O declínio europeu – parte 3
Como em outros posts (1, 2), não afirmo que existem profissionais a mais (aqui, médicos; noutros posts, professores). Afirmo sim a incompatibilidade entre novas vagas, menos vagas e falta de internatos. Sobretudo, há uma grande incompatibilidade do país com os seus retornados futuros.
O planeamento central tem sérios problemas com as realidades demográficas.

No país das indignações
Free at last
“Hoje liberto-me dos impostos”, disse o fulano depois de pagar os impostos com dinheiro emprestado.
Destacamentos vitalícios
O manifestante Manuel Leal “sindicalista da carris” que considera que não há reacções excessivas é o mesmo que já em 1999 fazia parte da Comissão de Trabalhadores da Carris?
Coma aqui uma perninha de frango
gaia, o norte, a política nacional e o caa
Uma sondagem sobre as próximas eleições autárquicas em Vila Nova de Gaia, ontem publicada no Jornal de Notícias, coloca o nosso colega de blog, candidato pela coligação PSD-CDS e putativo herdeiro de Luís Filipe Meneses, Carlos Abreu Amorim (CAA), num inusitado terceiro lugar, a uma distância considerável de quase dez pontos percentuais das duas candidaturas dianteiras, a do Partido Socialista e a do “independente” José Guilherme Aguiar.
Ao invés de algumas pessoas situadas no espaço político da direita, do PSD e do CDS, que vêem neste possível resultado uma justa penalização por um percurso político supostamente precipitado e cheio de contradições, que culminou na aceitação de uma missão para a qual não estará tecnicamente preparado, num local ao qual não pertence, rompendo o compromisso eleitoral assumido em Viana do Castelo há apenas dois anos, eu entendo que esta derrota – a acontecer – será, por vários motivos, lamentável e prejudicial para a política portuguesa e para o norte do país. Passo a explicar.
Amigos do alheio*
Césas das Neves: no DN: «Uma das características mais bizarras do nosso tempo é a quantidade de pessoas que vive e dispõe do dinheiro dos outros. Aliás a comunicação social quase só trata disso. Do défice orçamental aos fundos da troika, das exigências de apoios e cortes, despesas e subsídios, esta crise é, no essencial, uma luta pelo dinheiro alheio.
A principal causa do fenómeno está, sem dúvida, no aumento brutal da dimensão do Estado. No século XIX as despesas públicas eram em média apenas 5% do minúsculo PIB da época. No final da Primeira República esse peso já tinha duplicado. Duplicou outra vez até 1974, altura em que Estado gastava um quinto daquilo que o povo produzia. Em 2010 esse valor ultrapassou 50%, tendo a austeridade da troika reduzido já para 45%. Quando o Orçamento do Estado lida com cerca de metade do que o país tem, há mesmo muita gente a viver de dinheiro alheio.
Nas grandes empresas acontece algo semelhante, pois aí tudo pertence a uma multidão de accionistas, e as despesas de um departamento pouco têm a ver com o valor final do produto. Não admira que muitos gestores tomem atitudes semelhantes a serviços públicos, talvez menos descaradas. Também eles gastam dinheiro dos outros.
A União Europeia trouxe novos cambiantes ao processo, permitindo viver de dinheiro longínquo. É incrível que tantas pessoas se sintam com direito à riqueza de regiões que nunca viram nem conheceram. Se o capital nacional fosse para longe, ficariam horrorizadas, mas acham normal exigir uma parte da fartura alemã. Ler mais…
O declínio europeu – parte 2
Na sequência do post anterior, grafando os dois países com mais laureados Nobel – Reino Unido (119) e Estados Unidos da América (338) – com Portugal (2), eis a despesa em educação em relação ao Produto Nacional Bruto.

Contra a demagogia na escola
O declínio europeu – parte 1
Dados para uma análise do socialismo: laureados com Nobel da Física, por continente de origem.

Outros tempos
Esta capa de jornal é do tempo em que se conseguia vender calculadoras associando a imagem do produto à imagem de um líder socialista. (via Insurgente)
Um título que diz tudo
RTP: Manifestação silencia secretário de Estado dos Transportes em conferência
Ou seja o secretário de Estado não foi impedido de falar. A conferência não foi boicotada. Simplesmente uma manifestação impôs o silêncio.
JN: Manifestantes “expulsam” secretário de Estado dos Transportes de conferência
Recomenda-se vivamente ao autor do título que vá com meia dúzia de conhecidos insultar e impedir um dirigente sindical de falar e depois faça uma notícia a contar como correu a ‘expulsão’. A sua, claro porque jamais um dirigente sindical seria ‘expulso’ nestas circunstâncias.
Obs 1. Como é que se entra para esta corporação que leva os dias nesta santa vida a gritar e a rir?
Obs. 2 Vale a pena ver o video com a performance da milícia que acha que tem o direito de decidir quem fala e quem não fala
Também é assim que se aprende…
A forma mais eficaz de afastar definitivamente toda uma geração de tudo o que seja sindicatos e actividade sindicalista, é os jovens verem um bando de professores a pretender boicotar o trabalho de um ano dos seus colegas de profissão e a querer lixar a vida dos alunos e famílias.
um sinal
Soares, a raposa
O que quer Mário Soares? O que leva uma personalidade jurássica da história do século XX, pelo bem e pelo mal, a perigar todo o prestígio que lhe possa ainda pairar, quer pela crueldade subjacente a personagens históricas que ainda não gozam da complacência da morte, quer pelas consequências actuais de muitas decisões políticas que encaminharam a este quasi-desfecho? Não é um fim, mas é isso que transparece nos media: o objectivo parece ser retirar o governo e chegarmos ao fim da História, à solução definitiva de todos os problemas. E é exactamente com isto que Soares joga, e joga bem. Ler mais…
As Sondagens do JN
O JN publica, hoje, uma peça de divulgação das sondagens que encomendou, à Eurosondagens, para as Autárquicas. O lapso de tempo durante o qual foram realizadas as 6382 entrevistas foi 14 a 30 de Maio.
A peça do JN adverte para os riscos deste tipo de sondagens. Sobretudo, as da Eurosondagens, diria eu…. Jorge Fiel (que assina o texto de apresentação das sondagens publicadas) salienta o seguinte: “(…) Além de que as sondagens falham, como aconteceu no Reino Unido em 92, quando os conservadores ganharam, com uma margem de 7,2% de avanço sobre os trabalhistas, a quem todos os estudos de opinião” (nome pomposo para sondagens) “davam a vitória”. Jorge Fiel tem toda a razão. E, de facto, as sondagens não só falham como são muito “evolutivas” – o que levanta outras questões: a influência das sondagens no comportamento eleitoral dos cidadãos.
A lembrança ilustrativa dos erros das sondagens, de Jorge Fiel, é certeira e impressiva. No entanto, voltando às sondagens de hoje, do JN e elaboradas pela Eurosondagens, há outros exemplos que nos são mais próximos – muito próximos mesmo da própria Eurosondagens – e muito mais recentes: lembram-se dos resultados antecipados pela mesma Eurosondagens relativamente às últimas Europeias vencidas por Paulo Rangel, apesar das sondagens da mesma fonte terem atribuído, claramente, a vitória ao PS? E, novamente, pela Eurosondagens, a posição atribuída, nas Presidenciais, a Mário Soares, sobretudo, em comparação com Manuel Alegre?
Inveja
Ferreira Fernandes num texto de fazer inveja sobre o casal suspeito de ter subornado um coveiro e trocado a urna da avó para pedir à Junta de Freguesia de Alverca uma indemnização de 20 mil euros, operação que os obrigou a guardar a urna na despensa durante quatro meses: Há meia dúzia de anos, da Venezuela, escrevi sobre os cangalheiros que recusavam velórios noturnos quando o morto era jovem e bandido. Tornara-se hábito nos gangues juvenis levar o falecido para uma última ramboia pela noite de Caracas. E o que incomodava os cangalheiros nem era tanto o desrespeito pelo corpo mas as carrinhas funerárias serem também levadas na procissão festiva… Afinal, corpos a passear como última homenagem até pode ser aceitável: um dos maiores sucessos de Jorge Amado é A Morte de Quincas Berro d”Água, a história baiana de um copofónico militante que morre. Velado por amigos também da confraria da cachaça, foi aparecendo um sorriso no morto, noite adentro. Daí a ser arrastado para comemorar a ressurreição foi um passo que levou ao belo romance. A amizade redimiu a violação do tabu que é não respeitar os mortos. Essa atenuante parece não ter o casal que vai agora a julgamento por guardar na despensa o cadáver da avó durante quatro meses. Não, não os moveu a dor da separação. Foi mesmo só vigarice, uma complicada troca de ossos para processar a junta de freguesia… O advogado de defesa só tem uma escapatória: convencer o tribunal de que não foi despensa. Com as ossadas levadas para a salinha de estar, para a velha senhora continuar a ver a telenovela preferida, esta história sórdida ganharia a generosidade dos bandidos caraquenhos e bêbados baianos. Na despensa, é só uma história de netos rascas.
À atenção das redacções
As próximas manifestações dos movimentos e partidos contra a austeridade dispensam cobertura. Assim evita-se o constrangimento do frio e da praia roubarem os manifestantes. Antes de acabarmos na explicação de que os manifestantes não se manifestam porque estão cheios de fome o melhor será as manifestações tornarem-se virtuais: convocam-se, divulgam-se os seus magnos objectivos, os jornalistas entrevistam pessoas que concordem com esses objectivos e depois em estúdio comenta-se o sucesso da iniciativa. Fica tudo feliz!!
A direita keynesianinha
Segundo Henrique Raposo “A SRU é um tipo de sociedade que articula um pequeno investimento público com um camião de investimento privado” e o “investimento na reconstrução da cidade é fundamental” para “o futuro da construção civil passa pela reconstrução e não pela construção”, para “o combate ao desemprego” e para a “disponibilização de casas para arrendamento”.
Este texto de Henrique Raposo consegue reunir quase todos os equívocos das teses socialistas sobre investimento público. O investimento não se faz para atrair investimento, faz-se para ganhar dinheiro. A tese de que 5 milhões de investimento público geraram 90 milhões de investimento privado é irrelevante. A SRU dá prejuízo, isto é, o investidor perde dinheiro. Não é investimento, é despesa. O investimento também não se faz para combater o desemprego. Investimento é mesmo para ganhar dinheiro. O desemprego nem sequer é um problema de falta de investimento. É um sintoma de que o mercado de trabalho não ajusta, provavelmente porque se investiu muito dinheiro em apostas com efeito multiplicador. Também não se investe para disponibilizar casas para arrendamento. Investe-se, volto a repetir, para ganhar dinheiro. Se não dá dinheiro, não é investimento.
Até parece que é complicado…
O João Miranda colocou de forma clara as instruções para o discurso coerente das alternativas em forma de lista; evidentemente eficaz, é o verdadeiro guião que leva inequivocamente ao fim da crise. Para facilitar ainda mais, numa espécie de versão de bolso, deixo-vos um diagrama de incompatibilidade discursiva para facilitar a elaboração das bases programáticas. É só assegurar que não é percorrido nenhum caminho a vermelho.

Soluções para a crise
1. Cortar nas PPP (ver 3, 10)
2. Não pagar a dívida. (ver 3, 10)
3. Apostar no investimento. (ver 1, 2)
4. Descer os impostos. (ver 8 e 9)
5. Fazer chegar o financiamento às empresas. (ver 13)
6. Sair do Euro. (ver 6, 8 e 10)
7. Apostar no sector exportador. (ver 8)
8. Acabar com a austeridade e manter o rendimento das pessoas. (ver 4, 9 e 15)
9. Pagar menos juros. (ver 8)
10. Atrair investimento externo. (ver 6 e 12)
11. Apostar no investimento público. (ver 4)
12. Obrigar os grandes grupos económicos a pagar a crise. (ver 5, 10)
13. Deixar falir os bancos. (ver 5)
14. Eurobonds (ver 6)
15. Cortar na despesa. (ver 8)
16. Baixar o IVA da restauração. (ver 7)
Rui com ípsilon desiludido
Cada tiro, cada melro. Ruy de Carvalho acha que a austeridade é uma maldade que se faz a pessoas com o único propósito de causar sofrimento a potes. A cultura nacional é assim: não envolve aritmética. Pelos vistos, “pedirem aos que recebem milhares para receberem poucochinho para distribuir pelos outros“, só se aplica a pessoas cujo nome não inclui ípsilon, letra também conhecida por “i grego“, grego de Zorba, Zorba de santuri, instrumento que só se toca quando a vida nos corre de feição. Taxem os outros, pá! Deixem os Ruy, com ípsilon, em paz. E distribuam pá, distribuam pelos outros.
CONFUSÃO!*
É aquilo que existe no panorama político nacional. Não é só no domínio governamental que a confusão política – ou, por vezes, a ausência de política, geradora, inevitavelmente, de confusões – se faz notar. A oposição tem sido, ela própria, uma grande confusão. Veja-se, por exemplo, o pormenor da conferência promovida por Mário Soares, ontem (anteontem), em Lisboa e subordinada ao tema “anti austeridade”. A iniciativa pretendeu mesmo voluntaristicamente celebrar o nascimento de uma frente de esquerda. Já agora, acrescente-se, com aquele tom grandiloquente que sempre marca este tipo de iniciativas com aspirações “históricas”. Com efeito, não foi uma iniciativa qualquer: tratou-se de um “apelo patriótico”, nas palavras dos seus organizadores. Pretendeu juntar toda a esquerda, ou seja, PCP, BE e PS, para “Libertar Portugal da Austeridade”.
Mark Thornton para o Blasfémias
Mark Thornton é um economista americano, Senior Fellow do Instituto Ludwig von Mises e autor de várias obras incluindo “The Economics of Prohibition”. Actualmente é o editor da secção de crítica literária do Quarterly Journal of Austrian Economics.
Amavelmente, respondeu a algumas questões sobre dívida e despesa para o Blasfémias1. Ler mais…
SuRurU suave (e tardio)
É bastante estranho este choradinho de 100 «personalidades» portuenses em favor de uma reinvidicação camarária face ao governo central.
Veja-se que o que está em causa é um «dívida» de 2,4 milhões do governo a uma empresa pública detida a 60% por este. Evidentemente, no manifesto hoje publicado em alguns jornais, não se refere que andou o governo a gozar com a cãmara e com os administradores daquela sociedade desde que tomou posse há 2 anos, sem que os agora subscritores e principalmente a CMP tenham alguma vez tomado posição firme sobre a maneira como eram tratados.
Mas a questão de fundo até é mais séria. Este tipo de empresas públicas, as SRU’s é algo que nunca devia ter sido sequer criado e cuja existência é bem o espelho do socialismo e intervencionismo reinante. São entidades de «capitais públicos», isto é constituidas com o dinheiro dos contribuintes, dotadas de poderes especiais e pelas quais se pretendem alcançar objectivos políticos. A dotação de poderes especiais e de excepção contitui um pequeno estado dentro do estado. Daí haver tanta disputa sobre as mesmas. Por seu intermédio passam a existir, de um lado, as leis gerais e respectiva burocracia que qualquer cidadão tem de amargar para atingir os seus objectivos gerais e do outro, as leis da SRU em benefício de quem conseguir as suas boas graças.
Que tanta gente, com valor, tenha assinado petição mais mixuruca é verdadeiramente de espantar. Se a CMP não está satisfeita com o desempenho do seu sócio (governo central) na sociedade tem 3 formas simples de o resolver: vai para tribunal, adquire a quota do seu parceiro, dissolve ou invoca a falência da sru.
Que tais personalidades se tenham unido para motivo tão comezinho e menor é triste sinal dos tempos. Não lhes ocorreu defender os interesses da região exigindo a regionalização político/administrativa prevista na CRP. Nem que a estrutura-âncora da região como é o aeroporto fosse vendida autonomamente e não em pacote centralizado. E mantiveram-se estes anos todos inertes face ao facto de não existir ligação ferroviária decente entre Campanhã/Aeroporto/Vigo, unindo todo o eixo responsável pela maior parte das exportações nacionais. Alguns dos signatários ficaram muito contentes quando um ministro do governo central anunciou há dias que a viagem ferroviária de 150 km entre Porto/Vigo vai deixar de demorar 3h30 e passar para apenas duas. Uau! Tanta velocidade e rapidez é capaz de despentear quem for á janela….
É mesmo essa coisa sinistra e lamentável da SRU que une tanta gente? Não faz sentido nenhum. Acham mesmo que sem ela não haveria empresários e investidores a recuperar edificios no centro histórico? Depois do silêncio e conivência face a tanto centralismo por parte da esmagadora maioria dos signatários, mexerem-se por causa disto…Devem estar a brincar.
E para a Islândia, não vai nada, nada, nada?

“Pobreza não paga dívida” é mais uma petição apoiada por Daniel Oliveira. Começa com uma bela frase: “a austeridade não resolve, antes agrava o problema do endividamento”. É bonita mas desprovida de sentido: para os proponentes e signatários, quanto menos se gasta, mais dinheiro é necessário (para não o gastar).
Continuemos a analisar, frase a frase, o documento que acredita na iliteracia dos portugueses:
“Depois de sucessivos cortes e confiscos, de retrocessos sociais, de alienação de recursos, o que temos é uma dívida em permanente crescimento com juros sempre a somar”.
Dívida em permanente crescimento chama-se défice. Este só acontece havendo quem o financie. Como se pode verificar, os proponentes são contra a existência de défices, ansiando superavites, como aliás este blog advoga há já muito tempo. Da mesma forma, considerar aumentos de impostos como “confisco”, também é algo que merece o aplauso dos liberais. Quanto a “retrocessos sociais”, presumo estarmos a falar da tal iliteracia da primeira frase, algo que nos deve envergonhar, após o magnânimo investimento na “festa da Parque Escolar”. Ler mais…
O ódio pessoal é uma coisa muito triste
Defendi duas vezes, em sessões em que Manuela Ferreira Leite estava presente – uma no Hotel Tivoli, promovida pelo Instituto Sá Carneiro, outra num jantar do grupo parlamentar do PSD, onde fui orador convidado – que não me parecia que fosse possível resolver os problemas de excesso de despesa pública sem despedir funcionários públicos. Não notei que discordasse – ou que concordasse abertamente, pois o tema era politicamente explosivo. Sobretudo não deu nenhum sinal de achar que só a garantia de não-despedimento garante a independência da administração pública, uma concepção bizarra pois dela se infere que as administrações públicas das velhas democracias não são independentes mas a administração pública salazarista era um modelo de independência face ao poder político. O ódio pessoal explica muita coisa, mas em política cega. E isto já é muito pior do que cegueira.
‘Prontos!’
Nós não gostamos do governo portanto o governo é ilegítimo. Se nós gostássemos do governo o governo era bonito e bom. Assim como nós não gostamos do governo no governo só estão pessoas muito más e muito feias. Algumas dessas pessoas podiam passar para o lado das pessoas boazinhas se fossem nossas amigas mas enquanto não passarem continuam feias. O governo mau só faz coisas más porque gosta de fazer coisas más. Os governos são bons quando fazem coisas boazinhas que deixam as pessoas felizes. Coisas feias como pagar o que se deve só podem nascer na cabeça das pessoas más. Nós não gostamos de pessoas más. Antigamente havia uma pessoa muito má mas agora essa pessoa muito má foi substituída por outras ainda piores. Nós fomos sempre pessoas boazinhas. E portanto as pessoas más devem ir-se embora para nós irmos para o lugar delas fazer coisas boazinhas. Nós somos todos amigos e vamos ser todos felizes para sempre
O maná pré-autárquicas
Com as autárquicas à porta as revistas municipais reproduzem-se que nem cogumelos. Hoje o destaque vai para Amadora Sempre Em Movimento uma publicação cujos custos vamos encontrando aqui e aqui e ainda aqui
Obs. Para quem quiser conhecer o conteúdo desta publicação temos tb as versões on line
Liberta-te: é na estação Cidade Universitária
Este cartaz tem muita piada para lisboetas que acordaram para mais uma greve do Metro.

(Via Arrastão)
Tout Va Tres Bien Madame La Marquise
Gente de quem ninguém ri
Ser progressista ou dizer coisas que agradam a esse sector sobretudo nas chamadas causas fracturantes é actualmente em Portugal sinónimo de ter muito boa imprensa e ficar a salvo do ridículo. Quem por falta de previdência está ou parece estar em desacordo com o pensamento correcto arrisca ser passado a cromo – ouçam-se por exemplo Ricardo Araújo Pereira sobre Martim ou Bruno Nogueira sobre tudo e todos de que discorda –
O problema não está no que dizem mas sim no que não dizem, nas pessoas e assuntos que piedosamente deixam de fora dos seus textos ou que versam de forma reverencial. O resultado não é humor pior ou melhor – a parcialidade não afecta a qualidade – mas sim reforçada a intocabilidade de um grupinho sempre convencido da superioridade das suas razões e que não consegue rir nem do mundo nem de si mesmo.
Ó senhor governo, desapareça!
Duas coisas interessantes na entrevista a Mário Soares por Ana Lourenço na SIC Notícias:
- Mário Soares diz que Pacheco Pereira representa 2/3 do PSD;
- Mário Soares diz que perder as eleições presidenciais foi bom para ele mas mau para o país.
Frases soltas:
- “Não tenho a certeza se [a chantagem que diz existir a Paulo Portas] é sobre os submarinos”;
- “É preciso que o governo desapareça“;
- “Se ele [Presidente da República] insistir que o governo é legítimo fica muito mal colocado“;
- “O Ministro das Finanças é absolutamente fanático“;
- “Eles têm que se demitir“.
Também disse que é muito mau membros do governo serem apupados na rua mas pode estar a recordar-se da Marinha Grande.
Europa atravessa o Rubicão
A minha proposta de discussão para o Congresso Democrático das Alternativas em homenagem ao inspirador do evento: a Resolução do Conselho de Ministros n.º 49/83
Vêm sendo frequentes os comportamentos assumidos por grupos de pessoas, mais ou menos numerosos, que ofendem ou põem em perigo interesses juridicamente protegidos, públicos ou privados, perturbando ou impedindo o funcionamento de serviços públicos essenciais, tais como os de transportes, sequestrando pessoal e exercendo coacção sobre funcionários ou agentes da Administração Pública, desobedecendo a mandados legítimos da autoridade e afectando o livre desenvolvimento de actividades económicas.
Tais comportamentos, de todos conhecidos, pela sua frequência e pela divulgação que lhes é dada pelos órgãos de comunicação social, geram na opinião pública um sentimento de insegurança e a falsa ideia de que a ordem e a tranquilidade públicas podem ser impune e publicamente violadas pela lei do mais forte ou do mais ousado, com total descrédito das instituições e do prestígio da autoridade democraticamente legitimada, o que é inadmissível num Estado de direito.
Ler mais…
O que é a Frente Comum?
Sobre a complicada tarefa que é tentar perceber o currículo de Ana Avoila, podemos começar pelo básico: tentar perceber o que é a Frente Comum. Eis a sua composição (clique para ampliar, não é fácil):
Ler
Quem é Ana Avoila? – Por Henrique Monteiro.
Obs. Não é apenas o curriculum de Ana Avoila que se caracteriza por algum hermetismo. Boa parte dos dirigentes sindicais chega a tais funções após um muito breve período laboral. A sua verdadeira e única profissão é ser dirigente sindical. Veja-se o caso de Anabela Pereira dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) cujo curriculum em 2008 era este. Em 2010 continuava no mesmo e a fazer fé no site do SNTCT ainda é dirigente nacional daquele sindicato.
laffer ressuscita
Por concurso público …
Há pouco, num dos telejornais, António Costa (presidente da maior cidade do país, ex-futuro Primeiro-Ministro) explicava como é que pretende integrar na Câmara de Lisboa os trabalhadores da agora extinta EPUL. Por concurso público (a integração directa não é permitida por lei). E acrescentou que serão feitos tantos concursos quantos os necessários para integrar toda a gente.
Uma afirmação que deve ser tomada a sério
Mário Soares fez hoje a seguinte denúncia:« Paulo Portas tem sido chantageado pelo governo por causa do processo dos submarinos e dos carros de combate Pandur. Quando, pela primeira vez, Portas admitiu que estava a ponderar se ficava ou não, o caso dos submarinos voltou à primeira linha. E isso obriga-o a continuar no governo. O medo é que manda na vinha...»
Esta afirmação foi reproduzida no DE ; EXPRESSO; RTP; PÚBLICO; CM … ou seja esta afirmação propagou-se rapidamente. O mínimo que se espera é que a PGR abra um inquérito que permita esclarecer este assunto.

