Saltar para o conteúdo

virgens pudícas, ou talvez não, conforme a ocasião

19 Março, 2015
by

“A responsabilidade é do actual secretário-geral do PS. Ele é o órgão máximo da administração do seu partido. Foi o secretário-geral do PS que disse que era necessário deixar José Sócrates «lutar pelo que acredita ser a sua verdade». Hoje, sabemos que a «verdade» do ex-primeiro-ministro foi desmentida pelos factos”, disse Pedro Passos Coelho.

 “Os fortes indícios de crimes existiam. Esses crimes ocorreram e já conhecemos alguns dos responsáveis. Falta conhecer o resto e as motivações”, afirmou, desafiando “o senhor secretário-geral do PS não pode continuar a esconder-se atrás da presunção de inocência, como fez na abertura do inquérito, como fez depois do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, como fez na saída da acusação, como faz agora durante o julgamento”.

 “O responsável é um, é o secretário-geral do PS”, insistiu, escusando-se, no entanto, a responder se António Costa deve manter nos órgãos do partido e na Assembleia da República os antigos colaboradores do ex-primeiro-ministro, o se deve demiti-los.

Lista VIP

19 Março, 2015

Não faço ideia se existe ou não lista VIP no fisco mas se não existe devia existir: o Estado obriga-nos a entregar aos serviços fiscais informações que o mesmo Estado nos garante serem de natureza privada. Logo o mínimo que o mesmo Estado tem de assegurar é que essas informações não serão divulgadas. Ter em conta que as informações de alguns cidadãos poderão ser alvo de um maior interesse é elementar.

Podemos discutir quem está nessa lista, como é ela elaborada, questionar em que medida os dados de quem lá não está ficam bem ou mal protegidos mas a partir do momento em que se garante que determinados dados na posse do Estado são da esfera privada cabe ao Estado garantir que assim permanecem.

Note-se que o crescimento do Estado Social levou a que duas entidades – a máquina fiscal e o Serviço Nacional de Saúde – detenham hoje informações sobre as nossas vidas que polícia política alguma vez em Portugal almejou conseguir. Fazer uma lista dos nomes mais prováveis de uma divulgação indevida dos seus dados é de um básico bom senso.

A forma desatinada (e, na minha opinião, desleal para com os funcionários da administração fiscal) como o Governo está a reagir a esta crise é bem sintomática do complexo de não ser de esquerda misturada com o frenesi deste ser ano de eleições que se apossou do executivo.

o que tem o ps a dizer sobre isto?

19 Março, 2015
by

Fora o apartamento parisiense, as compras de livros, as viagens, os «empréstimos» directos às amigas, as compras das casas à Mãe por preços surreais e outras alcavalas diversas, a generosidade do amigo Carlos Santos Silva levou-o a «emprestar» a José Sócrates, entre Setembro de 2013 e Novembro de 2014, a módica quantia de 672 mil euros, o que perfaz uma  média mensal de 48 mil euros, para que ele pudesse manter um nível digno de vida, como merece qualquer ex-primeiro-ministro de Portugal. O salário que ele recebia na Octapharma — uns míseros 12 mil euros mensais – não lhe chegava para atingir o patamar mínimo dessa dignidade, como bem se compreende. A ajuda abnegada do amigo foi, por isso, providencial.

Ora, parece, contudo, que há quem não pense assim. Quem veja nisto sinais evidentes de dinheiros mal parados, a precisarem de justificação clara e não de areia atirada aos olhos de quem quer ver o que aconteceu. Como sucede, e já não falamos no Ministério Público, mas no Supremo Tribunal de Justiça.

E o PS? O que é que o PS da «ética republicana», sempre tão exigente com os deslizes alheios, tem a dizer sobre isto? Que permanece a presunção de inocência? Mas ela não permanece para todos os «deslizantes» que não tenham sido condenados por sentença transitada em julgado? Não tem nada a dizer para não ferir susceptibilidades e cavar divisões internas? É-lhe indiferente que vertam estas acusações sobre um líder seu, que foi também o seu último primeiro-ministro? Ou pensa que se se calar, se meter a cabeça na areia como a avestruz, a coisa passará sem que lhe sejam exigidas responsabilidades políticas? Não considera preocupantes estes indícios e esta decisão do Supremo? Ou será que julga que isto é só um problema de José Sócrates, que tem, naturalmente que tem, direito a «defender a sua verdade»? E a verdade dos factos? Em nome da transparência e da ética republicana, o PS está ou não está interessado em que seja apurada?

Lista de estúpidos

19 Março, 2015

Se bem percebi a polémica, o problema não é a existência de uma lista VIP – que é inevitável – e sim esta ter sido mencionada, revelando a sua inevitável existência. Toda a gente sabe e compreende a existência de uma lista VIP, porém, ninguém está disposto a admitir que tal lista possa existir, revelando que se atribui mais importância à devassa de algumas pessoas com cargos de relevo do que interesse na carrinha alemã que o Sr. Armando estacionou ontem à porta, o estupor.

Vocês não querem viver num país cuja lista VIP não existe (não pergunte, eles têm armas, a lista é desnecessária, são os membros do partido). Você quer viver num país que tem lista VIP mas que não a admite, negando assertivamente a sua existência. Assim, você poderá sentir-se melhor com a ilusão de que as suas actualizações de estado no Facebook são tão importantes como um qualquer clássico russo.

No fundo, você sabe que é estúpido. Só não admite que possa ser um bocadinho mais que os outros.

tudo ao contrário

19 Março, 2015
by

Algures pela Autoridade Tributária e Aduaneira, um organismo do estado que pela delicada natureza das suas funções tem obrigatoriamente de estar acima de qualquer suspeita, circulam funcionários de nível superior, com acesso aos dados fiscais de contribuintes com responsabilidades públicas, que fazem chegar essas informações a jornalistas que, por sua vez, as tornam públicas nos seus órgãos de informação. Como, em Portugal, o sigilo fiscal de todos os contribuintes é um direito consagrado na lei, essa fuga de informações constituí um acto ilícito e punível civil e criminalmente.

Em face disto, alguém com responsabilidades no Fisco – provavelmente o recém demissionário Director-Geral – resolveu, e muito bem, pôr sob controle mais apertado as contas de alguns contribuintes que, pela natureza das funções políticas que exercem ou exerceram, estão eventualmente mais expostos à «curiosidade» alheia. Com isto, terá eventualmente pretendido não só reforçar as garantias de sigilo a que esses contribuintes têm direito, e que não se encontram suspensas pelo facto de serem figuras públicas ou de exercerem cargos de responsabilidade governativa, como também, e mais importante, tentar apanhar os intrusos e tratá-los como manda a lei. Provavelmente, também, por ter sido uma decisão tomada no âmbito das suas competências e das suas obrigações funcionais de zelar pela confidencialidade dos dados de que é o primeiro responsável, não a terá comunicado aos seus superiores, ou terá dado informações básicas sobre aquilo que determinara.

Em seguida, vem o facto estanho: quando confrontado com isto, o governo negou, a priori, esta possibilidade e quando percebeu do que se tratava meteu os pés pelas mãos, em vez de ter elogiado os serviços pela atitude de prudência e de cumprimento da lei que tinham tido. Facto estranho, mas explicável: em fim de mandato e ano de eleições, este governo, como muitos outros que o antecederam, sofre da psicose da comunicação social, e tenta esconder o que efectivamente o compromete, como toda a informação que não controla e que presume que o irá comprometer. Um erro que se costuma pagar caro.

E, por fim, o extraordinário Dr. António Costa. Em vez de dar ao país vestígios de credibilidade política que se suponha que tivesse e que cada vez mais se torna claro que não tem, separando o trigo do joio e preocupando-se com a essência do problema – a fuga de informações para os jornais de dados confidenciais à guarda de serviços do estado – do Dr. Costa conseguiu virar tudo ao contrário e atacar quem se preocupou em fazer cumprir a lei, tentando tirar proveito político e eleitoral de um «caso» que, afinal, não é mais do que um «casinho». A mistificação consistiu em tentar passar para a opinião pública a ideia de que existem contribuintes de primeira e contribuintes de segunda, tendo os primeiros privilégios que os comuns mortais nem imaginam. É muito fraco para quem se arroga à possibilidade de chefiar um governo de «salvação nacional», e se os eleitores se aperceberem da marosca poderá transformar-se num sério erro político. Dos que também não se pagam barato.

Invista em Portugal, isto é giro

18 Março, 2015

Miguel Frasquilho acredita que PS manterá reforma do IRC

Miguel Frasquilho é presidente do AICEP, entidade que tem por missão, entre outras, atrair investimento para Portugal.  A 7 meses do início de 2016 o AICEP não sabe quanto é que os investidores vão pagar de IRC.

Em 2013 foi feito um acordo CDS-PSD-PS de descida do IRC a médio prazo. Ficou acordado que o IRC desceria 2 pontos percentuais por ano. O objectivo era criar um ambiente previsível e atractivo para o investimento. Uma vez que os investimentos têm que ser recuperados ao longo de anos, este tipo de previsibilidade é essencial.

Que aconteceu entretanto? António Costa chegou a líder do PS e rasgou o acordo. Agora o AICEP anda a dizer aos investidores que acredita em coisas.

fazer dos outros parvos

18 Março, 2015
by

Pelo que se entende desta estória da famigerada «lista vip» do fisco, a mesma não terá passado de um reforço do controle de segurança de algumas contas de políticos expostas, as contas e eles, a intromissões piratas e não autorizadas de terceiros, cujas intenções são facilmente imagináveis. Ora, num país onde a lei continua a preservar – e bem – o sigilo fiscal, esta atitude de prudência só pode ser elogiada, em vez de censurada como se de uma ilegalidade se tratasse. Todavia, para o PS, o tal partido que, segundo o seu líder, não quer transformar a política portuguesa numa sucessão de «casos», a coisa reveste-se de extrema gravidade, insinuando-se assim a existência de contribuintes fiscalmente beneficiados pelo governo, com privilégios a que os comuns mortais não teriam acesso. Definitivamente, não é a fazer passar os eleitores por parvos que se ganham eleições.

É evidente: até à invenção dos leites em pó todas crianças foram adultos bem sucedidos seja isso o que for

18 Março, 2015

Se amamentar, o seu filho será um adulto bem sucedido

É melhor mandarmos os manuais sobre imigração, drogas e exclusão social ou isto ainda acaba mal

18 Março, 2015

Lembram-se do ponto 29 do programa do Syriza:  Desmilitarizar la guardia costera y disolver las fuerzas especiales antidisturbios. Prohibir la presencia de policías encubiertos o con armas de fuego en las manifestaciones y mítines. Cambiar los planes de estudio de los policías para poner énfasis en los temas sociales, como la inmigración, las drogas o la exclusión social.

Pois parece que a polícia anti-distúrbios ainda não teve tempo para começar com as aulas de dinamização cultural

Confrontos entre anarquistas e polícia em Atenas

Iniciação à política, com patrocínio do PCP, LUSA e Observador

18 Março, 2015

Notícia do Observador: Estudantes do básico e secundário hoje na rua para exigir demissão do Governo

Todos os anos no mês de Março o PCP organiza manifs de estudantes.

Todos os anos a Lusa enquadra os protestos como iniciativas dos próprios estudantes, que espontaneamente decidem pedir aquilo que os adultos não têm conseguido (este ano é a demissão de Passos Coelho).

Que a Lusa faça estas manobras é da natureza da Lusa. Mais difícil é perceber o que leva o Observador a reproduzir a Lusa.

A detenção de José Sócrates segundo o Público, ontem e hoje

18 Março, 2015
by

Ontem: Supremo encontra erros!

Hoje: no cantinho inferior direito: “Sócrates continua preso por risco de perturbar inquérito”.  Na capa, nada sobre facto dos “juízes que analisaram o recurso consideraram que Sócrates está fortemente indiciado dos crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais, ao contrário do que alegava a sua defesa no recurso.”

socras

As eleições em Israel vistas pelo Público, ontem e hoje.

18 Março, 2015
by

Ontem, as eleições para a mudança eram a grande noticia de capa. Hoje já não interessa nada.

Publico_Porto-20150317

Teroria da relatividade

17 Março, 2015

Insultar um jornalista do Correio da Manhã não é o mesmo que insultar um jornalista do Expresso.

Dolce & Gabbana: até onde se pode dizer o que se pensa quando não se pensa aquilo que alguém decidiu que a comunidade deve pensar?

17 Março, 2015

Dolce-Gabbana-Panorama

¿La familia tradicional? Una moda que no pasa». Palabra de la pareja gay más famosa de la moda italiana, Dolce & Gabbana. Ambos hacen una defensa apasionada de la familia tradicional: «Nosotros, pareja gay, decimos no a las adopciones gay. Basta hijos de la química y úteros en alquiler. Los hijos deben tener un padre y una madre». Uno, Domenico Dolce (Palermo, 1958) tiene la cabeza afeitada como un monje budista; el otro, Stefano Gabbana (Milán, 1962) es alto y delgado, como un penitente. La pareja de estilistas ha concedido una larga entrevista al semanario «Panorama» en la que rompen moldes y cuentan que gran parte de su éxito lo deben a quien los ha crecido, a la familia. Dos historias de dos personajes self-made man: A siete años, Dolce cosía pantalones en la sastrería de su padre en un pueblo perdido de la provincia de Palermo, Polizzi Generosa. Gabbana limpiaba suelos y baños en Milán, ayudando a la madre, que era portera.

«La familia no es una moda pasajera. pasajera. En ella hay un sentido de pertenencia sobrenatural», explica Stefano Gabbana. Le hace eco Domenico Dolce: «No hemos inventado nosotros la familia. La ha convertido en un icono la Sagrada familia. Y no es cuestión de religión o estado social, no hay vuelta de hoja: tú naces y hay un padre y una madre. O al menos debería ser así. Por eso no me convencen los que yo llamo hijos de la química, niños sintéticos. Úteros en alquiler, semen elegido de un catálogo. Y luego vete a explicar a estos niños quién es la madre. Procear debe ser un acto de amor. Hoy ni siquiera los psiquiatras están listos para afrontar los efectos de estas experimentaciones», concluye Dolce.

Frente a quienes defienden diversos modelos de familia, Stefano Gabbana, hace una observación basada en la cotidianidad que vive como estilista: «Es como en el Gattopardo (la novela de Giuseppe Tomasi di Lampedusa), todo debe cambiar para que todo siga igual. Todo ha quedado y sigue igual: las familias de entonces y las de hoy, las jóvenes modelos son con sus hijos exactamente como lo fueron sus madres, con los mismos miedos y las mismas angustias».

A la pregunta de si hubieran deseado ser padres, Gabbana responde que «sí, lo haría de inmediato», mientras Dolce explica sus límites: «Soy gay, no puedo tener un hijo. Creo que no se puede tener todo en la vida. Es también bello privarse de algo. La vida tiene un recorrido natural, hay cosas que no se deben modificar. Una de ellas es la familia».

Mandamos xicorações, montes de beijocas e prontos acabou a crise

17 Março, 2015

“Amor”. É só disso que a Grécia precisa, diz Jean-Claude Juncker

Pequena análise do piropo habeas corpus

16 Março, 2015

Esta gajada mete-me nojo.

O piropo é um problema em crescimento no mundo ocidental. Explicado pelo aumento substancial do acesso de jovens ribatejanos ao ensino superior, o piropo sofisticou-se, passando a incluir mais referências à higiene pessoal em detrimento da habitual pega de caras tauromáquica.

Desampare-me a loja.

Em tempos, o piropo era feito recorrendo à forma informal (“és tão linda”); agora, a forma mais comum de piropo, através da evolução natural da piropagem pelo uso em saunas para cavalheiros, é a mescla entre o informal (“a loja”) e o uso da forma respeitosa de endereçar o piropado através da terceira pessoa verbal, como que incluíndo à partida o triângulo equilátero da modernidade poliamorosa.

A senhora devia tomar mais banho, que cheira mal.

O aspecto informativo do piropo, da mera descrição subjectiva (“és muita gira”), muitas vezes com uma avaliação pouco avisada pela presença de condições externas que interferem na própria subjectividade dos conceitos subjectivos de bem e mal – por exemplo, a existência de roupa (“tens mamas boas”) -, evoluiu para um piropo mais justificativo, mais causal no seu efeito, associando – por exemplo – o banho ao cheiro que, não sendo mau, não terá que ser necessariamente bom.

Habeas Corpus.

O piropo em latim tem uma erudição diferente. Agora, onde está o meu carro?

O mundo está parvo

16 Março, 2015

Não percebo o escândalo com o almoço do Varoufakis. Em primeiro lugar a admiração só pode resultar do facto de se reconhecer à esquerda uma superioridade moral na relação com o dinheiro e isso eu não reconheço. Depois temos tambem a desatinada deia que os dirigentes de esquerda vivem como uns eremitas o que não só é mentira como também não tem de ser verdade. O que está em causa não é o que Varoufakis faz com o seu dinheiro mas sim aquilo que quer fazer com o dinheiro dos outros. Aí sim é que temos motivos para nos indignar. Agora com o que come e bebe na sua casa, casa essa que paga com o seu dinheiro essa é uma questão que só a ele diz respeito.

Se essa explicação fosse válida o governo português tinha caído um mês depois de tomar posse

16 Março, 2015

O PÚBLICO não compreende. Ou melhor dizendo compreende: a contestação a Dilma nasce de um facto incontestável:  “A grande mídia brasileira está extremamente politizada e toda concentrada em uma região do espectro ideológico, que vai do centro à direita”, explica ao PÚBLICO João Feres Júnior, investigador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e coordenador do Manchetômetro. (…) O desequilíbrio entre as peças negativas para o Governo “petista” e as favoráveis tem sido gritante. Há dias em que nada de positivo é publicado. (…) Crítica recorrente aos media em relação aos protestos deste domingo foi a publicitação dos pontos de encontro e dos horários das manifestações, assim como o destaque dado a acções “preparatórias” como a que reuniu no Rio de Janeiro, na quarta-feira, 39 pessoas. (…) “Obviamente não há razão para tanto destaque. Jornalisticamente, é uma aberração. Mas pode-se entender isso quando se sabe que a imprensa actua como partido político, faz o papel que a oposição não consegue fazer”

E assim o PÚBLICO coitadinho anda confundido: em Portugal o governo não cai apesar de tal como no Brasil a mídia  está extremamente politizada e toda concentrada em uma região do espectro ideológico.

Mas o PÚBLICO já descobriu a causa: O envelhecimento, a corrupção, o PCP e Abril preservaram o sistema político

Saudades

15 Março, 2015

 do tempo em que éramos livres e não sabíamos

Cheque bebé voltou

15 Março, 2015

Guterres criou o RMG, Sócrates o CSI e Costa quer uma medida para os mais jovens

Em 2009 foi assim: O Estado oferecerá uma conta poupança de €200 a cada novo bebé nascido em Portugal e garantirá uma fiscalidade mais leve, idêntica à aplicada aos planos poupança reforma, aos reforços feitos nessa conta até que o titular complete a escolaridade obrigatória.

Na contagem decrescente para as eleições legislativas de 27 de Setembro, esta é uma das medidas que José Sócrates apresenta esta tarde, no âmbito da divulgação do programa de Governo do PS.

Em declarações à TSF, João Tiago Silveira, porta-voz socialista, fala de uma “conta futuro”, idêntica à que vigora no Reino Unido, com o dinheiro a ser depositado em nome do bebé e só podendo ser levantado quando este completar 18 anos – idade mínima que coincidirá com a extensão da escolaridade obrigatória ao 12º ano.

A medida difere da implementada em Espanha, onde desde Julho do ano passado, cada recém-nascido vem com um cheque-bébé de €2.500 euros “debaixo do braço” – €3.500 se nascem no seio de famílias numerosas, de três ou mais filhos, ou monoparentais.

O primeiro-ministro e secretário-geral do PS, que apresenta no Centro Cultural de Belém (CCB) o programa eleitoral do PS para as legislativas, avançará ainda com propostas de alteração da tributação dos singulares. Sócrates vem há largos meses a defender a introdução de um factor de diferenciação nas deduções fiscais de despesas de saúde em função do rendimento das famílias.

Voltou a ler o I Pacto MFA-Partidos

14 Março, 2015

Vasco Lourenço diz que é preciso “um estrondoso murro na mesa”

Assembleia do MFA como órgão de soberania

Eleição do Presidente da República por um Colégio Eleitoral, para o efeito constituído pela Assembleia de MFA e Assembleia Legislativa

Instituição do Conselho da Revolução como órgão político e legislativo

Em Portugal sempre houve uma lista VIP no acesso aos dados fiscais e bancários

14 Março, 2015

Do PS para a sua esquerda os dados da lista são rigoroso segredo de Estado. Talvez mesmo o único segredo que existe em Portugal. Para o espectro que fica à direita do PS o acesso é mais ou menos à vontade do freguês, das questões eleitorais e a divulgação de dados pode estender-se aos filhos dos políticos como aconteceu a Patrícia Cavaco Silva.

A propósito dessa lista qual foi o papel dos bancários na passagem da informação ao jornal Diário do empréstimo feito por Sá Carneiro? E a notinha feita pelo PS também caiu no esquecimento?

carneiro-caloteiro1v79o5v

Falar para dizer alguma coisa

14 Março, 2015

Paulo Rangel considera que Maria Luís Albuquerque devia ter falado após a primeira reunião do Eurogrupo com Varoufakis e que a mensagem devia ter sido clara: “a Grécia deve cumprir aquilo que ficou acordado, mas nós estamos totalmente disponíveis para a ajudar a Grécia”. No entanto, o eurodeputado diz que apesar de haver acordo entre os 19 países da zona euro, o trabalho técnico “está muito difícil” – um indicador que faz com que, para já, Rangel não exclua uma possível saída da Grécia da moeda única.

Regra nº 1 Sempre que a extrema-esquerda acusa alguém a extrema-esquerda tem sempre um bocadinho de razão. Maria Luís Albuquerque devia ter falado após a primeira reunião do Eurogrupo com Varoufakis mas se Maria Luís Albuquerque tivesse  falado após a primeira reunião do Eurogrupo com Varoufakis não devia. Não interessa com quem falou. Interessa que a extrema-esquerda tem em matérias de acusações uma superioridade moral que qualque PSD tem de reconhecer.

“Digamos que nos corredores nos bastidores, as pessoas informadas apontam para que há uma grande impreparação técnica do governo grego, o que aliás não é de surpreender porque as pessoas não tinham grande experiência. Já antes a preparação técnica que às vezes aparecia da Grécia não era muito fiável, agora é ainda menos e portanto está a causar alguma preocupação”, assume o eurodeputado em entrevista ao Observador.

Regra nº 2 Não bem uma regra mas sim uma técnica: a meio da conversa baralha-se e torna-se a dar. Aqui ficamos com um problema: face à grande impreparação técnica do governo grego Maria Luís Albuquerque devia ter falado após a primeira reunião do Eurogrupo com Varoufakis para lhe dizer nós estamos totalmente disponíveis para a ajudar a Grécia. Mas exactamente a fazer o quê?

Rangel justifica que o Governo de Atenas está a ser bem-sucedido num ponto: a propaganda. “O governo grego fez uma grande operação de relações publicas, muito bem-sucedida, em especial por essa rising star do jet set internacional que é o ministro Varoufakis, mas que de facto não foi ainda capaz de apresentar propostas”, afirma o social-democrata que é muito crítico em relação ao Executivo liderado por Tsipras, dizendo que não se pode “esperar grandes coisas deste Governo”, nem permitir que “ele se vitimize”.

Regra nº 3. Em vez de se desmontar a demagogia da extrema-esquerda declara-se o fascínio por ela e diz-se que  o Governo de Atenas está a ser bem-sucedido num ponto: a propaganda. “O governo grego fez uma grande operação de relações publicas, muito bem-sucedida. Realmente está e está precisamente porque pessoas como Paulo Rangel não fazem nada para a desmontar e até acham que aqueles que a enfrentam não procedem bem.

Sobre as fotos do Varoufas para a Hola! francesa

14 Março, 2015

As fotografias do ministro das finanças gregas (e não alemãs, holandesas ou finlandeses – são gregas mesmo) para a Paris Match causaram alguma celeuma em meios mais conservadores, nomeadamente pela hipocrisia do marxismo caviar, aqui substituído pelo marxismo dourada assada com laranja e paprika com vista para a Acrópole.

Não percebo as reacções. Não é como se o socialista grego tivesse sido fotografado em Formentera, lendo o seu próprio livro na companhia do único comprador deste, com chanatas Wendel de Jimmy Choo e alva camisa Bijan sobre calções vermelhuscos, tão asfixiantes da virilidade como necessários a uma reflexão filosófica sobre tortura mediterrânea.

Não é como se Varoufakis e a mulher tivessem necessidade de liquidez para o piano através de negócios imobiliários que privem os restantes herdeiros dos seus direitos. Não é como se Varoufas se fotografasse a fazer jogging após fumar no avião da TAP, como que correndo para a escola, a tempo de se licenciar no Domingo, impedido assim de assistir ao jogo decisivo do grande Eusébio.

Não é como se Varoufofo tivesse subido o défice por querer, porque só lê meia directiva, porque é um pau mandado de Merkel que prontamente gasta o que não tem para combater a crise que consiste em nacionalizar o banco onde se podem encontrar podres da oposição que podem dar jeito ao povo, essa massa indiferenciada de chicos-espertos que combate o progresso elegendo Cavaco (5 vezes), o filho do gajo da bomba de gasolina que estraga Lisboa com a marquise, como se Lisboa, a flor, fosse uma mera Massamá.

Não, as fotos do Varoufigo não são chocantes. Chocante é a vossa falta de vergonha pela amnésia selectiva da imbecilidade que é o marxismo, burguês ou não, com que vos vendem miséria. Isso, sim, é chocante. A casa do Varoufakir não é chocante. Chocante é sabermos tão pouco sobre as casas isentas de sisa e contribuição autárquica dos líderes socialistas, aparentemente uma tradição tão nacional como a propensão para a continuidade no primeiro mundo apesar destas tristes figuras.

amém!

13 Março, 2015
by

A soberania popular é o princípio sacrossanto da democracia. Sem ele, sem o respeito pela vontade do Povo, não existirá senão um simulacro de democracia, com rituais eleitorais meramente formais, sem verdadeira representação política popular. Essa «democracia burguesa», onde mandam os mais fortes, os mercados financeiros apátridas, extorsionários e sem escrúpulos, não interessa ao Povo, porque não representa a sua vontade e a sua alma. Eis a lição grega e do Syriza: o Povo e só o Povo é quem mais ordena. Os fascismo moderno de mil rostos pseudo-democráticos não passará! Que a vontade soberana do povo se imponha como única legitimidade de todo o poder. Só o Povo pode ordenar a representação política. Que seja feita, na Grécia, de vez e de uma vez por todas, a sua vontade. A vontade do Povo. Amém!

Há 40 anos

13 Março, 2015

canvas

Aqui há fantasmas

13 Março, 2015

O que é muito tarde é o Presidente da República ter adiado o direito dos portugueses e a vontade dos portugueses de se expressarem e escolherem um novo Governo para final de setembro, isso é que é muito tarde.

Bem, apesar da aptidão para pantomineiro – sem dúvida, essencial para o lugar a que concorre, o de D. Sebastião -, António Costa parece cada vez mais assustado, como um clube que quer acabar o campeonato antes do jogo que o pode colocar abaixo da linha de água. O que Costa diz aqui não é o que aparentemente é dito: não se queixa das eleições serem na data prevista nem se queixa de Cavaco Silva, mais uma vez usado como a personificação da súcia que políticos de carreira tanto apreciam; queixa-se, sim, de ir a eleições após mais capítulos do Guerra e Paz em versão revista Lux escritos pelo recluso mais vingativo e menos socialista (igualdade et al) do país.

Do cumprimento das obrigações legais:

12 Março, 2015

PSD:  condenado pelo Tribunal Constitucional por obtenção de receita proveniente de angariação de fundos depositada em data posterior à da realização do ato eleitoral e imputação às contas da campanha de despesas não elegíveis;

PS: condenado pelo Tribunal Constitucional por impossibilidade de verificação, por insuficiência do respectivo documento de suporte, da elegibilidade de despesas registadas, e por impossibilidade de verificação da razoabilidade de despesas imputadas à campanha, e também por despesas de campanha não registadas.

PCP: condenado pelo Tribunal Constitucional por Despesas com suporte documental insuficiente, incumprimento do dever de pagamento de despesas de campanha através da conta bancária especificamente constituída para esse efeito e abertura de mais do que uma conta bancária para a campanha.

CDS: condenado pelo Tribunal Constitucional por despesas com suporte documental insuficiente e impossibilidade de verificação, por insuficiência do respectivo documento de suporte, da razoabilidade de despesas registadas.

Fonte:  O Tribunal Constitucional, pelo Acórdão n.º 175/2014, julgou prestadas, embora com ilegalidades/irregularidades aí identificadas, as contas relativas à campanha eleitoral para a eleição dos deputados à Assembleia da República, realizada em 05 de junho de 2011

 

 

 

Quadratura da espiral

12 Março, 2015

António Costa, ontem, em entrevista a Fátima Campos Ferreira, prometeu flexibilizar as metas do défice com justificação do país estar em período recessivo, o que, segundo o próprio, se combate através de investimento público que estimula a economia e o emprego. António Costa aproveitou também a entrevista para criticar o aumento da dívida pública ocorrido durante a actual governação.

Este aparente paradoxo – o de, por um lado, demonstrar desconhecer o significado de “défice” e, por outro lado, presumir que os eleitores são igualmente pacóvios – é capaz de dar frutos. Em primeiro, porque coloca o candidato a primeiro-ministro no mesmo plano do comum eleitor: iliterato, pouco instruído para compreender o que o rodeia e pressagiar consequências indirectas dos actos; em segundo, porque permite o regresso do discurso socrático, até agora devidamente arrumado – primeiro na RTP, depois no Estabelecimento Prisional de Évora – através da reciclagem dos guionistas que dotaram Sócrates (e que agora dotam Costa) de retórica baseada em arrogância e que se percepciona, desde que suficientemente estúpido, como uma postura de determinação.

Mais cedo ou mais tarde, Costa terá que apresentar uma ideia governativa sob risco de, não o fazendo, acabar mesmo por ganhar inadvertidamente as eleições.

A desilusão do PÚBLICO

12 Março, 2015

Publico-20150312
O PS não pediu a demissão do Executivo. Porque é claro que devia ter pedido. Ou o PS se comporta como um BE em ponto grande ou o PÚBLICO vai fazer capas e capas sobre a sua imensa desilusão. E claro que aí deixará de atirar para os escafúndios das páginas interiores as suas próprias investigações. Se fosse hoje a investigação que não se viu na capa de ontem estava na primeirinha página. Quem se mete com os sonhos da frente de esquerda leva.

40 anos depois do 11 de Março o conceito de caso é uma variável política

11 Março, 2015

“Está tudo esclarecido” no caso Passos Coelho, diz António Costa
Não me parece que caiba a António Costa definir se já está ou não tudo esclarecido no que respeita à situação de Passos Coelho perante a Segurança Social. Que António Costa se sinta esclarecido é outra coisa. Agora passarmos a considerar que um caso começa ou acaba mediante o que o PS define é que outro cantar. Mas mais curioso é que tendo o líder do PS sido convidado a pronunciar-se sobre o caso Passos Coelho nenhum jornalista tenha achado oportuno destacar o que Costa disse sobre as notícias respeitantes às suas casas. Ou será que não falou sobre o assunto? Creio que a casa de Costa tem o mesmo interesse das contribuições para a Segurança Social de Passos Coelho: não passam de situações que era melhor terem sido tratadas doutro modo. Mas apenas isso. O que não deixa de ser sintomático do país que somos é a forma como mediaticamente se têm tratado ambos os casos.

Aquela triste figura…

11 Março, 2015

….que ainda é PR, tentou justificar o seu próprio vergar de costas ao dono da Guiné como um pretexto para não melindrar os timorenses. Obviamente Ramos-Horta veio logo negar tudo o que a triste figura dissera e coloca-lo no sítio: se Cavaco calou e ajudou ao sim, responsabilidade sua, seja crescidinho que já tem idade para isso. E diz ainda aquela triste figura que é preciso PR’s com «experiencia internacional». Se for para fazer a sua triste figura, melhor não.

É uma questão de stiletto

9 Março, 2015

Nelson-Evora-topless-stiletto-maximaOntem foi o dia da mulher mas, tirando a efeméride propriamente dita – prontamente assinalada nos telejornais que pensam o país para o transformar para melhor -, ninguém notou. Ainda bem: mal era se as mulheres precisavam de um dia especial, como que assinalando que os restantes dias são dia da não-mulher*.

Falou-se na foto do Nelson Évora em sapatos de gaja lisboeta dedicada a causas fracturantes. Se a ideia da campanha é a de gajos que se colocam no “sapatos de mulher” (woman’s shoes) como que afirmando perceberem o que sente uma mulher no dia-a-dia, diria que a foto do Nelson Évora é um sucesso absoluto: o que as mulheres imaginam diariamente é mesmo o desejo de tirar a camisa de forma a expôr o tronco sem pêlos e com 0% de tecido adiposo (pelo menos, foi o que entendi da foto).

* Tomando em consideração o conceito de “identidade de género”, um humano que não seja mulher não passa automaticamente a ser homem – há uma panóplia de opções disponíveis das quais apenas uma consiste em “homem”.

PCP acusa: outro clássico

9 Março, 2015

O PCP pode afirmar. Mas mediaticamente falando o PCP acusa.

PCP acusa Cavaco de não ter estado à altura do cargo e pede demissão do Governo
PCP acusa PS de querer ‘poder absoluto’
PCP acusa Governo de despedir 613 trabalhadores para corresponder a “encomendas” privadas
PCP acusa Governo de provocar “caos nas urgências
PCP acusa Governo de abandonar o interior do país
PCP acusa Cavaco Silva de faltar ao juramento de cumprir Constituição
PCP acusa Governo de “submissão” externa e de “obsessão” pelo défice
PCP acusa Governo de fazer da Grécia uma vacina contra a mudança
PCP acusa Bruxelas de “lamentável ingerência” nos assuntos interno
PCP acusa Governo de mentir no caso dos ENVC
(…)

O BE exige é um clássico das notícias

8 Março, 2015

BE exige que Passos mostre contribuições até ao debate quinzenal
BE exige demissão da ministra da Justiça a Passos Coelho
BE exige sanção ao PSD nas eleições regionais
BE exige explicações de Passos sobre permanência do secretário-geral do SIRP
BE exige esclarecimentos acerca de exclusividade de Passos
BE exige acção rápida do Governo para impedir venda da PT a “fundo abutre”
BE exige que Governo informe partidos do decurso da negociação da sétima avaliação da ‘troika‘
Afeganistão: BE exige retirada das tropas portuguesas
BE exige afastamento do director da Segurança Social de Braga
BE exige manutenção das repartições de finanças locais
BE exige esclarecimentos sobre maternidades de Guarda, Covilhã e Castelo Branco
BE exige alteração no subsídio de desemprego
(…)

Há lugar para gente normal na política?

8 Março, 2015

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Enquanto escrevo, as dívidas de Passos Coelho à Segurança Social fazem manchete. Entretanto no blogue Portugal Profundo publica-se uma investigação sobre o local de residência de António Costa em 2013 e 2014. Mais ou menos em simultâneo assistimos também ao ressuscitar dos problemas do apuramento dos montantes de contribuição autárquica pagos por Costa no século passado e a uma onda de indignação com o facto de Passos ter sido alvo de processos de execução fiscal. (,,,) para se ter uma vida perfeita do ponto de vista político é cada vez mais necessário ter sido sempre funcionário público (ou do partido), de preferência com direito a um serviço de secretariado, para culpar pelos eventuais erros e atrasos, e motorista a quem imputar os excessos de velocidade e estacionamentos em locais indevidos.  (…) Quem vive fora desse casulo estatal confronta-se com os tectos para os recibos verdes, os meandros dos actos únicos, as facturas de que teve de pagar IVA mas que nunca lhe foram pagas, as multas porque não entregou a tempo o anexo X do modelo Z ou trocou o PEC com o PPC, a saber Pagamento Especial por Conta e Pagamento por Conta… A transformação da classe política numa espécie de casta superior dos quadros do universo Estado, quando não numa promoção para quadros partidários, não é alheia a esta quase impossibilidade técnica de quem está fora do casulo passar no escrutínio.

É circo mas é verde

7 Março, 2015

Empilha, com ligeira força lateral procurando o centro do irregular garrafão de água, a polpa de tomate em garrafa de vidro que encosta ao paralelepípedo do leite; cai o leite, fica a polpa de tomate – graças a Deus, que é vidro. Sorte das sortes, o leite não rebentou, parece constatar, enquanto, de cócoras, exercita glúteos em agachamento rotacional contrariado por força de queixo nas compras de supermercado.

É a taxa verde sobre sacos plásticos, assim designada por enjoar qualquer pessoa desprovida de amigos sérios que nos mandam fotocópias e víveres através do motorista do nosso Mercedes, pessoas estas que têm que fazer compras elas próprias. Esta taxa não só dissuade o uso de sacos plásticos como cria verdadeiras luxações aos clientes do supermercado, transfigurados em malabaristas amadores sem vocação para o ofício, ao contrário de Moreira da Silva, o profissional circense que, muito satisfeito por deixar uma marca no mundo – mesmo que não passe de uma nódoa -, criou a taxa penalizadora dos que menos poder de compra têm.

A ler

6 Março, 2015

Há que matar o pensamento único – MIGUEL ÁNGEL BELLOSO no DN

Extraordinário não é?

6 Março, 2015

Ontem teve lugar uma acção de “solidariedade com a revolução bolivariana da Venezuela num evento que encheu o salão da Casa do Alentejo, em Lisboa”. No discurso que proferiu durante a cerimónia “Ilda Figueiredo, presidente do Conselho Português para a Paz e Cooperação, que organizou o evento juntamente com a CGTP-IN e a Associação de Amizade Portugal-Cuba” perguntou “Porque é que continuam a pôr em causa a escolha do povo venezuelano?”

Ao certo “ pôr em causa a escolha do povo venezuelano?” quer dizer o quê? Mestres em pôr em causa tudo  etodos os comunistas não toleram sequer a manifestação de divergências quando se trata dos seus. Era assim em 1917 e é assim agora.

 

Correio dos leitores

5 Março, 2015

Bom dia,

Por motivos de saúde não posso referir o meu nome de baptismo, o que decerto compreenderão. Podeis, no entanto, tratar-me por Mãozinhas, que é como me tratam os meus amigos, até porque Carteirista, como aparece nos jornais, é bastante limitativo para a minha área de actividade, que é bem mais abrangente do que o simples carteirismo.

Aproveito o vosso blog para publicar este email, o que devem fazer imediatamente, como é perfeitamente normal quando alguém tem algo de importante para dizer como eu agora tenho.

Andam aí pessoas que me metem nojo. São simplesmente nojentas. Que moral têm para dizer que não são perfeitas mas que, mesmo que cometam erros, não andam na rua e em manifs a roubar carteiras ou telemóveis? Mas são superiores aos outros por isso, é? Têm a mania que ir trabalhar a ganhar uma miséria – eu bem vejo que as carteiras só têm 20, quando muito 40 euritos – lhes dá uma superioridade moral para criticar as pessoas que, por vicissitudes da vida, andam no gamanço? E se eu for toxicodependente? O Estado dá-me a droga? Pois não, não dá – este Estado Social foi totalmente aniquilado pelos neoliberais. Quando vou exercer a minha actividade profissional, quem me paga os bilhetes do metro ou do autocarro? De vez em quando, se aparecem os fiscais fascistas, tenho mesmo que pagar os bilhetes e – mostro a quem quiser ver, nem se pode descontar no IRS – o Estado nem um subsídio dá, é tudo do meu bolso. Reparem, é para trabalhar, não é para mandriar. Enfim.

Por isso eu acho que todos esses bandalhos que aí andam não têm moral nenhuma para se esquecerem de pagar contribuições autárquicas ou descontar para a reforma. Eu sou muito mais digno do que eles, os estupores, bandalhos, que estão todos muito próximos da miséria moral.

Cumprimentos,

Mãozinhas
Estabelecimento Prisional de Linhó