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A ler

18 Setembro, 2013

Duas questões fundamentais – por VítorBento

Bem acompanhados

18 Setembro, 2013

«Um homem que tentou assaltar uma pastelaria e churrascaria em 2011 está a pedir uma indemnização de 15 mil euros às vítimas do roubo, num processo que está a ser julgado no Tribunal de Albergaria-a-Velha. O assaltante queixa-se de ter sido agredido pelo dono do estabelecimento e por outros dois homens que o manietaram no local do crime, até à chegada da GNR. Durante as alegações finais, que decorreram nesta terça-feira, o Ministério Público, que acompanha a acusação, pediu a condenação dos três arguidos. O dono do estabelecimento, que foi atingido com um tiro nos membros inferiores pelo assaltante, e outros dois homens que vieram em seu socorro, estão acusados de um crime de ofensa à integridade física. O caso ocorreu na noite de 17 de Setembro de 2011, quando o assaltante entrou na pastelaria com a cara tapada e ameaçou com uma espingarda de caça o dono do estabelecimento, que acabou por ser baleado na anca, quando ofereceu resistência. Apesar de continuar com a arma nas mãos, o suspeito, que ainda chegou a dar um segundo tiro acertando no estabelecimento próximo, seria manietado no local por outras duas pessoas até à chegada da GNR. Foi depois transportado ao hospital para receber tratamento a ferimentos na cabeça, tendo ficado internado.  No passado mês de Abril, o assaltante foi condenado pelo tribunal de Albergaria-a-Velha a quatro anos de prisão efectiva, por um crime de roubo qualificado na forma tentada, e ao pagamento de quase 18 mil euros de indemnização. O tribunal deu como provado que o assaltante, desempregado, conhecia “as rotinas” do estabelecimento e planeou o roubo na tentativa de conseguir dinheiro para o vício de drogas pesadas.»

É caso para dizer que o o MP anda bem acompanhado!

Precisamente

18 Setembro, 2013
Pergunta quase parva, de tão óbvia
Obs. pensava que era um problema da estação a que geralmente vou mas pelos vistos é uma política da empresa não ter a rede MB activa. Tendo em conta que a empresa em questão se chama CTT  a “pergunta quase parva” impõe-se

A rua falou

17 Setembro, 2013

Disse: “mnhd jsus hajrid jwiife porw hajeje haiejxj trewsj”.

A esquerda já traduziu para: “exigimos 4,5% de défice”.

as irrecusáveis virtudes do capitalismo

17 Setembro, 2013
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Esta entrevista feita pelo i à revolucionária aposentada Isabel do Carmo, que a Helena aqui cita, demonstra que o capitalismo é o modelo social mais eficaz para amainar os ímpetos de bombistas e de outros revolucionários sortidos, como a própria entrevistada, de resto, confessa. E não é, ao invés do que ela diz para tentar honrar os seus pergaminhos, porque o «poder partidário-financeiro tem poucos rostos e não está localizado». Isso é conversa da treta, como é evidente. É mesmo por causa da vida boa que o sistema capitalista pode proporcionar a qualquer ex-revolucionário bombista, vidinha que não «apetece» largar, muito menos para «ir para a cadeia». As virtudes do capitalismo são tão atraentes, que até convertem os revolucionários mais exigentes, como a agora Dra. Isabel. Na verdade, entre uma boa casa, um bom emprego, um bom carro e boas férias e arriscar uns anos à sombra para pôr umas bombas nas boas casas e nos bons carros dos outros, não há que hesitar: a revolução que se lixe!

Que Deus lhes perdoe porque não sabem o que perguntam

17 Setembro, 2013

Esta entrevista do I a isabel do Carmo seria um exercício de alegre ignorância caso não estivesse em causa a actividade terrorista eufemisticamente designada na entrevista como “luta armada”. Isabel do Carmo conta a proverbial história da carochinha sobre as bombas que não matavam ninguém e à jornalista não ocorre perguntar-lhe  sobre as consequências desses atentados nomeadamente sobre as crianças que ficaram mutiladas. A inconsciência de quem pergunta é tal que acaba a fazer graçolas com as bombas e as bombocas  -Isabel do Carmo tem o discernimento de dizer que prefere arroz doce.  Pelo meio  a antiga líder das BR deixa esta reflexão onde se percebe muita coisa:

Voltava à luta armada?

Só não voltava porque, para já, não me apetecia ir para a cadeia (risos). Neste momento, francamente, não me apetecia. Além disso, numa perspectiva prática, não sei se acções de força seriam eficazes do ponto de vista da alteração da situação. Mas tenho dúvidas. A situação é demasiado global, não é só nacional. O poder partidário-financeiro tem poucos rostos e não está localizado. A época do imperialismo americano passou a imperialismo mundial-financeiro e o reflexo que isso tem depois na política europeia e regionais faz disto uma estrutura demasiado ampla para colocar bombas.

O Estado Social não paga a assustadiços

17 Setembro, 2013

Tema do meu artigo de hoje no DE: “Seguro deixou de ser percepcionado como primeiro-ministro em consequência de um fenómeno com que poucos contavam: o Estado Social não paga a assustadiços. Paga a traidores, mentirosos compulsivos, fantasistas, lida mal de início com quem pretende falar verdade…mas assustadiços é que não tolera. Muito menos em tempo de crise. E muito menos a quem pode vir a ser primeiro-ministro. (…) Incapaz de enfrentar os socráticos e de denunciar o jogo do “esperando sempre mas não me comprometendo nunca” de António Costa, Seguro foi-se deixando acantonar por eles e agora estes entregam-lhe uma lista de mercearia com o que tem de ganhar nas próximas autárquicas para que eles magnanimamente o deixem continuar à frente do partido. Enquanto lhes der jeito, claro. O pior é que um líder acossado pela sua própria gente não é o líder a quem o eleitorado dê uma vitória q.b. nas legislativas.“

Bom senso

16 Setembro, 2013

Cavaco Silva recomenda bom senso à Troika. O mesmo é dizer, não nos emprestem mais dinheiro porque nós não pretendemos pagar.

 

 

A austeridade só funciona na Suécia

16 Setembro, 2013

Em 1993, estava Eddie Vedder a ser preso em Nova Orleães enquanto milhões viam A Lista de Schindler e, os suecos fartavam-se de gastar 68% do PIB no “estado social”. Com um crescimento médio de 1.4% entre 1980 e 1997 e absolutamente nulo entre 1988 e 1993, conseguiram atingir o valor de dívida correspondente a 70% do PIB antes de mudarem de vida. Um défice a rondar os 11% (olá, Sócrates) gerou uma política de austeridade que, para os comentadores portugueses, é prejudicial ao brilhante crescimento nulo obtido na década perdida lusitana.

Em 1993, os suecos começaram a gastar menos. Não o Anton, o Filip ou a Agnes; o estado sueco. O resultado foi um crescimento anual de 2,8% e uma redução da dívida para 36% do PIB.

suecia-austeridade-1990s

Como? Redução das comparticipações na saúde, “medida Gaspar na TSU” (rejeitada pelo TC) e taxa plana para capital versus taxa progressiva (mais elevada) para imposto sobre rendimentos. Ou, de acordo com a opinião pública portuguesa: “a receita que falhou”.

Conclui-se, portanto, que a Suécia é inconstitucional. “Isto não se aguenta”.

(Fonte: FMI)

Brincando aos Houdinis

16 Setembro, 2013

Portas quer ver troika pelas costas

“Façam desaparecer Maduro e Rosalino que não se perde nada”, diz Marcelo

Notícias do peñon

16 Setembro, 2013

Estas almas que em pleno século XXI andam a discutir as suas fronteiras internas como se nunca tivessem saído da gruta de Covadonga resolvem exorcizar esses seus problemas com uma espécie de síndroma argentino (provavelmente a mais desvairadamente espanhola de todas as ex-colónias espanholas): criam incidentes com outros países a propósito do que designam como el peñon. El peñon tanto pode ser Gibraltar como as Selvagens.

À vez ora a Catalunha ora o País Basco dá-lhes a febre independentista geralmente curada com fortes doses de dinheiro e outras corporativas vantagens. Mas no entretanto e para entreter todos estão de acordo na questão do peñon e muito implicitamente em que não faz sentido que Portugal seja um Estado. Não deixa de ser espantoso que um país como a Espanha que não sabe que Estado é e em quantos estados se pode transformar  tenha tantas certezas sobre a razão de ser ou melhor de não ser de um país que como Portugal resolveu há muito a questão das suas fronteiras e da sua identidade.

chamem o tozé

16 Setembro, 2013
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Depois do Dr. Portas ter ido falar, ao que parece em vão, com os grandes deste mundo e com os verdadeiros mandantes da troika, só mesmo o Dr. Tozé conseguirá evitar mais políticas de austeridade, como tem feito o seu homólogo francês, o Sr. Hollande. Ou, não se aguentado o Tozé das pernas, o próprio Engenheiro. Ou, se este não passar no exigente crivo do Dr. Soares, o Alcaide de Lisboa. Ou o Conselheiro Joaquim. Ou, quem sabe, o Dr. Nóvoa, a nóvoa estrela da esquerda portuguesa. Com qualquer um deles teríamos o assunto resolvido numa penada. Com a esquerda portuguesa não se brinca.

Rindo perante a própria morte

16 Setembro, 2013
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Socialistas riem

Representantes da troika chegam hoje a Portugal para avaliarem o progresso do ajustamento e cumprimento do memorando de entendimento. Terão, decerto, várias reuniões com membros do executivo mas, infelizmente, não está agendado qualquer encontro com o primeiro-ministro em funções, Joaquim.

Com aproximadamente 25% para despesas com pessoal e sensivelmente 60% para prestações sociais, restam 15% em agrafos e flores para que seja obtida a equidade pública total de 100% que permitirá assegurar o pleno cumprimento da constituição.

A esperança dos portugueses está na concertação social. Com sorte, os representantes da troika terão a necessária reunião com Ana Avoila, o que lhes permitirá entender o quão fútil é traçar planos de ajustamento para países equitativamente irresponsáveis.

E os que abriram o matadouro e para este fazem fila, esses riem, riem muito.

A ler

16 Setembro, 2013

João César das Neves: «Grandes economistas, sobretudo americanos, têm vindo a criticar o que chamam a opção europeia pela austeridade. Surge a situação insólita de ver prémios Nobel concordar com extremistas políticos ou blogues inflamados. É curioso ter Joseph Stiglitz e Jerónimo de Sousa do mesmo lado. Como explicar o paradoxo? Existe um mal-entendido de palavras. Quando falam de austeridade, os opinadores populares referem os cortes que nos impedem de viver como vivíamos antes da crise. Ora isso é um irrealismo, pois a situação anterior à crise era insustentável, como podemos constatar… pela crise. O problema é endividamento. De 2001 a 2010, Portugal gastou mais 9% do que produzia (o défice externo), atingindo em 2013 uma dívida externa bruta de 236% do PIB, uma das maiores do mundo. Este é o núcleo da dificuldade, que as conversas de café, os blogues e os comícios normalmente omitem. Só para tapar a fuga e equilibrar as contas, o aperto é forte e, dado a ilusão ter sido longa, são velhos os hábitos a mudar. Como além de estancar a sangria é preciso pagar juros e ir amortizando a dívida, o sofrimento será grande e demorado. Como os analistas ocasionais atribuem o esbanjamento a corruptos, incompetentes e bandidos, consideram-se isentos da austeridade; ela devia existir, mas para outros. Isso é também irrealismo. Um buraco destes nunca podia ter apenas culpados individuais ou sequer sectoriais nem seria resolúvel sem sacrifício nacional. A origem da crise foi o longo clima de facilidade em que todos, mais ou menos, participámos voluntariamente. Procurar responsáveis é compreensível no meio da fúria, mas todos beneficiámos e todos temos de pagar»

 Luís Aguiar-Conraria: Fui ontem ver o Mordomo ao cinema. Fui pela música do Rodrigo Leão, mas também porque a luta pelos direitos civis dos negros me interessa (até pelo seu paralelo com as actuais lutas pelos direitos civis dos homossexuais). Talvez porque hoje em dia Hollywood seja Democrata, parece que simplesmente se recusam a aceitar a História. Sobre as lutas relativas aos direito civis, assisti a um tremendo branqueamento das culpas Democratas.

 

 

 

podia ser um pouco mais conciso?

16 Setembro, 2013
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António José Seguro: «Não foi este governo que criou esta crise»,

um verdadeiro enigma

16 Setembro, 2013
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Por que razão os alemães não ouvem o Dr. Mário Soares?

Via O Insurgente.

a força dos fracos

15 Setembro, 2013
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Um líder fraco, numa situação forte, pode ver-se impelido a tomar medidas fortes, para não se mostrar fraco.

Dito de outro modo: depois da humilhação de Putin da semana passada, dificilmente a Síria escapará à fúria de Obama.

O direito adquirido do cheque-bebé?

15 Setembro, 2013

Quando vai ao TC o direito inalienável dos bebés nascidos em 2010 à sua conta-poupança-futuro?

Lançar a bomba atómica no Terreiro do Paço

15 Setembro, 2013

João Ferreira do Amaral insiste na impossibilidade física de Portugal permanecer no euro. Na conferência “Portugal europeu, e agora?” organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o economista pergunta se “queremos um país falhado, à grega, permanentemente de mão estendida”.

A teoria de Ferreira do Amaral não é exclusiva, tem adeptos no espectro hiper-neo-keynesiano, os defensores da alavancagem ad infinitum que permite colmatar as perdas da alavancagem do dia anterior.

Ao rejeitarem o euro, os hiper-neo-keynesianos rejeitam a coisa mais parecida com padrão-ouro ao dispor da economia dos periféricos: uma moeda cujo valor é mais ou menos a capacidade produtiva dos membros mais fortes da zona euro. Estranhamente, não ocorre a estes hiper-neo-keynesianos que é Portugal (e Grécia) que não serve ao euro e não o seu inverso. Sair do euro é continuar de mão estendida, usando a imagem de Ferreira do Amaral. A diferença é que, sem euro, não há incentivo à esmola.

Tal como na incrivelmente louca década perdida, eles não estão a ver bem a coisa. Já começa a ser motivo de nomeação dos neo-keynesianos para os Darwin Awards.

Interrupção pela pessoa humana

14 Setembro, 2013
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Sindicalista que acumula a profissão com a de professora interrompe o ministro da educação.

Crianças, quando o vosso professor estiver a falar sobre coisas que não interessam nada, como Camões, interrompam-no para que fale da constituição. Mostrem que são pessoas humanas.

Custo de oportunidade do défice

14 Setembro, 2013

A intelligentsia portuguesa and a pedinchar um défice de 4,5% do PIB em vez de 4% do PIB. Estão em causa 800 milhões de euros de gastos a mais. Neste momentos os juros da dívida portuguesa estão a 7,3% no mercado secundário. Isto dá uma ideia do custo de oportunidade destes 800 milhões de euros. Investidos na compra de dívida pública rendem 7,3%. Alguém consegue imaginar uma aplicação melhor para este dinheiro?

À consideração da Ana Avoila

14 Setembro, 2013
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A imaginação dos nossos funcionários públicos, e dos seus sindicatos, é grande, mas ainda fica muito aquém da dos gregos. Cá, por exemplo, não se concedem aos funcionários públicos seis dias de férias remuneradas extra por trabalharem com computadores. Um lapso nos direitos a adquirir que por certo Ana Avoila não deixará passar. 

Será mesmo o PS?

13 Setembro, 2013

PS exige muito mais a Seguro

Ou uma parte do PS? para lá da pretérita superioridade moral da esquerda temos no caso português a superioridade mediática de uma parte da esquerda. E essa parte da esquerda detesta Seguro.

Decadência

13 Setembro, 2013

Escola em Gaia proíbe decotes «excessivos» e saias «demasiado curtas»

As regras apenas são aceites para o lúdico.  Ninguém discute o trabalho infantil no desporto. Muito menos o dress code das discotecas. Mas uma escola adoptar princípios de elementar bom senso – que já agora deviam ser extensíveis às havaianas calçado de risco em ambiente escolar – isso sim pode ser traumático. isso sim gera notícia. E o presidente do agrupamento para evitar polémicas diz logo que nada tem a ver com aquele regulamento. Enfim não faz mal. Aprenderão o que é o dress code à porta das discotecas ou quando quiserem ter guarda-roupa igual ao dos colegas.

o regresso do menino de ouro

13 Setembro, 2013
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Continua a ser pacientemente urdido e já não está longe. Quem julgava que o animal feroz se satisfazia com as sinecuras de Belém não percebe nada de zoologia.

Encruzilhada da economia portuguesa

13 Setembro, 2013

O gráfico abaixo é talvez o mais importante para perceber a encruzilhada em que Portugal se encontra. Os últimos 2 anos de ajustamento permitem que hoje o país seja capaz de se financiar a si próprio. Mas ainda persistem desequilibrios. O Estado continua a ser um grande consumidor de poupança. Não havendo grande interesse dos credores internacionais em financiar a economia portuguesa, isto implica que o Estado consome poupança prejudicando o resto da economia.

Neste momento existem diversas propostas em cima da mesa que visam aumentar o défice e o consumo interno, o que inevitavelmente levará a um maior consumo de poupança pelo Estado, ao desvio das exportações para o consumo interno e à redução da poupança das famílias. Ou seja, pretende-se estimular a economia do lado da procura interna, mas como não há crédito externo, esse estímulo é feito à custa da redução de crédito às empresas. Essa via, do crescimento via consumo interno, é um regresso ao passado que não é sustentável. As necessidades de financiamento do Estado são neste momento o principal obstáculo ao crescimento sustentável.

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horror ao vácuo

13 Setembro, 2013
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A não ser que acreditemos que a conversão da Rússia já começou e que Putin é o novo Constantino, convém procurarmos outras razões para explicar o que está subjacente à magistral intervenção do líder russo na crise Síria, que ontem teve um momento alto com a publicação de um artigo seu no NYT. E esses motivos são relativamente inteligíveis. No essencial, Putin aproveitou uma janela de oportunidade escancarada pelo desastrado presidente americano para voltar a colocar a Rússia como actor decisivo na geopolítica mundial, com foco especial no Médio Oriente e no Islão, donde estava afastada desde, pelo menos, a invasão soviética do Afeganistão. E a mensagem foi muito clara: a pax americana terminou, e o mundo conta novamente com a Rússia para equilibrar o xadrez mundial. A carta “escrita” por Putin é, de resto, uma peça admirável de mestria e de cinismo político, porque utiliza os valores que são caros aos EUA para os chamar à ordem e envergonhar o presidente americano. O flanco dado por Obama com a sua gestão errática do problema Sírio, na sequência dos transtornos que tem vindo a causar com a «primavera árabe» e das trapalhadas de espionagem em que anda metido, vulnerabilizou fortemente os EUA e criou um vácuo de autoridade a que a política internacional tem horror. Putin, ontem, preencheu-o. A administração Obama está de parabéns.

A festa mista para o país

12 Setembro, 2013

Sempre que começa um ano lectivo (ou quando a minoritária horda professoral que se sente representada por Mário Nogueira necessita de aparecer na televisão), aparece a preocupação por existirem turmas com “alunos de vários anos”. Estas turmas mistas, já bem contempladas em 2007 (5.2.2) e anos seguintes, incluindo os anos em que Carlos Zorrinho foi secretário de estado, nunca causaram indignação ao actual líder parlamentar do PS… Até hoje.

Temos salas de aula com um professor e alunos de quatro graus do Ensino Básico, exigindo-se ao docente o acompanhamento de quatro programas distintos. Como é possível haver qualidade de ensino nestas condições?

A indignação – usemos 2007, por exemplo – foi resolvida com uma “grande festa para o país”. É de festas que precisamos.

Pergunto: há quantos anos há turmas mistas?

uma lição

12 Setembro, 2013
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Uma impressionante lição de realismo e de bom senso político, impregnada de uma retórica democrática e humanista que, ao contrário da tradição do país do seu autor, deveria ser apanágio de quem a recebeu. Apenas algumas passagens absolutamente irresistíveis:

“Syria is not witnessing a battle for democracy, but an armed conflict between government and opposition in a multireligious country. There are few champions of democracy in Syria. But there are more than enough Qaeda fighters and extremists of all stripes battling the government.”

“It is alarming that military intervention in internal conflicts in foreign countries has become commonplace for the United States. Is it in America’s long-term interest? I doubt it.”

“And I would rather disagree with a case he made on American exceptionalism, stating that the United States’ policy is “what makes America different. It’s what makes us exceptional.” It is extremely dangerous to encourage people to see themselves as exceptional, whatever the motivation. There are big countries and small countries, rich and poor, those with long democratic traditions and those still finding their way to democracy. Their policies differ, too. We are all different, but when we ask for the Lord’s blessings, we must not forget that God created us equal.”

Via Samuel Paiva Pires, que tem absoluta razão quando escreve que esta carta “poderá tornar-se um dos textos mais estudados nos próximos anos em cursos de Relações Internacionais”. A carta, Putin e, já agora, a aselhice saloia de Obama.

egas moniz teria feito melhor

12 Setembro, 2013
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Este périplo do Dr. Portas e da Dra. Albuquerque pelos «patrões» da troika (Barroso e Lagarde) vai ter duas consequências: primeira, não resolver coisa nenhuma; segunda, irritar quem verdadeiramente manda na troika, os chefes da missão que nos visitam de três em três meses, e não os seus imaginários «patrões», que, depois deste tratamento de capachos, hão-de aí vir com particular boa vontade. Por esta e outras razões, algo me diz que a próxima visita dos representantes dos nossos credores não será fácil. Também para si, pelos seus inegáveis méritos, obrigado, Dr. Portas.

Início do ano lectivo: público versus privado

12 Setembro, 2013

Enquanto nas escolas privadas o início do ano lectivo decorre sem problemas, no ensino público reina a confusão e a guerra de palavras entre os diversos agentes educativos. Segundo os próprios defensores da escola pública, sindicatos e partidos de esquerda, o início do ano lectivo é sempre uma trapalhada. Já tinha acontecido o mesmo nos exames: ensino público em guerra, ensino privado sem problemas. Talvez seja melhor pedir aos defensores da escola pública para pararem de a defender. É que assim não vão lá.

Principal causa do abrandamento da recessão

11 Setembro, 2013

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Este é talvez o principal motivo pelo qual Portugal poderá já ter saído da recessão. No final de 2012 Portugal passou a ter capacidade financeira posítiva. Ou seja, em termos agregados a economia portuguesa atingiu as condições teóricas para deixar de se endividar, embora ainda sejam evidentes as colossais necessidades de financiamento do Estado. Isto implica que as necessidades de crédito deixaram de limitar a actividade de grande parte da economia, a qual consegue-se financiar a si própria. A capacidade de financiamento da economia atingiu os 2,5% do PIB no 2º trimestre de 2013.

Como é que isto se conseguiu? Através da redução do consumo interno, que fez aumentar a poupança das famílias, e do aumento das exportações e das receitas do turismo, que permitiram a um conjunto específico de empresas de financiar a actividade com receitas mais elevadas.

Os cainesianos não vão perceber isto nunca. Para um cainesiano existe financiamento infinito para qualquer estímulo que se possa conceber e a falta de crédito não é nunca um problema.

The death of the spiral III

11 Setembro, 2013

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Como já era previsível no 1º trimestre, a espiral recessiva morreu. Ou antes, verificou-se que uma recessão é uma recessão. Há um dia em que inverte. A tese da “espiral recessiva”, que nunca ninguém percebeu ao certo o que era, não passou de uma mistura de propaganda com ignorância. Os órfãos da espiral agora andam entusiasmados com novas e brilhantes teorias.

Em defesa do salário público

11 Setembro, 2013

Ouvi, há minutos, na TSF, Mário Nogueira explicar de forma peremptória o motivo pelo qual devemos estar gratos por dirigentes sindicais não exerecerem actividades lectivas.

Segundo Nogueira, um universo de 70 alunos está a ser distribuído por duas turmas de 35 em vez de duas turmas com 30 e uma turma com 10. Porque não duas turmas com 23 e uma com 24? Porque desta forma, qualquer pessoa compreende a escolha milimétrica de Nogueira de um número conveniente: turmas de 23 e 24 alunos estariam bem dentro da média da OCDE para o ensino secundário.

Por outro lado, há números interessantes a discutir. Por exemplo, o facto dos professores portugueses receberem salário mais elevado que os professores suecos, ingleses, italianos, franceses, islandeses, gregos, checos… Em topo de carreira, recebem até mais que se os seus congéneres japoneses, belgas, espanhóis, e, pasme-se, noruegueses, suecos, finlandeses e dinamarqueses.

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Pela “defesa da escola pública”, porque não assegurar turmas com menos alunos? Tal pode ser facilmente conseguido através da redução do salário dos docentes. É uma questão de decidirmos o que é mais importante.

Adenda: parece que muitas pessoas (espero que não sejam professores) têm dificuldade em entender gráficos e legendas em inglês. São valores em bruto, em dólares, ajustados ao poder de compra.

volta jorge, que estás perdoado

10 Setembro, 2013
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O amadorismo de Obama na questão síria teve um resultado verdadeiramente espantoso: o de voltar a dar à Rússia um protagonismo em política internacional e, sobretudo, como mediador de conflitos no Médio Oriente, que ela já há muito tempo não tinha. É evidente que Moscovo não está interessado no fortalecimento da Al-Qaeda e que tudo fará para impedir o aumento da sua influência em mais um país islâmico, ao contrário de Obama, cuja desastrada condução da “primavera árabe provocou os distúrbios que já se conhecem (e que não terminaram ainda), e que ele se preparava alegremente para replicar, agora, na Síria. À falta de melhor, valham-nos os russos. Mas é triste ver ao ponto a que chegamos.

o esbulho elétrico continua

10 Setembro, 2013

Nunca é suficiente o saque aos contribuintes: «Offshore wind farms need higher subsidies, says government adviser»

E repare-se na generosidade da nova proposta: «wind farms that start running between 2014-15 and 2015-16 would be offered £155 for every megawatt-hour (MWh) of electricity generated over a 15-year contract – about three times the market price of electricity. This would fall to £150/MWh for projects starting up in 2016-17 and then to £135/MWh by 2018-19».

Receberão 3 vezes o preço de venda e nem assim estão satisfeitos. Dizem que não chega….

Por cá, as forças deste enorme cambalacho conseguiram derrotar um Secretário de Estado que queria colocar um pouco de ordem neste esbulho organizado, Mas foi derrotado com a conivência e complacência do seu próprio ministro e restante governo. A sua saída foi celebrada com champanhe.

Um dos negocios que mais suga o contribuinte e dos mais estupidos dos últimos 100 anos mantêm-se activo. O Estado assim o aceita por conveniência política e os contribuintes são impotentes para o parar. Apesar da sangria de recursos e das somas absurdas envolvidas, ninguém parece interessado em parar tal hemorragia. Que a todos nos tem vindo a lixar.

the day after

9 Setembro, 2013
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Pelo PS a vida só começará a 30 de Setembro. Até lá, Passos e Portas podem dormir sossegados. Depois, logo se verá.

a ética da responsabilidade

9 Setembro, 2013
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Sobre Ayn Rand e o Objectivismo: no Portugal Contemporâneo.

Obrigado pela preferência, paguem sempre

9 Setembro, 2013

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Um flagelo dos nossos dias são as estradas que emitem euros. Podem ser identificadas com o sinal, umas ondas vindas do céu que irradiam sobre o veículo causando o aparecimento da vil moeda.

Não confundir com o sinal de portagem electrónica, muito mais correcto, identificável por um veículo a emitir euros para o céu, eventualmente capturados por uma estrutura arquitectónica muito bonita sobre as auto-estradas sem custos para o utilizador.

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Segundo o Faro de Vigo, o Easytoll é o método de pagamento preferido para carros de matricula estrangeira em Portugal. Considerando que “pagamento preferido” é uma brilhante forma de ironia e que não há forma alternativa de pagamento de portagens electrónicas para veículos de matrícula estrangeira, saúdo a Estradas de Portugal SA por, conseguindo obrigar estrangeiros a saírem da auto-estrada para comprarem o privilégio de a usar, evidenciarem a preferência dos utentes pela única forma de pagamento que lhes é oferecida.

mais uma virgem púdica

8 Setembro, 2013
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O Pedro Marques Lopes, que confunde Estado de Direito e Constituição com Estados com Direito e Constituições. Marques Lopes, que de há uns tempos para cá malha em Passos Coelho com o mesmo vigor com o que antes o incensava, ficou muito perturbado por o seu antigo ídolo político e recém ódio de estimação ter perguntado, num comício qualquer, de que tinha servido aos 900 mil desempregados a Constituição? É óbvio que Coelho se referia exclusivamente à soi-disant «Constituição Social», a tal que «garante» os direitos sociais e económicos, e não à Constituição propriamente dita, a que assegura a separação de poderes, os direitos fundamentais e o regime democrático. Todavia, Marques Lopes não entendeu assim e exigiu a imediata demissão do primeiro-ministro por tão graves e ofensivas palavras sobre um texto caduco, engessado por armadilhas do seu próprio conteúdo e feito num ambiente revolucionário, intimidatório e pouco propenso ao bom senso. Marques Lopes deveria saber que as constituições não são eternas, que há umas mais flexíveis do que outras quanto à adaptação do seu conteúdo ao futuro, o que não foi o caso da CRP de 76, que se armadilhou (que o Partido Comunista armadilhou) para impedir que as suas determinações socialistas fossem substituídas por outras menos programáticas e ideológicas. Ora, o perigo de uma Constituição destas está menos no que lhe possa suceder ao seu normativo ideológico, que seria desejável que desaparecesse rapidamente, mas mais no facto de que a sua intransigência poderá arrastar o mau e o bom. Dito de outro modo, se algum dia os 900 mil desempregados que ela causou ao impor-nos, ad eternum, um modelo económico e social ruinoso e legalmente imutável, se fartarem, seguramente que não cuidarão de lhe salvaguardar uma única linha.