Entrevista a Joana Amaral Dias
por Joana Amaral Dias
Joana, em que fase da tua vida estás agora?
Essa é uma questão curiosa e que não estava à espera que me fizessem. Enfim, assim sem pensar muito na questão, diria que estou na fase da vida que Shakespeare caracterizou como de som e fúria, desprovida de especial significado profundo e que Faulkner imortalizou na afirmação de que a história não é só o que fomos mas também aquilo que agora somos.
Lembras-te do teu primeiro namorado?
Sim, era um rapaz muito bem parecido. Porém, éramos incompatíveis, eu sendo de esquerda e ele sendo muito inteligente.
De que te arrependes, na tua militância na esquerda?
Basicamente não me arrependo de nada excepto de me ter inscrito no Bloco, um partido cheio de pessoas bem intencionadas mas que não sabem que são de direita, muito conservadoras e pouco vanguardistas na sua concepção do mundo artístico e multiculturalmente globalizado.
O que não dispensas na praia?
A toalha e o biquini. As pessoas são muito preconceituosas em Portugal, não há sequer igualdade no direito à exposição solar do peito sem um grupo de embasbacados a oprimirem a liberdade da mulher. Um bom livro, como qualquer um do Chomsky ou do Umberto Eco. Uma boa companhia. Protector solar.
Já leste o último livro dele?
Já. É um importante texto no qual procura definir os limites da pesquisa semiótica bem como fornecer uma nova compreensão da disciplina segundo pressupostos buscados em filósofos como Kant e Charles Sanders Peirce. Curiosamente, é um dos poucos autores que conciliam o trabalho teórico-crítico com produções artísticas, exercendo influência considerável nos dois âmbitos.
Achas que o teu pai foi uma grande influência na tua vida?
Foi e ainda é.
De que falam, a nível profissional?
De nada, é raro termos oportunidade para uma conversa séria, com o meu trabalho tão absorvente na luta pela união das esquerdas.
Não achas que é um bocado utópico querer unir as esquerdas?
Acho que, com esta austeridade, temos que ver o lado positivo, seguindo o exemplo de Anne Frank. Claro que a Anne Frank não assistiu à pobreza originada pela austeridade enquanto estava escondida na casa em Amsterdão, o que lhe confere uma certa frieza na análise. No meu caso, ao fim de um certo tempo comecei a ficar mais alterada com a desgraça testemunhada no holocausto da austeridade da Troika e do Passos Coelho. Sabias que a casa da Anne Frank fica mesmo em frente a um canal cujo nome, em Português, é o Canal do Príncipe? Claro, o Príncipe é também um livro de Maquiavel sobre a centralização do poder político, no fundo só possível através da união da verdadeira esquerda. Isto responde à tua questão?
Responde, claro. Achas que Marinho e Pinto pode ser a solução da união das esquerdas?
Eu não quero personalizar e criar uma espécie de Sebastião messiânico, até porque o valor da esquerda está na opinião de cada um e não na frieza da matemática ou das ciências exactas. Dito isto, tenho grande esperança que, mais cedo ou mais tarde, o povo português acorde para a necessidade de unir as esquerdas. Como dizia Wilfried Laurier, “fraternidade sem absorção, união sem fusão”.
Muito obrigado pela tua disponibilidade para esta entrevista.
De nada, foi um prazer.
Nota do autor: este texto é uma obra de ficção não subsidiada.
Vanity projects
Nos Globos de Ouro da SIC/Caras, Diogo Infante, ao receber o objecto dourado, tentou uma piada sobre a inexistência de um Ministério da Cultura. Aparentemente, esta lacuna ministerial prejudica severamente este e outros actores que, mesmo assim, recebem prémios dourados (com ministério até iam à lua).
Ontem, na RTP1, passaram uma gala da SPA que consistia em autores a premiarem outros autores. Estes elaboravam sobre a miséria que é o desinvestimento em cultura, mesmo após a aprovação da enaltecida Taxa Barreto Xavier sobre silício, o 2º elemento mais abundante no planeta Terra logo a seguir ao oxigénio (este ainda não taxado).
Em Cannes, Miguel Gomes apresentava o seu filme de 6 horas, “As Mil e Uma Noites”, sobre a austeridade em Portugal imposta pela Troika, aparentemente sem perceber nem fazer perceber ao público a ironia que é a produção de um filme de 6 horas sobre austeridade.
O que todos estes têm em comum* é a falta de vergonha. A república popular portuguesa, com contribuintes que além de suportarem pensões, rendas, salários, empresas falidas, abortos gratuitos no SNS – só para mencionar as pacíficas -, têm também que suportar estes negociantes da indignação cujo lucro deriva da crítica institucionalizada ao culto da mula de carga que são os contribuintes privados no país dos tolos.
António Costa devia endereçar já estas preocupações e assegurar que não faltarão fundos para a elite autoral poder assegurar a continuidade do trabalho endógamo de autores para o público de autores.
* Não vi o filme do Miguel Gomes, posso estar a ser injusto ao colocá-lo de antemão no rol de hipócritas que obtêm receitas no negócio da crítica da austeridade.
A utopia anda por aí
Depois do Syriza e do Tsipras entrámos no arrebatamento nível local com Ada Colau em Barcelona e Carmela em Madrid
Uma promessa por dia VI – emprego para ex-presos
Bolsa de emprego para antigos presos
Nota: Passarão à frente de outros candidatos que não tenham sido presos?
Uma promessa por dia V – lei das rendas
PS quer fazer depender aumentos de renda do estado de conservação das casas
Sugestão: E se as rendas de casa dependessem apenas da oferta e da procura? Podia ser um investimento interessante para a classe média.
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Candidaturas cidadãs
O 300 membros da Igreja Maná que aderiram ao partido do Marinho e Pinto são um exemplo de cidadania e participação na política. É bonito ver a nossa democracia tão participada e cidadãos tão empenhados. Este novos movimentos vão mudar a política e são uma esperança para o futuro.
Quem são os eleitores das “candidaturas cidadãs”?
Os resultados das eleições para as comunidades autónomas (com excepção da Catalunha, Galiza, País Basco e Andaluzia) e municipais em Espanha foram históricos por várias razões. O PP perdeu quase 2,5 milhões de votos, mantendo-se, porém, como o partido mais votados. O PSOE, por sua vez, perdeu cerca de 700.000 mil eleitores, face às eleições de 2011.
Estas perdas (cerca de 13% do total de eleitores) mais do que justificam os resultados das chamadas candidaturas “ciudadanas“, apoiadas pelos novos partido Podemos e Ciudadanos, demonstrando um genuíno descontentamento com os partidos do arco do poder.
Ao mesmo tempo, porém, os resultados globais demonstram o falhanço de todas as candidaturas em atrair para o sistema eleitoral os abstencionistas. Com efeito, a abstenção subiu de 33,77% para mais de 35% (mais 500 mil abstencionistas, apesar de o número de eleitores se ter reduzido em mais de 300.000). Não sendo possível verificar se quem se absteve em 2011 repetiu a abstenção em 2015, parece, contudo, razoável concluir-se que o crescimento dos novos partidos e movimentos se fez (quase) exclusivamente à custa do eleitorado dos grandes partidos tradicionais e que os novos discursos e atitudes das “candidaturas cidadãs” são também incapazes de chegar a mais de um terço da população.
O que vale é que em meses tudo muda
Como as coisas mudam. A indignação há uns meses era com as gravações e fotografias (sempre ilícitas), o acesso (obviamente indevido) às mesmas, a violação de segredo pela pessoa que as mostrava às polícias … Durante uns dias filmar uma pessoa num ajuntamento foi um crime nefando em Portugal. Demitiu-se gente. Jurava-se pelas almas que não se podia filmar nem fotografar… agora antes pelo contrário.
marinho e pinto em ruptura
Os problemas ocorridos na recém agremiação político-partidário-recreativa do Dr. Marinho e Pinto, já aqui muito oportunamente anunciados pelo Rui Carmo, têm uma explicação bem mais prosaica do que as suspeitas de infiltração de uma seita religiosa (satânica?) de que o líder se queixou. Em boa verdade, a divisão sucedida na assembleia e a ameaça de cisão resultaram do facto do partido ser ainda muito recente e, devido a isso, a maioria dos seus desatentos militantes se ter convencido que Marinho e Pinto não era um, mas sim dois candidatos à liderança. Assim, enquanto uns berravam a sua lealdade ao Marinho, outros contorciam-se de devoção pelo Pinto. Nada que o carismático líder não resolva nos dias mais próximos, em fraterna convivência democrática.
Já renegociou com os futuros pensionistas
António Costa recusa negociar com Governo “novo corte nas pensões”
OU SEJA NÃO SE MEXE NAS PENSÕES ACTUAIS.
2) e reforçando a sustentabilidade da Segurança Social por via da diversificação das fontes de financiamento de modo a termos uma Segurança Social mais sólida para os pensionistas de hoje e de amanhã”,
LOGO OS PENSIONISTAS FUTUROS VÃO NÃO SÓ TER PENSÕES MAIS BAIXAS – AS REGRAS DE CÁLCULO FORAM MODIFICADAS E FOI INTRODUZIDO O FACTOR SUSTENTABILIDADE – MAS COMO HÁ QUE MANTER INTOCÁVEIS AS ACTUAIS PENSÕES APESAR DA DEMOGRAFIA E DO DESEMPREGO, VAI TIRAR-SE MAIS DINHEIRO DA ECONOMIA E DO BOLSO DAS PESSOAS.
Fabricando assistencializados
Nas propostas do PS há aspectos interessantes – por exemplo a criação de uma conta-corrente entre o Estado e as empresas. Outras propostas não passam daquelas vacuidades obrigatórias que surgem nos programas de todos os partidos como é o caso do ponto 9: “Afirmação do interior do país como centralização do mundo ibérico.” (Pelas almas vamos deixar de falar de mundo ibérico. A Ibéria é um excelente negócio para Espanha que nessa designação não só dilui o impacto negativo da temida desagregação do seu estado como nos inclui na molhada daí resultante.) E outras propostas são um desastre anunciado. como é o caso da nº 6: Criação de bolsas de habitação acessível mobilizando 10% do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social para investir em imóveis.”
Mesmo que a Segurança Social nadasse em dinheiro cabe perguntar: está na sua vocação apoiar habitação social? Tendo sido António Costa presidente da CML, que é senhoria de 23 mil fogos sociais, não ignora certamente que os estudos sobre habitação social revelam que a atribuição de uma casa com renda social não é vista como um apoio temporário pelos usufrutuários mas sim como uma benesse vitalícia: as taxas de mobilidade no parque de habitação social rondam os 2%. Ou seja aqueles que vierem a ser apoiados caso a proposta do PS vingue continuarão a sê-lo ou achar que têm direito a tal por toda a sua vida.
Ó inclemência, ó martírio…
Maria Luís Albuquerque admite reduzir pensões
Ministra das Finanças admite redução de pensões para sustentar Segurança Social
Ministra das finanças admite cortar nas pensões para garantir sustentabilidade da segurança social
As pensões já foram reduzidas e muito. As dos futuros pensionistas, claro. E ainda têm de ser mais porque tanto a esquerda como o TC entendem que os futuros pensionistas têm de pagar tudo aquilo que os actuais pensionistas inscreveram para si mesmos no DR sem ter meios para o pagar: Os actuais contribuintes e futuros pensionistas não só vão trabalhar mais anos e usufruir de reformas que na, melhor das hipóteses, representarão 65% sobre o valor dos seus ordenados (esses contribuintes pagam actualmente com as suas contribuições reformas que chegam a equivaler a 100% dos ordenados auferidos enquanto trabalhadores pelos actuais reformados) como vão ainda confrontar-se com as consequências da saída de mais dinheiro da economia via impostos para financiar a Segurança Social.
Uma promessa por dia IV – Banco ético
PS quer criar Banco Ético para travar sobreendividamento
Nota: o Banco Ético é um banco para clientes subprime.
um sábado em família
Tarde de sábado com pausa para a família. Exames escolares à porta e a canalhada agitada, agarrada aos livros. Duas crianças, a mais velha, o rapaz, com 13, e a mais nova, a rapariga, com 11. A mãe das duas amorosas criaturas, como todas as mães, em estado de exaltação porque os anjinhos não estudaram como deviam, nem sabiam o que precisam de saber para terem bons resultados nos exames. E os anjinhos, placidamente, a dizerem que sim, que tinham estudado tudo e que sabiam tudo, enquanto olhavam languidamente para a parafernália de portáteis e «gadgets» digitais espalhados pela sala. A única matéria em que aquelas duas pequeninas cabecinhas pensavam era, obviamente, a net e em como lhe podiam aceder rapidamente. Para confirmar o que todos os pais sabem – que não é o Príncipe das Trevas, mas são sim as crianças, sobretudo as que descendem de nós, o mestre da mentira, da dissimulação e do engano – a mãe anunciou à cria mais nova que a ia inquirir sobre a matéria que devia ter estudado.
Estava uma tarde soalheira e tranquila. Eu, próximo deste bucólico cenário familiar, começava a ler, pachorrentamente num sofá, o último romance de Eco. Rompendo o quase-silêncio de uma tarde de fim-de-semana de província, a voz da mãe iniciou o inquérito à nossa pequena e ingénua filha de 11 anos: «O que é um espermatozóide?»; «Como se compõe um espermatozóide?»; – Cabeça, tronco e membros, respondi, bem disposto, alheado do drama que começava a compor-se naquela sala. Subitamente, dois sopapos directos no estômago: «como é constituído o órgão sexual masculino, o pénis?». «O que é a ejaculação?». «O pénis», a «ejaculação»?! Arghhhhh, que violência! Ando eu a educar e a proteger a minha inocente filhinha de 11 anos dos pecados deste mundo e a escola manda-a estudar «O PÉNIS» e aquela coisa viscosa que ele fabrica? Protestei, carrancudo e com violência: a sala estoirou a rir. O rapaz anunciou que já estudara essa matéria há três anos. Pareceu-me, apesar de precocidade do pimpolho (my boy!!!»), natural: ele sempre é do sexo masculino, ou seja, já dispõe do objecto de estudo em causa – o material sobre que versa essa matéria -, o que é uma redundância que a próxima reforma escolar devia eliminar. Inflamado, protestei sobre a violência que é ensinarem semelhantes porcarias à minha pobre filhinha de 11 anos. Gargalhada geral. A cadeira a que pertence esta matéria é a de «Ciências da Natureza», informaram-me, e o capítulo onde se insere a Teoria Geral do Pénis chama-se «Reprodução Humana». «Reprodução humana»? Andam ai nas escolas a estudar isso? No meu tempo dissecávamos rãs e sapos. Ninguém falava em semelhantes porcarias a crianças ingénuas de 11 anos, disse à família cuja moral me compete proteger. Sala em delírio. Todos os três. O meu filho rebolava no chão, enquanto ria alarvemente. A mãe das crias secava as lágrimas do riso. A mais nova olhava-me cinicamente, com um olhar de comiseração e de paciente tolerância filial. Mas não me convenceram. Nem calaram. Por mim, até aos 18 anos de idade, as crianças devem aprender na escola que são as cegonhas que trazem os bebés de Paris. Aonde e a quem os vão buscar, isso é conversa para adultos. Deixando para trás a sala em delírio, abandonei-a indignado, seguido e apoiado pelos meus dois cachorros. Ainda há seres racionais neste mundo irremediavelmente transtornado.
Invalidez
Entre não poder andar a fazer patrulha e ser inválido não há meio termo?
Cuidado com a carteira

É muita emoção. Espero, sinceramente, que a advogada de Santos Silva se sinta melhor. Quando o nosso advogado desmaia de emoção pela nossa prisão domiciliária, sabemos que estamos bem representados. Pode ser o início de uma linda amizade.
Uma promessa por dia III – pequenos agricultores
PS quer aumentar ajuda aos pequenos agricultores
Nota: O PS dá
Exactamente
a brigada do ressentimento
A RTP acaba de anunciar a contratação de mais um novel talento do comentário político, o Dr. Alberto João Jardim, acabadinho de sair do governo da autonomia madeirense e certamente cheio de animus para crucificar a malandragem do «contênente», o Sr. Silva e o ingrato líder do seu antigo partido, o Dr. Passos. Este novo talento acrescenta-se a outros tantos imparciais observadores da coisa pública, como Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, Marques Lopes, Marcelo de Sousa (o mais engraçado de todos), Freitas do Amaral, José Sócrates (de momento, suspenso), Sousa Tavares, Bagão Félix, Francisco Louçã, Manuel Monteiro, entre muitos outros. A quase todos une um passado comum de desilusões político-partidárias, que eles tomaram como desconsiderações pessoais, e com as quais quase sempre fazem pautar a «isenção» dos seus comentários. É, por isso, com naturalidade e sem surpresa, que vemos o Dr. Jardim a engrossar este já muito vasto pelotão do ressentimento. Seja, pois então, muito bem-vindo à brigada.
serve para quê?
O Banco de Portugal já não emite moeda. O Banco de Portugal tem falhado, sucessivamente, as suas funções de supervisão bancária, alegando os seus responsáveis, sempre à posteriori, falta de instrumentos ágeis de intervenção. Nenhuma das suas funções conhecidas não deixaria de ser executável por um departamento do Ministério das Finanças (a venda no Novo
Banco, por exemplo) ou pelas entidades bancárias privadas. Sendo assim, o Banco de Portugal serve para quê?
Via Corta fitas cheguei a este video do telejornal da TVI apresentado do Museu dos Coches. A finalizar o dito bloco informativo José Alberto Carvalho mostrou o landau onde viajava D. Carlos no dia do regícidio. Aí começa uma singular peça jornalística de apologia do assassínio em nome da República.
Para começar o dia do regicídio é definido como “uma data considerada funesta para os monárquicos”. Já de si é estranho que se restrinja a condenação do assassínio de um chefe de Estado e de um dos seus filhos (já agora o dito chefe de Estado era bem mais tolerante e democrático do que aqueles que lhe sucederam nessas mesmas funções) apenas àqueles que apoiam esse tipo de regime, logo se se mata um rei isso perturba os monárquicos, se se mata um PR isso perturba os republicanos, se se mata um católico o crime é condenado pelos católicos…
Mas o mais extraordinário veio depois. José Alberto Carvalho começa a ler a carta-testamento do Buíça “Meus filhos ficam pobrissimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que soffrem. Peço que os eduquem nos principios da liberdade, egualdade e fraternidade que eu commungo e por causa dos quaes ficarão, porventura, em breve, orphãos” para de seguida afirmar exclamativo e consternado: “Dois dias antes Manuel Buíça antevia o que lhe podia acontecer” (Coisa extraordinária esta e de uma clarividência única: uma pessoa prepara-se para matar outra que por sinal até é chefe de Estado e supor que não sobrevive a tal intento é uma antevisão profética! Experimente o Zé Alberto armar-se em Buíça por exemplo ao pé de presidentes progressistas como Hollande ou Obama isto para já não falar de Putin e provavelmente só lhe resta apresentar o telejornal para os anjinhos.)
Mas o pior estava para chegar. Em modo televisão carbonária José Alberto Carvalho conclui “E ainda hoje curiosamente mais de um século depois estes princípios republicanos ou de humanidade são ainda objecto de debate. O que queremos e o que estamos disposto a fazer pelos nossos jovens é o tema de um debate na TVI 24 (…) Está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança.”
A avaliar por esta peça da TVI o que podemos fazer pelos nossos jovens é ensiná-los a fazer bombas para em nome dos princípios de humanidade matarem aqueles que os progressistas identificam como maus. E depois poeticamente concluímos “Está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança.”
Uma promessa por dia II – mobilidade eléctrica
PS propõe relançar rede de mobilidade eléctrica
Nota: estão a ver aqueles monos que ocupam lugares de estacionamento e não servem para nada? Vai haver mais.
Devia ter pedido ajuda ao Berardo
Pais do Amaral concorreu à TAP com carta de 4 páginas
A vida está difícil para os capitalistas sem dinheiro. Nos bons velhos tempos haveria um empréstimo do BES e outro da Caixa a suportar uma proposta destas.
Já agora, esta notícia era treta.
Amador
uma estranha visão da democracia
Vital Moreira, um dos progenitores da Constituição de 1976, escreveu ontem um notável artigo em defesa da sua cria, no qual argumenta, em favor da sobrevivência da mesma, que ela já pouco, ou nada, tem a ver com o que foi parido nesse ano longínquo em que viu a luz do dia. No fim de contas, pergunta Vital Moreira, que necessidade há de fazer uma Constituição nova, se a velha já se adaptou a tudo e a todos, e se já deixou pelo caminho os seus dogmas ideológicos matriciais? Só se for por cegueira ideológica «neoliberal», defensora de um «Estado mínimo» e de uma «Constituição mínima», responde. Segundo o constitucionalista, a Constituição de 76 pode bem ser eterna, porque, para se actualizar, só terá que aproveitar os mecanismos de revisão nela previstos, em vez de ser substituída pelo normal exercício de «um poder constituinte permanente», ideia que, para ele, «não faz nenhum sentido».
Ora, negar que um povo possa dispor de um «poder constituinte permanente» é o mesmo que dizer que o exercício do poder democrático soberano está condicionado à vontade histórica de quem o exerceu algures no passado. Esta é uma tese conhecida, que implicitamente defende que a mudança de uma Constituição só poder ocorrer por ruptura da ordem política vigente e não pelo exercício do poder de estabelecimento de um novo texto. Mas, de facto, se essa tem sido sempre a regra do constitucionalismo português, onde as Constituições de 1822, 1826, 1838, 1911, 1933 e 1976 foram antecedidas de modificações violentas da ordem política, isso não é necessariamente sinónimo de civilidade e maturidade política. Pelo contrário, indicia que os modelos constitucionais estabelecidos eram de tal modo fechados que não permitiram a sua transformação sem ruptura. Ora, ao invés do que se possa presumir, isso não abona em nosso favor.
Mas não é só por isto que Vital Moreira está equivocado. Na verdade, a Constituição de 76 não é tão inócua como ele parece fazer crer. Descontando o artefacto histórico do preâmbulo que mantém o destino histórico «socialista» de Portugal, o que a todos (inclusivamente, ou principalmente, aos socialistas) deveria envergonhar, os constituintes de 76 impuseram um conjunto de limites às futuras revisões da Constituição muito pouco, ou nada, democráticos. Um deles, «a forma republicana do governo» (do «estado», talvez?); um outro, tão ambíguo e equívoco que dá para todos os chumbos do Tribunal Constitucional, «os direitos dos trabalhadores»; um terceiro, a «existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista», sendo a dita «economia mista» um modelo económico onde predomina a estatização. Para além destes expressos limites materiais às revisões da Constituição, o texto é abundante em princípios e normas equívocas que permitem declarar inconstitucionais todas as reformas profundas do estado, mormente aquelas que mexem nos interesses instalados da administração pública.
Com estes e outros entraves que os constituintes de 76 criaram a uma normal actualização temporal da Constituição, o texto de 76 acabou por se configurar como um artefacto histórico ditado pelas particularidades revolucionárias da época, que não aceita abdicar das circunstâncias que ditaram a sua elaboração. Hoje, todos nós, o «povo soberano» que, afinal, não pode exercer a sua soberania constituinte, permanecemos reféns da vontade constituinte dos deputados que a fizeram. É uma estranha visão de democracia, esta que nos oferece Vital Moreira.
E o resultado do inquérito vai ser?
Salvem o Willy para podermos matar o Willy
Este senhor, António Costa, tem jeito para a coisa, mas também não tem. Tem jeito para comunicar, mas também tem jeito para estar calado. O que sabemos é que o número de promessas aumenta, mas também reduz. Por outro lado, este programa tem diminuição de promessas, mas também tem aumento de promessas. A questão é que a motivação das pessoas para eleger António Costa aumenta, mas também reduz. Tem diminuição de intenções de voto, mas também tem aumento. No fundo, tudo o que precisamos é ver as coisas de forma diferente, mas também de forma igual. Tem diminuição de diferenças, mas também tem aumento de diferenças.
Sobretudo, o essencial é que há um aumento da esperança, mas também redução da esperança. Tem diminuição de histeria, mas também aumento de histeria. É preciso é salvar o Willy, para podermos matar o Willy.
Não deixem que a realidade estrague uma notícia bonita
Donald Green, of Columbia, and Michael LaCour, a graduate student at UCLA, published the paper, “When contact changes minds: An experiment on transmission of support for gay equality,” in December 2014.
The study received widespread media attention, including from This American Life, The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, The Los Angeles Times, Science Friday, Vox, and HuffingtonPost, as LaCour’s site notes.
Vasmos agora ver se os mesmos meios This American Life, The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, The Los Angeles Times, Science Friday, Vox, and HuffingtonPost, as LaCour’s site notes noticiam isto
Author retracts study of changing minds on same-sex marriage after colleague admits data were faked
Continuando a sequência “Pior era impossível”
13) Bombeiros dizem que não inspeccionaram Marquês de Pombal antes da festa. Associação de Bombeiros Profissionais alega que não realizou a vistoria obrigatória às estruturas montadas no Marquês de Pombal, em Lisboa, para a festa do título do Benfica.
14) o animador nunca leu os conselhos de segurança na instalação sonora, tal como havia sido combinado com a polícia.
15) as imagens em que um polícia agride em Guimarães um adepto à frente dos filhos foram passadas várias vezes, pela Benfica, TV nos ecrãs gigantes instalados no Marquês de Pombal.
16) “perto de meio milhar de funcionários da CML garantiram, em tempo recorde, que nada faltaria para cumprir, a preceito, o programa delineado para os festejos” da vitória do Benfica no Campeonato, organizados em “estreita colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa”.
Pior era impossível
1) A PSP deu parecer prévio negativo aos moldes em que foram organizados os festejos da vitória do Benfica, na Rotunda do Marquês, em Lisboa, considerando que a segurança de adeptos e polícias poderia estar em risco,
2) A Câmara de Lisboa e o Benfica discordaram do alerta da PSP e pressionaram para que a festa se fizesse daquela forma.
3) [a mesma PSP para não dar má imagem] proibiu os agentes do Corpo de Intervenção (CI) de usarem equipamentos de protecção, os capacetes e até os escudos. Fontes policiais adiantaram ao PÚBLICO que algumas normas, que obrigam ao uso daquele equipamento em situações de reposição de ordem pública, poderão ter sido violadas e que esta actuação deverá também ser investigada no âmbito do inquérito aberto pela própria PSP e pela Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI). O objectivo era dar melhor imagem à actuação policial.
4) Poucos minutos depois de entrarem em terreno, centenas de agentes tiveram de fugir para as carrinhas, agredidos e atingidos por pedras e garrafas de cerveja. Oito dos 16 agentes ficaram feridos com lesões mais graves e estão agora ausentes do serviço com baixa médica. Um deles, atingido com uma garrafa de vidro num olho, corre o risco de perder a visão, adiantaram fontes da PSP.
5) Dezenas de agentes foram socorridos por técnicos do INEM colocados perto de ambulâncias nas imediações. Alguns tiveram de ser carregados aos ombros por colegas até lá. Questionada pelo PÚBLICO, a Direcção Nacional da PSP não se pronunciou até à hora de fecho desta edição.
6) a PSP referiu em comunicado que, “durante o restabelecimento da ordem pública, ficaram feridos 16 polícias com escoriações várias, devido sobretudo ao arremesso de pedras, garrafas de vidro e com material pirotécnico, havendo um veículo da divisão de trânsito com um vidro partido”, mas não explicou o que esteve na origem do descontrolo.
7) Agentes envolvidos e feridos na operação narraram ao PÚBLICO momentos de pânico em que não lhes restou mais do que fugir.
8) Terá sido o comandante e o segundo comandante do corpo de intervenção a dar a ordem no briefing. Não queriam que os agentes surgissem com um ar demasiado bélico e ostensivo naquele momento que era afinal de festa. Logo então, vários elementos questionaram a ordem estupefactos face ao conhecimento do parecer negativo que sublinhava a possibilidade de violência e de descontrolo naquele cenário.
9) Perante o sucedido, o clima actual no corpo de intervenção da PSP em Lisboa, que tem cerca de 300 elementos, é de indignação. Mesmo quando corriam para chegar às 30 carrinhas, a cinco minutos do local e onde estava o equipamento, foram apedrejados.
10) No local, o primeiro grupo a ser agredido foi um com 90 agentes mal se embrenharam na multidão. A seguir, entraram no Marquês os agentes com cães-polícia e outro grupo de 90 agentes. Nenhum deles estava com protecções e foram recuando a correr para as carrinhas em grupos de 60 elementos de cada vez.
11) Face ao descontrolo, rapidamente a ordem do comando do CI foi ignorada. Os comandantes de cada grupo ordenaram aos agentes que corressem e se equipassem, confirmou fonte da PSP.
12) O subinspector-geral da Administração Interna, Paulo Ferreira, não quis comentar. Recordou que foi aberto um processo que averigua o que se passou em Lisboa e em Guimarães. O subcomissário visado nesse inquérito e num processo-crime por ter agredido um adepto em Guimarães continuará ao serviço como comandante da esquadra de investigação criminal. O adepto entregou esta quarta-feira uma queixa-crime em que sublinha que foi agredido com um bastão de aço.
Em vez de pedirem uma redacção sobre o cone
Associação de professores de matemática considera que a prova do 4º ano teve “excessivo peso do cálculo”.
Uma promessa por dia I – prova de professores
PS admite suspender prova de avaliação dos professores
Nota: isto quer dizer que os 60% de professores de físico-química que reprovaram na prova vão poder dar aulas.
isto é comovente!
Comment nos services secrets éliminent les terroristes
Uma das vantagens da França ser governada por Hollande e os EUA terem Obama como presidente é que se escrevem coisas destas e ninguém se indigna. Os terroristas, coitadinhos, deixaram de ter mães a chorar por eles. Nos tempos do Bush era uma choradeira sem fim: chorava a mãe do terrorista que afinal era médico, os vizinhos, os filhos… Era só gente de olhos castanhos enormes marejados de lágrimas. Agora tudo isso acabou, Legalidade destes procedimentos, autorizações, secretário-geral da ONU… ninguém diz nada.
Ps. E Guantanamo que ia logo fechar já fechou?
Bolos, tortas, pudins, mousses…
Uma padaria na Irlanda do Norte foi considerada culpada em tribunal por discriminação com base na orientação sexual de um cliente. O motivo? Um bolo com um slogan de apoio ao casamento gay. A padaria sediada em Belfast negou-se a satisfazer o pedido alegando crenças religiosas incompatíveis e o caso seguiu para tribunal. A juíza do tribunal superior de Belfast envolvida no caso determinou, esta terça-feira, que a Ashers Baking Company, um negócio de família que dá emprego a 80 funcionários, discriminou o cliente com base na sua orientação sexual.
Bolinho por bolinho vamos ver se algum activista tem coragem para ir a uma pastelaria propriedade de uma família de fortes convicções religiosas muçulmanas mandar fazer um bolinho com uma destas imagens. Ou outra similar. Depois vamos ver se alguém come bolo
nelson manguela
O Mandela a que temos direito.
Prometer o fim da austeridade é extremamente positivo
Podemos apresentar o programa eleitoral que nos apetecer com a garantia que ninguém (excepto o adversário) perderá um único segundo com a sua leitura. Isto não é negativo, pelo contrário; uma leitura de um programa eleitoral poderia, in extremis – no caso da leitura por um humano instruído -, originar um raciocínio devidamente estruturado e sustentado em lógica, gramática e retórica, raciocínio este que poria em causa a falta de qualquer uma destas no dito documento. Uma vez li um programa eleitoral e, só por isso, penso que merecia um subsídio pela dedicação à ciência.
O que é “acabar com a austeridade”, algo que fica sempre bem num programa eleitoral proto- e, simultaneamente, pós-syrizico? Para responder, teremos, em primeiro lugar, que regressar ao básico, questionando a própria noção de austeridade. Aparentemente, “a austeridade” consiste em políticas como aumento de impostos e redução de despesas salariais e sociais com objectivo de aumentar a receita disponível, receita esta manifestamente inferior para as necessidades anuais, como se constata pelo valor positivo do défice. Quer isto dizer que “a austeridade” consiste em gastar mais do que o que se arrecada mas menos do que gostaríamos de gastar. No fundo, é aquilo que o caro leitor leitor faz todos os dias ao não comprar um apartamento agradável em Paris, um sacrifício que, no meu caso, é amplificado pela ausência de amigos mesmo bons. Assim sendo, “acabar com a austeridade” é permitir-se gastar mais do que o que recebe mas em grande – e à francesa – ultrapassando em muito as suas possibilidades de vir a pagar, isto para gerar, através de multiplicadores mágicos, muito mais dinheiro para gastar muito mais, isto para gerar, através de multiplicadores mágicos, muito mais dinheiro para gastar muito mais, isto para gerar, através de multiplicadores mágicos… Creio que já percebeu a ideia.
O meu receio, porém, não são as promessas de “fim da austeridade”. Não, o que receio é que alguém, percebendo que austeridade é regime permanente e não regime transitório, se ofereça para prometer outra coisa qualquer. Enquanto a promessa é “o fim da austeridade”, estamos bem. Como quando uma concorrente a Miss Universo promete usar a tiara para trazer paz ao mundo. O problema não são as promessas impossíveis de cumprir; o meu receio é que prometam alguma coisa que possam efectivamente, e para mal de todos nós, ter possibilidade de concretizar.
Aceitam-se explicações
É a fome
A usura dos mercados
A senhora Merkel
A falta de esperança
Os desencorajados
A ausência de uma abordagem transversal dos problemas do país
O lado desconhecido da crise
A persistência de um Portugal atávico e salazarento
O desaparecimento dos apoios sociais
O resultado de uma política de medo
O outro rosto da flexibilização laboral
A consequência desta política







