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Uma vez na vida o PS deve concordar com Cavaco

26 Novembro, 2014

O presidente da República considerou, esta quarta-feira, que a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates não irá afetar a imagem de Portugal, sublinhando que quem observa o país verifica que as instituições “estão a funcionar com toda a normalidade”

Suponhamos que o actual PR alinhava pela escola Sampaio e convocava eleições?

A propósito de discriminações

26 Novembro, 2014

Estranho que aos socráticos e respectivos compagnons de route não ocorra discutir a óbvia discriminação constituída pelo facto de se ter aberto uma excepção para Sócrates estar numa cadeia destinada a magistrados e forças de segurança. Acrescento já que concordo com essa excepção mas sei bem que caso o detido fosse do CDS ou do PSD a esta hora já estariam convocadas manifestações pelas forças vivas do costume e com a presença dos notáveis do costume para protestar contra o tratamento de favor e os privilégios. Essa decisão serviria obvia e claramente para mostrar a parcialidade do juiz Carlos Alexandre. Depois estranho mais ainda que Mário Soares tenha visitado José Sócrates apesar de este não ser dia de visita. Goste-se ou não – eu não gosto – Portugal continua a ser o país em que Cavaco Silva, então primeiro-ministro, não visitou o pai no hospital porque não tinha consigo o Bilhete de Identidade e como tal um segurança não o deixou entrar. E é o país em que Mário Soares, então Presidente da República, visitou na Tunísia um  antigo primeiro-ministro italiano fugido à justiça do seu país, e agora não sei a que título visita uma pessoa que está detida num dia em que tal não é permitido aos demais.

Correcção: A visita desta quarta-feira de Mário Soares a José Sócrates, na cadeia de Évora, foi autorizada ao abrigo do artigo que permite aos reclusos preventivos em regime comum receberem visitas, sempre que possível todos os dias, indicam os serviços prisionais. Em resposta às questões enviadas pela Lusa, a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais avançou que o nome de Mário Soares “consta, na qualidade de amigo, da lista de visitantes apresentada, conforme o legalmente previsto, pelo recluso”. Desta forma, explica, a visita de Mário Soares foi “previamente solicitada e autorizada ao abrigo do disposto no nº 1 do art.º 222º do Regulamento Geral dos Estabelecimentos Prisionais”.

Ainda bem que este artigo existe e ainda bem que Sócrates pode usufruir dele ( e espero que todos os outros presos em preventiva) Mas repito: caso o detido fosse do CDS ou do PSD a esta hora já estariam convocadas manifestações pelas forças vivas do costume e com a presença dos notáveis do costume para protestar contra o tratamento de favor e os privilégios.

O que é a justiça?

26 Novembro, 2014

Sou sensível ao que o Joaquim Sá Couto escreve aqui. Nos últimos 20 anos já vi a posição dominante sobre os direitos dos arguidos oscilar entre “há um excesso de garantias” e “há violação das liberdades fundamentais”. Entre “estamos a condenar inocentes a dias de prisão” e “o Duarte Lima não está preso porquê?”. Estas questões colocam-se a propósito de figuras públicas com quem o parte da opinião pública tem empatia, mas não com acusados desconhecidos de tráfico de droga, roubo, fraude fiscal, pequena corrupção, etc.

É evidente que há uma excessiva subjectividade nestas análises, e por isso é que o pêndulo oscila, dependendo de quem são os acusados, dos crimes e da memória, sempre curta, de casos idênticos.

Há uma forma de eliminar essa subjectividade, através de um véu de ignorância entre o legislador e a sua posição social futura. Imagine-se que as leis são feitas por uma Assembleia cujos membros desconhecem a sua posição na sociedade para a qual estão a legislar. Imagine-se que após a definição das leis, a posição social social dos legisladores  é sorteada (e eles sabem disso desde o início do processo). Uns tornam-se ricos e talentosos. Outros pobres ou com dificuldades físicas ou cognitivas. Este processo legislativo força os legisladores a escolherem leis mais justas, sem serem afectados pela subjectividade da sua posição social (que é desconhecida no momento em que as leis são feitas).

Curiosamente, este caso Sócrates é o que mais se aproxima deste ideal de justiça. A última alteração ao código de processo penal foi em 2010 e tem a assinatura do Primeiro Ministro José Sócrates Pinto de Sousa. Não consigo imaginar nada mais justo do que um homem ser processado pelas regras que ele próprio considerou justas para os outros.

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O QUE ESTÁ EM CAUSA: CRISE DE REGIME. PROBLEMA DAS INSTITUIÇÕES. EVENTUAL VIOLAÇÃO DO SEGREDO DE JUSTIÇA. PODIA LÁ SER OUTRA COISA?

26 Novembro, 2014

PRIMEIRO FOI UMA CRISE DE REGIME:

FÓRUM TSF: Detenção de José Sócrates

A detenção do antigo primeiro-ministro deu força a um debate, em que se associa a queda do BES e o caso dos vistos dourados: Podemos falar em crise do regime? O que espera do comportamento da justiça e dos partidos? Como é que estes casos influenciam a forma como olhamos o funcionamento do Estado?

DEPOIS TORNOU-SE UM PROBLEMA DAS INSTITUIÇÕES:

FÓRUM TSF: José SócratesAs suspeitas que recaem sobre José Sócrates, que ficou em prisão preventiva, têm consequências políticas? De que forma é que este caso afecta o PS? Este caso influencia a forma como olha o funcionamento das instituições do Estado?

HOJE JÁ TEMOS ALGUÉM A QUEM AVALIAR: A JUSTIÇA E A COMUNICAÇÃO SOCIAL. ALÁ SEJA LOUVADO!

FÓRUM TSF: O caso Sócrates

O Ministério Público abriu um inquérito para apurar a eventual violação do segredo de justiça. Como avalia a atuação da justiça e o comportamento da comunicação social? E como avalia a forma como os partidos estão a lidar com o caso Sócrates?

Castas pouco conhecidas

26 Novembro, 2014
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Partidos impedem pela quarta vez revogação do estatuto dos funcionários parlamentares

Este é um tema que faz sempre a unanimidade do Parlamento. Estamos a falar de uma casta de funcionários dinástica, que se iniciou em 1975 e já terá elementos da 3ª geração. A subserviência dos deputados aos seus interesses tem sido uma constante, vá lá saber-se porquê…

E daí?

26 Novembro, 2014

Ondas de choque da detenção de Sócrates:

a)  António José Seguro é definitivamente um homem com azar no que aos calendários respeita. Tivesse a detenção de Sócrates acontecido alguns meses antes e António José Seguro continuaria como líder do PS.

b) Por ironia do destino, Costa, levado quase em ombros pelos históricos do partido, pode vir a ser o líder a quem cabe a espinhosa tarefa de explicar aos socialistas que na República não há partidos mais iguais que os outros e que denunciar a corrupção no PS não é uma afronta nem uma traição.

c) Basta seguir o calvário vivido em Espanha por Rajoy com Barcenas, o ex-tesoureiro do PP detido há algum tempo, para perceber o risco para o PS que advém de alguns dos arguidos tentarem desresponsabilizar-se alegando cumplicidades do partido.

d) A vantagem que a actual situação traz a António Costa é que tem aqui o motivo mais que suficiente não para apagar pessoas das fotografias, mas para as tirar da sua equipa, que em boa verdade é quase uma equipa de Sócrates sem Sócrates.

e)  Curiosamente esta crise pode ter trazido ao PS aquilo que lhe estava a fugir: um bom candidato presidencial. Com Sócrates passado à situação de “não está nem se espera” no Largo do Rato, Guterres sentir-se-á muito mais à vontade para dizer sim a uma candidatura presidencial onde o seu maior obstáculo eram os sectores jacobinos do PS, sectores esses que preenchem boa parte do universo socrático.

f) Os “E daí?” (grupo que durante anos e anos de cada vez que se questionava a actuação de Sócrates respondia sobranceiramente com um “E daí?”) continuam a andar à procura de alguém a quem, uns mais reverendos e outros mais obrigados, possam venerar. Ou na falta dele alguém a quem possam perguntar como fizeram a Rui Mateus quando este denunciou o caso Emaudio: “Então, como é que se sente na pele de um traidor?”

Maquilhagem à noite com a luz apagada

26 Novembro, 2014

dislexia
Continua a ser fascinante observar que defensores da inversão do ónus da prova na proposta de lei do enriquecimento ilícito se manifestem repugnantemente indignados com o risco para a presunção de inocência decorrente de prisões preventivas.

É melhor não fechar o inquérito

25 Novembro, 2014

O Ministério Público abriu um inquérito para apurar se existiu ou não violação de segredo de justiça durante a investigação que levou à detenção de José Sócrates.

É que entretanto aconteceu uma outra fuga de informação. E essa a não ser que s e esteja num caso de pirataria está devidamente identificada: Alda Magalhães Telles (segundo o SOL casada com João Araújo, advogado de José Sócrates)  colocou ontem à noite na sua conta do Twitter uma informação sobre os interrogatórios aos quatro arguidos: “Curioso, durante todo o interrogatório os arguidos não foram nunca confrontados com um único facto concreto de corrupção. #oops”, escreveu Alda Telles

Face ao problema com a reputação dos arguidos

25 Novembro, 2014

que agora atacou estrénuos combatentes contra a corrupção proponho que no caso dos alegados corruptos serem socialistas se devia adoptar como lema este conselho do David Dinis:  a investigação decorria em sigilo, não se perguntava nada, depois alguém ligava ao suspeito e dizia-lhe: olhe, o meu amigo foi ontem julgado por corrupção e foi considerado culpado.

É mesmo verdade, o regime está podre

25 Novembro, 2014

Há uns anos prenderam preventivamente um primo meu que matou o pai enquanto ouvia uma canção dos The Doors. Isto alegadamente, já que ninguém conseguiu encontrar o álbum. Bem, prenderam o meu primo porque havia risco de fuga, aliás confirmado por uma das moças que trabalhava para ele no bar selecto que tinha para os lados de Quintanilha; risco de fuga associado a uma ideia fixa que ele tinha desde pequenino, que eu lembro-me bem de ele o dizer já quando incendiávamos cães vadios motivados pelo excesso de tempo livre quando a escola era só de manhã e o professor não nos escolhia para explicações individualizadas ao colo durante a tarde, que consistia em dormir com a mãe sem o pai estar ali a incomodar, visto que era um senhor muito peludo.

Foi preso preventivamente e, inadvertidamente, acabou por ser acusado de matar um guarda prisional, que apesar da mania de dizer “graças a Deus” por tudo e por nada, até era boa pessoa mas desastrada, já que tropeçou no pé do meu primo e caiu na bigorna guarnecida com picos em chamas esquecida das filmagens de um filme snuff que o meu primo tinha rodado no pequeno-almoço comunal anterior. O meu primo nem nunca foi pessoa particularmente violenta, mesmo nos combates organizados entre claques de futebol, uma actividade recreativa como qualquer outra das patrocinadas pela junta de freguesia e que acabou por lhe valer a alcunha de Triturador; como dizia, não é violento, é só feitio, já que é um tipo assim para o aguerrido, combativo, mas um doce de pessoa com um sentido de humor muito corrosivo, como aquela suástica tatuada na testa demonstra a quem conhece o que lhe vai no coração.

Nós bem tentamos, apelamos, escrevemos muitos artigos e até conseguimos demonstrar aos vizinhos que havia uma agenda escondida na justiça e que esta consistia em usar o caso mediático do meu primo para ocultar a bandalheira que havia no quiosque da Dona Fernanda correspondendo ao tráfico de cromos contrafeitos do Euro2004. Essa vergonha e aquele caso do Arménio que continuava presidente do rancho folclórico quando toda a gente sabia que o Arménio tinha comprado cromos no quiosque para a caderneta da filha. Isso não queriam eles que se andasse a divulgar, por isso incriminaram o meu primo, só porque ele bebeu o sangue do pai, uma prática comum em vampirismo, que, como se sabe, não é crime. E a necrofilia também não é crime, o guarda já estava morto e estava, que diferença fazia esperar mais um bocadinho para embalsamar o corpo?

O meu primo foi até considerado o Nelson Mandela de Moimenta, na luta pela liberdade e justiça num país dominado pelos lóbis dos poderosos como o Arménio, que por ter três vacas já se acha mais importante do que as pessoas que têm que ganhar a vida a alugar gajas num bar. É por isso que eu não acredito na justiça e acho que o regime está podre.

Saudades do tempo em que as pessoas eram levadas discretamente?

25 Novembro, 2014

Mário Soares: “Sábado o país foi confrontado com um acontecimento que deixou todos os democratas imensamente preocupados. O que foi feito a um ex-primeiro-ministro com um enorme aparato lesivo do segredo de justiça não pode passar em vão”, escreveu esta terça-feira Mário Soares na coluna de opinião que escreve no Diário de Notícias,  “O tempo e a memória”.

O ex-presidente da República e figura histórica do Partido Socialista também aproveitou o espaço no diário para apontar o dedo à comunicação social e ao “espetáculo mediático” que tem feito, ao violar, também ela, o segredo de justiça. Mário Soares refere-se à revelação dos factos que só deveriam ser conhecidos quando o juiz se pronunciasse. “Independentemente do que está em causa e da separação de poderes entre a política e a justiça”, escreveu.

Condenação

25 Novembro, 2014

Depois de alguns dias em frente a uma garagem seguir-se-ão alguns dias em frente a uma prisão. Primeiro vão dilatando o horário de almoço, depois, um a um, deixam de ir. A prisão passa a ser a mesma de sempre, sem repórteres acampados, silenciosa no exterior exceptuando a hora das visitas, a que é frequentada por todo o tipo de pessoas cuja luta de classes se resume à tentativa de passar mais ou menos droga pela revista dos guardas. Um a um vão sumindo os dedos dos irredutíveis que se prendem ao penhasco que é o delírio da negação. Nesse dia, lá para sexta-feira, Sócrates estará condenado: condenado a ser uma mera menção embaraçosa na história do Partido Socialista.

Um dia, quando for ilibado ou condenado judicialmente, lá estará um ou outro repórter estagiário a cobrir a coisa, sem grande interesse para o público em geral. Restará um ou outro maluquinho, daqueles que outrora se queixou da “direita”, a “maldita direita”, os bandidos que não paravam de falar em Sócrates. Porque tinham medo, porque eram obcecados, talvez até frustrados. Chegará a paz desejada: já não haverá ninguém para falar de Sócrates.

Porque não falam de Sócrates?

República de Juízes

24 Novembro, 2014

joaquim

A crise do regime

24 Novembro, 2014

Receber luvas, favorecer este ou aquele, traficar influências, realizar negócios ruinosos para o contribuinte, isso é o regime.

Ser investigado, detido ou condenado, isso é a crise do regime.

Está correcto: a justiça põe em causa o regime. Salvem o regime: acabem com a justiça.

Exactamente

24 Novembro, 2014

Alberto Gonçalves: A esquerda lamenta diária e ancestralmente a corrupção e a pouca-vergonha que por aí vão. Mal se engaveta o “eng.” Sócrates, a mesma esquerda mostra-se desconfiadíssima da Justiça e, em pânico, profetiza a derrocada do regime e do sistema solar. Se calhar o melhor era prender o Cavaco e não se falava mais nisso.

Fogo sobre o quartel general

24 Novembro, 2014

Sobre a prisão de Sócrates – Contra-revolução em marcha

Como é sabido, o PCTP/MRPP nunca morreu de simpatias por José Sócrates e pelo seu governo, um dos piores que o país teve.

Mas não é isso que agora está em causa, quando a Polícia Judiciária, pela mão de famigerados justiceiros como Rosário Teixeira, com a cobertura de agentes do Ministério Público e de juízes como Carlos Alexandre, depois de ter abortado prematuramente a Operação Labirinto no caso dos vistos gold, permitindo que Miguel Macedo e outros altos quadros do Estado, do governo e do PSD pudessem escapar à prisão; depois de deixar à solta Ricardo Salgado, chefe do maior gang de gatunos e financiador das campanhas eleitorais de Cavaco e do PSD, e de não tocar em Paulo Portas e Durão Barroso, a mesma PJ e ministério público decidem precisamente prender uma importante figura do Partido Socialista, com quem os actuais dirigentes do PS mais se identificam politicamente.

Isto não sucede, obviamente, por acaso e segue-se a anteriores operações de assassinato político contra altos dirigentes do PS, como foi o caso de Ferro Rodrigues e, mais recentemente, com a aplicação de pesada pena de prisão a Armando Vara.

O PCTP/MRPP considera que a actuação da Polícia Judiciária, do ministério público e da polícia política (as secretas SIRP e CIS, que são quem, em boa verdade e na sombra mandam de forma incontrolável) é apenas orientada para atingir e perseguir os partidos de esquerda e consolidar o poder do actual governo e coligação de traição nacional PSD/CDS, impondo-se, por isso, a adopção de medidas urgentes e radicais em matéria de composição dos Conselhos Superiores da Magistratura e do Ministério Público e das polícias políticas para travar o golpe de estado em curso.

Por último, o PCTP/MRPP não pode deixar de denunciar o facto de o presidente da República estar a colaborar objectivamente com aquele plano, pois fecha os olhos e deixa passar uma situação que é, para todos os efeitos, de manifesto irregular funcionamento das instituições democráticas e de crise constitucional, e se recusa a usar dos seus poderes para dissolver a Assembleia da República e marcar logo as novas eleições legislativas, que dê uma nova oportunidade à democracia constitucional.

Lisboa, 22 de Novembro de 2014

A Comissão de Imprensa
do PCTP/MRPP

E de repente

24 Novembro, 2014

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Após semanas e semanas a assistirmos ao desfile dos advogados betos, vestidos de betos e muitos com apelidos que se mantêm nas lombadas dos livros de Direito desde que Salazar estudava em Coimbra ou que já tiveram os paizinhos na crise académica de 1962 eis que surge esta personagem a procurar situar-se nos antípodas.

marquês

23 Novembro, 2014
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Marques_de_Pombal

tricéfala

23 Novembro, 2014
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tricefaloA Convenção do Bloco de Esquerda acaba de eleger, pelo expressivo resultado de 259 votos, uma Coordenação tricéfala. Um destes dias, serão mais os coordenadores do que os eleitores.

O mundo do óbvio

23 Novembro, 2014

Como é que sendo agora tão óbvio que Sócrates tinha estado envolvido em X e em Y, que ostentava uma vida que os seus rendimentos não explicavam que isto assim e aquilo assado também se considerou óbvio há menos de um mês  que o PR o devia condecorar?

Prenderam um Jim Jones, e agora?

23 Novembro, 2014

Ontem, num daqueles programas de televisão que não são bons, como os de debate entre pessoas cuja divergência de opinião é inexistente e a coincidência tão previsível como irrelevante, alguém cuja profissão é emitir opinião mainstream indistinta e a velocidade de cruzeiro dizia que a detenção de Sócrates não tinha sido assimilada pelas pessoas, ainda, de tão chocante que é a detenção de um ex-PM.

Eu assimilei. Dado o número de casos em que o nome do indivíduo aparece e em conjunção com o seu permanente pavonear no espaço mediático, quer através de esbelta figura, quer por interposta apara de maquineta que o endeusou, era apenas uma questão de tempo até a exuberância de impunidade ser demais e a bolha rebentar. Trata-se do tipo que faliu um país, situação sempre aborrecida e que explica a aversão popular a pavões. É ligeiramente irritante para o tal de país real que uma pessoa que origina o maior ajuste de rendimentos no bolso do Zé continue a ter espaço dedicado ao onanismo com vista para o Sena, sem sinais aparente de contenção, como as pessoas normais fazem, ainda que de forma aparente que demonstre a capacidade de humanizar um ego dilatado e tão flutuante como passível de preencher qualquer buraco na camada de ozono.

O país parou porque prenderam um indivíduo suspeito de receber luvas? Acho que não, o país não parou e ninguém duvida da capacidade do ser em questão para aceitar luvas, quer tenha recebido, quer não tenha. Seria como duvidar que o tipo que se orgulha de dormir com a arma debaixo do travesseiro fosse capaz de matar a mulher por falta de sal no bife em dia de derrota do Benfica. Afinal, “eles não são todos iguais”? Afinal, não “era prender esta cambada”? Afinal, não era “preciso uma auditoria cidadã”?

Se Sócrates é culpado ou não isso nem sequer é relevante para a horda confusa de aparas do regime, que está muito mais preocupada com o como de que com o porquê. É a forma como o prenderam às 22h30 e houve tempo para uma câmara captar uma imagem duvidosa de um veículo qualquer numa rua perto da uma da manhã; é a forma como alguém eventualmente se esteve cagando para o segredo de justiça; é o como pode a figura sobreviver numa cama de palha enrolando a bijan como travesseiro numa prisão turca onde é sodomizado pelos guardas… perdão, este último como é do filme Expresso da Meia Noite, não do programa com o mesmo nome do canal que conseguiu filmar um carro numa estrada à noite.

O Partido Socialista tem que conseguir purgar culpas e expiar os seus pecados, nem que para isso tenha que deixar este Jim Jones uma ou duas noites à espera para ser ouvido antes de ser definitivamente libertado e considerado inocente. Alguém tem que dizer a esta figurinha e ao seu Templo do Povo que a farsa acabou, que ele é o sal na ferida. Ninguém tem mais a ganhar com o descrédito do tipo que o próprio Partido Socialista, que pode sair definitivamente do limbo. Se querem mesmo escolher uma teoria da conspiração, eu começaria por essa.

Sabem que dia é hoje?

22 Novembro, 2014

Dia Nacional do Engenheiro 2014

como findam os regimes

22 Novembro, 2014
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Depois das detenções de Ricardo Salgado e de José Sócrates, que puseram em cheque o sistema financeiro e o sistema político português (a ordem é arbitrária), seja qual for o rumo que os processos venham a tomar – e não se antevê que seja particularmente auspicioso para nenhum dos dois – o regime precisará de forças hercúleas para se salvar, ou ciclópicas, como dizia outra nossa personagem histórica de fim de regime, por sinal também ela transportada de carro no seu momento final. Se o PS e o PSD não perceberem este momento e não se entenderem rapidamente, não ficarão por cá muito tempo para verem o que lhe sucederá.

A culpa não é de Sócrates. É nossa

22 Novembro, 2014

Tema do meu artigo de hoje no Observador:Foram os políticos, e neste caso particularmente os do PS, ao pôr de lado a moral e ao centrar tudo no avanço da justiça, ou mais precisamente na sua capacidade de fazer arquivar os processos, quem sentou um dos seus, Sócrates, no banco traseiro daquele carro utilitário que o levou do aeroporto até ao DCIAP. E foram os portugueses, enquanto eleitores, sancionando o comportamento de Sócrates, dando-lhe a vitória em 2009, quem depositou Portugal na mão das polícias e dos juízes.

o infante de portugal

22 Novembro, 2014
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Aí há uns meses, porque a filha de D. Juan Carlos, a Infanta Cristina, foi indiciada num processo judicial de corrupção e branqueamento de capitais, alguma esquerda portuguesa reclamou, mesmo antes de findo o processo e confirmadas, ou não, as suspeitas que recaiam sobre a princesa, o fim da monarquia espanhola. Agora que recaem sobre um recém ex-primeiro-ministro de Portugal idênticas suspeições, também pretendem o fim da nossa república?

Imagem exclusiva de uma rua a meio de uma noite com nevoeiro

22 Novembro, 2014

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Adoro-vos a todos!

22 Novembro, 2014

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O chamado estudo de fulanização

21 Novembro, 2014

Banqueiros têm tendência cultural para mentir, dizem cientistas suíços

Dá sempre jeito um estudo assim: pode fazer-se com judeus, com portugueses, com portugueses negros versus portugueses brancos, com médicos, com juízes, com padres…

E se uma víbora os tivesse mordido? Se aparecesse um lobo? Se tivessem confundido o teixo com uma planta para fazer infusões?

21 Novembro, 2014

Correio da Manhã: O Supremo Tribunal de Justiça reduziu para 114.400 euros a indemnização a pagar pela concessionária do Parque das Termas do Gerês à família de um homem que ali morreu quando tentava socorrer o filho que caíra ao rio.

O acidente registou-se a 7 de junho de 2008, sendo a vítima um homem de 37 anos, residente no Porto, que estava a gozar com a família um fim de semana no Gerês, oferecido na compra de um automóvel. No parque, um filho da vítima, de 9 anos, desceu até uma rocha para ser fotografado pelo pai junto a uma queda livre de água, junto ao chamado “poço verde”. O rapaz escorregou e caiu ao poço, onde a água tinha dois metros de profundidade e um de diâmetro.

O pai, que não sabia nadar, atirou-se à água para tentar salvar o filho, acabando por ficar submerso durante algum tempo. Foi reanimado e transportado, ainda com vida, ao hospital, mas acabou por não resistir às lesões, morrendo no dia seguinte, presumivelmente vítima de congestão ou choque térmico.

O filho sabia nadar e conseguiu sair da água pelos seus próprios meios. A família da vítima moveu um processo judicial contra a concessionária, exigindo uma indemnização superior a 373 mil euros por alegada violação do dever de prevenção do perigo relacionado com a possibilidade de acesso à área envolvente do denominado “poço verde”.

O Tribunal de Vieira do Minho julgou a ação improcedente mas a família recorreu para a Relação de Guimarães, que condenou a concessionária ao pagamento de uma indemnização de 276 mil euros. A Relação atribuiu a culpa exclusiva do acidente à concessionária, por omissão do dever de assinalar o perigo da aproximação ao local do acidente, conhecido por “poço verde”.

Após o acidente, a concessionária colocou uma rede para impedir o acesso ao “poço verde” e à envolvente. Também afixou à entrada do parque o Regulamento de Utilização, do qual constam avisos para os visitantes não se aproximarem ou debruçarem sobre o ribeiro e sobre o lago e para não saírem dos percursos próprios para passeio.

Subvenciona isto

21 Novembro, 2014

As subvenções têm impacto nulo no orçamento em termos de contabilidade da despesa; porém, têm um impacto brutal na capacidade dos parlamentares demonstrarem compreender os cortes que necessariamente terão que intensificar na despesa pública. Parece que a situação está a dividir o PSD enquanto o PS se divide em bloquistas ambiciosos no seu analfabetismo aritmético e socialistas que sabem que o acto de governar não tem relação com o objectivo que é obter o poder.

Se parece divertido é porque é.

asasfafa

efeito messiânico, via Popstar

«lá vamos cantando e rindo…»

20 Novembro, 2014
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Passos e Portas chefiam um governo de «estarolas», que mantém um «conflito insanável com o regime democrático», Marques Mendes tem «sete vidas» como os gatos, Teixeira da Cruz «mente com quantos dentes tem», Cavaco Silva é um carteirista que rouba relógios aos seus apoiantes, Miguel Macedo está enterrado até aos cabelos no caso dos «vistos gold», e por aí vai a repelência política da honradíssima esquerda socialista pela direita que está no governo, sempre de dedo em riste para apontar as poucas-vergonhas e trafulhices do PSD e do CDS. Sempre? Bom, sempre, sempre, nem sempre, porque também convém não exagerar. Quando toca nos bolsos de todos, do PS, do PSD e do CDS, o silêncio é de ouro e a palavra de prata. E como a prata está cara, o melhor é não dizer nada. Uma verdadeira União Nacional, neste caso protagonizada por dois Chefes de Quina de ambos os partidos, Lello e dos Santos. A Bem da Nação!

Não sei que é mais espantoso: se a voz de seminarista de Eduardo Cabrita, se a paciência de Paulo Núncio se os jornalistas levarem sempre estas coisas do PS para a brincadeira

20 Novembro, 2014

Deputado e secretário de Estado lutam por microfone

Secretário de Estado e deputado do PS discutem no Parlamento

O microfone é meu. Não, é meu… e assim por diante (na íntegra)

Momento de humor

20 Novembro, 2014

Carlos do Carmo foi homenageado por um bando de pardais à solta e alto patrocínio da Rádio Comercial, estação reconhecida por não passar discos de mais de 3/4 das aves índias capitães da malta canoras.

É caso para dizer que quando a tarde cai, vai-se a revolta, sentam-se ao colo do pai, é a ternura que volta; e ouvem-no a falar do homem novo, são os putos deste povo a aprenderem a ser homens.

Vale a pena ver uma boa canção ser assassinada:

Manipulando a informação

19 Novembro, 2014
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É verdade Vítor, o Público tem-nos brindado com uns títulos bem caricatos, mas não têm o exclusivo da falta de noção do ridículo. A imprensa económica, de quem se esperaria um maior rigor em temas da sua suposta especialidade, também dá frequentemente para esse peditório. Veja-se o título abaixo, que pede meças na manipulação insidiosa da notícia:

 
O texto depois detalha que a decisão não tinha de ser autorizada pelo Governo. O que comprova que não estamos perante ignorância do articulista. É puro jornalismo de causas. Ou de sarjeta, parafraseando um conhecido e assertivo ex-ministro socialista.

Assim não dá!

19 Novembro, 2014

A deputada Ana Gomes está a especializar-se numa técnica de acusação tonitruante seguida de recuo a todo o gás.

Ouvida no parlamento sobre as acusações que fizera a Paulo Portas a propósito dos submarinos levou uma das mais monumentais tareias que me recordo ver naquele espaço:

No fim deu o dito por não dito, não se lembrava de muita coisa e quanto às outras não era afinal aquilo que tinha querido dizer. Quando se suporia que tinha aprendido a lição e passaria a pensar duas vezes antes de falar eis que volta ao mesmo: DN:A eurodeputada socialista Ana Gomes alvitra a hipótese de um milhão de euros do negócio dos submarinos ter sido depositado em contas do CDS.

Em que ficamos? Não diga que não tenha razão no que afirma mas não pode acusar a torto e a direito e depois recuar daquela forma.

A atracção pelos juramentos secretos

19 Novembro, 2014

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Esta imagem retirada deste video divulgado no El Pais retrata segundo a polícia italiana um juramento na mafia calabresa. Digamos que é menos glamoroso que no Padrinho. Mas seja como for começa a ser tempo de também em Portugal se discutir a atracção que muitos dos nossos concidadãos manifestam pela integração em sociedades secretas, discretas e assim assim. Qua ainda por cima o façam na presunção ds superioridade moral da irmandade é que dá que pensar.

Jornal para a década

19 Novembro, 2014

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Sugestão foi de Carlos Costa, e Maria Luís Albuquerque manteve-a na acta da reunião que teve com chefes da supervisão. Mesmo que, publicamente, rejeitasse essa hipótese. Foi a última decisão antes do fim do BES.

Este governo é muito estranho. Primeiro, anda ali a discutir e a ponderar coisas sem nos dizer directamente que anda ali a discutir e ponderar coisas, como se comunicar a decisão final fosse sequer o que nos interessa quando estamos muito mais interessados em conhecer todo o processo de pensamento à medida que ele decorre, como nas capas do Público; segundo, andam ali a elaborar actas mencionando o que foi dito e proposto numa reunião, como se não fosse suposto a acta ser aquela coisa chata que se faz usando um modelo retirado do website ‘fórum do condomínio’ e que menciona apenas aquilo que interessa, ou seja, que entra fumo na lareira do 1º Direito e não que o senhor António do 3º Esquerdo acha por bem apresentar uma agenda para a década.

Salvar Asia Bibi: condenada à morte por ser cristã e por isso ter conspurcado um copo de água

18 Novembro, 2014

Carta do marido de Asia Bibi publicada no Figaro: Je reviens de la prison de Multan où ma femme, Asia Bibi a été transférée il y a huit mois. Depuis que ma femme a été condamnée une première fois à la peine de mort, en novembre 2010, pour avoir bu un verre d’eau au puits de notre village, nous vivons dans la peur ; notre famille est menacée. Avec mes cinq enfants, nous vivons cachés au plus près d’elle car elle a besoin de nous pour ne pas se laisser mourir. Il est indispensable que nous lui apportions des médicaments et de la bonne nourriture lorsqu’elle est malade.

Depuis quelques années la situation a changé à cause de quelques personnes, et nous avons peur.

Après quatre longues années d’attente dans des conditions très difficiles, nous avons espéré que la Haute Cour de Lahore libère ma femme. Elle n’a pas blasphémé ; jamais elle n’a blasphémé. Depuis que la Haute Cour de Lahore a confirmé, il y a quelques jours, la peine de mort contre ma femme, nous ne comprenons pas pourquoi le Pakistan que nous aimons s’acharne contre nous.

Notre famille a toujours été heureuse ici, nous n’avons jamais rencontré de problème avec qui que ce soit. Nous sommes chrétiens et nous respectons l’Islam. Nos voisins sont musulmans, et nous vivions avec eux dans notre petit village. Mais depuis quelques années la situation a changé à cause de quelques personnes, et nous avons peur. Aujourd’hui beaucoup de nos amis musulmans ne comprennent pas pourquoi la justice pakistanaise impose tant de souffrances à notre famille.

Nous sommes en ce moment mobilisés pour le dernier recours devant la Cour suprême du Pakistan, que nous devons déposer avant le 4 décembre. Mais nous savons surtout que le bon moyen serait d’obtenir la grâce présidentielle. Nous sommes convaincus qu’Asia Bibi ne sera pas pendue seulement si le vénérable président du Pakistan, Mammoon Hussain, accorde son pardon. On ne doit pas mourir pour un verre d’eau. Ler mais…

Se calhar não gostam de futebol

17 Novembro, 2014

Caro Seixas da Costa, era aproveitar a presença em Paris, França, local que devia conhecer melhor que um mero estudante da Sorbonne, para explicar aos senhores chineses que para obterem um visto dourado num país europeu podem optar pela França, país onde já se encontram, e que não precisam ir a Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda, ou qualquer outro sítio do qual ouviram falar lá na aldeola onde colhem arroz e desconhecem Cristiano Ronaldo mas ouvem falar de vistos dourados, isso de acordo com o decreto 2009–1114 de 11 de Setembro de 2009.

A propósito

17 Novembro, 2014

Da demissãode Miguel Macedo escrevi hoje para o Observador: Não condeno Miguel Macedo por se ter demitido: pessoalmente não teria paciência para aturar um centésimo daquilo que implica ser político em Portugal, sobretudo se não for respectivamente do PCP, do BE ou do CDS. Mas também não o elogio. Não acho que Miguel Macedo tenha posto a fasquia mais alta quando se demitiu. Antes pelo contrário, tal como Jorge Coelho quando pediu a demissão por causa da queda de uma ponte com a qual nada tinha a ver, Miguel Macedo pôs a fasquia mais baixa