A diferença entre António Costa e Passos Coelho
António Costa a gabar-se de que cortou a dívida da CML em 40%:
“O primeiro-ministro, na tal entrevista ao Expresso, resolveu comparar a sua acção governativa com a anterior acção governativa do PS. Sejamos práticos. Quer comparar o que fez com a dívida, eu comparo o que fiz com a minha. Eu reduzi a dívida que herdei em 40%, o senhor aumentou em 18% a dívida que herdou. Esta é a diferença entre nós e esta é a diferença entre quem gere bem e quem gere mal”
Algumas notas:
1. Quando o governo central vendeu a ANA, a CML recebeu uma compensação pelos terrenos do aeroporto que eram propriedade da câmera. Neste negócio o governo de Passos Coelho pagou 43% da dívida da CML. Se António Costa diz que a dívida da CML só desceu 40%, então faltam 3%.
2. Foi uma das tão criticadas privatizações que permitiu a Costa descer a dívida. Duvido no entanto que seja possível baixar a dívida do país em 40% com uma privatização.
3. António Costa é crítico do Tratado Orçamental, por este prever um corte de dívida excessivo (menos de 2% por ano). António Costa, nos seus mandatos na CML, gaba-se de baixar a dívida 6% ao ano e imagina-se que esperaria que o governo fizesse o mesmo.
4. O aumento da dívida do Estado Central em 18% corresponde ao somatório dos défices nos últimos 4 anos. Neste período tanto o PS como António Costa defenderam défices maiores e portanto uma dívida maior.
O terror do batalhão em cuecas
Tema do meu recente trabalho para o Observador: Omar. Moxico. Bambadinca… – Falar de descolonização implica falar de militares. E nos anos de 1974 e 1975 falar das Forças Armadas portuguesas implica falar do “batalhão em cuecas”. Ou seja dos sons, das imagens e dos testemunhos sobre as humilhações a que, na Guiné, Moçambique e Angola, estavam ou poderiam vir a estar sujeitas algumas unidades militares.
Desde o Tratado de Tordesilhas que não nos davam esta importância
O mundo visto de Atenas
Feliz aniversário

Quem são os investidores chineses?
Os membros da comunidade chinesa a viver em Portugal não são propriamente “investidores chineses”. Muitos estão em Portugal há dezenas de anos, muitos são residentes há vários anos e muitos são cidadãos portugueses. Os mais jovens andaram nas escolas portuguesas e frequentam as universidades portuguesas. Na sala estavam Susanas e Helenas e Sérgios e Pedros. Estava o director do SEF, o da PJ e o do serviço de informações, um representante do AICEP, o Secretário de Estado do Ensino Superior, o presidente da Câmera de Gaia, etc. Foi para estas pessoas que o Costa falou. O evento foi filmado pela CCTV-Portugal, um canal bilingue luso-chinês. Costa prestou declarações a uma repórter portuguesa e todo o evento foi em português.
Director do JN esteve presente e não ouviu nada digno de ser noticiado.
como o tempo passa
Parabéns a’ O Insurgente, que faz hoje 10 anos. Parece que foi ontem! Têm a certeza que contaram bem?
O caminho para a estabilidade
Email da sede interceptado
From: António Costa <boss@ps.pt>
Subject: Portugal está diferente
Date: 26 Feb 2015 18:27
To: Mailing List Abrantes <ml-benitos@gmail.com>
Camaradas,
Os fascistas apanharam-me a dizer que o país está diferente para uma plateia de chinocas comedores de arroz. Naturalmente que era mentira mas estava a ser patriótico, incentivando os tolos a investirem mais para a gente depois poder aumentar a colecta. Não é muito mas é uma ajuda para o vosso doutoramento.
Ide para o Twitter e para o Facebook protestar porque amanhã devem sair os números do crescimento e do desemprego e, pelo que me consta, não são favoráveis para a nossa causa.
Abraço a todos.
António Costa
LÍDER EM FUNÇÕES
P.S.: envio em anexo a nova password do Miguel Abrantes.
não há meias grávidas
Sobre o estado em que Portugal se encontra hoje, em 2015, comparado com a situação em que estava em 2011, só há duas respostas possíveis: ou está pior ou está melhor. António Costa acha que está melhor e tem razão, apesar de Portugal continuar ainda mal, o que também ninguém nega.
Perante este dado objectivo, que até o líder da oposição não conseguiu deixar de reconhecer, outra questão se levanta: Portugal, apesar de estar melhor do que em 2011, podia estar muito melhor do que está hoje, se outras políticas, diferentes das do actual governo, tivessem sido postas em prática? Não sabemos, e António Costa é completamente omisso a este respeito, porque se recusa a explicar-nos como é que um eventual futuro governo liderado por si resolverá as questões que fazem ainda de Portugal um país problemático. Desde logo, o problema do pagamento da dívida pública, sobre o qual ele tem dito que não se pode precipitar, por falta de informação. Isto significa, por outras palavras, que António Costa não sabe se Portugal poderia estar hoje melhor se outras políticas tivessem sido seguidas, porque não sabe sequer ainda que políticas poderá aplicar ao país daqui por meio ano.
Por último, existe uma terceira questão importante, sobre a qual António Costa poderá ser mais conclusivo: se Portugal estava, em 2011, pior do que está hoje, como estava o país nessa altura e quem foram os responsáveis por o deixar assim? Será que António Costa vai enjeitar responsabilidades, apenas pelo facto de ter sido um governo do seu partido a chamar a troika? Será que ele quer convencer os portugueses que foi o chumbo do PEC IV (o que era anterior ao V) que precipitou a falência do país? Ou optará pela solução portuguesa clássica nestas ocasiões, segundo a qual a culpa nunca tem marido e morre sempre solteira?
Talvez fosse conveniente, para um homem que quer ser primeiro-ministro de Portugal daqui por seis meses, esclarecer os eleitores sobre estes assuntos. E de modo claro e inequívoco, porque, estas coisas de falências são como com as senhoras que querem ter filhos: não há meias grávidas. Ou estão ou não estão.
Discurso de Varoufakis aos chineses
Numa entrevista a uma rádio grega, Varoufakis diz aos gregos o contrário do que acordou com os parceiros europeus. A quem é que ele está a mentir? A ambos. Ministro das finanças de um país que precisa ganhar credibilidade, de um país que precisa tomar medidas difíceis contra interesses instalados, compromete-se com duas políticas antagónicas, e não cumprirá nenhuma. Vai correr lindamente.
PS – Note-se, por exemplo, o ênfase do governo grego no ataque aos oligarcas e aos corruptos como se estes fossem OVNIs que nada têm a ver com a sociedade grega.
Chamem o Rui Tavares
Une manifestation réunissant près de cinq cents personnes, organisée par un parti anticapitaliste grec, a dégénéré, jeudi 26 février à Athènes. C’est la première manifestation de ce type dans la capitale depuis l’arrivée à la tête du pays, il y a un mois, du parti antiaustérité Syriza. Les organisateurs voulaient dénoncer les accords passés par le gouvernement Tsipras avec ses créanciers européens
Após várias comissões parlamentares de inquérito a reputados gestores
Estou em condições de me declarar apta a gerir qualquer colosso empresarial.
Ps. Ao contrário dos inquiridos não tenho formação na área da Gestão ou da Economia mas tenho excelente memória e sei sempre para onde foi o dinheiro pelo qual sou responsável. Pelo que tenho ouvido estas duas últimas características teriam bastado para evitar muita triste figura.
O Estado Disto Tudo
O Raspanete
Em boa hora, a Comissão Europeia anunciou que Portugal foi colocado em monitorização específica, por desequilíbrios económicos e orçamentais excessivos. Convém que ninguém se esqueça, governo e oposição, que ainda falta muita austeridade para corrigir o descalabro a que chegamos em 2011 e que nos obrigou a pedir ajuda às “instituições”.
Em ano de eleições, o governo quer gritar vitória ao intervalo e a oposição diz que vai mudar a estratégia para o segundo tempo. Ambos mentem.
Ninguém ganha jogos ao intervalo e ainda falta um largo caminho para reequilibrar as contas públicas. O que nos espera nos próximos anos é mais austeridade. Não confundam, não é a continuação da austeridade: é mais austeridade.
O governo, ao longo destes quatro anos, percorreu parte do caminho e ninguém lhe pode tirar o mérito. Não o fez da melhor maneira – avançou pelo lado da receita, mais que pelo lado da despesa – mas recuperou alguma da credibilidade perdida, e soube aproveitar as ajudas europeias que nos permitem juros extraordinariamente baixos, tornando o enorme endividamento ligeiramente mais suportável.
Portugal foi mais Irlanda que Grécia, é certo, mas entenda-se o que Bruxelas nos está a recordar. Portugal está sobre endividado, o endividamento continua a crescer e continuará a crescer enquanto Portugal tiver contas públicas deficitárias.
A Dívida
Da esquerda à direita, nos partidos, nos jornais e até na imprensa económica, muitas pessoas inteligentes e com boa opinião ainda não compreenderam este simples facto: a dívida pública é, basicamente, o défice acumulado.
o ministério do chinês
Vocês entenderam mal: o que o António Costa disse não foi nem um elogio ao governo de Passos Coelho, nem ao esforço que os portugueses tiveram de fazer nos últimos anos para aguentar as consequências da falência socrática. A teoria que expôs é simples: foram os chineses, ou melhor, «os investidores chineses que disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquele em que estava há quatro anos atrás». No fim de contas, Costa não é mais do que um seguidor desse grande visionário que é Paulo Futre, que ainda em Abril de 2011 dava uma conferência de imprensa onde explicava a importância do chinês na economia nacional. Com tamanha coincidência de opiniões, Paulo Futre não deixará certamente de ser ministro do futuro governo de Costa, talvez na Economia ou nas Finanças, pastas para que está visivelmente talhado. Ou então, porque não, ministro de um único ministério que agrupe esses dois e que se designe simbolicamente pelo «Ministério do Chinês».
Esclarecimento sobre a “polémica”
Um pequeno esclarecimento sobre esta reportagem da SIC Notícias:
As declarações de António Costa não são polémicas, são verdadeiras. Por isso mesmo devem ser repetidas por todos as mulheres e homens, crianças e crianças, idosas e idosos e até jornalistas e jornalistas. Tornar uma declaração verdadeira em polémica é tonto: todos estamos de acordo que Portugal está diferente do que estava em 2011. Por exemplo, agora é possível obter financiamento para o nosso ainda excessivo défice, coisa que se verificou impossível em 2011 sem que o ex-PM Sócrates fosse a correr atrás de Merkel, rogando-lhe que aceitasse a já quarta revisão do seu plano de austeridade à la grega. Isto só abona ao Partido Socialista, que, com a liderança firme do Engenheiro Sócrates, percebeu que era necessário pedir formalmente um plano de resgate “às instituições” – vulgo Troika – com condições que o próprio considerou muito favoráveis.
Tornar isto em polémica é negar a história do Partido Socialista, em concreto o legado do Engenheiro Sócrates, que atempadamente soube pedir o resgate necessário para que hoje possamos estar perante empresários chineses a agradecer por terem acreditado na capacidade do país para levar o resgate a bom porto.
Afinal para que plateias se pode falar?
Maria Luís sentou-se num plateia com alemães e gritou-se horror!!!
António Costa falou perante chineses e grita-se vassalagem!
Acabaremos a falar para venezuelanos, gregos e pouco mais.
Como é que não nos tínhamos lembrado que o problema era o neo-liberalismo?!
Alfredo Barroso diz que “já chega”. O fundador do Partido Socialista (PS) revelou que vai esta semana “enviar uma carta” a pedir a desfiliação do partido, devido à intervenção, que apelidou de “vergonhosa”, que António Costa, secretário-geral do PS, proferiu a 19 de fevereiro no Casino da Póvoa do Varzim — na qual agradeceu aos investidores chineses que “disseram presente e deram um grande contributo para Portugal estar hoje” melhor do que há quatro anos.(…) “nunca [lhe] passou pela cabeça que um secretário-geral do PS se atrevesse a prestar vassalagem à ditadura comunista e neoliberal da República Popular da China”.
Absolutamente em desacordo
Com o tumulto que por aí vai por causa das declarações de António Costa. É preciso estar-se num grau mto primário de discussão política para que cause espanto que um líder da oposição diga que o país está melhor.
Aliás até podia estar óptimo e isso não obrigaria a que António Costa defendesse o mesmo modelo de óptimo. O óptimo de um socialista não é igual ao óptimo de um não socialista.
Solução para o segredo de justiça
São evidentes as preocupações dos jornalistas (com excepção dos do Correio da Manhã) com o segredo de justiça. Um jornalista típico (com excepção dos do Correio da Manhã) está mais preocupado com o segredo de justiça do que em revelar notícias. Enquanto o jornalista do Correio da Manhã fica lixado por não conseguir notícias, o jornalista típico fica indignado com a violação do segredo de justiça. Os jornalistas (com excepção dos do Correio da Manhã) são bons a guardar segredos. Conseguiram manter secretas durante uma semana as declarações de António Costa no Casino da Póvoa. Portanto, a solução para o segredo de justiça parece-me evidente: confiem os segredos todos a jornalistas (com excepção dos do Correio da Manhã).
«não há rapazes maus»
O «eduquês» socialista-rousseauneano acha que os alunos do ensino secundário nunca devem reprovar, e que quando isso sucede a culpa nunca é deles mas do «sistema» que não os educa como deve ser. Calaceiros e mandriões é coisa que não existe nesta mentalidade, e os alunos são todos iguais nas suas capacidades de aprendizagem. O facto é que não são, e foi devido a este igualitarismo que nivela tudo por baixo que a educação pública atingiu níveis desprezíveis, que atingem mesmo muitos dos seus professores, muitos deles também formados nesta mentalidade que exalta a mediocridade e condena o mérito. Daí que se tenha aproveitado este relatório de David Justino, onde se refere que se reprova muito no ensino público português, para se atacarem as avaliações. ou melhor, as «retenções», vocábulo utilizado para não se ferirem as suscetibilidades dos nossos «bons selvagens», defendendo, no fim de contas, que se acabe com elas. Ou seja, para resolver um mal acaba-se com o medicamento. Nem mais!
Grátis: ringtone ‘Portugal está diferente’
Como mencionado aqui pelo João Miranda, é importante atribuir mérito ao reconhecimento feito por António Costa ao trabalho efectuado pelo governo para que Portugal esteja agora em condições muito diferentes das que estava em 2011. Faça já o download do ringtone para iPhone.

Faça já o download para o seu iPhone. Ringtone ‘Portugal está diferente’. Clique na imagem (ficheiro m4r). Para Android, use a versão em mp3, disponível aqui.
Os símbolos contam

Não são rabiscos, são símbolos, com significado.
Pessoas racionais, nas suas análises, facilmente concluem que tudo que o governo liderado pelo Syriza conseguiu nestas espalhafatosas negociações foi a substituição do termo ‘troika’ por ‘instituições’; isto soa particularmente pirracento se tomarmos em consideração que o termo ‘troika’ aplicado às ‘instituições’ teve origem na própria comunicação social grega em 2010.

Pesquisas no Google pelo termo ‘troika’ na Grécia.
Porém, a vitória do governo liderado pelo Syriza é bem mais relevante. A esquerda revolucionária de origem burguesa caracteriza-se pela terminologia, o nome dado às coisas. Quando um revolucionário diz que há abundância, nem que as prateleiras do supermercado estejam vazias, o cânone da comunicação passa a ser a abundância, tornando menções à real escassez numa traição lesa-pátria. Guerra é paz. O falhanço em toda a linha económica da abolição de austeridade torna-se em vitória, vitória esta alicerçada no real benefício da nomenklatura ao abolir um termo, substituindo-o por outro, mais burocrático, ordeiro, passível de identidade jurídica – é o nosso revolucionário-burguês, Rui Tavares, quem o afirma, no seu texto no Público, “Sim, a troika morreu”. Sob o manto da legalidade, redefinem-se definições, deslocam-se os termos, implantam-se raízes de ódio institucional, cria-se obediência, instala-se medo.
A substituição do termo ‘troika’ por ‘instituições’, por muito cómico que possa parecer, tem bem mais significado do que o que se está a atribuir. Os símbolos contam e o governo Syriza, não tendo acabado com a austeridade, deu o primeiro passo para – caso os restantes países o permitam* – iniciar o processo de destruição da União Europeia.
*O que duvido que venha a acontecer.
Um elogio justo
Num discurso no Casino da Póvoa, a comemar o ano novo chinês, António Costa elogia a recuperação económica ocorrida nos últimos 4 anos e o investimento chinês (que cá chegou graças aos vistos gold e privatizações). Costa elogia os chineses por terem acreditado em Portugal nestes anos difíceis e implicitamente critica quem não acredito. Podem ver o video aqui.
Este homem dava um bom vice-PM do Passos Coelho.
A incidentologia
Com o PS a recusar detalhar as suas propostas eleitorais os estrategas da campanha socialista vão optar pela criação de incidentes. O ensaio foi a reacção as ida de Maria Luís à Alemanha. A comunicação social reagiu como se esperava: de repente era como se Portugal não tivesse sequer relações diplomáticas com a Alemanha e Maria Luís tivesse num ímpeto inexplicável viajado, por iniciativa própria, para uma qualquer Coreia do Norte.
Até ao fim da campanha vai ser sempre assim. Usaram e abusaram da técnica nos tempos de Sócrates e agora acreditam que vai ter sucesso.
Se non è vero, è ben trovato
Quem é o autor do plano Varoufakis? Segundo o jornalista da BBC Yannis Koutsomitis o autor é um funcionário que representa a Comissão Europeia na troika.
Costa já capitulou perante a Alemanha.
António Costa diz que a estratégia nacional não pode ignorar negociações na Europa
Numa referência à Grécia, António Costa afirmou que “numa união a 28 não é possível prometer um resultado que depende de negociações com várias instituições, múltiplos governos, de orientações diversas”.
O Syriza que faça o trabalho sujo, que ande a tentar mudar a Europa, que cá o Costa já interiorizou que quem manda é a Alemanha.
Há um mês Costa dizia: “Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha”
O melhor do melhor
Apelo sincero à família Soares
Todos nós temos – ou tivemos, nos casos em que, infelizmente, já nos faleceram – um ou outro familiar que hesitamos em convidar para o casamento de um filho; ora porque baixa as calças durante um discurso sobre a hermenêutica do presunto, ora porque tenta beijar a noiva enquanto coça a virilha pelo bolso e menciona os perigos de um surto de patite B, ora porque bebe demais e se torna agressivo para com desconhecidos na casa funerária, ora ainda porque escreve artigos de opinião no DN com os pés e, eventualmente, sobre os próprios pés. No caso do doutor Soares, seria útil que prescindissem das suas opiniões no DN: não tanto por ele as ter e sim por nós não conseguirmos deixar de olhar para elas, como se olha para um acidentado numa estrada, tentando juntar as peças do puzzle que compõem o corpo do motoqueiro ou, voltando ao caso do doutor Soares, os fragmentos da coerência perdida no ido baú da sanidade.
Esta semana, doutor Soares presenteou-nos com algumas frases memoráveis (no sentido do tio que baixa as calças durante o discurso no casamento) que julgo servirem de prova da total incúria familiar ao permitir que sejam publicadas, como se o doutor Soares fosse um mero professor doutor Adão e Silva. Eis uma pequena selecção:
- …o contraste do imenso calor com o enorme frio faz que, por um lado, haja desmedidas secas e, por outro, enormes frios,…
- Os seres humanos têm morrido de múltiplas maneiras…
- O Parlamento é dominado pela coligação que tem a maioria, é certo.
- A grande maioria dos portugueses foi obrigada a emigrar…
- A diferença entre o período pós–25 de Abril de 1974 e o do atual governo é abissal [é verdade, mas para melhor]
- Em matéria de saúde dos portugueses e sobretudo das crianças tudo vai mal.
- O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, que eu tanto estimo e admiro, e o seu ministro das Finanças, Varoufakis, têm-se mostrado grandes lutadores.
- [Tsipras e Varoufakis] …têm conseguido impor-se a vários países, infelizmente com exceção[sic] de Portugal,…
- A subserviência do governo português relativamente à senhora Merkel e ao senhor Schäuble, hoje tão desacreditados…
(link para artigo completo no DN)
Isto é triste. Parem com este carnaval, que em nada dignifica o grande Eusébio e que se arrisca, num futuro muito longíquo, a ter que partilhar cripta com alguém que será lembrado como o tio altamente inconveniente que baixa as calças nos casamentos.
Um dia bonito
O governo grego vai finalmente dedicar-se a governar a Grécia.
Acabada a tournée
há que regressar a casa. E aí sem o apoio dos fans fica tudo mais complicado: Grécia diz que só amanhã irá entregar carta a Bruxelas.
Por cá o clube de fans do Syriza está a pensar culpar quem por este escolho no caminho que havia de ser radioso do Syriza?
Balança comercial vista pelo Observador
9-2-2015: Défice comercial agrava-se, três anos depois
O resultado foi este: o saldo da balança comercial piorou 925,8 milhões de euros, registando um défice de 10,6 mil milhões de euros no ano passado.
23-2-2015: Saldo da economia portuguesa ainda é positivo mas está a cair
Considerando os serviços, cujo comportamento é positivo, o saldo da balança comercial atingiu os dois mil milhões de euros [positivos].
Nota: 2014 foi o 3º ano consecutivo em que a balança comercial (bens + serviços) foi positiva. Os anos de 2012, 2013 e 2014 foram os únicos de balança comercial positiva desde os anos 40. A 1ª notícia do Observador diz-nos que há défice comercial. A 2ª diz-nos que afinal há superavit, mas que isso não interessa, o que interessa é que o superavit está a descer. E o Observador é possivelmente o jornal mais à direita em Portugal.
Alguém consegue avisar as redacções deste país
que:
a) O Syriza ganhou as eleiçoes na Grécia, não em Portugal nem em Espanha nem em França..
b) o dever do governo de cada país é defender os interesses do seu país não os interesses do Syriza
c) O facto de o PS português se ter solidarizado com o Syriza esquecendo o PASOK e as críticas deste ao Syriza não faz da protecção ao Syriza um desígnio nacional.
2014, ano de excedente comercial
Na semana passada havia órgão de comunicação social que diziam que Portugal tinha tido défice comercial em 2014. Tais dados referiam-se apenas ao bens, em que Portugal sempre foi bastante deficitário. Os dados globais, que incluem bens e serviços, mostram que Portugal em 2014 teve excedente comercial. Isto acontece pelo 3º ano consecutivo. Para alem disso, Portugal teve excedente na balança corrente e de capital, o que implica que não teve que se endividar no exterior em termos líquidos (e globais para toda a economia, pública e privada). Foi portanto o 1º ano desde pelo menos o 25 de Abril de 1974 em que a economia portuguesa cresceu sem se endividar.
Oscar para filme europeu

Maiores sucessos cinematográficos da década: Polónia versus Portugal.
Ontem, em Los Angeles, um filme oriundo da Polónia (população 38 milhões, PIB per capita $15,500), “Ida”, recebeu o Oscar na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. O filme custou 2 milhões de euros e rendeu $10,7 milhões.
O filme com produção portuguesa (população 10,5 milhões, PIB per capita $27,200) mais visto na década, “A Gaiola Dourada”, custou 7 milhões de euros e, em Portugal, rendeu 3,9 milhões de euros.
Portugal (PIB per capita $27,200) tem a mania de se comparar com a Alemanha (PIB per capita $47,200). No cinema, podia começar por se comparar com a Polónia, país mais pobre e com uma lista bem mais impressionante de sucessos de bilheteira que aliam o factor comercial ao artístico. Depois talvez se pudesse ir por aí fora e comparar outras coisas.
Adenda: não vale a pena tentarem ler no texto referências a erário público, seja português, seja francês, seja polaco. É que não está lá escrito. Não está, eu verifiquei.
Tenho uma dúvida
O fascínio e a submissão perante o estilo Varoufakis
que anima muita cabecinha neste país não deixa de ser constrangedora: Marcelo: Portas é um “mini-Varoufakis” e Passos devia aprender com ele
Tenho a certeza que tal como disse isto na TVI amanhã o mesmo Marcelo pode fazer uma palestra de horas sobre os riscos do estilo Varoufakis. É assim o nosso professor Marcelo.
o ópio dos intelectuais
O único texto de Ludwig von Mises traduzido e publicado em Portugal foi o seu célebre artigo de 1926 Interventionismus, publicado em Coimbra, no ano de 1944, com tradução e prefácio do Professor José Joaquim Teixeira Ribeiro, já então professor catedrático de Ciências Jurídico-Económicas da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
No prefácio da edição portuguesa, Teixeira Ribeiro, que contactara Mises para obter a necessária autorização para a publicação do artigo («queremos agradecer a boa vontade com que prontamente acedeu a dar-nos a dar-nos a honra desta tradução»), escreveu algumas coisas merecedoras de referência:
«Este artigo foi publicado pela primeira vez em 1926 (…) e nêle se condensa a crítica mais séria que, do lado liberal, até hoje se moveu à intervenção na vida económica. (…)
Assim: vão corridos 18 anos, entretanto inúmeras políticas económicas se tentaram, poucas com relativo êxito, quasi todas com nítido fracasso – e o Intervencionismus mantém em muitas das suas páginas uma actualidade impressionante: ainda agora, quem quiser defender a intervenção de qualquer Govêrno ou de quaisquer organismos oficiais na economia, há-de afastar primeiro, e um a um, os argumentos de von Mises, ou sujeitar-se – caso contrário – às consequências por êle lucidamente entrevistas (…)».
Vale a pena lembrar que, em 1944, quando Teixeira Ribeiro escreve estas sábias palavras, já o mundo conhecera a aplicação prática de muitas doutrinas políticas e económicas, cujas «políticas económicas» Teixeira Ribeiro considerava de «nítido fracasso» ou de «êxito relativo», como o socialismo bolchevista russo (com o qual, de resto, se inicia o artigo de Mises), o New Deal, o Corporativismo fascista italiano, o Nacional-Socialismo, etc..
O que é mais interessante constatar é que o mesmo Teixeira Ribeiro que escreveu estas tão elogiosas palavras para com as ideias de Mises foi, trinta anos depois, vice-primeiro ministro do V Governo-Provisório, governo de extrema-esquerda chefiado por Vasco Gonçalves. Dá que pensar, não dá?




