A lei da cópia privada volta a atacar
O parlamento vai discutir novamente, na próxima sexta-feira, a infame lei da cópia privada, que o Presidente, em boa hora, vetou há pouco mais de um mês. Espero que os deputados da maioria tenham, desta vez, o decoro de enterrar definitivamente um dos exemplos mais aberrantes de “rendas injustificadas”.
Eu vejo discriminação em todo o lado!

Anda por aí uma celeuma bastante palerma sobre dádivas de sangue. É o costume, é Portugal, não há nada de verdadeiramente relevante para discutir. Pelos vistos, pessoas que pertencem a grupos de risco são convidadas a não dar sangue, vá-se lá saber porquê. Isto são más notícias para activistas familiares de pessoas que fizeram piercings há menos de 12 meses, portadores da doença de Creutzfeldt-Jakob, dementes em geral ou pessoas que sofrem de psicoses graves, nomeadamente a de encontrarem motivos de indignação por discriminação em tudo e mais uma batata.
Para saber mais sobre critérios para dádiva de sangue, a ILGA Portugal disponibiliza um documento informativo que deverá consultar antes do próximo episódio psicótico mediático.
Afinal é fácil de resolver
Freitas do Amaral diz que “pagar tudo” é a solução para papel comercial no BES
Vou resumir o problema do papel comercial:
1. Clientes do BES compraram papel comercial de empresas do GES.
2. O GES faliu, pelo que não pode pagar o papel comercial.
3. O BES faliu,pelo que não pode pagar o papel comercial.
4. O Novo Banco é do Fundo de Resolução (que indirectamente é detido pelos bancos nacionais).
5. Se, por milagre, o Novo Banco for vendido acima do valor nele injectado pelo Fundo de Resolução, o lucro reverte para os credores e accionistas do BES.
6. Se o Novo Banco pagar o papel comercial (não sendo essa a sua obrigação, é uma obrigação do GES) os accionistas do fundo de resolução têm todo o direito de exigir uma compensação. A quem a exigem? Ao contribuinte? Ao Freitas do Amaral?
7. Se o Novo Banco pagar o papel comercial e se isso prejudicar a mais valia a que o BES tem direito, os accionistas do fundo de resolução, os credores do BES e os accionistas do GES (incluindo o Ricardo Salgado) podem exigir uma compensação. A quem a devem pedir? Talvez ao Freitas do Amaral.
Está bonito está
Nicolau Santos no Expresso Curto de hoje: “a possível bomba não passava de um embrulho com roupa que terá caído de um carro. E felizmente para o país, desde 1975 que não rebentam bombas em Portugal.”
Não sei o que vai na cabeça do Nicolau Santos mas se se deixasse de teorias da conspiração tipo já sei ao vem o Observador e lesse o arquivo do Expresso até que lhe fazia bem. Assim para começar pode pesquisar Rede bombista e FP-25. (Isto para não entrarmos nas polémicas com a morte de Sá Carneiro. ) Em Portugal não só rebentaram bombas como causaram vítimas.
Blasfémias no Facebook
Após uma pequena falha técnica, resolvemos a actualização automática da página do Facebook do Blasfémias. Agora já pode seguir o blogue no Facebook bastando fazer like (não custa nada, nem tem que gostar mesmo, pode fingir).
Gostaria de salientar que esta correcção foi efectuada sem necessidade de SMS.
“Tiroteio junto a conferência anti-islão faz dois mortos no Texas No encontro, organizada por um grupo conhecido pelas suas posições islamófobas, estavam cerca de 200 pessoas.” — PÚBLICO
Os desqualificados
Na sequência da reestruturação de links do Expresso, não é possível linkar para o artigo original, restando esta versão em cache. Decerto, ao abrigo da normalidade, será uma situação meramente transitória.

Analisando a linguagem usada, eu diria que sim, que o SMS é do mesmo António Costa.
os contribuintes são eternamente generosos
«Governo perdoa 85 milhões ao Novo Banco»
Tem lógica. O governo, usando o dinheiro dos contribuintes, mediante este «perdão» reconhece mais uma vez os elevados serviços prestados ao país por mais um relevante membro do sistema bancário. Sistema esse que nos últimos tempos tanto tem dado ao país (ou é ao contrário)?
Estrela Serrano faz doutrina
Um momento broeiro e a reputação de um jornal
O doutor Costa, vencedor antecipado das eleições legislativas no isto-não-se-aguentismo desde – pelo menos – Setembro de 2012, reconhecido pela destreza com que escolhe políticas – não necessariamente bíblicas – para o fim anunciado da austeridade pelos profetas Hollande e Tsipras (só para mencionar dois exemplos), assim como pela dificílima tarefa de encontrar o candidato presidencial mais redondamente preenchido de vácuo, demonstrou que também é broeiro ao enviar um SMS irado ao director-adjunto do Expresso, João Vieira Pereira.
Quem também é tido nesta história é um director do Expresso, Ricardo Costa, pessoa responsável pela manutenção do estatuto editorial do jornal, que reza, no seus 7º e 8º parágrafo:
É sabido que Ricardo Costa colocou o lugar à disposição quando António Costa foi aclamado vencedor na operação “bandarilhar o Seguro”. Agora parece evidente que António Costa interpretou este “colocar o lugar à disposição” como “estou à tua disposição”, uma interpretação típica em megalómanos heliocêntricos. Senão, como justificar a ausência de uma nota da direcção sobre o SMS do candidato a Primeiro-Ministro que destrata um jornalista e director-adjunto, caracterizando-o como pessoa que não é séria, um covarde desqualificado, inculto, reles insultador e ilegítimo opinador?
O jornal fica-se assim, após estas décadas de história, com um ataque a um seu jornalista e director-adjunto, como se fosse uma mera mensagem oriunda da taberna onde o taxista deixou o broeiro que a emitiu e não de um candidato a primeiro-ministro, em particular um candidato em posição de deixar o seu familiar directo debaixo de uma linha de fogo de suspeição inaceitável, denegrindo a isenção conquistada com anos árduos de trabalho, borrando um invejável CV com uma dúvida permanente de favorecimento da qual o próprio, oportunamente, tentou esquivar-se – e bem – pondo o lugar à disposição?
Continuo à espera. Não sou, certamente, o único.
Já se pode falar sobre os sindicatos?
Controlo de danos a partir isto tudo
Diz Estrela Serrano:
“Moral” desta história: o jornalista acha que dizer que um partido (leia-se o seu líder) tem falta de coragem, “ausência de pensamento político”, faz “política de tubo de ensaio”, “encomenda umas contas que não comprometem niguém” e outros mimos, não é um “julgamento de caracter”, antes pelo contrário é um exercício de “liberdade de pensar” mas se o alvo dessas apreciações reage, ai Jesus, que “estou a sentir-me condicionado e atacado na minha liberdade”.
É bom lembrar que a liberdade de imprensa existe para garantir a liberdade de expressão não apenas dos jornalistas mas também dos cidadãos, sejam políticos ou simples cidadãos. Fazer de virgem ofendida quando se dispõe de toda a liberdade para escrever e dizer o que se quer não se coaduna com vir depois protestar se alguém responde na mesma moeda. Lá diz o ditado “Quem vai à guerra dá e leva”.
Daqui se conclui que o SMS de Costa era suposto ser publicado, uma vez que – como admite a cronista – se trata de uma resposta na mesma moeda.
Sinceramente, costumam existir formas mais simples de direito de resposta, sem recorrer a “como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este SMS”, mas Estrela Serrano, lá na ERC, talvez esteja habituada a este procedimento perfeitamente normal de “liberdade de imprensa” para “a liberdade de expressão não apenas dos jornalistas mas também dos cidadãos, sejam políticos ou simples cidadãos”. Lá diz o ditado “Quem vai à guerra dá e leva”.
O Expresso devia publicar o tal SMS especificamente como um direito de resposta. Manchete de primeira página: “Costa responde a desqualificado”.
Nota: este post, a coberto da confusão entre liberdade de opinar e imunidade de insultar, mesmo que degradando essa profissão respeitável por ser um desqualificado incapaz de ter opinião e discutir a dos outros, não recorre ao insulto reles e cobarde para preencher a coluna que me está reservada.
We had a problem Largo do Rato
escreveu esta crónica no EXPRESSO: Perigosos desvios do PS à direita. É um texto com o qual se pode concordar ou discordar mas em que não há traço de ofensa para quem quer que seja. António Costa viu nele um julgamento de caracter e resolveu mandar um SMS ao autor do texto. O conteúdo é espantoso. Na verdade parece uma variação sobre as cartas de Sócrates: todos contra mim, conspirações, houve um tempo em que não era assim…
Quem reage assim a um texto de opinião onde não há vislumbre de ofensa o que faria se lhe chamassem palhaço, gatuno, se um familiar seu adoecesse gravemente e um colunista lhe viesse dizer para não usar politicamente a doença, se divulgassem os dados pessoais de um dos seus filhos, se todos os dias dissessem que é burgesso, foleiro, inculto…?
Ou Costa não está a pensar ser primeiro-ministro de Portugal ou tem ideias muito estranhas para Portugal.
Da sociedade que pensa a sociedade

Carlos Amaral Dias, psiquiatra e professor, pai de Joana Amaral Dias, à revista Sábado, destaques meus:
Ser violada por um padrasto já é muito mau. Só faltava ter um filho da relação. Seria quase como o filme do Polanski, A Semente do Diabo. Era só o que faltava. Não vejo outra opção a não ser terminar a gravidez. E falo não apenas como psiquiatra, mas como cidadão. Ter este filho fere de tal maneira os nossos valores simbólicos que não poderíamos viver enquanto sociedade com essa decisão. Seria pactuar com um crime. Ter este filho do diabo seria a continuação de um traumatismo. Mesmo que ela tenha a fantasia, muito comum em pré-adolescentes e adolescentes, de querer ser mãe, o melhor é tirá-la da cabeça. [Essa fantasia] tem que ser vista como uma prova de imaturidade, de não ter capacidade para perceber o que lhe está a acontecer.
liberal e conservador
Correio dos leitores
From: José [goldenboy@dgsp.mj.pt]
Sent: 30 April 2014 19:21
Subject: Para você benefício
Bom dia,
O meu nome é José Sousa, um confidente próximo de a filha do general Amir Mazanderani. Sou o analista financeiro baseado aqui em Alentejo. Se tu seres conversante com o que acontece no mundo, ouviu que general Amir Mazanderani foi morto em combate. Presentemente Nações Unidas fazerem querer ter posse de documentos do banco confiscados, que creiam ter 100%. Como confidente e analista financeiro para a filha do assassinado general, privilégio de depósito secreto em valor de 18 milhões de libras inglesas (18,000,000€). Este fundos é depositado em firma financeira. Estes serem os únicos fundos não detetados por as Nações Unidas e confiscados por terem sido depositados pelo assistente pessoal do general. Por devido à investigação actual, é não prudente fazer o levantamento.
Por este razão estou enviando este email em nome da filha do falecido general Amir Mazanderani, Ayeesha, para que ajude a receber os fundos no teu nome como depositante e dono dos fundos. Se você está disposto a ajudar responda por, favor, a este email o mais pronto possível, neste período de excessos, antes que o fundos sejam descobridos.
Mal receba resposta sua, darei detalhes completos do que tens que fazer para alcançar os fundos. Ayeesha não tem limites à precentagem que recebes pela sua assistência e ajuda providendo que o depósito está em teu nome e que assim permanece na sua custódia até toda a investigação ser concluída e o dinheiro permite a Ayeesha viver uma vida normal sem pai morto.
Espero ouvir de si rapidamente.
José Pinto de Sousa
Riquezas da Pátria
Cortar o mal pela raiz

Do lado direito, a comovente história de uma mulher, mãe solteira no desabrochar da juventude, que procura o filho gay – não que tenha nada de mal – e político – mais questionável – vendido por freiras malévolas a abastada família norte-americana que lhe proporcionou uma infância banal.
Do lado esquerdo, a pragmática história de um hospital com aval de juiz para evitar histórias comoventes como a do lado direito.
A pretalhada de cor grená acomodada que bem que está
Anda por aí uma polémica, mais uma, sobre qualquer coisa que mete “pretalhada”. Procurei no Google e o primeiro resultado é de um tal de Louçã, que penso ser aquele rapaz cheio de boas intenções que era do PSR, o Partido Socialista Revolucionário. Isto promete.

Vai-se a ver, é mesmo o tal Louçã e a polémica está lançada porque o senhor se indignou com uma redução ao absurdo, talvez por falta de espelhos em casa, talvez por brilhantismo que só o próprio está em condições de reconhecer. Ia ler então sobre a polémica do dia mas apercebi-me que já tinha guardado um texto do senhor Louçã na minha lista de leitura. É este:

Eu vejo uma relação entre os dois. São produtos de um académico brilhante com uma capacidade excepcional para o absurdo. O professor Louçã lida mal com reduções ao absurdo porque as considera um ataque ad hominem. Quem sou eu para questionar tamanha honestidade intelectual?
TSU do PS é uma medida de desvalorização interna
Manuel Caldeira Cabral, um dos 12 economistas do cenário macro do PS diz o seguinte sobre o modelo usado nas previsões:
“A ideia da remuneração por trabalhador cair tem a ver com o crescimento do emprego ser, em grande medida, previsto tendo em conta as condições do mercado”. “Não é os salários caírem – prevemos que os salários de quem já está empregado cresçam ao ritmo da inflação, mas não mais – e os novos empregos continuarem a estar com salários abaixo da média”, defende.
Ou seja, apesar de o cenário incluir uma redução de 4% da TSU dos trabalhadores (mais cerca de 3% para as empresas) o resultado é que o salário dos trabalhadores que já têm contrato fica em termos reais na mesma. E os novos contratos continuarão a ser feitos a valores inferiores aos contratos antigos. Isto é um reconhecimento de que a baixa da TSU dos trabalhadores vai na realidade beneficiar as empresas, funcionando como uma medida de desvalorização interna.
Em resumo, corta-se na pensão futura do trabalhador para transferir rendimento para a empresa. Vitor Gaspar em 2012 propôs uma solução parecida. Os valores envolvidos até eram parecidos, só não tinha ajuda da inflação e não era faseada. Até o detalhe de servir para cortar salários da função pública o PS imita.
(link via Insurgente)
No dia em que o presidente dos EUA for negro e Democrata
estas imagens serão impossíveis.
Daqui por uns anos vão dizer que era um empreendedor e que o país precisa de muitos homens assim
Os pais não são todos iguais
Estes vietnamitas procuram o seu pai americano. Em casos destes os jornalistas enfatizam a falta do pai, histórias de vida em que sempre se sentiu a falta do pai, a dor de não ter pai… O mesmo se passa com estes guineenses
Pelo contrário nestes casos o pai não faz falta alguma. Nem ninguém pergunta onde está nem muito menos se prevê que a criança sentirá a falta dele.
Poliamor de conveniência, não!
Circula por aí, nos meios mais propensos a experiências sensoriais alternativas, a teoria de que a coligação é feita por conveniência e não por convicção. Pelo menos, os proponentes desta moral estritamente kantiana dos costume políticos, têm uma convicção, a de que conveniência é incompatível com convicção. De forma espectacularmente absurda, conseguem encontrar algo passível de crítica na união de esforços por um propósito comum, a saber, a vitória em eleições; parece que não é por convicção que alguém quer ganhar eleições mas, convenhamos, isso já se sabia olhando para as bandeiras do maior partido da oposição em frente ao Estabelecimento Prisional de Évora. É que isto das convicções e conveniências é quase tipo, sei lá – assim, mais ou menos -, como a ideia de juntar trotskistas, maoístas, revolucionários-nintendo e outros chanfrados numa coisa a que chamaram “bloco de esquerda”.
Assim, à primeira vista, parece-me que Catarina Martins quer chamar a atenção para o tal “bloco de esquerda” através da curiosidade que todos temos por acidentados na estrada. Eu apoio: a prudência já saiu pela janela há muito tempo, vamos focar o debate na psicologia, que bem necessário era alguém aconselhar Catarina – em particular a escolher os momentos para estar calada.
Porém, como se não bastasse a syrizica Catarina, eis que o – ora nacional-falangista, ora sino-internacionalista – representante da alternativa a coisa nenhuma, doutor António Costa – que muita gente considera um génio, sintoma mais preocupante para a “muita gente” que para Costa – usou a mesma… digamos… “ideia” para caracterizar a coligação. Costa até vai um bocadinho mais longe, com uma referência bastante tradicional no uso de terminologia matrimonial, como que considerando que há uniões que são meras prestações de serviços. Más notícias para o Livre, que tanto trabalhinho deu: nunca o PS se prestará a este martírio com prostituições de conveniência, que isto de coligações é apenas um disfarce para o que dá jeito, nunca uma estratégia baseada em convicções.
Os filhos de…
Isto dos filhos de é uma chatice. Hoje temos o caso desta filha
EXPRESSO: Filha de Salgueiro Maia lamenta ter sido “convidada” a sair de Portugal por Passos Coelho
PÚBLICO: Filha de Salgueiro Maia no Luxemburgo depois de “convidada a sair” por Passos Coelho
Como segundo a mesma emigrou em Março de 2011 não se percebe se Passos a convidou pessoalmente a emigrar. Se foi sugestão, pensamentos cruzados… Com Passos Coelho à época na oposição dá que pensar como alguém seguiu o seu pensamento com tal fervor. É uma coisa nunca vista.
O intruso
Presos políticos nunca mais

Foto José Caria/Visão
Dia da liberdade
Hoje é o dia da liberdade; nada mais natural que aproveitar essa liberdade para o fundamental, o que realmente importa, o âmago da existência humana, a semente que gera a vida e o milagre desse urgente chamamento que atormenta filósofos e pensadores há séculos tornados em eras: malhar no Cavaco.
Catarina Martins considera que a boa notícia é que foi o último discurso do PR. Pessoalmente considero com grande optimismo a possibilidade de também ter sido a última cerimónia a que Catarina Martins assiste sem ser pela televisão.
Disce quasi semper victurus, vive quasi cras moriturus.
25A 75
Apesar da imposição do totalitário Pacto MFA-Partidos que negava as liberdades e condicionava enormemente a escolha livre do povo, apesar das prisões arbitrárias, apesar dos presos políticos, apesar da proibição de vários partidos, apesar de muitos dos militares que conquistaram o poder considerarem, tal como Salazar, que o povo não estava preparado para a liberdade e para o voto, ainda assim, 91,5% dos eleitores registados foram votar livremente no dia 25 de Abril de 1975. E com esse acto, com essa festa da liberdade, derrotaram todos quantos se opunham à liberdade prometida um ano antes.
Foi uma festa bonita pá.
E dessa semente de liberdade, nasceu a força e a legitimidade que permitiu nos meses seguintes o povo opor-se aos que como Cunhal e o PCP para quem «não importava nada as eleições», que achavam que os partidos que tinham tido mais de 60% (PS e PSD) não constituiam a maioria do povo, e que recusavam a hipótese de o país vir a ter uma democracia como as restantes democracias da Europa ocidental.
Faz hoje 40 anos que o povo deu uma lição a todos os inimigos da liberdade. Fossem eles do antigamente, fossem os totalitários do regime revolucionário. Desse dia histórico, dessa festa da liberdade, nasceu a força que acabou por a todos derrotar.
Quer mesmo saber a resposta?
Heloisa Apolónia pergunta: “O que se passa neste País 41 anos depois do 25 de Abril?”
O que se passa é que na AR existem deputados que nunca se apresentaram a eleições e mais até constituem grupo parlamentar como é o caso do dos Verdes com todas as vantagens inerentes a tal estatuto. 41 anos depois do 25 de Abril parece-me ser mais que tempo para acabar com este achincalhar da democracia
O regresso da censura
A lei eleitoral obriga, desde 1975, ao tratamento igualitário pelos jornalistas dos vários partidos concorrentes a eleições. E a Constituição também fala em tratamento igual para todos, embora não deixe claro que isso se aplica ao tratamento dado por agentes privados ou às notícias.
Durante anos essa lei foi sensatamente interpretada, o que permitiu que o líder do PS não tivesse que debater com a Carmelinda Pereira. Até que as televisões começaram a ser multadas e a ter processos em tribunal, o que as levou a cancelar os debates em período eleitoral.
Portanto, a censura sempre esteve na lei, e, graças ao bom senso, foi mitigada na prática, até que …
Como é que isto se resolve? Pelo muito português método da quadratura do círculo. Não se pode excluir a Carmelinda Pereira, não se pode pré-aprovar planos de cobertura das eleições, não se pode fazer uma lei que limite os jornalistas e espera-se que as TVs organizem debates. Vejam a opinião dos inconstitucionalistas, para ver se não é assim.
Logo, fica tudo como até aqui. Mantém-se em vigor a lei do Vasco Gonçalves que regula estas coisas e não haverá debates.
PS- Isto também é conhecido pela “solução mirós”. Fazer muito barulho, muita indignação e depois as coisas ficam pior de todos os pontos de vista.
A questão do voto das mulheres é um daqueles assuntos em que a realidade não se compadece com a ficção socialisto-maçónica: O reconhecimento do direito de voto às mulheres surge em 1931 através do Decreto com força de lei n.º 19694 (5 de Maio de 1931). Apenas as mulheres diplomadas com cursos superiores ou secundários poderiam votar. Aos homens continuava a exigir-se apenas que soubessem ler e escrever.
Desde o final de 1968 o país regia-se pela Lei n.º 2 137, de 26 de Dezembro de 1968, que proclamava a igualdade de direitos políticos do homem e da mulher nas eleições para a Assembleia Nacional. A desigualdade existia sim nas eleições para as Juntas de Freguesia, nestas últimas apenas podiam votar os chefes de família, lugar que as mulheres desempenhavam excepcionalmente, por exemplo quando eram viúvas.
Por último se acrescenta que as mulherem podiam ser eleitas. E eram-no. No dia 24 de Abril existiam quatro deputadas na Assembleia Nacional: Custódia Lopes, Maria de Lourdes Filomena Figueiredo de Albuquerque, Maria Ester Guerne Garcia de Lemos e Sinclética Soares Santos Torres (desta última recomendo vivamente que os senhores deputados leiam as intervenções sobre o consumo de estupefacientes. Terão algumas surpresas mas eu não sei se os deputados estão disponíveis para serem surpreendidos). Aliás desde 1935 que existiam mulheres na Assembleia Nacional: Domítila de Carvalho, Maria Guardiola e Maria Cândida Parreira foram as primeiras deputadas portuguesas.
Que em nome do politicamente correcto se mantenha a ficção de que estas mulheres não foram deputadas e de que as mulheres por serem mulheres foram especialmente impedidas de votar por Salazar ou Marcello já começa ser um bocadinho cansativo.
TSU do PS, um acidente feliz
A redução da TSU dos trabalhadores proposta pelo PS é um estímulo à procura ou uma forma de reduzir os custos das empresas?
Na 1ª versão, explicada aqui pelo Pedro Romano, a baixa da TSU é equivalente a um empréstimo ao consumo. Funciona assim:
1. A TSU dos trabalhadores é cortada;
2. O Estado endivida-se num valor equivalente para substituir as receitas da Segurança Social;
3. Trabalhadores ficam a contar que o rendimento em excesso resultante da baixa da sua TSU será descontado na sua reforma;
4. Muitos trabalhadores, apercebendo-se que vão perder reforma, optam por poupar o equivalente ao corte da TSU.
[como bem nota o Pedro Romano, até aqui o efeito de estímulo na economia é neutro dado que não há efeitos no consumo]
5. Uma fracção dos trabalhadores opta por consumir mais.
5 a) Supondo que a economia portuguesa tem capacidade não utilizada, este consumo vai estimular a economia portuguesa [um grande supondo, tendo em conta que neste século esse tipo de esquema não teve grande sucesso]
5 b) É óbvio que parte deste consumo será dirigido para estimular o consumo de bens importados.
Nesta perspectiva, a baixa da TSU dos trabalhadores é uma coisa muito manhosa. O negócio que está a ser proposto às pessoas é equivalente ao seguinte: levante o seu PPR e use-o para consumir bens que actualmente considera menos necessários. Quem é que no seu perfeito juízo aceitaria esta ideia?
Felizmente, o impacto principal de uma descida da TSU dos trabalhadores não é este. Na proposta do PS, a descida anual da TSU é da mesma ordem de grandeza que a inflação. Por outro lado, o ponto de partida é um mercado de trabalho em que muitos sectores têm desemprego elevado e salários ainda acima do valor de equilíbrio e em que os novos contratos estão a ser feitos a salários mais baixos que os antigos. Estes dois factores conjugados tornam a descida da TSU dos trabalhadores equivalente a uma descida da TSU das empresas. Nos mercados em que há pressão para descer salários as empresas vão apropriar-se da descida da TSU dos trabalhadores. Nos mercados em que há pressão para subir salários a descida da TSU dos trabalhadores ajudará as empresas a subir os salários líquidos com menos custos.
O resultado principal da descida da TSU dos trabalhadores será, portanto, a flexibilização do mercado laboral e uma melhoria da competitividade das empresas. E como os equilíbrios do mercado de trabalho se ajustam à nova taxa, a descida da TSU não pode ser revertida sem que isso cause desemprego. Esta é uma medida que só pode ser tomada uma vez e que não pode ser revertida.
25 de Abril antes da bancarrota
vómito puro
Para ilustração do post mais abaixo dedicado ao famoso comentador profissional com nome de computador venezuelano, publica-se, em seguida, um comentário dos mais light que o dedicado leitor do Blasfémias tentou hoje aqui editar. Aqui segue o mimo, para que se entenda de que criatura estamos a falar:
«Sim silva-
Aposto que ias gostar imenso que a tua mulher mostre a pachacha para qualquer junta, só porque o patrão quer.
Eu já vos topei.
Vocês estão-se a cagar para os outros, mas quando vos toca a vocês, ai que é socialista etc etc.
Como o merdas do vitor, pronto a gozar com as familílias que se afogam no mediterrãneo graças aos vossos queridos empresários não controlados pelo estado, mas que fica horrorizado quando se diz que podia ser a porra da família dele. Vocês são vómito puro.».
Como isto não são as paredes de um mictório público, por mim, todos os comentários deste sujeito/sujeitos (?) serão apagados.
Via Crúcis
1ª Estação: Costa é consagrado líder
2ª Estação: Costa nomeia João Galamba para coordenador da comissão de finanças
3ª Estação: Costa diz aos chineses que isto até se aguenta
4ª Estação: Costa encontra Centeno
5ª Estação: João Galamba defende a TSU que sempre criticou
6ª Estação: Inês de Medeiros defende lei da rolha
7ª Estação: Costa é contra lei da rolha
8ª Estação: Continua a peregrinação a Évora, quer de notáveis, quer de novos presos
9ª Estação: Costa contradiz PS outra vez
10ª Estação: Costa é despojado de suas vestes messiânicas
11ª Estação: Costa é entalado nas sondagens
12ª Estação: Grécia cai
13ª Estação: Eleições à porta, PS não descola
14ª Estação: Dia das eleições
O termo «meses» é que me chamou a atenção…
«Um grupo de trabalho composto pelos deputados Carlos Abreu Amorim (PSD), Telmo Correia (CDS) e Inês de Medeiros (PS) esteve meses a trabalhar num texto de substituição conjunto sobre a regulação da cobertura jornalística das campanhas eleitorais.» (*)
Meses? A sério? Não passou pela cabeça de nenhum dos indigitados deputados que a unica coisa a fazer seria pura e simplesmente REVOGAR a porcaria da lei?
Mas o trio não resistiu a regular, propor, regulamentar, inventar, complicar, produzir. Tudo tem de ser regulado, não é?
A plena liberdade editorial de imprensa não necessita de regulação. «Tratamento jornalistico igualitário» é algo de muito apropriado para um diploma assinado pelo coronel Vasco Gonçalves e que seja emoldurado no Centro de Documentação do 25A da Universidade de Coimbra para que não se perca a memória . Mas não é para estar em vigor num país livre.
magalhães, o comentador
De há uns tempos para cá, instalou-se nas caixas de comentários do Blasfémias um comentador prof
issional, que responde ao nome de «Nuno Magalhães». Ele é comentários de manhã, à tarde e à noite, pequenos, médios e, quase sempre, de grande porte, a insultar a «direita» e quem por aqui escreve. Não deverá sobrar-lhe tempo na vida para mais nada, ao pobre do Magalhães, e apenas me preocupa a possibilidade de tanta actividade no Blasfémias lhe estar a prejudicar a família e a harmonia conjugal. Mas, em ano de eleições legislativas, não devemos estranhar que o nosso Magalhães nos dedique tamanha atenção. Nem isso, nem a simbólica coincidência de ter o mesmo apelido de um célebre computador…
A sério?
O fotógrafo dos “bidonville”. “Era uma forma de escravatura moderna”
Não há paciência para estas declarações de gente fartinha de viver bem.
lamentável
A prestação da senhora deputada do PS Inês de Medeiros, há pouco no Fórum da TSF, sobre a nova lei da rolha com que o seu partido, coligado com o PSD e o CDS, quer aplicar à comunicação social indígena. A coisa foi tão imprestável que o melhor que lhe saiu para justificar o aborto legislativo foi que ele servia para criar uma comissão de fiscalização da media nas eleições onde pudesse participar uma excrescência chamada ERC (ORC?, não sei ao certo), que fica arredada de tão nobres funções durante os períodos eleitorais. Mas esta gente não tem mais nada que fazer com o seu tempo e, mas de que isso, com o dinheiro dos nossos impostos?



