Aquela pessoa sem perna faz-me doer o braço
Uma das notícias de hoje é a diminuição da taxa de desemprego. Os eternamente indignados (por tudo que é altamente indignante) indignam-se porque não consideram o número como indicativo da realidade. A partir de hoje é melhor não usarem números oriundos do INE para as indignações, OK? Pareceria hipócrita.
Deve ter havido uma notícia sobre emigração (são baratas, há sempre alguém a entrar em aviões). Por algum motivo, pessoas que não gostam do número do INE acham que todos os que emigram o fazem porque já não aguentam. Até pode ser verdade, em particular não aguentarem tanto carpir em seu nome.
Outra notícia de hoje é a indignação que muitas pessoas sentem por existirem accionistas que perdem dinheiro por terem comprado acções do BES. Infelizmente ainda não tivemos oportunidade de ouvir a dor em primeira mão, pelo relato de um accionista que “perdeu as poupanças de uma vida inteira”; ao invés, já ouvimos o quão indignante deve ser ser accionista numa altura destas pelo enorme sofrimento que eventualmente (mas certamente) estão a sentir.
Talvez pudéssemos deixar de sentir as dores dos outros como nossas. Poder, até podíamos, mas não seria a mesma coisa.
Fantasias fiduciárias
A discussão sobre o “grau de liberalismo” das opções do governo no que diz respeito à banca estão inquinadas à partida pelo simples facto da existência de banco central.
Em última instância, o que são perdas em moedas fiduciárias? Nessa discussão, a facção bancarrotária do Partido Socialista vai bem à frente na sua interpretação selectivamente hiper-keynesiana: por isso querem quantidade de notas em detrimento de valor (meramente fiduciário) para as existentes.
No mundo real há perdas. Mas quem disse que accionistas de bancos vivem no mundo real?
Accionistas com sorte
Neste país curioso o governo é em simultâneo acusado de expropriar os accionistas do BES e de meter dinheiro dos contribuintes num banco. Destas duas acusações, a segunda é a que tem maior probabilidade de estar certa. Embora o risco para os contribuintes não seja elevado (é semelhante ao risco de o sistema bancário falir todo), a injecção de 4,9 mil milhões de euros no good bank só é viável porque o Estado garante o empréstimo da Troika ao fundo de Resolução. Sem este dinheiro o banco entraria num processo de falência não apoiada, com perdas maiores para os accionistas e eventualmente com perdas também para os obrigacionistas não subordinados.
Há dois processos alternativos, qualquer deles pior para os accionistas:
1. Falência por liquidação dos activos, sem disponibilidade de liquidez externa. O banco nestas condições não teria liquidez para pagar todas as obrigações de imediato. Este processo seria demorado e depositantes e obrigacionistas só receberiam à medida que os activos fossem vendidos, a baixo preço para tornar a operação mais rápida. No fim dificilmente sobraria alguma coisa para os accionistas dado que todos os activos teriam que ser vendidos com desconto.
2. Aumento de capital com a conversão de dívidas em acções. Neste caso os obrigacionistas teriam que injectar os cerca de 4,9 mil milhões de euros para reforçar os rácios de capital por conversão de dívida em acções. Nesta opção os accionistas sofreriam uma perda total (a prioridade é pagar uma parte aos obrigacionistas) e os obrigacionistas uma perda parcial uma vez que passariam a deter um activo de maior risco, acções. Cerca de metade da dívida obrigacionista seria convertida em acções.
O avançador
Existem comentadores. Há quem seja porta-voz. Marques Mendes têm um estatuto único: avança notícias do lado do Governo. Este fim-de-semana aconteceu mais uma vez: Luís Marques Mendes garante que vai haver uma mudança radical no BES. O comentador da SIC diz que a recapitalização do banco vai ser totalmente diferente das operações que já foram concretizadas noutros bancos. Marques Mendes explica que não será aplicado dinheiro do Estado, mas sim do fundo de resolução, e adianta que o valor necessário pode chegar aos 5 mil milhões de euros.
Aconteceu mas não devia ter acontecido.
Em que ficamos?
4 de Agosto de 2014: O PCP e o Bloco de Esquerda (BE) acusam o Governo de estar a recapitalizar o BES com dinheiro público. Comunistas receiam que os portugueses sejam chamados a pagar os prejuízos do Grupo Espírito Santo (afirmou Agostinho Lopes,)
O PCP que em Junho queria nacionalizar o BES é o mesmo que agora receia que os os portugueses sejam chamados a pagar os prejuízos do Grupo Espírito Santo?
No fim do seu texto no Observador o JMF escreve O desconcerto das reacções da extrema-esquerda, com particular destaque para o destrambelhamento de Catarina Martins, é um sinal de que a solução acabou por surpreender mesmo os que sabem sempre tudo até antes de tudo acontecer. É fácil e tentador chamar invocar o destrambelhamento para referir as declarações de Catarina Martins – a forma como reagiu aos resultados das eleições europeias é de antologia! – mas na verdade ninguém a toma muito a sério mas tanto quanto recordo Catarina Martins nunca defendeu a nacionalização do BES. Já o mesmo não se passa com o PCP cuja sucessão de declarações sobre o caso BES está muito para lá do destrambelhamento.
Choradinho dos accionistas
Neste processo de resolução bancária do BES haverá muitos choradinhos. Aquele que nesta fase está a ter destaque é o choramingo dos accionistas, cujo argumentário pode ser consultado, por exemplo, aqui. Sobre isso importante perceber o seguinte:
1. Num processo de separação entre bad bank e good bank, o good bank não é a expropriação do valor accionista do banco. O good bank tem activos, mas também tem passivos. Em princípio estes devem estar equilibrados. Portanto, não adianta fazer o choramingo “ai coitados dos accionistas que foram expropriados dos activos bons e só lhes deixam o osso”. Para o good bank são transferidos activos suficientes para pagar os credores prioritários, entre eles os depositantes e os obrigacionistas prioritários. Não adianta sequer dizer que os activos do good bank são muito bons e para os accionistas só ficaram os maus. O valor de um banco não é igual ao valor dos seus activos mas sim ao valor da diferença entre activos e passivo.
Idealmente, isto é, se o processo for bem desenhado, o valor do good bank antes de ser capitalizado seria zero. Por isso é que precisa ser capitalizado. Caso seja superior a zero, algo que só se saberá com 100% de certeza após a venda do good bank, haverá cláusulas de compensação que permitem compensar o bad bank, como se explica aqui. Portanto, não há qualquer razão para desconfiar que há uma expropriação dos accionistas. Aliás, estes processos de divisão de activos de bancos, em good e bad banks, são banais e são feitos respeitando os direitos de propriedade.
2. Um banco para operar tem que ter rácios de capital acima do mínimo legal. A razão é simples de perceber. Tendo em conta que mais de metade dos activos de um banco são depósitos e que os bancos funcionam muito alavancados, qualquer pequena oscilação de mercado pode levar a perdas consideráveis do valor accionista do banco, havendo o risco de ele falir. Ora, o BES, apesar das várias oportunidades para se recapitalizar, incluindo por fundos públicos, caiu abaixo desses rácios. Sendo o nível de desconfiança elevado, tornou-se impossível uma recapitalização privada, pelo que o banco apesar de poder ter um valor positivo, deixou de ter condições para operar. Simplesmente não reúne condições para aceder aos fundos do BCE, que são indispensáveis à actividade. Sendo assim, o banco tem que ser liquidado.
3. Os princípios a seguir na liquidação de um banco estão pré-definidos e não deverá ser surpresa para ninguém que os accionistas só recebem alguma coisa depois de todos os credores serem pagos. Não há num processo de liquidação uma distinção entre o pequeno accionista e o grande accionista, nem deve haver. As coisas são como são. Não se trata de punir A ou punir B. É só seguir as regras, regras que não foram inventadas agora.
4. Os pequenos accionistas queixam-se que foram enganados pelos reguladores, que confiaram nas palavras dos reguladores de que o banco estaria sólido. Ora, tenham lá paciência. Quem faz queixas nestes termos obviamente que não faz a mínima ideia do que anda a fazer. O prospecto do aumento de capital do BES tem 375 páginas (PDF). 375 páginas de avisos, revelação de riscos, explicação de como funciona o sistema bancário, análises de mercado, contas etc. São as pessoas que não leram estas 375 páginas que agora se queixam.
5. Mas vamos pressupor que o pequeno accionista merece ser compensado por ter sido enganado. Quem compensa? O contribuinte? A que propósito? Se calhar devia ser o depositante no BES … Mas a que propósito?
o tempo e o contexto
“Quando o tempo e o contexto permitirem uma análise objectiva e serena do que precipitou a queda abruta do valor do BES e a consequente intervenção do Estado”, Ricardo Salgado, ao contrário do que fizeram Oliveira Costa, Jardim Gonçalves e João Rendeiro, falará. O folhetim BES só agora começou e promete emoções fortes e duradouras.
as “falhas de mercado”
Sendo, provavelmente, a actividade bancária a actividade económica mais controlada pelo estado, por que razão os bancos portugueses estoiram sucessivamente, como castanhas assadas, nas barbas de primeiros-ministros, ministros das finanças, governadores do banco central e demais reguladores e autoridades financeiras, perante a passiva bovinidade de uns e de outros, limitados a dizer asneiras e a dar o dito por não dito com mais ou menos ênfase mediática? Será esta mais uma das muitas célebres “falhas de mercado”?
banco novo, sarilhos velhos
“O primeiro-ministro garantiu, durante o debate quinzenal desta quarta-feira, que o Governo não está arrependido de ter nacionalizado o Banco Português de Negócios (BPN), frisando que os contribuintes não vão ser prejudicados com os custos dessa medida: «Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para valorizar os activos do BPN e para diminuir os encargos para os contribuintes portugueses»”.
Coisas bem feitas e coisas mal feitas
Raramente se fazem coisas bem feitas em Portugal, mas ontem foi feita uma coisa bem feita, num caso extremamente complicado. As críticas que se ouvem são tão intensas como quando se fazem coisas mal feitas. Aliás, são mais intensas agora que se fez uma coisa bem feita do que quando se fez uma coisa mal feita com o BPN. É como se o país tivesse uma opinião pública falida e não fosse possível separar o Banco Bom da Opinião do Banco Mau da Opinião.
Uma inovação
Não borraram a pintura.
Aguarda-se uma espiral de indignação imensa. O que é sempre um bom sinal de algo que se experimenta pela primeira vez: uma solução com sentido.
Resolução do problema do BES dentro de poucas horas
Daqui a umas horas conheceremos o plano exacto que permitirá resolver qualquer questão pendente no plano de reforma do ex-ministro Manuel Pinho, avaliada em 3,5 milhões de euros.
Ainda há esperança….
A esquerda radical e a esquerda mole reconhecem agora o grave erro que cometeram com a nacionalização do BPN. E face aos resultados viram agora o bico ao prego. Não será por convicção mas por pragmatismo. Mas não se pode querer tudo. Menos mal: «Não aceitamos que os contribuintes paguem o buraco do BES» (BE). «O secretário-geral do PS, António José Seguro, rejeita uma intervenção do Estado no Banco Espírito Santo (BES)». Ah, valentes liberais! Bem vindos!
Já a esquerda totalitária mantem o seu registo de sempre com o PCP a exigir a nacionalização. Faltará saber o que defende a restante esquerda, a carreirista do PSD e a esquerda cheiro-a-mofo do CDS.
Pé-de-atleta para todos

Não tenho nada a opinar sobre iniciativas privadas que, segundo a junta, não acarretam despesa para o erário público. Fico é particularmente interessado em saber a opinião da ASAE sobre o assunto. Não sendo possível evitar fausta multa pela ausência de placa proibitiva de fumo de tabaco em estabelecimentos comerciais, esta iniciativa da praia no Jardim do Torel parece pecar pela falta de placas por eventual infecção por salmonella.
Mesmo assim são de louvar estar iniciativas que permitem levar pé-de-atleta a crianças de bairros com carências infecciosas.
Das causas às fantasias
Da miséria humana
A Faixa de Gaza é um gigantesco gueto onde se amontam 1,7 milhões de pessoas num pequeno território sem recursos. Os seus habitantes são refugiados ou seus descendentes expulsos de territórios ocupados por Israel nas últimas décadas. Face a uma ofensiva militar israelita, os civis não tem escapatória possível. Não há lado nenhum onde um refugiado se possa refugiar. Com os ataques a Gaza, Israel ganha alguma hipotese de vir a ter paz com os seus vizinhos, de os obrigar a negociar? Não. Criará ainda mais radicalismo e desespero. Alimenta a sobrevivência politica do Hamas a quem também interessa um estado permanente de guerra. A presente invasão israelita apenas terá como consequencia criar miséria e sofrimento, mortos, feridos e estropiados. A actual destruição das frágeis estruturas civis que ainda havia (hospitais, escolas, estações de televisão, centrais eletricas) e de tantas habitações, tornará a vida das populações civis ainda mais infernais e sem esperança. Bem pode o estado israelita ao final pensar que «demos uma coça neles». Mas como sucede em todas as guerras, apenas se criou sofrimento e gritante desumanidade. Absoluta e tristemente inútil.
Não borrem a pintura
A despesa é excessiva, diga o que disser alguém que desconhece o termo “défice”. Isto aplica-se a salários da função pública, a pensões e a outras despesas, nomeadamente despesas extraordinárias para minimizar perdas em maus negócios entre privados e entre privados e eleitos.
Os próximos dias dirão se algo mudou ou não no país. Os próximos dias decidem também quem pode perder as próximas eleições legislativas.
Não borrem a pintura.
O mundo é mesmo estranho
À Quadratura do Círculo de ontem não faltou uma nota prévia: os intervenientes, todos eles, aceitaram um dos temas em debate seria a disputa interna do PS; mas António Costa, como sujeito activo da mesma, abster-se-ia de quaisquer comentários relacionados. Costa cumpriu. Ler mais
O mundo é um lugar estranho
Fiel à sua tradição de elevar ao cubo o número de manifestantes que apoiam causas que lhe são queridas a TSF informou (informar aqui é uma forma de expressão): Mais de 3.000 pessoas em protesto pró-palestiniano em Lisboa. Olhando as fotos é de duvidar de tal número. Mas enfim até podiam ter sido 30 mil reformados arrebanhados pelo PCP, activistas do BE e do MAS, MRPP e a delegação do Bangladesh que, na falta de palestinianos, faziam de povo palestiniano e sorriam para os activistas. Estes fotografavam os alegados palestinianos com aquele ar embevecido dos turistas diante da estação da CP nos Restauradores pois o manuelino é como os palestinianos: as datas e os factos não contam. O que conta é a intenção.
Nesta manifestação teve lugar uma revelação mundial: segundo se lê num dos cartazes “Israel capta crianças palestinas para usar como escudo humano”. Tendo em conta que tal facto nunca foi referido nas notícias teria mais que oportuno inquirir o autor desta denúncia sobre tal atrocidade. Onde estão os captados? Quem os capta? São captados na faixa de Gaza e levados para Israel? Ou será que sendo captados, seja isso o que for, por Israel são posteriormente levados para a faixa de Gaza e metidos nas casas e escolas onde o Hamas guarda armas para assim os israelitas poderem dizer que o Hamas usa crianças como escudos humanos nesses paiois?… As possibilidades são infinitas e só não se percebe como perdeu a imprensa portuguesa este exclusivo mundial.
Mas sobretudo não percebo como se perdeu a oportunidade de perguntar a esta alma o que o levou ali e porque não vai neste santo preparo manifestar-se na faixa de Gaza.
Biblioteca do fado português
- Novembro 2005: Sócrates admite quatro ligações a Espanha embora com prazos mais dilatados
- Janeiro 2007: Sócrates garante 900 ME para concluir Alqueva mais rapidamente
- Outubro 2008: Sócrates garante investimento português nas grandes obras públicas
- Junho 2009: PSD exige suspensão “auto-estrada cor-de-rosa”
- Julho 2009: Ricardo Salgado volta a defender TGV e aeroporto
- Fevereiro 2010: Sócrates corta nas estradas mas avança com TGV e novo aeroporto
- Março 2011: Ricardo Salgado: “Estamos sempre no mercado” da dívida pública portuguesa
- Janeiro 2012: Ricardo Salgado defende modernização dos portos e aeroportos com capacidade para A380
- Abril 2014: Aeroporto de Beja recebeu voo de Paris com 96 turistas franceses
- Junho 2014: Ricardo Salgado pediu ajuda ao Governo para financiar o BES
- Agosto 2014: CMVM suspende negociação das ações [sic] do BES
Ler
Se fosse esquema de Ponzi até que nem era tão mau assim
No Insurgente detalham-se as razões que levam a que chamar esquema de Ponzi à Segurança Social se pode considerar ofensivo. Para o esquema de Ponzi, naturalmente
Nos últimos dias tenho ouvido diversas pessoas a chamar a Segurança Social de Esquema Ponzi. Pessoalmente, acho isso ofensivo. Por isso escrevo aqui este artigo a defender os esquemas ponzi!
Definição de Ponzi. Afinal, o que é um esquema ponzi? De acordo com a Wikipedia: “envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos aos investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real”. Assim, contra a Segurança Social temos:
1. A entrada é forçada. Num esquema ponzi, eu posso ser seduzido por rentabilidades fantásticas a ser ganancioso e colocar as minhas poupanças nas mãos do sedutor. Eu tenho a hipótese de dizer não. No caso da Seg. Social, eu sou obrigado a contribuir. Ler mais aqui
O regresso de Sócrates
trouxe novamente uma forma de falar e argumentar de que felizmente nos tínhamos visto livres. Alguém supõe o que teriam sido estes anos com a troika em Lisboa e Sócrates em São Bento? Cabalas, urdiduras, canalhives, tremendismos… O modelo deveria ser Cristina Kirshner: de manhã insultam-se os credores, à tarde mendiga-se-lhes mais um empréstimo não importa em que condições porque é urgente; à noite anuncia-se mais um grande investimento público
Por fim creio que nesta socrática matéria para se estar devidamente acompanhado e não se deixar apanhar pela rumorologia o melhor é ir seguindo o Do Portugal Profundo
Se se confirmar
esta notícia convém que não esqueçamos o caso Casa Pia. Que acabou com um PGR mediaticamente linchado, com as vítimas descredibilizadas e com correrias e cadeiras pelo ar na recepção efectuada pelos socialistas a um seu deputado que estivera detido no âmbito desse caso.
Destroços
A situação interna ucraniana é ela mesma um verdadeiro destroço. Dadas as dificuldades sentidas no desenrolar da guerra civil em curso, o Parlamento da Ucrânia aprovou uma lei de mobilização militar parcial, de modo a garantir vir a ter tropas frescas. Sob pena de todo o esforço militar colapsar por falta de meios, pois prossegue a conquista e bombardeamento das pequenas aldeias em redor de Donetsk.
Por outro lado, procurando silenciar sinais contrários à verdade oficial, o mesmo Parlamento aprovou a dissolução do grupo parlamentar do Partido Comunista, no ambito de um processo em curso que visa a sua ilegalização.
E para rematar, o governo chefiado por aquele tipo que chamava aos seus concidadãos de língua russa como sendo «sub-humanos», colapsou face à retirada de apoio de dois partidos. É que o figurão já terminou o seu papel útil, que era conseguir o grosso cheque da UE para os próximos anos. Agora é tempo de repartir o bodo. Algo complicado, tantos os grupos a satisfazer. As eleições gerais que aí virão (e que a UE tanto queria evitar) já permitirão mostrar a verdadeira face dos grupos que tomaram o poder revolucionariamente em fevereiro passado.
O do meio está mais gordo
Esclarecendo a taxa na compra da pen
Há muita confusão sobre a necessidade de uma taxa sobre dispositivos que providenciem armazenamento em termos de direitos de autores. Tal deve-se ao desconhecimento generalizado da forma eficaz utilizada para gerar rendimento justo para os autores de obras. Vou dar-vos o meu caso pessoal, que sei que ajudará a compreender a questão.
Não pagamos
Alguém me sabe explicar?
Todos os equipamentos que gravem informação serão taxados, mesmo os telemoveis e os tablets que terão uma taxa de 15 cêntimos por gigabyte.
Quanto aos cartões de memória cada gigabyte deverá pagar 2 cêntimos em direitos de autor.
Já as caixas descodificadoras de televisão também vão ter uma taxa, ainda que não se consiga extrair conteúdos destes equipamentos.
As verbas resultantes de todas as taxas já criadas e a criar vai para quem?
Quem as distribui?
Por quem as distribui?
Quem controla a transparênca desse processo?
Como procedem os autores para receber essas verbas?
Boa vontade
Joaquim Sá Couto sugere que o António Costa tem um capital de boa vontade, e isso pode ser bom. Bom não sei, mas esta não é a primeira vez que um político reúne um enorme capital de boa vontade. Como é que correu das outras vezes?
Uma pequena questão holocáustica
Porto, 3 de Av, 5774
Ex.mo Senhor Doutor Viriato Soromenho-Marques,
É com admiração que encontro um artigo de Vossa Excelência, datado de 21 de Março de 2012 e que circula nas redes sociais em pleno Verão de 2014, em que se refere ao holocausto como sendo o extermínio de judeus na Europa ocupada pelos socialistas-nacionalistas (os dos anos 40).
Estou habituado a que Vossa Excelência utilize a palavra noutros contextos, tais como o holocausto da finança, o holocausto como morte da União Europeia pelo bail-in cipriota ou até o holcausto porque a chanceler Merkel veio a Portugal.
Como leitor assíduo – não pergunte – estou um pouco confuso e, se possível, gostaria que Vossa Excelência explicasse, da sapiência oriunda da cátedra que possui – eventualmente em metáforas hiperbólicas – o significado dessa palavra obscura, holocausto, tão usada em espiral expansiva, que aprendi com Vossa Excelência a associar a situações tão maçadoras como um autoclismo que vaza um fiozinho de água ou 26 segundos a mais no processo de elaboração de um perfeito bife da vazia.
Pergunto a Vossa Excelência porque, como especialista em federalismo e política internacional, sei que dotará a resposta a tão holocáustica questão de uma profundidade que holocausticará qualquer pessoa menos interessada nestas questões.
Cordialmente,
VC
Se bem percebo
o PS considera Maria Luís indispensável pelo que certamente a convidará para permanecer na pasta das Finanças caso ganhe as legislativas.
Como é que isto se chama no sector privado?
Os burocratas da pobreza
Li e reli este artigo do PÚBLICO ONG dizem que “uma soma de medidas não é uma estratégia” contra a pobreza e não li nada sobre a pobreza.Encontrei sim uma activa burocracia da pobreza – planos, estratégias… – que luta para aumentar o seu campo de actuação: o Governo deve integrar nos “grupos vulneráveis” à pobreza “a categoria dos trabalhadores pobres” Que quer aumentar o número dos seus funcionários: o Governo deve apostar na figura dos mediadores e educadores de pares. E que mostra preocupação com a concorrência entre si: Transfere-se para a sociedade civil responsabilidades mas não os meios. Além disso, importa saber para que tipo de sociedade civil serão transferidas as responsabilidades. Fora isso não encontrei mais nada.
Aqui fica o artigo. Pode ser que outros tenham leituras mais inspiradoras. Ler mais…
Uma questão de curiosidade
A malta que defende o casamento de pessoas do mesmo sexo com argumentos de direitos humanos já explicou como enquadra isso com o apoio ao Hamas?
Ricardo Salgado: danos colaterais
“Quem sabe, sabe e o Ricardo sabe.” – O impacto da detenção de Salgado na luta pelo poder dentro do PS. Tema do meu artigo de hoje no DE.
Não há apoios
Génio do Euromilhões precisa de dinheiro
O único português escolhido para ir aos EUA apresentar um projeto inovador pode ficar em Braga por falta de dinheiro. Quer construir uma plataforma que aumenta 20 vezes a possibilidade de ganhar o Euromilhões. Nem a TAP lhe oferece a viagem.
Neste país não se apoiam os inovadores, é o que é. Se bem que, se a invenção é mesmo tão boa, não percebo porque não joga no euromilhões.
Só lido. Contado não se acredita
O ARGUMENTO PODE SER DE DOIDOS MAS JÁ ESTÁ EM DIRECTIVA As associações de ciclistas defendem que os estragos causados por um acidente entre um veículo a motor e uma bicicleta devem ser pagos pela seguradora do motorizado, independentemente de quem é culpado e mesmo que o seguro seja agravado. A Federação Portuguesa de Cicloturismo considera que deve ser seguida uma directiva europeia denominada “responsabilidade objectiva”, que diz ser aplicada noutros países da União Europeia.
O ARGUMENTO MAIS FALSO DE TODOS O presidente da federação, José Caetano, considera que, em caso de colisão entre os dois veículos, e ao abrigo desta directiva, deve ser activado o seguro do veículo motorizado como forma de “proteger os utilizadores da via mais vulneráveis, que são os peões e os utilizadores de bicicleta”. (do ponto de vista do peão a bicicleta não é nada amigável)
O ARGUMENTO DO TUDO AO MOLHO A VER SE NÓS É QUE NÃO PAGAMOS Para o presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (Fpcub), o pagamento pelo seguro automóvel dos danos de um acidente causado por uma bicicleta tem ainda uma outra explicação. José Caetano acredita que se fosse obrigatório seguro para os ciclistas “também teria de ser obrigatório para os peões, já que [estes também] atravessam a via pública e usam passeios”.
O ARGUMENTO QUANDO SÃO OS OUTROS A PAGAR A MIM NÃO ME CUSTA NADA Para Mário Alves, representante da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (Mubi), é natural que o seguro do automóvel seja agravado, mesmo quando a culpa é do ciclista, já que o carro “é bastante pesado e custoso para a sociedade”. “Mais um pequeno agravamento não parece que seja muito grave”, afirma.
O ARGUMENTO A VER SE PEGA O carro é “uma arma potencial”, frisa, acrescentando que “quem tem uma carta de condução, tem de ter responsabilidades para com aqueles que não têm”.
O que arde, cura
António Costa quer, o contribuinte pena, a obra nasce. Estou de acordo com o aumento do salário mínimo para 522 euros proposto por António Costa. Não que faça qualquer sentido apoiar iniciativas parvas que presumem resolução de problemas através da colocação de um número arbitrário num decreto-lei; sim porque quanto mais promessas idiotas o candidato fizer, maior a vossa frustração futura.
O que arde, cura. Só um socialista vos poderá curar do socialismo. Isso é perfeitamente claro.
Podemos falar sobre isto?
Mortar round landed in empty UNRWA yard, did not kill Gazans
O massacre nos hospitais, nas escolas… faz parte da propaganda palestiniana. Invariavelmente a imprensa ocidental e a ONU caem no engodo. Ou melhor dizendo estão à espera dele.
Lembram-se dos vestidos de noiva e das bonecas em Beirute?
Lembram-se de Muhammad Al Durrah?
E da família de Huda Ghalia’s?
Montagens. Mentiras ou mais dramaticamente ainda mortos pelos próprios palestinianos. Alguém se lebra de uma rectificação nos jornais? Nas rádios? Nas televisões?






