A nossa PT foice
Há grande tristeza no país porque a nossa PT já não vai ficar a mandar na Oi e formar um operador lusófono com mais de 100 milhões de utilizadores, nem vai ser um operador estatal para dar emprego aos filhos dos políticos. É o que dá sonhar os sonhos da Ongoing, do Ricardo Salgado ou do Marcelo Rebelo de Sousa. Sonhem os vossos.
enquanto não cair um avião, a luta da dra. manuela continua!
É nisto que somos muito bons: a tratar de coisas que não aconteceram, deixando em paz as muitas que todos sabemos terem sucedido. Ou será que isto serve apenas para intimidar alguém?
com as ideias baralhadas
A Dra. Manuela Ferreira Leite acha que o que sucedeu na PT resultou do facto do estado já não estar na empresa, e que isso nos deveria fazer reflectir sobre eventuais futuras privatizações da TAP e dos transportes. A Dra. Ferreira Leite comete, porém, um erro de palmatória: se a PT tivesse sido, de facto, privatizada pelas boas regras do mercado, as únicas que privatizam em vez de cartelizar, hoje o seu sócio maioritário seria a SONAE. Como foi entregue pelo pessoal do governo – o tal “estado” de que a Dra. Ferreira Leite tanto sente a falta – aos amigalhaços, a coisa acabou como acabou. A Dra. Manuela Ferreira Leite precisa, urgentemente, de relembrar alguns conceitos económicos elementares.
a luta continua!
Jerónimo de Sousa passou a manhã de hoje a perorar no Fórum TSF sobre o euro e a dívida pública, afirmando que a eles se deve a crise do país, que só poderá ter solução com a saída da moeda única e a renegociação do passivo do estado com os credores. Deste modo, o líder do PCP reconheceu que o governo actual não tem qualquer responsabilidade pela crise, já que nem criou a dívida, nem assinou qualquer tratado da União Europeia. Jerónimo e Passos, a mesma luta!
success fee
Em Portugal, as asneiras pagam-se caro.
O incendiário inimputável
Treze imbecis, claramente transmitindo a ideia de que aceitariam uma vigília à porta das respectivas casas por encarregados de educação insatisfeitos com a classificação dos educandos, serviram de idiotas úteis ao sinistro Mário Nogueira, permitindo-lhe o brilharete moralista pelo distanciamento ao evento.
Nogueira até conseguiu parecer um tipo responsável, criticando a vigília e considerando-a imprópria, quando, e para todos os efeitos, a única coisa que fez foi continuar a beber a cerveja gelada enquanto uma Cheryl Ann Araujo era violada por 4 tipos na mesa de bilhar.
Eu não participei nisso.
Blame the victim: é a vida dos inimputáveis do regime.
Olhó strip tease
o bordel do regime
Existe, de há muitos anos para cá, um verdadeiro bordel do regime, ao qual os nossos políticos, ministros e governantes, recorrem para impudicamente se aliviar. A PT, a TAP, a RTP, a Caixa Geral de Depósitos, a CP, as Estradas de Portugal (curiosamente, tudo nomes femininos…) são, entre algumas outras, as estrelas do lupanário, e aquelas que mais e melhor têm servido os apetites vorazes dos nossos homens públicos.
De tempos a tempos, por falta de condições para as manter, algumas são abandonadas por quem as andou a explorar, quase sempre em péssimo estado de saúde, famintas, anoréxicas, doentes e cheias dos piores vícios. Quando, coitadas!, ainda se vão tentar vender no mercado, convencidas de que mantêm os encantos de outrora, já ninguém as quer, e acabam, quase sempre, por regressar aos mesmos proxenetas que tanto as maltrataram ou por irem parar às mãos de bandidos ainda piores.
Por estes dias, tem sido a vez da PT, que em tempos ainda recentes Belmiro de Azevedo tentou tirar aos proxenetas que a exploravam, para fazer dela uma empresa honrada, mas que foi corrido com um clamor nacional, por estar a pôr em perigo os elevados “interesses estratégicos de Portugal”. Foi pena, sobretudo para a PT e para quem por lá (ainda) trabalha. Num país decente os ditos proxenetas responderiam por aquilo que sucedeu à pobre desgraçada.
o problema da educação
Nuno Crato dizia há uns anos, e dizia muito bem, que a finalidade de qualquer ministro da educação deveria ser a de encerrar o seu ministério. Ora, não obstante os seus esforços involuntários, Crato, agora ministro da dita coisa, não conseguiu cumprir aqueles nobres objectivos, sendo que, a seguir a ele, a nobre fauna de burocratas que não largam a gamela desde que ela foi inventada reporá a ordem natural das coisas. Infelizmente, o problema da educação não se resolve no Ministério da Educação; o problema da educação é o Ministério da Educação.
surprise!!!!
“Maria Luís admite: sim, o Novo Banco pode ter custos para os contribuintes.”
Mas quem diria? Coisa bizarra, esta, que toda a gente já tinha percebido, com excepção da Senhora Ministra das Finanças e dos Senhores Primeiro-Ministro, Presidente da República e Governador do Banco de Portugal. Só é lamentável que os quatro não respondam pelos danos causados aos investidores a quem garantiram publicamente que o antecessor do Novo Banco novo, o solidíssimo BES, gozava de excelesa saúde e era um bom destino para as suas poupanças. Para a próxima será mais aconselhável que falem apenas quando puderem falar.
Onde estavas tu no 28 de Setembro?
Mas quem te pôs fora, camarada Baptista Bastos? Quem permitiu que o Diário de Notícias voltasse ao “cinzento, pusilânime e obediente” de outrora, aniquilando as respostas possíveis à localização geo-política de todo e cada cidadão no 25 de Abril? Quem destruiu a “ração de esperança” e o apelo à “não desistência”? Quem obliterou o “aceno de confiança na força interior de cada um”? Quem são estes “novos poderes”, “transitórios pela natureza das suas mediocridades”? Quem são estes bandidos levados “pelo oportunismo das suas evidências”? Quem abdicou dos teus textos, camarada, agora que tens 80 anos, tu, um jovem, que ainda nada disse a este país e nem mamá e papá sabias dizer quando Mário Soares, outro jovem, já andava de calções a raspar os joelhos em-cada-esquina-igualdade, na luta do jurei-ter-por-companheiro-Grândola-a vontade do povo, quando estes parolos acertam, que isto agora é que não se aguenta, pá?
Tu, cujo dia mais feliz da vida – “juntamente com os nascimentos dos três filhos e o casamento” – foi o 25 de Abril, e sabias onde estavas, e sofreste o revés do maldito 25 de Novembro, porque “a Revolução havia sido travada nessa altura”, tu subsistes. Tu, pertencente à geração que “foi traída por algumas pessoas dessa geração, alguns dos quais estão actualmente no poder”, tu és grande Baptista com P. Tu, que não tens dúvidas que a “revolução ressurgirá”, camarada, tens que começar a olhar para ti como a Emissora Nacional a ser tomada de assalto pela revolução, pá, tu, um velho Velho do Restelo que se recusa a perceber que é o establishment que sempre combateste, pá.
Venha a revolução, camarada, venha! Venha que a receberemos de braços abertos, estendidos, ao vento, como Cristo-Rei, ali, na outra margem, e pronto a acolher o momento em que a tralha revolucionária de outrora desaparece na insignificância de um “deixai vir a mim as criancinhas” dos vultos do esquecimento que são meros saudosistas do que nunca foi nem poderia ter sido.
E agora, que estás de saída, diz-me: onde estavas tu no 28 de Setembro, quando o Costa atirou o cravo?
a lista e as listas
Não deixa de ser interessante constatar que os exaltados antagonistas da disponibilização pública de listas de pedófilos condenados e com pena cumprida, entre eles o excelso humanitarista Jorge Sampaio, não tenham esboçado um esgar de protesto contra a publicação das listas de devedores ao fisco, há anos aprovadas e em vigor entre nós. Ora, bem ponderados os valores em causa, quer os afectados, quer os a proteger, parece não haver dúvidas sobre qual das duas listas poderá ser mais útil. Isto se, obviamente, não considerarmos que molestar os cofres do estado é mais grave do que molestar uma criança. Mas há, certamente, opiniões para tudo.
Política X Factor ou The Voice Kids

James Hacker: All we get from the civil service is delaying tactics.
Sir Humphrey Appleby: Well, I wouldn’t call civil service delays “tactics”, Minister. That would be to mistake lethargy for strategy.
“Yes Minister: The Writing on the Wall” – S01E05 – 1980
“Sim Sr. Ministro” continua indisponível (esgotado) em Portugal, talvez porque é redundante com a existência dos canais SIC Notícias, TVI 24 e RTP Informação.
Neste momento estão os três canais mencionados a transmitir o governador do Banco de Portugal a falar para a Comissão de Orçamento e Finanças. Deve ser um tema interessantíssimo e que acabará, esse sim, por ser editado e reeditado em DVD.
O fascínio das pessoas pelo som da sua própria voz, não sendo exclusivo dos portugueses, transcende e em muito os concursos de talento dos canais generalistas.
Não admira que se obtenha um sentimento de dever cumprido se se conseguir demitir um governante como o Crato. O governante preferido dos portugueses é mesmo o Sir Humphrey Appleby.
Sobre o Crato
E como não podia deixar de ser
O destino do cão da mulher afectada por ébola em Espanha tornou-se um caso mediático.
Uma petição com milhares e milhares de subscritores
Os ingleses claro já estão em campo para salvar el perro Excalibur
Threat to euthanise pet dog of Spanish nurse with Ebola sparks online campaign
Todos os jornais falam de Excalibur. Já agora como se chama a enfermeira?
Boas notícias
Pela união das esquerdas, salve-se a Eurodisney

António Costa no congresso do Livre (5 de Outubro, 2014).
Então a Eurodisney está continua com problemas financeiros? É nestas circunstâncias que a união das esquerdas é fundamental, permitindo um multiplicador que gera o hiper-crescimento reprodutivo e um PIB em espiral expansiva de consumo interno e abaixo-a-Merkel-que-a-austeridade-nunca-resultou, porque é preciso uma mudança de paradigma, daí o Ferro Rodrigues.
Notas de um neo-pessimista
1. “Moderação fiscal” é o novo slogan, mas o défice continua radical;
2. Nas bolhas anteriores, as taxas eram anormalmente baixas, agora chegam a ser negativas. O estouro será de arromba;
3. Insiste-se na confusão entre causa e efeito. Procura interna e austeridade são exemplos preferidos dos “comentadólogos”;
4. O combate ao desemprego e às disparidades regionais são um objectivo universal e intemporal, mas aumenta-se o salário mínimo;
5. Controlo do défice? Todos de acordo. Mas não se toque no Estado Social nem se aumentem impostos. Urge sim, fazer a “reforma do Estado”;
6. A reforma do Estado não se faz com um Guião, precisa de uma agenda mobilizadora para a década;
7. Teima-se que há vida para além do défice, mas é inconcebível que a dívida aumente;
8. Unanimidade na reforma do sistema político e da justiça, mas no Parlamento discute-se a criminalização do piropo e dos maus tratos aos bichinhos;
9. “O País está famélico!”, berram os anafados; “é precisa uma revolução!”, incitam os acomodados;
10. A culpa é do euro, da Europa, da globalização, dos corruptos, da Merkel, do Cavaco, do Soares dos Santos, todos apostados em nos tramarem;
11. “Sobra sempre para os mesmos”, mas são os ricos que estão a pagar a crise;
12. É preciso renegociar a dívida (não pagamos!!!), é preciso inflacionar, voltar ao escudo e aumentar o poder de compra;
13. Nunca o termo “forças de bloqueio” foi tão assertivo;
14. Os novos Messias redentores já estão nomeados: Costa e Rio em Portugal, o Papa Francisco no mundo;
15. No próximo resgate (2016?) estaremos melhor acompanhados. França ou Itália? Ou ambos? Aceitam-se apostas.
A doideira é um problema gravíssimo
A França não consegue cumprir os tratados que assinou. Começa a alastrar o que se por ali se designa como fronde fiscale e que se traduz pelo ataque e incêndio de repartições de finanças
MORLAIX
ALBERTVILLE
mas o que preocupa os governantes franceses é que se diga
Madame le président e não Madame la présidente.
Qual “Em Parte Incerta”? Estão onde sempre estiveram
Este artigo pode conter spoilers para o filme “Em Parte Incerta”
O Guardian tem um artigo muito maricas sobre o filme Gone Girl, com título traduzido para Português por um génio criativo que conseguiu destruir o fundamental do original – girl – por “Em Parte Incerta”, retirando no próprio título a possibilidade de a girl ter deixado de existir, algo que gone deixava em aberto. É um artigo muito maricas porque não é possível escrever um título como Gone Girl revamps gender stereotypes – for the worse sem ter um défice acentuado de testosterona ou um excesso de confiança injustificado no palato dos leitores para a treta do politicamente correcto.
À parte dos spoilers do próprio título em Português, não consigo estragar muito a experiência para quem não viu o filme porque, apesar de ter lido o livro, ainda não vi o trabalho de David Fincher. Consigo, sim, explicar o grau de mariquice do artigo do Guardian: só um perfeito idiota – daqueles que, sendo portugueses, ainda conseguem falar com mágoa da rejeição do PEC IV – encontraria um estereótipo heróico para mulheres por oposição à permanente baba que escorre da boca dos homens. Belle Guness, Dagmar Overbye e Amelia Dyer são alguns exemplos de revamping of gender stereotypes – for the worse. Já sei: são pessoas reais, não personagens de obras de ficção, portanto a crítica não se aplica, dirá o leitor com baba a escorrer pela boca; como se a baba tolhesse a compreensão do papel das Socratettes, todas gajas – incluíndo as que possuem pénis – a pior revamping of gender stereotypes – for the worse da realidade contemporânea portuguesa.
Se a Amy Dunne de Gone Girl rebenta com estereótipos femininos que o politicamente correcto criou ao longo dos anos de lavagem cerebral com a baba que escorre da boca masculina, mal posso esperar pela novella da vida de uma Socratette a publicar num jornal propriedade de uns quaisquer angolanos.
O problema é o conservadorismo dos outros, dizem
Jennifer Cramblett, of Uniontown, Ohio, alleges in the lawsuit filed Monday in Cook County Circuit Court that Midwest Sperm Bank sent her the vials of an African-American donor’s sperm in September 2011 instead of those of a white donor that she and her white partner had ordered.
Declaração para inscrição no governo
Eu, _________________________________________________, em representação do partido ______________ com zero deputados eleitos na presente legislatura, declaro estar disponível para integrar um governo patriótico de esquerda liderado por António Costa.
Para todos os efeitos, declaro também não estar disponível para integrar um governo não-patriótico e de direita ou qualquer outra possibilidade que inclua António José Seguro, Hitler ou Passos Coelho.
Data:_______________________
Assinatura:_________________________________
Strip tease mas só do cachecol
Marinho Pinto vai fazer “strip tease” do seu vencimento enquanto eurodeputado.

Pessoas completamente vestidas.
Ora, assim também eu: o vencimento de eurodeputado é público. Se Marinho Pinto quer mesmo entrar por aí, terá que mostrar os movimentos bancários dos últimos 20 anos, incluindo vencimentos privados, que afinal é disso mesmo que se trata. Vamos lá, então.
O fim do Lulismo?
Aécio Neves consegue um resultado inesperado nas eleições Brasileiras e enfrentará Dilma na segunda volta.
Esse truque tem barbas
Curioso que Rui Tavares admita poder fazer parte de um governo liderado por Costa. Em primeiro lugar, esta admissão precoce parece validar a teoria de que existem uns camones em partidos que nunca estariam dispostos a fazer parte de qualquer governo, algo que os eleva de oposição congénita a oposição voluntariamente crónica; em segundo lugar, porque tal admissão presume que Rui Tavares será cabeça de lista do partido, algo que contraria aquela ceninha patética com primárias para as europeias que viriam a incluir socráticos crónicos, malucos crónicos e crónicos crónicos.
barriga de aluguer
António Costa, recentemente eleito líder do PS e chefe da oposição, vai discursar hoje numa reunião do Livre, para quem se não tenha ainda apercebido, uma cisão do Bloco de Esquerda que teve 2,35% nas eleições europeias, votação que, em legislativas, deverá corresponder a 0,35% do eleitorado, provavelmente como manifestação da sua intenção de federar a esquerda contra a política austeritária do governo dito de direita de Passos e Portas. Em forma de retribuição, o exigentíssimo chefe dessa prestigiada agremiação partidária, o historiador Rui Tavares, manifestou uma disponibilidade “muito clara” para vir a governar com o PS, ao ponto de, se for necessário, adaptar o seu “programa de trabalho” para que ele se possa adequar a tão nobre desígnio. Considerando que o Livre praticamente não representa mais do que praticamente ninguém, há neste gesto de Costa qualquer coisa de dificimente compaginável com o princípio democrático e a ideia representativa, visto que ele poderá vir a permitir a ascensão ao poder de um grupo que ninguém lá quer ver, utilizando, para esse efeito, a barriga de aluguer do PS. Quem sabe os comentadores da Quadratura do Círculo nos ajudem a entender este estranho fenómeno.
Os donos da História e das palavras
Disse autocrítica?
Poema inédito de Saramago
1 Kg de laranja
3 Kg de batata
Ver se há toranja…
10 embalagens de atum em lata
1 garrafa de azeite
6 litros de leite
Cuidado com os entusiasmos
Vai grande entusiasmo nas hostes socialistas com as declarações de Ricardo Salgado: há uma parte que teve de ser entregue a alguém em determinado dia. É melhor terem calma porque paulos há muitos (alguns são umas perfeitas fénixes!). E convém não esquecerem que uma das vezes que tiveram um arrebatamento similar acabaram em estado de choque porque o paulo era outro. E então as declarações passaram a calúnias, as escutas a ignomínia, o PGR a gato constipado…
Na qualidade de eucalipto
António Costa vai ao congresso do Livre, não na qualidade de comentador, autarca, líder partidário, ideólogo, teórico do socialismo, anti-austeritário, filósofo, ex-ministro, advogado, legítimo marajá ou inevitável vítima de vil discriminação; vai mesmo na qualidade de eucalipto.
Na prática, vai ao congresso do Livre secar a ceninha. Decerto irá acompanhado de grandes patriotas de esquerda que tanto foram candidatos do partido unipessoal como votantes do PS.
Exterminar uma raça de esquerda não será racismo?
sobre o aborto
«E fez abortos? “Sim.” O quê, nove abortos? “Sim, foi horrível”, admite: “A Teresa Black, minha companheira de quarto, apoiou-me imenso. Não só cozinhava sempre como, quando eu fazia um aborto, me ajudava e despejava montes de sangue e porcarias.” (:::) “Tentando usar um tom calmo, pergunto se Vic alguma vez pensou em, sei lá, contracepção. O rosto dela iluminou-se, como acontece sempre que ouve pronunciar o nome dele. “Não queria estragar o seu prazer sexual”, explica-me, como se isso fosse uma questão óbvia. “Era mais importante para mim que ele estivesse feliz”.
Entrevista a Paula Rego, ontem publicada na Sábado.
“Certa ocasião, na década de 1960, quando o aborto ainda era ilegal, enquanto visitava o centro cirúrgico como residente de G.O. (Ginecologia e Obstetrícia), eu presenciei o aborto de um feto pesando aproximadamente um quilo. Ele foi posto num cesto, gritando e lutando para respirar enquanto o pessoal médico fingia não notar. Logo, os choros cessaram. Essa dolorosa experiência levou-me a pensar mais seriamente sobre este importante tema.”
Ron Paul, Definindo a Liberdade
no bom caminho
António Costa é um tipo simpático e fleumático, com boa presença televisiva, com um ar conciliador e de ser amigo do seu amigo. Tem uma característica própria dos líderes políticos de sucesso, que é andar sempre a rir como se não existem problemas no mundo que ele não consiga resolver entre duas imperiais. Desde que se atravessou ao caminho de António José Seguro até à data, dizem os seus críticos, Costa praticamente não abriu a boca sobre aquilo a que vem e sobre o que quer. Não abriu a boca, não é bem assim: não abriu a boca própria, mas pôs outras a falar pela sua. A primeira, e a que ficará a liderar a mais importante tribuna da oposição, é a de Ferro Rodrigues. A sua escolha não é uma escolha qualquer. E Ferro, supostamente falando em concordância com o líder, foi já adiantando que a falência de Portugal se ficou a dever a “uma crise europeia de enorme dimensão”. Em Portugal, como é de praxe, ninguém foi responsável por coisa nenhuma, desde logo o patriótico governo de José Sócrates, que por mero acaso e para infelicidade do próprio, estava ocupado a salvar a pátria no meio dessa tremenda tempestade. A mensagem está dada e não pode dizer-se que António Costa seja um político ingrato. Ah, já agora, o próximo acto público do novo líder socialista será discursar numa assembleia do Livre. Está visto que vai no bom caminho.
Novo Saramago
José Saramago acabou de lançar um novo livro, acto que não sendo extraordinário para um autor falecido é ligeiramente desconcertante pela quantidade de texto escrito pelo próprio, a saber 22 ou 23 páginas em Times New Roman 16 com margens de 3 cm. A fragmentação do eu sempre foi parte integrante da obra de José Saramago graças ao espaçamento entre a irmandade comunitária da ausência de propriedade marxista e o preço de capa do livro. Aqui, Saramago leva-nos a uma fragmentação ainda maior, fragmentação esta que constitui uma ausência de conceito, ideia, narrativa, história, desenvolvimento e conteúdo. Sendo uma obra inacabada que tanto pode oscilar entre o “não iniciada” e “definitivamente abortada”, a única crítica justa que se pode fazer a este extraordinário livro é que
Por uma questão de coerência
e com Costa a conversar com Lobo Xavier e Pacheco Pereira semanalmente na SIC terá de se arranjar um programa de Passos trocando opiniões com Seguro e Ribeiro e Castro. Já Portas poderá conversar com António Capucho e António Guterres. Jerónimo terá também o seu programa onde poderá conversar com Isabel Moreira e Louçã. Catarina Martins e João Semedo esses poderão conversar um com o outro que já lhes chegava.
Isto não está a acontecer
Na SIC N decorre a Quadratura do Círculo com o actual líder do PS lá sentado como se fosse a coisa mais natural do mundo o líder de um partido ser comentador político. A isto junta-se que António Costa ao ser confrontado com a sua liderança diz que não se comenta a si mesmo. Depois temos Pacheco Pereira que se deve ver a si mesmo como uma reencarnação de Oliver Cromwell em Lord Protector. Lobo Xavier recorda Sócrates e Costa reage Oh Oh e naturalmente não debate nada e faz um discurso declarativo.
Costa é líder do PS e deve colocar-se a esse nível debatendo com outros líderes e não estar para ali a ouvir o Lobo Xavier a dizer “O António deve” O António sabe”.
Avé! Nós, telespectadores, Te saudamos.
Uma pequena nota para dizer que o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (SPCML), Secretário-Geral do Partido Socialista (SGPS), ex-Ministro dos Assuntos Parlamentares (MAP), ex-Ministro da Justiça (MJ), ex-Ministro de Estado (ME), ex-Ministro da Administração Interna (MAI), Licenciado em Direito (LD), Pós-Graduado em Estudos Europeus pela Universidade Católica Portuguesa (PGEUUCP) e ex-estudante de ballet (TUTU), o Excelentíssimo Doutor Marajá António Costa (EDM António Costa, SPCML, SGPS, MAP, MJ, ME, MAI, LD, PGEUUCP, TUTU), estará hoje na Quadratura do Círculo na Qualidade de Comentador (QC).
Revista de imprensa

No Guinness Book of World Records Na revista Sábado
Deputada com relação complicada com a História
Entrevista de Rita Rato ao Correio da Manhã (2009):
– Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?
– Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.
– Mas foi bem documentado…
– Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.
– Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?
– Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa…
Rita Rato foi a deputada do PCP que pediu a retirada dos bustos dos presidentes do Estado Novo.
Emigração, não! Queremos é nacionalização!
A emigração jovem é um drama pungente; que o diga Marinho Pinto, obrigado a emigrar para Estrasburgo e Bruxelas ao abrigo de um eleição como eurodeputado para fazer parte da bancada do ALDE (Alliance des Démocrates et des Libéraux pour l’Europe). Não é de surpreender que Marinho Pinto pretenda criar “medidas efectivas para impedir que a sangria continue”, impedindo jovens portugueses da exploração como mão-de-obra barata, tal como, por exemplo, 1 em cada 6 médicos na Noruega com salários indignos de 3320€, quando estão bem melhor, por exemplo, concorrendo ao Parlamento nacional, como Marinho Pinto poderá atestar.
Claro, “a direita portuguesa guarda os seus princípios no mesmo bolso onde guarda o seu dinheiro”, como se sabe. Isto porque a esquerda é impoluta, apesar de Marinho Pinto não se rever “na tradicional geometria política portuguesa”, mas, ei, desde que a ideia seja “combater a direita mais selvagem” desde o 25 de Abril, que é que isso importa?
A parte complicada é a do partido de Marinho Pinto pretender “regressar aos valores fundadores do ideal democrático e republicano”, a começar pela liberdade, “que defenderá contra tudo e contra todos”; liberdade a defender excepto, naturalmente, a liberdade de emigrar, lá está.
Outra cena que vamos defender é a propriedade privada; isto excepto para as empresas que pretendemos expropriar porque, “tal como as nacionalizações não foram irreversíveis, há privatizações que também não o serão”.
Pretende ajudar a eleger Marinho Pinto? Precisamos manter o homem ocupado durante uns 3 meses até à campanha das presidenciais de 2016.

