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Assim se vê o que é um jornal de referência

23 Julho, 2012
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Na última edição do Expresso, consta esta prosa de autor incerto mas que desvenda muito do que está em causa:

“Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas – Na escola ‘o Cassola’, na pátria o Relvas – nasceu Virgem, em Lisboa, a 5 de setembro de 1961, quando os tambores da guerra clamavam “Angola é nossa”, território onde viveu até 1974. Terceiro filho de uma família sem história (até ao próprio ter nascido)…”.

O Expresso, com a acuidade que se lhe reconhece, em estilo falaciosamente piadético, coloca o dedo na maior de todas as feridas: o homem não tem pedigree, como devia, para pretender ocupar os lugares de decisão, pelos vistos, predestinados para os melhores berços e para aqueles que os “expressos” desta vida julguem convenientes.

Impressões

22 Julho, 2012
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“Troika” passa para a segunda liga

Em termos políticos, o deficit, etc., passou tudo para a segunda liga. Agora é a praia, depois só um tópico interessa – autárquicas.

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O desemprego dos professores

22 Julho, 2012
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Vai por aí um enorme choradinho sobre o facto de, em 2012/1013, o Ministério da Educação ir contratar menos professores. E por muitos professores do quadro irem ficar sem turmas. Acusam-se os mega-agrupamentos, a revisão curricular e o tamanho das turmas, como se medidas destinadas a gerir melhor os recursos humanos não fossem necessárias, como se o dever do Estado fosse arranjar emprego para os professores e não utilizar da melhor forma o dinheiro dos nossos impostos.

Ninguém refere um dado essencial: há menos alunos nas nossas escolas. Há menos alunos porque os portugueses há muitos anos que deixaram de ter muitos filhos. No ensino básico, por exemplo, em 1985 havia 1.487.600 alunos no ensino público regular, em 2011 já só eram 932.297. Nos cursos gerais do ensino secundário  o pico foi atingido em 1996, com um total de 272.951 alunos, mas em 2010 já só eram 175.658.

Em contrapartida, o número de professores esteve sempre a crescer até 2005 e, de então para cá, só desceu marginalmente. Resultado: fazendo umas contas grosseiras sobre o rácio alunos/professores, que era de 15 para 1 no início da década de 1980, verifica-se que foi descendo sempre, passando a 12 para 1 no início da década de 1990, 9 para 1 na viragem do século e chegando ao mínimo de 7,72 para 1 no último ano para que há dados, 2010.

Poderá alguém explicar aos sindicatos dos professores e aos senhores jornalistas que, com menos alunos nas escolas porque há menos portugueses em idade escolar (uma escolha dos portugueses que têm menos filhos, não de nenhum governo), necessariamente haverá menos postos de trabalho para professores?

Santarém é o bom exemplo

21 Julho, 2012
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Ontem à noite, Santarém tornou-se na primeira capital de distrito a aprovar a agregação de freguesias na sua Assembleia Municipal. Um excelente trabalho do deputado Nuno Serra e uma grande vitória do PSD local e distrital. Os escalabitanos mostraram ao País o caminho reformista a seguir.

Prevenção

20 Julho, 2012

Esta é a altura certa do ano para começar a prevenir as cheias de início de Outono. Desentupir os colectores. No Outono podemos começar a pensar na prevenção de incêndios.

Alegria de curto prazo

20 Julho, 2012

Os que ficaram preocupados com o elevado número de professores com horário zero são os mesmos que há uns dias andavem felizes com a decisão do Tribunal Constitucional sobre o corte de subsídios. Mas basta fazer as contas. Por um lado são 3 mil milhões de euros (brutos) que não se cortam. Por outro são cerca de 2000 euros * 14 meses * 10 000 horários zero = 280 milhões de euros. Já só falta arranjar onde cortar 2720 milhões de euros.

Dezassete anos depois

19 Julho, 2012

Sabe-se o que aconteceu a Publio Cordón.

La Policía francesa ha localizado en Lyon (Francia) el piso donde la banda terrorista Grapo tuvo secuestrado al industrial

El Gobierno da por esclarecido el secuestro de Publio Cordón

Detenidos tres ‘grapos’ por secuestrar hace 17 años a Publio Cordón

Horários zero

19 Julho, 2012

De repente horário zero tornou-se sinónimo de maus trato para o professor. Enfim a infâmia do horário zero é recente. Recordo dos meus tempo de professora e de associação de pais a existência duma casta que se caracterizava precisamente por não ter turma.  Não tinham cargos especiais nem trabalho que se entendesse. Simplesmente faziam parte dos quadros das escolas mas não tinham turmas. Nunca vi sindicato, federação ou associação protestar contra esta pouca vergonha.  Agora  que horário zero já não significa privilégio antes insegurança tudo parece valer para combater os  horários zero. Mas à partida convém lembrar que o objectivo da escola é ensinar os alunos e não empregar todos aqueles que têm formação no ensino.

Tragédias anunciadas

19 Julho, 2012

*«Há mais de dez anos a disciplina de Física e Química era essencial e importante para os alunos do ensino secundário que se preparavam para entrar na universidade em cursos de ciências, designadamente relacionadas com medicinas ou engenharias. Por altura do governo de Durão Barroso, sendo ministro David Justino, na sequência de ideias peregrinas que tinham então pleno curso no ministério da Educação, a matéria dessas disciplinas deixou de ser obrigatória no 10º ano e passou a ser possível que os alunos adiassem a frequência dessas disciplinas para o 11º ano. Os que adiavam a frequência deixavam de poder frequentar as disciplinas de física e química no 12º ano, tendo estas, por outro lado, sido consideradas opcionais.  Ou seja, quem começasse no 10º ano com tais disciplinas ficava com a possibilidade de não as frequentar no 12º ano Quem começasse no 11º, por ter adiado, ficava ipso facto impossibilitado de as frequentar no 12º ano.
Toda a gente das ciências sabe que tais disciplinas são difíceis e exigem estudo permanente e constante, pelo que tais opções políticas de educação levaram a que muitos alunos optassem pela facilidade, o que é natural. As disciplinas substitutivas daquelas passaram a ser psicologia e técnicas de informática» O resto pode e deve ler-se aqui Porta da Loja

 

*O percurso do procurador-geral da República (PGR), Dr. Fernando Pinto Monteiro relembrado no Portugal Profundo

Promover o mau ensino superior …

18 Julho, 2012

… e o eduquês.

O novo sistema de professores é um sistema de avaliação pelos pares. Os avaliadores têm de possuir mestrado ou doutoramento, estarem no 4º escalão ou noutro superior ou possuírem especialização em supervisão pedagógica ou experiência profissional em supervisão pedagógica e observação de aulas. Como é habitual, não haverá qualquer distinção entre os mestrados e doutoramentos que conferem o direito de ser avaliador. Para o ministério da educação todos os doutoramentos são iguais, o que favorece as universidades menos rigorosas na atribuição de doutoramentos. Favorece ainda os doutoramentos em educação, que são os mais fáceis de obter. Portanto, vamos ter o ministro Crato a promover o eduquês. Note-se este tipo de decisões, que têm um efeito destrutivo em todo o ensino,incluindo o superior, são tomadas em parceria entre o ministro e os sindicatos.

Isto é verdade

18 Julho, 2012

todas as licenciaturas são obtidas por equivalência
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Graças a Bolonha os bacharelatos passaram a ter equivalência a licenciaturas.

Estratégia de comunicação do governo

18 Julho, 2012

Conseguir que Louçã, D. Januário e Mário Soares falem todas as semanas.

Obs. Sobre Mário Soares convirá lembrar que o eco que os jornalistas lhe dão é inversamente proporcional à reacção que gera no eleitorado.

Estado é um mau avaliador de currículos

17 Julho, 2012

O Ministério da Educação vai fazer uma auditoria à Universidade Lusófona. Parece-me uma perda de tempo. Foi feita uma auditoria em 2009 que não encontrou as irregularidades que agora se procuram. O Ministério da Educação em vez de tentar controlar todas as universidades públicas ou privadas, devia preocupar-se com objectivos mais realistas e mais de acordo com as suas capacidades. Pode começar por auditar a auditoria de 2009 para tentar perceber se ela falhou ou não falhou. E já agora tentar perceber se estas auditorias servem para alguma coisa.

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.Temo que não se tenha percebido que a origem do problema do mau ensio universitário esteja na forma como o Estado avalia os seus funcionários. Sugiro que o ministro ordene uma auditoria aos sistemas de contratação e de bonificação salarial dos professores e funcionários do Ministério da Educação. Alguns aspectos que a auditoria deve analisar:

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– porque é que nos concursos de professores a qualidade da universidade que formou o candidato não é tida em conta? Porque é que um candidato formado numa universidade de topo pode ficar atrás de candidatos com média de curso superior formados em universidades muito mais fracas?

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– porque é que um doutoramento em eduquês nas piores universidades do país conta tanto para progressão na carreira como um doutoramento em matemica ou física nas melhores universidades do país, mesmo que o segundo possa ter artigos publicados nas melhores revistas científicas?

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-porque é que um curso em admnistração escolar numa universidade reconhecida internacionalmente vale tanto para efeitos de progressão na carreira como um curso em admnistração escolar numa universidade obscura.

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Esta análise deve ser complementada com uma análise das estratégias que algumas universidades fazem para explorar os sistemas de contratação e de progressão de carreira do Estado. Deve-se ainda analisar a forma como evoluiram as médias de curso e a qualidade dos doutoramentos como resposta aos incentivos criados pelas oportunidades de ingresso e progressão na carreira que o Estado cria.

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Enquanto o ministro não fizer esta análise não perceberá que é o próprio ministério da educação que anda a alimentar os maus cursos e as más universidades. Não pode haver ensino superior de qualidade quando um dos principais empregadores não distingue as boas das más universidades. Nem faz sentido que o Ministério da Educação queira ser um bom regulador do ensino superior quando é um péssimo avaliador enquanto empregador.

Política e moralidade

17 Julho, 2012

Um estrangeiro que chegasse hoje a Portugal teria dificuldade em perceber porque é que os portugueses andam todos indignados a pedir a demissão do ministro Relvas. Por entre tanta indignação e rasgar de vestes, é difícil encontrar quem tente  justificar porque é que nestas circunstâncias um ministro se deve demitir. Uma das poucas excepções é este texto de Carlos Fiolhais que a dado momento diz o seguinte:

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Assim como não é nenhum crime requerer, pagando, equivalências de cadeiras universitárias ao abrigo da Declaração de Bolonha. O problema não é, porém, de legalidade, mas sim de moralidade. Com que cara pode o governo pedir exigência no ensino se, dentro dele, se encontram casos de falta de exigência?

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Esta passagem chamou-me a atenção porque é uma tentativa de estabelecer uma ligação entre política e moralidade que tem tudo para correr mal. Tem tudo para correr mal porque a sociedade portuguesa não conseguiria nunca viver sob um nível tão alto de exigência e rapidamente assistiriamos a situações iguais que não teriam o mesmo tratamento. Em vez que promover uma sociedade virtuosa, este ênfase na moralidade e na autoridade moral dos políticos tende inevitavelmente a promover a hipocrisia.

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A sociedade portuguesa tem experiência suficiente em casos semelhantes para não haver muitas ilusões nesta matéria. Para quem não se lembra, o caso da licenciatura de José Sócrates é de 2007. Este caso não suscitou pedidos de demissão do Primeiro-Ministro nem impediu a vitória eleitoral de Sócrates em 2009. Isto é, eleitores que já sabiam dos problemas da licenciatura de Sócrates votaram nele à mesma (aposto que muitos deles agora pedem a demissão de Relvas). Este é o padrão da política portuguesa, goste-se ou não dele, e foi de certa forma legitimado pela prática e pelas urnas. Lembre-se ainda que as tentativas por parte de Marques Mendes ou Manuela Ferreira Leite de moralizar a política acabaram por  ser rapidamente anuladas por casos de hipocrisia (Isabel Damasceno, António Preto) e por culminar em derrotas políticas e eleitorais.

E é isto que temos

17 Julho, 2012

«Começa assim a entrevista de João Céu e Silva no DN de ontem ao secretário da estado da cultura Francisco José Viegas: “Este é um dos governos mais burocráticos e menos cultos da democracia pós 25 de Abril…”
Ao que Viegas brandamente responde: “essa é uma afirmação desajustada”. O cultíssimo João Céu e Silva insiste e esclarece a sua pergunta: “Digo menos cultos porque os portugueses têm a impressão de que metade dos ministros nunca leram um livro”.» Pedro Lomba no Facebook via Corta-fitas

Sobre o estado de desgraça de Miguel Relvas

17 Julho, 2012

 de graça do Governo – alguém perguntou à ministra do Ambiente o que pensava sobre o prologamento da vida das centrais nucleares em Espanha? – , dos jornalistas que avaliam o mundo pelas redes sociais falei ontem na TVI. 

Obs. A propósito de TVI o cargo de Bispo emérito das Forças Armadas torna uma alminha  inimputável?  D. Januário diz isto e mais isto e volta tranquilo para a sua casinha? D. Januário está graduado em major-general e nas democracias burguesas os militares têm o dever de reserva. Nos países revolucionários de que D. Januário tanto gosta os bispos activistas sobretudo se forem majores-generais começam por ter muita gracinha  e depois perdem-na. Geralmente nessa fase só lhes resta a esperança que nos países capitalistas, corruptos e nefandos alguém não se esqueça deles.

Smart boys, naive girls

16 Julho, 2012

Apenas 36 em cada 100 diplomados são do sexo masculino
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Estado está a contratar enfermeiros a menos de 4 euros/hora

Burning Bridges

16 Julho, 2012

Se Miguel Relvas está a ser atacado por causa da privatização da RTP, o governo tem uma boa solução:

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1. Desde já abrir a RTP à publicidade, eliminando os limites à publicidade na RTP1 e introduzindo publicidade em todos os outros canais. Esta medida deve ser acompanhada de corte imediato das indemnizações compensatórias.

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2. Aceleração da privatização da RTP.

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Qualquer outra opção seria um sinal de que o governo está a ponderar ceder à pressão.

A sinagoga do Porto

16 Julho, 2012
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Agradeço à Comunidade Israelita do Porto ter incluído algumas imagens da minha apresentação do livro de Inácio Steinhardt, “Origens dos judeus em Portugal”, realizada no passado dia 14 de Junho, neste vídeo de homenagem à Sinagoga do Porto.

 

Ainda o estranho caso Relvas (II)

16 Julho, 2012
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Se, no meio disto tudo, a privatização da RTP ainda avançar mesmo, com sucesso, aí, talvez Relvas já mereça mesmo a sua licenciatura (…politicamente falando, é claro!)

Ainda o estranho “caso” Relvas*. (I)

16 Julho, 2012
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Já se sabe que a sua licenciatura tipo “pudim boca doce”, sendo legal, não deixa de ser, no mínimo, singular…. Já se sabe que a justificação, provavelmente precipitada e desprevenida, do ex- Reitor da Univ. Lusófona – Porto, Santos Neves, foi, também ela, uma espécie de “não – justificação”! Já se sabe que a instituição meteu o “pé na poça” e o Ministro aceitou (ou, pelo menos, não recusou) seguir o caminho mais fácil e mais facilmente enganoso… ( ainda que Relvas não precisasse do diploma para nada – até ver – e nem tenha sido Secretário de Estado e Ministro, por causa dele)

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Impressões

15 Julho, 2012
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Rumo a um colapso autárquico?

PSD e CDS podem estar a caminho de um colapso autárquico em 2013. Qualquer correcção de rota tem que ser feita a tempo.

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Falácias argumentativas no debate sobre o défice – série

15 Julho, 2012

Falácias argumentativas no debate sobre o défice: Défice não aditivo
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Falácias argumentativas no debate sobre o défice II: Despesa multiplicadora de receita
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Falácias argumentativas no debate sobre o défice III:Baixar o défice cortando em parcelas irrelevantes e Microgestão das parcelas irrelevantes
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Falácias argumentativas no debate sobre o défice IV: Crescimento do endividado

Falácias argumentativas no debate sobre o défice IV

15 Julho, 2012

Crescimento do endividado

Esta é a ideia básica do hollandismo até à vitória nas eleições legislativas francesas: a solução para a crise é o crescimento. Se aeconomia crescer equilibramos o orçamento e pagamos a dívida.
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O problema desta ideia é que o crescimento resulta da acumulação do capital. Uma economia endividada tem que desviar poupança para pagar dívidas. Não pode desviar poupança para acumular capital. Para alem disso, se  o próprio Estado estiver no limiar da falência por excesso de endividamento, ninguém se dispõe a investir uma vez que há uma elevada probabilidade de os impostos e as acções arbitrárias do Estado venham a aumentar no futuro. Curiosamente, são os que mais falam em crescimento que mais falam em medidas de perseguição aos investidores e de destruição da estabilidade macroeconómica (default à dívida externa, saída do euro). Portanto, se um país atingiu um determinado limiar de endividamento é certo e seguro que não vai crescer até o endividamento ser reduzido para níveis mais aceitáveis.

É urgente criar a figura do objector fiscal

15 Julho, 2012

Porque «Li no Público que o São Carlos mais a Companhia Nacional de Bailado (…)  têm, em 2012, um orçamento de 14,5 milhões de euros dos quais apenas 850 mil euros servem a programação propriamente dita do Teatro lírico e 500 mil a da Companhia. O resto, pelos vistos, é “funcionamento”.» Portugal dos Pequeninos.  João Gonçalves 

Porque «Mais um monumento» José Meireles Graça, Forte Apache

Obs. E como este blogue é maioritariamente do Norte será que alguém me pode informar se já foi aberta a Casa do Cinema?

Notícias do Diário de Notícias versão 1975

14 Julho, 2012

«Amanhecia na baía de Havana quando o Ana Cecília se fez ao porto. Pela primeira vez, muitos cubanos viram chegar uma embarcação vinda dos Estados Unidos com ajuda humanitária, naquela que foi a primeira viagem de uma carreira que agora se deverá repetir todas as semanas. A viagem marcará uma nova etapa na relação entre os dois países, deteriorada pelo embargo norte-americano a Cuba que já se prolonga desde 1962. (…) Os cubanos que vivem nos Estados Unidos poderão agora enviar para Havana móveis, materiais de construção, peças para carros ou outros bens de primeira necessidade. Mas não poderão viajar eles próprios no Ana Cecília. »

A saber: a relação entre os EUA e Cuba deteriorou-se porque nos idos de 1962 os EUA determinaram um embargo (nunca hei-de compreender como pode um país socialista ter esta fixação no reatar relações comerciais com o satã capitalista) e os cubanos que vivem em Miami não podem viajar para Cuba no Ana Cecília. Felizmente os cubanos residente em Cuba podem viajar para os EUA e para todo o mundo no Ana Cecília ou em qualquer outro meio de transporte. Coitadinhos dos cubanos de Miami impedidos de viajar.

Um juiz que gosta de Conversa de café

14 Julho, 2012

Na sua entrevista de ontem o presidente do Conselho da Revolução fez algumas afirmações que mostram a qualidade e o rigor deste tribunal. Por exemplo, disse que o governo chamou a contribuir apenas os rendimentos do trabalho e deixou de fora os do capital, o que é falso. O governo aumentou os impostos sobre os rendimentos do capital. Estranho que alguém que acabou de analisar este caso não o saiba, o que sugere que existe um elevado nível de diletantismo e de falta de profissionalismo no tribunal. O presidente do Conselho da Revolução aventura-se ainda a sugerir que há muita margem para cortar na despesa. Esta alegação até é discutível, mas depois ele sugere que se corte nas subvenções aos partidos políticos. Mais uma vez nota-se que nunca estudou o problema seriamente. Mostra não saber que o governo já cortou nos subsídios aos partidos, mas pior, acha que um corte de alguns milhões de euros é relevante para pagar um buraco de 2000 milhões. O mais curioso é que o presidente do Conselho da Revolução parece estar a falar de verbas para os partidos da Madeira, cerca de 6 milhões de euros, que nem sequer são do actual orçamento mas dos orçamentos dos anos anteriores. Aliás, esta incapacidade de relacionar as ordens de grandeza dos números envolvidos nas diferentes medidas talvez explique a surpresa do presidente do CR pela reacção do governo. Só depois dessa reacção é que os membros do CR começaram a perceber as consequências da sua decisão.

Como a greve dos médicos mostrou o absurdo do acórdão do Tribunal Constitucional

13 Julho, 2012
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Os juízes do TC falaram de igualdade mas não quiseram avaliar o que é desigual no estatuto dos funcionários públicos. Os médicos reivindicam um estatuto que levaria o SNS à ruína. E ainda o mal do Relvas. Hoje, no Público:

Sabem quantas vezes se utiliza a palavra “desemprego” na deliberação do Tribunal Constitucional sobre os subsídios na administração pública? Apenas uma vez. E essa vez é quando se cita a lei do Orçamento do Estado. De sua lavra, nunca os juízes a escreveram. É, a meu ver, um detalhe que diz muito sobre o sentido daquela deliberação, já que esta tratou de analisar o “princípio da igualdade”, mas considerou “irrelevante” o facto de os funcionários públicos terem mais segurança no emprego. Quando em Portugal há mais de 15% de desempregados, considerar que “não é idóneo” (estou a citar o acórdão) ter este factor em consideração, quando se debate uma justa distribuição dos sacrifícios, é próprio de quem vive longe, muito longe, do mundo real e das dificuldades sentidas pela maioria dos portugueses.
De todos os juízes, só um – Maria Lúcia Amaral, que votou contra a resolução – teve a humildade de reconhecer “que não dispunha aqui o tribunal de nenhuma evidência que lhe permitisse comparar o grau de sacrifício exigido aos afectados por estas medidas e o grau de sacrifício efectivamente sofrido por outros”. Ler mais…

Sindicato quer expulsar trabalhadores

13 Julho, 2012

Sindicato quer expulsão de empresa subcontratada na obra da Covilhã

Voltando ao Conselho da Revolução

13 Julho, 2012
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O João já aqui referiu a espantosa entrevista do presidente do Conselho da Revolução. Eu, que li o acórdão, fiquei espantado quando o ouvi dizer que, afinal, os juízes se estavam a referir nas suas comparações a rendimentos do capital e não aos salários dos trabalhadores do sector privado. Voltei por isso ao acórdão e fiz uma busca simples por “rendimentos”, “capital” e “rendimentos do capital”. Confirmei a impressão da primeira leitura: o acórdão nunca fala de rendimentos do capital enquanto tal. Nunca por nunca. Alguém andou a dar lições de spin ao senhor presidente.

De resto a entrevista, impensável numa democracia adulta, onde os juízes falam através dos seus acórdãos, não dão entrevistas, tem outras partes fantásticas. Como aquela em que alguém que acha razoável pronunciar-se sobre a reacção do primeiro-ministro, acha condenáveis declarações da ministra da Justiça em que esta apenas disse o que pensava. É um vidrinho, este senhor. Esperemos que regresse depressa a Coimbra.

Notícias do direito constitucional

13 Julho, 2012

O presidente do Conselho da Revolução quer que o Estado taxe mais o capital.

Há vida nos arquivos

13 Julho, 2012

e existem muitos outros além da Arquivo Salazar e PIDE. Levo boa parte da minha vida em arquivos e confesso que pasmo com as pessoas que nunca lá encontrei. Ou melhor ainda não entendo aqueles jornalistas que me telefonam a perguntar se nas minhas andanças peloas arquivos não encontrei uma história assim ou assado. Há milhares de histórias. Factos a pedir investigação. Mas enfim as coisas são como são e por isso andamos sempre à volta do mesmo. Na verdade nem sempre. No Malomil investiga-se e eis esta investigação sobre Fernando Pessoa, Mussolini e um destacado anti-fascista italiano residente em Lisboa.

A vida são dois dias, o Carnaval são três e os fundamentalismos aproveitam-nos bem

13 Julho, 2012

A turminha da igualdade: Au volant, les inégalités mettent le turbo. Une étude commandée par le loueur Holidaycars.com montre que les femmes peinent à s’imposer en voiture 

Os doidinhos do costume: Une chaîne de télévision 100% niqab en Égypte. Le 20 juillet prochain sera lancée «Mariya», la première chaîne satellitaire animée uniquement par des femmes portant le voile intégral.

E agora muito a sério: Mor Gabriel o mais antigo mosteiro turco encontra-se em risco de destruição. Um processo legal foi levantado com aquela intenção. A justificação está na prática de actividades anti-turcas e no detalhe de ter sido construído por cima de uma mesquita:  o mosteiro de Mor Gabriel foi fundado no ano 397 dC. O profeta Maomé nasceria 170 anos depois. A comunidade e o mosteiro são considerados pelo Supremo Tribunal turco como ocupantes.

Dois conceitos de licenciatura

12 Julho, 2012

Hoje em dia, uma licenciatura é apenas um certificado de que uma pessoa concluiu um curso de acordo com os critérios de uma dada universidade. A licenciatura tem o valor que tiver a universidade que a concedeu, havendo grande diferença entre universidades haverá também grande diferença entre os títulos que elas concedem.

A percepção da opinião pública da licenciatura não é esta. A opinião pública continua a ser dominada por conceitos de licenciatura de há 30 ou 40 anos, há 2 ou 3 reformas do ensino universitário atrás, quando existiam 3 cidades com ensino universitário em Portugal e em que o acesso às profissões das elites era cuidadosamente guardado. A elites universitárias eram elas próprias produto de um sistema fechado à concorrência e às influências da cultura estrangeira.

As licenciaturas certificavam um misto de competência técnica e de pertença às classes sociais superiores, embora em muitos casos só certificassem uma destas características. A licenciatura era um título difícil de obter, em parte porque os critérios académicos eram outros, em parte porque havia escassez artificial criada deliberadamente para preservar o valor das universidades que detinham o monopólio do ensino superior.

Entretanto o mundo mudou de forma irreversível, mas a opinião pública não se actualizou. A opinião pública suspira por certificados imaculados de inteligência e saber, mas estes só eram possíveis sob um sistema universitário elitista e exclusiva que mantinha um monopólio concedido pela lei de que estes mesmos universitários eram os autores. Eram, ainda assim, certificados enganadores que reflectiam selecção social e uma perspectiva provinciana e fechada da universidade.

A única solução

12 Julho, 2012
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(Comunicado do Conselho de Ministros)

2. O Conselho de Ministros aprovou o processo de reprivatização do capital social da Estaleiros Navais de Viana do Castelo, S.A., (ENVC, S.A.). Ler mais…

Licenciaturas e liberdade académica

12 Julho, 2012

O único sistema de atribuição de licenciaturas consistente com a liberdade académica é aquele em que a licenciatura é atribuida exclusivamente por critérios definidos pela instituição que a atribui. Esta liberdade implica que cada universidade poderá atribuir licenciaturas com base em resultados de exames, frequência de cadeiras, estágios em empresas, trabalhos, ou mesmo currículo anterior. Há algumas vantagens num sistema destes. A essencial é que as pessoas e as instituições são livres e consequentemente responsabilizáveis pelas suas acções. As universidades são responsáveis pelos seus critérios e quem as frequenta é responsável pela escolha que faz e todos serão julgados pelas suas escolhas. Note-se que se as instituições não pudessem fazer estas escolhas, tanto as universidades como os estudantes poderiam alegar que todas as licenciaturas têm o mesmo valor, sanccionado pela mesma autoridade central. Não têm. Há licenciaturas que valem mais que outras precisamente porque universidades e estudantes fazem escolhas livres.

Fotos a pedir legenda

12 Julho, 2012

E o Poceirão liga onde?

Trabalhadora da mina de carvão de…..?

A solução para a crise

12 Julho, 2012

no Quarta República:

Os médicos fazem greve para defender o Serviço Nacional de Saúde. Entregue-se o SNS aos médicos.

Os maquinistas da CP fazem greve para defender a empresa. Entregue-se a CP aos maquinistas.

Os controladores aéreos fazem greve para defender a gestão do espaço aéreo nacional. Entregue-se a NAV aos controladores.

Os trabalhadores dos transportes fazem greve para defender os transportes públicos. Entregue-se os transportes públicos aos trabalhadores dos transportes.

Os trabalhadores da TAP fazem greve para manter a empresa nas mãos do Estado. Ponha-se o Estado nas mãos dos trabalhadores da TAP.

Aproveite-se a generosidade das Corporações. Nenhuma quer mais dinheiro. E o problema fica resolvido.   

Falácias argumentativas no debate sobre o défice III

12 Julho, 2012

Baixar o défice cortando em parcelas irrelevantes

.Como ninguém quer enfrentar o problema do défice, a tendência é para a conversa se focar em despesas irrelevantes ou em despesas que não sendo irrelevantes  dificilmente poderão gerar poupanças relevandas. Entre estas ideias que servem para iludir a realidade encontram-se todas as ideias demagógicas sobre salários de políticos e administradores, fecho de institutos sem o correspondente despedimento de funcionários e renegociação de compromissos como as PPP.

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Microgestão das parcelas irrelevantes

.Quem reconhece que determinadas parcelas são irrelevantes, recorre a um argumento diferente: se as parcelas forem muitas o total deixa de ser irrelevante. O problema, claro, é que para se cortarem muitas parcelas irrelevantes é necessário identificá-las, estudá-las e definir e executar uma estratégia específica para cada uma delas. É totalmente impossível ao governo fazer este tipo de microgestão.

Ninguno es minero

11 Julho, 2012

Aos autores dos títulos entusiásticos como estes:

Mineiros e polícia em confrontos frente ao Ministério espanhol da Indústria

Cargas policiais no protesto mineiro em frente a ministério espanhol

76 feridos e oito detidos nos confrontos entre os mineiros e a polícia em Madrid

… Convém lembrar que « Del total de heridos, 42 son manifestantes, 33, policías y el último, un fotógrafo de un diario digital de Asturias. Además, la policía ha detenido a ocho personas en la refriega, según la Jefatura Superior de Madrid, sin que por el momento haya trascendido de qué están acusadas ni su identidad, salvo un dato: ninguno de los arrestados es minero.»