virgens pudícas, ou talvez não, conforme a ocasião
Lista VIP
o que tem o ps a dizer sobre isto?
Fora o apartamento parisiense, as compras de livros, as viagens, os «empréstimos» directos às amigas, as compras das casas à Mãe por preços surreais e outras alcavalas diversas, a generosidade do amigo Carlos Santos Silva levou-o a «emprestar» a José Sócrates, entre Setembro de 2013 e Novembro de 2014, a módica quantia de 672 mil euros, o que perfaz uma média mensal de 48 mil euros, para que ele pudesse manter um nível digno de vida, como merece qualquer ex-primeiro-ministro de Portugal. O salário que ele recebia na Octapharma — uns míseros 12 mil euros mensais – não lhe chegava para atingir o patamar mínimo dessa dignidade, como bem se compreende. A ajuda abnegada do amigo foi, por isso, providencial.
Ora, parece, contudo, que há quem não pense assim. Quem veja nisto sinais evidentes de dinheiros mal parados, a precisarem de justificação clara e não de areia atirada aos olhos de quem quer ver o que aconteceu. Como sucede, e já não falamos no Ministério Público, mas no Supremo Tribunal de Justiça.
E o PS? O que é que o PS da «ética republicana», sempre tão exigente com os deslizes alheios, tem a dizer sobre isto? Que permanece a presunção de inocência? Mas ela não permanece para todos os «deslizantes» que não tenham sido condenados por sentença transitada em julgado? Não tem nada a dizer para não ferir susceptibilidades e cavar divisões internas? É-lhe indiferente que vertam estas acusações sobre um líder seu, que foi também o seu último primeiro-ministro? Ou pensa que se se calar, se meter a cabeça na areia como a avestruz, a coisa passará sem que lhe sejam exigidas responsabilidades políticas? Não considera preocupantes estes indícios e esta decisão do Supremo? Ou será que julga que isto é só um problema de José Sócrates, que tem, naturalmente que tem, direito a «defender a sua verdade»? E a verdade dos factos? Em nome da transparência e da ética republicana, o PS está ou não está interessado em que seja apurada?
Lista de estúpidos
Se bem percebi a polémica, o problema não é a existência de uma lista VIP – que é inevitável – e sim esta ter sido mencionada, revelando a sua inevitável existência. Toda a gente sabe e compreende a existência de uma lista VIP, porém, ninguém está disposto a admitir que tal lista possa existir, revelando que se atribui mais importância à devassa de algumas pessoas com cargos de relevo do que interesse na carrinha alemã que o Sr. Armando estacionou ontem à porta, o estupor.
Vocês não querem viver num país cuja lista VIP não existe (não pergunte, eles têm armas, a lista é desnecessária, são os membros do partido). Você quer viver num país que tem lista VIP mas que não a admite, negando assertivamente a sua existência. Assim, você poderá sentir-se melhor com a ilusão de que as suas actualizações de estado no Facebook são tão importantes como um qualquer clássico russo.
No fundo, você sabe que é estúpido. Só não admite que possa ser um bocadinho mais que os outros.
tudo ao contrário
Algures pela Autoridade Tributária e Aduaneira, um organismo do estado que pela delicada natureza das suas funções tem obrigatoriamente de estar acima de qualquer suspeita, circulam funcionários de nível superior, com acesso aos dados fiscais de contribuintes com responsabilidades públicas, que fazem chegar essas informações a jornalistas que, por sua vez, as tornam públicas nos seus órgãos de informação. Como, em Portugal, o sigilo fiscal de todos os contribuintes é um direito consagrado na lei, essa fuga de informações constituí um acto ilícito e punível civil e criminalmente.
Em face disto, alguém com responsabilidades no Fisco – provavelmente o recém demissionário Director-Geral – resolveu, e muito bem, pôr sob controle mais apertado as contas de alguns contribuintes que, pela natureza das funções políticas que exercem ou exerceram, estão eventualmente mais expostos à «curiosidade» alheia. Com isto, terá eventualmente pretendido não só reforçar as garantias de sigilo a que esses contribuintes têm direito, e que não se encontram suspensas pelo facto de serem figuras públicas ou de exercerem cargos de responsabilidade governativa, como também, e mais importante, tentar apanhar os intrusos e tratá-los como manda a lei. Provavelmente, também, por ter sido uma decisão tomada no âmbito das suas competências e das suas obrigações funcionais de zelar pela confidencialidade dos dados de que é o primeiro responsável, não a terá comunicado aos seus superiores, ou terá dado informações básicas sobre aquilo que determinara.
Em seguida, vem o facto estanho: quando confrontado com isto, o governo negou, a priori, esta possibilidade e quando percebeu do que se tratava meteu os pés pelas mãos, em vez de ter elogiado os serviços pela atitude de prudência e de cumprimento da lei que tinham tido. Facto estranho, mas explicável: em fim de mandato e ano de eleições, este governo, como muitos outros que o antecederam, sofre da psicose da comunicação social, e tenta esconder o que efectivamente o compromete, como toda a informação que não controla e que presume que o irá comprometer. Um erro que se costuma pagar caro.
E, por fim, o extraordinário Dr. António Costa. Em vez de dar ao país vestígios de credibilidade política que se suponha que tivesse e que cada vez mais se torna claro que não tem, separando o trigo do joio e preocupando-se com a essência do problema – a fuga de informações para os jornais de dados confidenciais à guarda de serviços do estado – do Dr. Costa conseguiu virar tudo ao contrário e atacar quem se preocupou em fazer cumprir a lei, tentando tirar proveito político e eleitoral de um «caso» que, afinal, não é mais do que um «casinho». A mistificação consistiu em tentar passar para a opinião pública a ideia de que existem contribuintes de primeira e contribuintes de segunda, tendo os primeiros privilégios que os comuns mortais nem imaginam. É muito fraco para quem se arroga à possibilidade de chefiar um governo de «salvação nacional», e se os eleitores se aperceberem da marosca poderá transformar-se num sério erro político. Dos que também não se pagam barato.
Invista em Portugal, isto é giro
Miguel Frasquilho acredita que PS manterá reforma do IRC
Miguel Frasquilho é presidente do AICEP, entidade que tem por missão, entre outras, atrair investimento para Portugal. A 7 meses do início de 2016 o AICEP não sabe quanto é que os investidores vão pagar de IRC.
Em 2013 foi feito um acordo CDS-PSD-PS de descida do IRC a médio prazo. Ficou acordado que o IRC desceria 2 pontos percentuais por ano. O objectivo era criar um ambiente previsível e atractivo para o investimento. Uma vez que os investimentos têm que ser recuperados ao longo de anos, este tipo de previsibilidade é essencial.
Que aconteceu entretanto? António Costa chegou a líder do PS e rasgou o acordo. Agora o AICEP anda a dizer aos investidores que acredita em coisas.
fazer dos outros parvos
Pelo que se entende desta estória da famigerada «lista vip» do fisco, a mesma não terá passado de um reforço do controle de segurança de algumas contas de políticos expostas, as contas e eles, a intromissões piratas e não autorizadas de terceiros, cujas intenções são facilmente imagináveis. Ora, num país onde a lei continua a preservar – e bem – o sigilo fiscal, esta atitude de prudência só pode ser elogiada, em vez de censurada como se de uma ilegalidade se tratasse. Todavia, para o PS, o tal partido que, segundo o seu líder, não quer transformar a política portuguesa numa sucessão de «casos», a coisa reveste-se de extrema gravidade, insinuando-se assim a existência de contribuintes fiscalmente beneficiados pelo governo, com privilégios a que os comuns mortais não teriam acesso. Definitivamente, não é a fazer passar os eleitores por parvos que se ganham eleições.
É melhor mandarmos os manuais sobre imigração, drogas e exclusão social ou isto ainda acaba mal
Lembram-se do ponto 29 do programa do Syriza: Desmilitarizar la guardia costera y disolver las fuerzas especiales antidisturbios. Prohibir la presencia de policías encubiertos o con armas de fuego en las manifestaciones y mítines. Cambiar los planes de estudio de los policías para poner énfasis en los temas sociales, como la inmigración, las drogas o la exclusión social.
Pois parece que a polícia anti-distúrbios ainda não teve tempo para começar com as aulas de dinamização cultural
Confrontos entre anarquistas e polícia em Atenas
Notícia do Observador: Estudantes do básico e secundário hoje na rua para exigir demissão do Governo
Todos os anos no mês de Março o PCP organiza manifs de estudantes.
Todos os anos a Lusa enquadra os protestos como iniciativas dos próprios estudantes, que espontaneamente decidem pedir aquilo que os adultos não têm conseguido (este ano é a demissão de Passos Coelho).
Que a Lusa faça estas manobras é da natureza da Lusa. Mais difícil é perceber o que leva o Observador a reproduzir a Lusa.
A detenção de José Sócrates segundo o Público, ontem e hoje
Ontem: Supremo encontra erros!
Hoje: no cantinho inferior direito: “Sócrates continua preso por risco de perturbar inquérito”. Na capa, nada sobre facto dos “juízes que analisaram o recurso consideraram que Sócrates está fortemente indiciado dos crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais, ao contrário do que alegava a sua defesa no recurso.”
As eleições em Israel vistas pelo Público, ontem e hoje.
Teroria da relatividade
Insultar um jornalista do Correio da Manhã não é o mesmo que insultar um jornalista do Expresso.
Dolce & Gabbana: até onde se pode dizer o que se pensa quando não se pensa aquilo que alguém decidiu que a comunidade deve pensar?
Pequena análise do piropo habeas corpus
O piropo é um problema em crescimento no mundo ocidental. Explicado pelo aumento substancial do acesso de jovens ribatejanos ao ensino superior, o piropo sofisticou-se, passando a incluir mais referências à higiene pessoal em detrimento da habitual pega de caras tauromáquica.
Em tempos, o piropo era feito recorrendo à forma informal (“és tão linda”); agora, a forma mais comum de piropo, através da evolução natural da piropagem pelo uso em saunas para cavalheiros, é a mescla entre o informal (“a loja”) e o uso da forma respeitosa de endereçar o piropado através da terceira pessoa verbal, como que incluíndo à partida o triângulo equilátero da modernidade poliamorosa.
A senhora devia tomar mais banho, que cheira mal.
O aspecto informativo do piropo, da mera descrição subjectiva (“és muita gira”), muitas vezes com uma avaliação pouco avisada pela presença de condições externas que interferem na própria subjectividade dos conceitos subjectivos de bem e mal – por exemplo, a existência de roupa (“tens mamas boas”) -, evoluiu para um piropo mais justificativo, mais causal no seu efeito, associando – por exemplo – o banho ao cheiro que, não sendo mau, não terá que ser necessariamente bom.
O piropo em latim tem uma erudição diferente. Agora, onde está o meu carro?
O mundo está parvo
Não percebo o escândalo com o almoço do Varoufakis. Em primeiro lugar a admiração só pode resultar do facto de se reconhecer à esquerda uma superioridade moral na relação com o dinheiro e isso eu não reconheço. Depois temos tambem a desatinada deia que os dirigentes de esquerda vivem como uns eremitas o que não só é mentira como também não tem de ser verdade. O que está em causa não é o que Varoufakis faz com o seu dinheiro mas sim aquilo que quer fazer com o dinheiro dos outros. Aí sim é que temos motivos para nos indignar. Agora com o que come e bebe na sua casa, casa essa que paga com o seu dinheiro essa é uma questão que só a ele diz respeito.
Se essa explicação fosse válida o governo português tinha caído um mês depois de tomar posse
O PÚBLICO não compreende. Ou melhor dizendo compreende: a contestação a Dilma nasce de um facto incontestável: “A grande mídia brasileira está extremamente politizada e toda concentrada em uma região do espectro ideológico, que vai do centro à direita”, explica ao PÚBLICO João Feres Júnior, investigador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e coordenador do Manchetômetro. (…) O desequilíbrio entre as peças negativas para o Governo “petista” e as favoráveis tem sido gritante. Há dias em que nada de positivo é publicado. (…) Crítica recorrente aos media em relação aos protestos deste domingo foi a publicitação dos pontos de encontro e dos horários das manifestações, assim como o destaque dado a acções “preparatórias” como a que reuniu no Rio de Janeiro, na quarta-feira, 39 pessoas. (…) “Obviamente não há razão para tanto destaque. Jornalisticamente, é uma aberração. Mas pode-se entender isso quando se sabe que a imprensa actua como partido político, faz o papel que a oposição não consegue fazer”
E assim o PÚBLICO coitadinho anda confundido: em Portugal o governo não cai apesar de tal como no Brasil a mídia está extremamente politizada e toda concentrada em uma região do espectro ideológico.
Mas o PÚBLICO já descobriu a causa: O envelhecimento, a corrupção, o PCP e Abril preservaram o sistema político
Saudades
Cheque bebé voltou
Guterres criou o RMG, Sócrates o CSI e Costa quer uma medida para os mais jovens
Voltou a ler o I Pacto MFA-Partidos
Vasco Lourenço diz que é preciso “um estrondoso murro na mesa”
Assembleia do MFA como órgão de soberania
Eleição do Presidente da República por um Colégio Eleitoral, para o efeito constituído pela Assembleia de MFA e Assembleia Legislativa
Instituição do Conselho da Revolução como órgão político e legislativo
Do PS para a sua esquerda os dados da lista são rigoroso segredo de Estado. Talvez mesmo o único segredo que existe em Portugal. Para o espectro que fica à direita do PS o acesso é mais ou menos à vontade do freguês, das questões eleitorais e a divulgação de dados pode estender-se aos filhos dos políticos como aconteceu a Patrícia Cavaco Silva.
A propósito dessa lista qual foi o papel dos bancários na passagem da informação ao jornal Diário do empréstimo feito por Sá Carneiro? E a notinha feita pelo PS também caiu no esquecimento?
Falar para dizer alguma coisa
Regra nº 1 Sempre que a extrema-esquerda acusa alguém a extrema-esquerda tem sempre um bocadinho de razão. Maria Luís Albuquerque devia ter falado após a primeira reunião do Eurogrupo com Varoufakis mas se Maria Luís Albuquerque tivesse falado após a primeira reunião do Eurogrupo com Varoufakis não devia. Não interessa com quem falou. Interessa que a extrema-esquerda tem em matérias de acusações uma superioridade moral que qualque PSD tem de reconhecer.
Regra nº 2 Não bem uma regra mas sim uma técnica: a meio da conversa baralha-se e torna-se a dar. Aqui ficamos com um problema: face à grande impreparação técnica do governo grego Maria Luís Albuquerque devia ter falado após a primeira reunião do Eurogrupo com Varoufakis para lhe dizer nós estamos totalmente disponíveis para a ajudar a Grécia. Mas exactamente a fazer o quê?
Regra nº 3. Em vez de se desmontar a demagogia da extrema-esquerda declara-se o fascínio por ela e diz-se que o Governo de Atenas está a ser bem-sucedido num ponto: a propaganda. “O governo grego fez uma grande operação de relações publicas, muito bem-sucedida. Realmente está e está precisamente porque pessoas como Paulo Rangel não fazem nada para a desmontar e até acham que aqueles que a enfrentam não procedem bem.
Sobre as fotos do Varoufas para a Hola! francesa
As fotografias do ministro das finanças gregas (e não alemãs, holandesas ou finlandeses – são gregas mesmo) para a Paris Match causaram alguma celeuma em meios mais conservadores, nomeadamente pela hipocrisia do marxismo caviar, aqui substituído pelo marxismo dourada assada com laranja e paprika com vista para a Acrópole.
Não percebo as reacções. Não é como se o socialista grego tivesse sido fotografado em Formentera, lendo o seu próprio livro na companhia do único comprador deste, com chanatas Wendel de Jimmy Choo e alva camisa Bijan sobre calções vermelhuscos, tão asfixiantes da virilidade como necessários a uma reflexão filosófica sobre tortura mediterrânea.
Não é como se Varoufakis e a mulher tivessem necessidade de liquidez para o piano através de negócios imobiliários que privem os restantes herdeiros dos seus direitos. Não é como se Varoufas se fotografasse a fazer jogging após fumar no avião da TAP, como que correndo para a escola, a tempo de se licenciar no Domingo, impedido assim de assistir ao jogo decisivo do grande Eusébio.
Não é como se Varoufofo tivesse subido o défice por querer, porque só lê meia directiva, porque é um pau mandado de Merkel que prontamente gasta o que não tem para combater a crise que consiste em nacionalizar o banco onde se podem encontrar podres da oposição que podem dar jeito ao povo, essa massa indiferenciada de chicos-espertos que combate o progresso elegendo Cavaco (5 vezes), o filho do gajo da bomba de gasolina que estraga Lisboa com a marquise, como se Lisboa, a flor, fosse uma mera Massamá.
Não, as fotos do Varoufigo não são chocantes. Chocante é a vossa falta de vergonha pela amnésia selectiva da imbecilidade que é o marxismo, burguês ou não, com que vos vendem miséria. Isso, sim, é chocante. A casa do Varoufakir não é chocante. Chocante é sabermos tão pouco sobre as casas isentas de sisa e contribuição autárquica dos líderes socialistas, aparentemente uma tradição tão nacional como a propensão para a continuidade no primeiro mundo apesar destas tristes figuras.
amém!
A soberania popular é o princípio sacrossanto da democracia. Sem ele, sem o respeito pela vontade do Povo, não existirá senão um simulacro de democracia, com rituais eleitorais meramente formais, sem verdadeira representação política popular. Essa «democracia burguesa», onde mandam os mais fortes, os mercados financeiros apátridas, extorsionários e sem escrúpulos, não interessa ao Povo, porque não representa a sua vontade e a sua alma. Eis a lição grega e do Syriza: o Povo e só o Povo é quem mais ordena. Os fascismo moderno de mil rostos pseudo-democráticos não passará! Que a vontade soberana do povo se imponha como única legitimidade de todo o poder. Só o Povo pode ordenar a representação política. Que seja feita, na Grécia, de vez e de uma vez por todas, a sua vontade. A vontade do Povo. Amém!
Há 40 anos
Aqui há fantasmas
Bem, apesar da aptidão para pantomineiro – sem dúvida, essencial para o lugar a que concorre, o de D. Sebastião -, António Costa parece cada vez mais assustado, como um clube que quer acabar o campeonato antes do jogo que o pode colocar abaixo da linha de água. O que Costa diz aqui não é o que aparentemente é dito: não se queixa das eleições serem na data prevista nem se queixa de Cavaco Silva, mais uma vez usado como a personificação da súcia que políticos de carreira tanto apreciam; queixa-se, sim, de ir a eleições após mais capítulos do Guerra e Paz em versão revista Lux escritos pelo recluso mais vingativo e menos socialista (igualdade et al) do país.
Do cumprimento das obrigações legais:
PSD: condenado pelo Tribunal Constitucional por obtenção de receita proveniente de angariação de fundos depositada em data posterior à da realização do ato eleitoral e imputação às contas da campanha de despesas não elegíveis;
PS: condenado pelo Tribunal Constitucional por impossibilidade de verificação, por insuficiência do respectivo documento de suporte, da elegibilidade de despesas registadas, e por impossibilidade de verificação da razoabilidade de despesas imputadas à campanha, e também por despesas de campanha não registadas.
PCP: condenado pelo Tribunal Constitucional por Despesas com suporte documental insuficiente, incumprimento do dever de pagamento de despesas de campanha através da conta bancária especificamente constituída para esse efeito e abertura de mais do que uma conta bancária para a campanha.
CDS: condenado pelo Tribunal Constitucional por despesas com suporte documental insuficiente e impossibilidade de verificação, por insuficiência do respectivo documento de suporte, da razoabilidade de despesas registadas.
Fonte: O Tribunal Constitucional, pelo Acórdão n.º 175/2014, julgou prestadas, embora com ilegalidades/irregularidades aí identificadas, as contas relativas à campanha eleitoral para a eleição dos deputados à Assembleia da República, realizada em 05 de junho de 2011
Quadratura da espiral
António Costa, ontem, em entrevista a Fátima Campos Ferreira, prometeu flexibilizar as metas do défice com justificação do país estar em período recessivo, o que, segundo o próprio, se combate através de investimento público que estimula a economia e o emprego. António Costa aproveitou também a entrevista para criticar o aumento da dívida pública ocorrido durante a actual governação.
Este aparente paradoxo – o de, por um lado, demonstrar desconhecer o significado de “défice” e, por outro lado, presumir que os eleitores são igualmente pacóvios – é capaz de dar frutos. Em primeiro, porque coloca o candidato a primeiro-ministro no mesmo plano do comum eleitor: iliterato, pouco instruído para compreender o que o rodeia e pressagiar consequências indirectas dos actos; em segundo, porque permite o regresso do discurso socrático, até agora devidamente arrumado – primeiro na RTP, depois no Estabelecimento Prisional de Évora – através da reciclagem dos guionistas que dotaram Sócrates (e que agora dotam Costa) de retórica baseada em arrogância e que se percepciona, desde que suficientemente estúpido, como uma postura de determinação.
Mais cedo ou mais tarde, Costa terá que apresentar uma ideia governativa sob risco de, não o fazendo, acabar mesmo por ganhar inadvertidamente as eleições.
A desilusão do PÚBLICO

O PS não pediu a demissão do Executivo. Porque é claro que devia ter pedido. Ou o PS se comporta como um BE em ponto grande ou o PÚBLICO vai fazer capas e capas sobre a sua imensa desilusão. E claro que aí deixará de atirar para os escafúndios das páginas interiores as suas próprias investigações. Se fosse hoje a investigação que não se viu na capa de ontem estava na primeirinha página. Quem se mete com os sonhos da frente de esquerda leva.
“Está tudo esclarecido” no caso Passos Coelho, diz António Costa
Não me parece que caiba a António Costa definir se já está ou não tudo esclarecido no que respeita à situação de Passos Coelho perante a Segurança Social. Que António Costa se sinta esclarecido é outra coisa. Agora passarmos a considerar que um caso começa ou acaba mediante o que o PS define é que outro cantar. Mas mais curioso é que tendo o líder do PS sido convidado a pronunciar-se sobre o caso Passos Coelho nenhum jornalista tenha achado oportuno destacar o que Costa disse sobre as notícias respeitantes às suas casas. Ou será que não falou sobre o assunto? Creio que a casa de Costa tem o mesmo interesse das contribuições para a Segurança Social de Passos Coelho: não passam de situações que era melhor terem sido tratadas doutro modo. Mas apenas isso. O que não deixa de ser sintomático do país que somos é a forma como mediaticamente se têm tratado ambos os casos.
Aquela triste figura…
….que ainda é PR, tentou justificar o seu próprio vergar de costas ao dono da Guiné como um pretexto para não melindrar os timorenses. Obviamente Ramos-Horta veio logo negar tudo o que a triste figura dissera e coloca-lo no sítio: se Cavaco calou e ajudou ao sim, responsabilidade sua, seja crescidinho que já tem idade para isso. E diz ainda aquela triste figura que é preciso PR’s com «experiencia internacional». Se for para fazer a sua triste figura, melhor não.
É uma questão de stiletto
Ontem foi o dia da mulher mas, tirando a efeméride propriamente dita – prontamente assinalada nos telejornais que pensam o país para o transformar para melhor -, ninguém notou. Ainda bem: mal era se as mulheres precisavam de um dia especial, como que assinalando que os restantes dias são dia da não-mulher*.
Falou-se na foto do Nelson Évora em sapatos de gaja lisboeta dedicada a causas fracturantes. Se a ideia da campanha é a de gajos que se colocam no “sapatos de mulher” (woman’s shoes) como que afirmando perceberem o que sente uma mulher no dia-a-dia, diria que a foto do Nelson Évora é um sucesso absoluto: o que as mulheres imaginam diariamente é mesmo o desejo de tirar a camisa de forma a expôr o tronco sem pêlos e com 0% de tecido adiposo (pelo menos, foi o que entendi da foto).
* Tomando em consideração o conceito de “identidade de género”, um humano que não seja mulher não passa automaticamente a ser homem – há uma panóplia de opções disponíveis das quais apenas uma consiste em “homem”.
PCP acusa: outro clássico
O PCP pode afirmar. Mas mediaticamente falando o PCP acusa.
PCP acusa Cavaco de não ter estado à altura do cargo e pede demissão do Governo
PCP acusa PS de querer ‘poder absoluto’
PCP acusa Governo de despedir 613 trabalhadores para corresponder a “encomendas” privadas
PCP acusa Governo de provocar “caos nas urgências
PCP acusa Governo de abandonar o interior do país
PCP acusa Cavaco Silva de faltar ao juramento de cumprir Constituição
PCP acusa Governo de “submissão” externa e de “obsessão” pelo défice
PCP acusa Governo de fazer da Grécia uma vacina contra a mudança
PCP acusa Bruxelas de “lamentável ingerência” nos assuntos interno
PCP acusa Governo de mentir no caso dos ENVC
(…)
O BE exige é um clássico das notícias
BE exige que Passos mostre contribuições até ao debate quinzenal
BE exige demissão da ministra da Justiça a Passos Coelho
BE exige sanção ao PSD nas eleições regionais
BE exige explicações de Passos sobre permanência do secretário-geral do SIRP
BE exige esclarecimentos acerca de exclusividade de Passos
BE exige acção rápida do Governo para impedir venda da PT a “fundo abutre”
BE exige que Governo informe partidos do decurso da negociação da sétima avaliação da ‘troika‘
Afeganistão: BE exige retirada das tropas portuguesas
BE exige afastamento do director da Segurança Social de Braga
BE exige manutenção das repartições de finanças locais
BE exige esclarecimentos sobre maternidades de Guarda, Covilhã e Castelo Branco
BE exige alteração no subsídio de desemprego
(…)
Há lugar para gente normal na política?
É circo mas é verde
Empilha, com ligeira força lateral procurando o centro do irregular garrafão de água, a polpa de tomate em garrafa de vidro que encosta ao paralelepípedo do leite; cai o leite, fica a polpa de tomate – graças a Deus, que é vidro. Sorte das sortes, o leite não rebentou, parece constatar, enquanto, de cócoras, exercita glúteos em agachamento rotacional contrariado por força de queixo nas compras de supermercado.
É a taxa verde sobre sacos plásticos, assim designada por enjoar qualquer pessoa desprovida de amigos sérios que nos mandam fotocópias e víveres através do motorista do nosso Mercedes, pessoas estas que têm que fazer compras elas próprias. Esta taxa não só dissuade o uso de sacos plásticos como cria verdadeiras luxações aos clientes do supermercado, transfigurados em malabaristas amadores sem vocação para o ofício, ao contrário de Moreira da Silva, o profissional circense que, muito satisfeito por deixar uma marca no mundo – mesmo que não passe de uma nódoa -, criou a taxa penalizadora dos que menos poder de compra têm.
A ler
Há que matar o pensamento único – MIGUEL ÁNGEL BELLOSO no DN
Extraordinário não é?
Ontem teve lugar uma acção de “solidariedade com a revolução bolivariana da Venezuela num evento que encheu o salão da Casa do Alentejo, em Lisboa”. No discurso que proferiu durante a cerimónia “Ilda Figueiredo, presidente do Conselho Português para a Paz e Cooperação, que organizou o evento juntamente com a CGTP-IN e a Associação de Amizade Portugal-Cuba” perguntou “Porque é que continuam a pôr em causa a escolha do povo venezuelano?”
Correio dos leitores
Bom dia,
Por motivos de saúde não posso referir o meu nome de baptismo, o que decerto compreenderão. Podeis, no entanto, tratar-me por Mãozinhas, que é como me tratam os meus amigos, até porque Carteirista, como aparece nos jornais, é bastante limitativo para a minha área de actividade, que é bem mais abrangente do que o simples carteirismo.
Aproveito o vosso blog para publicar este email, o que devem fazer imediatamente, como é perfeitamente normal quando alguém tem algo de importante para dizer como eu agora tenho.
Andam aí pessoas que me metem nojo. São simplesmente nojentas. Que moral têm para dizer que não são perfeitas mas que, mesmo que cometam erros, não andam na rua e em manifs a roubar carteiras ou telemóveis? Mas são superiores aos outros por isso, é? Têm a mania que ir trabalhar a ganhar uma miséria – eu bem vejo que as carteiras só têm 20, quando muito 40 euritos – lhes dá uma superioridade moral para criticar as pessoas que, por vicissitudes da vida, andam no gamanço? E se eu for toxicodependente? O Estado dá-me a droga? Pois não, não dá – este Estado Social foi totalmente aniquilado pelos neoliberais. Quando vou exercer a minha actividade profissional, quem me paga os bilhetes do metro ou do autocarro? De vez em quando, se aparecem os fiscais fascistas, tenho mesmo que pagar os bilhetes e – mostro a quem quiser ver, nem se pode descontar no IRS – o Estado nem um subsídio dá, é tudo do meu bolso. Reparem, é para trabalhar, não é para mandriar. Enfim.
Por isso eu acho que todos esses bandalhos que aí andam não têm moral nenhuma para se esquecerem de pagar contribuições autárquicas ou descontar para a reforma. Eu sou muito mais digno do que eles, os estupores, bandalhos, que estão todos muito próximos da miséria moral.
Cumprimentos,
Mãozinhas
Estabelecimento Prisional de Linhó





