prisão preventiva
Qualquer que seja o motivo que leva a uma prisão preventiva, ele será sempre uma confissão de incompetência do estado. Incompetência em evitar que o suspeito fuja do país, incompetência em evitar que ele prejudique o andamento do inquérito, incompetência em evitar que ele perturbe a ordem social, e, obviamente, nos países que permitem períodos dilatados desse regime, incompetência em acusá-lo, julgá-lo e condená-lo num período de tempo razoável para todos os envolvidos no processo. Deste modo, fora dos crimes de sangue detectados em flagrante delito, ou de cuja autoria subsistam poucas dúvidas, dificilmente qualquer outra prisão preventiva não deixará de ser também uma grave censura para o estado que a comete.
De certeza que acham que é mesmo isso que querem fazer?
Uma estátua para Mário Soares. Projeto já existe
É que tendo em conta a cruzada em que o homenageado anda com aqueles que designa como “os chineses” é capaz de se lembrar do original
Perante as notícias dos tumultos em várias cidades norte-americanas
só posso concluir que fosse o presidente afro-americano (seja isso que for) e tudo seria diferente.
Interessante
Quociente familiar
O governo introduziu um quociente familiar para determinação do rendimento colectável no calculo do IRS. Se bem percebi o rendimento de um casal passa a dividir por 2+0.3N em que N é o número de filhos. Num sistema de impostos progressivos, o resultado desta alteração é o aumento de transferências de quem não tem filhos para quem os tem. O que implica um agravamento das perversões causadas pela progressividade.
Note-se que em 2012-2013 houve um agravamento da progressividade, a qual foi considerada temporária para uma situação de emergência. O quociente familiar reduz a progressividade para quem tem filhos e eterniza a progressividade “temporária” para os restantes. O governo descobriu uma forma de optimizar a colecta fiscal que consiste em cobrar mais àqueles que em teoria terão menos despesas. É um truque que eterniza progressividade elevada com transferências maiores entre uma minoria cada vez mais pequena e uma maioria cada vez maior. Em breve teremos os impostos a ser pagos apenas pelos estéreis e os gays.
Um segundo efeito perverso desta medida é o efeito que tem em quem ainda não tem filhos. Aquelas pessoas que adiam o nascimento dos filhos porque ainda não constituíram poupança suficiente para os ter (segundo a sua perspectiva) terão que adiar um pouco mais porque estarão sujeitos durante mais tempo à progressividade temporária. Em contrapartida, aqueles que já têm filhos terão impostos mais baixos.
Note-se que os menores são por norma um encargo adicional para o Estado, em serviços de educação e, em menor grau, de saúde. A introdução deste quociente leva a que as transferências ocorram daqueles que consomem menos serviços públicos para os que consomem mais. Mesmo que se queira beneficiar quem tem filhos, haveria formas mais elegantes de o fazer. Por exemplo, através de deduções de serviços de educação e saúde comprados aos privados, opção que libertaria de encargos os serviços públicos.
O engodo dos alegados crimes de Sócrates
Tema do meu artigo de hoje no Observador:
Um clássico russo no quintal
A presunção de inocência, que em poucos dias se transformou na presunção da perpétua ingenuidade do tuguinha, está a dar lugar ao esmorecimento do circo mediático, muito por culpa do alinhamento dos palhaços. Meterem o palhaço rico com os excessos típicos do palhaço pobre só poderia originar uma sucessão de palhaços pobres com maneirismos saloios de aspiração a uma sofisticação tão gasta como em contra-ciclo. Salva-se Guterres, que conseguiu manter-se calado tempo suficiente para não atrair moscas a cada declaração.
Agora resta cumprir horário, meter lá o Costa numa deslocação total do centro de gravidade do planeta para Évora e retirar a ficha da tomada antes que o idiota de Dostoyevsky perceba que o sanatório é melhor opção que o esquecimento. É verdade que o tipo esforça-se, com as cartinhas de clichés copy-paste e a inovação da Bic vermelha; porém, e pelo menos até ao recurso, dificilmente deixará a prisão para regressar ao manicómio.
E porque há vida para lá da política
chavismo unânime
«Os deputados da Assembleia da República aprovaram por unanimidade a proposta de lei que vai obrigar todos os postos de abastecimento de combustível a comercializarem combustível simples, designado low cost» (no Público)
Prisão preventiva – estudo de casos
Tenho visto várias críticas à prisão preventiva, mas ainda não percebi qual deve ser o critério. Há quem defenda que não deve haver nunca, há quem defenda que só deve haver para crimes de sangue (nos crimes de sangue já se pode prender inocentes?), há quem se indigne selectivamente, com rodopios de uma semana para a outra. Às vezes parece que o critério é a empatia com o preso ou a sua classe social. Deixo aqui alguns casos para reflexão e quando tiverem um critério avisem. Quais destes casos valeria um post na blogosfera contra a prisão preventiva?
Dois homens e uma mulher em prisão preventiva por vários roubos em Lisboa
Incendiou a própria casa depois de discussão e ficou em prisão preventiva
Altos dirigentes do Estado em prisão preventiva no caso dos vistos gold
Prisão preventiva para dois dos seis suspeitos de burlas a idosos
Prisão preventiva para suspeitos de furto de máquinas de tabaco
Prisão preventiva por furto de cobre no Grande Porto
Prisão preventiva para padre acusado de pedofilia
Homem detido por violência doméstica no Porto ficou em prisão preventiva
Prisão preventiva para três dos detidos por alegada fraude fiscal
Grândola vila morena, terra da comicidade

Jurei ter por companheira
A tua poberdade.
Depois aprendi a vestir-me dessa pobreza. Isto é: a habitá-la. Ouvir de antepassados, das mortes de filhos à sorte de surtos sem estado social, da partilha com o afeto da proximidade, da ausência de alternativa, de ausência de um grito a reclamar que reclamassem a cidadania dos direitos e não do assistencialismo fascista.
Vesti-me dessa pobreza. Para poder ser a pobreza, isto é, ser o outro, e falar dela sem truques mas sempre assumindo um discurso ideológico. Porque para pobreza, basta a pobreza.
Assisti a um caminho de redução gradual e sustentada dos níveis de pobreza. Cada pobre atirava-me para a responsabilidade coletiva da erradicação do horror da indignidade, mas assisti a esse caminho. Sei que se deveu às mãos de muita gente, do Estado e da sociedade.
Não percebo por que razão este Governo apostou no “empobrecimento regenerador”, não percebo por que razão este Governo preferiu a abstração ao país real e destruindo a classe média cortou as pernas aos pobres.
Nacionalismo económico na era da globalização
Quem é que melhor defende os interesses portugueses (o que quer que isso seja) na questão da Portugal Telecom:
Isabel dos Santos, filha do presidente angolano e de uma russa, nasceu em Bacu, Azerbaijão e licenciou-se no Kings College. Quer comprar a PT SGPS para decidir o destino da PT Portugal.
Zeinal Bava, de ascendência goesa, cidadão português, nascido em Moçambique e com formação Anglo-Saxónica. Tinha um grande projecto de um grande operador lusófono, mas o empréstimo à Rioforte estragou-lhe o projecto.
A Oi, dona da PT Portugal, é um empresa brasileira com esta organização accionista:
Armando Pereira, português do Minho, emigrou para França com a 4ª classe. É dono de 30% da Altice, empresa que quer comprar a PT Portugal à Oi por 7400 milhões de euros.
Patrick Drahi, judeu sefardita (de acordo com a Lei Orgânica n.o 1/2013 o governo pode conceder nacionalidade portuguesa a judeus sefarditas descendentes de judeus expulsos de Portugal). É o maior accionista da Altice.
Henrique Granadeiro, português, o homem que assumiu a responsabilidade pelo empréstimo à Rioforte.
Os CTT, empresa portuguesa com capital disperso pelo capitalismo internacional. Os CTT são parceiros da Altice no projecto de compra da PT, depois de terem verificado que não havia condições para uma proposta autónoma.
E assim deixamos de ter de pagar?
Aranha Vermelha
Já vens tarde, menino com o rei na barriga

Algumas pessoas, por princípio, são contra a prisão preventiva por esta implicar a privação de liberdade para alguém não condenado ou sequer acusado. Sou sensível a este argumento; Sócrates é que não é: durante o seu mandato como primeiro-ministro nada fez para alterar o que agora, em causa própria, considera uma injustiça atroz.
A prisão de Sócrates é perfeitamente justa: segue as regras que ele próprio considerou adequadas por omissão de iniciativa para as alterar. Não há maior justiça do que penar de acordo com o que considerou justo para todos os que o antecederam na toma do remédio.
Revisitar os clássicos


Qualquer culto exige dedicação.
O Ferreira Fernandes é um senhor que escreve demasiado bem para pensar tanto tempo com a gónada. Esta frase não pretende ser polémica ou insultuosa: cada um ama quem quer e Ferreira Fernandes, habituado a um mundo de estagiários-papoila nas saudosas redacções de jornal dos anos dourados do diz-lá-o-que-devo-pensar-professor-doutrinador com mão marota deslizante, gosta de Sócrates e da pulsão que o 44 gera no gajedo pré- e pós-menopausa com manias de irreverência estudantil. Sim, também há “gajos” que curtem o 44, como há rapazinhos que gostam do Justin Bieber, mas não é disso que se trata e sim da veneração pelo tipo que finge ter mais testosterona perante uma audiência de eunucos, aliás, tema recorrente de Ferreira Fernandes, que tão bem consegue descrever a doutorite saloia do português. Às vezes é preciso ser para defender.
A utilização da expressão “pedaço de asno” até é particularmente criativa em relação a – sei lá – “pedaços de merda”, expressão usada nos saudosos tempos da espiral recessiva. Agora, Ferreira Fernandes pode presumir a inocência de quem ele bem quiser, não pode é esperar ser inocentado da sua imensa presunção, cultivada com a devida reverência por senhores angolanos que a toleram dentro de patamares bem definidos.
Ferreira Fernandes está disposto a fazer o trabalho de relações públicas da infecção, e isso é lá com ele. A presunção de inocência da infecção deve ser mantida a todo o custo. Nenhum culto chegou aos fiéis sem um tipo capaz de escrever sermões escorreitos; que esteja disposto a expôr o 44 a um ridículo adicional (o próprio faz um trabalho excelente) é que já não parece grande estratégia. Talvez Ferreira Fernandes pudesse ser o editor da newsletter que o 44 lançou na semana passada para a imprensa e prometeu tornar regular (vai no número 3)? Isso sim, seria um serviço de valor, com paralelo apenas na promoção de Edite Estrela para editora do Ação [sic] Socialista !!!
Vai acabar a escrever para o Borda d’Água
«O antigo primeiro-ministro José Sócrates nega, em carta enviada à RTP, ser proprietário de um apartamento de luxo em Paris, mas confirma ter morado numa casa emprestada pelo amigo Carlos Santos Silva. Esta é a terceira vez que José Sócrates fala à imprensa desde que está detido em prisão preventiva, em Évora, por suspeita de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.José Sócrates garante ainda que, apesar de estar preso, não vai ficar calado.» Também já demos por isso.
Aguardo com expectativa que o argumentário sicn-pintomonteirista-ferreira alves- sousa tavares…
Circo mediático. Clara e demonstrada violação do segredo de justiça. Tentação do popularucho. Coincidências. Linchamento. O que sabemos deste processo é apenas o que tem sido dado através de fugas de informação, o que também não está certo. Há uma condenação sistemática, um julgamento público. A sentença depois não muda para contrariar a opinião pública. Muitas vezes a pressão social é tanta que a própria justiça está encurralada, em que já não pode ilibar. A justiça portuguesa não me oferece garantias de procedimentos corretos, seguidos com a máxima verificação de que os pressupostos estão lá todos. Estamos a falar de acusações gravíssimas. Na melhor das hipóteses daqui a três anos vai ter uma sentença transitada em julgado. Até lá, você destruiu a vida de quatro pessoas, que são irrecuperáveis. Há aqui coisas que são irreparáveis.
Seja aplicado a este caso:
A Polícia Judiciária está a fazer buscas na diocese do Porto, nomeadamente em computadores de algumas paróquias, avança o Jornal de Notícias, que tem o tema como manchete na edição em papel desta segunda-feira. Cartas anónimas via email, assinadas por um tal de “M. Saleixo”, com acusações graves têm na mira vários membros de igrejas da Invicta. As cartas têm sido enviadas nos últimos dois meses e têm chegado a todo o clero e instituições católicas. Ler mais…
Full circle

Parece-me que alguém foi enganado nesta história
Uma página do discurso
e então, é por isso que importamos as romenas !!!
[trocadilho com nomes, esgar libertino que se transforma em tom preocupado]
Mas hoje, camaradas, hoje é o dia mundial contra o SIDA !!! Queria interromper este discurso e chamar uma actriz veterana com voz projectada e semblante carregado, para ser aplaudida por vocês já a seguir, não sem antes ler esta lista perfeitamente aleatória de pessoas que morreram de complicações decorrentes do SIDA, vítimas desta seita neoliberal que destrói a imunidade do corpo e da mente, assim como a humanidade em geral e que servirá de desculpa para justificar a falta de meios apesar da minha espectacular habilidade para lidar com as cheias, coisa que pretendo que a Europa faça por mim. Queria, porém, mandar primeiro um beijinho ao Matteo Renzi, que é europeu, e que também respeita a parte que interessa das constituições.
[actriz genérica que tenha entrado em telenovela aparece em cena, com óculos postos]
- Rock Hudson
- Freddie Mercury
- António Variações
- Michel Foucault
- Liberace
- Anthony Perkins
- Cazuza
- Rudolf Nureyev
- Isaac Asimov
- John Holmes
- Tom Fogerty
- Richard Hunt
- Ray Gillen
- Ösel Tendzin
- Kiyoshi Kuromiya
- John Sex
- Trevor Kent
[ar carregado durante as palmas, pausa de 6 segundos, olhar cabisbaixo]
[face com ar de negociação com lixeiros, severidade nas sobrancelhas]
Um empresário, um advogado e um motorista entram num bar. “Bolas”, exclama
página 44
as sotainas de costa
O socialismo português nutriu desde sempre um fascínio mórbido pelo clericalismo e pelo catolicismo ditos de «esquerda». Só para nos situarmos nas proximidades do 25 de Abril para cá, tivemos que aturar os «católicos progressistas», os entusiastas da «teoria da libertação» do sinistro Boff, a «Juventude Universitária Católica Feminina», o Bispo do Porto, o «Grall», de Lurdes Pintasilgo e Teresa Santa Clara Gomes (um nome que era, em si mesmo, uma devoção), a «democracia-cristã» do Professor Freitas, um homem cheio de amor aos pobrezinhos e fadado, desde tenra idade, para ser ministro socialista socrático, a beatitude quase sacerdotal de António Guterres, a Opus Dei com «consciência social» de Maria do Rosário Carneiro, e o recentíssimo fascínio de personagens manifestamente anticlericais pelo Papa Francisco, como é o caso de Mário Soares, como se ali estivesse o anjo vingador de todas as por eles consideradas infâmias da Igreja Católica a que agora preside.
Para não ficar ao lado de tão honorável tradição, António Costa tem já o seu sacerdote de serviço, de seu nome António da Nóvoa. Nóvoa é candidato a candidato presidencial pelos socialistas, em nome de uma «nova política», advento das boas-venturanças que certamente revelarão também o «homem novo» cheio de consciência social e soldado da cruzada contra o «capitalismo selvagem», apóstolo de um «forte Estado Social» pleno de amor e devoção ao próximo. Foi isto mesmo que ontem transmitiu aos congressistas do PS, com a sua voz pautada e vagarosa de claustro de seminário e homilia de província. Que Deus os inspire em tão árdua tarefa!
Usar as mortas
Decidiram, no partido do prisioneiro 44, enumerar uma lista de mulheres que morreram, vítimas de violência domestica. Telenovela rasca. É ao que vêm, claro, à total ausência de decência e respeito destas desgraçadas, usando os seus nomes para uma aclamação pantomineira.
Pessoalmente gostei muito. Costa também vai acabar com a violência doméstica. Não era sem tempo. Força, camarada, força.
O Álvaro
Vamos a jogo
Costa só tinha uma coisa a fazer; teimoso, fez o contrário. Pode ganhar as eleições na mesma mas, e que se lixe, a única coisa que vai conseguir é adiar o fecho da era bancarrotária até ao julgamento – formal ou não – de Sócrates. O que Costa fez, ao encher a equipa com fiéis do culto macabro, foi centrar todo o programa eleitoral na libertação do cérebro da bancarrota, a tal que a ocorrer sem acusação e prova de inocência originará um desejo explícito do partido em obter justiça popular através do voto.
Boa sorte: não faltam chanfrados nos blocos, livres e sindicatos de 6 sócios desta vida para vos fazer a vida negra. Já vos terá ocorrido que se os portugueses quisessem eleger a Catarina Martins ou o Rui Tavares já o teriam feito sem necessitar da recauchutagem new age e corte de cabelo hipster com Cunhal, Carvalhas e Jerónimo de Sousa? Provavelmente, até ocorreu. Para mim é bluff: vamos a jogo.
Mas ele diz que é inocente…
Duarte Lima condenado a 10 anos de prisão, apesar de se dizer inocente. Isto é o fim do regime. No mínimo, uma cabala.
Sugestão para evitar prisão: ir para o aeroporto; lá não se deve prender ninguém.
O que é a justiça? II
José Sócrates: “Ai fui eu que aprovei isso!?”
O ex-primeiro-ministro desabafou perante um responsável da prisão que para ter acesso ao cartão do recluso com o dinheiro que pode gastar e os dez números de telefone para onde pode ligar eram necessárias “muitas burocracias”. Em resposta, esse elemento mostrou-lhe o decreto-lei do regulamento geral das prisões e o Código de Execução de Penas, chamando a atenção para a assinatura no documento e disse: “Foram aprovadas por si.” Sócrates ainda gracejou: “Ai fui eu que aprovei isso!?”, contou ao DN fonte prisional.
Argumentário para todos os dias, horas e situações
Porquê questionar apenas a manga do aeroporto, a sexta-feira à noite e as deslocações em Lisboa? Por mim tenho questões para todos os dias da semana e fases do dia:
Certamente que deter um ex-primeiro-ministro num sábado numa sala de cinema quando o filme (francês) ainda ia a meio e obrigá-lo a pernoitar nas precárias instalações do TIC para que esse momento não fosse assinalado pelos flashes e as câmaras televisivas não contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de desvalorizar o cinema francês e humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.
Certamente que deter um ex-primeiro-ministro no meio da rua a um domingo à tarde e em seguida distribuir fotos oficiais dele a ser transportado não contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.
Certamente que deter um ex-primeiro-ministro na sua própria casa a uma segunda-feira de manhã e em seguida levá-lo para o TIC onde nunca mais foi visto pelos flashes e as câmaras televisivasnão contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.
Certamente que deter um ex-primeiro-ministro a uma terça-feira antes de almoço e levá-lo de mota com um capacete enfiado na cabeça para andar a passear com ele por Lisboa durante dias à vista dos flashes e das câmaras televisivas não contribuiu em nada para as boas relações com o presidente francês nem para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.
Certamente que deter um ex-primeiro-ministro enquanto corria à beira do Tejo numa quarta-feira de manhã cedo e obrigar a que o inquérito não pudesse prolongar-se para lá das 19h de modo a que o detido não tivesse de andar a passear por Lisboa durante dias à vista dos flashes e das câmaras televisivas não contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.
Certamente que deter um ex-primeiro-ministro numa quinta-feira a horas não divulgadas num local desconhecido e levá-lo para local desconhecido para que fique preservado circo mediático e não tenha de andar a passear por Lisboa durante dias à vista dos flashes e das câmaras televisivas não contribuiu em nada para a seriedade dos procedimentos judiciais – aliás, suspeito mesmo que tenha havido aqui um desejo retorcido de humilhar o homem perante o país, condená-lo na mesa do café e no sofá de casa.
Descubra as diferenças
Poucos meses depois José Sócrates apresentava uma dissertação ou tese redigida em francês.
O diferente
Dia sim dia não são presos padres acusados de pedofilia. A Igreja não pede um tratamento especial e diz confiar na justiça.
Dia sim dia sim são detidas pessoas acusadas de corrupção. Os próprios e os seus advogados preparam a respectiva defesa.
José Sócrates foi preso. Está a ter um tratamento prisional de excepção que os seus correlegionários nunca tolerariam se o visado não fosse um dos seus. Estes todos os dias criam factos e incidentes de modo a que rapidamente estejamos atulhados na discussão sobre a coincidência da data da prisão e o local da detenção (questões logo deixadas cair quando se percebeu que Sócrates sabia que ia ser detido), depois sobre a violação do segredo de justiça – já agora promovida por quem? – e depois sobre o que calhar. Porque é do sucesso desta criação de factos que resultará a legitimação diante da opinião pública do gorar da investigação.
O que estáem causa não é a justiça. Não é o regime. É sim a presunção por parte de um grupo de pessoas que partilham entre si a convicção de que não se lhes aplica nada daquilo que defendem para os outros.
boas notícias no brasil
Joaquim Levy, um Chicago boy, à frente da Fazenda. Se Dilma, que finalmente parece ter compreendido que não entende patavina de economia, respeitar o novo ministro, pode ser que alguma coisa se componha.
fácil de resolver
Raramente vi caso judicial mais fácil de resolver do que o actual de José Sócrates. Se bem entendi, o antigo primeiro-ministro é suspeito de crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal agravada, em virtude de depósitos bancários elevados, no montante aproximado de 20 e tantos milhões de euros, e por causa de uma suposta compra de um apartamento num dos bairros mais luxuosos de Paris. Sendo assim, quanto ao problema do dinheiro depositado, de duas três: ou esse dinheiro existe ou não existe. Se existir e se for de José Sócrates, bastar-lhe-á demonstrar a sua proveniência legítima (salários, heranças, a descoberta casual de um tesouro, euromilhões acumulado, etc.). Caso não exista, ou se existindo esse dinheiro não for seu, bastará demonstrar que nada tem nada a ver com tamanha maquia, passando o seu motorista a ter que explicar a mando de quem o recolhia e a quem o entregava. Já quanto ao apartamento de Paris, francamente luxuoso para um tão convicto socialista (mas essa é outra questão), também não lhe será certamente complicado demonstrar que não era o seu dono, se fosse apenas inquilino, ou que, caso o tenha adquirido, explicar a proveniência do dinheiro/crédito imobiliário com que o comprou. Para o primeiro caso existirão certamente contratos de arrendamento e transferências bancárias de rendas, enquanto que para o segundo bastará explicar como conseguiu os 2.8 milhões de euros que se diz ter a coisa custado. Teria, assim, sido muito mais interessante – e útil para Sócrates – que o seu comunicado de ontem tivesse explicado isto, em vez de se limitar a expor a requentada teoria da cabala política. No fim de contas, não são apenas os comunicados judiciais que são francamente inconclusivos…
Um país prodigioso
O motorista de José Sócrates é defendido pelo escritório de Proença de Carvalho (que pelos vistos cobra 400 €/hora). Quando contactou o escritório, estes não sabiam de que assunto se tratava. Cândida Almeida quer uma rigorosa investigação ao segredo de justiça. O actual responsável pelo DCIAP não abriu a boca, e de resto ninguém sabe sequer o nome dele/dela. O ex-PGR Pinto Monteiro jantou com Sócrates na semana passada, e falaram de livros e viagens. Foi o 1º almoço a sós entre os dois de sempre. O ex-PGR já deu uma entrevista à RTP. A actual PGR não abriu a boca. Jorge Sampaio está preocupado com o país, na semana não estava, ou pelo menos não disse nada. Proença de Carvalho e Maria de Lurdes Rodrigues debateram ontem na TSF a prisão de Sócrates. Uma foi recentemente condenada por prevaricação quanto era ministra de Sócrates, o outro é o chairman do escritório que defende o motorista. Ambos concordaram que a defesa de Sócrates tem pouca visibilidade nos media. Informação passada por advogado de Sócrates chegou ao Twitter ao mesmo tempo que o próprio Sócrates se queixa de violação do segredo de justiça.
Ó senhor opinador amador, desapareça!
Pronto, já passou tempo suficiente para toda a gente opinar sobre a prisão preventiva do doutor-engenheiro Sócrates. Agora parem de falar neste assunto que estão a gerar ruído. A defesa precisa de espaço mediático e de comentário para a sua própria estratégia; não vale a pena continuar a contaminar o país com opiniões do foro pessoal sem o aval profissional e que retire o espaço de defesa do acusado.
E entretanto também
a propósito da reacção à sentença do polícia que matou Michael Brown temos tido direito às notícais habituais dos jornalistas que se vêem enquanto brancos-libertadores de negros-oprimidos . Sobre esta forma de ver a preto e branco Gabriel Mithá Ribeiro escreveu no Observador um texto muito interessante que o tumulto do fim-de-semana injustamente relegou para segundo plano: A nova colónia negra trancada no armário branco
Entretanto
TwittSocras
Apesar das dúvidas suscitadas pelo estilo pitoresco do advogado João Araújo, é reconhecido o interesse do profissional pelo funcionamento das instituições europeias, visto aqui a participar na iniciativa TwittPE da então eurodeputada Edite Estrela, iniciativa que consistia em levar pessoas do povo com conta na rede social Twitter a Bruxelas para perceberem o funcionamento… er… das coisas. Não que tenha mal, as instituições europeias são coisas fascinantes. O ano de 2012 foi particularmente bom para esta iniciativa, que contou com a participação de outros notáveis do Twitter como Carlos Zorrinho, José Junqueiro, Henrique Monteiro e o saudoso João Pinto e Castro.

Descriminação em pleno PE :):):):) #twittPE2012 pic.twitter.com/R06OcZP8
— Vitor Branco (@VitorBranco) October 4, 2012
Fatal
O momento ao minuto 2.15 em que a entrevistadora adopta aquele tom enfático-paternal que nos aterra quando o ouvimos ser utilizado pela primeira vez em relação a alguém da geração dos nossos pais.
Tudo o que hoje foi perguntado a Mário Soares não é eticamente condenável.
Ele foi a Évora por sua vontade e disse o que quis.
Tal como disse o que quis à TVI.
E na verdade não disse nada que nunca tenha pensado. Para Soares aquilo a que ele chamou e chama democracia foi e é um regime em que os polícias de facto não tocam em socialistas
Mas seja como for acho que há um princípio nestas coisas: não entrevistes os pais dos outros em circunstâncias em que não gostarias que entrevistassem os teus










