a sobrevivência da europa
Desde, pelo menos, os tempos de Marx, que vaticinou o fim do capitalismo, que a esquerda demonstra grande propensão para a astrologia política e histórica, como também aqui fica bem claro nas declarações de Sampaio da Nóvoa, o novo intelectual de serviço às grandes causas da humanidade. E o que ele vaticinou desta vez? Nem mais nem menos que «o fim da Europa», caso ela não consiga «repensar-se». Ora, eu diria que foi exactamente desde o momento em que começaram a «pensar a Europa», ao contrário do que protagonizara Monnet, que defendia uma integração natural e progressiva de cidadãos através do livre-mercado, que a dita cuja começou a ter problemas. Ao contrário do que afirma o Professor Nóvoa, quanto menos a Europa for pensada, mais probabilidades terá sobreviver.
Enfronhados no Marx e longe, longe do mundo
Manuel Costa Alves esclareceu que esta manifestação «não seria um mero desfile. As pessoas participariam, mas ao longo do percurso haveria diversas manifestações culturais. Podiam assistir a um «sketch» teatral aqui, ouvir um poema mais à frente, noutro local ouvir uma música, logo, não seria nunca um mero desfile».
Mas, «nem mesmo a camada intelectual da cidade respondeu», lamentou.
«Há tanta gente a «gritar» a sua indignação nos seus murais do «Facebook», mas depois, quando se lhe pede um gesto como este não respondem», disse.
A cidade acordou, no entanto, com algumas faixas negras com a palavra «Basta», quer no centro da cidade, quer no seu ponto mais alto, o castelo.
«Isso já é um sinal positivo, uma forma de luta. É a história a dizer-nos, através do Castelo, que basta», mas só isto «não basta», continuou.
Para gastar em mais raspadinha?
Digamos que seriam as notícias do costume
Consumo de antidepressivos aumentou, mas culpa não é da troika (algum dia se fará uma antologia dos desvarios desta recente ciência económica-psiquiátrica?)
Massamá: vítimas relatam ataque de aluno Depis de dias em que o esfaquemento foi um grito de revolta contra a sociedade chegou a vez de dar a voz aos fonemas escolhidos para formular esse grito: os esfaqueados
pontuadas com algumas notas de originalidade
Troco Bimby por Python É isso mesmo mas leiam que se percebe melhor
e finalmente uma notícia interessante
Sobrinho do Presidente de Angola procurado no Brasil desmente tráfico de mulheres Independentemente da inocência do senhor acho excelente que estas duas nações sem complexos disto e daquilo, com a enorme arrogância de quem tem economias a crescer, nacionalismos exacerbados e habituadas a transferir as culpas para os outros (fantástico este texto sobre as mortes dos imigrantes em Lampedusa que o Jornal de Angola trata como se resultassem da crise europeia omitindo todas e quaisquer resposabilidades dos governos africanos nesta fuga em massa) falem agora uma com a outra no tom habital que usam quando estes problemas envolvem outros protagonistas. Contudo algo me diz que pelo menos para já em que a polémica será discreta.
Grandes discursos do socialismo
Somos socialistas, somos inimigos do injusto sistema económico capitalista que explora os mais fracos, com o seu sistema de salários injustos, com a sua desproporcionada avaliação do ser humano de acordo com riqueza e propriedade em vez de responsabilidade e mérito; estamos determinados em destruir este sistema de todas as formas possíveis.
– Adolf Hitler, 1 de Maio de 1927
Não entendo
a agastura que vai na pátria com o espalhafatoso regresso de Sócrates. Na minha modesta opinião Portugal precisa de ver e ouvir Sócrates todos os dias. De cada vez que ele começa com as contas do nunca acabar do PEC IV, mais os bandalhos e os estupores, sem esquecer o rancor, as conspirações, as memórias construídas (e as explicações mais deselegantes alguma vez pronunciadas sobre a sua vida privada por um politico português) o país percebe que aquele homem não tem quaisquer condições para exercer um cargo político fora da Venezuela. Resguardado, Sócrates protege-se do seu pior inimigo: ele mesmo. Assim se Deus quiser continuarão a saltar entrevistas boazinhas e fofinhas – sobretudo essas são essenciais porque a disparidade de critérios com o entrevistado Sócrates é tão gritante que acaba a ter um efeito contrário – e Sócrates vai-se mostrando ele mesmo. Como nos convém a todos (no todos incluo António José Seguro e António Costa)
Dilemas torturantes
Entre uns angolanos que investem em Portugal o dinheiro arranjado sabe-se lá onde e uns brasileiros que pretendem arranjar em Portugal dinheiro sabe-se lá como
O Processo
Os portugueses, habituados ao funcionamento da justiça portuguesa – decerto inspirada na obra de Franz Kafka, „Der Prozeß”1 – criaram métodos alternativos de julgamento que não só ocorrem na praça pública como têm direito a transmissão televisiva. Uma miríade de especialistas em tudo (incluindo tudólogos, os especialistas em especialidades) substituem o espaço televisivo outrora ocupado com os jogos da primeira liga por sentenças sumárias de um reality show quase real, com um nível de abstracção que apenas não leva em conta o direito dos acusados a serem tidos como inocentes até prova em contrário.
É no ónus da prova que reside o problema. Cabe a cada português, tendo a infelicidade de se apanhar na rocambolesca encenação, apresentar a prova da sua inocência e não o inverso. A responsabilização individual não existe: todos são culpados até à impossível prova de inocência. “Eles são todos iguais”, “ladrões”, “corruptos”… Todos são corruptos até à irrealizável demonstração de idoneidade. Paira um homem-de-palha sobre cada um que expresse opinião divergente do tribunal popular, normalmente visível da acusação de este estar a soldo de alguém, frequentemente o inimigo do momento, o “traidor” do pensamento único na ditadura formal do politicamente correcto.
A justiça popular portuguesa condenou Kate McCann (a que “chora como uma jogadora de poker”) e absolveu Sócrates através da destruição de escutas. Vivemos bem com isso, elegendo heróis e criminalizando vilões, colmatando um sistema de justiça burocrático-hierárquico com a sobranceria arrogante de democratas encartados com capacidades psíquicas de análise do bem e do mal.
A verdade não importa. Importa apenas a narrativa que se constrói do que poderia ser verdade se não fosse apenas uma das infinitamente possíveis mentiras. O reflexo primário desta postura reside no termo “inverdade”, o tal que permite atribuir culpas sem o peso formal de acusação da mentira.
Criminalizamos uma pela cara e absolvemos outro pela destruição de eventuais provas. É, vai tudo correr bem.
1 Livro formato epub em alemão e em português na iTunes Store.
o que o governo faz com o seu dinheiro
o jacinto também vai ser julgado?
Repulsa, por esta decisão do governo, a ser verdade o que se diz nesta espantosa notícia.
Primeiro, por ser uma decisão imensamente estúpida. Estúpida, porque vai entupir, mais ainda, os tribunais portugueses com este tipo de crimes, como a famigerada “infidelidade fiscal”, que presume que um desgraçado de um empresário que, por razões de tesouraria e para continuar com o negócio aberto, atrase mais do que três meses o pagamento de IRS dos seus funcionários, que efectivamente não reteve por falta de liquidez, é um criminoso. Estúpida, porque vai ter o resultado inverso ao pretendido: em vez das pessoas fazerem um esforço para regularizarem as suas dívidas fiscais, vão deixar de o fazer, arriscando um inevitável processo judicial e uma decisão de um juiz que possa ser mais sensato do que o legislador.
Mas é também uma decisão indigna, porque surge numa altura em que o estado, pela incompetência e leviandade com que trata do dinheiro dos contribuintes, os teve de sobrecarregar com impostos e taxas desmesuradas, impróprias de um Estado de Direito que respeite a propriedade privada e o esforço dos seus cidadãos. Num momento como este, um pouco de pudor não ficaria mal a quem gasta o dinheiro dos contribuintes em boys partidários e nas mordomias que o regime, apesar de falido, persiste em manter aos seus “gestores”.
E é, ainda, uma decisão vergonhosa, porque sai de um governo e é comunicada por um dirigente do famoso “partido dos contribuintes”, por sinal o mesmo a quem cabe apresentar o famigerado e sempre adiado roteiro da “reforma do estado”, a tal que iria cortar as gorduras que dariam algum sentido e moralidade aos sacrifícios que têm sido impostos aos portugueses.
Quanto ao tonzinho de ameaça com que a coisa é apresentada, vinda de um partido cuja contabilidade apresenta, nas suas receitas fiscais, o famoso benemérito Jacinto Leite Capelo Rego, só pode ser tida como uma infame brincadeira, de gente sem vergonha na cara.
indignações selectivas
Em 1974, por causa de um sistema de escutas que o Partido Republicano de Richard Nixon tentou plantar no interior da sede do Partido Democrata em Washington, o presidente republicano foi obrigado a renunciar ao seu mandato, para evitar uma mais do que certa aprovação de um impeachment, que seria certamente aprovado no Congresso poucos dias depois. Na altura, reza a lenda, o seu homólogo chinês, Mao Tsé-Tung, com quem Nixon e Kissinger tinham conseguido estabelecer uma forte relação política, terá manifestado o seu espanto por uma, para si, tão inusitada demissão, perguntando para que serviam, afinal, os gravadores senão para gravar. Não obstante esta amabilidade do Grande Timoneiro, o caso Watergate e Richard Nixon passaram a simbolizar o máximo a que a ignomínia política pode chegar num país democrático, e a esquerda nunca se cala em protestos de horror quando o assunto vem à baila.
Curiosamente, anda a esquerda muito caladinha com as inúmeras malfeitorias que o presidente Obama tem feito em situações muito semelhantes, embora muito mais graves em número (parece que são às centenas) e em espécie (pondo sobre escuta, inclusivamente, diversos chefes de estado de países democráticos) do que aquilo que Nixon fez. A última “grampeada” que se conhece terá sido Angela Merkel, embora seja quase certo que foram também “monitorizados” (o novo termo técnico, segundo a assessoria da Casa Branca, para as escutas ilegais) muitos outros chefes de estado, a camarada Dilma incluída.
Nada de muito surpreendente, porque, em regra, as indignações da esquerda são selectivas. E aposto que, daqui por uns anos, Nixon e o Watergate hão-de permanecer como exemplos de indignidade política, enquanto que Obama continuará em lugar destacado no panteão dos grandes líderes democráticos.
Não digam que não avisei
Desde sábado passado e num crescendo que não se percebe onde acabará tornou-se evidente que é vivamente aconselhada a exigência de um atestado de Robustez Psíquica aos candidatos aos cargos de Presidente da República e primeiro-ministro.
Obs. Algo me diz que esta minha proposta conta com o apoio de figuras destacadas do PS
Síndroma de Estocolmo em passadeira vermelha
Uma repórter da SIC fez uma peça sobre o filme Capitão Phillips que termina com esta pérola “aos 58 anos o verdadeiro capitão Phillps diz não ter sentido qualquer empatia com os piratas. Diz até que foi a vê-los como inimigos que conseguiu sobreviver.”
Mas será que o capitão Phillips devia ter sentido alguma empatia com os piratas? Como sugestão à empática redacção da SIC com tudo o que se diga pirata, insurgente, combatente… aqui ficam estes tópicos: Alakrana e Ariana (talvez seja possível deixarem-se raptar pelos empáticos piratas desses sequestros e assim poderão partilhar com o capitão Phillips a sua visão empática enquanto sequestrados) e já agora um link para que se perceba melhor como a empática legislação europeia contribuiu para a proliferação dos empáticos piratas
Olympia
Lula, participante da “ala dura” da apresentação de mais um livro inconsequente, acha “a tortura abominável”. Em plena contradição, apela ao autor do romance, o tal que não quer “voltar a depender do favor popular” para que este “volte a politicar” já que é “muito cedo para deixar a política”.
Adoradora do culto orgiástico de Dionisio, de acordo com Plutarco, Olímpia terá dormido com serpentes. O filho, Alexandre, ficou na história por não se contentar até obter o poder absoluto na Pérsia.
Num país perto de si.
Poder talvez possa mas não deve
«A Segurança Social podia financiar empréstimos para compra de habitação» Isto dito por um promotor imobiliário era um crime sendo mais ou menos óbvias as desvantagens para os trabalhadores inerentes a tal opção. Dito por uma investigadora de esquerda não se discute. Entra no capítulo das ideias boazinhas cujos custos e implicações nunca se avaliam.
Já não há paciência!!
Ouvindo o debate parlamentar (hoje à tarde), com a presença do Primeiro Ministro e ouvindo Seguro tentar, de uma forma, infra-demagógica, baralhar programa de assistência ou resgate (o tipo de programa que estamos agora a apanhar, para evitar literalmente a bancarrota, por causa de anos a fio de más políticas, cujo culminar, cuja “cereja em cima do bolo”, foi o consulado de Sócrates), com programa cautelar (para servir de “seguro”, de “rede”, quando pudermos ter capacidade para, mais ou menos autonomamente, irmos, com cuidado, buscar financimento externo) percebo porque é que as pessoas, cada vez mais, se desinteressam pela política e tomam toda a classe política por “aldrabões”, invertebrados, inconsequentes (quando ainda tentam ser simpáticas!), etc., etc.
Não quero defender, nem deixar de defender o Governo, não quero, por agora, discutir “alternativas” ou autonomias orçamentais (que, de facto, estou convencido, no esssencial, não existem), mas tentar as “flores” (o “floreado”) tão básico e evidente, com propósitos meramente de táctica partidária, de A. J. Seguro, até me mete impressão! NÃO DÁ PARA OUVIR MAIS!
Deveríamos afundarmo-nos de vez* para que quem venha a seguir para a política, já a faça de outra maneira! SEGURAMENTE!
* Não fora a tragédia em que, de vez, nos meteríamos, sem redenção!
Referendo progressista a menores de 18 anos
A realização de um referendo sobre adopção por casais gay tem precedentes. A Eslovénia realizou um em 2012 que resultou na rejeição da coisa por 55%. A participação no referendo esloveno, aproximadamente 26%, evidenciou a tendência legislativa dos parlamentos em moldar as sociedades em vez de as representarem, como – afinal – lhes compete.
O problema de um referendo português seria a terminologia. Seria adopção, adoção, co-adoção, coadoção, co-adopção, neo-co-adopção, neocoodoção, hiperconeoadoção ou qualquer outra das variantes progressistas? Supondo que optavam por uma das hipóteses, quão não-vinculativo seria para a neocoadopção gay a rejeição da coadoção gay? E para a “hiperconeoadoção para n-casais de pessoxs de p-sexxs”?
Seja como for, mesmo acertando a terminologia, presumo tratar-se de um referendo para pessoas com menos de 18 anos. Isto com a bonomia subjacente ao reconhecimento do direito a ser adoptado; porque o direito à adopção, esse não existe seja qual for a orientação sexual do(s) adoptante(s). Talvez não seja inconstitucional mas isso só se determina mediante a disposição do colectivo de juízes do tribunal subjectitucional.
consensus facit legem
- Artigo 308º do Código Penal – Traição à Pátria:
Aquele que, por meio de usurpação ou abuso de funções de soberania:
a) Tentar separar da Mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira todo o território português ou parte dele; ou
b) Ofender ou puser em perigo a independência do País;
é punido com pena de prisão de dez a vinte anos. - Deputada do PS chama “traidor” a Cavaco.
A nova questão fracturante
Os referendos.
Temos referendos bons, progressistas e que nos levam para o avanço civilizacional. A realização destes referendos é urgente.
Temos referendo maus, reaccionários e que nos levam para a regressão civilizacional. A realização destes referendos é um atentado à democracia.
Como se distinguem os primeiros dos segundos referendos? É fácil: os primeiros são apoiados pela gauche-caviar, artistas e jornalistas. Os segundos são apoiados por pessoas logo rotuladas como atrasadas.
Dão-se alvíssaras
A quem tiver sido atendido telefonicamente na Linha 808 266 266 da Segurança Social
O Desejado
Não deve haver político em Portugal que tenha sido tão odiado pelos media, quase sempre pelas más razões. Agora que abandona o poder, já começaram os panegíricos, por sinal dos mesmos que outrora o vilipendiaram, erigindo como exemplo de grande virtude e visão o que antes desdenhavam sobranceiramente como a obsessão de um contabilista. Nada de novo, estamos a assistir à habitual promoção mediática de todo o potencial challenger à liderança incumbente do PSD, mesclado com o eterno sebastianismo “tuga”.
Ele está consciente do seu novo papel de D. Sebastião e irá geri-lo cuidadosa e silenciosamente com o calculismo que se lhe reconhece. Não avançará nas directas de Janeiro, certo da indisponibilidade de “tropas” no terreno e da residual representatividade dos “notáveis da corte” que o apoiam e que por ele suspiram. Apostará na continuidade do governo até final do mandato, na aprovação das medidas mais polémicas do OE 2014 por parte do TC e no seu efeito virtuoso na correcção do défice. Oficialmente será um eterno crítico da política seguida, com um discurso sempre impregnado do “social”, muito embora também a adoptasse, porventura com mais firmeza, se estivesse no governo.
Em 2015, alguém por si pedirá directas antecipadas e “criar-se-á” uma vaga de fundo, sobretudo mediática (ou um “élan”, como ele gosta de dizer) que empurrará Rui Rio, o Desejado, para a luta contra um Passos Coelho desgastado por 4 anos de austeridade. Não havendo vencedores antecipados, as suas hipóteses serão porém maximizadas, pois estará construída a imagem do homem providencial e do mais capaz de conquistar votos à esquerda.
Uma vez no governo, qual Cavaco do novo século, irá recolher os louros da austeridade anterior e aproveitar o ciclo de crescimento que então já poderá ser visível em toda a Europa. Só que algo poderá falhar em todo este cenário risonho. A crise das dívidas soberanas estará muito longe de ser debelada e pode acontecer o cataclismo-mor, a implosão do dólar. Aplicar-se-lhe-á então o Princípio de Peter.
Nota-se que percebe o que está a dizer
Um resumo do que António José Seguro disse hoje:
- a prioridade “deve ser a receita do Estado”
- Propomos um limite para a despesa corrente primária
- aplicação de fundos comunitários até 2020 sem subsídios, mas antes com verbas reembolsáveis.
- a componente nacional destinada ao investimento com fundos comunitários não deve ser contabilizada para o défice
Em resumo, Seguro pretende um limite para a despesa corrente primária, mas, subentende-se, esse limite não é para levar a sério, até porque o que vai baixar o défice é a receita do Estado (leia-se, impostos) e alguma batota contabilística, não contabilizando a comparticipação dos fundos comunitários, um truque contabilístico que pouco importa dado que deixa de ser distribuiído dinheiro europeu a fundo perdido.
boas entradas
Um bom discurso de entrada de Rui Moreira, a olhar o Porto para além do Porto. Este poderá ser, contudo, o seu maior perigo, já que Moreira não estará sozinho no governo da cidade (menos ainda da região), e o apoio que neste momento tem do PS e do CDS poderá colidir, no futuro, com outros interesses que não sejam exatamente o de conferir ao Presidente da Câmara do Porto o protagonismo nacional que ele hoje reivindicou para si. De resto, o discurso regionalista e cosmopolita, que já não ouvíamos há muitos anos na Câmara do Porto, só pode ser bem vindo. Esperemos que continue assim e que tenha correspondência com a realidade das coisas.
vamos a isso?
Muito sensata, esta sugestão de António José Seguro para um acordo de regime sobre a despesa pública, fixando limites para a despesa corrente primária do estado. Mas, antes mesmo de um acordo sobre o que futuramente se deverá gastar (no que os socialistas, reconheça-se, são especialistas), talvez fosse conveniente um idêntico acordo sobre como pagar o que já está gasto. Por outras palavras, um acordo de regime sobre como o estado português irá honrar a sua dívida. Vamos a isso?
obrigado, josé sócrates
Mais uma contribuição importante para o reforço do prestígio europeu de Portugal. Pode ler-se aqui.
A revolução da Frente Nacional francesa
Cortes, não; queremos o armagedão
Não, Fátima, não passa despercebida a forma como a senhora jornalista faz campanha pelo chá de morcego proposto pelos “convidados bons”. Os “convidados maus”, aqueles que não têm a solução miraculosa fechando fronteiras e confiscando as empresas, só têm uma coisa a fazer: não aceitar convites para o comício.
Uma espécie de debate
Tenho alguma dificuldade em perceber o que leva a RTP a organizar um programa de debate para de seguida a moderadora boicotar ou deixar boicotar as intervenções dos convidados que defendiam as ideias menos populares. Ontem os dois convidados que defendiam a necessidade de cortes na administração públicas tiveram as suas intervenções sistematicamente boicotadas por interrupções da plateia, dos outros convidados e da própria moderadora, que frequentemente entrou em debate contra qualquer argumento que pudesse implicar cortes ou reformas na função pública. A selecção dos membros da plateia, desta vez quase completamente composta por funcionários públicos a quem foram dados largos minutos de tempo de antena durante o programa, também não é inocente.
juve troika
Porque o futuro são os mais novos.
e então, joaquim, isto fica assim?
Um tribunal português, certamente ao serviço da troika, acabou de decretar um absurdo aumento da renda de um imóvel ocupado por uma república estudantil coimbrã, passando-a de € 12,50 para € 764,00, e obrigando os indefesos estudantes a terem de abandonar o imóvel após apenas três meses sem pagarem o novo valor.
Ora esta decisão judicial está em flagrante confronto com a Constituição da República, porquanto:
– Viola duplamente o princípio da igualdade (artigo 13º), quer porque discrimina os estudantes que podem pagar alojamento daqueles que não podem (nº 1), como impede o exercício de um direito (o direito à educação) por motivos que se prendem com a “situação económica” das vítimas (nº 2);
– Põe em causa a “protecção especial para efectivação dos seus direitos económicos, sociais e culturais” dada aos jovens (artigo 70º), entre eles, a proteção concedida “no ensino” (alínea a)), já que ninguém pode estudar ao relento, e “na habitação” (alínea c)), porque os priva de uma habitação que ocupavam pacificamente há anos e eles não têm outra;
– Ofende gravemente o direito à habitação (artigo 65º), sobre o qual a Constituição é peremptória: “Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar” (nº 1); e: “O Estado adoptará uma política tendente a estabelecer um sistema de renda compatível com o rendimento familiar e de acesso à habitação própria” (nº 5);
– Desrespeita flagrantemente o direito à educação e à cultura, consagrado no artigo 73º, com valor universal para todos os cidadãos portugueses, sem restrições de qualquer ordem. Ora, sendo a habituação um meio imprescindível (e um direito, como vimos acima) para o exercício do direito constitucional à educação, não podendo ninguém deixar de ter acesso a esses direitos em razão de eventuais dificuldades de ordem económica, como também já acima observámos, não há como não deixar os estudantes no sítio onde estavam tão bem e sem chatearem ninguém;
– Viola o direito ao ensino (artigo 74º), pelas mesmas razões acima aduzidas;
– Afecta gravemente o direito ao bem-estar social e económico e da qualidade de vida que a Constituição garante a todos, em particular às pessoas “mais desfavorecidas” (artigo 81º, alínea a)).
Perante tantas e tamanhas inconstitucionalidades, certamente que o Tribunal Constitucional não tardará em declarar inconstitucional a sentença e mandará repor a situação anterior, reintegrando os jovens estudantes no imóvel cuja posse lhes deve pertencer. E que, apesar de pagarem uma renda que poderá parecer quase simbólica, tratavam da casa como se fosse sua (as casas eram “mantidas pelos repúblicos”, disse um dos jovens inquilinos), ao invés do que fazem muitos proprietários, que deixam as suas casas cair e destinam os grossos proventos das rendas para vidas dissolutas e contrárias ao espírito fraterno da Constituição.
Voltámos à epoca anual em que a Branca de Neve se dedica às Finanças
Já chegam os rumores da floresta sobre o OE que permitiria existir crescimento da economia, aumento das pensões, baixa de impostos, apoios às empresas grandes, pequeninas e médias, e tantas outras coisas boas que nos fariam felizes. Porque gosta de nos ver infelizes o Governo, excepção feita ao CDS que também já conhece esse orçamento, não vai buscar esse OE à mina dos anões e dá-nos outro orçamento muito mau e muito feio que obriga à austeridade. Mas um dia o príncipe virá e então manda embora este OE e vai buscar o outro à mina dos anões e a austeridade acaba e ficamos todos ricos outra vez de um dia para o outro.
princípio da igualdade
Também podem ir pela ponte, ou será necessário apelar ao Tribunal Constitucional?
Esquecemo-nos do nosso lugar?…..
Falácias da época II
Pequenas empresas versus grandes empresas. É a luta de classes transposta para o tamanho das empresas. O orçamento tem que beneficiar as pequenas e médias empresas, sem esquecer as micro, contra as maléficas grandes empresas. Com esta visão da economia é natural que as empresas não cresçam. Ao mesmo tempo querem investimento, do estrangeiro, de preferência. Talvez as PME estrangeiras queiram investir cá.
Châpeau PIZARRO!
Manuel Pizarro daria um bom Presidente da Câmara. Não tenho dúvidas. Agora, realmente, o Rui tem razão, quando diz, aqui, que, no fundo, o PS ganhou as “autárquicas” no Porto e ele não sabia…..
Com ou sem a concordância da sua Federação distrital, Pizarro fez um acordo com Rui Moreira e, espante-se, segundo o Público (ed. de hoje, pag. 3). terá 3 vereadores com Pelouros atribuídos. E que Pelouros? Repare-se, nem mais, nem menos do que o sempre desejado, sensível e apetecível…. (e ás vezes, não pelas melhores razões!) URBANISMO, mas ainda, a HABITAÇÃO (com a tutela dos bairros sociais) e a anunciada área prioritária da REABILITAÇÃO URBANA (desde sempre anunciada como tal, quer por Rio, quer por Moreira, sendo que o novo Presidente da Câmara também é ex-Presidente da própria SRU) . Châpeau: se for mesmo assim, Pizarro acabou, no fundo e na prática , por também ganhar a Câmara (pelo menos, aquilo que é tradicionalmente o núcleo sensível e apetecível da gestão camarária)!
Ainda segundo o Público, para os outros (note-se, para quem ganhou as eleições nas urnas) ficará a Educação, a Acção Social e a Cultura.
Realmente há dias em que aquilo lembra uma canzoada
Agora que a CGTP organiza a celebração do Dia de Todos os Santos e que a Igreja Católica deve andar à procura de uma data no calendário da defunta URSS para assinalar – sugiro que ponderem o 18 de Janeiro dia do Julgamento do Estado Soviético contra Deus (Deus sem direito a recorrer da sentença foi condenado à morte por fuzilamento e devidamente executado por vários tiros disparados para o céu no amanhecer do dia 18 de janeiro de 1918) – o EXPRESSO após esta notícia que revelou de forma tão entusiástica – Os cães também são pessoas, prova estudo científico – vai passar a dirigir as suas edições semanais para os cães-pessoas (Não se percebe porque serão os cães que são pessoas e não as pessoas que são cães mas isso ficará para depois) Não é que não me tivesse parecido que algumas edições do histórico semanário eram uma espécie de versão ladrada da sociedade portuguesa mas daí a assumir a canzoada vai um passo que o EXPRESSO agora deu. Entre béus béus e aõs ãos ainda lhes dão um ossinho de prémio. De qualquer modo os cães comprarão o jornal, os cães escreverão no jornal… Eu por mim aguardo pelos protestos dos gatos que não são menos pesoas e que são particularmente discriminados nesta nova versão do EXPRESSO.
Falácias da época
Tempo de orçamento de Estado é tempo em que os portugueses se dedicam a alimentar as suas dissonâncias cognitivas. Precisamos de um orçamento de crescimento, que atraia empresas para portugal, e que ao mesmo tempo reparta os sacrifícios entre as famílias e as empresas, sendo por isso necessário baixar os impostos às empresas e aumentar os impostos às empresas.
resumindo
O post abaixo sobre José Sócrates: estavam à espera que um socialista fizesse o quê?
e não é que eu não tinha dado conta?
Afinal, o PS ganhou as eleições para a Câmara do Porto. Vai ser mesmo o único partido com posições assumidas na vereação e na Assembleia Municipal (a vice-presidência, não fazem a coisa por menos) da cidade. O resto do pessoal é todo «independente». As tias da Foz devem estar felicíssimas com o destino dos seus votos e o Dr. Miguel Veiga rejubilante: finalmente, vem aí social-democracia a valer.
um trio de respeito
Em vez de tapar os buracos das ruas, licenciar novos prédios, dar um destino decente ao Bolhão e resolver os problemas do trânsito, o programa da coligação municipal Rui Moreira/PS tem por objectivos «as prioridades que foram amplamente sufragadas pelos portuenses: Coesão Social, Economia e Cultura». «Coesão Social, Economia e Cultura»? E nas mãos do PS? Tremam, portuenses!