Quando se poderá falar de catástrofe humanitária na Venezuela?
Nublosa
Com a entrada em vigor de uma importante reforma, o sistema judicial entrou em crash informático. Durante semanas foi o caos generalizado e a paralisia quase total.
A titular da pasta, coitada, repetiu então e continua hoje a repetir a cassete do «não sei nada de informática». Pois não é a única coisa que não sabe. Também não percebe pevide do que seja ser ministra, está visto. Se tivesse noção do ridículo da coisa é que seria de espantar.
Depois de acusações e outras mistificações, um dos responsáveis disponibilizou-se para ir ao parlamento dar as suas razões do sucedido. «Que nem pensar» saiu logo a terreiro a guarda ministerial, perdão, a maioria parlamentar, pois seria coisa inaudita ouvir «um funcionário». Tape-se o sol com a peneira, esconda-se tudo atrás de um nuvem a ver se se esquece o assunto. Deve ser a noção política de cloud desses tais parlamentares-guardiões-da-ministra-que não-é-informática.
Interpretação requer memória
A formulação é esta:
O seleccionador nacional convocou 17 jogadores para o próximo jogo de futebol. Destes 17 jogadores, 6 ficarão no banco como suplentes. Supondo que o seleccionador pode escolher os 6 suplentes sem qualquer critério que restrinja a sua escolha, poderemos afirmar que o número de grupos diferentes de jogadores suplentes é [inferior/superior/igual] ao número de grupos diferentes de jogadores efectivos.
Seja:
“jogadores” = “elementos”
“suplentes/no banco como suplentes” = “grupo A”
“seleccionador nacional” = “bleagh”
“convocou” = “escolheu”
“para o próximo jogo de futebol” = ““
”jogadores efectivos“ = ”grupo B”
O bleagh escolheu 17 elementos. Destes 17 elementos, 6 ficarão no grupo A e os restantes no grupo B. Supondo que o bleagh pode escolher o grupo A sem qualquer critério que restrinja a sua escolha, poderemos afirmar que o número de grupos diferentes A é [inferior/superior/igual] ao número de grupos diferentes B.
Se alguém respondeu de acordo com o teu critério de resposta, é porque já se esqueceu que o grupo A é composto por 6 elementos e o B, consequentemente, por 11 elementos. Assim sendo, até posso ter tratado quem assim respondeu como estúpido mas é seguro que não se irão lembrar que o fiz.
Escala monetária da agenda para a década
1020 Pengő (100,000,000,000,000,000,000).
Hungria, 1946.
Chegou a ser impressa a nota de 1021 (1,000,000,000,000,000,000,000 Pengő) mas não circulou, tal a inflação que motivaria a impressão de notas de valor mais adequados à escala Galamba.
Leitura complementar: Um beco sem saída de Mário Amorim Lopes, n’O Insurgente.
(Via Jacob’s Currency Collection).
Deviam ter dialogado com o Boko Haram
O que falta a estes sapatinhos é o desejo de diálogo
Explicação aqui
os resultados estão à vista
«Na terceira pergunta em que os professores mais falharam, o dr. Crato agarrou nas considerações tristemente acéfalas de um cavalheiro americano sobre “impressão e fabrico” de livros. Esse cavalheiro pensa que há “livros em que a beleza é um desiderato” (ou seja, a beleza do objecto) e outros “em que o encanto não é factor de importância material” (em inglês, “material” não significa o que o autor da PACC manifestamente julga). E o homenzinho acrescenta pressurosamente: “Quando tentamos uma classificação, a distinção parece assentar entre uma obra útil e uma obra de arte literária”. A obra de arte pede beleza ao tipógrafo (ao tipógrafo?), a obra útil só pede “legibilidade e comodidade de consulta”. Perante este extraordinário cretinismo, a PACC exige que os professores digam se o “excerto” “ilustra” os dois termos de uma comparação, o primeiro, o segundo ou nenhum deles. Uma pessoa pasma como indivíduos com tão pouca educação e tão pouca inteligência se atrevem a “avaliar” alguém.»
Vasco Pulido Valente, A Estupidez à Solta, no Público de hoje.
Até ao dia de hoje, acreditei que a questão da avaliação dos professores do ensino público fosse apenas um folhetim insuflado e mantido por Mário Nogueira e pelos Sindicatos, com a conivência de alguns professores, para agitação política deste e do governo anterior. Parecia-me absurdo que quem tem por missão avaliar recusasse, ab initio, a sua própria avaliação. Depois de lido isto, a somar a essas causas está, e em primeiríssimo lugar, a indisfarçável estupidez da prova, de quem a fez e de quem é politicamente (ir)responsável por ela. O elevado nível de imbecilidade das perguntas que li e da forma como inclusivamente estão redigidas, desqualifica imediatamente a sua finalidade de avaliação de conhecimentos de terceiros. No fim de contas, tudo isto é resultado da dita «escola pública democrática», que na euforia pós-revolucionária optou por deixar de ensinar, como se esse fosse um acto de autoridade ilegítima, deixando as criancinhas à solta e entregues a si próprias. Hoje, uns são professores, outros avaliadores e outros ministros da educação. Os resultados estão à vista.
O que se pode concluir da PACC
O seleccionador nacional convocou 17 jogadores para o próximo jogo de futebol. Destes 17 jogadores, 6 ficarão no banco como suplentes. Supondo que o seleccionador pode escolher os 6 suplentes sem qualquer critério que restrinja a sua escolha, podemos afirmar que o número de grupos de diferentes de jogadores suplentes é [inferior/superior/igual] ao número de grupos diferentes de jogadores efectivos.
Esta pergunta foi feita por um advogado político. Sim, ajuda a separar o trigo do joio, os que identificam lero-lero dos que acham que António Costa tem propostas para o país; tirando isso, pouco avalia. Um dos problemas é a mania de formular problemas matemáticos recorrendo ao exemplozinho do mundo físico e real, reduzindo o raciocínio lógico à aplicabilidade serôdia da ausência de abstracção.
Uma questão destas deve ser formulada da seguinte forma:
Existem 17 elementos. Destes, seleccionam-se 6 aleatoriamente, formando dois grupos, o grupo A com 11 elementos e o grupo B com 6 elementos. Repetindo a selecção até formar todas as combinações possíveis para os grupos A e B, o número de grupos A obtido é [inferior/superior/igual] ao número de grupos B.
O mais provável neste caso seria que mais errassem mas, paciência, isso é a vida. O que aqui se evidencia não é tanto o critério de selecção de candidatos à docência – que pode ser o que o empregador quiser – e sim o que os espera, caso sejam aprovados: um sistema de ensino mais vocacionado para doutrinar modelos e suas aplicações que para o pensamento abstracto.
Se calhar já foi assim que aprenderam nos cursos. É o que dá a fé na igualdade: quando tudo é igual a tudo, tudo é igual a nada.
Está a gozar?
Depois dos ricos alemães que iam pagar a crise
o Syriza ameaça que quem lhes pagará acrise, o aquecimento grátis, os ordenados, as reformas, os programas de férias… serão nada mais nada menos que os russos. Os cidadãos russos cuja vida é um oásis de conforto e bem estar são apresentados como os possíveis pagantes do estado social grego. E ninguém tem vergonha na cara?
Não me venham dizer que é bluff. Pq se é bluff então deixe-se Tsipras confrontar-se com o seu bluff e de mão vazia dizer aos gregos que os russos os vão sustentar (e outras coisas que agora não vem a caso referir). O que não vamos é fazer de conta que sabemos que é bluff mas vamos ceder um bocadinho ao bluff porque não se pode deixar a Grécia cair para o lado de Putin.
só duas?
Ricardo Salgado fez uma revelação extraordinária à Humanidade: não que seja a segunda encarnação de Cristo, não que seja a besta do Apocalipse, nem sequer o Dono Disto Tudo. Ele anunciou que teve duas reuniões com Aníbal Cavaco Silva. Duas! Duas exactas. Nem uma, nem três, tão-pouco quatro ou cinco, mas duas, coisa extraordinária que faz ruborizar os nossos inocentes jornalistas! Por mim, para um sujeito que encabeçava o maior banco privado português em falência iminente, até acho pouco. Pelo andar da coisa, parece, contudo, que não levou nada. Mas já que se está com a mão na massa e em maré de insinuações, e considerando a disposição de Salgado em colaborar com as autoridades, não seria de lhe perguntar quantas reuniões teve com Mário Soares? Ou com José Sócrates? E, já agora, perguntem-lhe se também saiu dessas reuniões com as mãos a abanar.
Nem tudo é mau…
…no novo governo grego.
Ao menos não se deixam arrastar no conto do vigário relativamente à Russia.
Pasquim ou não pasquim, pergunta o Quim
Na redacção improvisada no T3, em cima do pechiché de ébano ensopado da bílis revolucionária procedente da revolta permanente, jaz cópia do Correio da Manhã com capa portadora de brilho labial no saudoso beiço socrático.

Queixam-se que um jornal que faz deduções não passíveis de confirmação na sua capa não passa de um pasquim (o termo certo é nojo, é tudo um nojo, é pessoal muito asseado). Foi por isso que Deus criou a ERC.

Registe-se a mitigada satisfação do PCP
com a vitória do Syriza. Por contraste com os dirigentes socialistas que celebraram o desaparecimento dos socialistas gregos e se colaram perigosamente a Tsipras, os comunistas portugueses mantêm a distância qb. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a niguém.
O meu modesto contributo para a resolução do actual impasse na UE
As declarações de IRS dos cidadãos da UE passam a integrar um quadradinho onde se pergunta: deseja contribuir para o perdão da dívida grega? Uma cruzinha no SIM e essas pessoas pagam uma espécie de sobretaxa de solidariedade. Vai ser um sucesso. Em Portugal a avaliar pelas declarações que se ouvem nas rádios e televisões só meia dúzia de pessoas entre as quais me incluo porão a cruzinha no quadrado do NÃO.
Um dia como outro qualquer
A multidão social, vulgo troll, no seu estado de ansiedade pré-indignação, vagueia pela redacção improvisada em sala de T3 adornada com pechiché de ébano e espelho embaciado de libido para pejado lagomorfo cobiçar. Falta agastamento, a indignação em sublime sentimento que enobrece a frivolidade de pacóvio para o ponto de chocalheiro. Começa o Telejornal.
O povo grego inventa mil estratagemas para não pagar impostos…
– Não!
– Não posso!
– Morri!
– Que besta!
– Impossível!
– Nunca aconteceu!
– Todos os gregos pagam impostos!
– Não conhece a Grécia!
– Eu fui a Mykonos…
– Não era Formentera?
Muitos dos gregos que passam a pé diante da casa do ex-ministro da Defesa – adquirida com o dinheiro dos subornos do negócio dos submarinos – são paralíticos. Ou melhor, subornaram o médico para obterem uma certidão fraudulenta de deficiência, que lhes permita receber mais um subsidiozinho…
– Bandalho!
– Isto é inaceitável!
– Estupor!
– Uma vergonha!
– Andamos nós a pagar este gajo!
– Só para a ADSE pago um fortuna!
– Ele não sabe do que fala!
– Será que é verdad…
– CALA-TE, FÁSSISTA
– Maricas!
– HOMOFÓBICO!
– Mas eu só disse…
– XENÓFOBO! FÁSSISTA! NÃO DEMOCRATA! CALA-TE!
– O Rodrigues dos Santos não é Charlie!
– EU É QUE SEI O QUE É SER CHARLIE, TIA!
– Era enfiar-lhe um remo pelo…
– ISSO É FETICHOFOBIA, HOMOFÓBICO DE ARMÁRIO, HETERO NOJENTO!
– …
Continuaram alegremente em busca do ardil consensual, o publicável, o deus ex machina da razão progressista que, em divisa de intensidade Charlie, permita transmutar a mera afectação pedante em charlatanice canónica; este foi devidamente encontrado.
o conto de fadas continua
Quando não tapar a cabeça é notícia
Michelle Obama está nas notícias por não tapar a cabeça na Arábia Saudita (2015).

Angela Merkel visita Arábia Saudita (2010).

Ensaboa, enxagua, pendura a secar
Porfírio Silva queixa-se hoje do ministro da educação:
(…)entre a ideologia escondida sob a capa de incompetência e a incompetência escondida sob a capa de ideologia, o ministro Nuno Crato tornou-se um ícone da fórmula governativa patrocinada por Passos Coelho.
Agora, vão começar a catar os erros grosseiros. Para isso, pelos vistos, vão pagar para corrigir os disparates que tinham sido pagos em primeira instância por encomenda do governo. Espero que aproveitem para analisar também o erro grosseiro que consiste em ter um ministro cuja incompetência dá uma “má educação” a toda a gente que deveria poder olhar para ele como um exemplo.
Porfírio Silva responde a isto com Porfírio Silva:
Os ataques pessoais generalizados à Ministra da Educação não são um pormenor. São um dos bilhetes de identidade de um estilo muito em voga hoje em dia. Chamar mentirosa à ministra, mesmo quando recentemente o líder sindical mais em destaque foi apanhado por um camarada seu a fazer acusações falsas a estruturas do ME; chamar arrogante à Ministra, mesmo quando o líder sindical mais em destaque fala como se fosse o líder de um novo bloqueio de camionistas; e ir por aí fora no chorrilho de asneiras que se podem encontrar em qualquer canto da net onde há dezenas de “professores” a comentar – tudo isso parece “normal” a muita gente.
Mas, afinal, quem é a Ministra? Uma política de carreira, durona e matreira, que passou a vida a passear-se pelos corredores do poder, a fazer promessas e a semear ilusões, e que agora paga a factura dessa irresponsabilidade?
Não. A Ministra é uma pessoa normal, por vezes até com uma certa falta de jeito para a retórica barbuda da política profissional, uma cidadã que aceitou interromper a sua vida profissional para tentar fazer alguma coisa pelo seu país. Acertando por vezes. Errando outras vezes. Mas alguém que pode ser considerada o mais próximo possível de um modelo de cidadania, no sentido em que aceita fazer um enorme sacrifício pela causa pública.
Mas isso não merece respeito a um número significativo de “sindicalistas”, que são de facto políticos, profissionais ou quase, há muitos anos. Mas isso não infunde respeito a muitos professores, que deviam estar a educar os seus alunos para admirarem exemplos de civismo como o de Maria de Lurdes Rodrigues.
E depois venham cá com discursos bonitos acerca da necessidade de renovar a classe política e de melhorar a participação cidadã e de trazer gente normal para a política.
Não. O que pede quem assim se comporta é outra coisa. Pede políticos-robot.
(Que me desculpem os robots.)
Com e sem gravata
Os novos censores
A conclusão óbvia que se retira da reportagem de José Rodrigues dos Santos na Grécia é que o estado social está na génese de muita da pequena corrupção. Algo de inadmissível e indizível para a esquerda, que está agora a crucificá-lo.
as fadas andam com a cotação muito por baixo
Não é um «conto de crianças», João, é mesmo um «conto de fadas».
Fadas gregas preparando-se para atacar os contos dos dois irmãos alemães Grimm
Parece um conto de crianças III
vitória de Obama é «oportunidade de mudança para o mundo» — José Sócrates (2008)
Vitória de Hollande “tem um significado muito importante para os franceses, mas também para a Europa, que precisa de uma lufada de ar fresco” — António José Seguro (2012)
“Vitória de Syriza é mais um sinal da mudança na Europa” — António Costa
Parece um conto de crianças II
“Vitória de Syriza é mais um sinal da mudança na Europa” — António Costa
Serão os portugueses os mais prejudicados em caso de um incumprimento total grego: 550 euros por habitante
Parece um conto de crianças
While replete with good intentions [programa do Syriza de 2012], it is hort on detail, full of promises that cannot, and will not be fulfilled (the greatest one is that austerity will be cancelled) — Yanis Varoufakis, novo Ministro das Finanças grego, em 2012
“Houve um pouco de ‘bluff’ da nossa parte” — — Yanis Varoufakis (2015)
(via Insurgente)
josé freire antunes
Aos 61 anos de idade, morreu ontem, em Versalhes, José Freire Antunes. Se nunca é hora tardia para partir, José Freire Antunes deixou-nos cedo de mais. A ele devemos algumas das melhores páginas da história política contemporânea portuguesa e foi pena não ter tido tempo para mais. As nossas homenagens e sentimentos à Família.
Eu sei que o Syriza nos tem dado que fazer
mas alguém em consegue decifrar este texto do dr. Soares sobretudo aquela parte em que explica que Obama “um político de uma inteligência e visão extraordinárias, fez baixar o preço do petróleo por toda a parte, tentando ao mesmo tempo limitar a fúria dos oceanos e a consequente formação de gelo que este ano, excecional, atingiu as duas costas dos Estados Unidos e outros continentes.”
nós é que somos o syriza cá da terra
E não o Rui Tavares. Momentos de grande diversão proporcionados pelos Che Guevaras indígenas. A não perder os próximos capítulos, que nos poderão trazer outras dúvidas existenciais de grande pertinência, como: «Seremos todos Syriza?»; «Todos os Syriza são iguais, ou haverá Syrizas mais Syrizas do que outros Syrizas?»; «É possível reconhecer anatomicamente um verdadeiro Syriza português?»; «Deverá o Alexis Tsipras português comer tripas e ser do FCP?». Ou mesmo inspirar a realização de trabalhos académicos com títulos sugestivos, tais como: «Ansiedades e perplexidades em torno do movimento syrizico mundial: Prolegómenos de uma problemática pertinente, urgente e consistente» (doutoramento apresentado no ISCTE, sob orientação do Professor Bagão Félix); «Pela mão de Tsipras – O Social e o Político na Pós-Modernidade Syrizica» (doutoramento apresentado na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, sobre a orientação do Professor Boaventura Sousa Santos); «O Direito Público Europeu antes e depois de Alexis Tsipras e o advento de uma Nova Ordem Mundial» (doutoramento apresentado na Faculdade de Direito da Universidade Clássica, sob orientação do Professor Diogo Freitas do Amaral); «Os Fundamentos Político-Filosóficos dos Syrismos Grego e Português» (doutoramento apresentado no ISCSP, sob orientação do Professor Adelino Maltêz). A seguir com toda a atenção. Possível…
O seu nome é Aristides Baltas.
A extrema-esquerda lava mais branco
já não se fazem che guevaras como antigamente
O fim da demagogia
Dez ministérios? Boa! Vamos a isso! E tenho outra proposta: reduzir de sete para cinco o número médio de administradores das 50 maiores empresas portuguesas. Já viram quanto isso poupará aos accionistas ou quanto o investimento no país poderá aumentar? É fazer as contas: 250.000 euros x 2 x 50 = 25.000.000. Por ano. Há todavia um pequeno problema, é que isto não é economia, é demagogia.
Tsipras faz governo só com 10 ministérios — 27 de Janeiro de 2015.
O Syriza ganhou na Grécia mas em Portugal a Quinta Divisão já começa o seu trabalho
Mal ganhou o Syriza em Portugal começaram a afiar as garras. Uma reportagem de José Rodrigues dos Santos sobre as fraudes na Grécia tornou-se no pretexto para mais uma vez manifestarem a sua visão da liberdade de informação: liberdade é mostrar o que nós achamos que deve ser mostrado. As referências ao programa de férias pagas criado pelo governo grego, os subsídios por invalidez – pesquisem ilha dos cegos, Zakynthos – a não declaração dos rendimentos e bens.. tornaram-se ofensivos porque não cabem na narrativa oficial.
Interessante será acompanhar de agora em diante a forma como vai ser noticiada a Grécia. Para já temos a grande operação de apagamento e limpeza sobre o erpfil do parceiro de coligação do Syriza. As papoilas saltitantes que estariam a arrancar as vestes com a indignação pelo facto a extrema-direita xenófoba e homofóbica estar num governo da UE agoram fazem de conta que não vêem nada.
Só mais uma perguntinha? Vá lá
Pergunta hoje a TSF no seu Forum: Que lições se podem tirar dos resultados eleitorais na Grécia? De que forma é que a vitória do Syriza, e o vendaval que varreu o sistema político grego, pode influenciar as eleições em Portugal?
Podem fazer só mais uma perguntinha. Não custa nada. Seria qualquer coisa do tipo: “Portugal deve perdoar ou renegociar com a Grécia os 1.100 milhões de euros qe emprestou àquele país em 2010 e 2011?”
mon ami hollande
Como pretende Alexis Tsipras resolver o problema do buraco financeiro em que o seu país se encontra? Através de um conjunto de medidas que apontam, todas elas e o seu conjunto, para o abismo inevitável: nacionalizar a banca, centralizar o controlo dos preços e sacar o dinheiro dos «ricos», para que eles lhe paguem os seus disparates. Ora, se Tsipras fosse um pouco mais culto e menos fanático – a confirmarem-se estas promessas, obviamente -, ele saberia da História que nada disto funciona e que resulta, inevitavelmente, no exacto contrário do que é suposto ele pretender. Sobre a nacionalização da banca, por exemplo, poderá analisar os resultados do que aconteceu em Portugal a partir de 1975, quando, nesse ano, se entregaram ao «povo» bancos pujantes, para que os mesmos fossem devolvidos aos seus anteriores proprietários, alguns anos mais tarde, completamente falidos. Sobre o controlo centralizado dos preços, há um sem fim de exemplos históricos das consequências do disparate: bastará ir às economias planificadas do bloco soviético do século XX, ou, se preferir aprofundar as origens da coisa, ao «máximo» jacobino da Revolução Francesa. Por último, quanto a aprisionar os ricos e as suas fortunas, ele que ponha os olho no que o «son ami» Hollande conseguiu com uma graça parecida com essa. Não tem de se esforçar muito, o camarada Tsipras, para perceber o enredo de disparates onde está metido e onde pretende meter o seu país.
As vitórias não todas iguais. Graficamente falando, claro.
estado social a sério
Um verdadeiro estado social não pode deixar estes casos de lado. O Tsipras ainda tem muito para aprender connosco.
Nouvelles de Sparte et Athènes
“A eleição de Tsipras cria uma nova situação política na Europa, que pode ser medida pelas reações conservadoras. Conseguirá Tsipras estar à altura do desafio? Ele promete um “novo começo” para a Europa, renegociando os termos do pacto fiscal conservador que atualmente mergulha o continente numa política recessiva.” (link)
“Esses resultados traduzem a insatisfação não somente em relação à crise, mas pela forma em que ela está sendo tratada. Merkel apresenta uma solução liberal clássica: de que para reverter a crise do capital se deve reduzir os gastos públicos. A vitória do Syriza é sinal que há outras maneiras de se enfrentar a crise, não tem de ser assim. A crise do capital se resolve mediante elevação dos gastos públicos para reativar o setor produtivo. A política conservadora atende aos banqueiros, a keynesiana o povo” (link)
“Tsipras: “Recuso-me a aceitar que a Europa esteja condenada à austeridade sem fim” (link)
“Tsipras rejeita novos esforços para conter a despesa, colocando a prioridade no crescimento. O recém eleito primeiro-ministro grego descarta toda e qualquer possibilidade de novos cortes orçamentais.” (link)
“Tsipras afirmou hoje que a Europa deve apoiar a Grécia, que é pela solidariedade e não pela austeridade sem fim que os objetivos serão alcançados” (link)
“Vitória do Syriza representa fim da austeridade da era Merkel. Durante toda a campanha, Tsipras apresentou as medidas de austeridade implementadas como extremamente prejudiciais para a Grécia, que desde 2009 vive momentos conturbados. Tsipras prometeu forte intervenção do estado, investimentos, gastos públicos e incentivos. Sua eleição reflete um movimento crescente na Europa, de rejeição às políticas ortodoxas dos líderes da Zona do Euro, já que as medidas austeras parecem aprofundar ainda mais a crise econômica, ao invés de afugentá-la. A eleição de Tsipras mostrou que existem outras formas de enfrentar o problema.” (link)
“A austeridade já não é uma fatalidade – Alexis Tsipras, hoje eleito primeiro-ministro grego, afirmou que numerosos países na Europa sentiram alívio e esperança com a sua eleição porque a austeridade já não é uma fatalidade” (link)
“O novo ministro grego das finanças, Yanis Varoufakis, declarou o fim da austeridade no continente europeu. ‘Isto é decisivo, é uma mudança na história do projecto europeu desde o início do euro. Nós testemunhamos de certa forma o fim da austeridade financeira e o fim do dogma da austeridade’, disse Varoufakis à rádio Europe 1.” (link)
“Hoje mesmo, responsável pelo futuro do nosso país, estou ciente de que toda a Europa nos observa”, disse Alex Tspiras. “Na hora em que o resultado foi anunciado, tive a certeza que em diversos países europeus houve um sentimento de alívio e de esperança, de que, por fim, a austeridade acabou” (link)
Brincar ao faz-de-conta
Esta característica assim para o barroco das lei eleitorais portuguesas assume um caracter particularmente divertido no caso da Madeira.
O seu Estatuto determina que em caso de dissolução do seu parlamento se fixem as eleições «no prazo máximo de 60 dias». Por seu turno, a Lei Eleitoral da Madeira determina que as mesmas sejam fixadas com a «antecedência mínima de 55 dias».
Sobram portanto 5 dias à escolha….para que se entretenha o Representante a «ouvir os partidos politicos», o Conselho de Estado a reunir e finalmente o senhor PR a «determinar» a data, a qual terá de ser obrigatoriamente um «domingo ou feriado» pelo que…
Muito bem! Adivinhou! O único dia em que podem ser marcadas eleições regionais é 29 de Março!









