Especulação imobiliária boa
A camapnha eleitoral no Porto girou à volta dos fundos para a reabilitação urbana. Os principais candidatos posicionam-se para gerir fundos públicos para o efeito, falando-se de mil milhões de euros de fundos públicos só para o Porto. Ao mesmo tempo sabe-se que a banca nacional tem mais de 5 mil milhões de euros de casa que tem que despachar.
Alguns comentários:
1. O Estado prepara-se para mais uma vez subsidiar um negócio para o qual há excesso de oferta;
2. Lisboa e Porto serão beneficiados em relação ao resto do país;
3. Depois de o modelo de corrupção das PPP rodoviárias passarermos a ter um modelo de corrupção de PPPs habitacionais;
4. Os políticos ficarão em posição de usar dinheiro público para comprar empreiteiros e inquilinos;
5. Este esquema terá o apoio de grande parte das elites urbanas que gostam de cidades desde que elas sejam ordenadas pela planificação socialista.
6. Mais uma vez (Parque Escolar é outro exemplo) pretende-se concentrar num curto espaço de tempo a construção de milhares de casas criando picos de oferta e de necessidades de financiamento. Ao mesmo tempo marca-se a cidade com edifícios idênticos, da mesma época, com problemas similares, reduzindo a diversidade da oferta.
Real e simbólico
Avançai, pelo progresso
Enquanto alguns portugueses ruidosos exigem mais défice e menos dívida, a Europa, a da federação, vai presenteando o mundo com anúncios fascistas:
- Ed Miliband unveiled measures to extend towns into the countryside and seize land back from developers who are not building houses [Ed Miliband propõe medidas para a ampliação das cidades para o campo expropriando terrenos a construtores que não estão a construir casas];
- Manuel Valls : “les Roms ont vocation à revenir en Roumanie” [Manuel Valls: “o destino dos ciganos é regressar à Roménia”].
O progresso canhestro não pode parar.
andam a copular o psd
Segundo informa o Público, a “cópula nacional e distrital do PSD” declarou “guerra a sondagens recentes que podem indiciar uma pesada derrota” nalgumas autarquias. Para Marco António Costa e Virgílio Macedo (Presidente da Distrital do Porto) estas empresas estão eivadas de má fé e andam a soldo do inimigo, não tendo outra finalidade que não seja copular os candidatos autárquicos do partido. As cópulas nacional e distrital do PSD esperam, assim, desmascarar no próximo domingo este diabólico plano, demonstrando que não é qualquer empresa de sondagens que copula o glorioso partido laranja, porque os candidatos são “eleitos pelos votos do povo”, que é quem tem poder democrático para os copular e descopular.
Clique na imagem para ver melhor a cópula.
é assim mesmo, tadeu!
Impressionante, a honestidade intelectual de Pedro Tadeu, um comunista português com ímpetos verdadeiramente capitalistas. Hoje, na sua habitual crónica da terça-feira do Diário de Notícias, Tadeu traz-nos a estória de duas portuguesas empresárias nos EUA que conseguiram salvar a sua empresa da grave crise de 2008, graças à possibiidade que tiveram de, sem grandes dificuldades nem custos absurdos, a redimensionar até que o pior passasse e lhes permitisse voltar a crescer. Escreve Tadeu: «Cláudia e Natália, 45 e 41 anos, estavam à frente da firma de construção civil herdada do pai quando a crise estalou. Contam que, de repente, deixaram de ter clientes, perderam o crédito bancário e despediram 250 trabalhadores. Ficaram com 150. Isto foi em 2008. Agora gabam-se de ter conseguido expandir o negócio e de a firma viver em prosperidade.»
É assim mesmo, Tadeu! Graças a leis trabalhistas flexíveis, Cláudia e Natália conseguiram ajustar a sua folha salarial às disponibilidades circunstanciais do mercado, e, com isso e com um programa federal que utilizaram como garantia, conseguiram convencer um banco privado a conceder-lhes crédito. Em Portugal, com a rigidez das nossas leis laborais, a obrigatoriedade da justa causa e o peso das indemnizações por despedimento, Cláudia e Natália teriam certamente desistido e optado por fechar a empresa, como têm feito tantos empresários portugueses.
Obrigado, Tadeu, por expores desta forma tão clara e precisa as distintas consequências económicas de um modelo de raíz capitalista, como o americano, e de um de forte pendor socialista, como o nosso. Não há comparação possível, de facto. E que venham mais comunistas como tu, que bem precisos são.
“Ces populations ont des modes de vie extrêmement différents des nôtres et qui sont évidemment en confrontation” avec les populations locales (…) Il n’y a “pas d’autre solution que de démanteler ces campements progressivement et de reconduire (ces populations) à la frontière (…) les Roms ont vocation à revenir en Roumanie ou en Bulgarie, et pour cela il faut que l’Union européenne, avec les autorités bulgares et roumaines, puissent faire en sorte que ces populations soient d’abord insérées dans leur pays” – declarou um político francês. Qual? Pois é antes de saírem os os cordões humanos, os gritinhos indignados e as declarações inflamadas tem de se saber a sua pertença política. Já foi assim com a legislação italiana sobre expulsão de estrangeiros que só chocou os corações indignados quando Berlusconi chegou ao poder. Agora depois da tormenta de 2010 quando Sarkozy era presidente e determinou a saída de milhares de ciganos romenos de França – mesmo assim iam de avião e com um cheque no bolso – aguarda-se para ver como serão as reacções às declarações deste ministro do senhor Hollande.
Obs. Nota-se alguma dificuldade em redigir em português a notícia sobre estas declarações do ministro Valls
Dia seguinte
Agora sim, asneira
Após o fim da obrigatoriedade de oferta da língua inglesa pelas escolas públicas, decisão puramente lógica dado o carácter facultativo das Actividades de Enriquecimento Cultural (AEC) onde a disciplina se insere, eis que o ministro Crato afirma pretender tornar obrigatório um programa de língua inglesa para o primeiro ciclo.
Reconhecendo a importância da língua inglesa, esta decisão acarreta dois erros que a tornam ridícula:
- O primeiro ciclo serve para aprender a ler e escrever na língua nativa e calcular operações aritméticas fundamentais. Os programas podem incluir outros tópicos – como biologia, história ou geografia – mas sempre na perspectiva auxiliar à língua portuguesa. A introdução de uma língua estrangeira enquanto o aluno não sabe escrever e ler correctamente em português, a existir, deve assumir o carácter de ATL facultativo e não programático.
- A existência de 9 anos obrigatórios para a aprendizagem de uma língua estrangeira é o reconhecimento inequívoco da imbecilidade do aluno e/ou da mediocridade do sistema. Nove anos são suficientes para aprender duas línguas estrangeiras, para não dizer três.
A insistência na supra-sapiência de um ministério para decidir todos os aspectos da vida escolar é o cordão umbilical que não queremos cortar para um ensino verdadeiramente competitivo. Desde 1976, não faltam “paixões pela educação”. O resultado dessas enfatuações é mais despesa, resultados medíocres e agigantamento do elefante na sala.
a nova comédia de woody allen
«Uma decisão irrevogável», a estrear no fim do ano.
tudo são consequências
N’ O Insurgente.
Desorientação no clube dos “quatro e meio”
Há mais de 10 anos que as “elites” jornalistico-políticas olham para os limites ao défice como um entrave ao progresso do país. Algo que deve ser negociado de forma a que o país possa crescer. E seguindo esta mentalidade nunca, desde que entramos no euro, o défice foi inferior ao limite máximo aceite como regra quando aderimos. O limite máximo é, aliás, tido por cá como o valor ideal não se percebendo que a existência de um valor máximo de 3% implica que em metade do ciclo económico o défice deve estar próximo ou mesmo abaixo de zero.
Esta mentalidade não mudou com o pedido de ajuda por falta de meios próprios para financiar défices. Pelo contrário, continua-se a achar que os défices promovem o crescimento sustentável, que quanto mais altos melhor e que só por intansigência da Troika é que nós não temos défices maiores.
A novela do “quatro e meio” veio mais uma vez mostrar que não é bem assim. No início da semana passada tudo o que era jornalista pedia um défice maior, quatro e meio. Era uma bela narrativa. Os maus da Troika têm que aceitar o nosso anlienável direito a um défice de “quatro e meio” ou, quiçá, de “cinco”. Esta narrativa começou a bater na realidade quando a S&P ameaçou cortar o rating de Portugal e dos bancos portugueses precisamente porque eles acham que nós não estamos muito empenhados em cortar no défice. Ao mesmo tempo a mesma élite jornalistico-política começou a reparar que os juros da dívida pública têm estado persistentemente acima dos 7% e que isso é incompatível com um programa cautelar (que obriga ao financiamento nos mercados). Poderá ser necessário um 2º resgate.
O clube dos “quatro e meio” entrou em pânico. Afinal as agências de rating não acreditam em nós? E os mercados também não? O rating da banca está relacionado com a dívida pública? O financiamento à economia poderá secar? Mas então o limite ao défice não era só uma imposição irracional da Troika para nos prejudicar? O clube do “quatro e meio” entrou em dabandada e agora só temos gente responsável que quer evitar um 2º resgate. O líder da oposição, conhecido por pedir mais tempo e mais dinheiro, e que no início da semana passada pedia um défice de cinco porcento chegou a Domingo a demonizar um 2º resgate (que foi o que sempre pediu quando pedia mais tempo e mais dinheiro). Mas isto dura pouco. Mais dois ou três dias e voltam ao ponto anterior: queremos quatro e meio, mais tempo e mais dinheiro etc.
Do multiplicador da demência
As eleições alemães foram seguidas em Portugal e continuam a ser analisadas, como se o seu resultado tivesse alguma relação com os portugueses; como se o resultado pudesse interferir, de alguma forma mágica, com a inconstitucionalidade do nosso país como nação solvente.
Podia dizer-vos que podia ser pior, que podia dar-nos para outras maluqueiras; mas não consigo, esta já rebenta a escala da palermice.
o dr. soares vai ter que dizer umas verdades aos alemães
Angela Merkel com maioria absoluta.
E agora, Tozé?
Sem querer desmerecer na temática do livro
de José Sócrates – “tortura nos estados democráticos” – seria interessante um segundo volume sobre a tortura nos países que se faz de conta que são democráticos. Como a Venezuela ou Angola. E as circunstâncias de algumas detenções e mortes no Brasil de Lula Silva certamente que tb serão mencionadas.
Pequenas dúvidas
António José Seguro não aceita mais cortes Logo defende mais impostos?
Jerónimo de Sousa esteve em Almada onde o PCP concorre em coligação com “Os Verdes”. Mas em alguma localidade Os Verdes concorrem a solo?
O líder comunista pediu aos candidatos que esclareçam os cidadãos sobre o boletim de voto. Diz Jerónimo de Sousa que” uma mera e desgraçada coincidência, tanto no Seixal como em Almada, ditaram que o MRPP ficasse por cima da CDU. Francamente desde Março de 1976 quando o PCP resolveu impedir pelas vias legais (os tribunais) e ilegais (houve feridos e um morto) o MRPP de usar a foice e o martelo os eleitores ainda não terão conseguido distinguir os dois partidos?
… a juntar à grande dúvida do dia de hoje: porque tendo feito tudo mal e não tendo adoptado os conselhos dos sábios portugueses sobre subsídios de desemprego, educação, investimento público.. a Alemanha tem o dinheiro que nós gostávamos de ter e para o qual não há político, comentador e jornalista que não tenha um destino absolutamente indispensável?
Angie (I) – paixão ou governação.
O sucesso eleitoral de Angie é sintetizado nesta “peça” de o “Público”: “Mãos sem granders entusiasmos, (mas) seguras”.
É assim que a generaldiade dos alemães encaram a sua actual Chanceler. O factor segurança ( é fundamental). Não creio que as eleições de hoje na Alemanha – que confirmarão Merkel como Chanceler (independentemente da geometria que, dessas eleições, sair, em termos de coligações) – tenham, fora da Alemanha e, nomeadamente, em países como Portugal e Grécia – uma importância decisiva. Pelo menos, em termos de mudanças políticas imediatas.
Terão morrido de quê?
EXPRESSO: Dezenas de pessoas morrem em ataque a centro comercial queniano Custa tanto escrever terrorista não é? E dizer que os terroristas matam ainda é mais difícil. Quando o Expresso terminar esta versão Frente Popular deve nascer um outro jornal de extrema-esquerda em Portugal pois na impossibilidade de fazer um despedimento com tal dimensão ao dr. Balsemão só restará fazer nascer um novo JÁ.
Onde os levará este inovador método é que não se percebe
«O governo venezuelano, liderado pelo Presidente Nicolás Maduro, ordenou à Guarda Naiconal que ocupasse uma fábrica de papel higiénico para evitar a falta deste produto, que há meses escasseia no país.
O objectivo da ocupação é perceber os mecanismos de produção e distribuição do produto e perceber o que está a provocar a falta de papel higiénico nas prateleiras dos supermercados.» – Sem querer comprometer este método de estudo e análise agora implementado na Venezuela resta-me a seguinte dúvida acerca do alargamento deste processo empírico: a Venezuela vai estudar alguma coisa em Portugal?
a tortura de sócrates
José Sócrates terminou a sua tese de mestrado sobre a tortura, que publicará, muito em breve. Podendo, embora, haver quem estranhe o ecletismo do tema para um licenciado em engenharia com vasto curriculum profissional em política e governação, nada de mais natural, se pensarmos que os trabalhos académicos devem ser sempre orientados conforme as preferências e utilidades profissionais dos seus autores. No caso vertente, imaginem por onde começará o novel mestre a aplicar estes seus vastos conhecimentos?

Longe da crise
Ainda as ideias brilhantes
A ideia de meter a Caixa Geral de Depósitos a substituir as empresas enquanto credoras do Estado não é uma originalidade do António José Seguro. É uma ideia que foi aprovada por unanimidade no Parlamento juntamente com outras que o Ministério das Finanças de Vitor Gaspar considerou um desastre. São medidas que criam buracos no controlo orçamental. Por um lado, premeiam empresas que vivem à custa da despesa pública e por outro premeiam os departamentos do Estado mais endividados e que assim ficam livres de dívidas e podem continuar a fazer despesa. Porquê a unanimidade? Se por um lado Seguro e o PS precisam de fazer campanha, por outro os boys do PSD e do CDS precidam de minar a disciplina orçamental para se chegarem um pouco mais ao pote.
E sobre esta propaganda nem uma palavrinha?
A CNE anda num virote. Dos debates nas televisões aos SMS nada lhe escapa. Mas digamos que a acção da CNE se restringe às acções de campanha dos candidatos, aquelas que nascem do voluntarismo dos ditos e que correm por sua conta e risco deles e das televisões, jornais… Quando a propaganda surge sob a forma de boletim municipal não há nada a dizer. Pelo menos até agora.
Ontem mesmo caiu-me isto na caixa do correio. Trata-se do nº 16 de uma das publicações editada pela Junta de Freguesia de Benfica (Temos tb a revista Vitalidade ) São 36 páginas deste teor:
Para esclarecimento dos mais desconhecedores da dita freguesia acrescento que as repavimentações referidas na página 25 não resultaram do Inverno rigoroso de 2012/2013. Há anos que quem por aqui passa convivia com umas crateras assombrosas. Ao volante distinguiam-se perfeitamente os residentes dos visitantes ocasionais: estes últimos acabavam infalivelmente a cair nos buracos. Por razões misteriosas há mais ou menos uma semana rolamos sobre um tapete veludo.
O lado festivo da alta taxa de desemprego portuguesa
O lado sombrio da baixa taxa de desemprego alemã Nem uma voz discordante. Nem uma opinião contrária. Apenas uma certeza: « Na Alemanha, a taxa de desemprego é de 6,8%, muito baixa quando comparada com a de outros países da UE. A precariedade em que vivem muitos trabalhadores é, porém, o lado sombrio do modelo alemão, apresentado por vezes como exemplo. Trabalho barato, minijobs, trabalho em part-time e temporário, salários de 450 euros dispensados de pagar segurança social… Estas formas de trabalho ocupavam, em 2012, oito milhões de alemães» Que insensíveis estes alemães. Eles deviam ter seguido o modelo português. Acabaremos falidos mas festivos!!!
Projecção para eleições alemãs

Legenda
Azul – partidos contra a mutualização de dívidas superiores a 60%;
Vermelho – partidos que subscrevem as propostas de António José Seguro.
(Fonte: Electionista)
Telómeros (políticos) ou “Portugal 2020” *
“Os nossos genes e os nossos telómeros não ditam necessariamente o nosso destino”. Quem o diz é o Professor Ornish, um médico e investigador norte-americano que liderou um estudo científico, recentemente publicado numa revista da especialidade.
mais uma ideia brilhante
António José Seguro quer que a banca financie mais ainda a irresponsabilidade do estado, obrigando-a a pagar a dívida pública contraída às empresas. A Caixa Geral de Depósitos seria, segundo ele, a instituição mais indicada para o fazer, mas as outras não estarão excluídas. José Seguro parece ignorar o estado em que se encontram os bancos portugueses e a ameaça que sobre eles impende de um haircut sobre os seus depósitos, caso não cumpram ratios decentes de solvabilidade e ameacem perigo de falência, como acontece com todos eles. E também parece presumir que os bancos emitem moeda própria que o estado pode usar como lhe apetecer, e que a (pouca) de que ainda dispõem não tem dono. Uma ideia verdadeiramente brilhante. Mais uma.
Parem de escavar
O regresso do menino de ouro (AKA: o colosso, o guerreiro do povo, o animal feroz), realizar-se-á com a publicação de um livro já em Outubro.
Após o flop sucesso como comentador televisivo, a estratégia multimédia contará também com edição de CD-ROM sobre o código da estrada e jogo para PlayStation que consiste na descoberta de inverdades em narrativas.
As apps para dispositivos móveis permitirão aos utilizadores a participação numa rede social exclusiva para pessoas humanas com grandes preocupações sociais e sentido adequado de fashion, assim como anúncios de concursos públicos para visitas gratuitas a instituições europeias.
Os papagaios
Novos manuais de Matemática e de Português lançam caos nas escolas Já abriram algum destes manuais? Já viram as alterações?… Pois é mesmo importante que o façam. Se o fizerem perceberão que muito se ganharia sobretudo na disciplina de Português se os professores conseguissem de vez em quando libertar-se do manual. Inseguros os professores tornaram-se papagaios dos manuais. E os jornalistas papagueiam aquilo que representantes disto e daquilo dizem sobre os mesmos manuais. O primeiro passo para se conseguir falar e escrever sobre este assunto com um mínimo de bom senso passa por ver os próprios manuais e perceber o que são as tais diferenças entre os ‘novos’ e os velhos manuais.
o regresso do menino de ouro
Tem mais um passo: lançamento de livro sobre política em Outubro, com um mais do que certo balanço positivo dos seus anos de governação. Outubro, o mês imediatamente a seguir às eleições autárquicas, onde se aguarda um resultado desfavorável ao PS de Seguro. O cerco continua a apertar.
tem limites
A demagogia, para lhe não chamar outra coisa. É certo que estamos em campanha eleitoral e que a cabeça de Seguro depende de um cada vez mais distante bom resultado no próximo dia 29, mas o líder(?) socialista não deveria presumir a imbecilidade dos eleitores. Ora, se ainda ontem tivemos conhecimento da reunião entre a troika e o PS, na qual José Seguro esteve e da qual saiu como entrou, de mãos a abanar e de boca fechada, como pode ele vir dizer, nesse mesmo dia, que o primeiro-ministro não consegue, em exercício de funções de governo, os vestígios de promessas que ele foi incapaz de obter como mero líder partidário? Ficar-lhe-ia melhor e faria dele uma pessoa mais convincente, um pouco mais de pudor e de sobriedade ao pronunciar-se sobre os problemas do país de que, em boa parte, o seu partido é responsável. Mas Seguro pensa mesmo que as pessoas são parvas e que lhe vão dar votos em troca do choradinho de fadista barato com que lhes fala. É capaz de estar enganado.
La pénibilité
A França confrontou-se um caso que a abala: um comerciante matou um dos assaltantes da sua loja e foi sujeito a prisão preventiva. A diferença de tratamento dada ao comerciante face ao que habitualmente sucede aos assaltantes mesmo quando estes agridem e matam levou a um imenso movimento de solidariedade com o comerciante e acentuou a divisão entre o ministro Valls e a ministra Taubira. Como é óbvio o assunto pouca importância teve por cá pois agora os únicos tiroteios de que se fala são os dos EUA por causa da posse de armas naquele país sendo certo que o que sucede em cidades como Marselha é assustador. Dada a situação a Federação das Associações de Comerciantes Franceses entrou na discussão com uma proposta. Pensar-se-ia na adopção de equipamentos que aumentem a segurança, em alterações legislativas que penalizem os roubos ou em maior policiamento. Nada disso. Muito simplesmente na antecipação da idade da reforma para os comerciantes por causa da “pénibilité” da sua actividade. Mais ou menos isto traduz-se em colocar os contribuintes a pagar o crime: os assaltantes continuam a assaltar na paz dos anjos; os comerciantes são assaltados mas até uma assalto pequenino não faz mal pq se reformam antecipadamente e o sistema de epnsões que resolva o problema. Provavelmente os próprios assaltantes tb terão direito a reforma antecipada para não assaltarem mais e por causa da pénibilité das suas funções.
Carta aberta a Ferreira Fernandes
Camarada Ferreira Fernandes,
Apesar da distância que nos separa, tenho esperança que os serviços postais do teu planeta permitam a entrega desta missiva nas melhores condições. Trato-te por tu, camarada, como deve ser entre pessoas humanas de bem.
Querido clube dos quatro e meio:
Maria Luís Albuquerque considera que a decisão da agência de notação financeira evidencia “um conjunto de riscos que existem” e que estão “agora mais visíveis”. Por conseguinte, “cabe ao Governo e a todos os agentes políticos e institucionais fazer o que é necessário para que os riscos não se materializem”. (link)
A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, considera que “a decisão de ter mais défice tem de ser ponderada em termos do retorno que permite ou proporciona”, bem como “em termos dos seus efeitos imediatos e das suas consequências futuras”.
De acordo com a governante, “um défice mais elevado pode criar a ilusão de minimizar o impacto de que um cenário macroeconómico mais desfavorável na actividade económica e no emprego”. Porém, a ministra sublinha que um adiamento da consolidação orçamental aumenta a pressão sobre a dívida pública, uma vez que o excesso de défice acarreta financiamento e mais financiamento implica mais juros. (link)
Querido Joaquim:
“The CreditWatch placement reflects our view that there are rising risks to Portugal’s ambitious fiscal consolidation objectives and an increased likelihood of noncompliance with the current EU/IMF program. Risks include further challenges to fiscal and reform measures by Portugal’s Constitutional Court, weaker-than-expected economic performance, and a resurgence of political tension leading to delays in 2014 budget or program reviews.”
“Constitutional Court challenges have created additional uncertainties for a significant part of the government’s fiscal consolidation plans during the past year. Most recently, on Aug. 29, 2013, the Court rejected a key government reform: the termination of permanent contracts for public-sector workers who signed their contract before 2008. This ruling followed the Court’s April 2013 rejection of fiscal measures amounting to 0.8% of GDP, a significant proportion of the measures proposed.”
“In our opinion, these Court decisions raise doubts as to whether Portugal will be able to comply with the ambitious debt stabilization target set out in its current IMF/EU program.”
“Based on recent Constitutional Court rulings, we consider that some of these measures may be overturned by the Portuguese courts–for example a planned increase in working hours for public-sector workers–thereby requiring additional program negotiations. These could test coalition cohesion once more, and potentially result in delays in finalizing the 2014 budget and upcoming program reviews.”
“One of the challenges we see for economic growth comes from the fiscal side. In particular, the government replaced expenditure measures, which could be less disruptive to economic growth, with revenue measures (such as tax increases) following the Constitutional Court’s decisions on public sector wage cuts. Additionally, the recent Constitutional Court decision to uphold job security for public sector workers with permanent contracts signed before 2008 creates, in our view, a significant distortion in the public sector labor force.”
A sempre tua
S&P
hipocrisias
Mas não é só o PS que anda incomodado com a “intransigência” da troika e, em particular, com o lobo mau que é o FMI. Da parte do partido maioritário do governo, o PSD, vêm iguais sentimentos pela voz de Marco António Costa. Este confessa-se farto da “hipocrisia institucional do FMI”, que faz “proclamações muito piedosas nos relatórios” de técnicos, “mas revela atitude muito inflexível nas negociações”. Marco António Costa é também um humanista preocupado com a felicidade do povo e das pessoas humildes, tão ou mais humanista e tão ou mais preocupado do que os representantes do PS. É claro que estarmos em antevésperas de um acto eleitoral e Costa ser o responsável pela campanha eleitoral do seu partido em nada interfere na sua apurada sensibilidade. Ele revolta-se mesmo com as injustiças deste mundo e não se contém em proclamá-lo. Um sensitivo social, um obcecado com a felicidade alheia, quase um lamechas. Não nos paga as contas da luz nem da água, mas dá-nos conforto e ajuda-nos a enfrentar as fatalidades deste mundo. Ainda bem que há pessoas assim. António José Seguro e Paulo Portas não estão sozinhos.
uma pista
Bom, em resposta ao desafio do post anterior – percebermos como é que o PS irá contribuir para a nossa felicidade – afinal Brilhante Dias deu-nos uma pista importante. Segundo ele, para o PS o grande problema do que se está a passar está na “velocidade do ajustamento” que “é central para ter êxito”, e não tanto no ajustamento em si mesmo, que se depreende, então, que o PS também considera necessário. Nesta mesma linha, acrescenta Brilhante Dias: “Há limites de velocidade e os portugueses viram todos os limites de velocidade, de cortes sucessivos, serem ultrapassados”. Ou seja: o que o PS contesta não são exactamente os cortes, mas a velocidade com que os mesmos estão a ser executados. O PS parece, assim, estar de acordo com a necessidade dos cortes na função pública, nas pensões, nos salários, etc., mas quer que os mesmos sejam prolongados no tempo, em vez de caberem todos no período para o programa de ajustamento. Em conclusão, mais tempo de intervenção externa para executar as mesmas medidas, com os mesmos sacrifícios. Caso não seja isto que vai pela cabeça dos dirigentes socialistas, conviria que se explicassem melhor.
uma epifania tardia
Não obstante os parcos resultados da reunião com a troika, sempre deu para o PS ficar com a “percepção” de que os nossos credores encaram a “flexibilização do défice” com uma “enorme relutância”. Ora, perante esta tardia intuição, visto o programa ter sido assinado também pelo PS e estar em execução há quase dois anos e meio, não seria altura do partido, pela voz viva do seu secretário-geral António José Seguro, explicar ao país como agiria, se estivesse no governo, para suavizar o sofrimento dos portugueses? Ou, ainda melhor, como pretende ajudar o governo em exercício de funções a conseguir esse resultado, perante tamanha resistência da troika? Esperamos, com alguma ansiedade, que António José Seguro nos diga como vai contribuir para a nossa felicidade.
“uma conversa animada”
O PS reuniu ontem com os chefes da missão da troika, para lhes apresentar as suas propostas sobre o programa de ajustamento em execução. O porta-voz do partido, Eurico Brilhante Dias, revelou que foi “uma conversa animada”, embora quase nada tenha acrescentado sobre o que os representantes da troika disseram dessas propostas. De acordo com fontes privilegiadas, aqui fica a síntese dos comentários: “ahahahahahahah!”.
A obrigatoriedade do inglês facultativo
Crianças dos 6 aos 10 anos, nas horas vagas enquanto os pais estão no trabalho, entre uns chutos na bola e nas mochilas, têm o dever de frequentar uma actividade lúdica obrigatória que consiste em repetir palavras numa língua que se assemelha ao inglês. No fim do ano, são capazes de dizer algumas cores e partes do corpo, uma aprendizagem fundamental caso estejam perdidos no Kansas com cefaleias de tensão para atravessar nos semáforos.
Apesar disto, no 2º ciclo dá-se um reboot (é uma palavra em inglês) e reaprendem algumas cores e partes do corpo. Faz algum sentido uma vez que, afinal, já sabem ler e escrever.
Crato retirou a obrigatoriedade destas actividades lúdicas dos tempos livres. É uma tragédia para o progresso da educação porque: 1) as pessoas poderão optar por não sobrecarregar as crianças com mais uma aula de pintura mas em estrangeiro e; 2) nunca se sabe quando uma criança se perde no Kansas.
Perde-se também uma parte fundamental da própria portugalidade: um ministério decide não decidir pela obrigatoriedade do que considera o melhor para nós.







