Um filho não é um rim
Percebi que devia responder aos comentários feitos ao meu texto “Os pénis de aluguer e os testículos de substituição” depois de ter lido alguns desses comentários, nomeadamente um assinado por Filomena Gonçalves, que se identifica como Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade. Aí, a dado momento, lê-se: “espero que nunca tenha um problema de saúde grave que requeira tratamentos médicos difíceis ou, por exemplo, necessidade um transplante (valha-nos Deus alguém lhe doar um rim – que exploração, que tábua rasa à dignidade humana), porque não podemos obrigar a sociedade a aceitar o inaceitável, ou seja, devemos todos resignar-nos aos desígnios da vida, e deixar nas mãos da mãe Natureza a nossa saúde e a nossa felicidade.”
O que me separa de quem defende as barrigas de aluguer é precisamente a minha rejeição do filho-orgão que se vai buscar a outro corpo, um corpo sem direitos a que se agradece e ao qual às vezes também se paga. Realmente um filho não é um rim. Ler mais
Os pénis de aluguer e os testículos de substituição
Top 5 de inimigos socráticos
Neste artigo pretendo explicar a posição dos socráticos, identificando os 5 vilões mais relevantes, de forma a que crianças (público alvo) consigam entender.
Bandido número 1: Cavaco Silva
Responsável por tudo de errado que aconteceu, acontece e há-de acontecer no país. Tornando Voldermort num Bambi em comparação, destruiu toda a agricultura, indústria e serviços, criando o monstro das parcerias do estado com privados visando a conclusão do elefante branco que é a A1.
Bandido número 2: Angela Merkel
Nazi, mais radical que Hitler, endrominou maquiavelicamente o estado português a aceitar dinheiro emprestado que não era preciso, usando taxas de juro brutais iguais às da Alemanha, tudo para escravizar os povos do sul, impelidos à compra de inferiores Mercedes, BMW e Audi em detrimento de obras em escolas públicas. É gorda e circula uma fotografia, que poderá ser dela ou não, em que está nua. É a favor da federação europeia mas, inexplicavelmente, não nos nossos termos.
Bandido número 3: Durão Barroso
Abandonou o país pela Europa permitindo a vitória eleitoral de José Socrat… Não, não é isso.
Bandido número 4: Mariano Rajoy
Está a destruir a Espanha, tal como o outro galego Franco já tentou sem tanto sucesso, arruinando a liga ibérica contra a austeridade. Cumpriu uma promessa eleitoral com a lei do aborto e, com isso, não deve ser perdoado.
Bandido número 5: António José Seguro
Não apresenta soluções para o país, as que passam, obviamente, pela canonização de José Sócrates. Não tem carisma nem sex appeal LGBT e continua a recusar envergar turtlenecks em pleno mês de Maio.
Nós já só queremos voltar à boa vida
Doutorados em PPP
Apareceram aos magotes desde que se começou a (tentar) cortar na despesa pública. Baixar os encargos com as PPP foi a alternativa milagrosa apontada por muitos – incluindo o PS que as (re)negociou – que evitaria todo e qualquer outro corte. O tema presta-se a demagogia barata facilmente vendável, desde logo por ter como principais interessados as construtoras como concessionários e os bancos como financiadores. Apontar estas instituições como capazes das maiores vilanias e cujo objectivo único é locupletarem-se com lucros fabulosos, constitui argumentário com óptima receptividade junto do cidadão comum, pouco preocupado com a sua fundamentação e sempre disponível para aceitar um “culpado rico” a quem a crise possa ser imputada. A inumeracia reinante, que não compara os valores relativos do défice a anular e de cada tipo de despesa, só ajuda a “pintar” um quadro super maquiavélico.
No fundo, ainda ninguém interiorizou que as PPP não são uma despesa, mas apenas e tão só uma forma de financiamento da dita. Não passam de mera “carpintaria financeira” muito do agrado dos governos, pois permitem-lhes desorçamentar montantes vultuosos de despesa, apresentarem “obra palpável” do agrado dos eleitores, que jamais irão questionar a necessidade da auto-estrada, do novo hospital ou da moderna e artística estação de metro, atirarando o respectivo pagamento para as calendas, muito provavelmente a cargo de quem vier a seguir. Não tendo a despesa que ser registada aquando da sua execução, existe desde logo um incentivo adicional a empolá-la com extravagâncias de encher o olho (vejam-se os granitos reluzentes e mármores utilizados à fartazana pela Parque Escolar), muito adequadas à compra de votos. Estamos pois a falar de dívida a suportar por rendas futuras que integram naturalmente o pagamento da nova estrutura, da margem do concessionário e dos juros a entregar à banca nacional e internacional que se dispôs a tudo alavancar, confortada pela garantia do Estado.
Em suma, estamos perante “investimentos” financiados integralmente por dívida interna e sobretudo externa. Em tese, até se poderia aceitar se o seu retorno, directo e indirecto, permitisse custear o serviço da dívida. Não acredito que, dentre as dezenas de PPP já executadas, haja alguma que reúna tão virtuosos requisitos. Ou seja, o problema não está no modelo de financiamento, mas nos investimentos que não geram retorno, entendido este como efeito multiplicador do PIB.
Mas não têm as construtoras e a Banca toda uma estrutura de lobbying montada para incentivar os poderes públicos à despesa? Certamente que sim, o mundo está cheio de rent seekers. Só que os governos não foram eleitos para lhes defender os interesses.
Agora é que as bimbys vão para o lixo
Cheguei lá atravás do ABC. Trata-se de uma nova forma de cozinhar. Mete-se tudo nuns recipientes herméticos e depois liga-se a máquina de lavar louça. A mim que ainda estou da idade da pedra dos tachos e das panelas isto parece-me bem mais prático que as bimbys.
Lembram-se há um ano?
Protesto estatisticamente significativo
A conceção1 da prova é a culpada pelos maus resultados, diz Lurdes Figueiral, presidente da Associação de Professores de Matemática. Aparentemente, para um professor de matemática, é possível calcular, a olho nu e com elevado grau de confiança, a existência de diferenças significativas entre duas médias, uma de 47%, outra de 49%.
Eu sei que é um preciosismo matemático – algo que não se deve esperar obrigatoriamente de um professor de matemática – mas, é 47% diferente de 49% com provas diferentes e diferentes alunos?
De acordo com Lurdes Figueiral, em declarações à TSF (sem link), houve uma preponderância de exercícios de cálculo na prova de matemática, algo que, pelo exagero, prejudicou os resultados.
É um problema neste país: cálculos a mais. Este excesso, tão prejudicial para aferir a realidade (quer das contas públicas do país, quer das aprendizagens dos alunos), estraga a possibilidade de conclusões peremptórias através da ferramentas bem mais relevantes que o cálculo: o desejo, a paixão e a certeza conceptual da bondade em tudo o que é justamente belo.
Numa coisa Lurdes Figueiral tem razão: as provas aos alunos não são boas para aferir as aprendizagens dos alunos; porém, são excelentes para aferir professores, motivo pelo qual não faltarão movimentos exigindo a sua abolição.
1 Grafia que permite a manutenção do princípio da igualdade de “concepção” a “concessão”.
Não pagar o dízimo à esquerda tem custos
Católicos contestam prémio atribuído pela Universidade Católica a Soares dos Santos
Obs. A propósito das pessoas que como os subscritores deste protesto questionam Soares dos Santos por ter “Uma forma de enriquecimento baseada nos ganhos do capital e sua acumulação” – realmente há quem não tenha enriquecido ou pelo menos garantido um apreciável rendimento à custa do Estado – quantas delas que acusaram Champallimaud do mesmo e de muito pior não tentam agora ser tratadas na fundação sustentada pela dádiva daquele que foi em Portugal o símbolo do capitalismo?
As presidenciais portuguesas
decidem-se hoje em boa parte em Espanha: António Guterres entre candidatos a Prémio Príncipe das Astúrias da Cooperação
Figuras de estilo
“Há crianças a lavar pratos de manhã à noite”. É a factura da crise Estas declarações da presidente da Confederação Nacional de Acção Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI) têm todos os ingredientes para abrir noticiários. E deveriam sê-lo não só porque os factos referidos são graves mas também porque a CNASTI parece ter saído de um torpor informativo de vários anos. Presumo que os seus colaboradores terão andado a a fazer as investigações que agora permitem à presidente fazer estas declarações:o site da CNASRI vive numa doce modorra, nos jornais raramente se encontram notícias sobre a CNASTI…
Como por razões profissionais tenho de garantir verosimilhança àquilo que outros escrevem este tipo de declarações causa-me sempre várias dúvidas. Por exemplo, a CNASTI já apresentou queixa por isto: “nas zonas de turismo existe muitas crianças que vão trabalhar para restaurantes, por exemplo, a lavar louça. Começam a trabalhar de manhã e saem quando o restaurante fecha” ? E queixa naturalmente não apenas por crianças – de que idade? – estarem a trabalhar mas também por os restaurantes em causa ficarem com tais pilhas de louça suja acumulada durante a noite que as crianças que de lá saíram quando o restaurante fechou têm logo de manhã de voltar aos restaurantes para lavá-la. A imagem da criança a lavar pratos é poderosa mas não pode ser usada como figura de retórica.
Coincidências
Num país distante, uma minoria que se considerava moralmente superior lidava mal com o princípio um homem um voto.
Nesse país um homem que a minoria detestava ganhou várias eleições e tornou-se Presidente da República.
Um dia esse homem enquanto Presidente sentiu-se mal enquanto discursava na cerimónia do dia do seu país.
No facebook alguém escreve «nem o tipo morre nem a gente almoça»
O tipo não morreu. E mais ou menos uma hora depois o tipo estava a colocar uma medalha no peito do pai da autora daquele comentário.
Nogueira explica
Mário Nogueira já explicou que não há qualquer pedido de desculpa a fazer. Limitou-se a estar numa manifestação num evento não relacionado, sem ouvir ou ver o que acontecia, sem perceber o que o rodeava e sem ter qualquer responsabilidade com o que, da sua acção, pudesse advir.
Explicou, portanto, o que é ser um sindicalista da função pública.
P.S.: Setôr, não fiz o trabalho de casa porque estava ali na aula mas nem ouvi nem percebi o que se estava a passar quando o anunciou.
Amanhã começa o campeonato mundial de futebol. Nada representa melhor a bipolaridade entre esperança e a desilusão típica dos portugueses que uma competição nunca vencida. O melhor exemplo talvez seja o festival da canção da Eurovisão: há sempre uma esperança que, quando se concretiza a derrota, se transforma num misto de “não fazemos nada de jeito” e “aquilo está tudo comprado”.
Em Portugal há o trauma dos poderosos. Há sempre o poderoso que controla tudo, que manipula resultados, que obtém o que quer por vias travessas. Pode ser o Platini ou a Merkel; pode ser “a crise internacional” ou “a falta de meios”. Pior: pode ser o euro ou “o neo-liberalismo”. Por isto gostamos de Sebastiões, seja o Sócras do PEC IV, seja o Hollande da metafísica económica que mantém ligado o socialismo à máquina por mais um mandato.
António Costa vai pelo mesmo caminho, colocando-se (ou deixando-se colocar) na posição do Cristiano Ronaldo da economia. Quando se deposita tanta esperança num único jogador, o resultado é sempre o mesmo: um Atlas, com o peso do mundo aos ombros, permanentemente no limiar do insucesso. Vocês já sabem que vai correr mal, não sabem? Tanto o mundial como o Costa; tanto o Eurofestival como o keynesianismo eleitoral, o que envergonharia Keynes, ignorando a existência de ciclos, usando gasolina quer para alimentar a chama, quer para a extinguir.
Não deixa de ser estranho que um povo tão constitucionalmente socialista deposite tanta esperança num único jogador. Afinal, “a sociedade” gosta é de um general.
O pulha
O pulha há anos que não trabalha.
O pulha há anos que só fala dos trabalhadores.
O pulha há anos que fala pelos trabalhadores.
O pulha há anos que é pago pelos contribuintes portugueses.
O pulha há anos que diz andar a defender a classe.
O pulha há anos que é adorado pelos jornalistas.
O pulha há anos que faz sempre o número da indignação.
O pulha há anos que aparece em todo o lado à procura de ser visto.
O pulha há anos que faz de conta que precisa de gritar.
O pulha há anos não quer que os outros falem.
O pulha há anos que exige absoluto respeito pelos seus direitos. (Para o pulha mais ninguém tem direitos à excepção dos camaradas do pulha.)
O pulha foi ao 10 de Junho.
O pulha gritou.
O pulha foi filmado.
O pulha riu quando Presidente desmaiou.
O pulha abanou-se ainda mais para que os repórteres o filmassem outra vez.
O pulha ouviu gritos contra si.
O pulha veio-se embora.
O pulha amanhã vai falar de patriotismo.
O pulha é apenas um pulha.
O pulha nunca deixa de ser pulha.
Mas nem sequer é o nosso pulha. Porque não serve para nada. Só nos envergonha.
Obs. Já agora quantas pessoas votaram no pulha? Como é eleito o pulha?
Esperemos
Pelo 10 de Junho em que um grupo de neo nazis se vá manifestar durante o 10 de Junho, interrompendo o PR democraticamente eleito. Depois trocamos uma sideias sobre o assunto
Viciados
Viciados na retória esquerdista os repórteres não conseguem sequer dizer que alguns dos populares presentes reagiram aos manifestantes cantando o hino e batendo palmas qunado foi anunciado que Cavaco ia regressar.
Nunca mudam
Cavaco Silva sente-se mal durante o discurso. Mário Nogueira e respectivos acompanhantes regozijam-se.
10 de Junho – tão relevante que nem é notícia

Dilema: quem está a mais? O 10 de Junho ou os jornais?
“Ele (já não há) coisas (assim tão) terríveis!…”
Dos países comunistas não se foge, deserta-se
Diário de Notícias, 10 de Junho de 2014: 8 membros da Companhia de Bailado de Cuba desertam
A insustentável leveza do professor Marcelo
Foi esta semana, podia ter sido a semana passada ou na próxima. A propósito da prelecção dominical na TVI, resolvi escrever umas linhas onde defendo que para Marcelo nunca há políticas, há factos políticos. Nunca há objectivos, há apenas fintas e volteios. Talvez seja por isso que nunca marcou um golo – ele nunca remata à baliza, só brinca na areia. Para ler o resto é só seguir o link.
o regresso de joselito
Não está em causa que muito boa gente tenha cuidado das suas reformas no consulado de José Sócrates, como António Costa exaltou no seu momentum de entronização como candidato a líder do PS, ao elogiar o “impulso reformista” do anterior primeiro-ministro socialista.
Até aí, nada de novo: já todos tínhamos percebido que Sócrates está de regresso, até pela euforia que paira em diversos sítios da net, de há uns dias para cá.
A questão é outra: ele volta para onde? É que, enquanto o elogio a António Guterres feito por Costa, enaltecendo a “visão estratégica” do homem que via indícios de crescimento económico no facto dos hotéis algarvios estarem cheios de portugueses na Páscoa, leva candidatura presidencial no bico, não se consegue, por enquanto, entender qual possa ser o destino político do mestre da Sorbonne.
A não ser que Costa tenha tomado por boa a sugestão da liderança bicéfala feita por Seguro, e se esteja a preparar para governar o PS em diarquia. Mas ele que não se precavenha, que, por um destes dias, já nem a diarquia lhe aproveita.
Alguma coisa está para acontecer
Reparem neste modelo do casaco de Merkel

Agora comparem com os modelos anteriores:

A SENHORA MERKEL MUDOU DE MODELO DE CASACO!!!!! ALGUMA COISA DE MUITO IMPORTANTE ACONTECEU OU ESTÁ PARA ACONTECER: UMA MULHER NÃO MUDA O MODELO DO BLAZER ASSIM DO PÉ PARA A MÃO. AINDA POR CIMA ESTA NOVA VERSÃO TEM ASSIM UM AR DE BATINHA. CREIO QUE NÃO VEM AÍ NADA DE BOM.
trapaceiros aéreos portugueses
Imagine que, por qualquer motivo, você precisa transportar um animal doméstico, no caso, um cão, de um país estrangeiro longínquo para Portugal. Como levá-lo de barco ou de carro está fora de questão, por impossibilidade da segunda hipótese e devido ao tempo de duração da primeira, o que fará qualquer normal cidadão português? Fácil: recorre aos serviços da TAP, a transportadora aérea portuguesa, empresa pública e orgulho de todos nós!
A primeira coisa a fazer é consultar o site da empresa. Aí, encontrará o preçário do serviço, pelo qual ficará a saber que o preço do transporte do animal, que se situa entre 48 kg e 100 kg, segundo os parâmetros estabelecidos pela empresa, irá até 480,00 euros. Não é barato, mas ainda é suportável.
Posto isto, compra uma passagem aérea para si e solicita a marcação de lugar para o animal no mesmo vôo. O bilhete é emitido e pago, juntamente com a reserva feita para o animal, cujo pagamento se processará no balcão da TAP do local de embarque.
Até aqui, tudo muito bem. Só que, imagine agora, a dois dias da viagem marcada – e paga, repita-se – você recebe uma comunicação da TAP, dizendo que o país de embarque do animal exige que o mesmo seja feito através de um despachante. Bom, você não deixará de estranhar que só a dois dias e depois de tudo confirmado, a TAP lhe comunique uma exigência que já deveria saber e ter comunicado, mas tudo bem: vamos em frente e toca a fazer o que nos é exigido.
E, então, é que a coisa se complica: o serviço do despachante custa cerca de USD$ 300,00, só que o da TAP passa, agora, para – pasme-se! – USD$ 3451,92. Qual a razão? Muito simples: a TAP aproveita a boleia das exigências legais locais e deixa de considerar o transporte como de um animal doméstico, passando a considerá-lo como carga. O animal está dentro dos parâmetros da carga e peso da companhia, só que como vai ser embarcado por um despachante, passa para outro preçário da TAP. Como é evidente, nada nem ninguém obrigam a companhia a isso: trata-se apenas de uma espertalhonice para sacar dinheiro ao indígena.
Ora, como a TAP não tem patrão, ninguém se preocupa com as eventuais consequências indemnizatórias de um futuro processo judicial. Se alguma coisa houver para pagar, o contribuinte tem os bolsos à disposição, e não será por mais mil ou menos mil que o gigantesco buraco de uma companhia aérea, que está sempre lotada e que cobra preços elevados, crescerá significativamente. É para ocorrer a esse tipo de emergências que os portugueses pagam impostos!
O futuro está nos números
Poderá António Costa vir a ser um grande reformador, como sugere o Carlos Guimarães Pinto?
A resposta está nestes números: 0,5%,130%, 5%, 59.2%, 66%, 31,5%, 8%, 24,85%, 0,15%, 4,25%
0,5% é o défice estrutural imposto pelo tratado orçamental
130% é o peso da dívida pública em Portugal.
5% é o défice actual
59.2% é a votação de PS, CDS e PSD nas eleições europeias.
66% é a percentagem de deputados para mudar a Constituição
31,5% é o IRC que o investimento estrangeiro relevante paga em Portugal
8% é a votação do PASOK nas europeias.
24,85% é a votação de Marine Le Pen nas europeias.
0,15% é a actual taxa de juro do BCE
4,25% é a taxa máxima que os juros do BCE atingiram no final do ciclo económico anterior à crise
Um governo de António Costa teria que cumprir os 0,5% de défice estrutural do pacto orçamental, o que implicaria baixar aqueles 5% de défice para valores abaixo de 1% ou 2%. Claro que o Costa pode negociar com a UE para relaxar essa meta (tendo em conta o seu enorme peso político na Europa), mas os factos macroeconómicos não mudam, nomeadamente os 130% de dívida que obrigam em qualquer circunstância a um corte no défice, para alem de que uma renegociação esbarraria nos 24,85% de Marine Le Pen e de outros líderes de extrema direita. António Costa poderia apostar em atrair investimento estrangeiro baixando aqueles 31,5%, mas o PS tem um historial de minar esse abaixamento, e demoraria anos até ser levado a sério. A outra alternativa é fazer reformas de longo prazo, mudando a Constituição, liberalizando saúde e educação e reformando a segurança social. Aqui ainda poderá haver uma janela de oportunidade para que aqueles 59.2% de votos superem, graças ao método de Hondt e à bipolarização das legislativas, os 66% de deputados necessários para mudar a Constituição, isto se a ala esquerda da bancada do PS votar a favor, o que não é garantido. Outra alternativa ainda é cortar salários e pensões contando com a bondade do Tribunal Constitucional, ou aumentar impostos, mas estas opções esbarram no fantasma do PASOK (8%). António Costa, que sempre procurou estar no centro do status quo, teria que optar sobre que aspecto do status quo iria ter que deixar cair, e optaria por não deixar cair nenhum. Retórica e prática política de António Costa resumem-se a falar de agendas, planos e apostas e no fim atirar dinheiro para os problemas. E o tempo não pára. Ao longo do actual ciclo económico as taxas do BCE subirão de 0,15% para valores próximos dos 3% ou 4%. E haverá uma nova recessão. Quando isso acontecer, quem não se preparou voltará à bancarrota.
Alguém sabe responder?
Candidato e presidente da CML António Costa manteve-se na Quadratura do Círculo. Era estranho tanto mais que por via dessa sua circunstância por aquelas bandas não se falava da autarquia de Lisboa e os assuntos colaterais eram abordados de uma forma muito condicionada. Agora que António Costa está candidato à liderança do PS vai manter-se na Quadratura do Círculo? E como val ali ser abordada a situação interna do PS?Vão falar de Seguro?
em comum
O que têm em comum estes dois homens, Marques Mendes e José Sócrates? Embora por motivos diferentes, ambos consideram “um suicídio” o governo demitir-se após o enésimo chumbo orçamental do Tribunal Constitucional, que lhe retira condições para cumprir as metas orçamentais. Um doce a quem adivinhar as razões de tamanha prudência. Pela saúde do governo de Passos e de Portas não será certamente. Ambos gostariam de lhe tratar da saúde, é certo, mas também nada de exageros…
O dilema
Tema do meu artigo de hoje no Observador: Achar que o problema dos partidos socialistas é apenas um assunto dos socialistas é além de uma tolice uma perigosa ilusão: é o centro que está em causa.
Depois do inconseguimento chegou a imotivação: “Nenhum critério densificador do significado gradativo de tal diminuição quantitativa de dotação e da sua relação causal com o início do procedimento de requalificação no concreto e específico órgão ou serviço resulta da previsão legal, o que abre caminho evidente à imotivação (…).“
Notícias que agora se estranham
Gozar com a tropa
O Sorumbático de frequência imprescindível leva-nos até às telas que cobrem algumas fachadas. Mas nisto das telas o princípio da igualdade também tem os seus atalhos. E assim esta teve de ser retirada

e esta ficou. Talvez o critério seja estético: aquela bicharada toda mete medo

Descubra o que está errado nesta foto
Na manifestação que nas Portas do Sol em Madrid reuniu duas mil pessoas pedindo um referendo à monarquia foi feita esta foto.
Nela há várias coisas que entram em contradição. Descubra-as.
Comentários seleccionados:
*Todo o “pessoal” é vendedor…não está ninguém do lado dos compradores. (ou então os livros estão expostos ao contrario!)
*Os objectos expostos são livros para crianças da DISNEY, vendidos numa das maiores hard discount LIDL
*Usam produtos do capitalismo explorador recompensando os “grande grupos económicos” em vez de produtos de uma comuna onde os trabalhadores seriam “respeitados”.
Mais direito ao esquecimento: agora sem olhos
O texto de Francisco Teixeira da Mota agora divulgado no Malomil sobre a deliberação 681/2014 da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD).
A propósito da liberdade de aforrar das novas gerações
Já não é assim
Numa entevista ao Observador Luís Campos e Cunha responde aborda assim a questão geracional do sistema de pensões: «Em relação às gerações que têm hoje 80 anos, foram estas que deram às gerações mais novas uma melhor educação. Além disso, se disserem a uma pessoa com 40 anos que vai pagar mais e que vai ter uma reforma mais pequena do que a do avô, essa pessoa pode fazer muitas coisas. O avô é que não pode. Pode aforrar mais, arranjar complemenos de reforma, arranjar ouras formas de poupança que permitam minimizar o impacto das mudanças.
Uma pessoa com 90 anos não tem essa capacidade, nem, provavelmente, consegue entender o que se está a passar. Além disso, a produtividade e os salários, felizmente, de uma pessoa que tem hoje 40 ou 50 anos e que tem um nível de educação que lhe foi legado pelos atuais reformados, são mais elevados. Também houve uma transferência para as novas gerações de capital humano, de desenvolvimento económico, de infraestruturas e de educação que as gerações que têm hoje 80 ou 90 anos não tiveram.»
Não me parece correcto centarr-se a questão como faz Campos e Cunha nos pensionistas “que têm hoje 80 anos“. Entre pensionistas com 60 e 70 anos e pensionistas de 80 ou 90 há assinaláveis diferenças. Em segundo lugar a afirmação de Campos e Cunha «se disserem a uma pessoa com 40 anos que vai pagar mais e que vai ter uma reforma mais pequena do que a do avô, essa pessoa pode fazer muitas coisas» não é verdadeira. Ou pelo menos tem de se ter em conta que hoje uma pessoa de 40 anos tem liberdades cívicas e políticas mas fiscalmente está sujeito a obrigações que fazem que a possibilidade de “aforrar mais, arranjar complemenos de reforma, arranjar ouras formas de poupança que permitam minimizar o impacto das mudanças” não seja hoje equacionável pela geração que tem 40 anos como foi de facto equacionável pela geração que tinha 40 anos nos anos 90.
Go Galt

Alguns exemplos de medidas constitucionais:
- Resgate de 1977.
- Resgate de 1983.
- Adesão à CEE.
- Tratado de Maastricht.
- Interrupção voluntária da gravidez.
- Impedimento de casar com mais que uma pessoa.
- Tratado de Lisboa.
- Resgate de 2011.
- Todo e qualquer aumento de impostos.
Alguns exemplos de medidas inconstitucionais:
- Reduzir despesa com salários da função pública e pensões.
Jimmie W. Monteith Jr
uma incógnita absoluta
O regime político português criado pela Constituição de 1976 funda-se sobre alguns princípios estruturantes operacionais fundamentais, entre eles o rotativismo de dois grandes partidos do centro, o PS, ao centro esquerda, e o PSD, no centro direita. Esses dois partidos asseguraram, por quase quarenta anos, sem interrupção, o governo do país, tendo somente sido postos em causa por um momento fugaz, que foi protagonizado pelo Partido Renovador Democrático do General Ramalho Eanes. Mesmo assim, este partido constituiu-se a partir de restos daqueles outros dois, e não conseguiu sobreviver por muito tempo, tendo submergido sob a força do nosso bipartidarismo sistémico.
Deste modo, se alguma vez esta relação binária for desfeita, o regime, tal como o conhecemos há trinta e oito anos, desaparecerá também. Isso pode suceder de dois modos, ambos correspondendo ao desencanto do eleitorado e à inexistência de alternativas. A primeira, aparecendo um partido maioritário marginal, como de certo modo sucedeu em França com a Frente Nacional. A segunda, pela criação de condições objectivas de ingovernabilidade, com os dois partidos do sistema a perderem votos em percentagem elevada, distribuídos pela abstenção e por formações partidárias de porte médio inferior, sem capacidade para protagonizarem alternativas de governo.
Uma ideia
Estive aqui a pensar qual a melhor forma de resolver o problema das finanças públicas em Portugal e ao mesmo tempo resolver os problemas da desigualdade entre público e privado, do desemprego, do salário mínimo e da competitividade. O esquema é mais ou menos este:
1. Aumentar a TSU paga pelos trabalhadores em 7%.
2. Reduzir a TSU paga pelas empresas.
3. Isentar progressivamente as pessoas de salário baixo do aumento da TSU.
4. No sector privado, 2 e 3 devem compensar 1
Esta medida teria as vantagens seguintes:
1. Trata-se de um aumento de impostos, portanto é constitucional.
2. Permite cortar a massa salarial líquida que o Estado paga.
3. Equlibra as contas da Segurança Social reduzindo as transferências do orçamento de Estado.
4. Coloca 7% dos salários do privado em renegociação facilitando o ajustamento, e permitindo que este ocorra apenas onde é necessário.
5. Reduz os custos dos salários reduzindo o desemprego.
6. No caso do salário mínimo, as empresas passam a pagar menos 7%, reduzindo o efeito do salário mínimo no desemprego.
Acho que nunca ninguém se lembrou disto, mas é uma opção melhor que todas até hoje tentadas.

