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má escolha

5 Junho, 2014
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O governo preferiu continuar a atirar as responsabilidades para cima dos portugueses mais desprotegidos, em vez de obrigar a vir a jogo todos aqueles que criaram e mantêm a situação que nos obrigam, sem mais, a pagar. É uma atitude pouco corajosa, que terá inevitáveis consequências sobre aqueles que a tomaram. Daqui por um ano, se até não for antes, o governo e os partidos de Passos Coelho e Paulo Portas terão um lindo enterro. Ficará a cargo de um PS renascido nas mãos de António Costa, a quem os dois partidos do governo acabam de entregar o poder. De facto, a cadeira de Francisco Sá Carneiro não é para qualquer um.

Amores proibidos

5 Junho, 2014

“Este modelo de amor romántico, no solo es sexista, sino doblemente restrictivo ya que es la resultante de la combinación del amor patriarcal y del amor heteronormativo, lo que supone negar o que sea invisible la diversidad afectivo-sexual. Nunca nos contaron un cuento de dos princesas o dos príncipes”. – lê-se na página do Governo das Canárias.

Além do amor romântico também há que combater segundo a directora do Instituto Canario de Igualdade, Elena Máñezesta,  paga pelos contribuintes espanhóis, o amor patriarcal e o amor heteronormativo. O Romeu e Julieta ainda acabam censurados!

O programa «progressista» da Frente Nacional

5 Junho, 2014

(Via Helder Ferreira)

dois inconseguimentos

4 Junho, 2014
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De uma assentada só.

demissão – 2

4 Junho, 2014
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Não há espaço para “impasses políticos” entre o governo e o tribunal constitucional, após o chumbo orçamental da semana passada. Em face dele, ou o governo tem ou não tem condições para governar, e se as não tem só legitimando-se nas urnas as poderá voltar a ter. Se o governo, em final de mandato, voltar a repetir o expediente já corriqueiro de enfiar as suas largas manápulas nos cada vez mais estreitos bolsos dos contribuintes, o que resolve a emergência da tesouraria mas agrava a solução do problema, tomará, mais uma vez, uma atitude fraca e cobarde, em nome de uma responsabilidade que não pode, e não deve, ser só sua. É, pois então, muito boa altura de chamar à mesa das responsabilidades todos quantos as têm na situação, essa sim de verdadeiro impasse, em que se encontra o país: partidos da oposição, órgãos de soberania fiscalizadores, autores dos pedidos de fiscalização das ténues tentativas de reforma do estado feitas nestes anos e tutti quanti opinam, mandam ou se arrogam a querer vir a mandar na choldra (aqui, os dois Antónios mais do que incluídos). Se Passos Coelho voltar a meter o rabinho entre as pernas e optar pela solução mais fácil, bem pode ir andando, porque já cá nada estará a fazer.

Há dias em que a desobediância fiscal me parece um comportamento de elevado sentido cívico

4 Junho, 2014

 A cidade de Lisboa tem assistido, recentemente, a um crescimento da quantidade de lixo acumulado nas ruas, especialmente junto a ecopontos. O problema agravou-se depois da concretização da reforma administrativa em que muitos trabalhadores do departamento de Higiene Urbana foram transferidos da Câmara para as juntas de freguesias, o que, alega o município, está na origem dos atuais problemas.“Têm existido algumas falhas” na recolha do lixo, especialmente no que diz respeito à área envolvente aos ecopontos – frequentemente repleta de sacos-, admite Duarte Cordeiro, vereador da Higiene Urbana da Câmara Municipal de Lisboa, que adianta, contudo, que “há questões que são anteriores à reforma administrativa”. Nomeadamente, a rotatividade de trabalhadores do setor, que é “muito elevada”.
O presidente da autarquia, António Costa, já havia admitido que “ao fazer-se a transferência de meios para as juntas, o que se pôde constatar foi que grande parte dos meios não era utilizada na limpeza e na varredura, mas antes estava a ser usada para outras funções, nomeadamente nas recolhas junto aos ecopontos”. Ou seja, o departamento de recolha de lixo, que se manteve a cargo do município, ficou desfalcado em número de trabalhadores.

PORTANTO OS TRABALHADORES QUE NÃO RODAM VARREM MAS NÃO RECOLHEM O LIXO JUNTO AOS AOS ECOPONTOS. É ISSO? Ler mais…

Eleições Sucessivas

4 Junho, 2014

Não adianta culpar a Constituição ou o Tribunal Constitucional: a culpa é da democracia, que permite a existência de governos um bocadinho menos socialistas que o consagrado do espírito da Constituição.

Esta falha do instrumento democrático deve ser colmatada o mais rapidamente possível. O método usado em referendos europeus deve ser adoptado quanto antes: enquanto o resultado das eleições estiver errado, a sua repetição sucessiva é imperiosa.

A ler

4 Junho, 2014

Rubalcaba intenta parar la revuelta interna contra la Monarquía

Aclarar a aclaração

3 Junho, 2014

Parece que o Governo decidiu pedir à Assembleia da República para pedir ao Tribunal Constitucional que aclarasse  o Acórdão da passada sexta-feira. Trata-se do mesmo Governo que decidiu remover do Código de Processo Civil uma norma que permitia às partes pedirem ao Tribunal que proferiu uma decisão “[o] esclarecimento de alguma obscuridade ou ambiguidade da decisão ou dos seus fundamentos“. É certo que a referida norma era, por vezes, usada como mero expediente dilatório. Mas podia ter-se evitado o abuso da figura da aclaração sem a eliminar.

Sendo, além do mais, duvidoso que o Código de Processo Civil se aplique à fiscalização abstracta da constitucionalidade (já que a lei de processo no TC apenas prevê tal aplicação subsidiária aos processos de fiscalização concreta), a verdade é que, com a reforma do processo civil de 2013 poucas dúvidas restam da inutilidade e inadmissibilidade de tal pedido, imputável ao próprio Governo, sendo o TC, desta vez, inocente.

Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade resultam directamente da lei e da própria Constituição, sendo o Acórdão claríssimo quanto a este ponto: Ler mais…

Um novo verão quente

3 Junho, 2014

Tem as suas vantagens

I see what you did there

3 Junho, 2014

As mesmas pessoas que reconhecem autoridade suprema ao Tribunal Constitucional como interpretador-mor da imutável e sempre certa Constituição, mesmo que omissa sobre o assunto a interpretar, são as mesmas que apelam a que se rasgue a Constituição espanhola para implantação de outro regime, o único regime do bem.

Como sempre se disse, perfeitamente normal esta dislexia dos legalistas nacionalistas-e-para-cúmulo-socialistas.

Outro resultado das europeias

3 Junho, 2014

A antecipação da data da abdicação de Juan Carlos. O esfrangalhar do PSOE com a consequente partida de Rubalcaba e o receio da tomada do PSOE por sectores populistas pode ter antecipado para Junho o anúncio da intenção de Juan Carlos. Uma tese a ler aqui

‘Tengo unos dolores que me están matando’

3 Junho, 2014

A abdicação de Juan Carlos tema do emu artigo de hoje no DE:  “por trás do homem amigo de contar anedotas, de gozar a vida, mais amante dos touros do que da música clássica está um líder determinadíssimo, que no Estoril enfrentou o pai, que se considerava a si mesmo o legítimo herdeiro do trono de Espanha, e que sobreviveu no meio das intrigas do Palácio do Pardo onde muitos dos mais próximos de Franco preferiam ver como sucessor do caudilho não Juan Carlos mas o seu primo Afonso que não só era duque de Cádiz e de Anjou mas também o marido da neta mais velha de Franco. Ou seja, Juan Carlos lutou para ter o poder e foi exímio na arte de o manter. Pois o que é a Transição liderada por Juan Carlos senão um raro processo em que uma elite conservadora pôs em marcha e liderou uma mudança sem ficar, como sucedeu em Portugal, à espera de uma revolução? Pois foi esse mesmo instinto que o levou agora a entender que abdicar era o que devia fazer para o bem da instituição monárquica. (….) Agora Filipe vai ser rei. Que Filipe VI reine numa Espanha unida é do nosso maior interesse.”

Os taradinhos do hitleres, o direito ao esquecimento e o esquecimento na hora de recolher o lixo

2 Junho, 2014

Vai-se a ver e a culpa ainda é do Google que não apaga este post em que aquela turma que vive em exaltação mística constante achou por bem comparar Seguro a Hitler. Já o escrevi  e repito: isto só se cura arranjando uma  maneira de colocar estas almas uma semana num sítio que recrie as condições vividas nas salas da Gestapo ou num campo de concentração. Tenho a certeza que vinham de lá curadinhos da mania das comparações com o Hitler. Entretanto a minha questão é bem mais prosaica: alguém sabe qual a facção que o PCP apoia nesta crise do PS? É que a recolha do lixo em Lisboa está catastrófica, pelo menos em algumas das mais populosas freguesias. Ainda por cima há um ameaça de greve para os santos populares, festejos que produzem lixo às toneladas. António Costa tem neste momento de lutar contra Seguro, acalmar alguns dos seus apoiantes – o que não vai ser nada fácil – e tratar de resolver a questão lixo. Destas três coisas não sei qual será a mais fácil.

acabar-lhes com a raça

2 Junho, 2014
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Como o nosso Vitor Cunha tem aqui relatado em directo e ao vivo, o blog O António, criado por um grupo de apoiantes de António Costa à liderança do PS, entre os quais, João Galamba, Isabel Moreira e o próprio António Costa (sim, ele apoia-se a si mesmo, quem diria!), fechou pouco depois de abrir. Esta indesejada e súbita morte parece ter sido devida a um entusiasmo de um dos participantes, que comparou António José Seguro a Hitler, esse mesmo, o Fuhrer do III Reich. É certo que estamos a viver tempos em que qualquer um se arrisca a semelhante comparação (Putin foi o último da fila), embora quem o tenha dito, neste caso, saiba certamente mais das malévolas intenções de António José Seguro em relação aos seus camaradas, do que qualquer humilde mortal. Quem sabe não estará o ainda líder socialista à procura de uma solução política final para Costa e os seus, que passe, por exemplo, por os expor a um ridículo tal, que acabe com a raça? Por este andar, vão por bom caminho.

juan carlos

2 Junho, 2014
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Juan Carlos conseguiu o que é quase impossível em política: uma transição pacífica de uma longa ditadura para um regime democrático pleno. Foi graças a ele e, sobretudo, ao que ele personifica enquanto símbolo, que a Espanha conseguiu ultrapassar divergências e ódios antigos entre os franquistas e as várias oposições ao regime, que poderiam ter dado um péssimo resultado na tentativa de golpe de Miláns del Bosch e Tejero de Molina, no quase fatídico dia 23 de Fevereiro de 1981. Nessa ocasião, o que valeu a Espanha foi a dimensão simbólica do Rei, que conseguiu infundir respeito ao exército indeciso sobre qual partido tomar. Fosse ele um actor político eleito no cargo, provavelmente a força da sua intervenção teria sido muito menor e, quem sabe, mesmo até agravado as cisões da sociedade espanhola.

Hoje, ao anunciar a sua renúncia ao cargo fazendo-se substituir pelo seu filho, Juan Carlos deu mais uma lição de civilidade política democrática, que muito poucas repúblicas contemporâneas conseguem atingir. Nelas, a sucessão do chefe de estado é quase sempre palco de conflitos e litigiosidade exacerbada, que sempre deixam marcas no exercício dos mandatos. Tome-se como exemplo o caso português actual, e a diferença que faria termos em Belém alguém que fosse fatalmente consensual, em vez de um presidente que, bem ou mal, é visto como um mero protagonista político.

Chegou o Toy

2 Junho, 2014

Se queres dançar e não tens par, chama o António.

Adenda (17h15): O António morreu.
Adenda (17h17): Chamem um engenheiro.
Adenda (17h19): Parece ser um problema simplex.
Adenda (17h25): Pode ter sido uma interrupção voluntária do António.
Adenda (17h29): Valha-nos Santo António.
Adenda (17h30): Será que o blogue tinha Seguro?
Adenda (17h31): Mais de 15 minutos, a reanimação trará sequelas graves.
Adenda (17h32): Isto não é vida. Está relançado o debate da eutanásia.
Adenda (17h38): Não podemos desistir. É preciso re-capacitar este António.
Adenda (17h42): Entretanto ligaram do Guinness. Acho que foi batido um record.
Adenda (17h46): Está a ser duro lidar com este inconseguimento.
Adenda (17h48): A privatização do António é irrevogável.
Adenda (20h20): Em verdade vos digo, António renegará António três vezes. A primeira aqui.
Adenda (20h25): Let’s call it a draw.

Vale tudo? Não me parece.

2 Junho, 2014
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Hoje, nas bancas, estranhei a forma como o Público titulava uma entrevista a Jardim Gonçalves: “Não sendo capitalista, era lacaio do capitalismo”.

Fui à procura da frase completa e encontrei esta resposta, a propósito do que o antigo banqueiro passou nos anos de 1974/75:

“Tive vários convites de empresas para trabalhar, mas não havia liberdade de admitir quadros pois todas as comissões de trabalhadores vetavam o meu nome por, embora não sendo capitalista, ser “o lacaio do capitalismo”. Eu tinha então cinco filhos e não tinha emprego e fui pedir ao tenente Rosário Dias, que era comunista e assessor do general Vasco Gonçalves, e que trabalhava à frente da minha casa, na Rua da Imprensa, para sair do país.”

Pois, isso mesmo. Parece que agora vale tudo.

O que ali foi feito é o mesmo que, dizendo eu numa entrevista, que “fulano de tal acha que eu sou um filho da p.”, o jornal titulasse “eu sou um filho da p.”.

Prefiro nem qualificar.

 

Candidato presidencial da direita

2 Junho, 2014

Marcelo Rebelo de Sousa: “Lá se vai a reserva para fazer flores eleitorais em 2015”

É isto que o candidato presidencial da direita tem a dizer sobre mais uma decisão do Tribunal Constitucional que coloca em causa a consolidação orçamental e empurra para o sector privado o ónus de a pagar.

Ballet Rosa

2 Junho, 2014

O jornal Público fez um extenso artigo sobre os percursos de Seguro e Costa, um interessante exercício de justaposição das diferentes tarefas que um funcionário do partido pode desempenhar ao longo da sua… carreira contributiva. A dada altura ficamos a saber que António Costa estudou ballet no Conservatório de Lisboa, escola onde “havia de tudo: os filhos das famílias ricas de Santa Catarina, mas também os filhos das prostitutas e dos operários”.

Uma consequência devastadora – mas inexplicavelmente pouco documentada – desta austeridade irresponsável é a brutal redução de estudantes de ballet que são filhos de prostitutas. Esta integração social dos bons velhos tempos, perdida com a ditadura das finanças liderada pela chanceler Merkel, mais que indicador de cosmopolitismo lisboeta-lusitano, indica um claro desinvestimento na área da educação para a cultura.

É de esperar, com António Costa, o regresso à expansão económica que permita a subtil mas eficaz integração plena dos filhos de prostitutas com futuros políticos de carreira através do domínio na perfeição da posição en pointe.

o que quer josé sócrates

2 Junho, 2014
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O que quer José Sócrates ainda da política, mais concretmente, o que espera ele do PS liderado por António Costa?

Quando abandonou o governo, estou certo que esperava, um dia, antes do final da legislatura, regressar à chefia do partido que lhe virava as costas no momento da sua derrota. Era ainda  muito novo, tinha uma considerável experiência acumulada e um conhecimento de fundo da política portuguesa e do seu partido, e, sobretudo, sabia que o estado em que deixava o país levaria o governo seguinte a um desgaste de imagem imenso na opinião pública, que poderia reescrever a história,  a do seu governo, principalmente, e fazer dele, de novo, uma esperança para os sacrificados portugueses.

Foi nisso que jogou todas as fichas no seu regresso a Portugal e à política, donde verdadeiramente nunca se afastou, vigilante, como sempre esteve, de tudo o que se passava no PS, por onde deixou muito bem posicionadas as suas viúvas e órfãos. Ele não contava, todavia, nem que a maioria das pessoas tivesse entendido as responsabilidades que lhe cabiam nos sacrifícios porque estavam a passar, menos ainda que o PS lhe oferecesse resistência ao seu eventual regresso, sendo que essa hostilidade não lhe vem apenas do Secretariado: vem também do próprio António Costa, que ele diz agora apoiar.

Por isso, o que quer agora José Sócrates de António Costa, que Seguro não lhe tenha dado ou pudesse vir a dar? A satisfação de humilhar quem o humilhou na noite da sua derrota eleitoral? É pouco. A alegria de ver o PS regressar ao poder com outra liderança que não a sua? Iria contra a sua própria natureza. Algum cargo público, nacional ou internacional, algum prebenda que lhe tenha sido prometida por Costa e ignorada por Seguro? É dificilmente credível que o primeiro lhe tenha feito já promessas que o segundo tenha declinado nos três anos que leva à frente do PS. Uma genuína intenção de ajudar Portugal a sair dos momentos difíceis em que tem vivido? É hipótese que nem se põe.

Assim sendo, não há explicação lógica para o entusiasmo com que Sócrates abraçou a candidatura de Costa, que, a ser ganhadora como todos esperam no PS, o poderá inclusivamente relegar, de vez, para a história e o passado do partido, se mais não houver ou, pelo menos, se mais não houver na cabeça de José Sócrates.

Por conseguinte, seria interessante entendermos o que une estes dois homens, para podermos perceber verdadeiramente ao que vem António Costa e para onde quer ir o anterior líder socialista.

A armadilha

1 Junho, 2014

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Se agora temos pela frente um problema orçamental e mais injustiça fiscal, dentro em breve o TC será vítima da armadilha em que caiu ao fazer de parlamento não eleito. É apenas uma questão de tempo: se e quando o PS tiver uma maioria expressiva o TC acabará nas ruas da amargura – que nessas coisas como em tantas outras quem se mete com o PS leva! –, ou então o PSD e o PS acabarão a decidir casuisticamente a alteração dos poderes do TC, o que não é desejável.

A ler

1 Junho, 2014

Alberto Gonçalves: No domingo à noite, escrevi um pequeno texto sobre as europeias para a edição de segunda–feira do DN. Porque mo tinham pedido, o texto versava o desempenho do PS. Porque o desempenho ficou aquém da maioria das sondagens e da euforia com que Francisco Assis abriu a noite eleitoral, recordei o óbvio: a vitória do PS não lhe garantia um futuro risonho. Apesar de tudo, conclui que o Dr. Seguro se aguentaria na liderança até 2015. Estas banalidades, pelo menos banais às 22 horas do dia 25, levaram alguns fervorosos do Rato a indignar-se e a insultar-me na caixa de comentários do DNonline: aparentemente, eu não dera a devida importância ao prodigioso triunfo do PS, crime explicável com o facto de estar ao serviço do Governo e outras malfeitorias do género. (…) Ao longo dos dias seguintes, vultos maiores e menores do partido decidiram aliviar-se de reparos ao resultado das eleições, afinal uma miséria que não deveria passar sem reparo

 

 

Desta vez o acórdão do TC foi sincero: os juízes têm um programa ideológico

31 Maio, 2014
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Há duas novidades importantes neste acórdão do Tribunal Constitucional. Primeiro, a sinceridade com que se sugere o aumento de impostos. Depois, a frontalidade com que os juízes dissidentes expressam o deu radical desacordo. A minha análise hoje, no Observador, depois de umas horas a ler o acórdão. Que termina assim:

 

Estratégia do Seguro

31 Maio, 2014

Estratégia do Seguro anunciada hoje consiste no seguinte:

 Anunciar que quer reduzir o nº de deputados no Parlamento. Isto serve para lembrar a amigos e adversários que tem o poder para lhes bloquear as carreiras. Seguro não pretende reduzir o nº de deputados, pretende apenas mostrar que dispõe de uma determinada arma, e que está disposto a negociar apoios em troca de não a usar.

Anunciar eleições nas federações. Isto serve para que os seus apoiantes não mudem de campo. Acossados, terão que se unir contra os costistas. É também uma área em que Seguro joga em casa, dado que andou a cacicar federações nos últimos 9 anos.

Primárias abertas a simpatizantes, mas apenas para Primeiro-Ministro. Isto serve essencialmente para criar incerteza e custos a amigos e adversários. Haverá primárias, não se sabe quando, e não é certo que o vencedor venha a conseguir controlar o partido, e com isso os lugares, uma vez que o lugar de Secretário Geral, que é do Seguro, não vai a votos. Incerteza dissuade os adversários, e os apoiantes dos adversários, uma vez que aumenta o custo da vitória. Mesmo que ganhe, não é certo que Costa venha a conseguir decidir lugares nas listas, pelo que quem está seguro com Seguro não se arriscará a apoiá-lo publicamente.

Incerteza do calendário. Não se sabe quais são os calendários, e se tudo não será adiado para datas que tornam impossível a uma nova liderança afirmar-se. Nem sequer é certo que possa haver primárias antes das eleições. Esta incertezaé mais um factor que contribuirá para desmoblizar apoios a António Costa.

Cavaco se va de rositas

31 Maio, 2014

O principal beneficiado por esta crise do PS é Cavaco Silva. Não fosse Saturno, Urano e Mercúrio estarem em rota de colisão no sistema solar rosa e o PR estaria de bombo da festa: todas as horas comentadores e jornalistas falaraim sobre a necessidade de devolver a vos ao povo perante o resultado das eleições. Assim como a parte mais mediática do PS, que é o mesmo que dizer do País, não quer eleições Cavaco foi,por uma vez, poupado a esse exercício mediaticamente eficaz e politicamente gratuito do vamos lá gritar para ver o que isto dá.

Acompanhamento musical para o último acordão do TC

31 Maio, 2014

 

 

 

Volta a ficar renhido

31 Maio, 2014

Quando tudo parecia indicar uma estrondosa vitória de António Costa, eis que tudo volta a ficar renhido: Sócrates apoia António Costa na corrida à liderança.

Operação plástica a paciente com rigor mortis

31 Maio, 2014
Ultimamente começa-se a notar alguma falta de naturalidade nesta face.

Ultimamente começa-se a notar alguma falta de naturalidade nesta face.

A tralha socrática é o único factor que impede o Partido Socialista de registar uma maioria absoluta nas sondagens. Após mais uma demonstração através da escassa margem obtida nas eleições europeias, a incapacidade dos próprios em contemplar o rigor mortis socrático (porque isso implicaria o seu próprio), cria uma série de inconveniências, típicas de zombie, como espernear muito e esperar que a mudança da cara do líder (um socrático leria “testa-de-ferro”) seja suficiente para manter o seu eleitorado afastado do flirt com outras soluções governativas que excluem o PS.

Ontem, em teoria, o Tribunal Constitucional determinou uma série de restrições que retiram qualquer margem de manobra ao próximo governo; na prática, são restrições que apenas se aplicam a um governo não liderado pelo mui constitucional Partido Socialista.

Assim, seja qual for a cara do Hollande de serviço, e a médio prazo, a situação mais benéfica para todos seria a eleição imediata de um governo PS. Passos Coelho não o deveria temer: não só a saída precoce é a melhor oportunidade para ser reeleito como, mesmo não o sendo, é a única forma de assegurar a redução do défice, como planeado, independentemente das mentiras dos discursos parvos. Para o PS assegurar vitória em eleições antecipadas, escusa perder tempo com cirurgias plásticas: há fatos no armário, pertencentes ao defunto, que têm que ser doados às obras de caridade.

A ler

30 Maio, 2014

“As normas constitucionais que têm a estrutura de um princípio são, por causa da indeterminação do seu conteúdo, normas de dificílima interpretação. A “descoberta” do sentido destas normas enquanto parâmetros autónomos de vinculação do legislador tem sido portanto feita, gradual e prudencialmente, tanto na Europa quanto na tradição mais antiga norte-americana, em trabalho conjunto da doutrina e da jurisprudência. A razão por que tal sucede é a de evitar saltos imprevisíveis na compreensão do conteúdo destes princípios.

[…]

Como em qualquer um destes casos o Tribunal partiu do princípio segundo o qual a lei não tinha “afetado” nenhum direito que fosse fundamental, de harmonia com as premissas metódicas de que parti o seu juízo deveria ter sido o da evidência e a densidade do seu escrutínio de grau mínimo. Não o foi. Por isso, entendo que com esta decisão o Tribunal invadiu um campo que pertencia ao legislador; e que, por ter agido à margem das exigências metódicas que são próprias da argumentação jurídico-constitucional, não deixa para o futuro qualquer bússola orientadora sobre o conteúdo da sua própria jurisprudência, e sobre o entendimento que tem quanto aos limites do seu próprio poder.

[…]

Por todas estas razões, desta decisão, como das outras tomadas neste caso no sentido da inconstitucionalidade, radicalmente me afasto. [sublinhado meu, itálico no original]

Declaração da Voto da Conselheira Maria Lúcia Amaral

Alianças improváveis

30 Maio, 2014

Seguro que os socráticos querem desalojar do PS por considerarem que ele acabará a levar o PS para um governo com o PSD votou uma moção do PCP

Os costistas acabarão a elogiar Cavaco Silva por este não convocar eleições antecipadas pois isso seria um brinde para Seguro

… O resto ainda se está para ver

 

Ora aqui está uma estratégia bem vista

30 Maio, 2014

António José Seguro depois de ter apoiado uma moção do PCP contra a qual afinal estava contra, moção essa que por sinal é muito crítica dos governos PS, e que se recusa a levar o PS para eleições internas pretende que Cavaco Silva o mantenha na liderança do PS antecipando eleições legislativas.

com maioria absoluta

30 Maio, 2014
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Caso o governo não retire consequências claras deste chumbo do Tribunal Constitucional, demitindo-se, e decida continuar a desgastar-se com novos aumentos de impostos, entregará, por daqui a poucos meses, o poder ao PS de António Costa, com uma inevitável maioria absoluta. Ora, entre uma ligeira turbulência de final de mandato e de final do programa de ajustamento, e quatro anos de maioria absoluta socialista politicamente imprevisível, o que será preferível para o país e para os credores? Por outro lado, o governo anunciou, há alguns meses, que não voltaria a aumentar impostos. Que tal começarem a cumprir aquilo que prometem?

demissão

30 Maio, 2014
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Perante mais este chumbo do Tribunal Constitucional, o mais elementar instinto de sobrevivência política aconselharia Pedro Passos Coelho e Paulo Portas à imediata demissão do governo. Na verdade, com mais corte, menos corte, o programa de ajustamento está cumprido e os nossos credores poderiam bem esperar por eleições e por novos compromissos de um novo governo. Por outro lado, com parte substancial do PS rendida a um novo profeta e a preparar-se para dizimar a minoria étnica segurista, seria muito boa ocasião para chamar, finalmente, o partido que causou a falência do estado às suas responsabilidades e para apurar, com rigor, a que é que vem, afinal, António Costa. De resto, seria uma merecida estreia para o novo líder em curso, não vá ele julgar que isto de governar um país falido é um passeio à beira-rio.

em soarês técnico

30 Maio, 2014
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Segundo Mário Soares, hoje, no Público, António Costa será o líder do “PS, do punho erguido à esquerda e dos socialistas que não têm medo de ser tratados por camaradas”.

Dito, agora, em linguagem corrente do Dr. Mário Soares e já não em soarês técnico: “é o gajo que nos vai alçar ao poleiro novamente. O totó do Tozé não ia lá”.

O dia seguinte

30 Maio, 2014

Mario-Soares-Apoia-Costa

Confesso que não entendo

30 Maio, 2014

Anteontem:  Seguro diz que PS vota a favor da moção de censura

 

Ontem era assim: PS deu “orientação de voto” a favor da moção do PCP de censura ao Governo.

Hoje: o PS vai votar a favor duma moção de censura contra a qual os seus deputados se dizem contra?

Não foi apenas a economia

30 Maio, 2014

No Observador, José Manuel Fernandes modera uma conversa entre Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto que é um espaço interessantíssimo mais de conversa do que de debate como só pode acontecer entre gente não só informada e culta mas também já com muitos anos disto. Nesta última conversa falou-se da França. A propósito da derrota de Hollande concordo mas acho que faltou uma referência àquela que na minha opinião é a principal responsável pela humilhação imposta a Hollande pelo eleitorado. Falo da ministra Taubira que ocupa a pasta da Justiça (e Garde du Grand sceau de France!). A forma desastrada, arrogante e desadequada como Taubira lidou com a reforma da Justiça, com as questões da seguraça e com a lei da família não ditaram a derrota de Hollande mas deram-lhe uma dimensão humilhante.

Eu também tenho ideias para novas leis, posso?

30 Maio, 2014

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia está muito preocupada com a dependência de nicotina. Não estão particularmente preocupados com doenças pulmonares que possam advir do uso de cigarros electrónicos, estão preocupados que o consumo de nicotina através de cigarros electrónicos seja porta de entrada para o consumo de cigarros tradicionais. Que diabo interessa a pneumologistas se alguém é dependente de nicotina? Que doenças pulmonares são provocadas se alguém ingere 1mg de nicotina por outra via? Não é suposto o perigo inerente ao consumo de baixas doses de nicotina estar na forma como esta é administrada – através de fumo – e não na nicotina propriamente dita?

O socialismo está entranhado: a expressão está lá: “legislação mais restritiva”.

Sugiro novo plano de ataque: indignação com o consumo de Coca-Cola como porta de entrada para a total dependência de cafeína matinal em embalagem Nespresso ou, ainda pior, chá, daqueles que eles lá no UKIP bebem.

Não espero de médicos uma imposição sobre o que devo ou não fazer. Dito de outra forma: se abortar é uma opção da mulher, consumir nicotina na forma que ela o entender também é. Custa assim tanto descer do pedestal?

Ai, a esperança …

30 Maio, 2014

Mário Soares manifesta esperança em Hollande em entrega de prémio (5-6-2013)

António Costa é uma nova esperança para todo o povo que tem sofrido tanto com este Governo (Mário Soares, 29-5-2014)