Medidinhas e consequências
O Governo anunciou uma majoração de 10% no valor do subsídio de desemprego de casais com filhos, quando ambos estejam desempregados. A medida, integrada no chamado “Programa de Emergência Social” é bem intencionada e até simpática do ponto de vista da social-democracia e da democracia-cristã, mas potencialmente nefasta numa série de aspectos: o próprio Ministro Pedro Mota Soares tocou num dos problemas de qualquer sistema assistencial público: “não vamos gastar em burocracia, vamos investir nas pessoas“. Ora, a majoração vai obrigar a um reforço da fiscalização para evitar fraudes, obrigando à alocação de mais meios à máquina da S. Social. Por outro lado, se bem compreendo a regra, a majoração apenas será aplicada quando ambos os membros de um casal com filhos estejam desempregados, o que significa que se um encontrar emprego, não só perde o subsídio como o outro elemento perde a majoração. O subsídio de desemprego é uma almofada importante, mas é também um desincentivo à procura activa de novo emprego. Para os beneficiários do subsídio majorado, a aceitação de um novo emprego só será atractiva se o salário for superior não só ao subsídio auferido pelo desempregado e aos custos acrescidos para trabalhar (transporte, eventual guarda dos filhos, etc.), mas também à quebra do valor do subsídio do outro membro do casal, resultante da perda da majoração.
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Anunciam-se dezenas de medidinhas e a pergunta simples e básica que qualquer cidadão tem o dever de fazer, aí não se sabe, ou não querem dizer: quanto custa? Ninguém parece saber. Avança-se e isso depois se verá…Um dia alguém pagará. Foi assim que cá chegamos.
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« O Programa de Emergência Social contempla dezenas de medidas, mas o seu impacto orçamental não está discriminado. » (*)
Como criar dependentes e clientelas
Proposta
E que tal encerrar as secretas? O pessoal que as dirige parece não saber muito mais do que o Google, e ainda se deixa apanhar frequentemente em fugas de informação irrelevantes.
Gravatas e aventais*
Portugal é um país que adora entreter-se com aparentes futilidades – no caso as gravatas -, enquanto ilude o que é verdadeiramente importante – ou seja, os aventais. Pelo que li, nas últimas semanas o país tem vivido uma guerra entre aventais, ou mais precisamente entre as diversas lojas maçónicas em que colocam o avental de irmãos diversos membros dos serviços secretos e de informações. Mas o que na verdade nos inebria é a decisão da ministra Assunção Cristas de abolir as gravatas no seu ministério, coisa que começou por ser apresentada como uma medida visando a poupança de energia e já vai a caminho de ser celebrada como um acto que, segundo a deputada Elza Pais, se “poderá traduzir na emergência de novas masculinidades, essas sim, fundamentais para mudar de paradigma”. Ler mais…
«Pode» ser jornalismo. Mas também pode não ser….
Hoje foi o dia do «pode» no Público. Ou «não temos a certeza». Ou «não existem factos, apenas especulações»….ou «Notícias? Pode ser que sim..ou não.»
«Cem pessoas podem ter morrido em barco vindo da Líbia»
«Pode haver outra lua na história da Terra»
«Sónia Brazão pode vir a responder em tribunal por dois crimes»
Silly season…
«Grecia se ha lanzado a la construcción de un enorme foso defensivo en la frontera con Turquía con el que quiere contribuir a frenar el flujo de inmigrantes indocumentados que quieren entrar en la Unión Europea.» Entretanto a Grécia prossegue o seu esforço para que o fluxo de migrantes no muro passe a correr em sentido contrário.
“A pesada herança de Seguro” *
«Seguro é bem capaz de vir a ser o adversário mais temível que Passos Coelho poderia ter pela frente nos próximos quatro anos. Precisamente porque não se perde em minudências (a estreia parlamentar em que exorbitou o dito caso Bairrão deve ser vista como uma lamentável cedência contranatura) e compreende a frieza da lógica pendular dos ciclos políticos. Na verdade, Seguro é o perfeito anti-Sócrates que, não paradoxalmente, muitos socratistas perfilharam para se tentarem redimir a si mesmos e, ainda, salvarem o seu partido, para muitos, a plataforma solitária em que assentaram a base das suas vidas.»
Esbulho
Nos EUA, a autorização para um aumento de dívida pública levou a duras negociações, concluindo-se com uma contrapartida de abaixamento significativo da despesa nos próximos anos. Bom para os contribuintes americanos.
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Em Portugal, o aumento significativo do limite do endividamento do Estado foi apresentado pelo ministro da economia como «cirúrgico». Como se fosse coisa pouca. Ou de efeito limitado. Não é. São milhares de milhões de euros.
E apenas nos primeiros 6 meses deste ano a dívida pública directa do estado aumentou mais de 20 mil milhões de euros, sabe-se lá porquê (até porque o trio ps+psd+pp recusou mesmo que se tornasse pública a razão de tal desastre socrático…).
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O governo entendeu ser de obrigar os contribuintes portugueses a suportarem o refinanciamento de capital de empresas privadas, a troco de nada, e a tornarem-se compulsivamente avalistas de empréstimos a obter pelos bancos. Está tudo louco! Os contribuintes obrigados a avalisar empréstimos de bancos. O rendimento dos portugueses é sequestrado, surripiado, para auxiliar meia dúzia de empresas. É puro banditismo organizado e legalizado.
por que não há governos liberais?
Porque a burocracia tem sempre uma justificação para os seus ímpetos.
Lógica da silly season
Se o Roberto custou 8,5 milhões ao Benfica, vendê-lo por menos seria um mau negócio.
Se o BPN já custou 2400 milhões ao Estado, vendê-lo por menos seria um mau negócio.
Coisas simples
Até à sua nacionalização, o prejuízo, as dívidas e as fraudes relativas ao BPN eram uma responsabilidade directa e exclusiva dos sócios do banco e do seu património.
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O governo socialista de Sócrates ao nacionalizar o banco passou essas dívidas para os contribuintes.
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Os credores privados do banco agradecem muito a Teixeira dos Santos terem recuperado 2500 milhões de euros do seu património privado que de outra forma teriam perdido.
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Os contribuintes portugueses foram mais uma vez generosos, à força é certo, por terem contribuído para a felicidade de um pequeno grupo de seus concidadãos.
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Quem tomou estas decisões de delapidação do dinheiro dos portugueses voltou a ser professor de …economia. Qualquer dia é comentador encartado na tv.
Faroeste*
Na linha do comboio objectos vários impedem a passagem das composições. De repente um grupo armado com barras de ferro e o rosto tapado dirige-se para os vagões e pilha-os. Às vezes assaltam também os passageiros e vandalizam as carruagens. Poderia ser a cena tantas vezes vista nos westerns,mas não é. Porque os assaltos a comboios a que me refiro têm acontecido recentemente em França, sobretudo na zona de Marselha. O último destes ataques teve lugar já neste mês de Julho de 2011, mas desde 2004 que em França se registam assaltos deste género a comboios. Quantas notícias tivemos em Portugal sobre estes ataques? Praticamente nenhuma. Uma outra breve sobre o roubo de cabos que, em França, tem sido responsável por atrasos na circulação ferroviária e mais nada. Ataques a comboios franceses só são noticiados se ocorrerem no Líbano ou no Iraque (entendendo-se aqui por comboios as colunas de camiões militares). À semelhança do que acontece com o terrorismo, também a imagem de bandos provenientes daquilo que os franceses designam como “cidades sensíveis” assaltando comboios não é compatível com aquilo que se convencionou noticiar sobre a Europa e com a imagem que os europeus têm da Europa. E por isso, quase invariavelmente, os passageiros e funcionários destas composições, após estes assaltos declaram que parecia o faroeste. Dava jeito que fosse lá longe e no passado, mas é aqui bem próximo no tempo e no espaço.
*PÚBLICO
É por estas e outras que os ditadores, sobretudo os de esquerda, vão sempre a médicos fora do seu país
«Na audição, Nuno Crato ouviu críticas quer do PCP quer do Bloco de Esquerda ao reforço dos exames ao longo do percurso escolar dos alunos. Rita Calvário, do Bloco de Esquerda, criticou que a progressão nos estudos dependa dos exames, indicando que a opção do Governo por esse tipo de avaliação mostra “falta de confiança” no trabalho realizado pelos professores ao longo do ano. Miguel Tiago, do PCP, afirmou que a “injustiça” dos exames é “evidente” enquanto o Governo não puder garantir “condições iguais”, acrescentando que o Governo PSD/CDS-PP continua a política do PS, transformando “escolas em centros de formação profissional” e professores em “treinadores” de alunos para responder aos exames.» Quando os deputados Manuel Tiago e Rita Calvário forem operados devem forçosamente recorrer a um médico anestesista formado sem a “injustiça dos exames”, em “condições iguais” seja lá isso o que for e cuja progressão nos estudos não tenha dependido dos exames.
O nosso rico BPN
Então metemos 2400 milhões no BPN e agora só nos pagam 40 milhões por ele? Ai que os malandros nos roubam o nosso rico BPN … Ladrões …
As egrégias avós*
Em Espanha, o júri que ia decidir sobre qual o cineasta que seria distinguido com o Prémio Nacional de Cinema foi suspenso, pois integrava três mulheres e nove homens, desproporção de sexos que não é permitida pela legislação dita da igualdade, em vigor naquele país.
Não deixando sempre de me surpreender com a energia e a imaginação reveladas por estes comissários da igualdade, creio que o melhor é apresentarem-nos o catálogo da fantasia igualitária todo de uma vez. Por exemplo, este ano suspenderam o júri e lá mandaram sair um senhor para entrar uma senhora. Para o ano já sabemos que num outro festival qualquer o problema vai nascer do facto de o premiado não ser uma mulher. Ou porque os filmes não têm actores negros ou asiáticos. Ou porque não existem homossexuais. Ou porque as diversas confissões não estão todas igualmente representadas. Ou por outra razão qualquer.
Paulatinamente passámos da defesa da igualdade de direitos para o proselitismo da igualdade em si mesma. E o resultado é esta maluqueira extenuante em que a mais simples escolha do presente é vivida sob o estigma da discriminação e o passado é sujeito a uma espécie de censura prévia. E, nem de propósito, enquanto procurava terminar este texto descobri que a Áustria vai mudar a letra do seu hino de modo a que este refira não apenas os filhos da nação mas também as filhas. Se a moda pega, os hinos, como o português, tornar-se-ão um quebra-cabeças, pois para além das heroínas do mar ainda temos o magno problema das egrégias avós. Não se riam que não só lá chegaremos, como já se discutiram coisas bem mais estúpidas.
*PÚBLICO
Daqui a minutos, no Porto Canal…
O ‘nosso’ Pedro Madeira Froufe (PMF) estreia-se num novo programa de debate e logo com uma entrevista a Jorge Nuno Pinto da Costa. A não perder.
Assim não
As empresas privadas, se necessitam se ser recapitalizadas solicitam verbas aos seus sócios, vendem património, pedem emprestado se tiverem condições para obter crédito. Em caso negativo, fecham.
Agora, colocar à força os contribuintes a ser o garante dos seus créditos é algo de totalmente inaceitável.
Afinal, isto está mesmo a saque: puro, duro e sem vergonha?
Afinal…
…quanto custou aos contribuintes a aventura da nacionalização pelo governo ps do BPN?
Notícias discretas
—senão mesmo omissas na imprensa nacional:
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Dívida total do Estado português passou de 151 mil milhões em Dezembro, para 172 mil milhões a 30 de Junho. (*)
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A ler: Que se passa com a dívida pública: alguém nos pode explicar?
Tiro ao Alvo – Notícias Sábado, 30 de Julho de 2011
A corrupção da luta anti-corrupção
«O parlamento é o centro da corrupção», disse o meu amigo Paulo Morais, agora, infelizmente, em companhia de candidatos a novos apóstolos – uma organização que, com assinalável modéstia, se diz da «Transparência e Integridade». Vi a sua página na internet. Muitas acusações e insinuações, transbordando uma agenda política anti-mercado e que favorece o ideal anacrónico do controlo férreo dos cidadãos por um Estado que deverá sempre privilegiar os fins em detrimento dos meios. «Todas as generalizações são falsas – incluindo esta última», recordei de imediato. Ler mais…
O candidato enurese
Este não é o retrato de José Pedro Pereira, presidente da JSD da Madeira, candidato a deputado nas eleições regionais de Outubro próximo e orgulhoso incontinente. Mas podia bem ser. Em pleno acto de rega urinária das viaturas dos agentes policiais que suportaram o vexame apenas agindo depois de publicada a notícia sobre o mictante candidato.
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«Segundo o DIÁRIO apurou, o episódio ocorreu na madrugada de sábado, por volta da 2 horas da manhã, quando dois elementos da PSP foram solicitados pela equipa de segurança da discoteca Molhe para comparecer na porta, onde havia alterações de ordem devido à presença de clientes indesejados àquele espaço de diversão nocturna. A Polícia confrontou o grupo suspeito, composto por quatro jovens. Um deles acusou-se, afirmou ter sido o autor de tal ‘feito’, mas num tom provocatório e desafiando a autoridade (…) A acção policial foi depois interrompida por um outro jovem, cuja identidade fez questão de sublinhar em alta voz: “Eu sou o presidente da JSD-Madeira!”. José Pedro Pereira de 23 anos, exaltou-se e dirigiu-se à PSP num registo provocatório e insultuoso, susceptível de ferir a dignidade, isenção e brio quer da profissão de polícia como da instituição PSP. O líder da jota terá declarado aos polícias que ao contrário do que dissera o amigo, foi ele quem “mijou” no carro policial revelando não recear as consequências de tal acto. Terá afiançado que poderia fazer o mesmo quer naquele como em todos os outros veículos policiais que ninguém lhe impediria. Ameaçou ainda que se fosse necessário telefonaria “ao Oliveira Martins”, actual comandante regional da PSP, para resolver o assunto. O desacato foi presenciado por dezenas de pessoas, uma das quais relatou publicamente o seu testemunha nas Cartas do Leitor.”, no Diário de Notícias da Madeira (edição de 26/07). (via insurgente)
Cortar despesa
Dizem que os vão fundir. E que tal extingui-los?
Ao certo o que fazem o Instituto Português da Juventude, a Movijovem e a Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação?
Prémio título do ano
“Podemos culpar Sarkozy, Merkel e Cameron pelo clima que provocou atentados de Oslo?” – PÚBLICO, 31 de Julho de 2011.

Depois desta fabulosa capa de 4 de Fevereiro de 2011 o EXPRESSO mantém-se fiel à sua fé no pensamento mágico: se inscreverem na capa algo que querem que aconteça ela acontecerá. Ou poderá acontecer. Esta semana o EXPRESSO voltou a manifestar a sua fé no pensamento mágico. No centro da sua capa colocou Mário Soares e no canto direito Cavaco. Pode ser que assim Soares volte a ser PR situação que o EXPRESSO vê como a que nos devia estar eternamente reservada.

Quem sabe se fizerem isto três vezes colocando a capa do jornal no meio de um triângulo com olhinhos o resultado não será mais eficaz. De qualquer modo recomendo a entrevista de Mário Soares. Afinal qualquer comentador gosta de mostar que teve razão. Como se percebe das palavras de Soares a candidatura de Sócrates a PR nas presidenciais de 2011 esteve em cima da mesa e a candidatura de Sócrates a PR em 2015 já está a andar. Sempre que referi estas hipóteses fui olhada com sobranceria. Pois leiam o que Sores diz.
Boas e más notícias do Governo de Portugal*
Em política o que parece é, pelo que não julgo haver forma de concertar o desastroso processo de nomeação da nova equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos. Primeiro, mudou-se o modelo de governação, regressando-se à chefia bicéfala (um chairman, um CEO) que deu maus resultados no passado. Depois, nomeou-se o que parece ser uma espécie de “governo de coligação”: o chairman é próximo do Presidente da República, o novo CEO vem do Banco de Portugal e parecer ser a escolha do ministro das Finanças, o primeiro-ministro terá tido direito a um vice-presidente, e o CDS manteve um vogal. No total, os novos órgãos de gestão somam 11 elementos, mais quatro do que a antiga administração (ou apenas mais um, se se considerar que deixa de haver Conselho Fiscal). Apesar de poucos contestarem o nome escolhido para CEO, a verdade é que Ler mais…
Terroristas*
De repente é como se o atentado da Noruega fosse ainda mais contranatura por ter ocorrido num país que é visto como uma espécie de concretização da utopia europeia: como pode isto acontecer no meio de toda aquela gente tão loura, tão culta e que diz coisas tão acertadas?! Afinal, de cada vez que um atentado terrorista tem lugar num país da Europa instala-se neste dito continente uma perplexidade sobre como é possível que num local tão civilizado, organizado e tolerante ocorra tal barbárie. Não só este tipo de raciocínio é desculpabilizador do terrorismo e dos terroristas, pois os seus actos acabam a ser vistos como uma resposta à suposta falta de compreensão da sociedade, como esta visão da Europa é manifestamente parcial e perigosa, em primeiro lugar porque ilusória e em segundo porque apresenta o terrorismo como uma coisa terrível mas explicável nos outros, sejam esses outros os autores ou as vítimas.
Esta visão benévola para si mesmos que os europeus têm do terrorismo e dos terroristas leva a que o comentem com intensidade quando as vítimas são estrangeiras, sobretudo se forem norte-americanas, ou quando os autores aparecem como estrangeiros, como sucedeu nos atentados de 2004, em Madrid, atribuídos à Al-Qaeda. Mas uma atenção mínima à realidade dá conta de que a erva daninha do terrorismo viceja no solo europeu e por mais que nos custe admitir temos de conceder que um número significativo de cidadãos europeus, geralmente com habilitações acima da média e intelectualmente filiados em ideologias totalitárias aqui nascidas, como o nazismo e o comunismo, dedica boa parte da sua vida a tentar matar os seus semelhantes ou a destruir-lhes o quotidiano. Não por acaso, foi na Europa que um grupo terrorista conseguiu não só raptar um primeiro-ministro como mantê-lo sequestrado 55 dias – falo obviamente de Itália e de Aldo Moro assassinado em 1978 pelas Brigadas Vermelhas. E por mais chocantes que sejam as histórias dos longos sequestros efectuados pelos terroristas das FARC na Colômbia, temos de convir que é muito mais assombroso a ETA ter conseguido manter raptado Ortega Lara em Espanha durante 532 dias do que as FARC terem aprisionado Ingrid Bettancour seis anos no meio da imensa e remota floresta colombiana. Ler mais…
É um bom princípio, mas se aplicado sem excepções
Grupo parlamentar do PS terá liberdade de voto como regra de funcionamento
Poderia constituir uma mudança relevante, mas temo que não passe de uma reforma pífia, tendo em conta as excepções introduzidas. A mais importante prende-se com a votação dos orçamentos, de longe o tema em que é mais defensável a liberdade de voto dos deputados. A lei do orçamento é, indiscutivelmente, aquela que tem mais impacto no quotidiano dos cidadãos, cujos interesses deveriam constituir o primeiríssimo critério na definição do sentido de voto de cada deputado. Nesta como noutras matérias, ter deputados livres e não enfeudados aos directórios partidários, só dignificaria o Parlamento e focalizá-lo-ia na sua verdadeira missão, o escrutínio da actividade do governo.
A tradicional incapacidade “tuga” em criar regras claras e lineares, fazendo-as sempre repletas de excepções, é um dos principais entraves à mudança. Eu não sei se António José Seguro pretende de facto mudar, mas estou certo que esta sua reforma só irá “libertar” os deputados em questões de costumes tipo “casamento gay” ou em trivialidades asininas do género “teor de sal no pão“.
Debate sobre os debates
Sei que o ‘politicamente correcto’ em que subsistimos, perante um debate que escapa à normalidade pachorrenta, ensina que se devem condenar os dois intervenientes. Não penso assim. Entre nós, confunde-se etiqueta com educação e esta com passividade bovina. Gosto de debates vivos em que se diz o que se pensa e se pensa o que se diz. Neste caso, a minha solidariedade pessoal vai inteirinha para Teresa Caeiro.
Caixinha
A ideia de Passos Coelho durante a campanha eleitoral era razoável: privatizar parte do capital da CGD por forma a sua actividade passar a ser escrutinada, terminar o amiguismo e o compadrio doentio. Menos mau, era um principio, em caminho à solução, essa sim desejável, de o Estado deixar de ser simultaneamente regulador do sistema e agente financeiro. Com toda a podridão que tal provoca.
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Passadas as eleições, deixou-se cair qualquer veleidade de privatização. E na primeira oportunidade plantou-se na alargada (!!) administração a boysada habitual. Também os socialistas devem estar satisfeitos: a CGD continuará a cumprir o seu tradicional papel. Nós é que não saímos da mesmice.
Não sei por onde vou mas sei que não se deve ir por aí

Estas imagens faziam parte de campanhas publicitárias e foram proibidas pela entidade reguladora da publicidade do Reino Unido por serem retocadas e desse modo enganadoras pois levariam as consumidoras a acreditar que conseguiam estes resultados recorrendo aos produtos em causa. Este é um péssimo sinal daquilo que se pode fazer em nome da defesa das pessoas, sobretudo se essas pessoas forem as mulheres, coitadinhas, que. pobrezinhas, precisam que o regulador lhes venha dizer que estas imagens são trabalhadas. Já agora pode também questionar-se a iluminação usada nestas fotos, a maquilhagem e o próprio facto de serem escolhidas como modelos mulheres muito bonitas e que provavelmente já recorreram à cirurgia estética. A não ser para satisfazer o ego censório dos ditos reguladores estas proibições são um acto descabido de sentido.
CRAP
Foi hoje publicado um Decreto-Lei, aprovado ainda pelo Governo anterior, que anuncia visar, entre outras coisas, simplificar “o acesso a diversas profissões através da eliminação de cursos de formação obrigatória, certificados de aptidão profissional e carteiras profissionais” e consagrar o “princípio geral de que as actividades profissionais associadas a determinadas profissões não são reservadas“, objectivos claramente louváveis. O texto revoga dezenas de diplomas e despachos (alguns em vigor desde 1943) que regulavam profissões que vão de “Ajudante de impressor de legendas” a “treinador de futebol“, passando por “Electroerosador” e “Massagista de estética“. Uma aparente redução da carga burocrática que se saúda, embora, em muitos casos, as novidades pareçam não passar da substituição das velhas carteiras profissionais ou dos não tão velhos CAP pelos novos “certificados de qualificações” ou “diplomas de qualificações“.
No entanto, o mesmo diploma veio criar uma nova comissão, que apropriadamente responde pela sigla “CRAP” (Comissão de Regulação do Acesso a Profissões), composta por nada menos que 16 membros, sendo 8 nomeados pelo Governo e outros tantos indicados pelas Confederações Patronais e Sindicatos. O diploma não esclarece se os membros da CRAP exercerão as funções em exclusividade ou se se serão remunerados.
A dívida dos “gringos”
Interessante, mas assustador. Faça-se a extrapolação para a generalidade dos “países desenvolvidos” e concluiremos pelo inevitável declíneo do ocidente. Que seria o cenário mais “suave”, mas quiçá menos provável do que a ocorrência de uma “implosão” das dívidas.
Próximo “momento da verdade” a 2 de Agosto. Cruzem os dedos.
O maravilhoso mundo dos destacamentos
Professores destacados há quatro anos regressam às escolas Esta é uma medida que só peca por tardia mas é um daqueles casos de que se pode dizer que é um benefício para o país mas uma dor de cabeça para a maior parte das escolas que têm de receber estas almas.
Obs. Segundo a TSF Mário Nogueira desconfia da intenção do Governo e teme mais Esta notícia podia ter outros títulos. Por exemplo este: Professordestacado há 20 anos em funções sindicais comenta o fim de alguns destacamentos
Acções douradas
Mas sem nenhum brilho. A “golden share” é algo de aberrante, a subversão do princípio “uma acção, um voto”, é outorgar-se a capacidade de decidir sem investir, constitui um símbolo-mor da promiscuidade entre a política e os negócios. O estado manda (quase sempre mal) e recebe sem contribuir, a troco de suposta e “estratégica” protecção. Em bom rigor, estamos a falar de puro e retinto proxenetismo. E o que espanta, é que há muitos a defendê-lo.

