionar isto como meramente transitório, algo que só poderá ser atribuído à sua tendencialmente infinita e progressivamente gratuita debilidade intelectual. Não é: PS, apresentando “a esquerda” como solução governativa, contará com esta, solitária e unicamente, para se permitir governar. “A direita” não pode conceder acordos, tentando exumar a sua base histórica centrista em macabros rituais de reescrita de cânones passados. Era, deixou de o ser: a nossa liberdade não é determinada por nós próprios e sim pela percepção que os outros projectam de nós. “A esquerda” decidiu, está decidido: PSD e CDS são “a direita” e como direita deverão agir.

Mais existencialista não poderia ser: a angustia d’“a esquerda” advirá da responsabilidade inerente à decisão pessoal consciente de se ter tornado “a esquerda”.

E cantar também vão?

24 Outubro, 2015

PS promete “muralha de aço” erguida até segunda-feira

A chave para o segredo

23 Outubro, 2015

Tenho uma sugestão que acho que é a melhor para o país: o doutor Costa aprende a falar, deixa de se babar, limpa o suor do queixo e apresenta um acordo de coligação com o Bloco de Esquerda, com o Partido Comunista Português e com o Partido Ecologista “Os Verdes” logo a seguir a derrubar o programa de governo que diz desconhecer. O governo cai e Costa apresenta ao senhor Presidente a sua coligação sólida, unitária, genuína, com um programa interessantíssimo de renovação da economia através de despesa, aumento de salários e o que lhe der na mona. O Presidente nomeia-o Primeiro-Ministro, toda a gente goza o Cavaco e ele, na reforma, tranquilamente, ainda vê o PS a explodir antes do Natal de 2016, isto enquanto o PCP defende os trabalhadores e essas cenas que eles lá fazem.

Esta é a minha solução. Tenho outras, igualmente portuguesas, se quiserem.

O país não está, de facto, em condições de suportar qualquer deriva eleitoralista.

23 Outubro, 2015

Jorge Sampaio, Julho de 2004, tomada de posse de Santana Loes

Nos limites constitucionais da separação e interdependência entre os órgãos de soberania, pode Vossa Excelência,(…) contar com toda a colaboração do Presidente da República. Esta cooperação não pode, todavia, assentar numa distorção ou num apagamento das concepções e visões estratégicas próprias do Presidente da República e do Governo. Só por esta via se respeitará a vontade do eleitorado que sufragou livremente, em momentos distintos, o distinto entendimento que cada um destes órgãos tem sobre a melhor forma de servir o interesse nacional.
(…)
O país não está, de facto, em condições de suportar qualquer deriva eleitoralista.
(…)
não poderá haver agora hesitações ou ambiguidades na defesa do caminho europeu que, num extenso e quase consensual entendimento político, temos percorrido, e que os vários Governos têm sabido proteger.

a culpa é do de gaulle, senhora candidata

23 Outubro, 2015
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A Dra. Maria de Belém, a candidata presidencial do PS que António Costa nunca quis, veio hoje dizer, na sequência da declaração de ontem do Presidente da República, que este «não pode condicionar a actuação do Parlamento» nas suas decisões sobre a formação do governo. Pois não, Dra. Maria de Belém, de facto, não pode. Como, também, o Parlamento não pode condicionar a actuação do Presidente na indigitação do primeiro-ministro, como o tentaram fazer os líderes do PS, do PCP e do Bloco. Caso não saiba e já que se candidata ao exercício de tão elevadas funções, o governo, em Portugal, carece simultaneamente de legitimidade parlamentar e presidencial. Chama-se a isto semipresidencialismo, uma invenção de um senhor chamado De Gaulle, que outro senhor chamado Duverger teorizou. É, provavelmente, o sistema de governo democrático mais propenso à conflitualidade política e institucional, e foi por esse mesmo motivo que os constituintes de 75 e 76 o escolheram como modelo para o governo de Portugal. Na altura, a ideia era deixar o governo ao poder civil e a presidência ao poder militar, para que este nunca perdesse o controlo da revolução. Hoje, quase quarenta anos depois da aprovação da Constituição e de sucessivas revisões que atenuaram a função presidencial, a formação e subsistência do governo continuam a carecer do apoio presidencial. Quem não gostar que apresente queixa aos autores. Muitos deles ainda por aí andam e a maioria na orla do Partido Socialista.

“use essa linguagem quando entrevistar alguém do Bloco de Esquerda”

23 Outubro, 2015

(Via Insurgente)

Conclusão: agora tem outra turma, fez novos amigos e se alguém lhe lembrar que lhes chamou “bando” vai certamente dizer use essa linguagem quando entrevistar alguém da direita

Desde o Cabeçadas que não se via uma tal concentração de poderes numa única pessoa

23 Outubro, 2015

Rui Ramos: Foi ontem, às 8h05 da noite, que terminou a presidência imaginária de Catarina Martins. Durante duas semanas, a porta-voz do BE fez de conta que era um presidente absoluto: demitiu o governo de Passos Coelho, indigitou António Costa como primeiro-ministro, e pôs condições a um governo minoritário do PS. De facto, não estava sozinha na fantasia.

Podia lá ser

23 Outubro, 2015

Eduardo Cintra Torres: Catarina Martins tentou destratar Marcelo candidato chamando-lhe comentador. Acontece que também ela já comentou na TV. Isto para além de ser actriz, como Reagan ou Schwarzenegger. E se alguém a tratar por “a actriz que quer ir para o governo”?

De facto os professores marcam os alunos

23 Outubro, 2015

António Costa acha que “Os socialistas nenhuma lição têm a receber do professor Aníbal Cavaco Silva”. Fica-lhe bem dizer isto. Aquele detalhe de não dizer Presidente da República esse é d efino recorte. Mas ficou-lhe bem falar verdade. António Costa recebe de facto lições doutros professores. A escola onde Costa recebe lições tem como regentes Catarina Martins, Heloísa Apolónia e Jerónimo de Sousa. De facto são outro tipo de professores, outro tipo de conteúdos e outro tipo de aulas. Quando eles o reprovarem cá estaremos para lhe pagar as explicações.

Vamos experimentar agora “arquitecto Sócrates”

23 Outubro, 2015

Eu não faço ideia se foi o Domingos Farinho quem escreveu o livro do Sócrates, se foi outra ou outras pessoas, se foi uma aparição espontânea pela materialização simbiótica dos espaços corpo-corpo ou – e porque coisas verdadeiramente estranhas também acontecem – se foi o próprio Sócrates a gerar a obra do seu próprio… digamos… pensamento.

Farinho diz que não foi ele e, para o caso, tanto faz se foi ou se não foi.

O que é relevante é, sendo o livro é uma versão da tese de Sócrates, saber se esta tese foi apresentada para obtenção de grau académico. Sendo um mero livro para suporte da porta da garagem do Santos Silva será indiferente quem o escreveu; sendo a adaptação para português de uma tese de mestrado – como o próprio afirmou na altura, traduzida do francês, língua original do manuscrito -, estamos perante uma suspeita grave de fraude académica.

Como ninguém parece particularmente incomodado, vamos todos presumir que se trata de uma mera fraude de marketing na apresentação do livro e que tal tese nunca foi apresentada por doutor engenheiro José Sócrates.

implacável

22 Outubro, 2015
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Como aqui já tinha dito, o Partido Comunista jamais entraria num governo liderado pelo PS e com o Bloco de Esquerda. E como hoje se ficou a saber, o dito acordo com o PC será apenas de incidência parlamentar, o mesmo é dizer que o PC vai cheirar, mas não inalar. E compreende-se: o objectivo principal do Partido Comunista é eliminar o Bloco de Esquerda, o seu principal concorrente e adversário, que o ultrapassou nas últimas eleições e, pelo caminho, aproveitar para prejudicar o PS o quanto puder. Viabilizará, embora com reservas declaradas, o programa e o orçamento do governo Costa e não poderá ser acusado de ser responsável por manter a direita no poder, nem pelas medidas impopulares que o governo de Costa vier a tomar. E, quando lhe for mais conveniente, atirará o governo abaixo, alegando que os compromissos foram traídos e que o governo é, afinal, de direita. Por isto, um PS consciente jamais se meteria em semelhante trapalhada. Mas, se não houver por lá ninguém que impeça o disparate, pagará caro o que vier a fazer. Quanto ao Bloco, nem a alma se salvará: o abraço do velho urso soviético será implacável.

Ana Avoila a sentir-se grata pelo governo de esquerda

22 Outubro, 2015

O espírito da concórdia desceu sobre a Frente Comum. No Natal, Ana Avoila vai agradecer aos independentes de esquerda do Governo o que têm feito pelos trabalhadores

22 Outubro, 2015

A reposição “imediata” dos salários dos funcionários públicos consta das reivindicações da Frente Comum, mas a coordenadora Ana Avoila admite agora que os cortes se possam prolongar pelo ano de 2016.

Este homem merece um pedido de desculpas por parte do PS

22 Outubro, 2015

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O senhor do cartaz chamava-se Manuel Serra e após um tumultuoso congresso no final de 1974 saiu do PS para fundar a FSP que tinha como desígnio a aliança entre as esquerdas. Infiltrado do PCP no PS foi o melhor que os soaristas lhe chamaram.

cuidado com o que desejas

22 Outubro, 2015
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O presidente da Câmara de Lisboa posa, sorridente, na foto. Meio corpo. Cara.

“O que dizemos é que, não sendo possível a convergência para uma política que responda às aspirações dos trabalhadores e do povo, nada obsta a que o PS tome a iniciativa de formar governo e entrar em funções”

Assim vai o mundo

22 Outubro, 2015

O presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe foi o vencedor deste ano do prémio Confúcio da Paz.

José Sócrates em conferência para falar sobre justiça e política.

18 dias

22 Outubro, 2015

Este é o 18º dia depois das eleições legislativas. É garantido que são necessários – pelo menos – 18 dias para que o apregoado sonho molhado abrilista da união geral das esquerdas aconteça. Quando começarem a discutir específicos sobre a distribuição do dinheiro que não existe, quantos dias serão necessários? Se a coligação PS + BE + PCP + PEV é tão natural, porque necessita de – pelo menos – 18 dias para acontecer? Portugal não está necessitado de um governo patriótico de esquerda que o salve da austeridade e do imperialismo teutónico? Uma pessoa normal, em 18 dias, ingeriu – pelo menos – 54 refeições completas, 9 litros de água, 3,6 kg de carne e peixe; dormiu 144 horas – são 6 dias completos -, teve – pelo menos – 2 relações sexuais, defecou – pelo menos – 18 vezes, urinou – pelo menos – 40 vezes e caminhou – pelo menos – 72 km. 18 dias servem para ir a Fátima a pé de qualquer parte do país e ainda sobra tempo para postar 40 instagrams de pés inchados. Porém, 18 dias não servem para concretizar a união que “toda a gente” deseja, anseia, pela qual daria o primogénito.

18 dias servem para – pelo menos – 216 farsas teatrais ininterruptas.

entreguem-lhes o governo depressa, por favor

21 Outubro, 2015
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Na TVI24 João Oliveira, do PC, Isabel Moreira, do PS, e Joana Mortágua, do BE, anunciam ao país que estão a negociar a estratégia da sua eventual futura aliança pós-eleitoral, que nenhum deles é capaz de explicar se é uma coligação de governo, se é um acordo de incidência parlamentar, se é um programa conjunto de governo, se é um acordo de viabilização de um governo apenas do PS, se é um orçamento, para 2016, negociado a três, a dois ou apenas do PS com apoio dos dois partidos sobejantes, se será um governo apenas do PS, se do PS e do Bloco, se do PS, do Bloco e do PC, e querem com isto convencer o Presidente da República a dar-lhes (a quem?) o governo nos próximos dias. Daqui por, no máximo, um mês, Portugal tem de enviar para Bruxelas o orçamento de 2016, que será escrutinado, à lupa, pelos nossos credores e financiadores. Por favor, entreguem o governo a esta gente e entreguem-no depressa, caramba!

É preciso outra política, deitar abaixo os muros e dar as mãos

21 Outubro, 2015

Hija de Hugo Chávez aparece como la mujer más rica de Venezuela, según Forbes

O PCP pode perguntar à sra se compra se compra dívida portuguesa?

O fascismo não passou. O fascismo não passará

21 Outubro, 2015

O facto de Passos tendo perdido as eleições pretender que o PR indigite PM está a causar uma viva indignação na UE. É certo que o PS perdeu a maioria absoluta mas os nossos parceiros europeus não entendem como é possível que Passos seja o novo chefe do Governo, sobretudo porque na sua ânsia de poder os líderes do PSD e do CDS não hesitam em aliar-se com extremistas de direita.  Vários intelectuais já manifestaram a sua intenção de deixar o país caso se confirma que os fascistas vão chegar ao poder.

Uma enorme manifestação a contestar a formação deste governo está ser organizada. Cantautores espanhóis, intelectuais franceses e activistas de vários países vêm a Lisboa manifestar o repúdio da Europa por este retrocesso civilizacional.

Nas redes sociais a indignação com este atropelo de Passos-Portas à democracia provocou uma giigantesca onda de indignação.

EM ACTUALIZAÇÃO

Portanto a austeridade vai incidir sobre?

21 Outubro, 2015

se o Governo, em algum momento, inverter a lógica de reposição dos salários e pensões, e impuser medidas de austeridade sobre os rendimentos, o acordo termina.

radicalizar à esquerda

21 Outubro, 2015
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A teoria dominante, que por aí anda para fundamentar o governo syrizico de Costa, é a de que os resultados eleitorais indicam uma clara radicalização do país à esquerda. Não é verdade: o PC manteve a mesma percentagem de votos, enquanto que o Bloco não conseguiu muito mais do que o que já tinha obtido em 2009. A diferença destas eleições para todas as antecederam nos quarenta anos da 3ª República é que foi o PS que se radicalizou à esquerda. O PS de Costa, não o eleitorado que votou PS nestas eleições, que poderia ter votado no Bloco ou no PC, se quisesse, e que continua a ver o partido em que votou como sendo de centro-esquerda. O PS de Costa que – espera-se – não seja todo o PS. Mas este último – a existir – terá de aparecer depressa, se não quiser ser levado na enxurrada que naturalmente levará consigo o partido, se continuar por este caminho

glasnost

21 Outubro, 2015
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A que acordos de governo e orçamentais chegaram o Partido Socialista, de António Costa, e o Partido Comunista, de Jerónimo de Sousa? Será possível termos conhecimento do que decidiram sobre as nossas vidas antes de tomarem posse ou será uma surpresa que nos está reservada para depois de Costa ser indigitado chefe de governo, como ontem garantia o preclaro presidente do PS, Carlos César? A democracia representativa é coisa que estes partidos levam a sério ou a brincar?

Costabortismo* explicado

21 Outubro, 2015

O que promete António Costa?
Um projecto totalitário: uma frente, uma política, um estado, uma ideia, uma comunhão. Comunistas e outros autoritários nunca se entenderam mas agora, Costa, um mero parolo com dificuldades oratórias e desprovido de ideias próprias, pretende ressuscitar a Primeira Internacional chamando-lhe “a queda do Muro de Berlim”, QED automático da qualidade da filosofia do pascácio. A Primeira Internacional, criada em 1864, foi extinta precisamente pela impossibilidade de albergar diferentes formas de autoritarismo sob uma bandeira comum. A única forma de unir as esquerdas é através de um projecto totalitário, sem divergências, sem separação da esfera da vida quotidiana da vida do partido, seu centro e única referência. Actividades mundanas passam a estar subjugadas aos princípios dominantes. Elegantemente colocado por Hannah Arendt, este totalitarismo implica “terminar definitivamente com a neutralidade do xadrez, ou seja, com a existência autónoma de qualquer tipo de actividade”.

Mas é isso que quer o Costa? O que quer mesmo António Costa?
Jogar com as vossas emoções de likes a gatinhos no Facebook. “Now we can” com Muros de Berlim à mistura, numa mixórdia de tretas tão fininhas na formulação como quebradiças caso algum desvariado acreditasse mesmo poder nelas pegar para implementação. Tudo para vos fazer crer que teria um governo viável com comunistas, trotskyistas, nazis do próprio partido, fascistas convictamente avessos à denominação e o degradante pot-pourri de chupistas dependentes da Academia ou de instituições e fundações sob alçada e financiamento público. Na realidade só lá quer chegar, altura em que dá com os pés à Internacional de chanfrados e governa em minoria com o apoio parlamentar da direita responsável perante a inevitabilidade dos números. Portanto, quer ser primeiro-ministro, não quer ser governante.

O que precisa para conseguir o que quer?
Que todos sejam tão estúpidos como aparentam.

Qual a maior dificuldade ao governo de António Costa?
Governar. Essa é a parte que ainda não está pensada no plano, logo se vê.

Quais as consequências de um governo liderado por António Costa?
António Costa nunca será capaz de liderar seja o que for, nem que chegue a primeiro-ministro. Tal acontece porque a confusão entre parasitagem e suporte simbiótico está bastante generalizada.

Vai acontecer mesmo o governo Costa?
Não sei.

E se acontecer?
Nada de especial. Um resgate, mais impostos, mais apertar de cinto, só não lhe chamem “austeridade”. O regresso a 2011, mais ou menos.

Mas assim nunca mais regressam ao poder, pois não?
Regressam. A clientela é demasiado grande para que existam aprendizagens por sucessivas pancadas de cabeças contra paredes de betão.


*Costabortismo: idealismo sem fundação ideológica, filosófica, lógica e retórica consistente que permite desprezar o esforço feito por ajustamentos anteriores numa tentativa de regresso a um passado de prosperidade aparente com encargos futuros incalculáveis.

é o que merecemos

21 Outubro, 2015
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O governo da frente de esquerda está consumado e parece que se transformou numa fatalidade inevitável. A esquerda foi sempre excelente a acelerar processos revolucionários e a ultrapassar a legalidade para impor a sua ordem. Fê-lo sempre ao longo da história e ainda não desaprendeu a fazê-lo. Está na sua herança genética. A esquerda partilha com os fundamentalismos religiosos a convicção de que a ordem natural das coisas é a sua e que tudo o resto são desvios blasfemos à palavra revelada. Quem não lhe pertencer não terá a sua bênção e deverá ser proscrito. A estranheza de ver os outros no que lhes pertence é um sentimento insuportável.

Por isso já quase toda a gente embarcou na inevitabilidade do governo Costa. Catarina Martins, a nova patroa do regime, vaticinou mesmo tratarem-se de futilidades burocráticas, de que o novo processo revolucionário em curso deveria prescindir, tradições constitucionais de décadas. Foi acompanhada por eminências pardacentas e até por soturnos constitucionalistas. A comunicação social rejubilou com a tese e fez diversas primeiras páginas com ela. Mas nada disse sobre a ameaça do presidente do PS de que este partido só anunciaria ao que vem depois da indigitação do ungido. Lá pelo partido, que tem sido um dos pilares do regime, depois de algumas reacções de incómodo com o que se está a passar, todos se calaram. A proximidade do poder fala mais alto do que os princípios e quaisquer eventuais prejuízos decorrentes da aventura serão contabilizados mais tarde.

Por conseguinte, e também porque o povo português, quatro anos depois de ter levado com a terceira falência do estado em quarenta anos, parece conformar-se e até alegrar-se com o que de novo lhe irá acontecer, não há outro remédio senão deixá-los seguir em frente. No fim de contas, é o que merecemos.

A Venezuela aqui tão perto

20 Outubro, 2015

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(Via Insugente)

Carlos César: PS só mostra acordo depois da indigitação. Em entrevista à SIC, Carlos César, presidente do partido, não adiantou qualquer detalhe sobre o acordo entre socialistas e bloquistas , atirando para depois da indigitação do próximo primeiro-ministro a revelação das linhas programáticas que unem PS, BE e, presumivelmente, PCP.

Ó Costa! o muro de Berlim não caiu

20 Outubro, 2015

Na terça-feira, a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou por maioria, com o voto contra do PCP e a abstenção dos Verdes, um voto exprimindo solidariedade com os ativistas e recomendando a sua “imediata libertação”.

Refere na moção que os detidos “enfrentaram dificuldades, inclusivamente no acesso ao direito de defesa” e que “nenhuma acusação formal para a sua detenção foi apresentada”, assinalando que o atual estado de saúde de Luaty Beirão “é muito grave, a sua vida encontra-se em perigo”. (*)

programa, qual programa?

20 Outubro, 2015
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Conhecemos o programa eleitoral e de governo da PàF. Conhecemos o programa eleitoral e de governo do PS. Conhecemos o programa eleitoral e de governo do Bloco de Esquerda. Conhecemos o programa eleitoral e de governo da CDU. E o programa eleitoral e de governo da coligação PS/Bloco/CDU, alguém conhece?

Cravinho, caril, malagueta e picareta

20 Outubro, 2015
Pessoa dada como sendo SCUT mas que só causa despesa sem originar qualquer benefício.

Pessoa dada como sendo SCUT mas que só causa despesa sem originar qualquer benefício.

Ontem, no Prós e Contras da RTP1, estava este senhor Cravinho da imagem a defender a solução governativa que consiste em António Costa a governar sozinho através do apoio inicial do PCP e do BE, meros trampolins para o “daqui não saio, daqui ninguém me tira” minoritário que se seguiria. Esta solução, além de extremamente parva, acarreta uma dificuldade de aceitação popular precisamente por ser a solução defendida por Cravinho: é sempre má ideia deixarem que Cravinho defenda coisas que querem, efectivamente, que venham a acontecer.

Em 2005, criticando o princípio “primaríssimo, simplista e arbitrário” do utilizador-pagador, o engenheiro-socialista (é uma categoria profissional em si mesma, como é a de “técnico de execução penal”, termo politicamente correcto para carrasco) afirmava que “o investimento realizado na construção das SCUT tem efeito positivo no investimento privado, no emprego, no produto e na arrecadação de receitas fiscais em todo o país”. Ou, de forma excelente para enviar Cravinho para os anais tristes da história recente, qualificando-o como automático afirmador de treta sem sentido, “SCUT pagam-se a si próprias e geram excedente orçamental”.

É sintomático que sejam estes eméritos calhordas a defenderem a parvoíce pacóvia que os média adoram alimentar.

não os esperam dias fáceis

20 Outubro, 2015
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Se o Partido Comunista sufragar um governo do PS e do Bloco, no qual a sua posição será sempre minoritária e concorrente com o partido da extema-esquerda caviar, ficará na dependência de um programa de governo que não controlará e que certamente irá desagradar ao seu eleitorado tradicional. Por outro lado, enquanto o Bloco poderá compensar, por alguns meses, o descontentamento das políticas que serão necessariamente austeritárias (União Europeia oblige…) com o encantamento e o fascínio de quem levou uma pouco mais do que Associação de Estudantes ao governo do país, o Partido Comunista tem uma história e uma tradição de luta que não lhe permitem entrar nessas fantasias. Acresce, ainda, que se as três forças de esquerda entrassem de corpo e alma num mesmo governo, o descontentamento à esquerda ficaria sem dono e legitimaria todas as surpresas que por esses lados viessem a acontecer. Quem sabe, até mesmo Rui Tavares e Daniel Oliveira viessem a ser eleitos deputados. Ora, o Partido Comunista não se pode arriscar a perder mais ainda do seu já muito curto capital eleitoral.

Por isso, o que o Partido Comunista poderá fazer é continuar a engrolar o PS e António Costa, dizendo-lhes que eles só não serão governo se não quiserem, porque eles não impedirão a formação desse governo. Reparem: no limite, o que o PC tem dito é que, a bem do objectivo comum de impedir um governo de direita, não votará contra um governo liderado pelo PS. Mas não se compromete a mais do que isto, menos ainda a fazer parte desse governo.

Deste modo, não se comprometendo integralmente com um governo PS/BE, que estará sempre livre para criticar e condicionar, nem arcando com o ónus de reconduzir um governo da direita, o PC mata dois coelhos com uma única cajadada: faz boa figura junto do povo de esquerda, impedindo a continuação da direita no poder, e monopolarizará o descontentamento à esquerda com as futuras políticas do PS e do Bloco.

Com esta estratégia o PC condenará o Bloco à extinção eleitoral (os revolucionários nunca gostaram de colaboracionistas), manipulará o PS enquanto lhe apetecer e derrubará o governo quando entender que é chegada a hora de ir a votos para aumentar o seu pecúlio político. Não seria a primeira vez que o PC derrubaria um governo do PS. Nem a última.

Costa, o PS, Catarina e o Bloco que se cuidem. Não os esperam dias fáceis.

já podias ter dito, pá

19 Outubro, 2015
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António Costa anunciou, finalmente, o que era já óbvio para toda a gente, mas que ele andou a fazer de conta que não era: que a única maneira de chegar a um acordo de governo com a Coligação é ser ele o primeiro-ministro e o governo assumir integralmente o programa eleitoral do PS. O programa de governo e o candidato a primeiro-ministro que, por sinal, os portugueses rejeitaram nas eleições de há duas semanas. Siga para bingo.

António Costa deve convidar rapidamente estes maqueiros gregos

19 Outubro, 2015

para a sua equipa negocial

Não chateiem

19 Outubro, 2015

Costa quis transformar uma derrota sua e do PS em «vitória das esquerdas anti-austeridade». Muito bem. O PC até lhe deu o beijo de Judas ao dizer «conte cá com a gente». Está inaugurado o parlamentarismo nesta 3ª República agonizante: governa quem conseguir maioria na AR. O que até devia a todos parecer algo de normal. Excepto para os achacados do costume: Ferreira Leite, Marques Mendes, Portas tem um chilique só de pensar na ideia de que se podem fazer maiorias no parlamento. Inventam logo uns golpes e umas falsas legitimidades a preceito. O verniz democrata salta à primeira… E voltam uns à carga com a ideia peregrina que «não foi isto que os eleitores votam. Se soubessem..». Ora, batatas! Os eleitores não deram maioria a nenhum partido/coligação, portanto, carta branca para negociarem e fazerem os cozinhados que forem necessários. Ou o parlamento português é diferente de qualquer parlamento na Europa? O Cavaco ainda foi desencatar uns dogmas do «euro, nato , UE, lusofonia». E logo os papagaios fizeram eco. Mas que raio, está escrito em algum lugar que «os compromissos internacionais» se sobrepoem à vontade do eleitorado e dos seus representantes? Algum desses «compromissos» foi sufragado livremente? Ou é por «natureza» eterno? Não? Então, são negociáveis, como é próprio em democracia. Já não há pachorra para tanto disparate dos últimos dias.

Quanto a Costa, na sua fuga para a frente, e face às reticências dos seus parceiros da dita esquerda, tem agora oportunidade soberana de lhes retorquir: «se não aceitam um acordo para 4 anos, é vossa a responsabilidade de Passos voltar a ser PM». Mas duvido que tenha os devidos fructus solani lycopersici para tal.

E o BE não apoia o Sampaio da Nóvoa por ele não ser comentador televisivo ou por não ter aquilo que chamam ideias avançadas?

19 Outubro, 2015

“É uma irresponsabilidade estender a passadeira vermelha a um comentador televisivo com ideias retrógadas” — Marisa Matias candidata presidencial do BE para forçar uma segunda volta e “quebrar um ciclo bafiento”.

Ps. Se o problema é só o bafio também não vale a pena dar-se ao trabalho de ser candidata. Passe a publicidade este produto faz milagres:

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Entretidos que andamos com o resultados das eleições

19 Outubro, 2015

nem reparamos bem neste tipo de declarações: “Há características mais humanas num chimpanzé ou num cão do que numa pessoa em coma” – André Silva, líder do PAN (Pessoas-Animais-Natureza).
E não vale tentar acreditar que este tipo de coisas nunca terá grande apoio. Lembram-se quando o BE era uma espécie de PAN?

Eu sei que esta é uma Pátria ditosa

19 Outubro, 2015

Mas pelas almas depois de anos de professor Marcelo não vamos entrar na fase Marques Mendes pois não?