Isto é uma ameaça, doutor?
Como deixar de ser presidenciável?
Exemplos de coisas que Marinho Pinto pode dizer e ainda ser presidenciável.
- “Uma das coisas que o Brasil mais tem exportado para Portugal são prostitutas, entre outras coisas”;
- “Estamos a criar uma sociedade de bufos em Portugal”;
- “A ministra [da justiça] é uma barata tonta”;
- “A justiça está feita para apanhar os fracos e os pobres”;
- “Não sei se o povo Português não faria melhor em fazer greve à democracia por um dia, precisamente no dia das eleições…”;
- “Isto é terrorismo de Estado”;
- “A senhora ministra [da justiça] foi lá fazer uma peixeirada, portou-se como uma peixeira”.
Coisas que Marinho Pinto disse que o tornam não-presidenciável
Toma lá, dá cá
Rui de Carvalho denunciou o contrato tácito que existiu durante anos entre políticos e artistas: políticos subsidiam os artistas e os artistas fazem campanha eleitoral pelos políticos. Cada partido tinha os seus artistas e tudo corria bem.
Pior do que alguém que dá apoios em troca de favores é alguém que tem a lata de vir a público dizer que os favores eram devidos por causa dos apoios e que os políticos desonestos são os que não entram neste jogo como estava combinado.
Portugal
A enésima entrevista do I a Mário Soares é uma espécie de ilustração daquilo que hoje escrevo no DE «Do predomínio da esquerda em Portugal resulta que as instituições só se respeitam quando a esquerda está no poder. (…) Ora, actualmente, temos um problema: o PS única força capaz de conter a esquerda radical não está no Governo, coisa que até agradece, mas também não está na Presidência da República, coisa que não perdoa pois a PR, sobretudo após a transferência de Macau para a administração chinesa, passou a ser entendida como um reduto intocável do jacobinismo socialista. E assim,enquanto a esquerda jacobina não se sentar na cadeira que acha sua por direito natural e histórico, vamos assistir ao aumento da agressividade da esquerda radical contra as instituições e aqueles que as representam. No bendito dia em que os votos voltarem a confirmar os vencedores naturais, os narizes de palhaço ficam no fundo das gavetas, os jornalistas que agora estão muito indignados voltarão, à semelhança do que fizeram em 1996 com Rui Mateus, a tratar como traidores aqueles que então questionarem o PR e a direita viverá feliz porque finalmente há respeito.»
Verdades incómodas
Livros há muitos
Franklin Lobo foi condenado por tráfico de droga. Agora na cadeia Franklin ganha prémios literários e tornou-se no «narcotraficante que cita Pessoa para defender liberalização da droga » e explica a diferença entre pensar e reflectir.
Só há uma coisa que não percebo: Franklin afirma que se não tiver dinheiro para dar de comer ao filho volta ao tráfico. Ora a fazer fé no CM o filho de Franklin é homem para mais de 30 anos e não propriamente inactivo. Assim em vez de Pessoa talvez esteja na hora de Franklin Lobo se dedicar à leitura do Meu Filho Meu Tesouro opúsculo que deve existir em sobra no Ministério Público pois entre as despesas inexplicáveis da administração da Gebalis agora a ser julgada por peculato conta-se este livro. Em conclusão ficamos todos a ganhar.
Se fosse bispo também era polémico ou seria pedófilo?
Otto Mühl, polémico pintor austríaco, morreu em Portugal
Morreu Otto Mühl, polémico pintor austríaco
A polémica só existe na cabeça de quem escreveu estes textos. A pintura do senhor Mühl nada tem de polémica a não ser que se use o termo ‘polémica’ para tudo oque não se sabe classificar mas que se vai dizendo que é arte para não se ser adjectivado como ignorante. Ou então o polémico está aqui porque o senhor Mühl cometeu vários crimes. E quando os artistas sobretudo se se apresentarem como anti-sistema cometem crimes então passam a polémicos.
Obs. A hipocrisia reinante neste domínio é tal que este ano em Cannes o mundinho do cinema mais as redes sociais ficaram chocadíssimos porque Polanki declarou: « l’égalité des sexes est idiote » O mesmo mundinho que se mobilizava em 2009 indignado com a determinação dos EUA em julgar Polanki por abuso sexual contra menores.
Ana Avoila em luta pela sua PPP
A Frente Comum de Sindicatos da Função Pública a que dá voz Ana Avoila, anunciou uma greve, actividade profissional a que Ana Avoila dedica por inteiro há largos e largos anos. A Frente Comum de Sindicatos da Função Pública fez este anúncio sem informar os restantes sindicatos presumo que afectos à UGT. Interrogada sobre se uma greve conjunta seria mais eficaz Ana Avoila respondeu prontamente “Não acho nenhuma greve conjunta melhor”. E lá foi prosseguindo “Nós decidimos a nossa greve”. E ainda esclareceu que não tem nada que informar os outros sindicatos: “Eu não tenho de dizer, digo se quiser”. Sectores algures entre o BE e o PS mostraram-se muito indignados com esta atitude de Ana Avoila pois na sua imensa ingenuidade apostam numa frente de esquerda de que claramente o PCP desconfia. Enfim cada um acredita no que quer mas o que há a destacar é esta luta de Ana Avoila pela sua PPP. A PPP do sindicalismo é das mais consolidadas em Portugal, emprega alguma mão-de-obra que se caracteriza por uma vez integrada na PPP sindical ter trabalho assegurado para toda a vida, goza de protecção constitucional que lhe confere o privilégio da representatividade e explora um apreciável nicho de mercado. Ana Avoila e a sua Frente Comum de Sindicatos da Função Pública lutam pelo seu quinhão na PPP sindical e não luta com meno tenacidade que os outros portugueses a quem foi conferida tal distinção.
Carta de Rui de Carvalho ao contribuinte [anotada]
Tenho 86 anos [acho a minha idade relevante no que toca a pagar impostos], e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros [fiz o que se espera de um bom profissional], sem pedir nada em troca [todos me devem, mas eu não cobro] senão respeito, consideração, abertura– sobretudo aos novos talentos -, e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista [ask not what you can do for your country …].
Vivi a guerra de 36/40 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas [por algum motivo acho que devo ter privilégios por ter vivido o período da guerra civil espanhola]. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu [sou uma vítima do fássismo, mandem dinheiro] tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar [isto também é relevante para pagar menos impostos que vocês]. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização [isto também dá pontos?]. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador [sou um democrata, paguem vocês os impostos].
Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei [as outras pessoas que pagam impostos não trabalham].
Continuei a votar [sou tão magnânimo], a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional [um lugar meu por direito]. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece [ai, sou mesmo tão magnânimo] , muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais [paguem impostos, a cultura não pode morrer] de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português [já disse que a cultura precisa de pagadores de impostos?].
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor…[obrigam-me a pagar os impostos que as outras pessoas pagam] e comigo, todos os meus colegas Actores [com letra maiúscula] e restantes Artistas [idem] destes país – colegas que muito prezo e gostava de poder defender.
Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante. [eu,eu, eu, eu….]
Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito? [mandem menos caricas e mais dinheiro]
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças [o mundo gira à minha volta, mais ninguém está a ser afectado pela austeridade], que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República [mal agradecido, depois da campanha que fiz por ele], de que eu não sou actor [querem que pague impostos como os não actores], que não tenho direito aos benefícios fiscais [tentei que não percebessem até este ponto no texto que o problema é que me querem obrigar a pagar os mesmos impostos que aos restantes cidadãos] , que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual [é realmente estranho].
Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa [ou seja, eu]. Estamos a reduzir tudo a zero… a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais [eu sou dos que nada têm].
É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente [não me apanham em mais nenhuma campanha eleitoral] para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos! [Portugal é de todos, logo devo pagar menos impostos e vocês mais impostos para subsidiar a cultura]
[…]
Origianl aqui.
Um novo record: tri-campeão dos últimos!
Ressalta o honroso tri do Benfica, que constitui mais um marco a juntar a tantos outros: as 9 finais europeias, os 21 golos do Cárdoso em 2 épocas da Liga Europa, o melhor ataque da última época, o treinador com dicção mais castiça, a equipa que mais contribui para o PIB e mais uma infinidade de records que o rigor jornalístico está sempre a evocar.
Verdadeiramente imbatível, reconheça-se.
Relembrando a História: D. Afonso Henriques …..
e a conquista de Lisboa .
(Passe a publicidade/divulgação de, por exemplo, um trabalho de Carlos Leite Ribeiro, com uma bonita fotografia e publicado na web)
Claro está que foi com o auxílio dos Cruzados. De resto, a conquista de Lisboa, na sequência do cerco à cidade, acabou por ser, mesmo, o feito mais relevante da denominada 2ª Cruzada….. etc., etc., etc.
Duas causas fracturantes
Sai mais um espectáculo gratuito cheio de reflexão
Esquece o senhor Bassi e quem o contratou para reflectir com «humor sobre a circunstância que se vivem e um momento de solidariedade com outros povos que também estão a viver experiências parecidas» que a reflexão nos vai custar 115.000 euros. O senhor Bassi ironiza com «um banqueiro nomeado pela troika para ver se o dinheiro está a ser bem gasto nas festas.» Não é preciso mandar um banqueiro. Basta colocar um cartaz ao lado dizendo “senhor contribuinte este espectáculo custou-lhe 115.000 euros” e o senhor Bassi veria nascer um banqueiro dentro de cada transeunte. Ou então para o espectáculo ser ser gratuito como diz o jornal, o senhor Bassi e a respectiva Associação Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua que tão diversos contratos celebra pelo país fora punham os 115 mil euros do seu bolsinho e cobravam bilhetes. Para nossa desgraça tivemos de pedir dinheiro para sobreviver e para pagar tanto cravanço!
Obs. E quanto ao facto de a CML conseguir patrocínios para este tipo de espectáculos cabe perguntar pq terão de ser afectados os patrocínios a estes ditos espectáculos e não a outras actividades como a recuperação do património
Austeridade sim, ora pois!
Milhares de portugueses foram às ruas neste sábado, pedindo a renúncia do governo cujas políticas de austeridade na opinião deles exacerbam a recessão no país. “Fora governo” e “Contra a exploração e o empobrecimento” eram algumas das frases dos manifestantes, no ato convocado pelo principal sindical nacional, a Central Geral dos Trabalhadores de Portugal (CGTP).
“Temos de fazer o que for possível para nos livrar desse governo”, disse o secretário-geral da entidade, Armênio Carlos.
“Viemos a Lisboa dizer ‘chega’. O governo está cortando tudo, até as pensões”, disse Antônio Amoreira, da cidade do Porto.
As medidas de austeridade anunciadas no início de maio geraram revolta no país, entre elas a aposentadoria só aos 66 anos, e não aos 65 como hoje, o corte de 30 mil empregos no funcionalismo e a redução da carga horária (e dos salários) de funcionários públicos de 40 horas semanais para 35 horas.
Entendo o sofrimento de nossos queridos patrícios, mas tomem muito cuidado com os sindicatos e com os funcionários públicos. Eles estão a manipular a opinião pública, revoltada com a situação ruim, mas sem a devida compreensão dos problemas. Não adianta culpar os ricos, tampouco é certo transformar o conceito de austeridade em palavrão.
O inchaço do governo é o grande responsável pelos problemas, e não é possível ignorar isso para sempre. A escolha dura que os portugueses têm a fazer é sofrer agora e garantir um futuro melhor para os filhos e netos, ou postergar os ajustes necessários e ampliar a dor futura. Fingir que não existe tal escolha é escolher a segunda opção.
Os sindicatos vão celebrar no primeiro momento, preservando suas regalias; os funcionários públicos vão continuar gozando de privilégios; o desemprego não vai aumentar no curto prazo. Mas tudo depois será muito pior, com mais desemprego ainda, mais recessão, mais sofrimento. Que os portugueses saibam tomar a decisão acertada e evitar o sensacionalismo dos políticos demagogos e dos sindicatos poderosos. É o que espero, cá do Brasil. Portugal não precisa seguir os passos da Grécia…
Deixa-te de desviacionismos
Vítor, a causa fracturante não são as pérolas mas sim as ostras e os bichos-de-seda. Estes animais foram alvo da mais abjecta exploração por parte da espécie dominante. O seu natural labor que executavam com a inocência de quem não conhece a pobreza nem a riqueza porque entre as ostras e os bichos-de-seda todos nascem e vivem iguais serviu apenas para adornar os corpos dos privilegiados. Os bichos-de-seda foram mesmo alvo de uma aliança entre a ICAR e o capital de modo a que sua exploração alastrasse das terras do celeste império até este ocidente corrupto e iníquo. Seja o colar de pérolas seja a echarpe o problema é só um: quem representa a ostra? Quem representa o bicho-de-seda? Onde estão as suas Avoilas e os seus Arménios Carlos?
E não me venham com a conversa que agora as pérolas e as sedas são sintécticas. E as ostras desempregadas? E a incerteza na vida dos bichos-de-seda? É mesmo característico do capital servir-se da mão de obra e depois deixá-la entregue ao seu destino. Por uma Frente Comum do(a)s ostr(o)as e do(a)s bicho(a)s-de-seda!
Narrativas há muitas
Português na origem dos tumultos na Suécia – A fazer fé na narrativa (bela palavra) que a comunicação social veicula habitualmente sobre este tipo de incidentes os portugueses residentes na Suécia devem andar a apedrejar a polícia e a queimar carros em Estocolmo para vingar a morte deste seu conterrâneo com nome de programa de governo, Lenine Relvas-Martins . Presumo que também devem estar à espera que os protestos alastrem a Portugal onde a rua portuguesa dará conta da sua indignação.
Ou será que assim a história não vale? Será afinal que esta narrativa sobre as pedras, os paus e os carros a arder só se aplica- quando os protagonistas têm nomes com origem noutros continentes?
Segundo a polícia sueca estaremos perante aquilo que no politicamente correcto se designa como violência de género: Lenine Relvas-Martins «estava a ameaçar com uma faca uma mulher dentro do seu apartamento. A vizinhança chamou as autoridades que, após um período de negociação por telefone, acabaram por arrombar a porta. Sentido-se ameaçados, foram obrigados a disparar.» Já a família dá uma explicação donde emerge um Lenine latino: »Já o cunhado da vítima, Risto Kajanto, disse ao Aftonbladet que Relvas-Martins estava nervoso porque tinha sido importunado por um grupo de marginais durante o regresso a casa após ter ido jantar fora com a mulher. E que, quando lhe bateram à porta, julgou tratar-se do mesmo grupo, tendo ido buscar uma faca para se proteger.» Esta última versão pode até levar ao paradoxo de o português que está na origem dos tumultos na Suécia ter afinal andado de faca em punho contra aqueles que agora os jornalistas dizem que se revoltaram por causa da sua morte.
Belém, Constantinopla e o “pós-troika”*
Em 1453, durante a tomada de Constantinopla (atual Istambul) pelos turcos otomanos, as autoridades religiosas cristãs estavam reunidas em concílio. Segundo os relatos, tratou-se de um conclave quase tão virulento e acalorado, em termos de discussões, como o cerco à cidade e a guerra que, fora de muros, se travaram. Com efeito, indiferentes à queda iminente do império bizantino, as referidas autoridades digladiavam-se entre si, discutindo questões teológicas supremas como, por exemplo, a de se saber se os anjos tinham, ou não, sexo. Ora, discutir, durante 7 horas, o futuro, ainda que previsivelmente próximo, quando temos dúvidas urgentes e existenciais sobre o presente, assemelha-se, à primeira vista, a uma espécie de exercício de retórica sobre, precisamente, o sexo dos anjos.
Laffer is dead
O ano de 2012 foi essencialmente um ano de corte de despesa. Nesse ano as receitas fiscais desceram. Desceram porquê? Porque as pessoas e as empresas ajustaram os padrões de consumo. A poupança e as exportações pagam menos impostos que o consumo.
Em 2013 um enoorme aumento de impostos acompanhado de um aumento da despesa fez subir a receita. Não há Laffer. Apesar de os dados não serem totalmente comparáveis, devido ao IRS sobre os duodécimos no sector privado, os impostos sobre o subsídio de férias no sector público lá para o fim do ano vão mais que compensar esse efeito.
Relação intemporal do socialismo com o papel higiénico
Pérolas – uma causa fracturante

Pérolas. Uma dádiva da natureza ou a exploração de mergulhadores? Mulheres e homens, sujeitos a condições sub-humanas (e marinas), mergulhando por 90 ou 120 segundos sob permanente risco de morte para mero deleite de ricos burgueses capitalistas do mundo ocidental… E destes, quem fala destes mártires do capitalismo?
O que torna uma sociedade vulnerável a este mercado neoliberal, a esta economia de casino e à exploração do homem pelo homem, vendendo a dignidade de uns pela vaidade de outros?
Toda a gente conhece os perigos da exploração do homem pelo homem, nas Chinas e Bangladesheses deste mundo. Pessoas exploradas por T-Shirts com o Che Guevara estampado, com as mãozinhas em risco de deformação irremediável, síndrome do túnel carpal ou pior, espondilose de arrozal; gente que recebe indignamente, oprimida por maleitas que empestam este universo em que a dignidade de uns é prostituída por uma míngua de pão ázimo ou 200 dólares por mês. Ou algo assim.
Dos mergulhadores das pérolas, sujeitos a terríveis condições de trabalho, talvez inconstitucionais, morrendo nos países capitalistas como a Austrália, sem sindicato, sem apoio jurídico-constitucional, disso ninguém fala. Este flagelo, que tanto assola mergulhadores hetero- com homossexuais, esta vergonha colonialista, imperialista, redutora aos padrões hegemónicos ocidentais, é um pacto de agressão imposto por este sistema capitalista com fim anunciado.
É preciso combater esta iniquidade. Revolta-te, camarada. Diz não às pérolas.
Português de Estocolmo
De acordo com o Expresso, o “homem da machete”, que serviu de catalizador aos motins em Estocolmo, era português, de seu nome Lenine Relvas-Martins.
Como português, lamento o terrível incidente; lamento também que a morte de um português seja usada como bode expiatório para os desejos de violência sem sentido de um grupo de delinquentes. Que sejam devidamente punidos.
Adenda: Como permitiram que um homem nascido em Portugal em 1945 pudesse ter o nome de Lenine?
Palhaçadas
palhaço
(italiano pagliaccio, palahaço, bufão, do italiano paglia, palha)s. m.1. Actor cómico ou profissional que tem intenção de divertir o público […]
Apesar deste primeiro significado da palavra palhaço nada ter de ofensivo, a verdade é que são relativamente frequentes os processos em que se discute se chamar palhaço a alguém é ou não crime. Como se afirma neste acórdão da Relação de Coimbra, “[o]s termos, palavras ou expressões tornam-se injuriosas, ou ofensivas do bom nome e consideração alheias, não pelo significado constante de qualquer dicionário, mas pela conotação que lhes é dada pelo povo“. Já a Relação do Porto considerou que “[…] a expressão “és um palhaço”, ainda que proferida para manifestar desconsideração, não é ofensiva da honra ou consideração do visado” e, por isso, não pode ser considerada crime.
A lei portuguesa é muito avançada em muitas matérias (alterações legislativas ocorridas nos últimos dias são prova disso), mas, sobretudo no âmbito penal, continua a ser muito pouco amiga da liberdade de expressão. No entanto, sendo Portugal parte da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, os nossos tribunais têm aprendido – à força de muitas condenações do Estado Português no TEDH, é certo -, a interpretar a lei de acordo com a CEDH. Como muito bem se explica neste acórdão do Supremo Tribunal de Justiça:
A liberdade de expressão constitui um dos pilares fundamentais do Estado democrático e uma das condições primordiais do seu progresso e, bem assim, do desenvolvimento de cada pessoa;
As excepções constantes deste n.º2 [do artigo 10.º da CEDH] devem ser interpretadas de modo restrito;
Tal liberdade abrange, com alguns limites, expressões ou outras manifestações que criticam, chocam, ofendem, exageram ou distorcem a realidade.
Os políticos e outras figuras públicas, quer pela sua exposição, quer pela discutibilidade das ideias que professam, quer ainda pelo controle a que devem ser sujeitos, seja pela comunicação social, seja pelo cidadão comum – quanto à comunicação social, o Tribunal vem reiterando mesmo a expressão “cão de guarda” – devem ser mais tolerantes a críticas do que os particulares, devendo ser, concomitantemente, admissível maior grau de intensidade destas.
Multiculturalismo + Welfare State = Desgraça
Stockholm Burning*

Pamela Geller escreve no seu blog: “a culpa é da exclusão social. A culpa é dos problemas de habitação. A culpa é da falta de respeito pela polícia (autoridade não-sharia). A culpa é de tudo excepto daquilo que realmente é. E a Suécia está a ser engolida”1. A agência RT é ainda mais assertiva quando escreve “Multiculturalismo a falhar: Primeiro-Ministro sueco apela à ordem enquanto os motins engolem os subúrbios de Estocolmo”2.
Um dos críticos do conceito moderno de multiculturalismo, Geoffrey Blainey, escreveu no seu livro de 1984 “All for Australia”, que este país se arriscava a criar “algomerados de tribos”. Em Outubro de 2010, Angela Merkel dizia que “imigrantes deviam aprender alemão” e “a abordagem para construir uma sociedade multicultural, vivendo lado a lado e gostando do outro… falhou, falhou redondamente”3. Entre 1984 e 2010 muita tinta foi gasta para ser prontamente despachada tacitamente como de desvarios de racistas e xenófobos. A necessidade do progresso, a régua e compasso, banalizou, sob forma do recentemente inaugurado Politicamente Correcto, o caminho único para a Grande Nova Ordem Mundial, a 3ª Via para a utopia socialista4.
Os progressistas da laicidade, verdadeiros kuffār, acreditam que a inclusão é feita através da exclusão dos nativos em excisão da sua matriz cultural, lutando contra crucifixos, como se a sua ausência pudesse apagar o ADN de um país fundado em paróquias. Da mesma forma, forçar o “progresso” através do casamento e adopção gay, o all-in, sem diferenças, de perfeita igualdade estatizante-burocrática, leva a frases como “os motins são muçulmanos, mas o desprezo islamico pela sociedade kuffar e jahiliyya5, nunca são considerados como a raiz do problema”6. Os progressistas, a cada novo esforço de integração de tudo e de todos, só aumentam o desprezo dos que não querem ser integrados, os que vêem estas integrações como mais um prego no próprio conceito que desejam, sob força de Lei, impor.
Devíamos mesmo começar a discutir isto, enquanto – para Portugal – ainda há tempo7.
1 Minha tradução amadora do original: “Social exclusion is to blame. Housing is to blame. Disrespect for the police (non-sharia authority) is to blame. Everything and anything is to blame except what’s actually to blame. And Sweden is getting swallowed whole”.
2 Minha tradução amadora do original: “‘Multiculturalism failing’: Swedish PM pleas for order as riots engulf Stockholm suburbs”.
3 Minha tradução amadora da tradução para inglês da BBC: “the approach [to build] a multicultural [society] and to live side-by-side and to enjoy each other… has failed, utterly failed”
4 Pode ser a 4ª, 5ª ou 3823ª. Ninguém está verdadeiramente a contar.
5 jahiliyya na Wikipedia.
6 Minha tradução amadora do original: “the riots are Muslims, but the Islamic contempt for the kuffar and jahiliyya society is never considered as a root cause”.
7 No entanto, imagino que todos os esforços serão direccionados para arranjar o melhor insulto igualitário, tolerante e verdadeiramente democrático sobre a xenofobia do autor deste texto.
Era um par de galhetas…
O único país da União Europeia que proibiu a utilização de galheteiros com azeite foi o Estado português, em 2005.
Tal medida, sem parelo em qualquer outro país do mundo, onde continua o tradicional e saudável hábito de ter doseadores de azeite e vinagre nas mesas dos restaurantes deve a sua origem a uma proposta do CDS-PP em 2004 a que maioria socialista deu o seu acordo.
Para além do ridiculo, da intervenção desnecessária e abusiva do estado, da ausencia de qualquer vantagem para o consumidor, a medida provoca na prática um aumento do desperdicio de embalagens e de azeite, constituindo apenas um bom negócio para os engarrafadores do produto, beneficio esse a que aqueles dois partidos foram então sensíveis.
A União Europeia, numa qualquer obscura comissão com pouco que fazer e tentando mostrar trabalho que a justifique, aprovou uma proposta para estender a proibição de galheteiros a toda a União. Embora seja dificil de encontrar o rasto lógico que justifique a competência da UE para tal proposta legislativa, o certo é que a mesma foi maioritáriamente aprovada.
Mas, conhecida que foi, tornou-se de imediato objecto de constestação e de ridicularização dos orgãos e instituições europeias. No entanto, por uma vez, o Comissário do sector entendeu o que estava em questão e anunciou que vai retirar a proposta.
Claro, o secretário de estado português «lamenta a decisão», pelo que Portugal continuará a ser uma triste excepção e um mau exemplo de intervencionismo.
Isto não é um título: é uma tese
Combate no Afeganistão matou-o em Londres Bem vistas as coisas Lee Rigby o militar recentemente assassinado em Londres é o responsável pela sua própria morte: se ele não tivesse estado seis meses no Afeganistão “num dos períodos mais sangrentos do conflito” explica o pressuroso Expresso certamente que aqueles senhores da faca ou ” alegados extremistas islâmicos” como convém escrever o teriam saudado cordialmente.
Renegociar ou a versão portuguesa do Abre-te Sésamo
Campos de prisioneiros de guerra
As pessoas podem achar estranho, mas a criação de campos de prisioneiros de guerra foi um passo positivo no sentido da humanização da guerra. Das várias alternativas para lidar com os vencidos (matá-los, deixar morrer os feridos, não aceitar rendições, prendê-los ou escravizá-los) prendê-los é a mais humana. A pressão para fechar Guantánamo e outros campos de prisioneiros deixou ao presidente dos Estados Unidos apenas uma outra alternativa para lidar com os combatentes inimigos: matá-los à distância com drones.
Out of Law

21 de Janeiro de 2009 – Presidente Obama tira fotografia a fazer de conta que assina lei a encerrar a prisão de Guantanamo
Entrentanto, 166 pessoas continuam sequestradas naquela mesma prisão ás ordens do governo dos EUA. Apenas 5 deles estão acusados de um qualquer crime a ser julgado em futuriom indefinido por Tribunal militar. Outros 36 ao fim de 11 anos de detenção encontram-se ainda a ser investigados. E poderão enfrentar eventualmente algum tribunal militar ou civil. Sobre todos os restantes não impendem quaisquer acusações, nem são já objecto de investigação, permanecendo na prisão apenas porque a administração Obama não decidiu libertá-los.
Neste momento cerca de 100 prisioneiros, privados de quaisquer direito e alegadamente fora de qualquer jurisdição, recorreram à unica forma de protesto de que dispunham para a sua situação, levando a cabo uma greve da fome. Mas nem esse pequeno residuo de ultima instancia da liberdade individual lhes tem sido permitido levar por adiante, sendo alimentandos forçadamente. O que corresponde a nova forma de tortura.
Hoje, e passados 4 anos da «assinatura» de encerramento de Guantanamo, Obama disse que ia tentar outra vez encerrá-la. ….a change, again
A Adm. Obama, ao contrário do seu antecessor, em vez de reter legados suspeitos na sua base de Cuba (que depois não sabem o que fazer com eles), tem dado priopridade ao seu abate, morte, assassinato, como quiserem chamar-lhe pois que o efeito é o mesmo..É suspeito? Leva com um drone em cima. Acusar, julgar e executar sem que o visado saiba sequer, é no que se resume a utilização dos drones. Foram já mortas centenas de pessoas, com numeros a variar conforme a fonte, entre as 300 e as 700, embora se aceite que apenas 45 eram comprovadamente militantes terroristas (isto na versão oficial, claro). O «resto» são danos colaterais, civis, cidadãos que nada tinham a ver com o caso.
No mesmo discurso de hoje, Obama reconhece o problema e a contradição de tal prática face à constituição e à lei, para além dos efeitos que provoca atacar países terceiros e afirma que …vai continuar com o método. Bem pode citar Madison e outros defensores do Estado de Direito nas suas preocupações. Não é de todo a sua prática.
Eles comem tudo
Os venezuelanos estão a comer mais, situação que gera défices de papel higiénico, um problema cada vez mais grave pela persistência das políticas neoliberais que permitem a expansão das cadeias de fast food.
Já dizia o bardo:
Eles comem tudo,
Eles comem tudo.
Eles comem tudo,
E não limpam nada.
Concorrência entre governos faz bem
O mini-Senado
O Sr Presidente da República está com dificuldade em controlar os ímpetos democráticos dos seus conselheiros. Por culpa própria. Foi o Sr Presidente da República que a dada altura caiu na tentação de transformar o Conselho de Estado (órgão consultivo) num Parlamento com extensões nos órgãos de comunicação social, alimentadas por quebras de sigilo e fugas de informação. Uma espécie de Parlamento alternativo onde a maioria é minoritária. Em breve os conselheiros estarão a pedir alterações ao regulamento, voto de braço no ar e divulgação das posições minoritárias nos comunicados oficiais.
Baixa do IRC e credibilidade
Já aqui tinha dito que não haverá descidas de IRC no curto prazo pelo simples facto de que isso faria aumentar o défice sem aumentar a confiança dos investidores. Estes desconfiariam sempre que a descida de IRC seria de curto prazo. E com razão. Qualquer descida de IRC, para ser eficaz, requer uma prévia consolidação orçamental, o regresso aos mercados e o afastamento de cenários de default e saída do euro. Não se pode andar a dizer por um lado que vamos descer o IRC para atrair investidores e por outro que temos que sair do euro para ser competitivos. Nem se atrai novos investidores ao mesmo tempo que se ameaça fazer default aos anteriores investidores. As duas estratégias são incompatíveis. É também impossível ter uma estratégia credível de atracção de investimento através da redução de IRC se o Partido Socialista não estiver comprometido com essa estratégia. Ninguém investe num país apenas até às próximas eleições. Também não faz sentido pedir a queda de um governo maioritário e com apoio parlamentar com o objectivo de travar a consolidação orçamental e logo a seguir pedir investimento estrangeiro em Portugal.
Há termócracia para alem do défice
Incentivo à troca de ideias
Helena, Estocolmo e Paris não são Lisboa. Em Lisboa há “uso excessivo da força” pela polícia. Em Estocolmo e Paris não há “força excessiva contra manifestantes pacíficos” que se limitam ao pacífico apedrejamento de polícias com as pedras da calçada no espaço circundante de um órgão de soberania.
Vamos ter de trocar umas ideias sobre o assunto*
Estocolmo
Paris
*Face às dúvidas suscitadas por este video reiterei-o
** Não coloquei propositadamente imagens de Londres porque a actuação de duas ou três pessoas por mais criminosa que seja não tem a gravidade social do que aconteceu em Paris e em Estocolmo
Procura-se, criminoso do faroeste

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Adenda: Por muito menos que isto mataram o rei Dom Carlos.
A mãe por co-adopção versus a madrasta
Uma mulher que viva ou case com uma lésbica que seja mãe de uma criança torna-se também sua mãe. Uma mulher que viva ou case com um homem que tem um filho será sempre madrasta, a bem da criança nunca deverá confundir o seu papel com o da mãe do seu enteado seja ela presente, ausente ou mesmo completamente omissa. Em resumo os heterossexuais são padrastos, madrastas e têm enteados. Os homossexuais têm filhos e são pais e mães.
O Ajustamento Português V
O dignómetro diz “escravatura”
Há pessoas que são exploradas, com salários abaixo do mínimo, bem abaixo do limiar no dignómetro da Raquel Varela e ao nível de “escravatura” segundo a metodologia de comparação internacional de Pedro Lains, co-adoptada pelo ISCTE e a revista Visão. Esta é uma dessas histórias. Ler mais…




