Pandemia: gripe das galinhas

Uma mulher comum, circa 2015.
Olhem para este indivíduo na fotografia. O seu nome é Hans von Strumpf Verkehrsunfall e é uma mulher. A identidade de género é tão subjectiva para o observador incauto – aquele inculto que associa a presença de uma vagina à identificação subjectivamente pessoal do que é ser mulher – como é o valor da vida humana. Sim, a vida não tem preço e estamos dispostos a matar à paulada quem não entender isso, porque é importante fazer com que nos entendam, pelo valor incalculável da vida humana. Porém, a grande maioria dos adeptos da vida humana não ter preço nunca se cansam marchar pela morte de um tipo enquanto ignoram a morte de 20.000 mesmo ao lado. O que faz sentido e é natural: algo que vale infinito vale tanto como 20.000 vezes infinito. A indignação é entretenimento burguês, já diria um marxista de pérolas, e é mesmo assim: hoje é hepatite C, amanhã é a gripe das aves, no dia a seguir é a gravidez interrompida da lésbica piropada que afinal não-tem-vagina-mas-isso-não-é-impeditivo-para-a-condição-de-mulher-com-testículos-peludos.
…
O SNS é uma aberração porque, incrivelmente, funciona. E funciona apesar de ser gerido publicamente e não, precisamente, por ser gerido por burocratas e sindicalistas sob a forma de bastonários que o usam meramente como utentes-peões no jogo de caça ao voto. Podem espernear o que quiserem: amanhã já nem querem saber, que têm uma consulta nada demagógica para entrarem na lista de espera das bandas gástricas no SNS que o Passos Coelho matou.
24 horas
António Costa congratulou-se com o acordo obtido pelo Ministério da Saúde com a famaceutica fornecedora do medicamento para a hepatite b, mas lamentou o tempo perdido num caso que poderia ter sido resolvido em 24 horas.
Ora, também muito eleitor que ficou satisfeito com a eleição de Costa para a liderança do PS deve estar agora a lamentar que ele, até agora, nada tenha dito sobre o que pretende fazer se alguma vez chefiar o governo do país. É coisa que em 24 horas também poderia ser esclarecida. Até em menos do que isso, para quem tenha meia-dúzia de ideias bem ordenadas na cabeça.
Devíamos apoiar a Grécia
Devíamos apoiar a Grécia.
Porém, cá em Portugal, a nível institucional, andamos a criticar a decisão unilateral da Grécia se atirar de um precipício, como fazem as pessoas metediças quando alguém decide atirar-se do telhado de um edifício, e que, como que incomodados pelo espectacular estrondo e quase inverosímil rombo na calçada em memorial permanente de cimento avermelhado, impedem um importante happening de arte conceptual. Ninguém apoia as artes em Portugal.
Devíamos apoiar a Grécia.
– ’Tá boa, ó Aristoteles!
– Tu é que planas por entre os fluidos urbanos, ó Arquimedes!
– Mergulha aí em escaleno, ó Pitágoras!
– 30 andares de queda é para meninos, ó Sócrates!
Devíamos apoiar a Grécia.
Vai a Évora, Tsipras. Olha as botas de cano baixo, Varoufakis.
Devíamos apoiar a Grécia.
Vai, filho, vai lá ser cantor, vai realizar o teu sonho de seres a próxima Shakira, Shakira, uh-um, uh-um. Se as coisas derem para o torto podes sempre contar com o meu apoio paternal e uma vassoura na barbearia do tio Afonso. Salta. Salta.
Devíamos apoiar a Grécia.
Toda a gente morre só, nem que num acidente de avião ou na grande purga de traidores do partido. Vai, Grécia, vai. Vai, salta.
Devíamos apoiar a Grécia
Eu apoio-te, Grécia. Depois manda dinheiro.
Conhecer melhor a sociedade do conhecimento
A Grécia vista doutra perspectiva
Teoria dos jogos
A Albânia espera por vós!
Desaguisado com os camaradas soviéticos, assim como assim sem contar com grande generosidade por parte do camarada Mao e naturalmente abominando o capitalismo, o camarada Enver Hoxa fez da República Popular da Albânia um país absolutamente soberano: não recebia ordens de ninguém e não pedia nada.
O Camarada Tsipras tem pois que optar: ou se rende ao capitalismo ou segue a sua via socialista como o bendito Enver. Agora este querer viver como os americanos aposentados na Florida socialisticamente pago pelos demais europeus é que não pode ser. Camaradas da Praça Syntagma por estranho que vos possa parecer querer viver de punho erguido e receber a propina no fim do mês é que não pode ser.
da soberania
Uma das facetas mais importantes da soberania – talvez mesmo aquela que mais a marca – é a de podermos tomar livremente as nossas decisões e de sermos capazes de arcar com a responsabilidade das suas consequências. Isto aplica-se tanto a uma pessoa, como a uma sociedade, uma organização ou a um país.
Assim sendo, alguma coisa não bate certo no discurso inflamado e soberanista dos protagonistas maiores do Syriza, principalmente do seu líder e actual primeiro-ministro grego Alexis Tsipras e do ministro das finanças Yanis Varoufakis. Se, de facto, proclamaram e anunciaram o regresso da Grécia à soberania plena («A Grécia não aceitará mais ordens»), que raio andam eles a fazer pelas chancelarias europeias, a começar pela Alemanha? O que pretendem eles desta gente, que o soberano povo grego lhes não possa dar?
Se fossem professores o Mário Nogueira já estava nas televisões a dizer que ia pedir uma providência cautelar contra a prova
Estranho país este em que os árbitros acham normal fazer provas escritas e os professores não. Mais estranhamente ainda os representantes dos árbitros quando estes chumbam na prova escrita dizem que “É uma situação que acontece, todos temos dias menos bons e momentos de desconcentração. Naturalmente que, no seu último ano e no seu último teste, esta é uma marca que o Olegário não gostaria de ter. Agora, há que repetir o teste” enquanto os representantes dos professores vêem na realização de uma prova escrita uma afronta.
Próxima viagem de Tsipras com vista à angariação de novas condições de financiamento do seu programa
Então, vamos negociar.
Acabar com a austeridade → Não precisamos de mais dinheiro → Não queremos a Troika → Não é “não pagar”, é pagar quando pudermos → Pagamos mas só se crescermos → Pagamos tudo mas precisamos de mais tempo → Precisamos de dinheiro mas só até podermos ver como vamos fazer → OK, nós cumprimos 67% do acordado, mantendo a austeridade necessária → OK, mantém-se o resgate, pronto → Mandem mais dinheiro → Por favor, mandem a Troika regressar → SALVEM-NOS, FAZEMOS TUDO.
Está feita a negociação.
pescadinha
Segundo o sempre bem informado e clarividente jornal Público, António Costa «clarificou finalmente… a sua posição sobre a necessidade de renegociar a dívida pública portuguesa». E o que diz, então, António Costa neste sobre-humano esforço esclarecedor? Vejamos:
Ok, muito bem. E, então, como é que se faz para «alcançar esse equilíbrio»? Esclarece Costa:
«Depende de diferentes variáveis».
E quais são elas? As que se seguem:
1º «Pode ser efectivamente por uma redução da dívida»;
2º «do serviço da dívida pela redução das taxas de juro» («Isso o BCE tem assegurado», acrescenta);
3º «Pode ser teoricamente sobre o montante do capital em dívida»;
4º «pode ser também por via do aumento dos recursos de liquidez para investimento seja pelos mecanismos da quantitative easing» (isso o BCE também já assegurou, certo?);
5º «por um reforço das transferências comunitárias» (mais massa? vinda donde? outra vez da troika?);
6º «ou por um outro mecanismo».
Em síntese: 1º redução das taxas de juro (já está); 2º aumento da liquidez na UE (já vem a caminho, ok?); 3º redução do capital em dívida (mas que Costa recusa, não é verdade?); 4º Qualquer outro mecanismo. Confesso a minha preferência por este último.
Notável, não é? Depois, queixem-se.
De volta ao Excel

Durante o primeiro ano do governo de Passos Coelho, uma crítica frequente feita pelos recém-falidores era a preponderância de Vítor Gaspar na actividade governativa, encarada na altura como uma sobrevaloração economicista, o primado das finanças sobre a vida das pessoas. “As pessoas não são números” e, posteriormente, “o mundo não é o Excel”. Havia, inclusivamente, quem advogasse que o ministério das finanças existe para passar cheques aos outros ministérios, os ministérios das pessoas e da primazia da vontade humana sobre os números.
Para mim é reconfortante verificar que Varoufakis, em pouco mais que uma semana, tornou-se o centro das atenções em detrimento de Tsipras, o primeiro-ministro talhado para uma existência Rui Tavares desde pequenino. Mais reconfortante será verificar a inevitabilidade da aceitação pelos luso-falidores do Excel como ferramenta bem mais importante para a realidade que qualquer desvario sacado do dicionário de citações de Gramsci. Ninguém deposita mais esperança em Varoufakis, o ministro das finanças, que a esquerda dos unicórnios.
A propósito da saúde que não tem preço e do preço da saúde
fiz há algum tempo esta entrevista a Pedro Pita Barros para o Observador. Naturalmente falámos dos custos dos tratamentos da hepatite c
de heroi a vilão?
Como reagirá a esquerda portuguesa, em particular o recém-syrizado PS, a esta decisão de Mario Draghi?
não basta
Por razões de natureza essencialmente ideológica, o estado português insiste em manter um Serviço Nacional de Saúde universal e praticamente gratuito. A ideia é generosa, como são quase todas as que consubstanciam a filosofia do estado social. Afinal de contas, quem não gostaria de ter saúde, educação, habitação e trabalho garantidos, de boa qualidade e a custos directos e indirectos baixos? Só que, quem conhece os custos reais das entidades prestadoras desses serviços. sabe que eles incluem pesados custos de má gestão e de ineficiência próprias dos serviços públicos, onde verdadeiramente não há patrão e ninguém responde por prejuízos, a não ser o contribuinte. No caso da saúde, a situação é mais grave, porque, graças ao SNS, o estado habituou, durante décadas, as pessoas a prescindirem de seguros de saúde e de precaverem outros meios para cuidarem de si, levando-as a acreditar que estão seguras nas suas mãos. Agora, e apesar dos esforços e da competência de muitos dos seus operadores, o SNS não consegue sequer evitar que as pessoas morram em catadupa nas urgências dos seus hospitais, ou por falta de médicos, ou por falta de medicamentos, ou por falta de organização, ou por falta de tudo isto simultaneamente. Só quem não passou, nos últimos anos, por um serviço de urgências de um hospital público poderá ignorar as condições esforçadas mas deprimentes em que doentes graves e pessoas de idade são, ou melhor, não são tratadas. Em face do descalabro em que entrou o sistema, o ministro da tutela desculpou-se com um acréscimo anormal de consultas, provocado por um surto, também ele anormal, dessa gravíssima doença que é a gripe de inverno! E, em forma de compensar algumas mortes de pacientes, anunciou que vai abrir inquéritos. Não basta. A saúde e a vida das pessoas não são o Citius e o colapso do sistema público de saúde não é o mesmo que o colapso do sistema informático do Ministério da Justiça. É preciso saber quem é responsável pela morte destas pessoas e tirar daí consequências.
corrupção
Organizado pelo Instituto Mises – Portugal e a Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Porto. Quarta-feira, dia 11 de fevereiro, pelas 19:00.
Hypnos
O dia em que o regime acabou começou normalmente, com mais um longo texto de Cavaco Silva, ex-Presidente da República e actual Conselheiro de Estado, publicado, como habitualmente, no Diário de Notícias.
O juiz C. A. que se cuide. Por muito menos mataram o rei D. Carlos.
Ninguém esperava que milhares de Charlies inundassem a rua, como peixinhos na Av. da Liberdade, nadando livres para o fim da austeridade. A democracia implica responsabilidade: um país onde um ex-Presidente ameaça um juiz é um país cujas instituições democráticas estão minadas.
O regime acabou e a austeridade também.
Trrrrrrrriiiiiimmmmmmmm…
Ai admite, admite
À SIC José Sócrates respodeu: Tínhamos de acabar aqui: no meu “estilo de vida”, que dizem “dispendioso”, na crítica de costumes e no julgamento moral que inspira desde o início toda a campanha do “Correio da Manhã” contra mim. Não admito, nem alimento, esses julgamentos. Nem sequer para comentar a mesquinhez dos que acham que é um “luxo” tirar um mestrado em Sciences Po ou ter filhos a estudar numa escola estrangeira.
Pois é mas quer queira quer não tem de admitir que é julgado moralmente. A moral existe. E independentemente de vir a ser provado algo do foro criminal o estilo de vida de José Sócrates não é compatível com o desempenho de cargos políticos. Político algum pode viver dessa pedinchice a um amigo e ter um estilo de vida que não consegue sustentar com os seus rendimentos. A moral existe. O bom senso também. E se os tivesse tido em conta muitos problemas se teriam evitado.
Isto anda tudo trocado
Creio que houve um enorme equívoco nas eleições gregas: alguém tem de explicar ao Syriza que foi eleito para governar a Grécia e não o dinheiro dos contribuintes dos outros países. Aliás além da contratação das empregadas da limpeza, do aumento do salário mínimo e da electricidade à borla (tudo coisas a pagar pelos do costume) o que já decidiu o governo grego para ser feito pelos gregos?
Problemas do foro da liquidez
Primeiro capítulo – da falta de
- Varoufakis diz que a Grécia não tem um problema de liquidez.
- Sócrates diz que “ter tido dificuldades de liquidez num certo período da minha vida não significa que não tivesse um horizonte financeiro, pessoal e familiar, compatível com o nível de despesas”.
Segundo capítulo – e isso é líquido
- Veroufakis continua à procura de alguém que financie a despesa grega só porque sim.
- Sócrates está preso.
Eles já estão aí
Até há pouco, falava-se do perigo de um qualquer partido extremista, nacionalista e soberanista alcançar o poder por via eleitoral num país da União Europeia. O que provavelmente ninguém contava é que não viesse da extrema-direita, mas sim da extrema-esquerda. E com isso o «tabu» está desfeito. Se à partida se pensava (ou se deixava nas entrelinhas) que uma vitória nacionalista poderia ser um impecilho e suscitar uma imediata rejeição ao nível da UE, afinal os eleitorados na Europa podem constatar que não se passa nada disso. Em muito sectores tal obtenção do poder por uma nova corrente de nacionalistas é mesmo apreciada. O que não deixará certamente de ter repercussões nas eleições que se avizinham em alguns estados europeus. Outros virão reinvidicar também a sua soberania para impedir fazer o que agora a esquerda radical grega pretende.
O multiculturalismo também inclui respeitar esta gente?
A patetice é um problema incurável
Xerife de Nottingham
Sabemos que não há alternativas quando, em total desespero de causa, socialistas de diferentes partidos apresentam a patética receita que genericamente consiste em “taxar os ricos”. Inspirada na subversão marxista da lenda de Robin Hood, a ideia é alternar entre o revolucionário Robin enquanto na oposição (roubar aos ricos para dar aos pobres) e o funcionalismo burocrático do Xerife de Nottingham enquanto governo (taxar o trabalhador para quase conseguir pagar o funcionamento da máquina, vulgo “monstro”).
A proposta é tão desesperada como é matematicamente insalubre: mesmo na perspectiva norte-coreana de se confiscar todo o capital dos que se consideram ricos, tudo o que se consegue é um impulso suficiente para um ano de governação sem restrições acrescido de dezenas de anos sem forma de gerar riqueza.
A corrente eléctrica que flui num circuito é a razão entre a diferença de potencial e a resistência que o meio apresenta a esse fluxo. Se a diferença de potencial é nula, não há corrente. Sem capital não há produção. A ausência de ideias do socialismo pós-queda-do-muro relaciona-se com o aumento do uso do termo “solidariedade”. É apanágio do socialismo vender maldade como conceito moralista associado ao bem. Consumir riqueza não é solidariedade, é só esperar que as pessoas sejam estúpidas o suficiente para confundirem ambição com inveja. A julgar pela agitação no sul da Europa, é provável que até o sejam.
conferência europeia sobre a dívida
Foi feita há uns anos, em vários Conselhos Europeus (nos quais a Grécia e Portugal estiveram presentes…), ficou conhecida pela designação de «Pacto de Estabilidade e Crescimento», e tomou forma no Tratado da União Europeia (actual artigo 126º e Protocolo nº 12 Sobre o Procedimento Relativo aos Défices Excessivos). Aí, os estados europeus soberanamente determinaram os limites aos seus défices em 3%, para a relação entre o défice público programado e o produto interno bruto, e de 60%, para a relação entre a dívida pública e o mesmo produto. Vistas as actuais exigências do novo governo da Grécia, é de perguntar: isto já não está em vigor?; houve alguma revisão do Tratado da UE? Ou será que, em alternativa, o «acquis communautaire» e o Direito da União já não valem nada, e cada estado-membro está legitimado a fazer o que lhe der na gana?
Hipocrisias
uma visão
António Costa recusa olhar para as questões tributárias com uma «visão parcelar», defendendo que «é preciso olhar para os impostos como um conjunto e não como taxas isoladas». Veio isto a propósito da anunciada intenção do governo baixar o IRC. Admitindo que a visão de Costa seja mais correcta do que a de Passos, seria possível que ele nos explicasse, em termos práticos, para a vida das pessoas e das empresas, em que é que ela consiste?
A vida dá muitas voltas
A manifestação na ilha Terceira contra redução militar na Base das Lajes permitiu um piruético exercício. Algumas das declarações são as mesmas que durante anos foram usadas para pedir o fim da presença norte-americana americana nas Lajes. É a reciclagem das palavras de ordem ou mais propriamente o que dá o descaramento de passar feliz e contente entre os pingos da chuva:
Dois caminhos
Dois desfechos possíveis do caso grego:
1. O Syriza não consegue concessões significativas d UE e terá que governar sem o dinheiro dos outros. Neste caso, se for sensato terá o destino dos outros partidos gregos (implodindo) e a Grécia melhorará lentamente. Se optar por ir buscar capital para consumir à própria economia grega, seguindo o exemplo da Argentina ou da Venezuela, o Syriza pode durar anos no poder e o que resta da Grécia será destruído paulatinamente (e ainda há muito para destruir, por exemplo, prateleiras dos supermercados ainda estão cheias).
2. O Syriza consegue concessões significativa e recebe um balão de oxigénio de dinheiro dos outros. A Grécia voltará aos vícios antigos e terá um curto período de vacas gordas. O Syriza sobreviverá durante muitos anos. Outros Syrizas aparecerão nos restantes países o Sul da Europa, incluindo Portugal, e será impossível impor qualquer tipo de rigor orçamental. União Europeia será forçada a dar a todos o que deu à Grécia, senão no imediato, pelo menos a médio prazo, porque novas Grécias, com dívidas insustentáveis, acabarão por aparecer. E quando se chegar a esta fase a Alemanha executará o plano que obviamente já tem para desmantelar a zona euro.
Conferência europeia sobre a dívida

Foto via 31 da Armada.
Viriato Soromenho-Marques, segundo a contar da esquerda na foto e inevitavelmente à direita do grupo em permanente época de transferência entre “iniciativas cidadãs” – termo que valida a existência de iniciativas políticas por parte de não-cidadãos como, por exemplo, iniciativas de hipopótamos -, defende hoje, no seu artigo no DN, que precisamos (com urgência) de uma “conferência europeia sobre a dívida”. Pronto, ameaça com fantasmas da 1ª Guerra Mundial, forçando uma hiperbolização tão dramática quão desafiante da fronteira da tragicomédia, um exagero que dispõe bem mas cujo pathos destrói qualquer tentativa de encontrar ethos nos já habituais desvarios do autor.
Dito isto, convém salientar que não há vivalma com um neurónio funcional que repudie a ideia de uma “conferência europeia sobre a dívida”. Vinte e sete ou mais tipos sentados à volta de uma mesa a discutirem quem paga o quê a quem é, sem dúvida, a melhor forma de assegurar que todos pagam o que devem.
o que têm o ps e antónio costa a dizer sobre isto?
«FMI arrasou governo. Portugal só fez um terço das reformas exigidas pela ‘troika’?».
É do senso comum no PS dizer-se que o governo de Passos Coelho «foi muito para além da troika». Isto significa, em linguagem subliminar, que este governo é composto por fanáticos liberais, que impuseram ao país um programa de xiismo fundamentalista, com medidas e reformas muito para além do que se encontrava no memorando assinado pelo Partido Socialista de José Sócrates, onde, graças à sensibilidade social do malogrado ex-primeiro-ministro, se salvaguardavam todos os benefícios sociais que foram perdidos nestes últimos três anos.
Ora, segundo dados oficiais do FMI e da Comissão Europeia, o ímpeto reformista do governo de Passos ficou, afinal, muito aquém do acordado nesse memorando, tendo sido executado pouco mais de 1/3 do que estava planeado.
Assim, talvez não fosse pior que António Costa e o seu PS se definissem sobre como vão negociar com os credores de Portugal: ficam-se pelas medidas timoratas do governo actual? Irão mais além nas reformas e na famigerada «austeridade» que tanto criticam, mas que não é mais do que o resultado dessas medidas? Ou preferem, em definitivo, a via de Alexis Tsipras, que tem sido, no fim de contas, a proposta pelo nosso Bloco de Esquerda, por Francisco Louçã e por Catarina Martins?
Ideias claras são necessárias. Sobretudo para um partido que daqui por seis meses poderá estar a dispor das nossas vidas.
A transferência
Delta de Dirac

Aumento de salário mínimo adiado [em inglês].
Injustiça dominical
Uma das grandes injustiças da sociedade contemporânea é a não re-condecoração de Carlos do Carmo pela sua estonteante vitória de um Grammy latino em 2014. Pior que isso só o massacre da guerra civil sudanesa ou, ainda pior, a não atribuição do Premio Nacional de Ciencias y Artes mexicano a Pepe Aguilar, vencedor do Grammy latino para melhor álbum Ranchero com Lástima Que Sean Ajenas.
Desejo-vos um bom Domingo com Pepe Aguilar, só para irritar Cavaco Silva.
E vai mais um
No Delito de Opinião: Alegoria ao Charlie Hebdo, com uma caneta no cano de uma arma, proibida no Carnaval em Colónia, contrariando planos iniciais. “Não queremos um carro alegórico que atrapalhe a atmosfera livre e descontraída do Carnaval”, diz a comissão de festas.
Será que o aumento do salário mínimo causa desemprego?
O Syriza ia aumentar o salário mínimo para 751 euros, mas pelos vistos já não vai. Para que o ministro do trabalho do Syriza acha que um aumento do salário mínimo poderá ter um impacto negativo no mercado de trabalho (leia-se, aumentar o desemprego).
Fotoreportagem
António José Seguro, político inepto e sem carisma, acusado de ser conivente com o governo, com austeridade e com a Troika, e conhecido entre os militantes socialistas como “o choninhas”
António Costa, político carismático temido pela direita. Autor desta brilhante estratégia:
António Costa: Vitória do Syriza reflete fracasso da austeridade na Europa
António Costa. “Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha”
“Única lição” que Costa tira da Grécia é que o PS “não é nem será o PASOK”
“Não estamos disponíveis para apoiar vacinas na Europa”
Manifestação do Podemos em Madrid, pela mudança de que fala António Costa. Pelos vistos António Costa não foi.

Yanis Varoufakis, ministro das finanças da Grécia. Já disse que não quer a Troika, já disse que quer negociar, já disse que não quer dinheiro, já disse que não quer dinheiro da UE. Já se insinuou aos ingleses, aos franceses e aos italianos. Já blogou e tweetou a dizer que as coisas não eram bem como tinham sito interpretadas. Esta semana vai finalmente começar a trabalhar e vai poder finamente ver como estão as contas. Tem 1 mês para convencer a UE a dar-lhe mais dinheiro. No fim de Fevereiro o BCE fecha a torneira.
Em defesa do PS
A trauliteirice saloia da geração otomana do Partido Socialista é uma benção que Sócrates – que nos ama a todos – deixou aos portugueses. Graças à ideologia destes betos – e por ideologia refiro-me à ausência de qualquer ideia capaz de mobilizar a sério mais que um marcha de orgulho gay à lisboeta, com 200 esperançados que a câmara da TV não os apanhe – estamos livres de condições que permitam o sucesso de um desses movimentos de “união de esquerda” que culminam (nem que por período limitado) em resultados eleitorais favoráveis a proto-revolucionários malucos como o Syriza, a Frente Nacional, o Podemos ou qualquer outro grunge rumo ao mainstream impulsionado por uma geração ainda desprovida de experiência para identificar pneus recauchutados.
Se Grécia já amarga com os derivativos Nirvana, Espanha e França preparam-se para encaixar uns Pearl Jam ainda mais derivativos, isto caso os gregos não rebentem primeiro com as caixas ATM. O PS e a figura matriarcal do doutor Soares, sempre prontos a aliarem-se ao que der dividendos na primeira semana (e ainda mais dividendos com o inevitável repúdio na segunda semana), são a cura para a recauchutagem nacionalista em Portugal. Chegados ao poder, passam imediatamente da sucessão de fases de negação, raiva, negociação e depressão do modelo de Kübler-Ross para a aceitação da realidade.
Hoje são os pobrezinhos, amanhã o aumento do salário mínimo; hoje são as desigualdades, amanhã a reposição dos cortes acima dos 1500€; hoje são os cortes na ciência, amanhã as taxas moderadoras. Estas pessoas não têm rumo, ideias, projectos ou soluções; estas pessoas têm sede de regressar ao palco onde outrora se pavonearam com os Jimmy Choo numa dança tão parola quão portuguesa. Se para isso frequentam o caldeirão da grande sopeira que é a falta de vergonha, pelo menos estão recolhidos do risco de o fazerem na berma de uma estrada nacional manhosa.
O PS é a garantia no insucesso dos trauliteiros, absorvendo para si a trauliteirice. No fundo, só podemos estar agradecidos.





