Saltar para o conteúdo

Não deixem de ler

26 Julho, 2011

O texto assinado por Maria do Carmo Vieira no PÚBLICO de hoje. Trata-se de uma uma reflexão fundamental sobre o ensino do Português: «(…)  em 2002 (e agora, em 2011), peritos e militantes da nova ideologia pedagógica, incluindo a Associação de Professores de Português (APP), acusaram a Literatura de prejudicar o estudo da língua e impedir o trabalho com a oralidade, defendendo, com intransigência, o desaparecimento da literatura dos programas e a exclusividade para textos utilitários e informativos.
A polémica surgida não permitiu a abolição da literatura dos programas, mas esse recuo forçado não impediu, no 1.º e no 2.º ciclo, a redução substancial da poesia, anulando a descoberta do carácter simbólico da palavra; a adaptação de textos literários, despojados de descrição e com vocabulário infantilizado e chão, no intuito de facilitar a leitura e a interpretação feita através de cruzes, de linhas de correspondência, etc. No 3.º ciclo, desleixou-se a epopeia camoniana, esquecendo-se a importância de conhecer a sua estrutura interna, o episódio do “Velho do Restelo” ou as muitas reflexões do poeta, tudo isto com a justificação de que o poema seria retomado no 12.º ano. O que se pergunta, e limito-me ao episódio citado, é como poderão os alunos compreender o poeta e a sua época desconhecendo que o “Velho do Restelo” representa o grande valor humanista do século XVI, o espírito crítico? Também o estudo de Camões lírico reduzir-se-ia à leitura de 2 ou 3 poemas, escolhidos de entre “os melhores”. No secundário, “limparam-se” autores, minimizando-se a contextualização histórico-cultural, praticamente entregue a um trabalho de Internet a fazer pelos alunos.
Em comum com os vários níveis de ensino, a inclusão avassaladora de textos utilitários e informativos, e o domínio da TLEBS para ajudar, segundo nos disseram, a reflectir sobre a língua. Acentue-se que a TLEBS, criticada por inúmeros linguistas e professores, foi apontada como “um disparate” (Prof. Morais Barbosa) e como “uma termitologia” (Prof. Álvaro Gomes), e, no entanto, continua em força do 1.º ciclo ao secundário, não favorecendo qualquer reflexão sobre a língua, antes gerando extrema confusão e desinteresse pela própria língua. Ler mais…

Notícias Sábado, 23.VII.2011

25 Julho, 2011
by

Não há cura enquanto negarmos a doença

A narrativa que encaminha (quase) toda a culpa da desgraça em que Portugal se arrasta para uma conspiração, tenebrosa e sinistra, do capitalismo norte-americano, perfidamente apostado em desfazer o euro à custa dos inocentes e sempre diligentes gregos e lusitanos, continua a fazer o seu percurso fulgurante. Esta proximidade do unanimismo acéfalo sempre me assustou – sobretudo quando os seus efeitos directos se traduzem na impudica desculpabilização do amontoado de asneiras em que nos temos notabilizado nas últimas décadas. Ler mais…

A propósito

25 Julho, 2011

António José Seguro, novo secretário-geral do PS, acusou o Governo de querer “tratar os jovens como jovens a dias, com menos direitos e nenhumas garantias”. – O trabalho doméstico não é certamente algo que o novo líder do PS domine. Pois se percebesse alguma coisa de tal universo saberia que as mulheres-a-dias conseguiram impor excelentes condições de trabalho às pessoas que as contratam. Aliás essas condições são muito melhores que as conseguidas pelas  funcionárias das empresas de limpeza, por exemplo. O que irrita os políticos nas mulheres a dias é que elas não lhes ligam nenhuma: as suas tabelas de vencimentos escapam aos sindicatos; praticam uma flexibildade horária muito própria e, sem qualquer problema, assumem que querem pagar o menos possível para a Segurança Social. A imagem da mulher-a-dias como símbolo da exploração laboral não tem nada a ver coma  realidade. Talvez seja tempo de substituí-la pela do rapaz licenciado em Relações Internacionais ou frequentador de um daqueles cursos Novas Oportunidades que ninguém contrata.

Eu até simpatizo com a senhora Merkel…*

23 Julho, 2011
by

A fábrica do mundo é a China, o centro de serviços é a Índia, os Estados Unidos são o centro comercial, e a Europa é um museu. Ouvi esta definição há meia dúzia de anos e ela parece-me cada vez mais pertinente. Com uma nuance: na altura ainda podia parecer agradável viver num museu, hoje está a revelar-se insuportável. Como tem resultado evidente durante esta crise das dívidas dos países periféricos.

Pelo menos desde que Oswald Spengler publicou, em 1917, A Decadência do Ocidente, que se discute o fim da hegemonia europeia ou, se preferirmos, da hegemonia atlântica para podermos incluir os Estado Unidos. Ainda ontem o historiador britânico Timothy Garton Ash voltou ao tema no Guardian, lembrando Spengler, num texto sintomaticamente intitulado “Os Estados Unidos e a Europa empenhados numa competição pela decadência”. Nessa crónica punha o dedo na ferida: “De ambos os lados do Atlântico temos vivido acima das nossas possibilidades”.

Ler mais…

Assim não dá!*

23 Julho, 2011

Preciso de enriquecer ou de empobrecer. Ou mais precisamente tenho de mudar de estatuto. O que não posso, não quero nem aguento mais é fazer parte dessa entidade impropriamente chamada classe média. Mas média de quê? Da riqueza dos ricos e da pobreza dos pobres? Talvez por falta de ricos e excesso de pobres (o grupo mais significativo dos contribuintes é aquele que, por baixos rendimentos, não paga praticamente IRS) o resultado é uma classe média com aspirações lá em cima e rendimentos muito cá em baixo.
Mas seja por isso ou pelo seu contrário, o que para o meu caso conta é a pretensão, ou melhor a minha exigência, de deixar de ser classe média. Quero que o Estado me declare rica ou pobre. Mas média não. E não adianta contrapor a esta minha reivindicação o argumento de que estas coisas não se determinam por decreto. Isso seria bem observado caso Portugal fosse um país razoável. Mas como bem sabemos não é. Não se instituiu por decreto que eram gratuitos o SNS e a escola pública? Como é óbvio, não são mas isso não impede que todos os dias sejamos bombardeados com a exaltada defesa do gratuito, muito particularmente nos microfones da TSF, que trocou a sua encarnação anterior do Todos Seremos Fedayins por um igualmente místico e arrebatado Todos Socialistas Finalmente. Ler mais…

Sugestão extraordinária

22 Julho, 2011

Uma vez que o estado português vai pagar juros menores pela dívida e os prazos foram alargados… já haverá folga orçamental para, de forma extraordinária, abolir o imposto extraordinário?

Pelo claro

22 Julho, 2011

Para que se perceba do que se fala quando se fala de preço dos transporte públicos os títulos de transporte deveriam incluir a seguinte indicação: esta viagem custa-lhe… mas o seu valor real é …. Assim ficávamos mais esclarecidos.

 

A turminha indignada*

22 Julho, 2011

Vivemos por surtos de indignação: de repente, um assunto torna-se incontornável e instala-se um ambiente quase místico. Alguém que ouse manifestar algumas dúvidas sobre tanta certeza é imediatamente tratado como um blasfemo. Depois, tal como começou, o frémito termina para ressurgir pouco depois em torno de um outro assunto. Foi assim com o aquecimento global, com Guantánamo, com as agências de rating, etc…, etc e agora aterrámos no caso das escutas do News of the World. Como frisou Bret Stephens no The Wall Street Journal, não está em causa o lado sórdido e criminoso destas escutas mas é difícil entender a actual fúria com a utilização de informação roubada por parte do News of the World quando se andou a endeusar Julian Assange e a WikiLeaks. A prática de escutas por parte do News of the World colocou a vida de pessoas em risco? Sim, como dramaticamente se constata no caso de Milly Dowler, uma menina de 13 anos desaparecida cujo voice mail foi vasculhado pelo News of the World. Mas igualmente sim também para os cidadãos do Afeganistão ou para o líder da oposição do Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, após as revelações da WikiLeaks sobre os contactos que mantinham com os EUA. E, contudo, Assange foi defendido e tratado como um herói por muitos daqueles que agora se indignam com Rupert Murdoch. Ler mais…

A culpa deve ser da senhora Merkel

21 Julho, 2011

Na Madeira adiam-se julgamentos porque está avariada a viatura que transporta os magistrados para os tribunais. Confesso que desconhecia completamente que os magistrados eram transportados em viaturas estatais para os tribunais. Excluindo os julgamentos rodeados de medidas excepcionais de segurança  o que leva a que os juízes usufruam deste transporte especial? O carro de serviço é uma praga nacional e um sinal da forma como o Estado gastou o que não tem e muito francamente não deve ter.

Uma boa medida da Troika

21 Julho, 2011

Transportes públicos aumentam 15%

1. O preço dos transportes para os utentes vai aproximar-se do valor real.

2. Utentes passam a ter incentivo para seleccionarem melhor o local onde vivem e a localização do emprego que têm (efeito positivo desta medida terá que ser complementado com medidas que liberalizem o mercado de arrendamento)

3. Empresas passam a ter um incentivo para se localizarem nas cidades satélite, tornando-as mais autónomas e reduzindo os movimentos pendulares  (como os custos de transporte aumentam, o diferencial de salários entre o centro e a periferia vai aumentar)

4. O Estado reduz o subsídio à suburbanização dos grandes centros urbanos.

5. Empresas públicas de transportes deixam de destruir tanto valor.

6. Aquele mundo esquizofrénico em que se subsídia a mobilidade e o combate à desertificação dos centros históricos começa a acabar.

7. A conversa  “o local X não tem transportes” passa a  fazer menos sentido. A partir do momento em que se reconhece que o transporte público não é barato, pressão para expansão da rede pública e do respectivo buraco financeiro diminui.

A tradição continua a ser o que era…

20 Julho, 2011
by

Governo deve aprovar amanhã orçamento rectificativo

Teremos mais aumentos de impostos? Ou finalmente cortes a sério na despesa, que não meramente simbólicos para fazer primeiras páginas?

As portagens que tardam

20 Julho, 2011

BE pede suspensão da introdução de portagens na Via do Infante

O que será que estes tipos consideram como uma boa alternativa a uma auto-estrada? Outra auto-estrada? É que para ser de borla, tem de ser necessariamente pior. E já se preocuparam com a qualidade das alternativas à A7 (N206) e à A24 (N2), auto-estradas situadas na zona mais pobre do País e desde sempre portajadas?

E que conceito é esse de “medida socialmente injusta”? Privilegiar o Algarve como a única região isenta de portagens (sendo a 2ª mais mais rica do País), depois de ter beneficiado de auto-estrada gratuita durante mais de uma década? Subsidiar os turistas que lhe deixam lautos proventos à custa das regiões mais pobres que já pagam portagens?

Para quem apregoa tanto a igualdade, estamos conversados.

Descer os salários reais

20 Julho, 2011

Quem defende:

1. Saída do euro

2. Euro fraco (por criação de eurobonds ou outro processo de federalização da dívida)

3. Reestruturação da dívida

está na prática a defender a descida dos salários reais.

Marco alemão

20 Julho, 2011

Do ponto de vista histórico, faz algum sentido Portugal estar na zona do Marco alemão?

Como criar uma moeda fraca

20 Julho, 2011

Deixar os políticos fazer “política monetária”

Como criar uma moeda forte

20 Julho, 2011

Criar um banco central independente com mandato para:

1. Emitir uma quantidade fixa de moeda.

2. Extinguir-se no dia seguinte.

“Teoria do efeito contrário” *

20 Julho, 2011
by

«Torna-se bastante conveniente que os problemas das finanças públicas passem a ser solucionados a partir da redução eficaz da despesa pública – conforme o PSD e o CDS anunciaram nas respectivas campanhas eleitorais. Não com medidas meramente emblemáticas ou embrulhadas em tonalidades de pós-modernismo vagamente folclórico. De uma vez por todas, o País precisa de interiorizar uma lógica firme de mudanças efectivas no modo como o Estado gasta o dinheiro dos contribuintes.»

* Hoje, no Diário de Notícias

O homem certo para salvar o euro

20 Julho, 2011

Tenho assistido com algum divertimento às propostas daqueles que querem salvar o euro. Uns querem salvar o euro através do endividamento ou da despesa da entidade política que o suporta, outros querem salvar o euro através da interferência política no banco emissor, outros, como o nosso Presidente da República, querem salvar o euro tornando-o mais fraco, outros querem salvar o euro pondo o banco emissor a comprar dívida subprime. É mais que evidente que só um homem pode salvar o euro.

 

Exactamente

19 Julho, 2011

Ia escrever algo de semelhante mas eis que via Insurgente encontrei o que procurava dizer:

It’s probably inevitable that this column will be read in some quarters as shilling for Rupert Murdoch. Not at all: I have nothing but contempt for the hack journalism practiced by some of the Murdoch titles. But my contempt goes double for the self-appointed media paragons who saw little amiss with Mr. Assange and those who made common cause with him, and who now hypocritically talk about decency and standards. Their day of reckoning is yet to come. – Bret Stephens

Mais impostos, mais despesa

19 Julho, 2011

Estou a tentar perceber qual será o plano de redução de despesa que o governo tem em mente. O ministro da educação já anunciou que afinal não fecham tantas escolas com as que estava previsto fecharem. Já disse que acabam algumas disciplinas, como estava previsto, mas que afinal os tempos lectivos serão atribuídos a matemática e a português. O Ministro da Segurança Social anunciou uma poupança de 1 milhão (contas aldrabadas por excesso) nos adjuntos da segurança social mas agora prepara-se para lançar um novo programa de emergência social que custará milhões de euros. Até o supostamente liberal ministro da economia parece ter planos para subsidiar o credito às PME durante 1 ano. Todas estas despesas acrescem ao que estava previsto pelo PS. Este ano, estas pequenas aventuras podem ser pagas pelo impostos extraordinário, mas para o ano como é que vai ser, decreta-se um novo impostos extraordinário?

La Palisse não diria melhor

19 Julho, 2011
by

O membro do BCE destaca que a crise da Europa é uma “crise da dívida” e não uma crise do euro

E crises da dívida não se resolvem com conversas da treta, mas sim reduzindo a despesa e vendendo activos. Desgraçadamente, todos – com excepção da vilipendiada Angela Merkel – se recusam a aceitar que o rei vai nú.

Agora somos todos federalistas

19 Julho, 2011
by

É engraçado olhar 20 anos para trás e constatar a histeria anti-federalista que então se gerou, da esquerda à direita, muito por “mérito de Portas y sus muchachos” do Independente. Era o tempo do dinheiro fácil da UE, havia que “estoirá-lo” à nossa vontade. Agora que o dinheiro se tornou difícil, é vê-los a berrarem por uma solução europeia, um governo europeu, um orçamento europeu. Ainda hoje, Cravinho veio dar uma ajuda. Mudam-se os tempos, mudam-se os centralismos… 

São os défices e as dívidas, estúpidos!!!

18 Julho, 2011
by

Nunca se viu tamanho consenso da esquerda à direita. Seja para diabolizar as agências de rating, os especuladores, os mercados, ou todos em simultâneo, já que se formou um estranho unanimismo em considerá-los a causa de todos os nossos males. Curiosamente, ninguém se atreve a discutir os seus actos ou opiniões: terão ou não fundamento?

O que há de comum entre os países “sob ataque dos mercados”, os actuais e os que se seguirão? Défices orçamentais crónicos e dívidas públicas em contínua escalada, seja em valores absolutos, seja em percentagem dos respectivos PIBs. É óbvio que qualquer aforrador consciente se deverá interrogar sobre a solvabilidade futura de tais devedores e se procure proteger cobrando prémios de risco crescentes.

Entretanto, o roto zurze no esfarrapado, ao mesmo tempo que políticos e analistas, do alto da sua cátedra, advogam a habitual fuga em frente para manter um paradigma insustentável. Dependendo do empacotamento, temos a defesa da união orçamental, da duplicação ou triplicação do FEEF ou das eurobonds. Na prática, sugere-se a resolução de um problema de dívida com mais dívida, tenta-se aplacar a fogueira atirando-lhe lenha. Verdadeiramente fantástico é que ninguém, com a eventual excepção da Srª Merkel, se dê conta de tamanha irracionalidade.

Ainda não vi ninguém propôr a solução estruturante: cortar fortemente nas despesas públicas com vista à obtenção de excedentes orçamentais. Um tal compromisso, estabelecido ao nível da UE e com duras sanções aos incumpridores, seria certamente do agrado dos mercados. Talvez as taxas de juro então invertessem.

E os trabalhadores alemães quererão comprar a nossa dívida? E pagar o nosso SNS?

18 Julho, 2011

Em Portugal temos Arnaut como o pai do SNS. Agora chega Kohl com a  “sua” Europa. Digamos que somos uma geração que não consegue sustentar nem entender-se com o que estes pais sonharam para estes seus filhos dilectos. O nosso dia a dia é mais isto: Transferências da Segurança Social para o fundo das pensões pararam há quatro meses e Instituto que gere fundos da Segurança Social quer “fugir” à dívida portuguesa

Notícias Sábado, 16.VII.2011

18 Julho, 2011
by

Do inútil regougar «patrioteiro»

Uma vaga do «patrioteirismo» deslocado varreu o país de norte a sul logo após a Moody’s ter baixado o rating de Portugal. Do presidente da república, passando pela esmagadora maioria dos comentadores, até aos indignados teóricos de café (sem que grandes diferenças de fundamentação, convenhamos) decifraram-se as mais exóticas teorias da conspiração financeira e política, vozeou-se contra as agências de notação, arremeteu-se em uníssono contra o capitalismo dito desenfreado, bramou-se por mais «regulação» e mais controlo dos Estados sobre todos aqueles que têm a missão de avaliar a suas contas.

Ler mais…

A culpa é da Moody’s! (3)

18 Julho, 2011
by

Há 150 chefes da PSP com direito a carro e motorista

IPO deixa no caixote milhões de euros

Nos outros isto é um escândalo. Entre nós é uma inconveniência

18 Julho, 2011

Em Portugal sabemos muito mais sobre as escutas em Inglaterra do que sobre as escutas em Portugal. Digamos que o destaque que se dá entre nós ao caso do News oh the World é tão maior quanto menos se fala destas escutas, mais destas. Isto para não falar doutras menos recentes.

Em 2015 algum líder terá coragem para receber o Dalai Lama?

18 Julho, 2011

Outubro de 2007: O Dalai Lama foi recebido pelo Congresso dos EUA

 

Julho de 2011 – O Dalai Lama foi recebido discretamente numa salinha da Casa Branca:

Helmut Kohl diz o que muitos pensam…

17 Julho, 2011
by

Kohl says Merkel is “breaking” Europe

“Euro virtudes” da crise.*

17 Julho, 2011
by

As responsabilidades pela crise financeira (e, no caso português, também económica) actual, poderão ser repartidas entre uma excessiva financeirização da economia e um desadequado modelo de funcionamento dos Estados.
Claro está que, por outro lado e ajudando, ainda, à (triste) “festa”, surgem as más opções políticas nacionais e as más governações (de que Portugal, infelizmente, tem uma sólida tradição). Estas más opções de governo acabam por individualizar, ao nível de cada país, os efeitos da crise global, acentuando-os, ou, ao invés, atenuando-os.

Ler mais…

Memoriais

16 Julho, 2011

“You have shown disrespect to those who gave the ultimate sacrifice, to those who fell defending this country.”  “For a young man of your intelligence and education and background to profess to not know what the Cenotaph represents defies belief,” – foi assim nestes termos que o juiz se dirigiu ao jovem que no ano passado não achou melhor forma de manifestar o seu protesto pelo aumento das propinas no ensino superior decidido pelo governo de Cameron do que pendurar-se numa das bandeiras do Memorial aos soldados mortos.  Nesta manifestação como é de regra em muitos dos protestos juvenis os mais violentos não foram os filhos dos pobres. Alguns eram até muito ricos como sucede com o jovem em causa. E mais não acrescento porque podem ler tudo aqui mas digamos que se trata de alguém muito representativo de uma geração super-protegida e fartinha de viver bem eque os ser confrontada com a gravidade dos seus actos declara que não sabe o que fez, não imaginava que fosse tão grave e, no fim, desculpa-se com o pai.

Obs. Não imagino a comoção nacional que seria gerada pela condenação de que em Portugal fizesse algo semelhante mas sempre me parece que pelo menos a estátua do Camões e os lusíadas seus vizinhos mereciam melhor sorte e mais respeito.

Não há nada como uma boa teoria da conspiração*

16 Julho, 2011
by

Andavam os portugueses a pensar no muito que teriam de mudar nos seus modos de vida quando a Moody”s os devolveu à vida. “Portugal é lixo”, proclamou José Rodrigues dos Santos ao abrir o telejornal da RTP. Uns ofenderam-se genuinamente, outros ofenderam-se a propósito. Afinal não há nada como atirar umas pedras a uns “camones”, ainda para mais uns “camones” capitalistas, para nos reconciliarmos com o nosso ego. E tentarmos voltar à nossa vidinha repetindo, com firmeza e profunda convicção, que a culpa é dos outros.

Andamos, desde 1995, a consumir por ano sensivelmente mais dez por cento do que produzimos? A culpa é da Moody”s e das outras agências de rating. Entrámos para a moeda única e praticamente nunca conseguimos cumprir com os critérios de convergência? A culpa é dos “camones” que querem destruir o euro. Suportámos um primeiro-ministro que mentiu até ao fim sobre a dimensão dos problemas nacionais? A culpa é dos analistas das agências que dizem alto o que, por cá, todos sussurram. Na Europa ninguém se entende e cada um puxa para seu lado? A culpa é dos americanos, que por acaso também não se entendem e puxam cada um para seu lado.

Seria patético se não fosse trágico. Ler mais…

Como partir os dentes aos especuladores em 10 passos

15 Julho, 2011

1. Secretamente o governo reune liquidez suficiente para recomprar 40% da dívida. Isto poderá incluir a colaboração de aliados, o fundo de estabilidade da segurança social, dinheiro da troika (sem que esta suspeite da existência de um plano) e empréstimos bilaterais.

.

2. Os jornais estrangeiros terão acesso a informação confidencial que mostra que as contas públicas estão muito pior que o esperado.

.

3. Portugal procede à recompra de títulos da dívida pública aproveitando a queda dos mercados.

.

4. Jornais tomam conhecimento que o governo abandonou o programa de privatizações e pretende suspender planos de fusão e extinção de institutos. Buracos nas empresas públicas são afinal maiores do que se pensava. Jornais ficam a saber que devido à recessão, receita do IVA está a colapsar. Governo planeia descer o IVA, ao que se diz.

.

5. Sem ter conhecimento do plano do governo, Angela Merkel anuncia que a Grécia terá que entrar em default.

.

6. Juros da dívida portuguesa chegam aos 37%. Governo recompra secretamente dívida pública.

.

7. Miguel Relvas, numa reunião interna do PSD, deixa cair a ideia que o governo prepara um aumento dos funcionários públicos. É necessário preparar as eleições da Primavera, sabe-se por fontes próximas do núcleo duro do governo.

.

8. Marcado conselho europeu para decidir a falência da Grécia. Governo europeus continuam a desconhecer o plano. Sabe-se que os bancos portugueses estão à beira da falência. Governo decreta corralito. Panelas nas ruas.

.

9. Juros da dívida portuguesa chegam aos 42%. Governo recompra secretamente dívida pública.

.

10. No dia D, governo decreta a falência de todas as empresas públicas não lucrativas com encerramento imediato de todos os serviços não essenciais. Sinal da RTP apaga-se. Governo anuncia a redução imediata dos salários da função pública e prestações sociais em 20%. Todas as despesas de todas as rubricas sem excepção são cortadas em 20%. Alguns funcionários descobrem antes do anúncio que o salário do mês anterior foi cortado. Centenas de institutos e empresas públicas são encerradas. Cadeados na porta, polícia a guardar as instalações. São extintos todos os subsídios à actividade económica. É anunciado um programa de privatizações de troca de acções por dívida pública. O leilão na bolsa de Lisboa terá lugar na semana seguinte. É anunciado um leilão de edifícios públicos para o dia seguinte. No final da sua comunicação ao país, o primeiro-ministro anuncia que nos últimos meses o país recomprou 35% da sua dívida por um valor muito abaixo do valor nominal e que com o plano de troca de dívida por acções conseguirá chegar a uma recompra de 40%. O PM anuncia de seguida a extinção do IRC por 10 anos, e uma taxa plana para o IRS . Nome de código do plano é tornado público: “falência da têxtil”.

A culpa é da Moody’s! (2)

15 Julho, 2011
by

Junta médica confirma baixa de 25 polícias

Estado condenado a pagar 12 mil euros a Fernando Charrua, ex-funcionário da DREN

Fora da lei: Ambulâncias sem alvará nem licença

 

 

Já convocaram o cordão humano de protesto por mais esta insolência, estupidez política e falta de solidariedade do Bush?

15 Julho, 2011

Obama says “we’re not Greece, Portugal”

Les États-Unis ne sont «ni la Grèce,  ni le Portugal»

Uma pergunta que faz todo o sentido

15 Julho, 2011

Mas para que serviu então o Plano da Matemática?

Medidas que não servem para nada mas dão boa imprensa

15 Julho, 2011

A ministra Assunção Cristas deu ordens para os funcionários do seu ministério dispensarem as gravatas e assim pouparem no ar condicionado.

Paixão fatal*

15 Julho, 2011

Creio ser chegado o tempo de as duas centrais sindicais portuguesas, a CGTP e a UGT, adaptarem as suas designações à realidade. Ou seja trocarem o T de trabalhadores pelo S de socialismo ou, no caso da CGTP, talvez mais adequadamente pelo C de comunismo. Enfim, por algo que espelhe de facto as suas principais preocupações e pertenças. Pois no que aos trabalhadores respeita é muito duvidoso que as suas condições de trabalho se contem entre as principais preocupações e actividades destas centrais. Antes pelo contrário, o principal vector da actividade das centrais sindicais é a defesa de uma sociedade profundamente estatizada e com relações de trabalho organizadas à semelhança das que existem na função pública. O Portugal que ressalta do discurso dos líderes sindicais é um país onde quase tudo devia ser público (tolerava-se a iniciativa privada q.b. para sustentar o sector público), os empregos seriam para toda a vida e legislação vária impediria a concorrência quer dentro do país quer com produtos doutros países. Ler mais…

Perguntar não ofende

15 Julho, 2011

Dúvidas sobre o imposto extraordinário: O Ministério das Finanças quantificou quanto vai perder em IVA, face à redução de consumo que este imposto implica? E quanto deixa de arrecadar em IRS, com esta redução de rendimentos nos contribuintes? E qual o resultado líquido final da medida?

A culpa é da Moody’s ! (1)

14 Julho, 2011
by

Ministério da Justiça possui 1.100 imóveis e paga 38 milhões de euros de rendas por ano

Notas nos exames nacionais do ensino básico de Língua Portuguesa e Matemática caem pelo terceiro ano consecutivo