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Chover no molhado

29 Maio, 2014
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A leitura que o Tribunal Constitucional tem feito de alguns princípios, para além de claramente política, é uma intromissão em áreas de poder que não são as suas. É esse um dos argumentos do meu artigo de hoje no Observador, onde parto da história de algumas aquisições de livros para a biblioteca do TC para concluir que os juízes têm uma interpretação errada do seu papel. Porém, face ao grau de militância existente, sinto que argumentar é mais ou menos a mesma coisa que chover no molhado.

mais impostos

29 Maio, 2014
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Vem aí um novo aumento da carga fiscal. O anúncio é já amanhã.

um belo exemplo

29 Maio, 2014
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Marinho e Pinto, o tal deputado europeu recém-eleito, que veio para moralizar a política, acabou de admitir ao Diário de Notícias a possibilidade de se candidatar às próximas eleições presidenciais, que terão lugar no começo de 2016, pouco menos de um ano e meio passado sobre a eleição para o Parlamento Europeu. Disse ele: Na altura própria, se for caso disso, farei as avaliações e ponderações que essa possibilidade exigirá. Ou seja, nem uma semana depois de ser eleito, já se dispõe a mandar às urtigas um mandato que ainda nem começou a exercer, em troca de um outro. Um belo exemplo de ética política, não haja dúvida!

Fratricídio

29 Maio, 2014

Enquanto decorre a luta fratricida mais polarizadora, devastadora e dilacerante de que há memória desde Abel e Caim, com consequências incalculáveis quer a nível da evolução do rating, quer da avaliação real nos mercados, poucos se lembram de colocar a questão essencial: será que Bruno de Carvalho telefonou mesmo a Luís Filipe Vieira e a operadora não conseguiu encaminhar correctamente a chamada? Isto tornaria toda esta situação num terrível equívoco, sem ponta de maldade existente por qualquer das partes.

Felizmente para nós, portugueses ponderados e consequentemente preocupados, as notícias parecem centradas num pequeno fé-divér político, que nos desvia da inquietação do fratricídio supra-mencionado, a da impossibilidade de treino por parte de Cristiano Ronaldo, devida a mialgia da região posterior da coxa esquerda.

Organizem-se!!!

29 Maio, 2014

Que o PS esteja dividido sobre a sua liderança parece-me normal e tal acontece sempre um dia nos partidos democráticos.

O que não se entende nem aqui nem em qualquer outro lugar do planeta Terra é que o PS esteja dividido acerca da votação da moção de censura do PCP onde além das pérolas do costume sobre a economia, a apologia da saída do euro… se lê o seguinte sobre o próprio PS: «A mais grave situação nacional desde os tempos do fascismo torna indesmentível o retrocesso económico e social a que conduziu a política de direita executada nos últimos 37 anos por sucessivos governos, agravada nos últimos anos pela execução dos PEC e do Pacto de Agressão assinado por PS, PSD e CDS com a troica estrangeira do FMI, BCE e Comissão Europeia.»

Misteriosa é também a escolha do ano de 1977 como o patamar último do nosso avanço, patamar esse de que não temos cessado de descer graças, segundo o PCP, também aos governos do PS.

A ter em conta

29 Maio, 2014

Quem ganha com a abstenção? Carlos Guimarães Pinto

Isto não vai acabar bem

29 Maio, 2014

Decisão de juíza coloca diabéticos em risco de vida  (decidir quem pode ou não administrar uma injeção intra-muscular de glicose em vítimas de hipoglicemia não é uma uma questão para juízes decidirem)

Entretanto continua a novela dos Miró,  a Maternidade Alfredo da Costa tem de continuar a funcionar,   e o Constitucional continua a entender-se como um senado.

 

Não deixem de ler

29 Maio, 2014

A Queda do Socialismo na Europa José Mendonça da Cruz no Corta-fitas

Trabalhadores da CML ao lado de Seguro Vasco Mina no Corta-fitas

“Ao que isto chegou!” Paulo Tunhas no Observador

O hospedeiro

28 Maio, 2014

Imaginem um indivíduo que, depois de ameaçar partir a loiça e tomar conta da associação recreativa, consegue o aval da direcção para, deixando-a em paz, obter o apoio necessário à presidência da junta de freguesia através de uma farsa para associados. Isto acarreta riscos, claro. Um deles é que o bruxo lá da terra, o que prescreve sempre a mesma receita, contando que o indivíduo tomasse mesmo conta da associação recreativa para ter caminho livre para a sua própria candidatura à junta, comece a espernear no seu programa da televisão evangélica. O risco existe mas é facilmente mitigado pelo desgaste dos crentes, entalados entre o reconhecimento da derrota e a oportunidade de tranquila trégua que uma dança de cadeiras proporciona.

Eu cá preferia ser presidente da junta do que director de associação recreativa falida. O presidente da junta actual é um chato. Vou apoiar a actual direcção da associação recreativa e mandar o meu filho apoiar o revolucionário indivíduo: no totobola é uma tripla.

duas saídas

28 Maio, 2014
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Num breve e lacónico comunicado de 75 palavras, António José Seguro reagiu com sobranceria ao desafio de António Costa, para que ele marque um congresso extraordinário do partido. Ele e  a sua equipa têm-se escudado no ridículo argumento do respeito pela legalidade estatutária, quando uma das formas previstas nesses estatutos para a convocação daquela reunião é, precisamente, a decisão unipessoal do líder. Não se entende se, deste modo, Seguro pensa que poderá escapar ao inevitável, ou se julga que poderá desgastar Costa, quando, na verdade, se desgasta apenas a ele mesmo, dando provas de temer o seu adversário e o julgamento do partido. Uma coisa, contudo, parece mais do que evidente, quer queira quer não, António José Seguro só tem duas saídas possíveis: ou convoca ou convoca o congresso. De resto, de pouco lhe vale a displicência com que tratou, no comunicado, o autarca de Lisboa. Até porque concluiu esse texto com um erro factual, ao escrever que “O Secretário-geral do PS registou a posição do Dr. António Costa”. É que ele já não é, de facto, o secretário-geral do PS, embora pareça ser o único que ainda não o percebeu.

Contos & Ditos

28 Maio, 2014

O governo não ia durar até ao fim de 2012.

O governo não ia durar até saírem os resultados do 1º trimestre de 2013.

O governo ia cair mal saísse a decisão do Tribunal Constituciona.

O governo ia cair depois das autárquicas.

Vai vir a revolta social.

A austeridade não se aguenta.

Estão a destruir o país.

Tem que haver um governo de salvação nacional (com o Silva Peneda a liderar).

O PSD vai desaparecer.

A esperança é o Passos Coelho ser derrubado em congresso (houve alguns a recolher as assinaturas).

Depois de tantos contos e ditos, chega-se à conclusão que o líder da oposição tem que ser substituido porque será incapaz de ganhar as próximas legislativas.

Navegação interrompida rumo à Costa

28 Maio, 2014

A facção pós-modernista do Partido Socialista, assim caracterizada por ser suficientemente nova ou inquestionavelmente inconsciente para poder dar-se ao luxo de ignorar o ímpeto legislativo de Tony Blair – o tal que renovaria a esquerda, em permanente renovação desde a Primeira Internacional – está em reboliço consigo própria, tentando convencer-se que todos os regulamentos são iguais mas uns são mais iguais que outros.

Pronto, daria jeito que, e apenas quando nos desse jeito, se pudesse convocar um congresso e substituir o líder pelo novo objecto de devoção; nem sempre, claro, só em casos excepcionais, como este, notoriamente especial pela necessidade de resgate de algo intangível, a hipótese inequívoca de vencer eleições legislativas fingindo que não foi um governo desse mesmo partido que correu para os braços da Troika com as calças na mão (não é uma metáfora).

Os pós-modernistas do PS não estão a tentar escolher um líder para vencer as eleições e sim um arquivista melhor, com maior capacidade narrativa de apresentação da história revisionista. Não procuram alguém com ideias para divulgar e, com isso, mobilizar o eleitorado; procuram, sim, alguém capaz de omitir com panache suficiente – vulgo “lata” – a nuvem que paira sobre um pequeno grupo enterrado até ao último apêndice tribal na dislexia factual das calças na mão rumo aos braços da Troika.

Já se sabe que há regras e regras, todas iguais, mas umas mais iguais que outras. Em primeiro lugar na imutabilidade adaptativa está o espirito da Constituição, encarnado em princípios de confiança consagrados apenas na interpretação do documento; daí que seja necessário que o Tribunal Constitucional esteja dotado de juízes com maior capacidade para interpretarem o espírito balbuciante da coisa quando estamos relegados para o inglório sub-produto da democracia, a oposição . Em último lugar na imutabilidade adaptativa estão os estatutos dos partidos, que podem ser adaptados às circunstâncias, em concreto e considerando o bem superior, já que estamos com as calças na mão rumo aos braços de mais uma vitória pírrica.

Não é como se os estatutos de um partido e a Constituição sejam bem a mesma coisa; nem é sequer uma questão de princípio. É apenas uma questão de doce ironia esta possibilidade de se assistir, em primeira fila, à demonstração involuntária do adágio pontuado com reticências, o “quem com ferros mata”.

A bola está do lado do Tribunal Constitucional. Imaginem as possibilidades deliciosas que daí podem surgir, com a urgência em emitir parecer sobre a inconstitucionalidade de medidas orçamentadas.

Cinco certezas para uma crise

28 Maio, 2014

 que se arrisca a terminar não como é desejável com um derrotado e um vencedor mas sim perigosamente com  um triunfador e um falhado – tema do meu artido de hoje no Observador

 

Coisas fascinantes

28 Maio, 2014

Em qualquer site à excepção do do Expresso se fica a saber que  Ricardo Costa pôs o lugar à disposição

Seguro recusa no PS antecipar as eleições que exigia a Cavaco que antecipasse para o país.

Domingo à noite falavam de vitória do PS. 36 horas depois a vitória é derrota. Mas sempre com convicção.

Ajude o PS a ajudar o país: decida o líder

27 Maio, 2014

rui rio

27 Maio, 2014
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O PS prepara-se, para felicidade do governo, para se partir pelo menos em dois. Seguro já anunciou que não convocará qualquer congresso extraordinário sem que se cumpram as normas estatutárias do partido, coisa praticamente impossível para quem não controla o aparelho, como sucede com António Costa. A argumentação foi de truz – “Se nós andámos a criticar o Governo por violar a Constituição, não podemos depois dizer que a nossa Constituição – os Estatutos do partido –não é para cumprir” – e revela bem o grau de indigência que por lá anda. Para todos os efeitos, o grande derrotado desta cisão socialista não é, por enquanto, nenhum dos seus protagonistas. O principal derrotado é, por ora, Rui Rio.

Suicídio/homicídio

27 Maio, 2014

Primeiro parece suicídio:

O deputado socialista João Galamba defendeu hoje que o acordo entre PSD, CDS-PP e PS pedido pelo Presidente da República implica o suicídio de um dos elementos, admitindo que Cavaco Silva tem “em mente” o suicídio político do líder socialista.

Depois parece homicídio:

Feitas as contas, João Galamba de acordo com aquilo que João Galamba considera ser a vontade do Presidente da República.

seis tribos

27 Maio, 2014
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Soaristas, costistas, socráticos, sampaistas, guterristas, seguristas. Estas são, pelo menos, as seis tribos que participarão na disputa da próxima liderança do PS e, por extensão, do próximo governo de Portugal. Todas com diferentes interesses, objectivos e protagonistas. Nem todos coincidentes, muito deles colidentes. Seria, então, possível percebermos, a tempo e horas, que Partido Socialista sairá desta contenda? Se é que sairá só um, claro…

Alguns números

27 Maio, 2014

Como seria de esperar, a elevada abstenção torna difícil comparar os resultados entre as eleições legislativas e as europeias.
O quadro que se segue compara os resultados absolutos dos maiores partidos nas duas eleições e os resultados corrigidos pela variação do número efectivo de votos expressos (excluídos os brancos e nulos).
Torna-se mais evidente o resultado extraordinário da CDU (poderá justificar-se com a menor tendência abstencionista do seu eleitorado fiel?) e a subida contida do PS, que perdeu mais de meio milhão de votos.

A coligação no Governo perdeu quase dois milhões de votos, que representam 81% do aumento da abstenção face a 2011.

O número de votos perdidos por PS e PSD (2.442.511) é superior à diminuição do número total de votos.

A comparação é um exercício puramente especulativo: por um lado, a abstenção seria certamente menor se se tratasse de legislativas, sendo certo que a abstenção não afecta do mesmo modo todos os partidos (a CDU é claramente a menos afectada pelo fenómeno) e o voto de protesto seria também, provavelmente, muito diferente.

 

Legislativas 2011 Europeias 2014 Var (votos) Var (%) Esperado (1) Diferença (2) Var dif (%)
PPD/PSD+CDS-PP 2.813.729 907.514 -1.906.215 -67,75 1.592.008 -684.494 -43
PS 1.568.168 1.031.872 -536.296 -34,20 887.269 144.603 16,3
CDU 441.852 416.070 -25.782 -5,83 250.000 166.070 66,4
BE 288.973 149.415 -139.558 -48,29 163.501 -14.086 -8,6
total votantes 5.588.594 3.278.137 -2.310.457 -41,34 3.162.026
total votos expressos 5.360.221 3.032.904 -2.327.317 -43,42 3.032.813

 

(1) votos “esperados” se se mantivessem a percentagens das legislativas
(2) diferença entre a votos esperados e a votação efectiva nas europeias 2014

afinal, o tamanho importa

27 Maio, 2014
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“Não vou discutir o tamanho da vitória”, diz António José Seguro.

Costa está “naturalmente disponível” para liderar o PS.

É agora!

27 Maio, 2014

Rei_D._SebastiãoCá está: António Costa avança contra Seguro.

Desculpem, link errado, é este: Costa avança contra Seguro.

Fantástico!

27 Maio, 2014

António Costa não sabe se avança.

Seguro não sabe se cai.

Os socialistas não sabem se vão mudar de líder

… Mas têm a certeza que Cavaco devia antecipar as legislativas.

Opinião a usar com moderação

27 Maio, 2014

Tema do meu artigo de hoje no DE:
Os homens que vão ficar à espera
O homem com quem vai ter de se contar
Os homens que podiam ser
O homem que talvez não faça mais política mas que pode fazer, se quiser, o melhor livro de memórias políticas de Portugal
O homem a quem temos de estar agradecidos
O senhor que se segue
O homem que para ganhar tem de derrotar o seu partido
O homem que ganhou tempo

Ganhou na táctica. Perdeu na estratégia.

27 Maio, 2014

Não sei se António José Seguro lê jornais e muito menos se alguma vez passou os olhos pelo que escrevo. Mas caso tal aconteça talvez hoje se lembre do velho provérbio “Quem avisa seu amigo é” a propósito deste texto que escrevi em Julho de 2013: António José Seguro claramente desistiu de ser primeiro-ministro pois caso tivesse esse propósito entenderia o acordo com o PSD e o CDS como a melhor arma que levaria para São Bento: uma parte dos cortes teria sido feitos pelo governo de direita com o desgaste que tal comporta; o PS teria ganho o valor acrescentado do sentido de Estado e, não menos importante, PSD e CDS estariam obrigados a subscrever novos acordos propostos pelo PS. Mas não foi nada disso que aconteceu.

Entre garantir condições para ser primeiro-ministro em 2014 ou líder do PS em 2013, António José Seguro optou pela segunda hipótese. Ler mais…

Voto obrigatório? É subsidiado?

26 Maio, 2014

Os defensores do voto obrigatório, para além de vários problemas filosóficos sobre liberdade, direitos, deveres e democracia, também não parecem perceber a própria distribuição geográfica da abstenção. Querem mesmo obrigar os habitantes/recenseados dos Açores a deslocarem-se às mesas de voto?

participação eleitoral 2014

Fuga em frente

26 Maio, 2014

A direção do PS, para já, deixa um aviso no ar. Ao Observador, Álvaro Beleza, membro da direção socialista, diz não acreditar que perante uma vitória haja um ataque à liderança. (…) Para Beleza, o problema destas eleições foi sobretudo um problema de regime. E por isso defende uma alteração da lei eleitoral para a Assembleia da República. “O PS tem de liderar esse processo”.

Está assim mais ou menos a pensar em quê?

duas respostas

26 Maio, 2014
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António José Seguro teve o seu momento privilegiado para se afirmar como líder do PS e da oposição ao governo de Passos Coelho. Deu-lha o Presidente da República no ano passado, quando desafiou o PS para um entendimento de fundo com o governo, em torno das graves questões e problemas que apoquentavam o país. Sentindo-se pressionado pelo PS histórico e pelo regresso de José Sócrates, Seguro deixou-se ir a reboque e respondeu ao Presidente e ao país apenas em função daquilo que ele pensava que o interior do PS queria ouvir. Recusou negociar com o governo as questões que mais preocupavam os portugueses, limitou-se a produzir sound bites de rejeição inflamada de todas as propostas e medidas do governo, e não cuidou de apresentar aos portugueses políticas alternativas que os convencessem. Ora, as pessoas, por mais condicionadas que estejam pela dura realidade dos factos, não perdem a noção das coisas e já se não limitam a aderir pavlovianamente a meras reações inflamadas de puro recorte propagandístico. Se António José Seguro se tivesse sentado à mesa com o governo, teria dado uma imagem de responsabilidade ao país, tinha posto o PS que o criticava no devido lugar e arranjado fundamentos sólidos para não aceitar a maioria das propostas que o governo sugerisse. Comportando-se como se comportou, demonstrou a sua fragilidade como líder do partido e a sua vacuidade como candidato a primeiro-ministro. Ontem, o país deu-lhe a primeira resposta sobre o que pensa da sua liderança. O PS dar-lhe-á a seguinte.

Sondagem do Rato

26 Maio, 2014

Está aí a sondagem que garante ser imperativo tirar o Seguro. Foi, naturalmente, feita no Rato. Dá a credibilidade necessária para, em menos de 24 horas, se passar da “derrota histórica da direita” para o “Seguro, põe-te a andar”. Saiu na TVI mas é indiferente: as pessoas acreditam em qualquer unicórnio televisivo.

Nada pode parar esta espiral recessiva rumo à facada.

o ano que aí vem

26 Maio, 2014
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Graças aos resultados de ontem, o ano que aí vem augura-se auspicioso, pelo menos até às próximas legislativas. Se a coisa for como se espera, ainda havemos de ouvir o António Costa a clamar por austeridade e a pedir contenção nas despesas do estado…

Agora é tarde: Inês é morta.

26 Maio, 2014

Ferro Rodrigues pede a Cavaco que antecipe legislativas

Cavaco ofereceu em 2013 ao PS a possibilidade de eleições antecipadas. Aliás caso Seguro tivesse então aceite a proposta do PR, proposta essa que parecia feita à medida do inseguro Seguro, Portugal estaria agora em legislativas. O PS impôs a Seguro rejeitar o acordo porque o ódio a Cavaco falou mais alto. Agora é tarde: Inês é morta.

reflexão

26 Maio, 2014
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guilotinha

“Surgem vozes socialistas a recomendar reflexão sobre o resultado eleitoral.”

Vencidos e vencedores (PT)

26 Maio, 2014

DERROTAS

Do PSD/CDS – Grande cabazada, resultado miserável (seja em perpectiva nacional ou desempenho europeu);
Do CDS – Perde metade da representação;
De Paulo Rangel, Nuno Melo e Carlos Coelho – Pagam pesadamente a miserável e indigente campanha realizada;
Do PS/Seguro – 4% de diferença, atendendo às circunstâncias, é derrota política;
Bloco de Esquerda – Depois de perderem metade do eleitorado e da representação na A.R. perdem agora outra metade do eleitorado e 2/3 da representação. Em deterioração rumo à irrelevância merecida;

VENCEDORES

Marinho e Pinto – Obviamente;
PCP – Os comunas conseguem excelente resultado cavalgando a onda nacionalista e anti-europeísta que varreu a Europa;
Livre – Ultrapassam o Bloco em Lisboa, sendo isso uma grande vitória. E tem boa votação que lhes daria grupo parlamentar em legislativas. Para partido com poucas semanas é bom;
Francisco Assis – Apesar de campanha desastrada, tem mais 5%  que Vital Moreira há 4 anos….

o ps e as suas encruzilhadas

26 Maio, 2014
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Deve ter sido tamanha a alegria e a festança pela “esmagadora vitória” de ontem do PS, que o Câmara Corporativa ainda não conseguiu editar um único post a comemorar o feito. Uma transcrição de um artigo de Correia de Campos sobre as malfeitorias que o governo tem feito ao estado social e um outro com uma intensa reflexão do deputado Galamba sobre o futuro da social-democracia europeia, com um lúgubre comentário sobre a prestação do PS nas eleições de ontem (“não podemos dizer que o PS tenha tido uma vitória histórica, longe disso”). Pouco, muito pouco. A vitória de ontem merecia mais e certamente que os próximos dias serão pródigos em festejos.

O que fazer com tantos votos?

26 Maio, 2014

“O que fazer com tantos votos”, questão que Rui Tavares poderá colocar, talvez a Manuel Alegre.

Agora, que o objectivo do Livre não foi atingido, é preciso arranjar novos objectivos. Talvez possam fazer isso através de um processo público de primárias.

Dois anos separam estas capas

26 Maio, 2014

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Curiosa explicação

26 Maio, 2014

20140526-073302-27182080.jpgO DN já arranjou uma explicação. Afinal os “populistas” retiram votos ao PS, e apenas ao PS, reduzindo a sua expressão eleitoral, que, na maior crise desde a peste negra, ainda não conseguiu convencer o seu eleitorado de que é o mais vocacionado para materializar o unicórnio.

É curioso revelar assim, na capa de um jornal, toda a estratégia de um partido para vencer eleições. As pessoas que gostam muito de “transparência” devem estar satisfeitas.

Mais fascinante é o DN reconhecer que o PS perdeu votos para um candidato que é contra a co-adopção e o casamento gay.

 

Adenda: Faltava colocar aspas em populista. Não reconheço a Marinho e Pinto uma capacidade de superação de um Alegre, Sócrates, Soares e outros que tais; mas, de acordo com o que ouvi nas televisões ontem, o termo correcto para caracterizar Marinho e Pinto é “populista”, o que quer que isso signifique em Portugal.

Cheque bebé: como fazer as pessoas voltar a acreditar na política

26 Maio, 2014

Ontem Pacheco Pereira analisava os resultados das europeias dizendo que o povo está descrente e sem alternativas e que a democracia está em risco. Parece que as 16 opções de voto que ontem apareceram no boletim de voto não são suficientes para assegurar alternativas suficientes. António Costa explicou que tudo se resolve com uma “nova agenda mobilizadora”, uma grande ideia, mas que ele não devia ter revelado, porque os outros 15 partidos vão copiar. Eu, por mim, penso que as pessoas não querem mais alternativas, nem querem uma “nova agenda mobilizadora”. Querem um cheque bebé, de preferência sem a necessidade de fazerem o bebé. Foi aliás distribuindo um cheque de 80 euros a cada trabalhador que a nova estrela da esquerada italiana, Matteo Renzi, conseguiu a vitória mais expressiva da noite de ontem, tendo o dobro dos votos do populista lá do sítio. Portanto, cá está uma boa forma de combater o populismo: distribuam dinheiro às pessoas porque elas andam desiludidas com a política desde que se deixou de fazer uma auto-estrada em cada terrinha e  um estádio por distrito e de dar complementos de reforma para os velhos, empregos fictícios para os jovens  e  progressões automáticas na função pública. Temos que recuperar a política naquilo que ela tem de mais nobre.

A abstenção

26 Maio, 2014
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Em Portugal quase atingiu os 2/3 do eleitorado e no resto da europa não andou muito distante. Do que resulta, mais uma vez, um enorme défice de representatividade do Parlamento Europeu com crescimento relativo das franjas radicais.

Reconheça-se que o eleitorado denota alguma clarividência. Porque haverá de se dar ao trabalho de ir votar em candidatos que não conhece, que lhe foram impostos pelas oligarquias partidárias em listas plurinominais, cujo fito principal é usufruírem durante meia década de salário e regalias de topo e de quem é mais prudente esperar que cumpram o mandato em plena ociosidade sob pena de parirem legislação estúpida?

Claro que o resultado prático é o reforço do populismo multicolor, seja da Frente Nacional, do Syrisa, ou do justicialismo intolerante de um Marinho Pinto. Mas talvez o sistema precise de apanhar um valente susto para se reformar. E a principal reforma será a de atribuir representatividade plena aos deputados europeus. Alterando, por exemplo, o sistema eleitoral para maioritário na base de círculos uninominais, adoptando o que já funciona bem em vários países.

paulo morais

26 Maio, 2014
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Os 7% de votos na lista de Marinho Pinto são um protesto contra o sistema político e aquilo que os eleitores entendem ser a corrupção da classe política. Foi uma votação expressiva, que poderá decidir o resultado das próximas legislativas. Por isso, quer o PS quer o PSD certamente que o vão tentar captar. No caso do PSD essa tarefa está naturalmente facilitada: bastará que o partido olhe com outros olhos para Paulo Morais, que, salvaguardadas, em seu largo benefício, as devidas distâncias, poderá ocupar nessas eleições o espaço que nestas coube a Marinho Pinto.

o elevador da glória

26 Maio, 2014
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3,75% foi a percentagem de votos que separou o partido vencedor das eleições, o PS de António José Seguro, sem responsabilidades na execução das políticas de austeridade do governo dos partidos que ficaram em segundo lugar. Falta um ano para as legislativas e José Sócrates já deu o mote para o que irá suceder no interior do PS: o resultado do governo foi uma “hecatombe”, mas a vitória de Seguro “não foi muito expressiva”, por não ter ficado “acima de 40%”, disse. Hoje, embora simbolicamente, José Sócrates subiu o elevador do Altis para felicitar o seu camarada secretário-geral do PS. Certamente que não desceram juntos.