Decadência
O Forte Apache que tem feito um trabalho regular de acompanhamento de Guimarães Capital Europeia da Cultura chama agora a atenção para uma obra cuja consta de «um galinheiro amplificado, na Horta Pedagógica, em Guimarães, composto por um teclado musical suspenso e coberto de milho. O esgravatar das galinhas e dos galos e o som que produzem ao comer o milho nas teclas do piano, dão forma ao laboratório vivo de sonoridades.”
Como é hábito nestas coisas os jornalistas cumprem o seu papel de envolver em prosa poético-cultural estes exercícios de chico-espertice: «O escultor sonoro João Oliveira exibe “5ª Sound”, uma instalação com galinhas e um teclado musical, e ainda uma performance com chávenas, nas esplanadas do centro histórico de Guimarães (…) Com a ajuda de parafusos, porcas e anilhas, os objectos são adaptados e trabalhados para a construção do som, aquilo a que chama, a “construsom”, um trocadilho que utiliza com frequência. “Há o entusiasmo, há o objecto e há a criação de diálogos entre esse objecto, e a partir daí começa a construção, desconstrução, mutação, rotação”, explica o artista. O processo criativo da escultura sonora contempla três fases: a parabólica, o “observador observado”, ou seja, a observação do objecto; a macrobióptica – fazer zoom ao objecto; e por fim, a captura imediatista do objecto, através da Polaroid que depois é levada para o laboratório para dar início ao trabalho. É um processo “ouver”, ver, ouvir, ouvir, ver, explica João Oliveira.»
Os contribintes pagam. Os contratados da Capital da cultura dizem que isto é cultura. E lá no fundo ouve-se um som escarninho. Talvez sejam as galinhas. Os romanos que ouviam certamente melhor que nós diriam que eram os bárbaros.
Sentença de morte
A decisão tomada pelo Governo de privatizar a ANA em bloco, é a assinatura da sentença de morte do aeroporto Sá Carneiro. Será uma morte lenta por definhamento, que começará a partir de agora.
Em bom rigor, não é nada que o Porto e o Norte não mereçam. É o preço que pagam pela sua passividade, pela abulia da sua sociedade civil, pela gritante falta de líderes que saibam corporizar os verdadeiros interesses da região.
Infelizmente, isto não ficará por aqui. Em breve, a gestão de Leixões será telecomandada de Lisboa.
Lifting editorial: a poligamia virou poliafeição
Aos costumes disse nada
Manuel Loff escreve hoje no PÚBLICO um texto para cumprir com a obrigação de responder a Rui Ramos. O texto é uma manobra de diversão para desviar as atenções das falsidades que escreveu. Mas Loff pode muito bem ter aberto uma caixa de Pandora com este seu exercício. Pois há gente que se lembra do que Loff tem escrito. E faz de conta que não escreveu.
O Provedor Já Respondeu
O Provedor do Telespectador da RTP, Rádio e Televisão de Portugal, detentora dos contratos de concessão do serviço público de rádio e TV, já respondeu ao comentário que ontem deixei na sua página do Facebook, referente a uma “notícia” publicada no site da RTP.
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A RTP, que garbosamente nos informa que entre as Missões, Objectivos e Obrigações de Serviço Público se inclui “proporcionar uma informação isenta, rigorosa, plural e contextualizada”, “assegurar o pluralismo, o rigor e a objectividade da informação e da programação”.
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A RTP que tem um Código de Ética onde realça a missão do serviço publico de media e onde se compromete a ter uma “informação plural, rigorosa, isenta e independente” e onde afirma textualmente que “pratica uma informação que respeita rigorosamente a realidade dos factos não apresentando uma visão parcial dos mesmos, confirmando toda a informação antes de a apresentar, no respeito pelas fontes”.
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A RTP que nas suas normas de conduta nos garante que os colaboradores da RTP “observam o princípio da neutralidade, isenção e independência face a correntes políticas, económicas, sociais ou religiosas”.
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A RTP que também nos informa que “a violação ou inobservância das normas de conduta do Código de Ética”, “constitui falta grave, susceptível do procedimento julgado adequado”.
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Ora, perante uma notícia disparatada onde que se apresentam dados inventados, em que citam fontes respeitáveis mas cujo conteúdo não confirma o teor do artigo, perante uma notícia falsa em que o jornalista quebra radicalmente com todos os nobres compromissos acima descritos, perante uma notícia que não é nem isenta, nem independente, nem factual, nem verdadeira, a chamada de atenção ao Provedor pareceu-me bastante adequada. E o Provedor respondeu, prontamente, diga-se.
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Respondeu que não tem nada a ver com isso. Ele é mais TV.
Notícias não relacionadas
“Desapareceram” 135 mil filhos das declarações de IRS em dois anos.
Transportes perderam 134 mil passageiros por dia no segundo trimestre.
Para ajudar a compreender os números (ou, pelo menos, parte deles), vale a pena ver alguns dados: População residente: total e por grupo etário. De 2008 e 2011, a população entre 15 e 24 anos diminuiu em quase 80.000 indivíduos.
Uma Questão de ADN?
(publicado no página do Provedor do Telespectador da RTP).
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Acabei de passar por um artigo publicado no site da RTP, assinado pelo jornalista António Louçã.
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O artigo é este. Que grande absurdo.
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Como se pode comparar desta maneira défices da balança comercial de diferentes países? A Itália, por exemplo, tinha um défice da balança comercial mínimo, da ordem de 1%. Já Portugal andava pelos 10%. Para o autor, passar de 10% para 5% seria um falhanço, quando comparado com uma redução de 1% para 0%. Como é óbvio, neste caso, a única comparação possível era em valor absoluta da queda.
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Custava a acreditar que o Financial Times tivesse comparado percentagens de queda de défice – o jornal costuma ser bastante criterioso nas análises que publica ou, neste caso, que cita. Por esse motivo, procurei a fonte.
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É este o estudo citado (http://t.co/BZgOPILW) e, surpresa das surpresas, não tem nada a ver com o artigo publicado pelo jornalista António Louçã. Ler mais…
Portugal, país de eventos
«A Câmara Municipal de Leiria, liderada pelo socialista Raul Castro, informou, em 24-8-2012, que vai violar a Lei dos Compromissos (Lei n.º 8/2012, de 21 de fevereiro), um ato que presumo irá ser seguido por outras, e não só as governadas pelo Partido Comunista e Partido Comunista… A Lei dos Compromissos «impede as entidades públicas de assumirem despesas para as quais não tenham receita prevista nos três meses seguintes». A Câmara de Leiria invoca que só assim pode contratar o fornecimento de transportes e refeições aos alunos do concelho. O argumento das refeições e transportes escolares é um argumento demagógico: não é para isso que falta dinheiro à Câmara de Leiria. Falta dinheiro é para as obras e eventos que quer mostrar ao povo em ano eleitoral, como é este de 2012, e que a nova lei impede que as câmaras contratem se não tiverem fundos» Do Portugal Profundo
Obs. Como vamos entrar em ano de eleições autárquicas recomenda-se vivamente a suspensão de todas as revistas, agendas culturais, para seniores, para a juventude…, folhetos e desdobráveis que as autarquias e juntas de freguesia fazem questão de oferecer aos seus munícipes. Não só não têm qualquer interesse editorial como são materiais de propaganda política.
O seu a seu dono
Critiquei aqui Pedro Rolo Duarte por ter dado crédito e publicidade às calúnias de Manuel Loff sem sequer ter lido a História de Portugal de Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Monteiro. Agora que a foi ler, veio pedir desculpa pelo que então escreveu. Em Portugal é raro alguém admitir publicamente que se enganou, pelo que não posso deixar de me congratular e de saudar o gesto de Pedro Rolo Duarte.
um marco histórico
Há algo de muito representativo do país que temos sido nesta atitude de tentar “salvar”, a qualquer custo, das “garras dos “privados”, a RTP, a televisão fundada no Estado Novo e docemente acalentada por todos os regimes que se lhe seguiram.
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Falamos de uma empresa que, em tempos de crise grave e de sacrifícios impostos sem fim à vista, acumula prejuízos anuais de milhões de euros, em troca da prestação de um serviço que em nada se distingue dos seus concorrentes, a SIC e a TVI, o que autoriza presumir que qualquer outro privado que a assuma não irá fazer muito diferente do que hoje lá é feito. Por outro lado, as ingerências e intromissões do poder público na informação da RTP têm sido uma constante ao longo dos anos, sejam quais forem os governos que a tutelem. O valor de uma comunicação televisiva isenta e independente, que os privados supostamente não garantem por serem privados, só pode ser, no caso da RTP, uma brincadeira de mau gosto. Desde 1957, quando começou a emitir, até aos dias de hoje, uma única constante atravessou a sua já longa existência pública, isto é, à custa de todos nós: servir incondicionalmente o poder, seja ele qual for, tenha que tonalidade tiver.
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De que “património” se fala, então, quando agora se quer evitar, a tudo o custo e sob toda a espécie de ameaças, a venda da RTP? Serão os milhões de prejuízos acumulados ao longo dos anos, suportados pelos contribuintes? Será a televisão obsoleta e quase sem audiências em que ela se transformou desde que foi exposta à concorrência? Ou a conta-corrente deficitária e sem inversão que a mantém? Ou os canais temáticos, por cabo, sem espectadores? Ou, ainda, os recursos humanos desaproveitados e muitos deles arrumados em prateleiras douradas com consideráveis reformas?
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Queira-se ou não, a RTP transformou-se num marco incontornável do regime: ou há coragem para lhe mudar o destino e para a transformar em algo sustentável e sustentado por quem a utilizar e consumir, ou ficará para sempre como o símbolo do imobilismo português e da impossibilidade do país se reformar e vencer os atavismos que o conduziram aos negros dias de hoje.
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O governo português tem aqui uma oportunidade única para mostrar o que vale. E se deixar tudo como está bem pode começar a fazer as malas.
Corporações
Cada noticiário da RTP tornou-se uma espécie de manifesto ilustrado em defesa dos seus interesses profissionais e pontos de vista. Enfim é um espectáculo ao vivo e em directo do que não deve ser um serviço público.
A propósito da RTP
Algumas das minhas opiniões sobre o actual debate a propósito do futuro da RTP.
A concessão
A Constituição obriga o Estado a assegurar a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão, num artigo, algo paradoxalmente, denominado “liberdade de imprensa e meios de comunicação social“.
A Constituição não obriga o Estado a ser “dono” de empresas de rádio ou de televisão.
A RTP não assegura (ou não tem o dever de assegurar) o tal “serviço público” por ser uma “empresa pública” (sob a forma de sociedade anónima detida a 100% pelo Estado), mas por ter celebrado com o Estado um contrato de concessão do serviço público de televisão. Portanto, a RTP é, já hoje, “concessionária” do serviço público, pelo que a concessão do serviço público de televisão exigido constitucionalmente está longe de ser uma novidade.
Nos termos da Lei da Televisão (artigo 52.º), os contratos de concessão do serviço público são celebrados por 16 anos, sendo revistos obrigatoriamente de 4 em 4. O contrato em vigor termina em Setembro de 2019.
Salvo melhor opinião, a titularidade das acções da RTP pouco ou nada influencia o referido contrato de concessão. Em teoria, a privatização pura e simples da RTP, S.A., através da venda das respectivas acções, nem sequer implicaria necessariamente o fim imediato do referido contrato de concessão, que poderia manter-se até ao final do prazo e – caso a redacção do artigo 38.º da Constituição se mantivesse como está – poder-se-ia então abrir um concurso para nova concessão do serviço publico, a que poderiam concorrer outras empresas.
Dito isto,
A nossa anacrónica e desmesurada circunstância
Da bizarra relação que a classe política e os jornalistas mantêm com a RTP resultam vários paradoxos. Um deles – o mais recente – é o circo mediático montado em torno do futuro daquela empresa. Fecham-se linhas de comboio, privatizou-se a EDP, a TAP vai ser privatizada… mas polémica é a RTP. Isto só não espanta se se tiver em conta que Ramiro Valadão, que fora presidente da RTP, foi provavelmente o único titular de cargos de nomeação a ser julgado após o 25 de Abril. Controlar a RTP foi um objectivo militar – 25 de Abril e 25 de Novembro – e tornou-se na democracia num objectivo político para governos e oposições. Quando dentro de dez anos ou nem tanto olharmos para o alvoroço que neste Agosto de 2012 está instalado no país com o futuro da RTP sentiremos a mesma estranheza que agora experimentamos ao olhar para o Verão de 2001 e percebermos o tumulto que então se viveu em torno dos touros de morte em Barrancos.
Impressões
Televisão
O modelo agora apresentado não é o ideal. Tem uma boa ideia a reter – gestão privada.
Ou a RTP e o governo fazem as pazes
ou se isto continuar assim o Curiosity mandar-nos-á imagens da página on line da RTP como o caso do estranho país em que um líder político com uma escassa representação eleitoral tem uma fantástica cobertura mediática:
Concessão da RTP é “uma privatização”, diz Francisco Louçã
Um ano depois da troika, o país está pior, diz Louçã
RTP
Ouçam-os bem. Fixem-lhes as caras e os nomes, descodifiquem o seu ardoroso discurso pró-serviço público, a sua extraordinária defesa de que a gestão da RTP não dá prejuízo e sempre correu pelo melhor ao contribuinte português. Apreciem a retórica de sentido lógico invertido que tenta pateticamente assegurar que a imparcialidade de um grupo de comunicação social só existe em plena titularidade e gestão públicas em contraste com a dos privados – precisamente o contrário do que, até há pouco, era consensualmente entendido. Tentem não se rir (muito) quando alguns “especialistas” compararem a RTP com a BBC. Perscrutem, ainda, os putativos ‘pais’ e os donos arvorados da Constituição a jurar que o espírito prevalecente para o serviço público de televisão nos idos de 1975/76 ficou para sempre gravado na pedra do Sinai da sua exclusiva interpretação constitucional.
Poderíamos estar a falar dos Estaleiros de Viana. Ou da TAP. Ou, apenas, a escutar os ecos rarefeitos de 1989 quando sectores importantes da economia portuguesa se abriram aos privados. Mas é mais do que isso: estamos a repristinar a discussão antiga com muitos dos mesmos protagonistas e alguns outros que mudaram de campo quando os seus próprios interesses pessoais foram postos em causa. Convém lembrar que se os conservadores graníticos, quer os novos quer os usados, aqueles que juram que tudo deve ficar como está com argumentos miméticos aos de agora, tivessem tido ganho de causa quando se quis abrir o sector da televisão aos privados, hoje não existiria a SIC nem a TVI. E, provavelmente, o cabo teria tido muitas mais dificuldades para vingar.
O plano do Governo para a privatização da RTP ainda não é conhecido (e claro que António Borges deveria ter tido mais cuidado com o que disse!). Contudo, já todos estamos a ser bombardeados pela artilharia do “contra”, das razões escatológico-legais-ideológicas-patrioteiras que apenas querem garantir que a RTP fique como está e que os contribuintes portugueses continuem a sustentar, indirectamente, as televisões privadas através das limitações à publicidade e das indemnizações compensatórias.
Vamos esperar até conhecer o que o Governo tem a dizer por quem de direito. Até lá, repito, ouçam-os, fixem-lhes as caras e os nomes: eles dirão incessantemente o mesmo sobre qualquer mudança – porque a sua existência dependerá sempre da manutenção dos múltiplos charcos de águas paradas onde indefinidamente vivificaram…
O que pensa João Semedo disto?
«Todo o argumento que tenta estabelecer uma distinção moral entre animais humanos e não humanos, tenta retirar aos últimos o direito a ter direitos somente por pertencerem a uma espécie diferente da nossa.» – Nesse caso é tão válido a nossa espécie retirar direitos como dá-los porque os animais per si são alheios a essa visão humanizada da sua vida. Por este caminhar as águias ainda são obrigadas a optar pelo vegetarianismo e o BE ainda vai exigir um canal do serviço público de televisão para vacas e RSI para as ratazanas altruístas.
Da série grandes títulos
Contradição entre os termos
O PÚBLICO faz hoje um título que é uma contradição em si mesmo «Beneficiários de RSI vão poder ser forçados a trabalhar em troca de nada» – Ora se é em troca de nada não são beneficiários de nada logo não recebem RSI.
Pichagens e chichi dos cães
Aqui há uns dias, dois dirigentes do Bloco de Esquerda escreveram no Público um texto a defender o direito de pichar indiscriminadamente as paredes, os monumentos, os comboios, os autocarros. Hoje Alexandre Delgado, compositor e crítico, responde certeiramente a estes “desvarios a que conduz a obsessão politicamente correta”:
“Com o país a ser desfeado e conspurcado diariamente, numa vandalização que destroi o espaço público e horroriza os visitantes, dois sociólogos bem pensantes vêm defender angelicalmente o “direito à expressão” dos pobres marginais armados com sprays de tinta. Não se confunda tags com graffitis artísticos: estes últimos são raros e não é neles que está o problema. Quem faz graffitis de arte geralmente escolhe os locais próprios e contribui para enriquecer o espaço público. Até “mensagens poéticas” são aceitáveis, quando feitas em edifícios devolutos. Os rabiscadores de tags não respeitam nada disso: eles são os primeiros a vandalizar graffitis artísticos (…). Não contribuem com nada, a não ser os excrementos do seu ego invasor. (…) Qualquer prédio ou monumento lhes serve, de preferência antigo e belo. Deixam a sua assinatura não como “forma de expressão” mas sim como marcação do terreno (equivalente de facto ao chichi dos cães, só que muito pior), numa luta agressiva de gangs, entre si e contra a sociedade. (…) Com a legislação atual, nem vale a pena fazer queixa à polícia. O Ministério da Administração Interna quer simplesmente fazer aquilo que já se devia ter feito há muito tempo: adequar a lei e criminalizar essa forma de vandalização do espaço público. É razão para aplaudir entusiasticamente. Aqui ficam duas sugestões: que a punição dos culpados inclua obrigatoriamente raspar e pintar aquilo que vandalizaram, pois nada seria mais dissuasor e educativo; e que se crie um imposto extraordinário sobre sprays de tinta, destinado a limpar as pichagens que tantos lucros geram a fabricantes e vendedores e que tantos prejuízos causam a proprietários, instituições e cidadãos em geral. Esta não é uma causa de esquerda ou de direita: é uma causa da civilização contra a barbárie.”
Subscrevo.
Hoje, no Público
Uma desenvolvida reportagem, da autoria de António Melo, sobre a reabilitação parlamentar do Capitão Artur Barros Basto (expulso do Exército em 1937 por ser judeu e não o esconder), processo em que tive um papel de que muito me orgulho.
Métodos antigos
A criatura, pelos vistos, é reincidente.
Não estar do lado certo dá muito trabalho e algumas arrelias
“Seis meses antes de o Estado Português da Índia ser tomado pelo Exército indiano, Salazar foi a Goa no voo inaugural da carreira de ligação a Lisboa. Não suspeitava do que iria acontecer” – Esta legenda incluída num livro sobre os anos 60 editado pela Visão/Expresso é um exemplo da fantasia que vigora em torno do Estado Novo. Mas não só. Estas fantasias são o fruto de uma regra mais ou menos implícita para quem se aventura nestes campos: pode fantasear-se à vontade sobre o Estado Novo desde que se esteja do lado certo. Como é óbvio a História de Portugal coordenada por Rui Ramos não é atacada por erros mas sim porque existe. Escrevesse o Rui Ramos o que quer que fosse e ele teria de ser sempre vítima duma infâmia pois não é suposto que se questione a narrativa oficiosa sobre o Estado Novo e a I República. Ainda por cima ele não vive escondido e tem sucesso editorial. Se o Rui Ramos fizesse como muito bom historiador de esquerda uma profissão de fé sobre Hitler-Salazar podia em seguida escrever tolices quejandas às desta legenda ou sobretudo deixar transparecer aquela espécie de fascínio por Salazar que se encontra em muita obra de alguns historiadores que para sua felicidade fazem parte do povo de esquerda. Se o Loff quiser ir por aí material não lhe falta.
Rui Ramos responde a artigo difamatório
Um caso de difamação
“Publicou o jornal PÚBLICO, nos números de 2 e 16 de Agosto, dois artigos de um seu colunista quinzenal a acusar-me de ter dito, na História de Portugal de que sou autor com Bernardo de Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, que a ditadura de Salazar não era uma ditadura, mas um regime democrático e pluralista, e que a melhor solução política para o Portugal de hoje é uma ditadura fascista como a de Salazar (há obviamente uma contradição nestas duas acusações, que parece ter escapado ao autor delas).
Para “provar” tais calúnias, são-me atribuídos argumentos que nunca defendi e deturpado o sentido de frases e de pedaços de texto, grosseiramente mutilados e manipulados. Darei alguns exemplos. É dito ter eu afirmado que Salazar não era uma “personagem ditatorial”, no sentido em que não era um ditador e o seu regime não era uma ditadura. Nunca, como é óbvio, disse isso: o que eu digo, a p. 639, é que Henri Massis, ao visitar Salazar em 1938, notou que “nada tinha de uma personagem ditatorial” (a expressão não é minha, mas de Massis), no sentido em que projectava uma presença muito diferente do ditador típico da época, como Mussolini, o que não quer dizer que Salazar não fosse um ditador (como até Massis o considera, aliás). De resto, chamo por todo o lado ao Estado Novo uma “ditadura”. Ler mais…
Notícias dos sítios do costume
*O Sindicato da Construção Civil exige obra pública para evitar que os trabalhadores do sector se revoltem
*«Em Lisboa, por exemplo, as habituais agremiações de manifestantes nem sequer convocaram uma concentração junto à embaixada da África do Sul. Não houve um comunicado. Nem uma declaração. Nem uma frase a exigir justiça ao Presidente Jacob Zuma. O rastilho da indignação fácil vira-se agora para Londres, onde Julian Assange está refugiado na embaixada do Equador, país que lhe garantiu “asilo político”.» Delito de Opinião (Que Nossa Senhora de Quinche, Padroeira do Equador, se apiede do pessoal da embaixada daquele país em Londres porque ter de aturar o senhor Assange fechadinho entre quatro paredes não deve ser fácil.)
Às portas da emigração (actualizado)
O ministro que tem a tutela dos emigrantes é… Paulo Portas. Não o encontrámos em nenhuma das muitas festas de emigrantes que se realizaram neste últimos fins de semana. Talvez não goste de emigrantes. Talvez nem ele próprio saiba que é o ministro da área.
Notícias
Inovação? Qual inovação?
Bastou Louçã apresentar como solução inovadora a liderança bicéfala de um homem e uma mulher para o BE para tal coisa passar a inovadora. Digamos que esta solução não tem dada de inovador antes representa um regresso às origens da extrema esquerda pois lideranças bicéfalas de um homem e uma mulher não são de modo algum inovação na extrema esquerda portuguesa. E são sobejamento conhecidos os resultados a que essa bicefalia conduziu. Ou já se esqueceram do POUS da Carmelinda Pereira/Aires Rodriges e do PRP de Isabel do Carmo/ Carlos Antunes?
(imagem tirada daqui)
Impressões
Tourada
Mundivisões diferentes – tradição vs direitos dos animais. A solução poderá ser um referendo nacional.
O compilador
A propósito da má fé de Loff em relação a Rui Ramos e da sua fúria por a História coordenada por Rui Ramos estar a ser distribuída com o EXPRESSO creio que melhor explicação para este tipo de fenómenos é a que foi dada por Eça na resposta a Pinheiro Chagas. Chagas indignara-se com o facto de Eça usar a História de Portugal, de Oliveira Martins, e não a dele Pinheiro Chagas. Ao que Eça concluiu fazendo um retrato de Chagas que cabe que nem uma luva em Loff: «Eu compreendo o furor dum historiador que tem História com tabuleta e porta para a rua, ao ver o freguês ir alegremente fornecer-se de ciência à História do vizinho e do rival: são momentos esses que bastam para depor numa alma de compilador ou de lojista insondáveis camadas de fel.» Como as ideias de Loff não triunfaram neste país a edição é livre. Logo Loff tem bom remédio: pode comçar a fazer um outra História de Portugal.
Manuel Loff, um historiador menor que é mais conhecido pela sua adesão ao ideário do Partido Comunista, resolveu insultar nas páginas do Público Rui Ramos a propósito da História de Portugal que este coordenou. O seu esforço canhestro, baseado em mentiras descaradas e em citações tiradas do contexto – por vezes citações de autores que o autor cita e não representam, naturalmente, as suas opiniões –, tem um só objectivo: combater um historiador que não apresenta do Estado Novo o retrato maniqueísta e ideológico que, durante décadas, o PCP e os intelectuais afiliados foram construindo do salazarismo. Esse retrato, baseado na identificação plena do autoritarismo salazarista com o fascismo italiano e com o nazismo alemão, há muito que está desacreditado entre os historiadores sérios, sejam eles mais à esquerda ou mais à direita. Manuel Loff é que, infelizmente, não é um historiador sério. Basta recordar que titulou um dos seus livros com uma frase que atribui a Salazar – “O nosso século é fascista”, assim, entre aspas – que Salazar nunca pronunciou. É antes um ideólogo que, por exemplo, acha que aquilo a que alguns chamam a ordem “demo-capitalista” – as nossas democracias – se assemelha à (velha) “Nova Ordem” nazi-fascista, como defende no último capítulo desse mesmo livro. Por tudo isto, e porque entre os historiadores ninguém lhe dá real crédito, os seus textos deviam ser ignorados como simples infâmias mal-intencionadas, obras de alguém intelectualmente desonesto que sustenta a sua tese em factos que qualquer leitor desta História de Portugal sabe serem falsos (por exemplo: Loff dá a entender que Ramos ignora ou desvaloriza o aparelho repressivo do Estado Novo, quando há várias páginas dedicadas à censura, à PIDE ou aos métodos de tortura; Loff também chega ao ponto da difamação ao dizer que Ramos não classifica como ditadura o regime salazarista, quando isso é feito de forma muito clara).
Não por acaso, essa História de Portugal foi muito elogiada, mesmo por pessoas que não são suspeitas de terem as mesmas inclinações políticas de Rui Ramos. José Mattoso, por exemplo, escreveu em 2010 Ler mais…
Grotesco
*Em 2009 uns banhistas ignorando a sinalização resolvem colocar-se junto a umas arribas. Morrem cinco deles. Três anos depois – Maria Luísa: famílias pedem 900 mil euros
*Numa conferência de imprensa em Quito na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros equatoriano, Ricardo Patiño, anunciou que o seu país concedeu asilo político a Assange principalmente porque os direitos de defesa não são respeitados na Suécia.
*2009 Presidente Zuma celebra vitória cantando um dos hinos do ANC Please bring my machine gun 2012 O resultado desta cultura em que os líderes cantam Please bring my machine gun está à vista nos recentes acontecimentos da Àfrica do Sul
Bendito Luisão*
Os juros da dívida pública caíram, esta semana, novamente.
Estão em causa os juros a 10 anos que desceram pela quinta vez consecutiva.
São, sem dúvida, boas notícias, dirão alguns. Os mercados recomeçam a acreditar em Portugal e, estando em causa a dívida pública a 10 anos, tal significa que há um crédito de confiança(zinha) na nossa recuperação. Mas, de todo o modo, essa performance já não tem sido tão impressiva no que respeita à dívida pública a curto prazo.
Às Portas da emigração
O ministro que tem a tulela dos emigrantes é… Paulo Portas. Esperamos vê-lo em breve numa das muitas festas de emigrantes que se realizam neste fim de semana.
um raciocínio diícil de entender
No mesmo discurso, Pedro Passos Coelho anuncia que 2013 será o “ano de inversão na situação da economia em Portugal” e que o orçamento de estado para esse ano incluirá mais uma medida suplementar para o equilibrar, ou seja, mais impostos. Francamente, há neste raciocínio uma contradição qualquer que me escapa…
Só visto
“O Pontal do nosso desapontamento” Será que em algum momento Maria de Belém pensou que o discurso de Passos no Pontal não ia desapontar?
A barbárie do capitalismo Alguém pode explicar ao Sérgio Lavos que o ANC partido do governo da África do Sul é socialista?
acabou
O Estado Social português acabou. Da pior maneira, por implosão do modelo social que manteve utopicamente durante décadas, e que devia e podia ter sido paulatinamente reformado enquanto havia dinheiro e tempo para isso. Agora, sem dinheiro para coisa nenhuma nem sítio para o ir buscar, o Estado Social vai-se decompondo e desmoronando com violência inaudita sobre centenas de milhares de pessoas que nunca conheceram outro modo de vida e a quem foi vendida a ilusão de que o governo e o estado podiam substituí-las na responsabilidade individual pelas suas existências. Estas pessoas a quem hoje falta emprego, saúde, educação, reformas, dinheiro, esperança, em suma, o indispensável para se poder ter uma vida digna, foram vítimas de políticos trapaceiros, de economistas inescrupulosos, de vendedores de ilusões que, ao longo de décadas, lhes foram prometendo o céu na terra, em troca dos seus votos e dos benefícios e privilégios que a política e o poder lhes foram dando. Esta crise tem, portanto, nomes e responsáveis, e só terá saída se as suas vítimas perceberem que foram enganadas e que não é possível viver como lhes foi prometido.
O tempo esse grande mestre
Depois disto White House Honey Ale creio ter chegado a hora de se rever a chacota sobre a quinta de Maria Antonieta e as galinhas de Salazar em São Bento.
Ps. A propósito acham que se corre o risco de Mitt Romney reabrir Guantanamo caso seja eleito?




