Coisas que não me assistem
um artista maior
Das eleições passadas podemos falar?
Tipo mostrar este video do debate Jerónimo-Sócrates em 2011 ali pelas bandas do minuto 46?
Liveblog: Legislativas 2015

O Blasfémias juntar-se-á aos milhares de portugueses que oscilarão entre os canais nacionais para assistirem à noite eleitoral. Teremos comentário em tempo real das reacções, reacções às reacções, reacções às demissões, reacções às reacções de demissões, bocas, bocas às bocas e maledicências variadas relacionadas com expectativas goradas nas apostas erradas por crenças enviesadas prontamente afastadas à medida que as escolhas nas urnas vão sendo escrutinadas.
Siga o comentário em directo, colorido e sempre divertido neste post a partir das 9h00 de Domingo.
Tweets por @manuelparreiraSilêncio que é dia de reflexão
Não é suposto fazer-se propaganda agora. Eu não farei. Sou uma pessoa que respeita a lei, mesmo quando ela é tão estúpida como esta lei eleitoral no que (pelo menos) ao dia de reflexão diz respeito.
Podia dizer-vos para votarem num determinado partido, mas não o farei. Aposto que ninguém imagina em quem vou votar. É como se, digamos, a Catarina Martins disser para irem votar sem especificar o partido, só referindo aquelas tretas do costume que se dizem sobre abstenção, o dever de votar e balelas do género. Porque, se a Catarina Martins disser para irem votar, está mesmo a apelar ao princípio do voto, não ao voto no Bloco; como se irem votar PàF fosse o mesmo que votar no Bloco, só porque sim, porque votar é melhor que estar quieto em casa, mesmo que seja no adversário.
Os candidatos não devem sair de casa. Se saem, habilitam-se a que lhes perguntem algo a que responderão “dever cívico”, “exercer um direito”, etc, etc. Toda a gente sabe que querem que se vá votar num qualquer, não neles em específico. Sábado é o dia em que toda a gente se torna numa espécie de candidato do Livre, um daqueles seres que ninguém sabe em quem vai mesmo votar.
Claro, como estou nos Açores, podia dizer-vos que ainda é sexta-feira. Porque é mesmo. E, como ainda é sexta-feira e não estou a violar coisíssima nenhuma, parece-me que não tem mal nenhum dizer que depois de amanhã vou votar PàF, algo que já toda a gente sabe, mas sendo Sábado, algo que não poderia ser dito. Amanhã, Sábado, é que estarei calado sobre o assunto, porque eu respeito a lei, mesmo quando é muito estúpida.
«são os olhos das pessoas»
coisas engraçadas
O discurso do Carlos do Carmo, no almoço do PS de hoje na Trindade, a dar porrada na Maria de Belém Roseiro, era a «novidade engraçada» que o director de campanha, Duarte Cordeiro, prometera para a jornada de hoje? Aposto que António Costa e Maria de Belém se devem ter fartado de rir.
plano b
Depois de Catarina Martins se ter disponibilizado para ir para o governo com o PS, disponibilidade que não vi, até agora, o líder do PS enjeitar, também o camarada Jerónimo de Sousa anunciou que não aceitará um governo sem maioria parlamentar, logo, se a Coligação não a alcançar ele estará disponível para a viabilizar com o PS e o Bloco. Ora, se é sabido que o camarada Jerónimo estava habituado a governos onde as maiorias parlamentares eram sempre mais do que absolutas, tradição que nunca falhou na extinta URSS e nos países do defunto Bloco de Leste, a verdade é que o bom e velho Partido Socialista nunca navegou nessas águas e, pelo contrário, sempre lhes ofereceu oposição tenaz, de resto, em consonância com a letra e o espírito da Constituição da República. Ver, agora, o PS em semelhantes companhias é um péssimo agouro para a democracia portuguesa e só pode levar a uma conclusão: o PS merece muito melhor.
menos que poucochinho
Apesar da «animação» prometida para a jornada socialista de hoje à tarde, algo me diz que António Costa terá de esperar por domingo à noite para voltar a ver António José Seguro no espaço público. Também, se António Costa nem sequer se dirigiu ao seu antecessor no discurso de vitória na disputa da liderança do partido, não será certamente agora, em antevésperas de outra prodigiosa vitória, que precisará da sua atenção.
Boaventura, um produto dos nossos impostos
Boaventura de Sousa Santos: Numa concepção minimalista, esquerda é toda a posição política que promove todos (ou a grande maioria dos) seguintes objectivos: luta contra a desigualdade e a discriminação sociais, por via de uma articulação virtuosa entre o valor da liberdade e o valor da igualdade plasmada no equilíbrio entre os direitos civis e políticos e os direitos sociais, económicos e culturais; defesa forte do pluralismo, tanto nos media como na economia, na educação e na cultura; democratização do Estado por via de valores republicanos, participação cidadã e independência das instituições, em especial, do sistema judicial; luta pela memória e pela reparação dos que sofreram (e sofrem) formas violentas de opressão; defesa de uma concepção forte de opinião pública, que expresse de modo equilibrado a diversidade de opiniões; defesa da soberania nacional e da soberania nacional de outros países; resolução pacífica dos conflitos internos e internacionais. Ser de direita é ser contra todos ou a grande maioria destes objectivos.
Boaventura de Sousa Santos é Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.
Desaparecidos das notícias
Depois do Tsipras agora são os refugiados.
Indecisos e os planos B do PS
Quando se percebeu que o PS podia não ganhar começaram a aparecer os planos B do PS. O mais interessante é o seguinte:
No caso de o PS ter menos deputados que a coligação mas mais deputados que o PSD sozinho, os socialistas alegam que é o PS que tem direito de formar governo. E então o PS governaria com apoios flutuantes à esquerda e à direita.
Socialistas ainda consideram uma versão alternativa deste plano, no caso em que o PS é menos votado que a coligação e o PSD e a esquerda (PS, BE e CDU) tem maioria absoluta. Nesta versão o PS forma governo com BE e CDU depois de PS, BE e CDU inviabilizarem um governo da coligação votando contra este no Parlamento.
O PS já esclareceu que não dará apoio a um governo minoritário da coligação mas espera que os partidos da coligação dêem apoio a um governo minoritário do PS.
Em suma, o PS espera governar com a direita traindo a esquerda, ou com a esquerda anti-euro desrespeitando uma eventual vitória por maioria relativa da direita. Riscos de ingovernabilidade ou de descontrolo das contas públicas devido a cedências à esquerda não interessam para a equação. O que interessa mesmo é o poder.
São estes os cenários a que o PS se agarra neste momento e deverão esclarecer qualquer dúvidas que os indecisos ao centro ou à esquerda possam ter.
Algo me diz que a bem do casamento do filho desta senhora é melhor ele manter-se lá pela China
a importância de marcelo
O Bloco de Esquerda, que pode chegar muito perto dos dois dígitos, anunciou que quer «ser governo». António Costa, que já terá perdido as ilusões de ganhar as eleições ou, pelo menos, de as ganhar com um resultado expressivo, disse ontem que tem um «plano b» para assegurar o governo, se o «plano a», isto é, a vitória, falhar. Assim, de repente, eleger a coligação de direita já não significa apenas impedir um governo do PS, mas um governo de frente de esquerda em Portugal, que seria o único da União Europeia. E, subitamente também, não eleger António da Nóvoa passou a ser um objectivo de primeira importância.
domingo à noite, no altis
Mas não era só tirar o Seguro?
O que se passou que fizesse com que António Costa e o seu PS conseguissem a proeza de inverter a tendência apontada pelas sondagens (ver gráficos em popstar.pt)?
O que se passou foi António Costa. Antes da campanha era um indivíduo conhecido em Lisboa e pelas centenas que assistem à Quadratura do Círculo na SIC Notícias§, depois da campanha passou a ser conhecido pelo resto dos portugueses. O que parece é que os portugueses não gostaram muito do que viram.
Eu tenho uma conclusão adicional: há pessoas que não foram talhadas para mais que uma câmara municipal, isso já contemplando generosidade. Antes perceber-se isso agora que mais tarde.
§O share médio de sexta-feira passada para a SIC Notícias foi 2%, ligeiramente acima da RTP2 com 1,8%.
Alvíssaras
Dão-se alvíssaras a quem encontrar notícias, reportagens e comentários sobre o novo governo grego.
A prioridade das prioridades
Paulo Tunhas: nesta última semana antes das eleições, a Cultura voltou a atacar. (…) É que ela, a Cultura, não se contenta com aquilo que António Costa, com a sua actual vulcânica generosidade, que faz de qualquer intervenção sua uma lava de promessas, se encontra generosamente disposto a conceder-lhe: um ministério, nada menos do que um ministério. A direita, mesquinha, dá-lhe só uma secretaria de Estado. A esquerda fá-la voar em direcção a mais elevadas paragens e a uma dignidade transcendente que ela por inteiro merece e profunda e incondicionalmente deseja.
Mas um ministério não basta. Quem o disse, num almoço ou jantar que reuniu vários representantes das artes com António Costa num restaurante de Lisboa, foi a artista plástica Joana Vasconcelos. Joana Vasconcelos não quer só um ministério. Quer que a Cultura seja a “prioridade das prioridades” do próximo Governo. (…)
Estas delirantes pretensões dos nossos locais apóstolos da arte e cultores do espírito não mereceriam qualquer atenção neste mundo feito de muita loucura, não fossem elas revelarem um fenómeno assaz singular: a total incapacidade da gente da auto-designada Cultura de pensar com o mínimo de isenção – quer dizer: com o mínimo de pertinência – a coisa política.
um silêncio insuportavelmente ruidoso
uma falácia
Alguém consegue decifrar o que isto quer dizer: «Nós temos um programa de relançamento da economia assente em dois vectores fundamentais: a reposição do rendimento das famílias e a criação de condições de investimento por parte das empresas».
Vamos por partes:
- Como é que um governo repõe «o rendimento das famílias»? Concede-lhes crédito? Obriga os bancos a fazê-lo? Cria algum subsídio especial para apoiar famílias?
- E como é que um governo cria «condições de investimento por parte das empresas»? Aumentando o salário mínimo? Endurecendo a legislação do trabalho? Ou baixando os impostos sobre os lucros, sobre o rendimento dos empresários e trabalhadores?
Estas questões são significativas, porque António Costa anunciou que alavancará a segurança social e as pensões no dito «crescimento económico», o mesmo é dizer, no «relançamento da economia». E sem que isto se torne claro, todo o programa económico do PS será uma falácia.
Para que não me acusem de insensibilidade social
Alguém tem notícias do Fernando Tordo?
Também era importante discutirmos o sofrimento das crianças impedidas de serem co-adoptadas.
Há mais causas, mas, sinceramente, e tal como aconteceu convosco, lamento já as ter esquecido.
não há espaço vazio
A Rússia de Putin a ocupar, e muito bem, o espaço deixado vazio pela errática administração Obama. Na política internacional, mais do que em qualquer outra, não há espaço vazio, menos ainda lugar para dúvidas e hesitações, e o caos na Síria, muito devido às tontices da administração democrática norte-americana, já dura há tempo demasiado, com consequências gravíssimas para toda a comunidade internacional, para que continue como está. Esperemos que Obama, que se absteve de desempenhar o papel que competia ao país a que preside na comunidade internacional, com excepção de ter patrocinado e embarcado nas tontices da «Primavera Árabe», não reaja de forma asneirenta a este gesto da Rússia.
não tem, nem tem que ter, mas já teve
Manuel Alegre queixou-se de que «o PS não tem bancos, televisões, jornais, empresas de sondagens». É verdade. Vão já longe os tempos do assalto ao BCP e à Caixa (usando, de resto, os mesmíssimos comparsas), das nacionalizações do BPN, dos compadrios com o BES na PT e noutros locais igualmente pouco recomendáveis, dos créditos da Caixa ao comendador Berardo, das tentativas de compra da TVI, das negociatas na Lusomundo, etc.. Vão longe e esperemos que não voltem, apesar dos lancinantes apelos do bardo socialista.
A quem telefonam as empresas de sondagens?
Durante muito tempo a tese era que as empresas de sondagens não telefonavam a ninguém. Limitavam-se a inventar os números, o que a meu ver me parece mais inteligente. Agora começaram a aparecer casos de pessoas que são contactadas por empresas de sondagens. E quem são essas pessoas?
Uma dessas pessoas é amiga do Daniel Oliveira, é candidata do Livre (e também pertenceu a uma Brigadas Revolucionárias) e é de Évora. Foi contactada pela Católica. A Católica faz 2% dos telefonemas das sondagens para o Alentejo, o Livre tem votações da ordem do 1% e deve ter uns 20 candidatos em Évora, se tanto.
Lendo os comentários fica-se a saber que há mais casos de pessoas contactadas por sondagens. Uma Isabel Fernandes tem um amigo ligado ao Partido dos Animais (menos de 1% dos votos) que também foi contactado.
Curiosamente, José Colaço Barreiros tem uma história idêntica à da amiga do Daniel Oliveira. Só que, no caso do José quem é hostilizado pelo sondador é a CDU.
Ora, estas histórias levam-me a desconfiar das sondagens. É óbvio que não andam a contactar aleatoriamente a população. Têm especial predilecção por telefonar a pessoas politizadas, muitas vezes militantes empenhados e até candidatos de pequenos partidos ou amigas de gajos que aparecem na TV. Como é que esperam que isso possa gerar resultados fiáveis?
Podia ter morrido alguém, valha-me Deus
Ando com pouco tempo mas senti necessidade de vir cá colocar um post sobre algo que me sobressaltou na esperança de alertar para a situação antes que aconteça uma catástrofe.
Então furaram a segurança em Setúbal ao ponto de conseguirem chegar ao palanque do PS sem que ninguém agarrasse o invasor? Foi tudo tão rápido que nem deu para cortar o som do microfone? Vá lá que era só uma senhora bronzeada, com ar de riquinha e cabelo perfeito a condizer, que se queixava do filho andar sempre na boa-vai-ela e, por isso, nunca estar em casa excepto para lhe pagarem a boda. E se em vez da pacata morena com cabelo dourado fosse um perigoso nacionalista-socialista, a apregoar o ódio, lançando farpas sobre tudo o que é alemão e com piadas sobre inalar primeiros-ministros?
E se fosse um assassino, pronto a disparar sobre Jorge Coelho? É esta a segurança nos comícios do PS? Não admira que estejam vazios.
Vejam lá isso antes que alguém se magoe.
campanhas negras
A campanha do PS submergiu, de há duas semanas, numa campanha negra de casos e casinhos contra o governo. É um erro grave, que em boa parte explica o fracasso deste partido nas sondagens. Porque, quem estava decidido a votar nos partidos do governo, não é com estas tretas que mudará de voto: por fidelidade partidária, por acreditar que estes «factos» não passam de campanha, ou as duas coisas juntas, não haverá desvios de voto significativos por causa disto. Em contrapartida, em relação aos indecisos, com quem o PS deveria estar preocupado, também não é por salientar os deméritos alheios que o PS conseguirá evidenciar as suas excelsas qualidades. Os indecisos querem ser convencidos a votar em alguém e não propriamente a não votar em terceiros. Não por acaso, o PS continua a descer nas sondagens, enquanto a Coligação mantém as intenções de voto há semanas. Alguém sensato que lembre aos estrategas do PS os resultados da última campanha negra em eleições portuguesas. Precisamente a que opôs Santana Lopes a José Sócrates. Pode ser que aprendam alguma coisa para as próximas eleições.
lata
Mesmo que o governo da Coligação tivesse martelado as contas do ano de 2012, o que parece estar longe da verdade, estas seriam sempre a consequência dos anteriores anos de governação. Os prejuízos financeiros, numa empresa ou num país, não caem do céu e têm sempre um histórico que convém conhecer. Ora, antes de 2012, o governo estava entregue, por sinal, ao partido que acusa agora, de dedo em riste e voz crispada, este governo de ter enfiado para baixo do tapete o lixo que eles deixaram por limpar. É preciso ter lata! E é precisamente por ter lata a mais que este PS de António Costa vai perder as eleições. O povo não é estúpido. E, quanto ao PS, que prepare urgentemente o day after, se não quiser acabar como o PASOK daqui por uns meses…
marcelismo 2015
A alternativa a reconhecer que boa parte dos eventuais méritos eleitorais da Coligação ficarão a dever-se aos deméritos do PS e de António Costa será a de afirmar que o povo não sabe o que faz e que se deixa enganar com facilidade. Marcello Caetano também acreditava nisso. Ele dizia que a democracia era o melhor dos regimes, mas em Inglaterra. Por cá, em Portugal, o povo ainda não estava preparado para ela.
telegráficas
António Costa tomou o PS de assalto. Os portugueses sabem que nas costas dos outros vêem as suas.
António Costa nunca assumiu o passado recente do seu partido. Em vez disso, preferiu passar uma esponja sobre as responsabilidades do mesmo na falência de 2011 e atirar as culpas integralmente para quem veio a seguir. As pessoas não gostam que façam delas parvas.
António Costa encostou o PS à extrema-esquerda, convencido que assim ganharia o voto de protesto mais radical contra a austeridade. Perdeu o centro político onde se ganham as eleições, pôs em fuga o eleitorado conservador e não conseguiu roubar um único voto a esses partidos, que por aí continuam viçosos como nunca. À custa do PS, diga-se.
António Costa, ao contrário do que se diz, desagradou a toda a gente no caso Sócrates. Ao próprio, porque lhe falhou com a solidariedade que ele esperava. À generalidade da opinião pública, porque foi sempre evasivo. Àqueles que abominam o ex-primeiro-ministro, porque não o crucificou na praça pública.
António Costa, depois de quatro anos de dificuldades extremas, prometeu o paraíso terrestre aos portugueses. Os portugueses estão fartos que lhes vendam banha-da-cobra.
Sobre aquilo que mais interessava aos eleitores, a situação económica do país, António Costa delegou responsabilidades numa equipa de «sábios», confessando assim a sua falta de preparação na matéria. Mas é do primeiro-ministro que os portugueses esperam respostas claras.
À falta de argumentos e em estado de desespero provocado pelas sondagens, António Costa aceitou patrocinar uma campanha negra contra os partidos do governo. As campanhas negras nunca deram a vitória a nenhum partido em Portugal. Não será também desta vez que irão dar.
O drama de António Costa
António Costa chegou à liderança do PS com o estatuto de ungido, municiando a sua batalha contra António José Seguro com os números das sondagens.
Com o aproximar das eleições, entre algumas decisões erráticas, a estratégia do PS parecia finalmente ser a mais adequada: apostar todas as fichas na tese da credibilidade e das contas certas, acompanhada de compromissos gerais dirigidos ao eleitorado que decide o vencedor das eleições.
A ideia de construir um “cenário macro-económico” seria uma excelente ideia no quadro de tal estratégia, não se desse o caso de o protagonista ter um passado associado a más contas ou, pelo menos, a contas mal explicadas (seja nos governos por onde passou, seja na Câmara de Lisboa) e de cedo o cenário se mostrar lacunoso e até mesmo errado ou incompatível com alguns dos compromissos entretanto anunciados, sem que tal fosse reconhecido ou explicado, minando a tão desejada quão difícil de conquistar Confiança.
A estratégia parece entretanto ter mudado. Ler mais…
A ler
A menos de 5 dias do final da campanha: o guia para os perplexos do Pedro Magalhães, no Margens de Erro.
Lembram-se dos pássaros dodo? Não é ideologia. É biologia
Mas ó santo homem quem pode pensar uma coisa dessas?
JN: Passos Coelho e Paulo Portas mudaram um percurso de campanha para evitar um protesto de lesados do BES que, este sábado, provocou alguns momentos de tensão e foi condicionado por militares da GNR. Um dos manifestantes esteve alguns minutos em diálogo com o assessor de imprensa do PSD José Mendonça, e queixou-se de ter sido impedido de passar por um elemento das forças de segurança: “Agarrou-me aqui, apertou-me, eu ia pela rua. Somos pessoas de bem. Quase todos são PSD, militantes, presidentes de junta do PSD, não se faz isto, é uma vergonha, o senhor primeiro-ministro sabia perfeitamente que ia ter este problema para as eleições”, dizia este homem para o assessor de imprensa do PSD. “Não está a falar com comunistas nem nada”, acrescentou.
Vossa mercê perdoe-me mas o que fazem os comunistas no meio disto? Saberá o senhor ou não saberá porque pelos vistos era um capitalista do PSD com dinheiro para aplicar no BES que os comunistas não são lesados do BES porque os comunistas estão a libertar-se das grilhetas da opressão e da fome!!! Ora que coisa essa de invocar os comunistas para falar dos piquetes de capitalistas despojados dos seus bens.
Gatos fássistas
Mistérios
Durante estes quatro anos nunca vimos alguém dizer que apoiava as medidas tomadas pelo Governo. Mas estas pessoas estão agora nas sondagens e nas ruas. E contudo os jornalistas portugueses não as mostraram. Viveriam escondidas? Estariam em caves? Teriam feito voto de silêncio? Nunca quiseram dar uma entrevista?
Também vos adoro
“À primeira qualquer um cai, mas à segunda só cai quem quer”, terá dito o auto-depreciativo Costa perante uma plateia preparada para não mencionar Sócrates. Porque não se menciona Sócrates, deixemos isso bem claro.
Não tivesse sido Costa o número dois com vontade de agora ser o número um do não-mencionável Sócrates.
Recordo que Costa não caiu à primeira, quando a tralha implorou piedade através de um escape institucional. Mas caiu à segunda, quando a tralha, em desespero de causa, abalou a inércia que garantia a eleição mais fácil de que há memória. E se perder, é porque quis. Ou então não, talvez seja só porque é o que merece.
Este cravo é vosso. Guardem-o como recordação, lembrem-se de mim, não me esqueçam.
Adoro-vos a todos.
‘We’ve lots of different cultures’ coming in
Avante camaradas, o sonho de Cunhal está quase a cumprir-se
De certeza que não querem falar do Sócrates?
De certeza? Absoluta? Isto não está a correr particularmente bem; aliás, isto está a correr tão mal quanto seria de esperar que estivesse a correr bem.
Na SIC Notícias, há pouco, Adão e Silva dizia que, a concretizar-se, seria a vitória mais escassa da direita (“a direita”, repito) de sempre. Como a vitória do FC Porto sobre o Benfica no dia 20. A vitória mais escassa de sempre, por um golo. É bom termos comentários inteligentes na televisão, daqueles que nos fazem pensar. Estas pessoas é que deviam estar na Academia.




