Nos livros corria tudo às mil maravilhas
a culpa não é do tsipras. nem do varoufakis.
Não se trata de um rebate de consciência pelas malvadezas que tenho vindo a escrever sobre as duas personagens do título. Tão pouco de uma adesão às velhas teorias sociológicas e criminais muito em voga nas décadas de 1960 e 70, segundo as quais a culpa do crime era mais da sociedade (de todos nós) do que dos infelizes dos criminosos que não tínhamos sabido educar. A questão é outra. Trata-se do facto da «geração Tsipras», à qual pertencem os dois malandrins gregos, ter crescido numa cultura europeia segundo a qual não era necessário haver responsabilidade para que o sucesso e o sossego estivessem garantidos. Na verdade, depois de terem sido fundadas nos bons e sãos princípios liberais da liberdade de comércio que conduz à paz, cedo as Comunidades Europeias assumiram uma deriva «social», segundo a qual lhes competiria a criação de um «modelo social europeu» fundado na convicção de que essas organizações supranacionais, e mais tarde a União, se bastariam a si mesmas para trazerem prosperidade, alegria e felicidade aos povos que as compunham. A partir da década de 70, as Comunidades, não se bastando com o sucesso do Mercado Comum (ainda em construção, note-se), protegeram o ambiente, o emprego, a saúde, os direitos dos trabalhadores, dos cidadãos europeus, em suma, a felicidade. Para isso, despejaram dinheiro a rodos sobre os estados membro, muito do qual para os estados que agora se encontram em crise, como Portugal e a Grécia. Infelizmente, o Pacto de Estabilidade e Crescimento só viria mais tarde. Quando os estragos já eram imensos.
Em 1963, Barry Goldwater (força aí com as rosnadelas, ó camaradas), escrevia: «O Socialismo através do Assistencialismo cria um perigo muito maior para a liberdade do que o Socialismo através da Nacionalização, precisamente porque é mais difícil de combater. Os males da Nacionalização são evidentes por si próprios e imediatos. Os do Assistencialismo são velados e tendem a ser adiados. As pessoas são capazes de compreender as consequências da entrega da propriedade da indústria siderúrgica, digamos, ao Estado; e é possível contar que se oponham a tal proposta. Mas aumente o governo a contribuição para o programa de “Assistência Pública” e nós, no máximo, resmungaremos contra as despesas governamentais excessivas. O efeito do Assistencialismo sobre a liberdade será sentido mais tarde – após os seus beneficiários se terem tornado as suas vítimas, após a dependência em relação ao governo se ter tornado servidão e ser tarde de mais para abrir as portas da prisão. (…) É possível que um homem não compreenda imediatamente, ou nunca compreenda, o dano assim causado ao seu carácter. De facto, este é um dos grandes males do Assistencialismo – transformar o indivíduo de um ser espiritual digno, industrioso, auto-confiante, numa criatura animal dependente sem o saber.».
Foi isto que sucedeu na Grécia de Tsipras e Varoufakis. E é por isto, também, que eles reclamam, indignados, por acharem que nada precisam de fazer para manterem o «greek way of life», reclamando a «solidariedade europeia» que subitamente lhes começou a faltar como eles a percebiam. Também eles, à sua medida, são vítimas do assistencialismo de décadas que recaiu sobre a União Europeia. E o Varoufakis até escreve livros sobre o assunto. É um teórico da coisa, que não consegue entender por que raio a coisa que ele teorizou está agora a falhar.
a vanguarda do euro
É sabido que os socialistas são dados a «vanguardas», mas desde a já antiga «vanguarda do proletariado», não se lhes conhecia nada de novo nesta matéria. Uma vanguarda é sempre e para todos os efeitos, uma elite que pastoreia o povo, no caso do socialismo, as «massas populares». A necessidade das elites dirigentes na teoria socialista é antiga, mas na nossa modernidade remonta a Rousseau, que inventou a soberania una e indivisível, logo, só possível de ser exercida por delegação do povo a um restrito número de dirigentes. Até mesmo a um só, se necessário. Maximilien Robespierre foi o primeiro a pôr esta doutrina em prática.
Ora, quando se pensava que o tema estava esgotado, vem-nos uma novidade de França, esse berço da civilização moderna, e do seu esclarecido presidente, o socialista François Hollande. Ele propõe, sem se rir, que a Europa, ou a Zona Euro, o que é, nos dias que correm, praticamente a mesma coisa, passe a ter um governo, mas um governo restringido apenas a seis países, os mesmos que fundaram as Comunidades Europeias. Assim ficariam ultrapassadas as deficiência da governança comunitária, que os sucessivos tratados não têm conseguido resolver, como ultrapassados ficariam os próprios tratados, que sempre estabeleceram e mantiveram uma governança comunitária entre estados aproximadamente iguais na sua representatividade e peso político. Lixo com eles, pois então!
Aguardemos, agora, as manifestações dos socialistas indígenas a este respeito, eles que sempre se mostram tão zelosos com os excessos da Alemanha e o seu suposto predomínio na Europa dos nossos dias. Certamente que não se conterão em indignações. A ver vamos.
Um dedo para a frente, três dedos para trás
O Observador tem um artigo giro sobre erros humorísticos que turistas estrangeiros cometem em questões colocadas a guias turísticos. Coisas como achar que o rei D. Carlos poderá ter sido assassinado por Salazar são engraçadas e, sobretudo, evidenciam as diferenças entre os erros históricos cometidos por estrangeiros e os cometidos pelos próprios portugueses. Por exemplo, um erro que os portugueses cometem mas que não é mencionado no artigo do Observador sobre os estrangeiros é haver quem ache que foi o actual governo quem chamou a Troika; outro é acharem que a Troika veio por um desígnio diferente do de salvar o país da bancarrota.
Os erros cometidos pelos portugueses são, inclusivamente, muito mais giros que os cometidos pelos turistas. Por exemplo, dificilmente um turista habituado a proteger a carteira dos meliantes comuns cairia no conto do vigário ou, como agora já se pode dizer, no conto do Varoufakis. Porém, vai-se a ver as sondagens, ainda há muitos portugueses dispostos a cair no conto da tralha bancarroteira que viu em António Costa o testa-de-ferro disponível para a conclusão do trabalho.
Sim, os erros cometidos pelos turistas são giros, mas os erros cometidos pelos portugueses, além de giros, têm também a doce tragicomédia da ironia que passa despercebida a uma grande parte dos ’tugas.
só cá faltava mais este
Embora, há que reconhecê-lo, de «humilhações», coisas «nefastas», «planos selvagens», «fins-de-semana fatídicos» e «efeitos devastadores» perceba ele. Nisso, e noutras coisas, é um mestre. Um mestre da redundância, até porque, como o próprio confessa «o diabo nunca está longe e leva-nos de volta para os erros do passado». Enxergue-se, homem!
Adivinhe qual imagem destas chocou o mundo
A rainha de Inglaterra em 1933 quando não era rainha e por sinal tinha 6 ou 7 anos fez a saudação nazi. Hitler ainda não tinha invadido país algum e nem de longe nem de perto se conhecia o que ficou conhecido como solução final.( Já agora em Portugal também se arranjam fotografias dessas muito antes da sua leitura política, de equipas de ciclismo por exemplo.)
O papa Francisco em 2015 com 78 anos e no exercício das suas funções papais aceitou como presente e pegou num crucifixo cravado numa foice e num martelo, símbolo de uma ideologia que independentemente do que venha a matar já matou milhões de seres humanos
Foi a Albânia senhores, foi a Albânia
destruição de emprego
Quando uma empresa vai à falência, o que é que sucede com a maioria dos seus trabalhadores?
E quando vai um país à falência, quais serão as consequências?
Por isso, quem é que anda a «enganar as pessoas»?
execrável
Este indivíduo da foto ao lado foi, durante os últimos cinco meses, o responsável pelas finanças da Grécia e não só não resolveu (que se saiba) um único problema do seu país, como o deixou à beira do abismo, com bancos fechados, falta de liquidez nos cofre públicos para pagar seja o que for e uma deserção ímpar dos capitais privados, com os cidadãos gregos alarmados com a situação para a qual o seu governo estava a levar o país. Vaidoso, insolente, convencido da sua imensa genialidade, sempre ostentando um sorriso entre o imbecil e o cabotino (duas extremidades muito próximas, como se sabe), este cavalheiro precipitou o seu partido, o seu governo e o povo grego para uma estratégia irresponsável de confronto com os países da Zona Euro e da União Europeia, a quem o país devia dinheiro – muito dinheiro -, e de quem pretendia muito mais, procurando impor as suas regras e condições, sem qualquer disposição para negociar. Quando, ao fim de cinco meses de ter andado a brincar com quem não devia, foi confrontado com um «deadline» e a obrigação de ser claro e dar uma resposta conclusiva, acobardou-se e escondeu-se atrás do povo grego, a quem tratou de mentir e instrumentalizar, prometendo-lhe o que sabia não poder garantir, empurrando-o para um referendo irresponsável – que poderia ter custado caríssimo, não fosse haver gente adulta do outro lado da mesa -, e tendo dado a sua garantia de que a vitória do «não» seria suficiente para reverter as condições que os credores exigiam ao governo. Na manhã seguinte, depois de ter conseguido o resultado que pretendia, demitiu-se para não ter que enfrentar a dura realidade das coisas. Deixou esse sujo trabalho ao seu ex-colega Tsipras, de quem anda agora a dizer mal pela comunicação social que ainda o quer ouvir, e foi causador de uma gigantesca humilhação do seu povo, cuja vontade expressa no referendo que inventou foi completamente dispensada. Depois de tudo isto, em vez de fazer as malas e remeter-se, envergonhado, ao recato do seu abastado lar, continua a andar por aí a dizer cavalidades, anunciando consequências tremendas por causa de uma situação que criou e que teve tempo e poder para ter evitado. Um sujeito execrável, este novo herói da esquerda radical (e não só…) europeia. E um exemplo a não copiar…
Humor só com os do costume!!
Sejam consequentes
Passei uns dias sem grande disponibilidade para indignações de internet, eis que hoje reparo haver a circular por aí um apelo ao boicote de produtos alemães. É divertido: o meu Renault é mais fixe que o teu Mercedes, a minha aspirina é do povo, não é neo-colonialista.
O meu apelo, em solidariedade com o apelo ao não consumo de produtos alemães, é um bocadinho mais consequente: apelo a que não usem qualquer tipo de produtos que tenham sido inventados, produzidos, transportados ou que incorporem em qualquer parte do processo da concepção ao usufruto qualquer tecnologia ou trabalho alemão. Assim, sim, respirar-se-á muito melhor.
vai mesmo ser necessário pedir-lhes muito
“Peço aos deputados do PS que nunca calem a divergência”, António Costa.
“Costa é acusado de estar a fazer “razia” a principais caras do segurismo”, dizem os apoiantes de António José Seguro, no i.
Pf.
Se não for pedir muito podem levar este reforço?
Devem ter-se perdido no caminho. Ou fizeram um desvio para ir ver a casa de praia do Varoufakis
“Caros concidadãos gregos: Aguentem firmes! Os reforços vêm a caminho!” Ana Drago, Daniel Oliveira e Rui Tavares. Fevereiro deste ano.
A economia na versão carochinha
Sousa Tavares dá-lhe sempre para as coisas medievais, os gestos rasgados, as grandes frases… no fim nunca diz como resolveria ele o problema mas o estilo é grandioso. Helena Roseta arranjou um jeito meio poético de falar e por ali ficamos. Mas é bonito.
a próxima reforma de alexis
A frase desta crise e dos próximos meses
Digam ao Costa
O ruído histérico sobre o fim da União Europeia em consequência do proto-acordo negociado com a Grécia não faz qualquer sentido. Se a União Europeia acabou, que diferença faz um acordo? O que causa a histeria não é o fim da União Europeia e sim a secagem da teta onde tencionavam sorver algo mais que o azedume da aritmética.
Agora, alguém avise o Costa.
Reformas na Grécia
Com este acordo com a Grécia há esperança que venham finalmente a avançar reformas difíceis como a liberalização da venda do pão ou a abertura do comércio ao domingo. Para mais tarde fica a venda livre de medicamentos sem receita.
O Varoufakis foi de férias
Achou? Foi assim uma ideia e lembrou-se de experimentar? Ah…
Tsipras: “Achei que o referendo ajudasse a conseguir um acordo melhor”
Se lhe disserem que atirar-se de um prédio com dez andares pode ser boa ideia veja lá o que é que acha.
descubra as 7 diferenças
Manobra de diversão!
“Às 16h45 horas, o Departamento de Agenda da TVI comunicou-me que o meu programa na TVI24, que deveria ser transmitido esta terça-feira a partir das 22 horas, fora cancelado, sendo emitido em alternativa um programa especial de análise à entrevista que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, concede à SIC. Considero estar perante um acto de censura por parte da direcção de informação da TVI“, declarou Augusto Santos Silva.
Como escreve Paulo Ferreira “Bem vindo a Portugal, o único país onde directores de informação e directores de jornais estão impedidos de mudar de comentadores e colunistas. Só podem convidar e contratar – e mesmo assim… – mas nunca substituir, dispensar, despedir, demitir. Podem demitir editores, trocar apresentadores, despedir jornalistas, dispensar gráficos. Mas os comentadores, esses, são intocáveis. Eles são os donos do “seu” programa, os decisores de antena, eles substituem-se aos editores e directores na tomada de decisões editoriais. Directores podem e devem decidir sobre a notícia de abertura do telejornal, a manchete da edição de amanhã, a reportagem que vai para o ar ou que é paginada. Mas ai deles que decidam que um comentador deve ser substituido por outro. “Censura”, gritam os dispensados, num insulto a todos os que sofreram e lutaram contra a censura, a verdadeira, a que calava, proibia, prendia, torturava, matava. Tenham vergonha. Censura! Augusto Santos Silva vai ser substituido por Fernando Medina. Estão a censurar socialistas. Não há paciência…
um verdadeiro marxista
Alexis Tsipras, um verdadeiro marxista; «Assinei um acordo em que não acredito!».
Como sempre disse, estes tipos do Syriza ainda nos vão divertir bastante. Apesar do palhaço pobre já ter abandonado o circo.
argulou
Esta conversa de António Costa sobre o Syriza e as supostas malvadezes que o governo de Passos terá feito à Grécia começa a ser profundamente entediante e é reveladora de um absoluto desnorte que vai na cabeça do líder socialista. Sobre o tema e sobre o próprio Costa, o eleitorado português terá, provavelmente, pouco mais do que os seguintes sentimentos: 1º está-se nas tintas para o Syriza, o Tsipras e que a Grécia fique ou saia do euro, desde que isso não lhe toque nos bolsos; 2º está à espera que Costa fale sobre o que interessa, que é como poderá fazer mais e melhor pela vidinha dos portugueses, coisa que até agora não explicou; 3º percebeu que António Costa «argulou» (de «meter argolada», expressão que sugiro se lhe aplique em futuras situações idênticas) no assunto da Grécia e que está a ver se a coisa se esquece o mais rapidamente possível, por puras razões eleitorais; 4º quer perceber se António Costa fará parecido com o que fez o Syriza, ou se tem algum juízo na cabeça. O resto é conversa para encher balões.
O seu a seu dono
As redes sociais andam animadíssimas com o contributo de Passos para a solução encontrada no Eurogrupo. É melhor deixarmo-nos de discussões que não levam a parte alguma. Pelo contrário há soluções cuja autoria não se discute nem se partilha. Por exemplo, a táctica negocial do do Varoufakis é claramente inspirada no estilo Pedro Nuno Santos, ‘cabeça de lista’ do PS por Aveiro, nas próximas Eleições Legislativas. Em 2011 Pedro Nuno Santos antecipou a táctica Varoufakis nestes termos:
Em boa verdade foi mesmo um tremedouro!!!
eurosarilho
O euro é um enorme sarilho do qual a União Europeia sairá com dificuldade, se é que conseguirá sair incólume do problema que ela mesma criou. À esquerda e à direita já se entendeu, e nem sempre por motivos divergentes, que a unificação política de um bem – a moeda – que deveria obedecer às normais regras da concorrência de mercado, é um prejuízo para o Mercado Comum e não traz qualquer vantagem para a integração política.. Um dos pontos mais críticos, sobretudo à esquerda, é o predomínio que a Alemanha alcançou sobre as políticas do euro e a sua quase hegemonia financeira na União.
Não sendo as coisas exactamente assim, vale a pena recordar um pouco da história do euro e os factos que nos levaram até aqui. Apresentada nos termos precedentes, fica a parecer que a moeda única foi resultado de um masterplan imperial alemão para dominar a Europa, de que os restantes países foram vítimas inocentes. Nada de mais errado. Quem conhecer a história deste processo, não ignora que a Alemanha não tinha o mais pequeno interesse em abdicar da sua moeda – o marco -, que era a moeda europeia mais forte, ao tempo em que se decidiu enveredar pela moeda única, no final da década de 80 e no Tratado de Maastricht de 1992.
O que de facto sucedeu foi que o euro foi imposto à Alemanha como condição para a reunificação alemã. O raciocínio estratégico aplicado, da responsabilidade de Mitterrand e do governo socialista francês, foi que a Alemanha era já excessivamente poderosa para se reunificar e manter a sua soberania monetária intacta. Assim, fez-se à moeda alemã o que tinha sido feito, na década na década de 50 ao seu carvão e aço, com medo que aquele país se voltasse a rearmar: foram colocados sob a soberania de uma alta autoridade europeia supranacional, a CECA: a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Ou seja: a Alemanha poderia reunificar-se se abdicasse da sua soberania monetária absoluta e a passasse a partilhar com outros países da União, concretamente a França.
O resultado disto já todos o conhecemos: a Alemanha, fruto de diversos motivos, afirmou-se como a primeira potência europeia continental, com uma economia que prevalece sobre todas as outras economias da Zona Euro. A coisa correu mal para a França, é certo. Mas este país só poderá queixar-se de si mesmo.
Técnica de negociação de Varoufakis
– Se vocês não nos pagam sem condições saímos do euro. Todos os países serão contagiados e o euro acaba.
– Não pagamos.
– É um golpe, vocês sempre quiseram expulsar-nos do euro.
Não levanta o ordenado no multibanco pois não?
O antigo técnico do Sporting Cp foi confirmado esta terça-feira como o novo treinador do Olympiacos, campeão grego. Marco Silva tinha rescindido contrato com os “leões” no último domingo. O técnico de 37 anos assinou contrato com o Olympiacos para as próximas duas épocas e receberá um salário anual de 700 mil euros.
Salvar a banca com mais austeridade para as pessoas
Tudo muda
“Se votarem em partidos que não respeitam os princípios fundamentais da União Europeia, isso afectará as relações com os outros países”. – 2000, António Guterres, primeiro-ministro de Portugal e presidente em exercício da UE, sobre o facto de a coligação que governava a Áustria passar a integrar um partido de extrema-direita, o FPÖ.
Não estou a entender
Ficaram admirados por a ideia que desbloqueou a cimeira ser de Passos Coelho? Eu não. Aliás só podia ser assim pois como era ele quem segundo a Catarina Martins, António Costa, Jerónimo de Sousa e etc estava a bloquear a ajuda ao governo grego só podia ser ele a desbloqueá-la.
A Terceira Via
Porfírio Silva, coordenador de sábios:
Mas como é que o PS prepara uma alternativa? Os gregos não estão a conseguir.
Essa ideia de que a política de austeridade é a única que é possível dentro da União Europeia é uma tese muito curiosa — porque ao mesmo tempo é a tese de uma certa direita que diz que a austeridade é que é boa e não se pode fazer outra coisa; e é a tese de uma certa esquerda que diz que na Europa só conseguimos fazer política de austeridade. Há outras forças que dizem não, não há só austeridade. Na realidade, há duas maneiras de estar na União Europeia que não dão resultado.Uma delas é a do Governo grego?
Uma delas é a política da submissão, que é a do actual Governo português e que se resume a que alguém disse o que temos de fazer e nós vamos fazer e tentar ser os bons alunos —o que significa que prescindimos da nossa voz na União Europeia. E depois há a via da proclamação e depois logo se vê, que num certo sentido é aquilo que está a acontecer com a Grécia.(In Público)
Agora é só explicar qual é a Terceira Via.
vitórias de pirro
Muito dificilmente a Grécia resolverá bem e a tempo as questões internas sobre o acordo com os credores que a vão dilacerar nos próximos tempos. No fim de contas, esse acordo representa, de facto, o exacto contrário das ilusões que levaram Tsipras ao poder e que foram amplamente confirmadas no referendo sobre a austeridade que o legitimou para endurecer a sua posição negocial. O desentendimento no seio da maioria parlamentar que apoia (?) o governo grego e a provável realização de eleições antecipadas dificilmente permitirão que o governo consiga executar o que acordou na madrugada de hoje com os credores. O agravamento das condições económicas do país e a falta de tempo para poder aguardar por novas eleições não auguram nada de bom.
Ora, perante este conjunto de factos, realçando-se, entre eles, a absoluta capitulação do Syriza, liderado por Tsipras, aos programas de austeridade, melhor dizendo, de contenção e reformas, o líder do PS, António Costa, não tem nada a dizer? Afinal, por que motivos abandonou Tsipras o virtuoso caminho inicialmente prometido aos seus eleitores, que António Costa tanto elogiou, de renuncia a esses programas, como, de resto, também já o tinha deito o agora recuperado Hollande? Costa deve uma explicação ao país, aos portugueses e aos eleitores sobre esta renúncia a princípios que o entusiasmaram e que ele assumiu como seus e de um futuro governo PS, e que, vai-se afinal a ver, acabam por ser abandonados por um governo duplamente legitimado para os defender.
Na verdade, ainda sem sabermos ao certo como irá terminar, o que se passou nos últimos seis meses com a Grécia demonstra que um governo de um país da União Europeia não pode ser dirigido pela esquerda radical. A União é uma organização supranacional, de integração económica, monetária e política, com regras comuns que prevalecem sobre o direito interno dos estados, mesmo até sobre as próprias constituições. Não dá para aventuras, nem para voluntarismos, ainda que fundamentadas na «vontade soberana do povo». A soberania comunitária, como é sabido, está longe de ser eminentemente nacional…
Por isto também, António Costa deveria, há muito, ter-se aproximado do centro, em vez de se ter chegado à esquerda radical, como fez nos primeiros meses do seu mandato no PS, ao encostar-se a Rui Tavares e ao Bloco. A não ser que queira transformar a sua eleição para a liderança socialista numa vitória de Pirro, como fez o Syriza com os resultados das legislativas e do referendo.
O paradoxo grego
O Syriza foi eleito com um programa anti-austeridade. Apesar disso, um governo que conseguiu pôr em marcha um referendo numa semana terá condições que nenhum governo anterior grego teve para aprovar em poucos dias o pacote de medidas acordado com o Eurogrupo.
Resta, porém, saber quantos (e por quanto tempo) deputados da coligação governamental aguentarão o “tremendo peso moral” da ultrapassagem de todas as “linhas vermelhas” do programa com que foram eleitos.
Rule of Law
Do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (redacção do Tratado de Lisboa)
Artigo 123.º
1. É proibida a concessão de créditos sob a forma de descobertos ou sob qualquer outra forma pelo Banco Central Europeu ou pelos bancos centrais nacionais dos Estados-Membros, adiante designados por “bancos centrais nacionais”, em benefício de instituições, órgãos ou organismos da União, governos centrais, autoridades regionais, locais, ou outras autoridades públicas, outros organismos do sector público ou empresas públicas dos Estados-Membros, bem como a compra directa de títulos de dívida a essas entidades, pelo Banco Central Europeu ou pelos bancos centrais nacionais.Artigo 125.º
1. Sem prejuízo das garantias financeiras mútuas para a execução conjunta de projectos específicos, a União não é responsável pelos compromissos dos governos centrais, das autoridades regionais ou locais, ou de outras autoridades públicas, dos outros organismos do sector público ou das empresas públicas de qualquer Estado-Membro, nem assumirá esses compromissos. Sem prejuízo das garantias financeiras mútuas para a execução conjunta de projectos específicos, os Estados-Membros não são responsáveis pelos compromissos dos governos centrais, das autoridades regionais ou locais, ou de outras autoridades públicas, dos outros organismos do sector público ou das empresas públicas de outros Estados-Membros, nem assumirão esses compromissos.
duas sem três
A três meses de eleições legislativas, agrava-se a contestação, no PS, à liderança de António José Seguro, por causa das posições que o ainda líder socialista tem tomado sobre o Syriza e a Grécia.
Os seus contestatários, em número crescente no partido, segundo se diz, acusam-no de ter tido uma posição inicial de imprudência pelo excessivo triunfalismo com que recebeu a vitória de um partido de extrema esquerda: «É importante que outros países europeus deem força a esses resultados na Grécia, que dão força a essa mudança. É preciso contrariar a vontade do Governo português, que não quer a mudança e procura contrariar a mudança», que, ainda por cima, dizimou o PASOK, colega do PS na Internacional Socialista: «A verdadeira e única lição que temos a retirar das eleições gregas é que o PS em Portugal não é nem será o PASOK, porque não estamos cá para servir as políticas que têm sido seguidas mas, pelo contrário, criar alternativa às políticas que têm sido seguidas».
Depois, as incongruências resultantes da comparação entre Portugal e a Grécia, onde foram seguidas as mesmas políticas de austeridade com resultados diferentes, porque, segundo se depreende das suas declarações, Portugal não está tão mal quanto aquele país: «A Grécia é o trágico exemplo do insucesso da austeridade. Na zona euro nenhum país sofreu tanta austeridade e nenhum está em pior situação».
Mas também a esquerda do PS não se revê nas últimas flexões e piruetas dadas pelo líder, que parece estar agora a tentar afastar-se do Syriza, depois de ter afirmado que esse era o caminho que todos os governos europeus deveriam seguir, a começar pelo português:«Não de uma forma tonta, como o Syriza, mas de uma forma inteligente, construtiva, de uma forma positiva, como um grande partido europeísta como o PS tem legitimidade para fazer.».
Outros dizem que Seguro está de tal forma desorientado que até já chama «velho» ao governo irlandês e que não percebem por que é que o governo do Syriza já não é um bom exemplo: «A verdade é que não é preciso olhar para o novo governo grego, basta olhar para o velho governo irlandês, que perante as oportunidades de mudança aquilo que diz é: esta mudança tem que ser mais vasta, tem que ser mais consistente e tem também que servir os interesses da Irlanda».
Outros reclamam da posição do secretário-geral sobre o referendo de domingo passado, dizendo mesmo que António José Seguro confunde a democracia directa que introduziu no PS, e que há-de ser muito útil quando for para o apear da liderança, com a democracia directa sobre a governação, ideia perigosa que poderá ter consequências nefastas num futuro governo do PS: «Não é a primeira vez que um Estado-membro recorre ao referendo para decidir questões com a União Europeia – e devemos respeitar essa decisão, como sempre respeitámos nos outros Estados-membros. É o povo grego que deve decidir e compete-nos a nós respeitar esse debate que nesta fase lhe pertence, nunca esquecendo, porém, que não há divergências políticas que possam ignorar a solidariedade devida ao povo grego».
Mas o pior de tudo, dizem os seus contestatários, foi não ter entendido que o radicalismo de Atenas vai no sentido contrário dos interesses da União Europeia e que poderá pôr em causa o projecto europeu e não defendê-lo, como Seguro tem dito: «Agora que a Grécia se expressou em liberdade é o momento de agirmos, como sempre, em defesa do projecto europeu. A expressiva vitória do ‘não’ no referendo deve ser aproveitada por todos para uma nova abordagem da crise da zona euro, que respeite a dignidade e a igualdade entre todos os estados-membros».
Por último, há mesmo quem o acuse de imponderação e irresponsabilidade, ao atacar a posição dos negociadores europeus e de defender o extremismo negocial do Syriza: «esta linha de negociação conduziu a uma lógica de confronto entre a Grécia e as instituições que deviam garantir a unidade do projecto europeu, substituindo o diálogo solidário pelo conflito entre credores e devedor, que, numa lamentável escalada, tem promovido a divisão, o radicalismo e o sentimento de humilhação do povo grego». Se Seguro for primeiro-ministro será com estes mesmos «negociadores europeus» que se terá de entender. E depois do tratamento que estão a dar à Grécia, nem é bom pensar no que lhe dirão quando se tiver de sentar com eles à mesa.
Por estas e por outras, o nome de António Costa volta a ser falado pelos corredores do Rato para substituir o actual secretário-geral, mesmo antes das próximas legislativas: «de outra maneira», afirmam os seus contestatários, «haverá duas sem três»…
os ricos que paguem a crise
Vale a pena passar os olhos pelo artigo de Yanis Varoufaquis que a Visão publicou na edição desta semana, para se perceber o que se está a passar com a Grécia e que tipo de gente constitui o governo do Syriza.
O texto é uma síntese do «pensamento económico» do ex-ministro das finanças grego, ainda que seja difícil admitir que o que ali está tenha sido seriamente pensado, e consiste numa tentativa de análise macroeconómica da crise das (de algumas…) economias da Zona Euro, pela qual é responsável, nas palavras do autor, «o Minotauro Global: o sistema de capitalismo neoliberal centrado em Wall Street que se impôs num mundo pós-1971».
Até aqui estamos na clássica visão marxista que imputa aos EUA e ao capitalismo de que esse país é supostamente o ex-libris, todos os males do mundo, com os económicos em primeiro lugar. No que Varoufakis é surpreendentemente original é na forma da superação desses malefícios: Angela Merkel e a um mecanismo de dois botões nos quais ela poderá livremente carregar, um vermelho e um amarelo. Se se decidir pelo botão amarelo, a crise continuará. Mas, coisa espantosa!, se optar pelo vermelho, operará verdadeiros prodígios, que passo a citar: «a crise do euro terminará imediatamente, com um aumento geral do crescimento económico em toda a Europa, um colapso repentino da dívida de cada Estado-membro abaixo do limite de Maastricht, sem dor para os cidadãos gregos (ou para os italianos, portugueses, etc.), sem garantias para as dívidas dos periféricos (Estados ou bancos) a terem de ser sustentados pelos contribuintes alemães e holandeses, spreads de juros abaixo dos 3 por cento em toda a Xona Euro, diminuição dos desequilíbrios internos na Zona Euro, e um aumento global do investimento agregado».
Como podem uma única mulher e um só país, ainda que poderoso, operar maravilhas tamanhas, Varoufakis não esclarece. Li o artigo até ao fim e não encontrei nele nada que o explicasse. Mas há uma conclusão que ressalta deste raciocínio: é que se só a Sr.ª Merkel é capaz de pôr fim à crise das dívidas soberanas, então, os países devedores não têm qualquer responsabilidade nelas e na sua continuação. Logo, é desnecessário que façam o que quer que seja para resolverem os seus problemas, a não ser pressionar aqueles que supostamente o podem fazer: os países com dinheiro para lhes pagarem o que devem e o que mais querem ficar a dever.
É exactamente esta versão helénica dos «ricos que paguem a crise» que se tem vindo a passar na Grécia desde que o Syriza tomou o poder, e que explica as sucesivas ameaças, pressões e chantagens feitas pelo governo grego sobre toda a União Europeia. Por vezes, a democracia coloca no poder loucos, demagogos e charlatões, e o facto do criador do «Minotauro Global» já ter sido corrido por quem o lá pôs, não chega para garantir que essa não foi apenas uma decisão táctica. É isto que os credores e eventuais futuros emprestadores estão a dizer a Alexis Tsipras.














