Notícias da Pagolândia, a terra onde o contribunte paga o que existe, o que não existe e o que pode vir a existir
PÚBLICO «Após a greve nacional de médicos de 11 e 12 de Julho, Paulo Macedo assumiu o compromisso, perante os responsáveis dos sindicatos, que “as alterações às listas de utentes em curso seriam suspensas e o processo submetido a negociação sindical e ao respeito pela legislação”. (…) No entanto, segundo uma carta que o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) enviou ao ministro da Saúde, a ARS continua a avançar com o projecto e não dá qualquer resposta aos pedidos de explicação dos sindicatos. (…) Uma fonte da ARS de Lisboa garantiu, no entanto, que o projecto está mesmo suspenso. Até ao momento, o projecto avançou em nove dos 22 ACES que integram a ARSLVT, mas só em quatro foi concluído. Este novo sistema permitiu “uma diminuição de 278.930 utentes sem médicos” desde o início do ano até 31 de Maio. Resumidamente, este projecto explica-se da seguinte forma: os utentes que não tenham tido qualquer contacto com o seu centro de saúde durante um período de três anos passam a surgir no Sinus – o sistema informático das unidades de saúde – com o tipo de inscrição “não frequentador”, mas continuam a pertencer à lista do respectivo médico de família. E por cada utente que é considerado “não frequentador” entra um utente sem médico, que passará a integrar essa lista. E é precisamente aqui que, para os sindicatos, reside o problema, pois o acordo colectivo de trabalho em vigor estipula que “o número de utentes inscritos em lista nominativa não pode ser superior a 1550” para cada médico. E com este projecto o rácio de utentes por médico de família passa a ser superior, violando assim o estipulado.»
Relendo
Agora que a troca e a reutilização dos manuais escolares se tornaram uma causa consensual não deixa de ser interessante ler o que se escreveu na caixa de comentários do Blasfemia sobre este assunto em Julho de 2008 ; Setembro de 2008 ; Outubro de 2008; Junho de 2011; Outubro de 2011 …
Não entendo
O desaparecimento de documentos é em Portugal e não sei se noutras paragens uma prática ou uma acusação recebida com uma tolerância vedadeiramente surpreendente.
a virtude da coisa pública
Uma das presunções fatais do indígena lusitano, inculcadas por anos e anos de estatismo e centralismo, é a virtude da coisa pública e a natural perversidade da privada. Descontando o facto de a coisa dita pública não alimentar ningém, a não ser os poucos indivíduos (clientes privados) que vivem à custa dela, é preciso considerar que ela só se torna verdadeiramente pública porque é sustentada pela totalidade dos cidadãos contribuintes. É a partir desta virtuosa permissa que a legislação portuguesa sobre o financiamento partidário tem praticamente proíbido, desde o começo do ciclo democrático instaurado no 25-A, o financiamento privado dos partidos e tem, em contrapartida, consagrado o público, isto é, o que sai do orçamento do estado e do nosso dinheiro cobrado compulsivamente por via fiscal. Ora, a mim, por exemplo, não me satisfaz sustentar coladores de cartazes, a produção de outdoors e tempos de antena, menos ainda contribuir para o rendimento mensal dos jotinhas de serviço nas sedes dos partidos. Considero a política profissional um vício não muito diferente do jogo de casino e preferia, assim, que fossem os directos interessados nessa actividade a sustentá-la.
ai jacinto, jacinto…
A tradicional hipocrisia portuguesa, que presume que as faraónicas campanhas dos partidos políticos se pagam com donativos de militantes de base, com os subsídios do estado e com ar e vento, resulta em situações nebulosas como esta. É mais do que óbvio que este é um problema que atinge horizontalmente todos os grandes partidos políticos e protagonistas do regime (sim, sim, com os candidatos presidenciais incluídos…), mas os dirigentes preferem recorrer a este género de artifícios sempre muito mal explicados, em vez de, pura e simplesmente, promoverem a liberalização integral da lei do financiamento partidário, obrigando-se à simples emissão de um recibo e à declaração anual de rendimentos para os devidos efeitos fiscais. As coisas seriam muito mais limpas e transparentes do que têm sido nestes quase quarenta anos de freeports, macaus, sacos azuis, submarinos e outros jacintos leite capelo rego de ocasião. E os contribuintes poupariam muito dinheiro com as eternas investigações do Ministério Público cujos resultados já todos somos capazes de antecipar.
dia 14 de janeiro de 2013, às cinco da tarde
Vai acabar a recessão em 2013, afirmou Passos Coelho, no Pontal do costume. Este género de previsões, que pressupõem um domínio quase astrológico da economia, não auguram nada de bom e costumam ter um resultado exactamente inverso do anunciado. Já estamos habituados a elas desde há muito, pelo menos desde os tempos em que António Guterres via na sobrelotação pascal do Algarve uma evidência de prosperidade económica. Depois, pouco antes de desertar para Bruxelas, Barroso também nos anunciou que a crise terminaria após um breve, mas necessário, período de reajuste a cargo da Dra. Manuela Ferreira Leite, que nunca lhe perdoou esse protagonismo. Santana e Portas chegaram a anunciar o seu fim consumado, e Sócrates nunca deixou de tranquilizar-nos com os estupendos resultados da sua governação. Com Passos, apesar de alguma moralização da coisa pública, que finalmente começa a antever-se, ao fim de um ano de governo, subsiste uma dúvida pertinente: como relançar a economia num país com empresas e empresários falidos, sem capitais próprios para investir, nem a possibilidade de os ir buscar ao crédito? É que não é certamente com o entusiasmo do primeiro-ministro que se criam empresas e postos de trabalho. Sócrates e a sucessão de keynesianos que nos governam de há muito não têm feito outra coisa que não seja injectar confiança, optimismo e dinheiro na economia. Com os excelentes resultados que agora todos estamos a viver.
Merecida retribuição
Escreve-se no Corporações: «PPC e os aprendizes de feiticeiros do spin político que tomaram conta do PSD e do Governo utilizam de forma descarada e intencional a família e a esfera privada para efeitos de marketing político. À medida que exageram começam a ter a merecida retribuição. O problema é quando a retribuição atinge terceiros absolutamente inocentes; nesse caso já não é um problema político é, fundamentalmente, um problema moral. Como é evidente PPC não leu nenhum dos autores que afirmou ter lido numa entrevista ou se os leu não compreendeu nada do que leu. Porque se tivesse compreendido alguma coisa do que disse que leu nunca se teria exposto a situações como a que este título descreve: “Protesto assusta filha do primeiro-ministro“.»
Ou seja a rua, a praia, os sítiios públicos ficam por conta dos ‘vasconcelos’ da comissão de utentes/BE… e os políticos democraticamente eleitos passam a viver como foragidos para não terem aquilo que o Corporaçõe define como “merecida retribuição.”Na prática o primeiro ministro fazia férias sozinho para não exibir a família e sobretudo fazia-as em local secreto para não provocar o Vasconcelos. Talvez num forte no Estoril ou no Pine Cliff. Num barco próprio ou levava a família para o estrangeiro. Ou para a ilha dos amigos. É melhor o Corporações pensar que o PS ainda há-de ser governo, o Vasconcelos ainda estará na comissão de utentes e que o PM socialista há-de ter família e talvez não goste, não possa ou não queira fechar-se num resort de luxo e como tal terá todo o direito a fazer férias em paz e sossego na praia como todos nós.
Já se sabe que uma democracia burguesa se caracteriza por ser o regime em que são respeitadissimos os líderes dos partidos que mais a criticam e que bem instalados na vida mantêm a retórica e às vezes as práticas das pretéritas barricadas . Assim partidos como o BE e o PCP que exigem para si o maior respeito institucional não hesitam em adoptar comportamentos de milícia extremista: há anos que andam a apelar aos tumultos e que lhes brilham os olhinhos em qualquer situação que possa degenerar em violência. Para seu azar nada disso tem acontecido. Na ausência dos ditos tumultos populares passaram alguns dos seus quadros a ter de os protagonizar de forma directa: Carlos Bicho encenou uma revolta popular diante de Álvaro Santos Pereira e João Vasconcelos coordenador distrital do Bloco de Esquerda na qualidade na qualidade de porta-voz da comissão da A22 resolveu fazer umas performances de protesto junto ao local onde Passos Coelho passa férias.
A performance já de si muito questionável estando Passos Coelho não numa visita oficial mas sim de férias com a família foi muito além do que devia. Tão além que segundo o JN gerou protestos entre aqueles que assistiram. O BE não pode controlar o que fazem os seus militantes mas não pode escondê-lo e. Afinal o BE concorda ou não com o comportamento de João Vasconcelos? Ou por outras palavras acharia bem o BE que um grupo de sete pessoas andasse atrás de Louçã e da sua família durante as férias? E se esse grupo fosse liderado por um militante doutro partido não teria o BE já exigido explicações? Felizmente para ele Louçã, a sua mulher e a sua filha fazem férias em absoluta tranquilidade E caso tal não acontecesse alguém ia ter de lhes pedir desculpa.
O PS e a agenda dos milagres
PS espera que Passos anuncie amanhã medidas para o crescimento
Sendo que isto não quer dizer rigorosamente nada cabe perguntar porque tendo o PS esta fé milagreira nunca apresentou essa agenda enquanto foi governo e antes pelo contrário se obstinou numa agenda que nos tornou a todos mais pobres.
Coisas lindas para chamar a um ditador caso seja de esquerda
Impressões
Urinar na piscina
Talvez sejam sinais dos tempos. Em todo o caso, há pessoas com as quais não gostaria de partilhar a mesma piscina.
O utente João Vasconcelos
Talvez seja por falta de notícias em Agosto, mas os telejornais encheram-se hoje de notícias de uma carta que a denominada “comissão de utentes da A22” quis entregar na praia da Coelha e na Manta Rota a dois portugueses em férias. Nada a dizer. Mas custaria muito um dia explicar como se constitui uma “comissão de utentes”? Quem a escolhe? Quem elege os seus dirigentes? Tem assembleias-gerais? Ou são apenas comissões ad-hoc formadas por meia dúzia de activistas, sem representatividade real? E o João Vasconcelos, o eterno porta-voz da comissão da A22 (a Via do Infante) o que é que faz além de ser o coordenador distrital do Bloco de Esquerda? Era só para ficarmos a saber o que é espontâneo e o que é encenação mediática. De passagem também nos podiam esclarecer se os manifestantes eram mesmo só sete. É que essa informação é omitida na maior parte das reportagens.
Palavras claras
Paul Ryan, a escolha de Mitt Romney para candidate à vice-presidência, escreveu em Junho um artigo para o Financial Times que vale a pena ler. Que pena não haver mais gente com um discurso tão claro:
Desta vez, vão perder…
São sempre os mesmos. Vêm de todos os partidos ou de nenhum. Não têm política mas há muito que se servem de todas. Possuem presença firme e antiga nas fendas de este regime que crêem propriedade sua. O seu principal elemento distintivo é a resistência à mudança: em suma, eles, todos e em uníssono, preferem sempre que tudo continue como dantes. Se nos perspectivarmos pelo seu ponto de vista específico, no fundo, estão carregadinhos de razão – foi com as coisas como elas estão que eles conseguiram vivificar, ser gente e colocar o Estado ao seu serviço, década após década; logo, qualquer remota hipótese de alteração do status quo assume o tom de ameaça.
É facílimo identificá-los: são aqueles que rosnam contra o fim do regabofe das fundações; os que garantem que colocar algum rigor nas empresas municipais redundará no fim da civilização tal como a conhecemos; os muitos que juram que a Lei dos Compromissos vai paralisar o País; os que asseguram que Portugal tem o dever moral de manter uma televisão pública em concorrência com as privadas e que o Estado deve pagar anualmente indemnizações compensatórias à RTP de valores crescentes (este ano serão 508 milhões de euros); os que aconselham “calma” ao Governo, aqueles que pedem “abrandamento” nas Reformas, os que afirmam que “não se pode querer mudar tudo ao mesmo tempo”, e por aí adiante…
Odeiam este Governo. Não por ideologia mas apenas porque não estão habituados a serem desafiados no núcleo duro dos seus interesses.
Têm voz em toda a parte e falam como se defendessem o interesse público – questão que nunca os inquietou. Vêm acompanhados de múltiplos seguidistas embrulhados em embalagens variadas e de um infindável cortejo de idiotas úteis que trauteiam tautologicamente as melodias encomendadas sem nunca suspeitarem que o são.
Façam como cantava o Zeca: não se deixem “enganar com o seu ar sisudo” e nunca “lhes franqueiem a porta à chegada”. Sobretudo, não prescindam da capacidade de raciocínio próprio.
Eles estão aí e quase sempre estiveram aí – só que, desta vez, vão perder.
Uma certa reserva sobre o passado
Pelas reacções às declarações de Zita Seabra consegue fazer-se uma pálida ideia do que era o calvário vivido por aqueles que deixavam ou divergiam dos partidos comunistas nos tempos em que a URSS existia. Traidores, vendidos, detalhes várias da vida pessoal a que em Portugal se juntava frequentemente a acusação de se ter falado na PIDE era o mínimo que os esperava. Ou será que o nome de Mário Dionísio já não diz nada?
A atitude esperada de quem deixava o PCP é exemplarmente definida no 5 DIAS a propósito de Zita Seabra: «Ao contrário de outros que também aceitaram passar as últimas décadas a ser politicamente qualificados como ex-PCP e que, na sua maioria, mantêm uma certa reserva sobre o passado, de modo a zelar pela memória do ideal comum no qual se empenharam, Zita Seabra não hesita em se ridicularizar» Está lá tudo: deve manter-se «uma certa reserva sobre o passado, de modo a zelar pela memória do ideal comum no qual se empenharam» Ou seja mesmo depois de divergir do ideal deve preservar-se o ideal. Quem não o fizer sabe o que o espera: o ridículo e a calúnia. Mas demo-nos por satisfeitos por já não recorrerem a métodos mais drásticos. Se alguém escrevesse algo deste teor sobre outros totalitarismos seria questionado imediatamente mas com o comunismo já se sabe que as egras são outras.
A calúnia era também o que esperava os que saíam da URSS. Aqueles a que chamavam dissidentes como Soljenitsine ou Sakarov eram gozados e caluniados nos jornais portugueses dos anos 70 em prosas assinadas por gente que se dizia e diz muito amiga da liberdade.
Com isto e agora que os jornais andam às voltas com a espionagem que alegadamente o PCP fez através de uns aparelhos de ar condicionado, podemos aproveitar para falar destas denúncias de espionagem feita pelo PCP: «De no ser por los altos oficiales de las fuerzas armadas portuguesas de tendencia marxista, a Cuba le hubiera tomado varios años reunir la información necesaria sobre las defensas, comunicaciones, logística y topografía de Angola, que utilizaría posteriormente en sus operaciones bélicas» As denúncias não vêm de alguém que não soube manter «uma certa reserva sobre o passado, de modo a zelar pela memória do ideal comum no qual se empenharam» mas sim dos cubanos e soviéticos. A passagem de informação militar classificada por militares afectos ao PCP aos dirigentes cubanos é frequentemente reconhecida pelos cubanos e pelos soviéticos. Felizmente que em Portugal os envolvidos têm beneficiado de «uma certa reserva sobre o passado, de modo a zelar pela memória do ideal comum no qual se empenharam»
Obs. Já que andam em mará de espionagem a também podem investigar o que está no arquivo Mitrokhin. Segundo escreve José Vegar no livro Serviços Secretos Portugueses os dados compilados por Mitrokhin revelam que “entre 1975 e 1984, políticos de relevo do PS, do PSD, do PP e do PCP tinham fornecido informações da NATO e de Portugal aos seus controladores soviéticos.”
Será que entrámos no Reich da austeridade para mil anos?
Os pais de Juan Moreno nasceram na Andaluzia e emigraram para a Alemanha. Hoje ele é jornalista da Der Spiegel e este Verão resolveu percorrer de novo as estradas que a sua família fazia quando ia de férias à aldeia natal. O resultado é uma reportagem arrepiante que diz mais sobre o actual estado da Europa do que a entrevista de Mario Monti à mesma revista alemã. Moreno encontrou de tudo, desde a melhor auto-estrada em que jamais circulou – mas com poucos carros – a um aeroporto que nunca chegou a funcionar. Cruzou-se com gente que nunca se endividou para além do razoável, e com gente que viverá com dívidas colossais o resto da vida. Encontrou-se com quem ocupara um pequeno apartamento em desespero e com trabalhadores rurais que nunca se deslumbraram com o boom económico. Tudo para no fim concluir, com bom senso, que não basta “introduzir uma moeda forte, construir dezenas de aeroportos, linhas férreas e campos de golfe, e ter um Audi A6 em cada garagem” para alcançar a prosperidade.
Tema do dia
Hoje o problema é vivermos a 45 minutos, uma hora ou duas horas de um centro de radioterapia. Na verdade não é assim tão simples: há quem vivendo em Lisboa faça quimio num hospital, radio noutro e seja internado ainda noutro. Tudo isto separado entre si por vários quilómetros e muitos engarrafamentos. Não sei se é melhor para os doentes terem acesso a uma rede de centros espalhados pelo país, mais perto das suas casas ou se pelo contrário existe alguma vantagem em deslocarem-se a unidades maiores e mais facilmente modernizáveis. Por isso não vou comentar a questão das distâncias ou qualquer outra relacionada com as opções de tratamento. Mas interessando-me há muitos anos pelo nuclear sigo habitualmente as redes que em França reportam todos os incidentes nucleares. Muitos desses incidentes ocorrem não nas centrais nucleares propriamente ditas mas sim em hospitais e centros de radioterapia. Aquilo a que os franceses chamam pequeno nuclear. Os detritos, os furtos, os problemas no transportes de materiais perigosos e frequentemente os erros na afinação dos aparelhos… tudo é aí reportado. Em Portugal, o assunto merece menos atenção que o número de patas das centopeias. Pode ser que este súbito interesse pela radioterapia leve a que se olhe também para esse lado.
O Desfibrilador
Ago 2012 – Foi hoje publicada uma lei que obriga à existência de desfibriladores em locais de acesso público, tais como aeroportos, portos comerciais, estações ferroviárias, de metro e de camionagem com fluxo médio diário superior a 10 000 passageiros, recintos desportivos, de lazer e de recreio com lotação superior a 5000 pessoas, estabelecimentos de comércio a retalho, isoladamente considerados ou inseridos em conjuntos comerciais, que tenham uma área de venda igual ou superior a 2000 m2 e em conjuntos comerciais que tenham uma área bruta locável igual ou superior a 8000 m2.
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Mar 2013 – Na sequência da morte de um homem de 89 anos num supermercado em Matosinhos, a Assembleia da República aprovou uma proposta do PSD que amplia os locais de existência obrigatória de desfibriladores. A partir de agora, a colocação passa a ser obrigatória em qualquer estabelecimento comercial com área superior a 250 m2. Na sua intervenção, o líder do PS, Carlos Zorrinho, lamentou que se tivesse perdido uma vida por incúria do governo, que já devia ter aprovado estas alterações há bastante tempo. A proposta foi aprovada por unanimidade.
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Set 2014 – A falta de formação na utilização de um desfibrilador poderá ter sido a causa de um óbito no Estádio do Sambrazense, durante uma partida de futebol entre o clube local e o Moncarapachense. O presidente do clube afirmou que comprou o desfibrilador porque a ASAE ameaçou fechar o Estádio, mas nunca soube para que é que servia. Na sequência deste incidente, a Ministra da Saúde informou que está já em preparação legislação que tornará obrigatória a presença de um enfermeiro devidamente credenciado junto a cada desfibrilador durante os horários de actividade dos locais públicos onde a existência deste aparelho que pode salvar vidas é obrigatório. Afirmou a Ministra: “Sim, sabemos que há escassez de recursos mas a vida humana não tem preço”.
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Out 2015 – A Ordem dos Médicos pronunciou-se mais uma vez contrária à prática de actos médicos por profissionais não qualificados, numa alusão aos casos de inadequada utilização de desfibriladores por enfermeiros. Segundo a Ordem, a manipulação de aparelhos de elevada tecnologia em doentes de risco é considerada um acto médico pelo DL 345/15, recentemente publicado. Ler mais…
Paradoxos
Uma empresa faz uma gigantesca campanha promocional, beneficiando com isso milhares de pessoas, em especial as de mais parcos recursos. Parece que vai ser multada em 30.000 euros pela Autoridade da Concorrência (embora os concorrentes não se tenham queixado) e o seu chairman, Soares dos Santos, o “merceeiro”, tornou-se a pessoa mais vilipendiada por parte do mainstream e objecto do maior destilar de raiva que se tem visto.
Entretanto, temos assistido ultimamente ao aborto de elefantes brancos, filhos de Sócrates e da sua irresponsabilidade, sempre maquilhada de um modernismo parolo que deslumbrava jornalistas papalvos. Infelizmente, outros projectos não abortaram quando deviam e o seu palmarés na delapidação de recursos públicos já é tenebroso. Mas nestes casos os “parceiros privados”, independentemente de serem vermelhos ou verdes, são sempre tratados pelo mainstream com a deferência e o vergar de cerviz devidos a aristocratas cortesãos. Este caldo de cultura, amigo do gigantismo, nunca se coíbe de promover actividades parasitárias e o seu contributo para a nossa ruína não tem sido dispiciendo.
Hemeroteca
Assalto a supermercado efectuado por sindicalistas: Subtracção de bens para serem distribuídos aos pobres em cantina solidária
Assalto a supermercado efectuado por ladrões: Alegado assalto praticado por alegados assaltantes
Promoção de 50% efectuada no dia 1 de Maio: Acção de provocação a pedir regulação urgente
Build it, they will come
Projecto do Roquete no Alqueva previa 7 hóteis, 4 campos de golfe, 2 marinas, 1000 milhões de euros e 2000 hectares no meio do nada. A principal mais valia do projecto parece ser a existência de uma albufeira e de água abundante para regar campos de golfe. É uma espécie de Tróia sem mar nem praia ou de mini Las Vegas sem casinos. O projecto tinha os diversos elementos desenvolvimentistas de outros empreendimentos no Alentejo (Sines, aeroporto de Beja, Alqueva). Estes projectos têm em comum a ideia de que a melhor forma de desenvolver a região é criando oferta para uma procura que não existe na esperança que a oferta gere a procura.
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Até ao momento foram gastos no projecto Roquete cerca de 30 milhões de euros, dos quais cerca de 7,5 milhões são do QREN e uma parte será da banca. Ao fim de vários anos a prometer maravilhas, conseguiram fazer um campo de golfe totalmente inútil uma vez que o hotel ficou por construir.
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Um empresário que se propunha gastar 1000 milhões de euros pára tudo antes de investir 3% desse valor alegando que não está interessado em em arriscar o seu próprio dinheiro e que quem deve arriscar deve ser a banca. Felizmente, a banca está ela própria confrontada com as suas próprias limitações pelo que este tipo de loucuras deixaram de ser possíveis. Note-se que o empresário abandona o projecto a partir do momento em que a CGD lhe exige garantias pessoais, não se dando sequer ao trabalho de procurar outros financiadores, provavelmente por ter consciência que só um banco politizado é que lhe ofereceria um empréstimo nas condições que ele quer.
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Estes empreendimentos foram alimentados pela bolha de crédito que rebentou em 2008. A bolha de crédito rebentou a partir do momento em que o mercado percebeu que os diversos projectos que existiam no mundo nunca seriam capazes de gerar recursos suficientes para pagar os empréstimos que os sustentavam.
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Por cá estamos sempre atrasados em relação à realidade pelo que só 4 anos após o rebentar da bolha de crédito é que estamos a ajustar os projectos existentes ao crédito disponível. Mas está a ser difícil. Os mesmos que se queixam que o crédito não chega às empresas querem que todos os projectos mediáticos e megalómanos tenham crédito. Dado que a poupança não é infinita, o crédito também não é infinito pelo que os bancos terão que fazer escolhas.
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O que nos leva à questão fundamental: os PINs são projectos políticos que servem interesses partidários e figuras bem relacionadas. Desviam crédito e fundos do QREN de empresas funcionais e com provas dadas para projectos que não conseguem desenvolver-se por si próprios. Não é por acaso que muitos destes projectos têm uma componente megalómana. A megalomania não seria possível fora dos negócios politizados e até serve como um elemento de marketing junto da classe política e jornalística.
Perspicácia do Estado empreendedor
A RPP Solar foi considerada Projecto de Interesse Nacional (PIN), o que lhe permitia facilidades burocráticas e apoios a que outros empresários não têm acesso.
O empresário esteve associado à falência da FNAC.
O projecto envolvia 1000 milhões de euros, mas nada indica que o empresário tenha dinheiro para um investimento dessa ordem de grandeza. Não há qualquer indicação de que existisse financiamento para o projecto ou accionistas interessados.
O projecto incluía produção de silício para a indústria de semi-condutores e de células foto-voltaicas. O nível tecnológico era vários níveis acima daquele com o qual o empresário tem experiência (basicamente, a experiência da RPP é na construção e gestão de Retail Parks) e requer acesso a tecnologia e patentes que estão na posse de um número limitado de empresas a nível mundial.
O projecto tinha um elevado risco de fracasso por estar excessivamente condicionado pela procura e pelo comportamento de concorrentes com muito mais vantagens comparativas.
Ainda assim este projecto foi admitido para ser apoiado pelo Estado. Tinha as buzwords certas: energias alternativas, energia solar, exportações.
Outro do género é o Planit Valley. Também um PIN, igualmente megalómano.
Chama-se Interligare
A sede do principal partido da oposição espiada; um juiz amigo de governo em reuniões mais que suspeitas e uma empresa de fachada que oficialmente trabalha numa das áreas emblema do governo – a memória histórica – mas que é um braço do ministério do Interior. Não aconteceu na Venezuela nem na Rússia de Putin. Mas sim na Espanha de Zapatero:
La ‘Banda de Interligare’ espiaba la sede del PP desde el edificio de al lado
Tudo como antes,… em Abrantes (II)
Às vezes, as estórias são como as cerejas – puxam e entrelaçam-se, sempre, com outras. Normalmente, quando alguma coisa – tipo a baralhada estorieta, com cheiro a burla, de Abrantes – surge repentinamente com mais vigor e com ar de relativa novidade, na comunicação social, já houve, precedentemente, todo um percurso de acontecimentos, prenunciando o desfecho com que agora deparamos.
Vem isto a propósito do principal protagonista da tal estória de Abrantes: Alexandre Alves. E deparei-me, na web, com este post, via ECOTRETAS, que nos remete para os primórdios da agora discutida RPP Solar, do dito cujo “ex- barão vermelho” (agora, convenhamos, já mais amarelado).
Tudo como antes, … em Abrantes!
Várias lições a tirar desta novela, para além do custo que o envolvimento do Estado nas energias renováveis poderá ter (neste caso, teria sido um hipotético apoio – via QREN- de mais de 1000 milhões de Euros).
Uma delas é simples: alguém está seguramente a mentir!
Isto é a austeridade a funcionar
E é isto …
Férias (projectos)
Daron Acemoglu / James A. Robinson – Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity and Poverty
Steven Pinker – The Better Angels of Our Nature: The Decline of Violence In History And Its Causes
Jurgen Habermas – The Crisis of the European Union: A Response
Respeitinho?
Porque será que na imprensa angolana há tantas anedotas sobre Portugal e na imprensa portuguesa são tão raras as críticas ao governo angolano? ver
Impressões
Governo dá sinais de querer governar
Fundações, RTP, Lei das rendas. Entretanto já passou mais de um ano.
A Ascensão da insignificância*
O título é de Cornelius Castodiadis.
Castodiadis foi um pensador grego que viveu e trabalhou em França. Faleceu em 2007 e, com a sua obra, deixou-nos algumas pistas de reflexão para compreendermos aquilo que, recorrentemente, também o preocupou: a crise das sociedades ocidentais. Lembrei-me de Castodiadis porque, no meio das leituras estivais, deparei–me com este título que nomina um conjunto de ensaios e entrevistas do referido pensador. Não é que seja uma leitura muito apelativa para quem está de férias. Pensar-se a política, a sociedade e a economia através de Castodiadis, poderá remeter o Leitor para cenários desagradáveis, sobretudo, no meio da areia da praia. No entanto, este ano, para muitos, as férias não serão sinónimo de placidez quente e ensonada, em virtude das preocupações que – precisamente, por causa da política e da economia – nos ensombram o sol do Verão. O título (mesmo mais do que alguns excertos da obra) é particularmente incisivo e revelador de algum mau estar que sinto, quando vejo a nossa atividade política. Mau estar já antevisto, de resto, na obra de Castodiadis. Passo, então, a explicar-me:
Título de favor
Hoje, Horta Osório dá uma entrevista ao DN. Fala da crise financeira, da sua saúde, de vários problemas da economia mundial, da privatizaçã da TAP. Dedica alguns parágrafos ao BPN, poucos. Critica directamente a demora de 3 anos em encontrar uma solução para o banconacionalizado, compara com o que aconteceu em Inglaterra com o banco Bradford & Bingley (analogia que os deputados da maioria fizeram muitas vezes durante as audições na CI do BPN) e termina dizendo que a reprivatização deveria ter sido feita de outra maneira – esquecendo a condição imperativa acordada com a Troika e o prazo de 31 de Julho de 2011 para a venda do banco.
De tudo o que Horta Osôrio disse, o DN escolheu um título ajustado politicamente à agenda que julga estar a dar. Os políticos socialistas desta vida exultam com o título e, claro, nem se preocupam em ler a entrevista. Mas deviam. Foram eles que nacionalizam o BPN sem ligar nenhuma ao Plano Cadilhe que a poderia evitar. Foram eles que deixaram o BPN num pousio desinteressado e criminosamente negligente durante 3 longos anos, deixando o valor do banco degradar-se inapelavelmente. Foram eles que convenceram a Troika a vender o BPN eimpuseram o prazo incrível de 31 de Julho para isso.
Para além das fraudes que os Tribunais julgarão, os imensos prejuízos do BPN devem-se à péssima governação socialista. A infeliz prova de uma certa menoridade política portuguesa comprova-se pelo dislate de alguns dos ex-membros desse trágico Governo serem os primeiros a acusarem os outros dos erros que eles próprios cometeram. Sem se arrependerem. E com o beneplácito de títulos de alguma imprensa engagé…
Contradições
O transporte de crianças nos automóveis familiares tornou-se uma ciência exacta: cadeiras, cadeirinhas, ovinhos e assentos… tornaram-se de tal modo indispensáveis que a sua falta está ao nível do mau trato. Já se discute se a ausência de cadeira legal no carrinho dos pais pode ou não levar à perda da custódia . Há pessoas que já nem andam com as crianças ao colo na rua mas sempre com elas encafuadas dentro daqueles habitáculos ovoides. Claro que nos autocarros e táxis estes ditames se esfumam mas mais espantosamente ainda segundo a lei nenhum mal parece poder acontecer às crianças que os pais carregam nas bicicletes. A legislação sobre o transporte em bicicletes deve ser ter sido feita noutro planeta bem mais simples do que que aquele em que habitam os legisladores do transporte em automóvel familiar
Férias há muitas
Ao ver o arraial que está montado em Manta Rota – será que a comissão de utentes trabalha ao fim-de-semana? – recordo aquele tempo maravilhoso do verão de 2008 em que o ministro Vieira da Silva disse que Portugal era um dos raros países da UE a ter escapado à crise e em que o destino de férias do então primeiro-ministro se tornou tabu. Por razões de segurança ou talvez com receio das manifestações de alegria por parte dos portugueses ao terem sido informados que a crise se fora embora, a verdade é que fomos informados nesse ano que o destino de férias do então PM não era da nossa conta. Podiam lá os jornalistas incomodar o senhor primeiro-ministro mais aqueles que com ele privavam? Pelo contrário achava-se naturalissimo que uma criatura andasse de avionete em cima da casa do PR no Algarve. Nem se percebia porque é que Cavaco não achava gracinha à avionete. Enfim achar que Agosto faz em Portugal parte da estação tola é sinal de grande tolice.
Incentivo a energias inviáveis
Atrasos nas centrais de biomassa levam Governo a prolongar incentivos
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Daqui a uns anos estaremos a discutir as PPP da biomassa. Hoje toda a gente é a favor.
Fundações sem fundos
Um dos aspectos mais notórios da avaliação das fundações é a e existência de fundações em que as despesas anuais nunca poderiam ser suportados pelos rendimentos do respectivo património. Por exemplo, a fundação Mário Soares foi inicialmente constituída com um património de 765 mil euros, tem actualmente um património de 3,6 milhões de euros. As despesas em 3 anos a de actividade são cerca de 5 milhões de euros, dos quais 1,25 milhões são subsídios do Estado. A fundação Pro Dignitate tem um património de 5 mil euros e tem despesas da ordem dos 2,5 milhões de euros, dos quais 20% são subsídios do Estado (falta saber se estão aqui incluídos apoios de câmaras, União Europeia, empresas públicas ou cedência de imobiliário). A fundação Saramago tem um património de pouco mais que 1 milhão de euros. Este património nem sequer conseguiria gerar rendimento para arrendar a Casa dos Bicos, quanto mais suportar actividade que justifique a ocupação desse espaço.
Tentar não custa
Perante o texto que Manuel Loff escreve sobre Rui Ramos no PÚBLICO de hoje pouco há a argumentar do ponto de vista intelectual. Loff insere-se numa linha de fabricantes de fascismos e fascistas que simplifica a realidade e que ele acha que lhe serve a ideologia que professa. Logo escreva Rui Ramos o que quer que seja lá virá o Loff mais a sua arca de esconjuros: grita revisionismos e outros ismos e é suposto que os visados se esfumem da cena pública. E de preferência da publicada também. Enfim suponho que o Rui Ramos deve saber viver com isto e de alguma forma acho que devia incluí-lo no curriculum pois não é qualquer um que tem um LOff de apontador. Pois o Loff lê, aponta e guarda as declarações de Rui Ramos com uma minúcia e um desvelo que não só emocionam quanto revelam como a última palavra d’ Os Lusíadas é um ferrete que atormenta. Mas o Loff tem bom remédio: para lá dos fascículos que dedica a Rui Ramos escreva algo mais do que isto e prove que vale a pena lê-lo. Ou que consegue fazer um texto tão bem escrito quanto os do Rui Ramos. Vai ser difícil porque independentemente da qualidade do que escreve Rui Ramos escreve muito bem. Mas tentar não custa.
Os lixados do estado social
– É pelo SNS? Ligue em Setembro às 8h 30 para tentar fazer marcação RESPOSTA DO LABORATÓRIO PRIVADO
– Nós só fazemos exames aos nossos doentes RESPOSTA DO LABORATÓRIO DO HOSPITAL PÚBLICO

