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Técnicas de informação

14 Agosto, 2014

Os russos têm muito a aprender com o Hamas. Se deixarem de tentar salvaguardar as aparências, se enfiarem mulheres, crianças e velhos nos edifícios onde guardam as suas armas  e sobretudo se levarem os jornalistas ocidentais a fazer reportagens dentro dos seus hospitais ganharão a batalha da opinião pública.

Não é que a simpatia pela defunta URSS não leve muito boa gente a fazer o pino e às vezes um estrondoso silêncio quando se fala sobre a Ucrânia mas não tendo eu grande ou pequena simpatia por Putin tenho de reconhecer que o seu problema é mesmo ainda e só procurar manter  um patamar mínimo de civilidade. 

Por exemplo, não haveria qualquer problema com aquele comboio de alegada ajuda humanitária que enviou para a Ucrânia caso tivesse enfiado lá umas armas e umas vez os camiões em território ucraniano os seus motoristas tivessem disparado. Naturalmente os ucranianos respondiam e matavam alguém. Mas isso não interessava nada: punha as mães e as mulheres (estas últimas grávidas, claro) dos camionistas (obviamente civis) aos gritos e por cá logo surgia a notícia: o Ivan não vai conhecer o pai com a foto de uma pequena Natasha contemplando a foto do pai. Até durante um cessar-fogo podia disparar à vontade sobre a Ucrânia que não havia qualquer problema pois quando os ucranianos respondessem a nossa agência Lusa faria uma notícia assim que logo se propagaria pelos jornais:  Israel faz ataques após anúncio de cessar-fogo.

A propósito

14 Agosto, 2014

Todos os corporativismos têm os seus dias insuportáveis. E por óbvias razões no caso dos jornalistas isso é ainda mais evidente. Quando a morte como sucedeu esta semana os obriga a falar dos seus enredam-se nuns exercícios panegíricos que  longe de honrar os mortos lhes simplica a personalidade. E contudo aqueles que partiram como sucedeu esta semana mereciam que os contassem como foram: complexos, polémicos, imperfeitos, interessantes… Enfim aquilo que aqueles que morreram tentaram fazer. Obviamente de forma polémica e errando com frequência. Afinal se eles tivessem sido o cúmulo da perfeição em que os seus pares os transformam na hora da morte não teriam sido jornalistas.

Box office – filmes com produção portuguesa

13 Agosto, 2014

Hoje, nos comentários, alguém dizia que ajustes directos na área musical são peanuts em relação ao cinema. Olhando para o “Ranking dos Filmes Nacionais Estreados 2014” publicado pelo ICA – Instituto do Cinema e Audiovisual, não reconhecendo qualquer dos filmes, deixo as conclusões sobre esse e outros temas para os leitores.

Devo salientar: em ambos os gráficos, a escala é logarítmica. Ler mais…

emídio rangel

13 Agosto, 2014
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Morreu Emídio Rangel, o homem que se gabava – julgo que com justiça – de fazer presidentes da república portuguesa a partir do poder que construíra na comunicação social. Este post não pretende avaliar Rangel, nem a sua obra, nem a importância pessoal que, a dado momento, conseguiu alcançar no país, embora tenham sido ambas de relevo, mas apenas constatar a natureza efémera do poder – de todo o poder – que quando não se perde em vida, fatalmente se perderá pelo fim dela. Esta deveria ser, de resto, a principal lição adquirida pelos políticos, sobretudo por aqueles que, em certo momento, exercem funções de soberania. Infelizmente, é mais a vaidade pessoal, a cobiça e o vício do jogo que os orienta, sendo que, ainda assim, conseguem arregimentar milhares de crentes para a alegre satisfação da sua volúpia. Uma sociedade civilizada, isto é, livre, deve começar por entender bem a verdadeira natureza da acção política e depositar nela a expectativa de que não lhe seja excessivamente nociva.

Deus escreve direito por linhas tordas

13 Agosto, 2014
Excerto de “O Café”
Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos

Chegam depois os vagabundos
Que por falta de fundos não ocupam a mesa
Têm olhos profundos,
Vão atrás de outros mundos que pagaram com sono e beleza
Mas o troco
É sempre a pobreza.

“Quem não chora, não mama”, diria qualquer bebé, caso conseguisse articular palavras de origem ancestral e fosse parvo o suficiente para o expressar em vez de simplesmente pedir a mama, deixando-se assim de considerações teóricas sobre um assunto pragmaticamente operacional. Desde que país deixou de admirar a melancolia bucólica dos sucessos de 1975 como canalizada pela endomorfia corpórea de Fernando Tordo, os parcos rendimentos do bardo por ajuste directo aumentaram 33% e ainda nem acabou o nosso querido mês de Agosto.

A correr tudo tão mal como nos últimos 8 meses, o artesão de sons zangado com a queda do muro de Berlim e do próprio cabelo obterá cerca de 20,000€ em ajustes directos até ao fim do ano, o que representará um aumento de 100% em relação a 2013.

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Efectivamente, não há nada melhor para a carteira como perder o carinho, admiração e sentimento de relevância oferecido a título quase gratuito pelo amor dos portugueses às artes.

Há coisas que tendem a repetir-se

13 Agosto, 2014

Como os problemas da Malaysia Airlines e a surpresa perante os avisos sobre a insustentabilidade do sistema de segurança social.

Enfadado destas férias de Verão chuvoso?

12 Agosto, 2014

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Jovem, tu que procuras a aventura neste choco mês de Agosto entre o enfado da repulsa pelo mau gosto dos avecs e o do interregno compreendido entre os festivais de Verão e a festa do Avante!, não engulas sem reflectir a propaganda catastrófica dos média imperialistas de origem ianque e opta pelo caminho da dignidade humana juntando-te à Jihad.

Enquanto não começam as aulas, na tua aborrecida universidade cinzentona e cheia de cotas que nem música rap escrevem, e enquanto as gajas de psicologia e os maricas de sociologia não chegam para animar o tédio da tua última infecção genital, já consideraste aliar uma actividade lúdica, que consiste na destruição do secularismo ocidental, ao utilitarismo para o teu futuro sindical como revolucionário do bem através da degolação de infiéis?

Se te juntares hoje à causa receberás grátis o teu cinto de explosivos (valor normal: 24,99 USD) e ainda a oportunidade de seres eleito (divinamente) o mujahideen do ano, com distribuição multimédia de discurso em milhares de pens USB nos califados de Londres, Paris, Bruxelas e Marselha. Se odeias o secularismo e a tua t-shirt do Che Guevara está gasta; se preferes ser amputado a teres um amigo homossexual; se achas que o “Mein Kampf” devia ser de leitura obrigatória no 9º ano para fomentar nos jovens a criação de uma Nova Ordem; se preferias privar com um bode na tua sala a conhecer um judeu na tua escola; se achas que todas as gajas ocidentais são umas porcas que andam nuas na rua a implorarem a violação; se és moderno e repudias a frouxidão desses crucifixo-lovers dos xoninhas católicos e repudias o deboche anti-progressista da decadente monarquia; se te sentes um escravo do capitalismo, com os vales do McDonalds e as pizzas gordurentas das grandes corporações norte-americanas que pretendem engordar toda uma geração, junta-te a nós. Juntos rebentaremos com essa fantochada. A verdadeira liberdade está na honra de pertencer a algo que transcende a tua mera condição de reles indivíduo.

Temos de ter muito cuidado com isto

12 Agosto, 2014

O Novo Banco vai obrigar familiares de ex-responsáveis e de acionistas qualificados do BES a comprovarem o direito aos depósitos que detinham no banco e que ficaram ‘congelados’ no ‘bad bank’.

Em princípio o contrário é que deve ser feito: se as autoridades têm dúvidas sobre a origem do dinheiro devem prová-lo. Neste momento e com o que se sabe do BES todas as medidas nos parecem proprcionais a tais desmandos mas arriscamo-nos a que dentro de alguns anos isto seja aplicado a qualquer um de nós por um governo aflito de dinheiro.

com uma simples assinatura

11 Agosto, 2014
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Parece confirmar-se que Zeinal Bava desconhecia, por completo, a aplicação feita pela PT na Rioforte (via O Insurgente). Bava desconhecia, o conselho de administração ignorava e os accionistas de referência foram apanhados completamente de surpresa. Parece, então, que só Granadeiro sabia, na PT, o que ia fazer com 900 milhões de euros, que não lhe pertenciam, nas empresas de Salgado. Sendo assim, fica por responder à pergunta seguinte: como pôde um único sujeito, numa empresa da dimensão e da importância da PT, determinar o destino de tanto dinheiro, com a sua simples assinatujra. Que raio de empresa é essa, afinal?

Rui Veloso tem razão

11 Agosto, 2014

Rui Veloso tem razão, pelo menos no que foi publicado no DN (versão online gratuita, é um desperdício pagar mais pelo jornal do que o que se paga pela música).

Ler mais…

Inquérito: mas é importante?

11 Agosto, 2014

o choradinho do mercado

11 Agosto, 2014
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Um dos equívocos que resulta desta história do BES é a ideia de que, mais uma vez, o facto de uma empresa privada estoirar demonstra a ineficiência do mercado e a ausência de regulação estatal do mesmo. Ora, supondo, por absurdo, que o mercado financeiro prime pela ausência de regulação estatal, só isso não seria suficiente para considerar haver aí um mercado livre. Para haver mercado não basta que existam empresas privadas ou ausência de estado. Este é um erro comum em que incorrem, com insistência, os socialistas de todas as ideologias e partidos, fazendo-o quase sempre em proveito próprio, para esconderem as suas próprias ineficiências. Para haver mercado são necessárias, pelo menos, três condições cumulativas e não alternativas: propriedade privada, concorrências e ausência de estado. Ou seja, se um sector da economia tiver, por hipótese, duas ou três grandes empresas que o monopolizem, que estão no mercado sozinhas graças a licenciamentos e a decisões não dos consumidores mas dos decisores públicos, estaremos muito distantes de uma verdadeira economia de mercado, onde o jogo da oferta e da procura e a satisfação ou insatisfação directa dos consumidores determinam a produção. A isso poderá chamar-se nomes diversos: estatismo, socialismo, corporativismo, fascismo, social-democracia, etc. Não deixam de ser, entre si, coisas muito semelhantes em termos económicos. Mas economia de mercado é que não e confundir os conceitos não passa de um embuste para esconder as verdadeiras razões dos problemas. Tal e qual fez José Sócrates quando nos entregou um país em dobro endividado em relação ao que recebera seis anos antes.

Tenho pena mas não dá

11 Agosto, 2014

Porque é que os artistas não dizem simplesmente que se retiram pq não lhes pagam o que querem, pq não têm público ou pq lhes apetece ir de férias? Segundo se vê no portal dos contratos públicos em 2009 os contribuintes portugueses pagaram 290 mil euros a Rui Veloso. Esse valor tem vindo a descer e em 2013 aproximou-se dos 40 mil. Percebo perfeitamente que Rui Veloso esteja zangado. Como qualquer empresário estará quando vê diminuir  a sua receita deste modo. Mas deixe de mandar vir com a democracia que por sinal até o tem tratado muito bem.

That’s my boy

11 Agosto, 2014

 

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O António Araújo escreve no malomil sobre Kokito, um marroquino casado com uma espanhola. Não sei se tiveram filhos ou se a mulher de Kokito já fez explodir o cinto com explosivos que Kokito lhe ofereceu no casamento. O menino da foto igual a milhões de meninos do mundo ocidental é australiano. É o filho de Jaled Sharruf. O pai orgulhoso da foto escreveu That’s my boy!

o castelo

11 Agosto, 2014
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_igp7716x3O Porto vive um extraordinário momento de reanimação e crescimento, suportado por um surto de turismo europeu que anima o comércio, a restauração e a hotelaria. Este crescimento de que todos beneficiamos é feito apesar de e contra o estado e os poderes públicos, que para além de se intrometerem na vida das empresas em busca de receitas fiscais extorsionárias, lhes impõem toda a sorte de exigências legais, burocráticas e formais na gestão dos seus negócios. Um desses negócios é a recuperação urbanística dos velhos prédios em ruínas da baixa e arredores, com destino à construção de pequenos apartamentos de investimento essencialmente turístico. Quem se aventurar nessa empreitada conhecerá, ao invés do incentivo e do apoio das autoridades, que deveriam preocupar-se com as décadas de abandono imobiliário da cidade, os “rigores” de leis e portarias municipais cuja principal finalidade parece ser a de que ninguém faça coisa nenhuma. Num país decente, este esforço empreendedor de cidadãos e de empresas esmagados por uma fiscalidade de piratas devia ser estimulado, por exemplo, com isenções fiscais por prazo generoso para quem se dispusesse a gastar o seu tempo e dinheiro a recuperar um belíssimo património imobiliário que foi destruído por décadas e décadas de leis absurdas. Ao invés, em Portugal prefere-se lixar a vida a quem quer fazer alguma coisa, bastando, para tanto, aplicar uma dessas inúmeras leis que regulamentam tudo e mais alguma coisa, com excepção de nos explicarem como é que se transforma uma cidade em ruínas num lugar onde valha a pena viver.

ainda sobre os “investimentos” da pt no bes

10 Agosto, 2014
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Uma pergunta: quantos dos vários geniais e mundialmente premiados gestores desse famoso bordel da 3ª República criaram, ao longo das suas vidas, uma empresa de sucesso?

Só visto

10 Agosto, 2014

Hoje assisti a vários noticiários televisivos. É uma experiência fantástica: indignam-se pq Passos não recebeu os manifestantes que protestavam à sua porta. Eram seis alminhas mais o bombo. Mas  a pivot estava muito indignada com a desfaçatez do pm. Depois da fase da maior manifestação de sempre estamos a caminhos da manifestação mais pequena de sempre mas no tom da cobertura nada muda.

Depois tivemos a faixa de Gaza. A saber o exército israelita ataca, dispara e mata. Do lado palestiniano não há exército é a terra ela mesma, a faixa, quem dispara os rockets.

Pelo meio apanhei uma peça delirante sobre  o acidente aéreo em Teerão cujo segundo ouvi se deve ao embargo levantado ao Irão após o sequestro dos diplomatas norte-americanos. Teerão ainda não conseguiu que lhe vendam peças pq os americanos lhes levantaram sanções nesse tempo. Enfim para lá da má fé da explicação o avião em causa era um Antonov

Por fim cheguei ao Rui Veloso. Os músicos em Portugal agora não deixam de cantar porque lhes apetece, pq não têm público ou mais frequentemente pq muitas autarquias estão sem dinheiro e não os podem contratar com a frequência de outrora. Dizem que se retiram pq estão desgostosos com o país. Mas Rui Veloso disse mais. Disse o que Mafoma não diz do toucinho sobre os concursos televisivos que estão cheios de pessoas que cantam e que naturalmente preenchem o tempo outrora reservado aos artistas. Dessa parte as televisões não falaram. Não parecia bem.

Não são gemas. São metáforas.

10 Agosto, 2014

Pois é, eu ia escrever sobre a extraordinária ironia subjacente ao facto de ser de Londres e também de Paris e não da Jordânia, do Egipto ou até mesmo da Cisjordânia que chegam imagens de milhares de manifestantes exigindo o fim da intervenção militar israelita em Gaza.  Depois tentei avançar para outro tema e explicar que António Costa está a ser vítima do ‘efeito Quadratura do Círculo’. Mas acabei a deambular pelas hóstias de amêndoa,  toucinho do céu, os papos de anjo, farófias, pães-de-ló… E acabei no bolo de iogurte como símbolo do nosso auto-engano: Não são gemas. São metáforas  no Observador.

A solução para a crise francesa

10 Agosto, 2014

Na Europa existe neste momento uma legislação sobre a blasfémia no que respeita ao islão e outra para as demais religões. Destas últimas podemos dizer o que nos apetece. No caso dos catolicismo a  liberdade não só é total quanto a regra até é inversa: quanto mais se disser de mal mais se passa por pessoa inteligente. Quanto ao islão o caso é completamente diferente. Para lá do silenciozinho nascido do medo das bombas temos  o politicamete correcto  a obrigar-nos a fazer três declarações prévias de admiração pela sabedoria que lhe está subjacente. Em França que vive enredada na demanda do Graal da laicidade tudo isto é levado sempre ao extremo e assim naquele país acaba de ser condenada a uma multa de 3000 euros a dirigente de uma associaçao de extrema-direita por ter afirmado: L’islam est une saloperie (…), c’est un danger pour la France”. 

Pode dizer-se que a senhora está errada e que a pena é de uma hipocrisia extrema quando se vê, lê e ouve o que se diz em França sobre os judeus ou os americanos sem que daí resulte mais que admiração e silêncio. Mas também se tem de ver aqui a oportunidade para a França resolver os seus problemas de tesouraria: se o mesmo critério for agora aplicado ao que se diz do judaísmo ou dos norte-americanos em França choverão milhões nos cofres do tesouro francês. Allons enfants de la Patrie. Le jour de l’argent est arrivé

Quadro: “gajas mesmo muito boas oriundas de Gaza numa praia em Ibiza”

10 Agosto, 2014

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Pf

10 Agosto, 2014

Será possível perceber-se exactamente o que reivindica o Sindicato dos Pilotos da TAP?

Pois é…

9 Agosto, 2014

Às vezes fico com duvidas sobre o que certos constitucionalistas fumam nos seus tempos livres. Ou, mais grave,  que professores tiveram que não lhes deram a lição número numero um: a do mero bom senso.

Veja-se este divertido artigo: ««Divisão do banco em mau e bom pode ser inconstitucional». Pensei eu, ah, finalmente alguem foi ler a constituição.

Mas abro e o que vejo? «Podem ter sido violados os principios da confiança, da igualdade e equidade»! Tretas fantasiosas sem suporte no texto. Invenções que decorrem ao sabor da interpretação manhosa de qualquer marmanjo de turno.

No caso do BES, o único principio constitucional que pode estar em causa é o que consta expressa e textualmente da Constituição (e não formulaçõesou ilações  esótericas). Reza assim: Artigo 62º Direito à propriedade privada : (…) 2. A requisição e a expropriação por utilidade pública só podem ser efectuadas com base na lei e mediante o pagamento de justa indemnização«.

Aa autoridades do Estado realizaram uma intervenção, que, de acordo com as leis vigentes e as opções disponíveis, parece ser a que menos penaliza o conjunto dos contribuintes.  Tal preocupação é uma inovação a saudar face a comportamentos irresponsaveis similares no passado recente. Mas a verdade é que alguns proprietários viram ser-lhe retirada pelas autoridades do Estado parte da sua propriedade. Certo que o foi com a alegação de utilidade publica em defesa do sistema financeiro. E da utilidade publica de defesa dos clientes e depositantes. Certo. Mas não deixa de ser uma expropriação forçada de propriedade. E como tal, de acordo com a Constituição terá de ser compensada. À alegação de utilidade ou interesse publico não corresponde o poder de esbulho sem compensação. Assim reza a CRP.

Já basta o poder quase discricionário que é dado ao Estado para agir com todo o seu poder sobre os particulares da forma como o fez. Só faltava mesmo que o pudesse fazer sem custo, sem os compensar pela propriedade que lhes foi retirada. A CRP tem tónicas socialistas bem vincadas. Mas não exageremos. Ainda lá tem umas coisitas para defender o cidadão face ao Estado. O que é aliás o principio constitucional por excelência.

Bem visto

9 Agosto, 2014

Após vários dias de confrontos o Hamas apresentou as suas reivindicações: para lá dos ordenados que 40 mil homens do Hamas querem receber e não recebem porque o governo  palestiniano não lhes paga o Hamas   quer que lhe construam em Gaza um aeroporto  e um porto.

TC bom. MP mau.

9 Agosto, 2014

Nos últimos anos o mundo socialista nas suas diversas correntes esteve de acordo num ponto: o simple facto de o Governo propor medidas que vieram a ser chumbadas pelo TC era uma 

pressão intolerável uma pressão inaceitavel uma pressão política uma pressão do governo sobre um tribunal, o que não é de todo aceitável em democracia um ataque inadmissível à justiça constitucional e ao Estado de Direito democrático. E um insulto à nossa inteligência uma pressão chantageadora do “Orçamento de 2013 ou morte”, numa espécie de triunfo da tirania do aluno bem comportado sobre o constitucionalismo democrático.

ataque ao Tribunal Constitucional porque o Tribunal Constitucional é um factor de moderação, logo de proteção face a um Governo de revolucionários

Após a detenção de Ricardo Salgado que desafortunadamente não foi determinada pelo TC o mesmo mundo – ou a parte mais sonante dele – desembaraçaram-se do problema das pressões e tem proferido declarações sobre a justiça que transformam o Marinho Pinto num ser tranquilo  José Sócrates considera que a detenção de Ricardo Salgado deve ser bem explicada. O comentador da RTP diz que não quer acreditar que a Justiça só persiga quem já não tem poder opu mais claramente ainda Não confio no Ministério Público. Quero ter as garantias de que se um dia tiver que enfrentar um problema na justiça e se for inocente tenho condições para demonstrar a minha inocência e que o que tem que ser provado é a minha culpabilidade. Não me parece que seja isso que acontece frequentemente em Portugal. E o problema é que só temos essa percepção quando temos proximidade à justiça. Isso o 25 de Abril não resolveu, a democracia não resolveu, a troika não resolveu, e não vejo que no futuro alguém tenha coragem de resolver.

 

No vale das sombras, entre Caim e Abel

9 Agosto, 2014

Não há ninguém, nem no PSD extra-governamental, capaz de perceber que o país está num ponto de inflexão. Nos outros partidos ninguém o entende e no PS só se procura forma de voltar ao pântano. O que aborrece em António José Seguro não é a sua aparente inaptidão para hip to be square, é sim a forma como, sem o filtro da tradicional destreza para nada dizer, afronta o próprio princípio partidário nacional, chamando-lhe, algo desajeitadamente, promiscuidade entre política e negócios.

O ponto de inflexão é mesmo esse: estamos na zona que definirá se Portugal se tornará um país de negócios ou se regressará ao país da política que sempre foi, com os negócios como parte definidora da essência partidária.

Como optimista no meu pessimismo, reconheço demasiada inércia para que esta seja afectada significativamente pelo momento. Em Portugal, sozinho, a coisa não vai lá. Resta saber se os credores estão dispostos a financiar a sua própria autofagia ou, se como aparenta ser a realidade a julgar pelo caso BES, dispostos a financiar a sua própria sobrevivência através das purgas necessárias aos sorvedouros nacionais.

O lado mais interessante: nada disto é dependente dos vossos insultos seja a quem for.

É verdade, é, é!

8 Agosto, 2014

Muita gente votou em mim, nas autárquicas, para me dar força para assumir outras responsabilidades”. Nomeadamente, a responsabilidade de ser presidente de câmara a tempo inteiro.

Carlos Costa tem filhos em idade casadoira?

8 Agosto, 2014

Se tem case-os rapidamente com a descendência de Miguel Sousa Tavares. Este tanto quanto sei não comenta a actuação de Ricardo Salgado porque este é seu compadre. Mas não se inibe de comentar a actuação de Carlos Costa no caso do BES logo a actuação de Carlos Costa versus Ricardo Salgado. Note-se que MST chama a atenção para aspectos importantes, por exemplo o lado de confisco que pode estar subjacente no caso da actuação de Carlos Costa, mas ou comenta Ricardo Salgado ou não comenta.

Prefiro mercados imperfeitos e regulações com falhas

8 Agosto, 2014
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Não partilho de todo este clamor que por aí se vai lendo e ouvindo contra o Governador do Banco de Portugal a propósito da falência do BES. Parece-me aliás ser Carlos Costa uma pessoa de extremo bom senso e competentíssima para o cargo, quer técnica, quer politicamente. É porém habitual e compreensível que, quando há um “caso” – e a falência de uma Instituição centenária com o peso e a dimensão do BES é um “super-caso” – as pessoas se interroguem se não seria possível prevenir do que tentar remediar quando já não há terapêutica que evite o pior.

Mas a contestação mais audível nestas ocasiões é sempre a que visa objectivos de mera chicana política, o que desde logo se nota pelo fraco conhecimento que os contestatários revelam dos processos, realçando apenas questiúnculas acessórias como o “soube”, “não soube”, “quando soube” e o sempre rangido e alarve “como foi possível?!” Os reguladores apanharão sempre por ter cão e por não ter, ou porque actuam tarde e não conseguem evitar o pior, ou porque actuam cedo e não permitiram uma quase certa recuperação. “Especialistas” a falarem de cátedra não faltam nestas alturas, coisa que, pessoalmente, me provoca enormes complexos de inferioridade, rodeado de tamanhas sapiências capazes de tudo prever e evitar.

Eu não sei quais os critérios e ferramentas usados para uma eficaz supervisão do sistema bancário, mas admito que sejam complexos e sofisticados e nem por isso infalíveis. Sei que qualquer auditoria se faz por amostragem, tem margens de erro e muita informação relevante lhe pode escapar. E os regulados têm incentivos e salários superiores aos reguladores e portanto sobra-lhes criatividade para “fintarem” inspecções. As autoridades estão bem cientes deste calcanhar de Aquiles, mas reforçá-lo não é nem nunca será o seu objectivo principal.

Num sistema de reservas fraccionárias com capacidade para “fabricar” dinheiro em catadupa, a confiança no sistema financeiro deve constituir a obsessão-mor de qualquer banco central. Num cenário de instabilidade e de crise num player de referência, aquilo que, acima de tudo, tirará o sono a um Governador, é a eminência de um bank run, que tem sempre riscos de propagação e de alastramento a todo o sistema. Todas as declarações “apaziguadoras” de Carlos Costa “garantindo” a solidez do BES, devem ser entendidas à luz do objectivo maior de evitar uma situação de pânico no mercado, coisa que exige uma gestão “com pinças”, para a qual pouquíssimos estarão habilitados. Ele mentiu? E que impacto teria em todo o sistema se tivesse reconhecido que havia uma corrida aos depósitos e que o BES estava à beira do colapso? O Ricardo Salgado só foi preso quando “deixou de ser poderoso”? Mas como reagiriam os depositantes e os mercados em geral se um belo dia acordassem com a notícia que o banqueiro-mor do país estava detido? Não tenho dúvidas que os media estariam a crucificar Carlos Costa pela extrema inabilidade e falta de senso na condução do processo, coisa inadmissível num Governador.

Daí que se tornem assaz risíveis e caricatas as declarações empoladas e plenas de indignação dos nossos “comentadólogos” de serviço. Sempre acompanhadas da hipócrita choraminguice pelas “pobres vítimas” das medidas ou das soluções adoptadas, neste caso o “pequeno investidor”, cuja defesa fica sempre bem num discurso e, vá lá saber-se porquê, jamais deve ser penalizado. Há um pressuposto totalmente errado que retira qualquer credibilidade às críticas do “establishment”, o assumirem que há restrições agradáveis, austeridade sem dor ou falências sem perdas. Mas pior do que isso, a ridícula exigência de que os reguladores têm de velar sempre por nós, ser omniscientes, perfeitos, infalíveis. Nunca foram, não são nem serão. Falham e continuarão a falhar, como qualquer ser humano pensante. E é com falhas e erros que o mundo caminha e avança, agora e sempre.

Todos aqueles que clamam pela perfeição e infalibilidade de algumas Instituições, não estão a pedir reguladores fortes e eficientes, mas sim o Big Brother. E de facto, mereciam levar com ele.

recordando um célebre “merceeiro do porto”

8 Agosto, 2014
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Semanas depois de ter enfiado 900 milhões de euros numa empresa já reconhecidamente falida, e de aparentemente o ter feito sozinho, sem ter sequer consultado os seus colegas da administração, o cidadão Granadeiro apresentou a demissão de todos os cargos que exercia na PT. Alega só agora o ter feito para cuidar dos interesses dos accionistas, que, a avaliar pela forma exemplar como os tem ultimamente defendido, lhe devem ter ficado imensamente gratos por mais estes preciosos dias passados à frente da empresa. Quanto à massa “emprestada”, uma “pipa” dela, como diria o cessante presidente Barroso, foi-se pelo ralo da pia ou pelo cano de esgoto, conforme as preferências de estilo. Já sobre as razões que o terão levado a  tomar tão notável acto de gestão, que ditou o fim dos seus dias à frente da empresa (dessa e de outra qualquer, num país normal), Granadeiro limitou-se a dizer que a auditoria mostrará “que agi nos interesses da empresa”.

Esta miserável estória de contornos sicilianos tem somente um único mérito: demonstra, à evidência, as razões pelas quais um célebre “merceeiro do Porto” nunca poderia ter ficado à frente dos destinos da PT, e o que levou à tramoia que juntou todos os interesses do regime para impedir que ele assumisse o controlo da empresa, como teria sucedido pelas normais regras de mercado que esses interesses cuidaram de corromper. Ou será que alguém concebe o hoje demissionário CEO a “defender” deste modo os accionistas da PT, se Belmiro de Azevedo comandasse a empresa?

Amadores

7 Agosto, 2014

É verdadeiramente espantoso que uma empresa da dimensão da PT demore semanas para reagir a uma decisão suicidária e altamente prejudicial.

É incompreensível como uma empresa como a PT tem forma de funcionamento interno tão deficiente que possibilita que alguém, sem controle e sem dar cavaco aos orgãos de gestão, decide gastar mil milhões. Assim, na boa, apenas porque sim. E ups, chatice, perdeu-se….Mas que amadores são aqueles? Quem é essa gente que aceita ter gestores tão primáriamente incompetentes?

Repare-se que os sócios brasileiros foram rapidíssimos (como é proprio de quem pretende assegurar a boa gestão dos seus bens) a reagir, mudando de imediato o acordo de fusão,pois avisadamente disseram «fizeram m***, fiquem com ela». Mas foram os únicos a reagir adequadamente.

Tudo o mais pareciam vacas a pastar. Nem os demais sócios mexeram uma palha, aparentemente indiferentes à perda de uma pipa de massa (na elegante expressão do cherne da UE) . Nem os reguladores chamaram de imediato a atenção para a estranheza e mais do que duvidosa natureza do negócio, nem pediram satisfações, nem alertaram sócios para a situação. Enfim, «regularam» à moda da Dona Inércia.

Uma coisa é certa, os donos da PT ou são tolos ou ineptos.

O mundo pula e avança, como bola colorida nas mãos de uma criança

7 Agosto, 2014

“O fim da austeridade não é uma promessa: é uma necessidade”. Esta frase é extremamente curiosa: substituindo palavras por sinónimos seria algo como “o fim do rigor não é um compromisso: é uma obrigação”.

Recordemos o edil lisboeta em 2007:

Bom, com muito rigor, precisamente, sem fantasias e só podendo gastar aquilo que temos. E isso era opção fundamental do plano de saneamento financeiro que tinha duas medidas: por um lado um empréstimo, para pagar as dívidas que herdamos; mas por outro lado muito rigor no exercício orçamental para não gerarmos novas dívidas que outros tenham que pagar. Ora, já temos uma das medidas; precisamos da outra. E isso começa já neste plano e orçamento: portanto, com uma redução de 32% no conjunto da despesa; são cortes de 253 milhões de euros que temos que cortar de despesa, mas que é absolutamente essencial para podermos sanear as finanças do município e não pagar dívidas agora para ter mais dívidas amanhã. —António Costa para a RTP

Fórum Literário

6 Agosto, 2014
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Gosto de espaços, pontos de encontro de gente civilizada, fóruns onde é possível manifestar opiniões livres, sem constrangimentos. Quando uma dessa zonas de confronto de ideias abre as portas a gente inteligente, pessoas com aguçado espírito crítico, com uma apurada compreensão dos temas em debate e com uma  capacidade de argumentação ímpar, o sucesso é garantido. As cerejas no topo do bolo são a qualidade literária, o bom trato dado à língua portuguesa e a elevação da linguagem.

Chamo-vos a atenção particular para o uso criativo da pontuação, para a multiplicação impetuosa de símbolos gráficos, para a leveza quase libertina da escolha da forma da palavra escrita, para a desconstrução permanente das regras que impõem amarras e limites à línguagem.

Fiquem com alguns dos melhores momentos dos últimos dias do melhor fórum literário do ciberespaço em língua portuguesa, o grupo do Facebook: Amigos de José Sócrates. Tudo dos últimos 3 dias.

 

Sobre Nuno Melo:

“Olha o arruaceiro, o crápula do Nuno Melo a não querer que se fale politicamente do BES. Porquê?”

“Nogento!”

“este incompetente devia estar no manicómio”

“Este advogadozeco de meia tigela”ganhou” alguma notariedade pelo ataque obsessivo a Vitor Constancio e agora quer que todos fiquem calados????”

“O que são é Lacáios do governo e do CAVACO cá fora não tinham onde cair mortos, indejaveis”

“Ai que filho dum corno.”

“Já nem oiço este crápula.”

Um monte de merda.”

“Ser nojento, prepotente, sempre com a mania de que é o dono da verdade. Está bem acompanhado com o seu partner Paulo Porcas.”

“UM BADAMECO DE M………………”

“Este naminha Terra já tinha levado o jeito no gargalho este bacoco.”

“…o bandalho nem falou perdeu o pio. Sim sr este Homemmandou-lhe com as verdades a cara desse paspalho”

“O que é que este palhaço do Nuno Melo faz no País…”

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já o mercado entende muito bem o que se está a passar

6 Agosto, 2014
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E tem sempre razão: manter activos de risco, em bancos de risco, num país de risco não interessa a ninguém.

também está à espera que lhe expliquem

6 Agosto, 2014
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O Ministro da Economia também está à espera que lhe expliquem o que se passou no BES e na PT. Segundo ele, as situações ocorridas “são completamente atípicas e, acima de tudo, inexplicáveis”. Vamos ficar a aguardar.

alguém será capaz de nos explicar o que se passou nos últimos dois anos?

6 Agosto, 2014
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Há pouco mais de dois anos, o BES rejeitou o auxílio do fundo de capitalização da banca, que, entre outros aspectos, determinaria a nomeação de administradores externos ao núcleo central accionista que mandava no banco. Na altura, esta decisão foi interpretada como um sinal muito positivo sobre a saúde financeira do banco, o que levou a opinião pública a exaltar a excelência da sua gestão, corporizada no seu presidente Ricardo Salgado, também conhecido pelo DDT (Dono Disto Tudo). Essa foi a mensagem que passou para o mercado, sem qualquer retoque ou comentário das autoridades fiscalizadoras. As acções do BES valorizavam-se, o banco, em contraciclo com todos os demais concorrentes, obteve ganhos em bolsa muito justamente considerados “surpreendentes” e dispunha, também ao contrário dos demais bancos nacionais, de resultados financeiros muito confortáveis. Estes números poderiam ter sido certamente verificados pelas contas do banco e, em caso de causarem alguma reserva, ter sido alvo de auditorias que os analisassem melhor.

Ao fim de pouco mais de dois anos sobre essa emblemática rejeição de auxílio do estado, o BES apresenta um gigantesco buraco de vários mil milhões de euros (os números conhecidos só podem, por enquanto, pecar por defeito), de tal modo que o regulador foi obrigado a determinar o seu fim e a criação de uma outra entidade que ficará sob a sua gestão, o mesmo é dizer, teve de o nacionalizar. Por ora, a intenção é a de nacionalizar somente os activos saudáveis e deixar aos accionistas os prejuízos. Veremos se estes se conformam com a estratégia, ou se irão pedir responsabilidades a quem tinha de verificar a saúde do banco e transmitir ao mercado o diagnóstico real em que ele se encontrava. Quanto a Ricardo Salgado, o mago da gestão do BES, foi há dias transportado por um carro celular a um juíz de instrução criminal, donde só se livrou da prisão preventida por se ter disposto a pagar a mais elevada caução judicial da história da  justiça portuguesa. Alguém será capaz de explicar o que aconteceu no BES nestes últimos dois anos?

A conciensia sosial

6 Agosto, 2014

A ortografia é um resquício fascista que oprime o livre arbítrio da interpretação individual. Apesar do enorme esforço do acordo ortográfico – aquele que permitiu alargar para 4 ou 5 as possibilidades de grafia de uma única palavra – muitas pessoas ainda conseguem determinar um único sentido para uma pequena frase. Isto tolhe a imaginação e a criatividade artística para, por exemplo, chegarmos ao ridículo de interpretação unívoca para a bula do metilfenidato do nosso (obviamente) hiperactivo filho.

Uma sociedade verdadeiramente evoluída já libertou os seus contribuintes das amarras de interpretação única dos factos através de uma abertura que permite uma infinidade de sentidos para todas as palavras, elas próprias uma limitação a um universo finito (um contra-senso) de conceitos abstractos para auto-expressão em primeiro, comunicação em segundo lugar.

Felizmente, um número crescente de proto-candidatos à docência, 62,8%, optou pelo caminho correcto, o do livre-arbítrio perante a escravatura da convenção ortográfica das 4 grafias; optaram pela 5ª, pela 6ª, pela 10ª. Os restantes 37,2% (ou, para cerca de 1500 proto-candidatos, os restantes 50%; ou, para a CGTP, os restantes 99%) continuam agarrados a velhos modelos de pensamento, como velhos do S. Francisco Xavier, retrogradamente delapidados de dignidade e conciensia sosial.

Como o Hamas dispara os seus rockets de um terreno ao lado de um hotel de jornalistas

6 Agosto, 2014
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Já fiquei alojado no Gaza Hotel (no longínquo ano de 1995) e na altura não havia tantos prédios à volta, mas havia seguramente menos jornalistas no hotel do que nos últimos dias. Não deixa por isso de ser revelador que só uma cadeia de televisão indiana tenha registado e reportado a forma como Hamas montou um rocket e depois o disparou de um terreno mesmo ao lado do hotel. Ou seja, viu aquilo que a generalidade dos enviados especiais a Gaza não tem conseguido ver.

Sobre a expropriação dos accionistas

6 Agosto, 2014

Como mencionado num post anterior, a legislação prevê os accionistas do banco mau têm direito a eventuais ganhos que ocorram na venda do banco bom:

Artigo 145.º -I
Alienação do património do banco de transição
[…]

4 — Após a devolução dos montantes previstos no número anterior, o eventual remanescente do produto da alienação é devolvido à instituição de crédito originária ou à sua massa insolvente, caso aquela tenha entrado em liquidação.

Deputados interrogam o Sr Governador

6 Agosto, 2014

O Governador do Banco de Portugal vai ser chamado ao Parlamento para explicar o que anda a fazer ao BES. O Governador limitar-se-á a explicar que está a aplicar a legislação que decorre de uma autorização legislativa dada pelos deputados para a criação pelo governo de um processo de resolução bancária. Nessa autorização legislativa pode ler-se:

3 — Fica o Governo autorizado a determinar que, quando as instituições não cumpram ou estejam em risco de não cumprir os requisitos para a manutenção da autorização para o exercício da respectiva actividade, o Banco de Portugal pode aplicar as seguintes medidas de resolução:
a) Alienação parcial ou total da actividade a outra instituição autorizada a desenvolver a actividade em causa;
b) Transferência parcial ou total da actividade para um ou mais bancos de transição.

O debate parlamentar feito no Parlamento à época pode ser consultado aqui.

Furo jornalístico e inside trading

5 Agosto, 2014

O furo jornalístico de Marques Mendes ou a queda da bolsa na sexta à tarde revelam acesso a informação privilegiada, mais precisamente a que se encontra neste decreto lei de 2012:

A fase dita de resolução compreende a possibilidade de aplicação de dois tipos de medidas de último recurso destinadas a defender interesses essenciais como os da estabilidade financeira e o da continuidade de funcionamento dos sistemas de pagamento. […] O segundo corresponde, por seu turno, à transferência de activos, passivos, elementos extrapatrimoniais ou activos sob gestão para um banco de transição criado para o efeito. Estas medidas estão reservadas para a eventualidade extrema de uma instituição de crédito se encontrar em risco sério de não cumprir os requisitos para a manutenção da autorização para o exercício da sua actividade e não ser previsível que a mesma consiga, num prazo apropriado, executar as acções necessárias para regressar a condições adequadas de solidez e de cumprimento dos rácios prudenciais.