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Pequeno dicionário do nosso tempo mediático

22 Fevereiro, 2015

 A crise humanitária. O que distingue a Grécia da Venezuela? A crise humanitária. Ou seja, a Grécia vive, no dizer de muitos jornalistas portugueses, uma crise humanitária. Já a Venezuela, com as prateleiras vazias, presos políticos e uma criminalidade elevadíssima, que por sinal afecta e muito a comunidade portuguesa, vai vivendo com algumas dificuldades, nas quais se inclui aquela coisa mais ou menos folclórica de não terem papel higiénico e o facto de os preservativos custarem uma pequena fortuna. Também temos A austeridade sem esquecer A sensibilidade social mais A fome e As desigualdades. Tudo expressões que não querem dizer propriamente o que parece.

E já agora mais explicações do PS sobre as implicações da sua posição sobre a Grécia?

22 Fevereiro, 2015

Grécia: PS quer mais explicações de Maria Luís Albuquerque

E o governo mais apreciado pelos portugueses é …

22 Fevereiro, 2015

Resultados alcançados pelo Governo português nas negociações no eurogrupo:

1. Reestruturação da dívida ao FMI

2. Clara demarcação da Grécia perante parceiros europeus e mercados

3. taxas de juro a 10 anos de 2,3%

Resultados alcançados pelo governo grego no eurogrupo:

1. Fuga de depósitos dos bancos gregos

2. Corte de rating pela Standard & Poor’s

3. Corte de rating dos bancos gregos pela Moody’s

4. Juros a 10 anos acima de 10% e os juros a 3 anos na casa dos 18%-20%. Cotação da Grécia no mercado de dívida retrocedeu para níveis de 2013.

5. Desconfiança por parte de parceiros e mercado

6. Derrota em toda a linha nas negociações (zero objectivos atingidos)

7. BCE deixou de aceitar dívida grega como colateral

Governo mais apreciado pelos portugueses:

Portugueses apreciam mais o governo grego que o seu próprio

Grécia, equilíbrios macro e qualidade dos equilíbrios micro

21 Fevereiro, 2015

Se bem percebo, neste post, o Pedro Romano diz que existe um ponto de equilíbrio macroeconómico na Grécia de PIB/consumo maiores, sem desequilíbrio da balança externa nem endividamento público adicionais (mas desendividamento mais lento), que pode ser atingido por redução das metas de superavit orçamental.

Sobre o post, deixo aqui alguns comentários:

1. Caso exista um ponto de equilíbrio a PIB/consumo maiores, é necessário explicar porque é que o mercado não o atinge. O que impede a economia privada grega de se financiar para aumentar o PIB por essa via? Se é uma via sem risco, o financiamento para o consumo deveria aparecer. Ou, pelo menos, o actual equilíbrio PIB/consumo é instável e basta um pequeno crescimento do consumo para isso induzir uma espiral de crescimento. Ou um pequeno acréscimo de crédito será suficiente. Porque é que isso não está a acontecer?

2. Supondo que é possível induzir por decisão política um equilíbrio macro de PIB/consumo mais elevado, o que garante que essa indução não vai canibalizar o crescimento normal da economia por um mecanismo como o descrito no ponto 1? Note-se que superavits menores tornam mais incerto o regresso da Grécia aos mercados e aumentam o risco de financiamento da economia privada grega.

3. O fulcro do problema parece ser o seguinte: a economia grega precisa de crédito adicional (ou de menos desendividamento, o  que vai dar ao mesmo) para chegar a um ponto de equilíbrio de PIB/consumo maiores. No entanto, o mercado não está a fornecer esse crédito e o que se propõe é que sejam os contribuintes europeus a dar crédito, não aos empreendedores gregos, mas ao governo grego.

4. Os raciocínio macroeconómicos têm que ser compatíveis com os raciocínios microeconómicos. Falta explicar qual seria o mecanismo microeconómico que geraria o novo equilíbrio macro. Vamos supor que o governo grego passa a ter um superavit menor, em cerca de 2MM. Qual é o mecanismo micro que garante que o dinheiro em excesso na economia privada será dirigido à procura interna fazendo aumentar o PIB grego? O que impede o grego com mais dinheiro no bolso de comprar mais bens importados? Ou o que impede o grego de liquidar dívidas ou de colocar o dinheiro na Suíça? Interessaria perceber como é que este acréscimo de dinheiro na economia seria distribuído. Parece claro que os destinatários deste dinheiro seriam definidos com base nas opções políticas do governo grego e não por critérios de racionalidade económica. Parece também claro que, caso se acredite na tese do equilíbrio macro superior, faria mais sentido o dinheiro ser distribuído não pelo governo grego usando critérios políticos, mas por um fundo de desenvolvimento usando critérios económicos. Note-se que a qualidade da despesa destas duas opções seria muito distinta com impactos muito diferentes na balança comercial.

5. Note-se que o governo grego tem à sua disposição um mecanismo para financiar crescimento, caso exista o tal equilíbrio macro superior: as privatizações. Podem começar por aí.

6. Existem diferentes equilíbrios micro a que correspondem o mesmo equilíbrio macro de PIB/consumo mais elevados. A forma como o equilíbrio macro é atingido não é indiferente para o arranjo micro a que se chega. E diferentes equilíbrios micro, embora possam representar o mesmo PIB, têm diferentes sustentabilidades de longo prazo. Um equilíbrio atingido pelo crescimento natural da economia tem uma qualidade e sustentabilidade, um atingido por indução da despesa pública tem outra qualidade e sustentabilidade. Tenho ideia que os problemas começaram porque se tentou criar equilíbrios artificiais induzidos pela despesa pública.

7. As taxas de juro da Grécia a 10 anos estão a 10%. O mercado, cheio de especuladores e oportunistas, sempre prontos a descobrir bons negócios, não acredita que existe um ponto de equilíbrio para a economia grega a um PIB maior que possa ser atingido com um razoável nível de probabilidade. Se o mercado não acredita, é porque se calhar a tese é muito especulativa. Depende não apenas da vontade política de o fazer mas também da existência e probabilidade do novo equilíbrio macro. A especulação do Pedro Romano de que um equilíbrio macro melhor existe parece só ser atraente para o dinheiro público, ou seja, para quem aposta o dinheiro dos outros.

Os dirigentes socialistas reunidos na cimeira de Madrid

21 Fevereiro, 2015

já fizeram um comunicado a denunciar a fractura social a que conduziu o austericídio?PHOc4f28f5c-b9e4-11e4-806e-78954800f569-805x453

Imagem de hoje. França.

All’s Well That Ends Well

21 Fevereiro, 2015

Tudo está bem quando termina bem.

Os gregos obtiveram uma grande vitória, conseguindo que toda a gente perca mais tempo a designar a troika de forma genérica com “as instituições” – validando o grito de ordem “eu nunca os distingui, troika fora daqui”; também conseguiram garantir que serão ouvidos pela troika por “as instituições” no dia em que tentarem pedir uma revisão da meta acordada, como quando Vitor Gaspar o fez, com sucesso, apesar do tom menos espalhafatoso nas tertúlias televisivas entre progressistas ou, provalmente, com sucesso por isso mesmo, isto apesar dos protestos de João Galamba (PS) que considerou que tal seria apenas “alongar o martírio”. Outra coisa que os gregos conseguiram foi garantir que a troika “as instituições” guardam o fundo de recapitalização da banca grega, não vá o Tsipras entrar numa loja de guloseimas. Em acréscimo, conseguiram voltar a Dezembro de 2014 mas com perspectiva de austeridade por mais tempo e uma enorme desconfiança da parte dos parceiros, o que permite ao eleitor grego uma janela temporal alargada para analisar o significado da expressão “crise humanitária”.

Os restantes países, por sua vez, conseguiram fingir que havia uma negociação séria em curso e conseguiram tratar o ministro Varoufakis com a bonomia com que se trata a criança que não se cala com o presente que o Pai Natal trouxe.

Toda a gente está feliz. Devíamos fazer isto mais vezes.

Grande vitória de Tsipras!

20 Fevereiro, 2015

Pode manter as medidas do governo anterior ou escolher a sua própria austeridade.

Chegou a cavalaria

20 Fevereiro, 2015

No que depender de nós, a Grécia nunca mais estará sozinha numa reunião do Eurogrupo. E vamos consegui-lo já no futuro próximo. Caros concidadãos gregos: aguentem firmes, que vêm reforços a caminho.

Sei que não é muito popular escrever isto

20 Fevereiro, 2015

A última vez que os dirigentes europeus forçaram um dirigente grego a recuar foi em 2011 quando levaram Papandreou a desistir do referendo. Que era jogada do Papandreou, populismo etc.. tudo serviu para que o referendo não seguisse em frente. Resultado? Em 2014 boa parte dos gregos e dos jornalistas europeus continuam a apresentar a Grécia como uma vítima e a achar que algures na Alemanha se esconde um Alves dos Reis que se recusa a imprimir dinheiro para dar aos pobrezinhos.

E nunca teremos romance?

20 Fevereiro, 2015

A propósito da saloice de Cavaco explicada por Clara Ferreira Alves alguém sabe onde se pode encontrar o muito cosmopolita romance de Clara Ferreira Alves E Nunca Teremos Paris? No dizer do PÚBLICO em 2006 o romance já estava há muito anunciado. Ou será que nunca teremos romance? Até podia ser saloio mas sempre havia algo para ler.

Assim não vale!

19 Fevereiro, 2015

Os discursos na primeira pessoa só são válidos para confirmar as teses e opiniões de que a esquerda gosta. Se os protagonistas chegam a outras conclusões logo tratam de o meter na ordem:  figura que escreveu sobre História, nas publicações do Pingo Doce ou pretinho salazarista foram alguns dos mimos com que brindaram Gabriel Mithá Ribeiro.

É só um jeitinho

19 Fevereiro, 2015

Diz Francisco Seixas da Costa:

Nunca mais me esquecerei das palavras espontâneas que ouvimos de Juncker, logo que António Guterres acabou de lhe expor o nosso problema: “António, podes contar comigo a 100%. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para beneficiar Portugal”. E fê-lo, a partir daí, de forma exemplar, passando a defender-nos em todos os contextos possíveis. Não houve Conselho europeu em que Juncker não tivesse estado abertamente ao nosso lado, movimentando-se, além disso, junto de outros parceiros para fazer valer os argumentos portugueses.

Pessoalmente acho lamentável que, numa união, alguém faça o que estiver ao seu alcance para beneficiar quem quer que seja. Presumo que seja um problema meu e, portanto, uma característica desejável no socialismo do favorzinho.

Apostas a feijões

19 Fevereiro, 2015

Como não há eleitores de primeira e de segunda

19 Fevereiro, 2015

Presume-se que a UE passará a dedicar a cada país o mesmo tempo que à Grécia sempre que tiverem lugar as respectivas eleições legislativas. Ou vão dizer que para esse tratamento de favor tal é necessário ganhar a esquerda radical?

Ps. A propósito que silêncio vai na pátria sobre o que sucede em França. Nem um forunzinho, nem um debate…

Ao pé deste homem a Catarina Martins é um ás da política!

19 Fevereiro, 2015

 À esquerda e à direita, os deputados perguntaram pelas propostas do PS, mas Alberto Costa disse não querer “perturbar a avaliação” dos eleitores e remeteu a apresentação de ideias para mais tarde.

Charlienismo selectivo

18 Fevereiro, 2015

Deve falar-se de pobreza não a tendo vivido? E tendo vivido e superado, pode-se referir tal coisa num artigo, como relato?

Ou, de outra forma, deve falar-se de aborto não o tendo realizado? Pode referir-se a experiência de abortar quando tal era ilegal com intenção de consciencializar para a necessidade da legalização?

Ou, de outra forma, deve falar-se de adopção gay não a tendo vivido em criança? Pode referir-se a experiência de se ter crescido em lar com casal do mesmo sexo com a intenção de consciencializar para a necessidade da legalização?

Pode substituir-se “deve” por “pode” nos parágrafos anteriores? Qual das três situações é Charlie? A esquerda Jimmy Choo parece ter ideias bem definidas do que se pode e do que se deve. A minha conclusão é que a pobreza só é fracturante nos moldes que os profissionais da fractura definirem.

Ideias de António Costa para o país

18 Fevereiro, 2015

Actualmente é possível obter um visto gold em Portugal investindo 500 mil euros. O investidor recebe o visto e usufrui do seu investimento. Se comprar uma casa pode usufruir dessa casa ou do rendimento dessa casa. Se abrir um negócio pode gerir esse negócio e usufruir dos rendimentos desse negócio. António Costa propõe-se atrair investidores com os vistos gold para que o investimento reverta para um fundo a gerir pelo IAPMEI. O fundo seria usado para recapitalizar empresas endividadas. Portanto, em troca de um visto gold o investidor estrangeiro terá o privilégio de ver o seu dinheiro gerido por um fundo que investe em empresas endividadas. Não é claro se o investidor estrangeiro poderá alguma vez reaver o dinheiro nem em que condições.

Os criadores de mercados de arrendamento-eleitoral

18 Fevereiro, 2015
A empresa que gere os bairros municipais de Lisboa (Gebalis) acumulou até 2010 18,3 milhões de euros de rendas por pagar, segundo dados recolhidos pelo pelouro da Habitação.
No final de Abril de 2010 mais de 10 mil famílias deviam rendas à Gebalis, que gere um total de 23.399 fogos.
Quase metade dos moradores dos bairros municipais de Lisboa têm rendas em atraso e um em cada quatro tem atrasos de meio ano nos pagamentos,

A autarquia gasta por ano 75 milhões de euros para suportar a diferença entre a renda social e a renda técnica das 23 mil casas municipais
No Bairro Eduardo Bairrada (Ajuda), quase metade (47,7%) das famílias tem rendas em atraso.As pessoas que moram nos bairros municipais de Lisboa pagam, em média, 86,12 euros de renda por mês.

Um inquérito recente realizado pela Gebalis revelou que a esmagadora maioria dessas pessoas não tem intenção de mudar de casa – e as que têm (10,7%) só admitem a hipótese de se mudar para outro bairro social.

Os criadores de mercados

18 Fevereiro, 2015

Os socialistas apresentam mais uma medida no debate da tarde: que até 10% das aplicações do Fundo de Estabilização da Segurança Social sirva para comprar casas devolutas ou de famílias em risco de insolvência. O deputado socialista Pedro Nuno Santos defendeu a “diversificação das aplicações do Fundo de Estabilização da Segurança Social, mobilizando uma parte – não superior a 10% – para a aquisição e reabilitação de fogos devolutos e de fogos de famílias em risco de insolvência que serviriam para criar um mercado de renda acessível”.

a) O FEFSS tem uma exposição à dívida pública portuguesa de 90 por cento. Segundo as projecções inscritas no Orçamento do Estado para 2013, o governo que estiver em funções no ano de 2020 já terá de recorrer ao Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) para conseguir assegurar o pagamento das pensões.
Com um investimento desta natureza o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) tornar-se-ia numa espécie empresa pública de gestão de casas sociais. Que nunca serão rentáveis – logo ou o fundo assume perdas ou o dinheiro vem de imposto ou das contribuições dos trabalhadores e seus patrões. Portanto quem paga?

b) Compradas pelo FEFSS as casas das famílias em risco de insolvência que tipo de contrato faria o Fundo de Estabilização da Segurança Social com essas famílias? Está previsto que mediante um contrato de compra/venda deixem as casas quando deixarem de estar em risco de insolvência ou parte-se do princípio que serão insolventes toda a vida?

um outro olhar

18 Fevereiro, 2015
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António Costa apresentou, hoje, umas propostas para tentar suavizar o pagamento do IRC das empresas. O governo reagiu-lhes negativamente.

Este é o mesmo António Costa que há precisamente dezasseis dias recusava a proposta do mesmo governo de baixar o mesmíssimo IRC, alegando que o governo demonstrava ter uma visão «isolada e parcelar sobre o sistema fiscal», em vez de um «olhar global e de conjunto», que seria o seu. Está visto que sim.

mais uma vitória da revolução grega

18 Fevereiro, 2015
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Esta: afinal, não vai haver aumento do salário mínimo para € 750,00 na Grécia. Trata-se de uma excelente notícia para os trabalhadores gregos, que assim evitam o alto risco de despedimentos em massa e que vão poder continuar a ser contratados pelos salários de mercado, os que algumas empresas podem pagar e que eles estão dispostos a aceitar. Não sei se isto se enquadra, ou não, na economia varoufakiseana, mas parece-me que o seu mentor, o ministro das finanças Yanis Varoufakis, tem aprendido mais de economia nas últimas três semanas do que nos últimos vinte anos de vida: nada como ter que pagar contas ao fim do mês, para perceber o que ela custa…

 

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Interesse de Portugal

18 Fevereiro, 2015

Qual é o interesse de Portugal no contexto em que a Grécia pede mais dinheiro ao mesmo tempo que anuncia que pretende reverter todas as reformas feitas até ao momento?

É do interesse de Portugal ser visto por parceiros e investidores como uma anti-grécia: um país que cumpre as suas obrigações financeiras, que mantém as reformas feitas, que não está à espera de benesses. É também do interesse de Portugal aproveitar os juros baixos para reestruturar a dívida no mercado, trocando empréstimos a taxas elevadas por empréstimos a taxas mais baixas. É do interesse de Portugal ter margem política para poder exigir aos seus parceiros concessões porque cumpriu as suas obrigações.

devem os deputados exercer os seus cargos em exclusividade?

18 Fevereiro, 2015
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É o tema em debate, hoje, no Fórum TSF. Apenas uma achega, sobretudo remetida aos puristas da transparência política: impeçam os senhores deputados de ganhar uns dinheiros cá por fora e verão o que a maioria deles fará com o poder e a influência que o cargo lhes confere.

Syriza e as reformas estruturais na Grécia

18 Fevereiro, 2015

Quando se elogia as reformas e a consolidação orçamental grega convém ter em conta as propostas do Syriza:

1. Aumento do salário mínimo para 751€

2. Eliminação do salário mínimo reduzido para jovens (desemprego jovem é de mais de 50%)

3. Eliminação do imposto sobre propriedade (2 mil milhões de euros)

4. Reposição da contratação colectiva

5. Reabertura da TV pública

6. Recontratação de funcionários públicos despedidos

7. Reposição do 13º mês para reformados

8. Congelamento das privatizações.

É difícil levar a sério a ideia de que a Grécia foi muito reformista, e por isso devemos ser muito tolerantes com a Grécia, quando o novo governo pretende reverter as principais reformas feitas ou prometidas em anteriores acordos.

Os gregos que ajudem a Grécia

18 Fevereiro, 2015

O PIB per capita da Grécia é aproximadamente igual ao PIB de Portugal. Quanto a mim, esta é razão suficiente para Portugal não ajudar a Grécia. A Grécia tem os mesmos recursos per capita de Portugal e se nós nos sabemos organizar com esse dinheiro os gregos também têm que se saber organizar. O Pedro Romano defende que o que conta não é o PIB per capita mas o sentimento de perda que os gregos têm por terem perdido rendimento per capita. Devo dizer que esse argumento não me impressiona. Não estou disposto a ajudar os gregos só porque eles agora ganham o mesmo que eu e se sentem mal porque em tempos ganharam mais do que eu. Não me convence a mim nem deverá convencer ninguém. Se não acreditam façam um peditório para ajudar a Grécia com base neste argumento. Vamos ver quem contribui.

O Pedro Romano alega ainda que o desemprego na Grécia é elevado e que as perdas para os desempregados foram colossais. É bem verdade. Mas isso também quer dizer que, dado que o PIB per capita é igual ao português, quem tem emprego na Grécia ainda tem um rendimento superior a quem tem emprego em Portugal. Quer-me parecer que quem deve ajudar os desempregados gregos são, em primeiro lugar, os empregados gregos. Socialismo funciona melhor se cada um pagar o seu socialismo, Aliás, não vejo por que motivo haveríamos de ser sensíveis ao desemprego na Grécia quando o programa do Syriza, votado pelos gregos, prevê o aumento do salário mínimo e o reforço das regras da contratação colectiva, medidas que só podem criar desemprego.

O que nos leva a outro ponto do Pedro Romano: a Grécia terá feito reformas significativas. Dando de barato que as tenha feito, todo o programa do Syriza consiste em reverter essas reformas. Ou seja, por muito boa vontade que a Europa tenha em ajudar a Grécia, é impossível fazê-lo se os gregos não querem ajudar-se a si próprios.

A vida são dois dias, o Carnaval são três e bora lá fazer de conta que ninguém leva a mal

18 Fevereiro, 2015

Não há Carnaval sem mascarados de freiras. Alguém imagina a Igreja Católica a ameaçar quem quer que fosse por desfilar nestes propósitos?
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Pois é. Agora digam-me lá quantas pessoas se disfarçaram de religiosos islâmicos ou de Maomé? Em Colónia proibiu-se até uma faixa de apoio ao Charlie Hebdo.

Missiva com manchas de feta

18 Fevereiro, 2015

Querida ex-mulher,

Como sabes, a minha relação contigo terminou de forma irrevogável. Tu és a culpada por tudo o que aconteceu, ao deixares que gastasse dinheiro na mota que acabou por me levar à porta do hotel onde engravidei a babysitter dos nossos filhos, babysitter que tu quiseste contratar à minha revelia já que queria ter usado o dinheiro para aquele fim-de-semana com os meus amigos em Benidorm durante as férias escolares das bifas.

Tu sabias bem o que querias, quando me deste o Porsche, que era originar em mim a inevitável ida para a porta da escola secundária para provares que eu podia desgraçar a vida a uma adolescente impressionável e com isso obteres margem para me extorquir a lavagem da louça na sexta à noite, que querias passar com as pindéricas das tuas amigas a fazer sabe Deus o quê, enquanto eu tinha que ficar com os ranhosos dos teus filhos (que eu adoro, não haja dúvidas) apesar de saberes da minha falta de jeito para ligar o forno para os alimentar com a pizza congelada que compraste de manhã.

E isto não é nada. Fizeste bem pior ao aceitar aquele part-time para me financiares o curso que sabias que queria, o mestrado em antropologia sociológica e história económica, curso que não pude acabar com a tua sistemática falta de consideração para recusares sessões de estudo com a Rita só porque é também a tua cama e os meninos estão logo ali ao lado e sei lá que mais desculpas esfarrapadas para boicotares a minha possibilidade de sucesso.

Sim, acabamos, é irrevogável, não quero mais viver nesta casa nem saber desta vida nojenta com os teus filhos sebosos (que adoro, não tenhas dúvidas). Não esperes é que a tua obrigação sexual para comigo acabe só porque a relação acabou. Ou me dás o sexo todo que eu quiser ou terei que contagiar um monte de desconhecidas com SIDA e tu, pela solidariedade, não irias querer isso. Sê flexível e vamos lá, que isto não é uma brincadeira de crianças.

Logo à noite apareço.

um verdadeiro artista

17 Fevereiro, 2015
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Depois de intransigentemente ter abandonado as negociações com a troika, aceitando negociar somente com o FMI, o BCE e a Comissão Europeia, Alexis Tsirpas, o novo «ai-jesus» das meninas do Bloco, averbou mais uma incrível vitória política sobre as forças retrógradas e austeritárias, ao obrigar hoje o Eurogrupo a ceder em toda a linha face à vil chantagem com que ontem ameaçou a Grécia. Na verdade, Tsipras acaba de anunciar que o seu governo continua sem aceitar uma «extensão do programa de ajuda», mas que estará disponível para uma «extensão do empréstimo», coisas muito distintas entre si e todas as outras, como qualquer um pode ver. Não restam dúvidas de que Tsipras veio para nos divertir. Que fique por cá muitos e bons anos.

Digam ao Tsipras que o tempo dele esgotou. Agora o problema é outro e bem grande. Chama-se França.

17 Fevereiro, 2015

O governo francês tem tentado liberalizar alguns sectores fortemente regulamentados da economia francesa. É a chamada Lei Macron. Sendo que só o termo liberalizar é susceptível de causar um tumulto naquele país.

Hoje o PM Manuel Valls para evitar ver este projecto chumbado recorreu ao artigo 49.3 da Constituição que permite ao governo francês fazer passar um projecto-lei se que ele seja votado.

Como deve a UE lidar com free riders?

17 Fevereiro, 2015

Mas então que união europeia é esta que não é solidária com os gregos?

O que se pede à União Europeia é que a Eslováquia (salário mínimo de 380€) seja solidária com a Grécia (onde o Syriza prometeu um salário mínimo de 750€).

Por que é que a Eslováquia haveria de ser solidária para com um país como a Grécia que é mais rico e que ao longo dos anos violou gravemente as regras da união? Não se deveria antes exigir aos gregos solidariedade para com a Eslováquia?

Por que é que a Eslováquia emprestou dinheiro à Grécia a taxas inferiores àquelas que a própria Eslováquia pagava?

Tem a Eslováquia alguma obrigação de assegurar aos gregos um nível de vida superior ao seu, mesmo que os gregos não respeitem nenhuma regra e ameacem todos os dias violar os compromissos assumidos com a Eslováquia?

Pode uma união sobreviver sem punir exemplarmente o tipo de free riding que os gregos têm adoptado?

Boa sorte

17 Fevereiro, 2015

A Grécia tem neste momento 2 problemas: 1. como financiar a sua actividade normal; 2. como meter a economia a funcionar. Para qualquer um destes problemas o Syriza constitui neste momento o principal obstáculo. Para se financiar, o Estado grego precisa de um empréstimo da União Europeia, mas não está disposto a dar as contrapartidas que a UE exige. Na verdade, é cada vez mais evidente que o Syriza não pretende cumprir nenhum compromisso que venha a assinar, e os credores já perceberm isso. Para que a economia grega funcione, os gregos precisam de mais capitalismo. Mais capital estrangeiro, mais liberdade no mercado laboral, menos recursos alocados ao Estado, mais financiamento bancário mais confiança nas contas públicas. O programa do Syriza aponta na direcção contrária. Mais restrições laborais, nacionalizações, mais despesa pública, mais funcionários públicos. Um programa que intimida o investimento estrangeiro e seca o crédito. O principal indicador de que as coisas estão a correr muito mal na Grécia é o contraste entre o apoio à estratégia do Syriza (mais de 80% em algumas sondagens) e a fuga dos depósitos bancários (mais de 20 mil milhões em 2 meses). Os gregos acreditam na estratégia do Syriza de sacar dinheiro à União Europeia, mas não apostam o próprio dinheiro no futuro da Grécia.

Pobreza? Tenham decência, nem sabem do que estão a falar

17 Fevereiro, 2015

Gabriel Mithá Ribeiro:Tirando raros familiares e amigos íntimos, nunca levámos ninguém de fora a visitar-nos na barraca. Por mais de meia vida omiti o assunto de mim mesmo e de amigos e colegas de escola ou de trabalho. Os há muito íntimos, a minha mulher e o meu filho, souberam quando falei pela primeira vez publicamente do assunto em 2013. A miséria só não dói na boca dos outros. Por isso escapamos dela em silêncio. Também por isso, e se as pessoas é que contam, a pobreza jamais deveria ser politicamente instrumentalizada, por vezes a roçar o boçal.

A ler. Absolutamente.

Dracma sem dracma

16 Fevereiro, 2015

Não faltam propostas de planos B para a Grécia. Uma das mais curiosas é a emissão, pelo Governo grego, de IOUs transaccionáveis para financiar o fim da austeridade: pagar pensões ou salários da função pública ou a fornecedores do estado em títulos de dívida sem juros e sem data de reembolso, mas que funcionariam como uma espécie de moeda paralela que apenas serviria para pagar impostos futuros, sem prejuízo de poder ser voluntariamente aceite para pagar outras coisas (impor a sua aceitação para outros fins seria contrário às regras comunitárias), mantendo o euro como moeda oficial. A ler, aqui e aqui. Tenho dúvidas que o apoio popular ao Syriza se mantivesse caso este plano viesse a ser adoptado, mas já vi ideias mais estranhas. Afinal, forçar um empréstimos dos gregos sempre seria mais fácil do que convencer os parceiros europeus a um empréstimo voluntário.

e antónio costa?

16 Fevereiro, 2015
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Solidariza-se e apoia a intransigência do governo grego liderado pelo Syriza, cuja vitória ele assinalou como um importante «sinal de mudança», ao qual «é importante que outros países europeus deem força», ou com a deliberação hoje unanimemente tomada pelos restantes países do Eurogrupo, entre os quais estão a França e a Itália, dois países governados por partidos socialistas homólogos daquele que António Costa lidera? Onde reside, afinal, o coração do socialismo europeu, em Atenas ou em Paris e Roma? António Costa precisa de nos esclarecer. No fim de contas, ele poderá vir a ser primeiro-ministro de Portugal ainda durante este ano.

O Carnaval

16 Fevereiro, 2015

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O Carnaval é a festa da extravagância com elementos circenses de origem pagã que marca o início da Quaresma, época de penitência, arrependimento, oração, jejum e expiação. Na Grécia, o Carnaval é conhecido por Apokriés ou “o adeus à carne”.

Tsipras, Varoufakis e o que restar do Syriza após os festejos desta semana estão apenas a marcar o início do adeus à carne para a longa Quaresma grega do asceticismo austeritário que se avizinha.

Ou, como poderia dizer uma caricatura de Keynes da moda, a vida é curta e depois do Carnaval estamos todos mortos.

um povo feliz

16 Fevereiro, 2015
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São muitas as vantagens da soberania plena de um povo e de um país, neste mundo globalizado onde infelizmente vivemos. Uma delas, certamente a mais importante, é a da plena responsabilidade pelas suas decisões, nas quais mais ninguém se pode imiscuir. Foi exactamente essa oportunidade que o Eurogrupo acaba de oferecer à Grécia, a de manifestar a sua soberania e de seguir o caminho que lhe for mais conveniente. Povo feliz, aquele a quem os seus dirigentes proporcionam ocasiões de tão exacerbado patriotismo!

Os sacanóides dos alemães

16 Fevereiro, 2015
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ComIntDENos últimos dias, logo após a divulgação pelo INE dos números do comércio externo de bens relativos a 2014, a nossa imprensa foi debitando um chorrilho de barbaridades, numa mescla de ignorância alarve com o habitual primarismo anti-germânico.

O roubo do crescimento foi a “cereja no bolo” numa variedade de artigos e “análises”, todos imputando à Alemanha a responsabilidade (exclusiva?) pelo agravamento do défice de mercadorias. Que me recorde, ninguém atribuiu o mínimo efeito ao tão desejado, incensado e salvífico aumento da procura interna. Desde que a Alemanha apareça como “parte activa” do negócio, não há vilania que não se lhe impute. Então se for “ganhadora”, é certo e sabido que estamos perante um crime de lesa-humanidade. Ler mais…

Sai, saiu, sairá, sairia, saisse, sair, saira, saindo…

16 Fevereiro, 2015

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Vamos lá a ter juízo

16 Fevereiro, 2015

A UE tem mais que fazer que viver centrada na Grécia. Temos uma guerra na Ucrânia. Um problema sério de terrorismo na UE e nas suas portas. Ninguém tem culpa que o Syriza se tenha apresentado a eleições a contar com o dinheiro dos outros e considerando que também ia mandar nos contribuintes dos outros países. Assim após semanas a servirem de palco para a performance dos novos governentes da Grécia, há que exigir aos governos da UE que deixem de andar a reboque dos humores de Tsipras e seus ministros e tratem dos problemas dos seus países. O governo grego como os meninos mimados sofre de excesso de atenção. Mas esse não é o nosso problema.

Filhos e enteados

15 Fevereiro, 2015

Que o Benfica tenha construído, segundo revela o Público, a partir de 2004 (note-se que foi em 2004, no meio de Lisboa, não foi no Algarve dos anos 80, nem na Brandoa dos anos anos 70 do século passado), sem respeitar o alvará de loteamento, dois espaços comerciais, um equipamento desportivo, um balneário, duas bilheteiras e o edifício que alberga as piscinas, o pavilhão e o museu é por si mesmo espantoso. Tão espantoso que se aguardam esclarecimentos dos presidentes da CML durante esse período: Santana Lopes, Carmona Rodrigues e António Costa deverão explicar como foi isto possível.