Saltar para o conteúdo

Sobre a vil acusação à FIFA

28 Maio, 2015

Foi com grande admiração que descobri pelas notícias que ainda se fala de corrupção no mundo do futebol profissional. Quando o meu tio Jerónimo era árbitro, lembro-me de uma situação extremamente desagradável que ocorreu quando o treinador do Águias de Vila Chã entrou aos gritos na sala de jantar da Pensão Camélia, queixando-se de favorecimento ao Desportivo de Cabeço Sul no jogo realizado durante a tarde. O meu tio Jerónimo era uma pessoa muito honesta e ficou muito aborrecido e até transtornado por o Abílio dar-se a figuras destas em público, mesmo ali, em frente ao presidente do Cabeço Sul, com quem jantava. A situação subiu de tom – já se sabe, as pessoas ouvem falar em corrupção e compreensivelmente salta-lhes a tampa – e, vai nas tantas, até a Dona Armanda, cozinheira da pensão, sai com a acusação de que o meu tio andava a dormir com a mulher do Silva, o presidente do Cabeço Sul.

A Armanda já na altura era bastante gorda mas, vista de trás, com a mini-saia, até era bastante irresistível, disse-me o meu tio, que diz que passou dois dias no quarto dela naquele fim-de-semana em que a tia Arminda foi na excursão para ver o Tony Carreira no Pavilhão Atlântico. Ainda me lembro, estava eu a acabar de ver O Justiceiro na televisão, quando me contou que nem aquele carro KITT conseguiria saltar sobre a seira da Armanda como ele tinha conseguido. Na altura nem percebi à primeira o que ele quis dizer com isso, que no meu 5º ano ainda não se falava tão abertamente de sexualidade humana na escola. Mas adiante, para a corrupção propriamente dita.

O que se tinha passado, alegadamente, é que o meu tio tinha recebido um relógio imitação de Roskopf para inventar um penalty contra os Águas de Vila Chã. De acordo com o Abílio, aquilo não era penalty em lado nenhum, que nem os bandeirinhas tinham assinalado e, para mais, nem sequer estavam jogadores dentro da área excepto o guarda-redes. O meu tio exaltou-se, levantou-se e gritou que ele é que tinha feito o curso de árbitros e se há gente que não conhece as regras do futebol nem devia ser treinador de um clube com o prestígio dos Águias. O Abílio insistiu, que treta de regra é essa, onde está escrita e que ele tinha é que ir fazer queixa à federação e sei lá mais o quê. O meu tio Jerónimo enervou-se mesmo a sério, atirou com a cadeira as ventas do Abílio, sacou do cartão vermelho do bolso das calças e expulsou o Abílio, mesmo ali, da Pensão Camélia directamente para o hospital.

Tinha eu 12 anos e percebi, logo ali naquela altura, que se uma pessoa tão honesta como o meu tio Jerónimo podia ser acusado de atrocidades relacionadas com corrupção, qualquer outro inocente poderia. Desde então não acredito em nada do que dizem sobre o desporto-rei e é por isso que a FIFA é inocente e deve ser imediatamente libertada já que nenhum juiz a condenou de nada. Digam ao Obama que eu também sou jurista e que isto não é assim como ele quer, em nome da verdade desportiva.

Emigração e sustentabilidade da Segurança Social

28 Maio, 2015

Um argumento muito ouvido nestes dias: a Segurança Social só não é sustentável porque nos últimos 4 anos houve muita emigração e desemprego.

Ou seja, aquilo é tudo muito sustentável se não acontecessem coisas desfavoráveis.

Periodos de desemprego e emigração são um facto da vida. Se um sistema só é sustentável se estes factos não existirem, então não é sustentável.

Um sistema de Segurança Social verdadeiramente sustentável não é afectado por este tipo de eventos. Se há emigração, o tempo em que a pessoa está emigrada não é contabilizado para o calculo da reforma futura. Cada corte na receita corresponde a um corte nas obrigações do sistema. Se há desemprego, o tempo que a pessoa passa no desemprego não conta como tempo de contribuição para o sistema e logo não cria obrigações futuras.

A insustentabilidade intrínseca da Segurança Social portuguesa não resulta da emigração ou do desemprego. Resulta de uma fracção importante dos actuais pensionistas estarem a receber pensões que não são justificáveis pelas suas contribuições.

Uma promessa por dia VIII – anti-FMI

28 Maio, 2015

António Costa promete “política contrária” ao FMI

Nota: Várias das propostas do PS são propostas do FMI, ou propostas que o FMI aprovaria, como a descida da TSU, o imposto negativo ou o contrato único.

Do mau gosto

27 Maio, 2015

De manhã fiz uma experiência que consistiu em associar um cólon à escolha gráfica do cartaz do PS e esperar pelas as reacções. Ninguém me acusou de mau gosto. Vocês estão a dormir?

Estão. O comentário político está em hibernação, o que é só natural, com a quantidade de comentadores em tudo quanto é palanque. Quando podemos abusar do mau gosto é porque sabemos que não há muito mais a dizer. Isto é particularmente interessante num país pantomineiro, em regime permanente de campanha eleitoral. As pessoas estão cansadas e não querem saber das eleições para nada; nem sequer se indignam por dá-cá-aquela-palha, como parece à primeira vista; só se indignam se conseguirem que a indignação providencie entretenimento por tempo suficiente para não passarem pelas brasas. Até ao estado natural das coisas, com os socialistas habituais no governo, não há muito para ser dito. Sobra o divertido istonãoseaguentismo que, mais cedo ou mais tarde, terá que ser libertado para servir de sustento aos dias da conformidade que tanto tardam.

Ou isso ou já tanto foi dito sobre o Cavaco que, mais imagem de cólon, menos imagem de intestino, já não há mau gosto que nos surpreenda.

Quem é o deputado que o representa?

27 Maio, 2015

No sistema eleitoral português esta pergunta não tem resposta. Ou melhor, as respostas possíveis são “todos os 230 deputados” ou, o que é o mesmo, “nenhum”.

De acordo com o artigo 147.º, n.º 2 da Constituição, a Assembleia da República “é a assembleia representativa de todos os cidadãos portugueses”. No entanto, ao contrário de outros sistemas eleitorais, de acordo com o artigo 152.º, n.º 2, “os Deputados representam todo o país e não os círculos por que são eleitos”.

As eleições legislativas servem, em teoria, para eleger deputados. Na prática, porém, a generalidade dos eleitores não vota em candidatos a deputado mas em partidos, uma vez que as listas de deputados são em regra definidas pelas cúpulas partidárias, sem qualquer participação dos eleitores ou sequer dos militantes. A escolha dos deputados não é muito diferente da escolha dos jogadores da selecção portuguesa de futebol: o seleccionador escolhe os jogadores e espera-se depois que os cidadãos a apoiem e se identifiquem com ela apenas porque é composta por jogadores portugueses. Ler mais…

O tamanho não é tudo

27 Maio, 2015

O rapaz das orelhas majestosas que, numa indignação passada – há vários milénios em termos de atenção nas redes sociais (mais ou menos 15 dias) -, fez uma otoplastia, cortesia de uma clínica que, desta forma, vê o seu nome associado a causas sociais fracturantes. Infelizmente, esta clínica – que só pode usar ciência e técnica de experiência acumulada – nada pode fazer pela voz do jovem, para sempre condenado a cantar mal. Só a família do rapaz podia, efectivamente, fazer algo por ele nesse sentido; já que se demitem disso, avanço eu, que ninguém lê: jovem, tu cantas mesmo mal e isso mostraste a toda a gente que te viu as orelhas. No teu lugar teria uma conversa muito séria com quem nada fez para te ajudar a perceber as limitações. Aliás, se nunca te ajudarem a perceber as coisas para as quais não tens jeito, podes acabar numa carreira de sucesso a dar aulas numa escola ou universidade pública ou, pior, conseguir acumular isso com participação na vida política.

Fazer incidir os ajustamentos necessários nas novas pensões.

27 Maio, 2015

Reconhecendo que existem “problemas sérios” no sistema gerados pelo desemprego, Vieira da Silva admitiu fazer incidir os ajustamentos necessários nas novas pensões.
“Faremos as correcções que forem necessárias para garantir a equidade e o equilíbrio do sistema”, disse, acrescentando que as pensões futuras, que o PS diz querer “proteger”, dependem da capacidade de “recuperar emprego”.

A importância da terceira casa de banho

27 Maio, 2015

 Qual é a primeira coisa que ensina aos seus alunos?, perguntamos-lhe. Ela sorri levemente. “Falo-lhes sobre as portas da casa de banho.  Cada aula dura três horas, por isso faço um intervalo a meio. Na altura da pausa digo-lhes: descansem um pouco, podem ir à casa de banho. Se forem à casa de banho, depois de entrarem pela porta, pensem em como sabiam em que porta entrar. A maioria de nós nem sequer pensa duas vezes em que porta entrar. Entra e pronto. Mas as casas de banho balizam e definem o género. Faço este exercício para os fazer pensar sobre a evidência do género. As casas de banho são um elemento preocupante para as pessoas transgénero, por exemplo. Se entrarem na casa de banho que os outros consideram a errada, podem ser importunados e violentados pelos outros.”

Se forem à casa de banho, depois de entrarem pela porta, pensem em como sabiam em que porta entrar.  Ora aqui está um atavismo transcendente

A maioria de nós nem sequer pensa duas vezes em que porta entrar. Entra e pronto. – Vamos fazer um dolitá..

Mas as casas de banho balizam e definem o género. — Logo ficamos sem balizas ou sem casa de banho? 

Faço este exercício para os fazer pensar sobre a evidência do género. — Primeiro tínhamos sexo, depois género agora temos o problema de estarmos balizados no género

As casas de banho são um elemento preocupante para as pessoas transgénero, por exemplo.– O que propõe? E as sapatarias? 

Se entrarem na casa de banho que os outros consideram a errada, podem ser importunados e violentados pelos outros.” — Portanto isto é tudo um problema de sanitários e o que se pretende é uma terceira casa de banho? Que fiquemos todos sem casa de banho? Que vamos todos à mesma casa de banho?

Todas estas temáticas de géneros provavelmente alargadas às cozinhas, despensas, marquises, arrecadações e garagens estão em discussão no Teatro Maria Matos  “palco de desconstruções sobre a política de género, reflexões sobre o corpo, sobre o feminismo e sobre as concepções ligadas à comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero)” O sector da construção civil deve contar-se entre os patrocinadores porque isto vai ser muito sanitário para adaptar!!!

Na verdade o PS tem-se lembrado a cada segundo

27 Maio, 2015
Comentário de Augusto Santos Silva no programa “Política Mesmo” da TVI24 a propósito das declarações de Maria Luís sobre as pensões

Sobre o ø amarelo no cartaz de Cøsta

27 Maio, 2015
cartaz-costa

Rigør, Cøsta

NormalColonHá um tom escandinavo no cartaz do goês, com aquela linha amarela que une os círculos da mesma cor nas palavras. Uma possibilidade, para mim a mais verossímil, é que se trata de uma subtil representação matemática do conjunto vazio, ∅, com uma única linha condutora que une Costa a Rigor, uma espécie de TGV do vazio existencial anunciado pelo ex-edil lisboeta.

Ao lado, imagem não relacionada de cólon sem alterações, uma das muitas formas circulares em tons pastel que se encontram na natureza.

 

Adenda: https://blasfemias.net/2015/05/27/do-mau-gosto/

Uma promessa por dia VII – TSU

27 Maio, 2015

Costa promete redução gradual da TSU

Nota: A evolução e justificações à volta desta medida vão ser divertidas.

A geração sandwich que pague a reforma da Segurança Social

26 Maio, 2015

PS rejeita negociar cortes nas pensões actuais e promete as “correcções” necessárias nas futuras

Tradução: não haverá cortes nas pensões actuais, que estão a ser pagas pelos trabalhadores actuais, os quais verão as suas pensões cortadas no futuro.

Entrevista a Joana Amaral Dias

26 Maio, 2015

por Joana Amaral Dias

Joana, em que fase da tua vida estás agora?

Essa é uma questão curiosa e que não estava à espera que me fizessem. Enfim, assim sem pensar muito na questão, diria que estou na fase da vida que Shakespeare caracterizou como de som e fúria, desprovida de especial significado profundo e que Faulkner imortalizou na afirmação de que a história não é só o que fomos mas também aquilo que agora somos.

Lembras-te do teu primeiro namorado?

Sim, era um rapaz muito bem parecido. Porém, éramos incompatíveis, eu sendo de esquerda e ele sendo muito inteligente.

De que te arrependes, na tua militância na esquerda?

Basicamente não me arrependo de nada excepto de me ter inscrito no Bloco, um partido cheio de pessoas bem intencionadas mas que não sabem que são de direita, muito conservadoras e pouco vanguardistas na sua concepção do mundo artístico e multiculturalmente globalizado.

O que não dispensas na praia?

A toalha e o biquini. As pessoas são muito preconceituosas em Portugal, não há sequer igualdade no direito à exposição solar do peito sem um grupo de embasbacados a oprimirem a liberdade da mulher. Um bom livro, como qualquer um do Chomsky ou do Umberto Eco. Uma boa companhia. Protector solar.

Já leste o último livro dele?

Já. É um importante texto no qual procura definir os limites da pesquisa semiótica bem como fornecer uma nova compreensão da disciplina segundo pressupostos buscados em filósofos como Kant e Charles Sanders Peirce. Curiosamente, é um dos poucos autores que conciliam o trabalho teórico-crítico com produções artísticas, exercendo influência considerável nos dois âmbitos.

Achas que o teu pai foi uma grande influência na tua vida?

Foi e ainda é.

De que falam, a nível profissional?

De nada, é raro termos oportunidade para uma conversa séria, com o meu trabalho tão absorvente na luta pela união das esquerdas.

Não achas que é um bocado utópico querer unir as esquerdas?

Acho que, com esta austeridade, temos que ver o lado positivo, seguindo o exemplo de Anne Frank. Claro que a Anne Frank não assistiu à pobreza originada pela austeridade enquanto estava escondida na casa em Amsterdão, o que lhe confere uma certa frieza na análise. No meu caso, ao fim de um certo tempo comecei a ficar mais alterada com a desgraça testemunhada no holocausto da austeridade da Troika e do Passos Coelho. Sabias que a casa da Anne Frank fica mesmo em frente a um canal cujo nome, em Português, é o Canal do Príncipe? Claro, o Príncipe é também um livro de Maquiavel sobre a centralização do poder político, no fundo só possível através da união da verdadeira esquerda. Isto responde à tua questão?

Responde, claro. Achas que Marinho e Pinto pode ser a solução da união das esquerdas?

Eu não quero personalizar e criar uma espécie de Sebastião messiânico, até porque o valor da esquerda está na opinião de cada um e não na frieza da matemática ou das ciências exactas. Dito isto, tenho grande esperança que, mais cedo ou mais tarde, o povo português acorde para a necessidade de unir as esquerdas. Como dizia Wilfried Laurier, “fraternidade sem absorção, união sem fusão”.

Muito obrigado pela tua disponibilidade para esta entrevista.

De nada, foi um prazer.


Nota do autor: este texto é uma obra de ficção não subsidiada.

Vanity projects

26 Maio, 2015

3-Raqstar-NailsNos Globos de Ouro da SIC/Caras, Diogo Infante, ao receber o objecto dourado, tentou uma piada sobre a inexistência de um Ministério da Cultura. Aparentemente, esta lacuna ministerial prejudica severamente este e outros actores que, mesmo assim, recebem prémios dourados (com ministério até iam à lua).

Ontem, na RTP1, passaram uma gala da SPA que consistia em autores a premiarem outros autores. Estes elaboravam sobre a miséria que é o desinvestimento em cultura, mesmo após a aprovação da enaltecida Taxa Barreto Xavier sobre silício, o 2º elemento mais abundante no planeta Terra logo a seguir ao oxigénio (este ainda não taxado).

Em Cannes, Miguel Gomes apresentava o seu filme de 6 horas, “As Mil e Uma Noites”, sobre a austeridade em Portugal imposta pela Troika, aparentemente sem perceber nem fazer perceber ao público a ironia que é a produção de um filme de 6 horas sobre austeridade.

O que todos estes têm em comum* é a falta de vergonha. A república popular portuguesa, com contribuintes que além de suportarem pensões, rendas, salários, empresas falidas, abortos gratuitos no SNS – só para mencionar as pacíficas -, têm também que suportar estes negociantes da indignação cujo lucro deriva da crítica institucionalizada ao culto da mula de carga que são os contribuintes privados no país dos tolos.

António Costa devia endereçar já estas preocupações e assegurar que não faltarão fundos para a elite autoral poder assegurar a continuidade do trabalho endógamo de autores para o público de autores.

* Não vi o filme do Miguel Gomes, posso estar a ser injusto ao colocá-lo de antemão no rol de hipócritas que obtêm receitas no negócio da crítica da austeridade.

A utopia anda por aí

26 Maio, 2015

Depois do Syriza e do Tsipras entrámos no arrebatamento nível local com Ada Colau em Barcelona e Carmela em Madrid

Uma promessa por dia VI – emprego para ex-presos

26 Maio, 2015

Bolsa de emprego para antigos presos

Nota: Passarão à frente de outros candidatos que não tenham sido presos?

Perante a reacção das redacções ao resultado das eleições espanholas

25 Maio, 2015

lembrei-me do alvoroço, do entusiasmo e da nova era que se abriu na vida dos lisboetas com esta candidadura cidadã

zr2aqkIc3ssvL481MQwjcartazze

Uma promessa por dia V – lei das rendas

25 Maio, 2015

PS quer fazer depender aumentos de renda do estado de conservação das casas

Sugestão: E se as rendas de casa dependessem apenas da oferta e da procura? Podia ser um investimento interessante para a classe média.

Concurso: legenda para imagem

25 Maio, 2015

Deixe nos comentários a sua legenda. O vencedor terá o privilégio de receber um SMS irado.

CF1hHw3WgAA55hp.jpg-large

Candidaturas cidadãs

25 Maio, 2015

O 300 membros da Igreja Maná que aderiram ao partido do Marinho e Pinto são um exemplo de cidadania e participação na política. É bonito ver a nossa democracia tão participada e cidadãos tão empenhados. Este novos movimentos vão mudar a política e são uma esperança para o futuro.

Quem são os eleitores das “candidaturas cidadãs”?

25 Maio, 2015

Os resultados das eleições para as comunidades autónomas (com excepção da Catalunha, Galiza, País Basco e Andaluzia) e municipais em Espanha foram históricos por várias razões. O PP perdeu quase 2,5 milhões de votos, mantendo-se, porém, como o partido mais votados. O PSOE, por sua vez, perdeu cerca de 700.000 mil eleitores, face às eleições de 2011.

Estas perdas (cerca de 13% do total de eleitores) mais do que justificam os resultados das chamadas candidaturas “ciudadanas“, apoiadas pelos novos partido Podemos e Ciudadanos, demonstrando um genuíno descontentamento com os partidos do arco do poder.

Ao mesmo tempo, porém, os resultados globais demonstram o falhanço de todas as candidaturas em atrair para o sistema eleitoral os abstencionistas. Com efeito, a abstenção subiu de 33,77% para mais de 35% (mais 500 mil abstencionistas, apesar de o número de eleitores se ter reduzido em mais de 300.000). Não sendo possível verificar se quem se absteve em 2011 repetiu a abstenção em 2015, parece, contudo, razoável concluir-se que o crescimento dos novos partidos e movimentos se fez (quase) exclusivamente à custa do eleitorado dos grandes partidos tradicionais e que os novos discursos e atitudes das “candidaturas cidadãs” são também incapazes de chegar a mais de um terço da população.

O que vale é que em meses tudo muda

25 Maio, 2015

Filmar agressões policiais e denunciar na hora Com a “Mobile Justice” pode filmar-se uma agressão policial e enviar o vídeo para uma ONG antes que alguém o apague. Falámos com um dos responsáveis por esta ideia que ainda não existe em Portugal.

Como as coisas mudam. A indignação há uns meses era com as gravações e fotografias (sempre ilícitas), o acesso (obviamente indevido) às mesmas, a violação de segredo pela pessoa que as mostrava às polícias …  Durante uns dias filmar uma pessoa num ajuntamento foi um crime nefando em Portugal. Demitiu-se gente. Jurava-se pelas almas que não se podia filmar nem fotografar… agora antes pelo contrário.

marinho e pinto em ruptura

24 Maio, 2015
by

Os problemas ocorridos na recém agremiação político-partidário-recreativa do Dr. Marinho e Pinto, já aqui muito oportunamente anunciados pelo Rui Carmo, têm uma explicação bem mais prosaica do que as suspeitas de infiltração de uma seita religiosa (satânica?) de que o líder se queixou. Em boa verdade, a divisão sucedida na assembleia e a ameaça de cisão resultaram do facto do partido ser ainda muito recente e, devido a isso, a maioria dos seus desatentos militantes se ter convencido que Marinho e Pinto não era um, mas sim dois candidatos à liderança. Assim, enquanto uns berravam a sua lealdade ao Marinho, outros contorciam-se de devoção pelo Pinto. Nada que o carismático líder não resolva nos dias mais próximos, em fraterna convivência democrática.

Já renegociou com os futuros pensionistas

24 Maio, 2015

António Costa recusa negociar com Governo “novo corte nas pensões”

1) “No que nós estamos a trabalhar é na construção de uma alternativa que garanta a sustentabilidade da Segurança Social. Não com cortes nas pensões, mas garantindo a integralidade das pensões já em pagamento

OU SEJA NÃO SE MEXE NAS PENSÕES ACTUAIS.

2) e reforçando a sustentabilidade da Segurança Social por via da diversificação das fontes de financiamento de modo a termos uma Segurança Social mais sólida para os pensionistas de hoje e de amanhã”,

LOGO OS PENSIONISTAS FUTUROS VÃO NÃO SÓ TER PENSÕES MAIS BAIXAS – AS REGRAS DE CÁLCULO FORAM MODIFICADAS E FOI INTRODUZIDO O FACTOR SUSTENTABILIDADE – MAS COMO HÁ QUE MANTER INTOCÁVEIS AS ACTUAIS PENSÕES APESAR DA DEMOGRAFIA E DO DESEMPREGO, VAI TIRAR-SE MAIS DINHEIRO DA ECONOMIA E DO BOLSO DAS PESSOAS.

Fabricando assistencializados

24 Maio, 2015

Nas propostas do PS há aspectos interessantes – por exemplo a criação de uma conta-corrente entre o Estado e as empresas. Outras propostas não passam daquelas vacuidades obrigatórias que surgem nos programas de todos os partidos como é o caso do ponto 9: “Afirmação do interior do país como centralização do mundo ibérico.” (Pelas almas vamos deixar de falar de mundo ibérico. A Ibéria é um excelente negócio para Espanha que nessa designação não só dilui o impacto negativo da temida desagregação do seu estado como nos inclui na molhada daí resultante.) E outras propostas são um desastre anunciado. como é o caso da  nº 6: Criação de bolsas de habitação acessível mobilizando 10% do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social para investir em imóveis.”

Mesmo que a Segurança Social nadasse em dinheiro cabe perguntar: está na sua vocação apoiar habitação social? Tendo sido António Costa presidente da CML, que é senhoria de 23 mil fogos sociais, não ignora certamente que os estudos sobre habitação social revelam que a atribuição de uma casa com renda social não é vista como um apoio temporário pelos usufrutuários mas sim como uma benesse vitalícia: as taxas de mobilidade no parque de habitação social rondam os 2%. Ou seja aqueles que vierem a ser apoiados caso a proposta do PS vingue continuarão a sê-lo ou achar que têm direito a tal por toda a sua vida.

Ó inclemência, ó martírio…

24 Maio, 2015

Maria Luís Albuquerque admite reduzir pensões

Ministra das Finanças admite redução de pensões para sustentar Segurança Social

Ministra das finanças admite cortar nas pensões para garantir sustentabilidade da segurança social

As pensões já foram reduzidas e muito. As dos futuros pensionistas, claro. E ainda têm de ser mais porque tanto a esquerda como o TC entendem que os futuros pensionistas têm de pagar tudo aquilo que os actuais pensionistas inscreveram para si mesmos no DR sem ter meios para o pagar: Os actuais contribuintes e futuros pensionistas não só vão trabalhar mais anos e usufruir de reformas que na, melhor das hipóteses, representarão 65% sobre o valor dos seus ordenados (esses contribuintes pagam actualmente com as suas contribuições reformas que chegam a equivaler a 100% dos ordenados auferidos enquanto trabalhadores pelos actuais reformados) como vão ainda confrontar-se com as consequências da saída de mais dinheiro da economia via impostos para financiar a Segurança Social. 

Uma promessa por dia IV – Banco ético

24 Maio, 2015

PS quer criar Banco Ético para travar sobreendividamento

Nota: o Banco Ético é um banco para clientes subprime.

um sábado em família

23 Maio, 2015
by

01

Tarde de sábado com pausa para a família. Exames escolares à porta e a canalhada agitada, agarrada aos livros. Duas crianças, a mais velha, o rapaz, com 13, e a mais nova, a rapariga, com 11. A mãe das duas amorosas criaturas, como todas as mães, em estado de exaltação porque os anjinhos não estudaram como deviam, nem sabiam o que precisam de saber para terem bons resultados nos exames. E os anjinhos, placidamente, a dizerem que sim, que tinham estudado tudo e que sabiam tudo, enquanto olhavam languidamente para a parafernália de portáteis e «gadgets» digitais espalhados pela sala. A única matéria em que aquelas duas pequeninas cabecinhas pensavam era, obviamente, a net e em como lhe podiam aceder rapidamente. Para confirmar o que todos os pais sabem – que não é o Príncipe das Trevas, mas são sim as crianças, sobretudo as que descendem de nós, o mestre da mentira, da dissimulação e do engano – a mãe anunciou à cria mais nova que a ia inquirir sobre a matéria que devia ter estudado.

Estava uma tarde soalheira e tranquila. Eu, próximo deste bucólico cenário familiar, começava a ler, pachorrentamente num sofá, o último romance de Eco. Rompendo o quase-silêncio de uma tarde de fim-de-semana de província, a voz da mãe iniciou o inquérito à nossa pequena e ingénua filha de 11 anos: «O que é um espermatozóide?»; «Como se compõe um espermatozóide?»; – Cabeça, tronco e membros, respondi, bem disposto, alheado do drama que começava a compor-se naquela sala. Subitamente, dois sopapos directos no estômago: «como é constituído o órgão sexual masculino, o pénis?». «O que é a ejaculação?». «O pénis», a «ejaculação»?! Arghhhhh, que violência! Ando eu a educar e a proteger a minha inocente filhinha de 11 anos dos pecados deste mundo e a escola manda-a estudar «O PÉNIS» e aquela coisa viscosa que ele fabrica? Protestei, carrancudo e com violência: a sala estoirou a rir. O rapaz anunciou que já estudara essa matéria há três anos. Pareceu-me, apesar de precocidade do pimpolho (my boy!!!»), natural: ele sempre é do sexo masculino, ou seja, já dispõe do objecto de estudo em causa – o material sobre que versa essa matéria -, o que é uma redundância que a próxima reforma escolar devia eliminar. Inflamado, protestei sobre a violência que é ensinarem semelhantes porcarias à minha pobre filhinha de 11 anos. Gargalhada geral. A cadeira a que pertence esta matéria é a de «Ciências da Natureza», informaram-me, e o capítulo onde se insere a Teoria Geral do Pénis chama-se «Reprodução Humana». «Reprodução humana»? Andam ai nas escolas a estudar isso? No meu tempo dissecávamos rãs e sapos. Ninguém falava em semelhantes porcarias a crianças ingénuas de 11 anos, disse à família cuja moral me compete proteger. Sala em delírio. Todos os três. O meu filho rebolava no chão, enquanto ria alarvemente. A mãe das crias secava as lágrimas do riso. A mais nova olhava-me cinicamente, com um olhar de comiseração e de paciente tolerância filial. Mas não me convenceram. Nem calaram. Por mim, até aos 18 anos de idade, as crianças devem aprender na escola que são as cegonhas que trazem os bebés de Paris. Aonde e a quem os vão buscar, isso é conversa para adultos. Deixando para trás a sala em delírio, abandonei-a indignado, seguido e apoiado pelos meus dois cachorros. Ainda há seres racionais neste mundo irremediavelmente transtornado.

Invalidez

23 Maio, 2015

Polícias inválidos obrigados a trabalhar Depois de três operações a um tumor benigno na próstata, um agente da PSP foi considerado “incapaz para todo o serviço” pela Junta Superior de Saúde da própria Polícia. Porém, quando requereu a reforma por incapacidade, José Abreu, de 58 anos, foi chamado a uma nova junta médica, desta vez da Caixa Geral de Aposentações, que revogou a primeira decisão e obrigou o polícia a apresentar-se ao serviço quase dois anos após ter deixado de trabalhar.

Entre não poder andar a fazer patrulha e ser inválido não há meio termo?

Cuidado com a carteira

23 Maio, 2015

advogada-assistida-DN-20150523

É muita emoção. Espero, sinceramente, que a advogada de Santos Silva se sinta melhor. Quando o nosso advogado desmaia de emoção pela nossa prisão domiciliária, sabemos que estamos bem representados. Pode ser o início de uma linda amizade.

Uma promessa por dia III – pequenos agricultores

23 Maio, 2015

PS quer aumentar ajuda aos pequenos agricultores

Nota: O PS dá

Exactamente

22 Maio, 2015

há coisas sem explicação possível, meu General

a brigada do ressentimento

22 Maio, 2015
by

A RTP acaba de anunciar a contratação de mais um novel talento do comentário político, o Dr. Alberto João Jardim, acabadinho de sair do governo da autonomia madeirense e certamente cheio de animus para crucificar a malandragem do «contênente», o Sr. Silva e o ingrato líder do seu antigo partido, o Dr. Passos. Este novo talento acrescenta-se a outros tantos imparciais observadores da coisa pública, como Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, Marques Lopes, Marcelo de Sousa (o mais engraçado de todos), Freitas do Amaral, José Sócrates (de momento, suspenso), Sousa Tavares, Bagão Félix, Francisco Louçã, Manuel Monteiro, entre muitos outros. A quase todos une um passado comum de desilusões político-partidárias, que eles tomaram como desconsiderações pessoais, e com as quais quase sempre fazem pautar a «isenção» dos seus comentários. É, por isso, com naturalidade e sem surpresa, que vemos o Dr. Jardim a engrossar este já muito vasto pelotão do ressentimento. Seja, pois então, muito bem-vindo à brigada.

serve para quê?

22 Maio, 2015
by

O Banco de Portugal já não emite moeda. O Banco de Portugal tem falhado, sucessivamente, as suas funções de supervisão bancária, alegando os seus responsáveis, sempre à posteriori, falta de instrumentos ágeis de intervenção. Nenhuma das suas funções conhecidas não deixaria de ser executável por um departamento do Ministério das Finanças (a venda no Novo Banco, por exemplo) ou pelas entidades bancárias privadas. Sendo assim, o Banco de Portugal serve para quê?

De televisão da igreja católica a televisão da carbonária

22 Maio, 2015

Via Corta fitas cheguei a este video do telejornal da TVI apresentado do Museu dos Coches. A finalizar o dito bloco informativo José Alberto Carvalho mostrou o landau onde viajava D. Carlos no dia do regícidio. Aí começa uma singular peça jornalística de apologia do assassínio em nome da República.

Para começar o dia do regicídio é definido como “uma data considerada funesta  para os monárquicos”. Já de si é estranho que se restrinja a condenação do assassínio de um chefe de Estado e de um dos seus filhos (já agora o dito chefe de Estado era bem mais tolerante e democrático do que aqueles que lhe sucederam nessas mesmas funções) apenas àqueles que apoiam esse tipo de regime, logo se se mata um rei isso perturba os monárquicos, se se mata um PR isso perturba os republicanos, se se mata um católico o crime é condenado pelos católicos…

Mas o mais extraordinário veio depois. José Alberto Carvalho começa a ler a carta-testamento do Buíça “Meus filhos ficam pobrissimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que soffrem. Peço que os eduquem nos principios da liberdade, egualdade e fraternidade que eu commungo e por causa dos quaes ficarão, porventura, em breve, orphãos” para de seguida afirmar exclamativo e consternado: “Dois dias antes Manuel Buíça  antevia o que lhe podia acontecer” (Coisa extraordinária esta e de uma clarividência única: uma pessoa prepara-se para matar outra que por sinal até é chefe de Estado e supor que não sobrevive a tal intento é uma antevisão profética! Experimente o Zé Alberto armar-se em Buíça por exemplo ao pé de presidentes progressistas  como Hollande ou Obama isto para já não falar de Putin e provavelmente só lhe resta  apresentar o telejornal para os anjinhos.)

Mas o pior estava para chegar. Em modo televisão carbonária  José Alberto Carvalho conclui “E ainda hoje curiosamente mais de um século  depois estes princípios republicanos ou de humanidade  são ainda objecto de debate. O que queremos e o que estamos disposto a fazer pelos nossos jovens é o tema de um debate na TVI 24 (…)  Está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança.”

A avaliar por esta peça da TVI o que podemos fazer pelos nossos jovens é ensiná-los a fazer bombas para em nome dos princípios de humanidade matarem aqueles que os progressistas identificam como maus. E depois poeticamente concluímos “Está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança.”

Uma promessa por dia II – mobilidade eléctrica

22 Maio, 2015

PS propõe relançar rede de mobilidade eléctrica

Nota: estão a ver aqueles monos que ocupam lugares de estacionamento e não servem para nada? Vai haver mais.

CFhZJi-WMAIfpI9

Devia ter pedido ajuda ao Berardo

22 Maio, 2015

Pais do Amaral concorreu à TAP com carta de 4 páginas

A vida está difícil para os capitalistas sem dinheiro. Nos bons velhos tempos haveria um empréstimo do BES e outro da Caixa a suportar uma proposta destas.

Já agora, esta notícia era treta.

Amador

21 Maio, 2015

ng1052113_435x251

uma estranha visão da democracia

21 Maio, 2015
by

Vital Moreira, um dos progenitores da Constituição de 1976, escreveu ontem um notável artigo em defesa da sua cria, no qual argumenta, em favor da sobrevivência da mesma, que ela já pouco, ou nada, tem a ver com o que foi parido nesse ano longínquo em que viu a luz do dia. No fim de contas, pergunta Vital Moreira, que necessidade há de fazer uma Constituição nova, se a velha já se adaptou a tudo e a todos, e se já deixou pelo caminho os seus dogmas ideológicos matriciais? Só se for por cegueira ideológica «neoliberal», defensora de um «Estado mínimo» e de uma «Constituição mínima», responde. Segundo o constitucionalista, a Constituição de 76 pode bem ser eterna, porque, para se actualizar, só terá que aproveitar os mecanismos de revisão nela previstos, em vez de ser substituída pelo normal exercício de «um poder constituinte permanente», ideia que, para ele, «não faz nenhum sentido».

Ora, negar que um povo possa dispor de um «poder constituinte permanente» é o mesmo que dizer que o exercício do poder democrático soberano está condicionado à vontade histórica de quem o exerceu algures no passado. Esta é uma tese conhecida, que implicitamente defende que a mudança de uma Constituição só poder ocorrer por ruptura da ordem política vigente e não pelo exercício do poder de estabelecimento de um novo texto. Mas, de facto, se essa tem sido sempre a regra do constitucionalismo português, onde as Constituições de 1822, 1826, 1838, 1911, 1933 e 1976 foram antecedidas de modificações violentas da ordem política, isso não é necessariamente sinónimo de civilidade e maturidade política. Pelo contrário, indicia que os modelos constitucionais estabelecidos eram de tal modo fechados que não permitiram a sua transformação sem ruptura. Ora, ao invés do que se possa presumir, isso não abona em nosso favor.

Mas não é só por isto que Vital Moreira está equivocado. Na verdade, a Constituição de 76 não é tão inócua como ele parece fazer crer. Descontando o artefacto histórico do preâmbulo que mantém o destino histórico «socialista» de Portugal, o que a todos (inclusivamente, ou principalmente, aos socialistas) deveria envergonhar, os constituintes de 76 impuseram um conjunto de limites às futuras revisões da Constituição muito pouco, ou nada, democráticos. Um deles, «a forma republicana do governo» (do «estado», talvez?); um outro, tão ambíguo e equívoco que dá para todos os chumbos do Tribunal Constitucional, «os direitos dos trabalhadores»; um terceiro, a «existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista», sendo a dita «economia mista» um modelo económico onde predomina a estatização. Para além destes expressos limites materiais às revisões da Constituição, o texto é abundante em princípios e normas equívocas que permitem declarar inconstitucionais todas as reformas profundas do estado, mormente aquelas que mexem nos interesses instalados da administração pública.

Com estes e outros entraves que os constituintes de 76 criaram a uma normal actualização temporal da Constituição, o texto de 76 acabou por se configurar como um artefacto histórico ditado pelas particularidades revolucionárias da época, que não aceita abdicar das circunstâncias que ditaram a sua elaboração. Hoje, todos nós, o «povo soberano» que, afinal, não pode exercer a sua soberania constituinte, permanecemos reféns da vontade constituinte dos deputados que a fizeram. É uma estranha visão de democracia, esta que nos oferece Vital Moreira.

E o resultado do inquérito vai ser?

21 Maio, 2015
1) Uma funcionária da Escola C+S de São Miguel, na Guarda, ficou ferida na cabeça depois de ter sido empurrada por dois alunos, de 14 e 15 anos, que lhe queriam roubar a carteira.
2) Tudo aconteceu terça-feira nas instalações da escola.Os menores, um dos quais já está referenciado por mau comportamento, terão aproveitado a hora de almoço, em que o movimento nos corredores é reduzido, para atacar a funcionária, mas não conseguiram roubar nada.
3) Ao puxarem a carteira, a vítima, de 50 anos, caiu no chão. Recebeu tratamento hospitalar e já teve alta, mas ontem ainda se encontrava em casa, muito perturbada.
4) Um pai, que não quis identificar-se, apercebeu- -se da confusão gerada pela chegada de uma ambulância: “Disseram que a senhora caiu “.
5) À porta da escola, um docente revelou que os responsáveis do estabelecimento terão tentado demover os bombeiros de dar conhecimento da tentativa de roubo à PSP.
6) O Agrupamento de Escolas abriu um inquérito interno. O CM tentou, sem êxito, obter explicações junto da direção.