Ainda a propósito de gramáticas…
Há aqui um problema: o Chomsky que desarranjou as cabecinhas a muito boa gente por esse mundo, gramaticalmente falando, considera que “Tem havido um decréscimo drástico da democracia na Europa”. Ora isso é muito decrescer porque o autor de Arquipélago de Sangue (qualquer semelhança com o Arquipélago de Gulag não é coincidência) não primava por achar que o mundo ocidental fosse razoavelmente democrático. Pelo que se desse patamar já de si baixinho ainda decrescemos estaremos mais ou menos onde?
Será isto o socialismo científico?
João Manuel de Oliveira Investigador auxiliar do ISCTE. Coordenador da linha temática Género, Sexualidade e Interseccionalidade do Centro de Investigação e de Intervenção Social-IUL
E riem, claro
Ato irrefletido tornado em contrato de fato
A deceção suscetível pela adoção ótima do acordo ortográfico, cuja conceção permite minimizar corrutas receções nos significados coletivos, é reação do setor que atualmente acha bem a exceção direta como projeto fracionário do ato comunicacional.
Passando a mão pelo pelo do gato persa adquirido no Egito pela mulher de macrosaia, para para pensar se pega na pera ou se pega a pega pelada, a quem paga, tal o enjoo que leem sutilmente no ato pecaminoso de ponta sem nó.
Se ata em ato de atar o cordão do batismo onipotente de ser divino com o súdito, o aspeto heroico de joia da coroa, como antes em Troia, e como cantamos enquanto andamos, torna a segunda feira na feira que antecede a terceira, plurianual, nem que ao deus-dará, de uma extinção do fim de semana no fim da semana quando usamos o polo na Azoia em pleno voo de verão, como verão se cá estiverem no verão.
E se é obrigatório nunca pode ser acessório, por muito meritório que pareça quando visto do oratório de onde se decreta a grafia de mictório.
A explicação científica para a derrota da esquerda
Diz-nos Tiago Barbosa Ribeiro no Facebook:
A derrota do Labour junta-se a outras que a esquerda social-democrata tem vindo a somar na Europa. Ao longo dos anos participámos na construção de um colete de forças e depois decidimos vesti-lo. Agora não o conseguimos tirar. Certezas, só uma: a ideia que a esquerda socialista só resistirá transformando-se numa versão pálida da direita é a garantia de que a direita continuará a governar mesmo quando perder as eleições.
Não faltam explicações para a derrota dos trabalhistas mas esta é a melhor e pode ser assim explicada:
As pessoas queriam tanto um partido de verdadeira esquerda que tiveram que votar na direita. A culpa é da esquerda, que é tão de direita que só votando na direita se pode voltar a ter esquerda que seja esquerda, obrigando a direita a ser também mais esquerda, mas sempre à direita da esquerda. No fundo, a culpa é da direita, que obriga a esquerda a ser menos de esquerda e a com isso perder eleições.
Email aberto ao doutor Barreto Xavier
Doutor Barreto Xavier,
Li o seu texto no publico.pt e fiquei com algumas dúvidas que gostaria de ver respondidas. Se ajuda à decisão de responder ou não a este humilde cidadão, adianto que fui eleitor dos que permitiram a sua nomeação e que me encontro com faculdades físicas e psicológicas para ir votar novamente nas próximas eleições.
O doutor refere coisas muito interessantes sobre direito de autor e propriedade intelectual; infelizmente, não aborda a questão relevante para esta discussão, a introdução de uma taxa para o exercício de um direito, a saber, o direito já mais que consagrado a cópias privadas. Não queria ter que definir o vocábulo “privado” para afastar este texto das teorias metafísicas tipicamente socialistas que a nação tanto gosta. Repare, o doutor escreveu um texto em que me acusa de pirata e, pior ainda, de mau gosto, como se eu tivesse que pagar uma taxa à Ana Malhoa pela pen que meto no meu carro com ficheiros obtidos a partir do meu Bitches Brew. É que nem sequer vejo a relação entre os dois artistas. Entendo a sua solicitude para tentar ressarcir autores de roubos que possa ter feito mas, como eu não roubei nada, considero um abuso que me conceda agora, mediante uma taxa, o direito a colmatar esse défice de assaltos sancionados pelo estado. Não me sinto confortável com isso.
Deve ser aborrecido, criar uma taxa e depois ter que a explicar recorrendo a coisas não relacionadas. Sugiro, na próxima oportunidade para justificar a já chamada Taxa Barreto Xavier (TBX), que recorra a uma dissertação sobre pesca com linha já que o efeito pedagógico é o mesmo para consumidores mas de grande mérito para quem pensa dedicar-se a esse desporto tão estratégico para o cluster do mar.
Como mencionado, as duas dúvidas que gostaria de ver respondidas são as seguintes:
- Para que serve a taxa agora criada sobre suportes que possam ou não ser receptores de cópias privadas se tal cópia já é permitida e, em muitos casos, condição necessária para a compra (por exemplo, numa loja de ficheiros digitais)?
- Porque explica a taxa pela cópia privada como se esta fosse decorrente de aquisição ilegal do conteúdo, excluindo todos os casos em que a aquisição é legal?
Gostaria de deixar bem claro, porém, que este texto é de minha autoria e que, se o está a ler, é portador de uma cópia privada deste, algo que me deixa incomodado por não ter recebido parcela da taxa que o doutor criou para esse efeito. Agradeço ser ressarcido o mais brevemente possível.
Cumprimentos,
Vitor Cunha
Não TAParemos os olhos

Um autêntico avião.
Call Girl, o filme de António-Pedro Vasconcelos, é o 6º filme português mais visto no período 2004–2015 (Maio). Com uma receita bruta de 1.034.687€ obtidos em 7.138 sessões que levaram 232.581 pessoas esperançadas em ver mamas e rabo da Soraia Chaves ao cinema, não conseguiu bater o número de espectadores que foram ver mamas e rabo de Soraia Chaves em O Crime do Padre Amaro, o filme português mais visto no período representado*.
Combinando os dois filmes principais de mamas e rabo da Soraia Chaves, obtemos uma receita bruta de 2.678.529,88€. Mais, supondo que mamas e rabo geram a mesma receita, podemos estabelecer que uma mama gera meio rabo de receita ou, como é conhecida esta unidade, uma nádega.
Supondo um sistema linear e extremamente básico, como é apanágio do movimento “não TAPe os olhos”, tudo que é necessário para que António-Pedro Vasconcelos consiga colmatar o dano de 30 milhões de euros com a greve, valor apontado pelo sindicalista Santinhos, é a apresentação de 22 filmes com mamas e rabo da Soraia Chaves com custo zero de produção.
Isto é algo que todos apoiamos e a que não TAParemos os olhos. Mãos à obra.
Traduzindo
Por outras palavras um determinado grupo, no caso a ILGA-Europa, tem uma visão sobre a sociedade. Faz um ranking dos países que mais se aproximam ou afastam desse modelo. Mas é só isso. O ranking é dessa associação que se representa a si mesma. “Os avanços” são objectvos dessa associação e para outros não são avanços alguns mas pelo contrário recuos.
Mistérios portugueses
Há coisas surpreendentes neste país: Mafamude a “universidade columbófila”», os artigos do dr. Soares (o de hoje não apela aos geólogos para que travem os sismo causados pela desregulação dos mercados fica-se pelos cubanos que fazem operações) e estas contendas que nem sei como classificar. Algo me diz que há gente com tempo a mais.
Da cópia (1)
O governo e a maioria parlamentar nunca conseguiram explicar porque se deve pagar uma «contribuição» aos negociantes de direitos de autor por algo que o consumidor já pagou; nunca conseguiram demonstrar ou quantificar eventuais prejuizos pela cópia privada; nunca conseguiram explicar porque estando tal materia em revisão na UE se vai legislar agora; nunca conseguiram explicar porque raio e com que fundamento constitucional deve um consumidor pagar um imposto que reverte integralmente para outro particular.
Apesar disso, a maioria dos parlamentares aprovaram bovinamente o imposto da cópia privada. Porque motivo? Ignorância não foi pois foram devidamente avisados. Burrice apenas? Creio bem que a razão é mais comezinha: a pressa e urgência na aprovação desta medida tem precisamente a ver com as futuras alterações no quadro europeu e na óbvia ilegalidade da medida. É que enquanto a coisa durar, por pouco tempo que seja, uns quantos irão receber umas dezenas de milhões de euros. E há aí eleições, os partidos precisam de financiamento a troco de alguma medidas que contentem as corporações de parasitas.
Pode explicar
Mas senhor Secretário de Estado quanto é que os autores recebem ao certo desta taxa? Como são os autores remunerados para usar o termo tão caro aos autores desta legislação?
É que escrever páginas sobre os direiutos de autor não é difícil. Difícil pq até agora não o fez é explicar para quem vai o dinheiro.
Com um lento suspiro
Como centuriões marchando na Tessália, Tsipras e Varoufakis prometeram irrigar a região com o amor que brota da vontade de um Domingo à tarde regado pelo ócio e enriquecido de spanakopita capaz de deformar os braços de Popeye, o marinheiro analfabeto que salva a subnutrida Olívia dos braços teutónicos de Bluto, a força bruta desprovida de chico-espertismo e antítese de sex symbol, tal como a própria Olívia. Foi um entusiasmo delirante, fazendo o Público abrir os cordões à bolsa no decreto de fim da austeridade (algo que não faziam desde Hollande, altura em que se enganaram mais uma vez, ao ponto de não se poder imputar tal asnice a ingenuidade e sim a masoquismo).
Um governo Syriza, um governo que faria a Europa vergar-se perante a omnisciência de rigor científico que envergonharia prévias decisões austeritárias castradoras da vontade humana, como o PEC 4, levando o planeta para um grau de desenvolvimento só equiparado à descoberta de um monólito por macacões barulhentos no filme de Kubrick.
Also Sprach Zarathustra, Strauss olímpico, a revelação, o mundo transformado no amanhã de ontem, o ontem de sempre perante a construção do hoje que é futuro. Mobilizar Portugal, induzir Grécia, capacitar Espanha, resistir Alemanha, lei de Ohm para os anais da obsolescência, o Syriza chegou. Agora Podemos!
O entusiasmo foi tanto que cansou. Assim, literalmente, como em fadiga crónica. Hoje dizem que podem chegar à acordo mas ninguém acredita. Ninguém acredita nem ninguém quer saber. Cheguem a acordo, fracassem, comam o monólito ou dancem nus sobre o túmulo ou a rotunda bruxelloise de Schuman, é que ninguém quer mesmo saber. Não só ninguém quer saber como toda a gente se enfada, ressentindo quem, como eu, pega neste assunto, que já não interessa, que é indiferente, que entusiasma tanto os europeus como o segredo de justiça não entusiasma o intestino do doutor Ferro Rodrigues.
O Syriza sempre serviu para alguma coisa; serviu para substituir a tragédia abrupta pelo longo e continuado suspiro do moribundo que, pela habituação, não impede quem quer que seja de ir almoçar. Mas não foi só o Syriza que se tornou irrelevante: foi todo o marxismo recauchutado do #OccupyYourOwnFatAss, desmoronando a perspectiva espanhola de idiotas no poder, só chegando, como sempre, um pouco atrasada a Portugal, que ainda vibra com a hipótese de um dia ler Piketty, o trambolho que substituiu as Páginas Amarelas, tantas são as páginas para o calor insustentável do Rato. Ao menos um SMS lê-se depressa.
Ideia para concurso televisivo
Um programa que consiste em pessoas mostrarem o talento que julgam possuir para a interpretação da Constituição perante júri especializado em equidade, igualdade e justiça social.
Ninguém é rejeitado e não são permitidas comparações entre indivíduos, quer outros concorrentes, quer outras pessoas consagradas pelo mérito de servirem o Estado. No fim, não se procede a qualquer eleição ou deliberação sobre vencedores: todos vencem. Porém, no segmento final de cada episódio, será determinado um perdedor que consiste na pessoa que, pela sua existência, atenta contra o pleno desenvolvimento da igualdade entre os homens de boa vontade. A votação será realizada por normal SMS.
Mais se determina que o perdedor será sempre equiparado ao cidadão Cavaco Silva e que este terá que ser humilhado através de efeito de pós-produção que lhe apense um nariz de Ferreira Fernandes.
A ler
O texto de José Carlos Fernandes sobre a “ intrigante a benevolência e unanimidade com que os media costumam acolher cada novo disco ou livro dos grandes nomes consagrados”.
A verdade a que temos direito

Pode ou não concordar-se com a posição do Daily Mirror mas a capa é indiscutivelmente boa. Contudo em Portugal nunca se faria uma capa destas. Nós somos todos oficialmente neutros. E confundimos esses estado de sonsismo a que chamamos neutralidade com rigor e independência. Ninguém toma posição a favor ou contra.Na prática a hipocrisia reina e quando a realidade não é compatível com a ideologia omite-se. Mete-se em letras pequeninas. Arruma-se num cantinho. Faz-se quase de conta que afinal não aconteceu nada.
O curioso caso das orelhas de abano do Cosme
Anda toda a gente indignada, como é habitual, desta vez com umas orelhas paquidérmicas num programa televisivo da SIC e que não inclui – surpreendentemente – o doutor Adão e Silva. Se este assunto não o entusiasma, pode indignar-se com outra coisa qualquer, só não caia na tentação de achar por bem dizer que algo está assim-assim: não precisamos de optimistas sem noção do mal que fazem ao negócio da indignação.
Aparentemente, na pós-produção, meteram umas orelhas animadas e genericamente abonadas – mesmo para a geração botox – num concorrente dos Ídolos, um programa televisivo que pretende encontrar pessoas para serem idolatradas por outras pessoas, isto de acordo com o nome. Um dos problemas dos ídolos é que há sempre quem não goste deles: quem nunca desenhou um bigodinho hitleriano no Portas, um pénis ao 25 de Abril para o Parque Eduardo VII ou uma ruga cansada na testa do Sócrates que atire a primeira pedra. O problema aqui é que se trata de um menor com algum atraso no desenvolvimento mental, como se comprova em termos hereditários pela autorização concedida pelos pais ao permitirem explicitamente que desconhecidos de um juri televisivo assumam o dever paternal pelos segundos suficientes para poupar o mundo de cantorias futuras. Bem, isto sou eu, que tendo a proteger os meus filhos de potenciais embaraços. Eu sei: um pai à moda antiga, pouco compatível com o mundo moderno da idolatria by proxy.
Bem, a SIC não se portou lá muito bem. Era óbvio que o miúdo ia ficar traumatizado, eventualmente lembrando pais e educadores que uma determinada quantia – em dinheiro, cheque não! – é terapia adequada para travar a insustentabilidade da espiral de sofrimento. Vai daí, arranja-se logo uma cena virtual, das que não exigem muito trabalho a preencher, como o pessoal da esquerda indignada e unionista conhece, tipo petição, e isto só termina quando o Presidente da República em pessoa excomungar para sempre o mau gosto televisivo (eu começaria pela RTP, mas isso é outro assunto).
Quem ainda não parece estar traumatizado com as orelhas de burro que os indignados lhe metem é o Cosme. Confesso, não sabia quem era a pessoa mas, entretanto, já vi a sua foto esparramada em tudo que é jornal, como é suposto acontecer sempre que alguém se indigna sem se preocupar com as consequências da sua indignação para o indignante. Aparentemente, até a procuradoria geral da república, cansada de coisas pouco importantes, vai investigar se o professor Cosme tem opiniões que publica. Eu podia ajudar dizendo já que sim, que publica opiniões. Isto da investigação é um risco enorme porque há sempre a hipótese de haver um investigador inteligente que chegue à conclusão que, afinal, o Cosme estava era a gozar com os indignados, o que seria indignante.
Mas quem me garante que o Cosme não está mesmo traumatizado em casa, com vergonha de sair à rua, ansioso que a petição ao senhor Presidente da República feche de uma vez por todas os blogues?
A minha proposta de resolução deste problema é a SIC comprometer-se a meter umas orelhas de burro no Cosme enquanto o miúdo aplaude e não se fala mais nisto. Outra hipótese é em dinheiro, cheque não.
E se alguém se atrever a pensar acontece-lhe o quê?
SMS do leitor

Para o lixo
Todos os dias António Costa faz mais uma promessa com impacto macroeconómico ou orçamental que não está prevista no cenário proposto pelos 12 economistas socialistas. Novos escalões de IRS, reposição de feriados, reposição das 35 horas, manter a TAP, sujeitar a gestão da Carris/Metro aos interesses da câmara de Lisboa, etc. Passaram 15 dias e o cenário já pode ir para o lixo.
49%
E você, quantas dezenas de milhões estaria disposto a dar pelo buraco da TAP, para ficar a ver os gestores nomeados por António Costa a mandar no seu dinheiro?
Esticar a lata
Um truque habitual de António Costa, basear uma declaração numa mentira, a presumir a ignorância e estupidez do eleitorado:
O secretário-geral do PS [António Costa] afirmou hoje que um dia se perceberá porque é que «esta legislatura tem sido devidamente esticada para que este Governo, à última da hora, possa fazer tudo aquilo que em desespero está a procurar fazer». (link)
Palhaço!

“Conseguimos infligir um dano de 30 milhões de euros na companhia e penso que isso não devia ser desvalorizado pelo Governo”, disse Hélder Santinhos.
um breve esclarecimento
Sobre o sistema eleitoral inglês, o mesmo é quase dizer, o seu sistema de governo, e que anda aí a incomodar tantos «democratas», que só depois da tareia ontem infligida ao Labour e ao Lib Dem pelos Toryes é que se parecem ter dado conta da «perversidade» da coisa. Então, vamos lá a ver
: o Reino Unido é uma monarquia constitucional onde o chefe de estado não é mais do que um símbolo da unidade das várias nações e estados que compõem o reino. Não dispõe de quaisquer poderes políticos, o que garante a democraticidade do sistema (que tanto aflige a «ética republicana»), que estaria obviamente em causa se um órgão político sem representatividade democrática tivesse efectivos poderes de soberania. Nestas circunstâncias, o sistema de governo inglês (ou de qualquer outra monarquia constitucional) só poderia ser parlamentar, porque, obviamente, a intervenção executiva do chefe de estado seria sempre impossível, para salvaguardar o princípio democrático. Ora, deste modo, a governabilidade só seria alcançável se se formassem maiorias parlamentares com facilidade. Daí o sistema eleitoral de círculos uninominais, com eleição numa volta por maioria simples. Esse sistema privilegia a governabilidade em detrimento da representatividade proporcional plena, que no Reino Unido tem sido quase sempre uma realidade, contribui para a consolidação dos grandes partidos e para o voto útil, mas deixa sem representação directa muitos eleitores que, de resto, sabem muito bem que esse é o risco que corre o seu voto em partidos mais pequenos. Contudo, o sistema não é impenetrável, como se demonstrou com a perda da posição de partido de governo dos Whigs, por volta da década de 20 do século passado, em favor do Labour (os verdadeiros liberais migraram, entretanto, para os Tories, tendo ficado o Liberal Party com uma panaceia de «liberalismo» social, ou seja, uma social-democracia). Todavia, este sistema que, como todos os outros, terá os seus pontes fortes e os seus pontos mais fracos, faz do Reino Unido a democracia constitucional mais antiga do mundo e uma das mais estáveis. Comparar isto à Venezuela de Chávez, só por um grande, grande desgosto, ou pela sensação de que o pior ainda está para vir. Mesmo com sistema proporcional…
razão tem o dr. antónio costa
Pela TSF o dia também tem sido de profunda tristeza e desolação. Mas nada como um passeio matinal por Londres e umas entrevistazinhas feitas a cidadãos anónimos para retemperar o ânimo: não é que, mesmo após uma maioria absoluta conservadora, a TSF só conseguiu encontrar
eleitores «disappointed» com o resultado? Coisa espantosa, de facto, a merecer
explicação científica, quiçá sociológica (alô, alô, Professor Boaventura…), mas o melhor que se conseguiu foi um tal Richard que disse ter votado nos conservadores por eles serem «the devil you know», ou seja, o «mal menor», na linguagem menos rebuscada de um outro anónimo transeunte. Mas um mal, sem dúvida um mal. Já Frank, um londrino que não está para graças e que fecha esta útil reportagem, está seguro de que Cameron deu uma «chapelada» na contagem dos votos, e que só por isso «ganhou» as eleições. O dr. Mário Soares certamente gostaria de conhecer
este bravo súbdito de Sua Majestade.
Razão, razão tem o dr. António Costa nas suas elevadas considerações sobre a classe jornalística nacional.
Escolher pessoas ou escolher pessoas pela rejeição?
Se em Portugal existissem círculos uninominais correspondentes aos concelhos, os deputados eleitos em 2011 seriam como mostrado na tabela (exclui Açores e Madeira). O que representa melhor as pessoas, os que escolheram ou os 3º e 4º classificados num dado círculo eleitoral?
Em qualquer dos casos, para a existência de círculos uninominais, seria necessário refazer os próprios círculos e a lei eleitoral, a tal que obriga a estar bem caladinho no Sábado que antecede o grande dia, não vá uma pessoa mudar de ideias e votar mesmo bem.
Adenda: como o leitor Zé N. reparou – e bem – faltam 3 concelhos na minha tabela, que foi construída a partir de uma lista “grosso modo” de 2011. O post pretende ser meramente ilustrativo. Círculos uninominais não poderiam ser construídos com concelhos na sua forma actual (Barrancos, Alcoutim, Castelo de Vide, etc, nunca poderiam eleger o mesmo número de deputados que Lisboa, Sintra, Gaia, Porto ou Cascais).
Algum rigor, por Toutatis
Mas, Carlos, o Reino Unido não tem qualquer relação com Portugal, ao contrário da Grécia, nosso velho aliado na luta contra a usura dos mercados que destroem as nossas praias, provocam cataclismos da natureza e geram austeridade que mata, como diz o Papa Francisco.
Com a Grécia assinamos um tratado em 1373, o mais antigo tratado em vigor no planeta. Este tratado permitiu que a Grécia mandasse para cá o duque de Wellingtonopoulos para combater as invasões austeritárias do Kaiser Napolöwe.
Sem esse e o tratado dos panos e vinhos de 1703, nunca teríamos as caves de metaxa do Porto. Algum rigor, por favor.
mas uma grande primeira página
De jornalismo, no mesmo Público de hoje, na qual o redactor emerge no teor substantivo da manchete, para melhor a demonstrar
. No caso, sobre os malefícios do professorado de português mal preparado ou mesmo analfabeto: «Mais de metade dos docentes que realizaram os testes de avaliação (…) tiveram nota negativa». Jornalismo de primeira água.
em estado de negação
Foi como permaneceu a redacção do Público, ao longo de toda a noite de ontem, com a vitória do «bafio» (Carlos Zorrinho, um enorme democrata, dixit) conservador inglês. O estado de choque permanece na edição de papel de hoje. O Eng.º Belmiro de Azevedo devia cuidar melhor da saúde emocional dos seus colaboradores.
Primeiro estranha-se. Depois entranha-se.
No Insurgente Carlos Guimarães Pinto fez este eloquente levantamento sobre o tratamento das vitórias eleitorais pelos jornais portugueses
ao cuidado do dr. antónio costa
imprescindível
A leitura deste post de Luís Menezes Leitão, sobre a «bondade» da redistribuição fiscal anunciada por António Costa:
Depois não digam que não foram avisados.
farto
António José Teixeira e Pedro Adão e Silva compõem o painel escolhido pela SIC-Notícias para falar sobre o discurso de Pedro Passos Coelho no encerramento das comemorações do 40º aniversário do PSD. Já não há pachorra para os comentadores televisivos do PSD!
se não pode dizer, então, não dissesse nada
Eis uma técnica muito comum em Portugal: insinuar coisas tremendas sem as esclarecer minimamente, alegando impossibilidade de as contar. Habitualmente trata-se de uma forma de deixar alguém à rasca, mantendo o «denunciante» cara de boa pessoa e de gente séria. Com a vantagem, para o autor do malabarismo, de não ser responsável por nada do que disse, embora tenha insinuado, nem poder ser obrigado a fazer prova ou demonstração seja do que for, por que, na verdade, não disse coisa nenhuma. Essa foi a técnica de emporcalhamento indiscriminado utilizada por Cândida Almeida, para «denunciar» a suposta benevolência utilizada no tratamento processual de Dias Loureiro, no caso BPN e, no meio disso, justificar a sua inépcia. Não sei se assim foi ou não foi, nem conheço nenhum dos protagonistas em causa para sugerir o que quer que seja. Todavia, já que está com o assunto nas mãos, Cândida de Almeida poderia aproveitar para também não explicar por que não andou nenhum dos processos que envolviam gente da política e que lhe passaram pelas mãos. Porque não foi somente o processo relativo ao envolvimento de Dias Loureiro no BPN que conheceu, nesse tempo, o fundo das gavetas do Ministério Público. Longe disso. Se a distinta magistrada se dispusesse a falar, certamente teria muito para contar. Mas não pode…
Diz Ferreira Fernandes, com a maior das normalidades, que um político não admite o tom usado por um jornalista. Está bem, o respeitinho é bonito.
Nota: este post é um exercício do direito à fala.
a importância relativa dos sms
Um sms enviado, há quase dois anos, por Passos Coelho a Paulo Portas, justifica uma primeira página de um jornal diário dito de «referência». Já um sms enviado há dias pelo líder da oposição, que quer ser primeiro-ministro daqui por seis meses, a intimidar num jornalista que escreveu umas coisas menos agradáveis sobre o seu partido, não merece mais do que um comentário a latere num artigo de opinião, que o qualifica como um acto «banal» de «exercício de liberdade de expressão». Uns verdadeiros artistas, estes rapazes.
A inexistência de humoristas de direita, assunto bem analisado por Rui Ramos, deve-se, sobretudo, a um factor importantíssimo: não há piada nas consequências de brincar com o esquerdismo. Não há rol de pessoas mais sisudas, conservadoras, casmurras e sem graça do que na esquerda que sente necessidade em se afirmar de esquerda.

A sério, com este ar sisudo, não dá vontade de rir?
“Eu sou de esquerda” repetido causa o mesmo efeito que causaria um “eu sou muito honesto” numa carta enviada da prisão. Se nunca ouviram tal coisa é porque os vossos amigos já não estão para vos aturar, algo que tanto acontece porque também têm essa necessidade patológica de afirmação – o que gera purgas – ou porque, simplesmente, ainda têm esperanças que percebam quando estão a ser ridicularizados silenciosamente. O método tradicional de um indivíduo que se diga de esquerda – a cada intervalo entre pestanejos – para encarar críticas é algo que vai do SMS insultuoso ao extermínio em massa. É tudo uma questão de escala. O que poderia ser cómico num indivíduo que tem na sala um busto de Lenine? No fundo, tudo, mas só até o indivíduo ter poder suficiente para exprimir o seu repúdio da forma mais apropriada, algo entre a perda de um emprego à perda das unhas com alicate ferrugento (o que, no último caso, o impediria de dádivas de sangue). O esquerdista tem muito orgulho em si próprio e não admite criticas, que encara sempre como um julgamento de carácter.
Além disto, é tudo uma questão de mercado. Com tanto humorista escatológico com procura, um humorista de direita seria só alvo de chacota pelos intolerantes esquerdistas, algo que desmotiva quando a melhor perspectiva de sucesso é uma plateia de meia-dúzia de pessoas que já leram um livro sem figuras.
Podiam existir humoristas de direita mas – que fazer – toda a gente tem que ganhar a vida. O SMS do Costa é a ilustração perfeita do sentido de humor de um esquerdista. É cómico, excepto para quem o recebe. À direita restam os artigos do doutor Soares sobre o Obama, o que tenta lutar contra a natureza que se revolta pela usura capitalista da exploração petrolífera que causa cataclismos geradores de austeridade que mata, como bem diz o Papa Francisco. Quem não acha piada a isto é um sisudo esquerdista.
Papa Francisco; “Mas porque é que mulheres devem ganhar menos?”










