Portugal e os portugueses são capazes de fazer melhor*
Um fraco rei faz fraca a forte gente, escreveu Luis de Camões. Mal sabia ele como o destino próximo (D. Sebastião) e o destino longínquo (a quase bancarrota de 2011) lhe dariam razão. Mais: como a história da Humanidade nestes cinco séculos confirmaria uma intuição que, mais do que assente na fulanização dos destinos colectivos, permite compreender a importância das instituições e das políticas no sucesso e no insucesso das nações. Convém recordá-lo para recuperarmos a esperança, pois se não podemos mudar de povo, podemos de hábitos e de líderes.
notícias da crise mundial
«Especuladores» identificados
Segundo o comissário Olhi Rehn «as regras europeias prevêem que a taxa de juro aplicada aos programas de assistência financeira seguem a regra aplicada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) mais um “pequeno prémio” de risco.». Sabendo-se que o FMI emprestará a 3,25%, nos primeiros 3 anos e depois a 4,25%, e que a União Europeia o fará a 5,5%, o dito risco e o seu pequeno prémio são na verdade 60% a mais. Carota a solidariedade….
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Agora pedia-se a um economista que fizesse as contas a quanto os contribuintes portugueses pagaram a mais por causa da reiterada recusa em pedir ajuda e do alarme propagado pelo governo socialista contra a intervenção do FMI e a sua defesa intransigente de que deveria a situação ser resolvida apenas com os mecanismos europeus.
Antevisão
Se a indignação que a notícia Psiquiatra absolvido de violação de paciente grávida está a suscitar seguir o ciclo do costume vai ser assim:
a) Tudo muito indignado
b) Algures começa a falar-se de populismo
c) Vem um especialista dos confins da Terra explicar que as mulheres grávidas mentem muito
d) A lei é alterada para violação não ser violação mas outra coisa qualquer muito menos grave
e) Um ou mais jornalistas são processados.
f) Começa a parecer mal falar deste assunto
g) Dentro de alguns meses só uns teimosos falam disto. Os restantes olham para eles como que incomodados com a lembrança
Na trincheira do Estado social*
Uma multidão concentrou-se há dias no Hospital dos Capuchos. Pretendiam marcar uma consulta de Oftalmologia. A administração do Hospital dos Capuchos mostrou-se surpreendida com aquela afluência inusitada. Extraordinariamente, nem a administração daquele hospital nem o Ministério da Saúde acham estranho que nesta unidade as marcações para a consulta de Oftalmologia só possam ser feitas duas vezes por ano. Aquela multidão aglomerada nos Capuchos procurando marcar uma consulta num dos dois únicos dias em que tal é possível em todo o ano são o sinal de protesto por que todos esperavam. Mas como os presentes não queimavam pneus, não usavam capuzes e não sabem o que é o Twitter, ninguém lhes deu o devido destaque. Acresce também que eles não gritavam palavras de ordem contra o capitalismo, coisa que torna telegénica qualquer aglomeração. Diziam apenas: “Isto é uma pouca-vergonha!”
E é. Ler mais…
Regadio para eucaliptos?*
Caso seja Governo, o PS propõe-se “apostar na floresta irrigada em zonas de regadio subaproveitadas, para a garantia do aumento da matéria-prima para a indústria da madeira e da pasta de papel”.
Há alguns anos, uma proposta deste teor causaria um tumulto nas associações de ambiente e em activistas vários que rapidamente mobilizariam os jornalistas. Agora esta alínea do ponto 5 do programa do PS corre o risco de nem suscitar qualquer polémica. E, contudo, esta hipótese tem de ser discutida. Eu sei que as associações de ambiente estão mais ou menos transformadas nuns “verdocas” de serviço e que o ambiente está reduzido a um emaranhado burocrático de licenciamentos devidamente enquadrados pelo folclore apocalíptico da salvação do planeta, mas, seja como for, a possibilidade de se usarem terras de regadio para fins florestais não é uma coisa de somenos. Quanto mais não seja porque o regadio implicou o investimento de dinheiro dos contribuintes com vista à promoção e defesa da agricultura, coisa bem diversa de andarmos a pagar regadio para fazer crescer eucaliptos. *PÚBLICO
Responsabilidade … mas é criminal
Nas chamadas SCUTS desde o início se previa uma compensação pelo estado ao construtor «por disponbilidade» após a construção. Mas no caso das auto-estradas A7 (Famalicão- Vila Pouca de Aguiar) e A11 (Barcelos-Guimarães) – designadas conjuntamente como Concessão Norte – os concessionários estavam obrigados à realização por sua conta e risco da «concepção, projecto, construção, financiamento, exploração e conservação, em regime de portagem real, por um período de 30 anos». Ou seja, todo o risco do negócio era suportado pela concessionária, cabendo ao estado apenas recolher as receitas de impostos. Custo zero para o contribuinte. Tal como deve ser.
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Mas um belo dia, o governo socialista resolveu renogociar as Scuts. E pelo meio, aceitou que fossem os contribuintes a suportarem os riscos daquelas duas auto-estradas. Porquê? Porque eram deficitárias para a concessionária, coitadinhos. Assim, a Estradas de Portugal , isto é, os contribuintes, passaram a pagar uma «disponibilidade» pela auto-estrada, cobrando a EP as portagens aos utilizadores. Ou seja, não apenas assumiu o prejuízo de exploração, como ainda passou a remunerar com bom lucro a simples manutenção da via pela concessionária.
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Tal não é uma questão meramente política, é essencialmente criminal. Porque não estava em causa qualquer necessidade de alterar o modelo pré-existente. Decidiram assim porque o quiseram fazer. Não houve qualquer «erro de apreciação» ou «imponderável». Não. As auto-estradas foram construídas, eram mantidas e exploradas pelo risco dos concessionários. Este governo socialista decidiu tirar tal responsabilidade das suas mãos e assumiu-a em nome e por conta dos contribuintes. A Ascendi só pode estar agradecida. É um caso de polícia.
a responsabilidade política não basta
Não há muita diferença entre a gestão de uma empresa e a administração do estado. Esta é uma lição que deve ser retirada da actual crise por aqueles que pensam que a política e o governo dão para tudo e servem para pôr em campo qualquer coisa que lhes saia da cabeça. Como em qualquer empresa, se for mal gerido e se se endividar para além do razoável, o estado, neste caso, infelizmente, o país que estiver sob a sua gestão, perde valor, encontrará piores condições de negociação nos mercados e terá sempre os credores à porta. No limite, abre falência, cessa pagamentos, promove despedimentos por puras razões contabilísticas, falha os compromissos perante os credores e deixa mesmo de cumprir as suas obrigações fiscais, isto é, por ironia, as que tem para consigo próprio.
Aula de História
Este comunicado do Sindicato dos Jornalistas repudiando a privatização de um canal da RTP e da Lusa é uma viagem ao passado. Quem queiser ver como se argumentava no salazarismo nos anos 30 e em 1975 no PREC basta-lhe ler este comunicado: « O serviço público prestado pela Agência Lusa constitui uma garantia de que, não estando dependente de interesses exclusivamente económicos, é assegurada uma cobertura muito ampla de acontecimentos, em território nacional e internacional, que contribui para a disponibilização aos cidadãos, através dos múltiplos clientes da agência, de informações sobre os mais variados aspectos das áreas política, diplomática, social, económica, do desenvolvimento local e regional, cultural e desportiva. »
“A táctica (2)” *
«Tudo indica que Portas quer retornar ao poder seja qual for o parceiro partidário. O seu programa, quando chegar, redundará num combinado de elementos de assistencialismo social e de solene rigor financeiro habilmente entrelaçados com os habituais temas da segurança e da ruralidade romântica para que o CDS simule sobressair dos dois grande partidos que verdadeiramente disputam o poder entre si.»
Até que enfim
E de caminho também podiam falar disto
«Os juízes do Tribunal de Contas queixam-se de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros. A denúncia consta de um relatório de auditoria às parcerias público-privadas rodoviárias, que vai ser aprovado na próxima semana. Um documento que a TVI revela em primeira mão.
As auto-estradas lançadas pelo governo só passaram no tribunal de contas porque foi sonegada informação aos juízes. Em causa estão cinco subconcessões feitas pela Estradas de Portugal, em representação do Estado, no valor de 10 mil milhões de euros. (…) O Tribunal de Contas começou por recusar o visto a todos estes contratos, porque as propostas finais das empresas eram mais caras do que as levadas a concurso. A Estradas de Portugal voltou à carga com segundos pedidos de visto, após renegociação dos contratos, mas sonegou informação aos juízes, relativa a significativas compensações financeiras aos bancos e às construtoras privadas.»
A propósito da Estradas de Portugal leia-se ainda isto
«A introdução de portagens nas Scut prejudicou os automobilistas, que passaram a pagar o que antes era gratuito, mas foi igualmente ruinosa para o Estado. Antes, o Estado devia às concessionárias 178 milhões de euros. Agora, a empresa pública Estradas de Portugal ficou comprometida com um dívida superior a 10 mil milhões de euros. Com a renegociação de contratos, para introduzir portagens, as estradas ficaram 58 vezes mais caras. O problema é que a receita de portagens fica longe dos novos encargos assumidos pelo erário público, com pagamentos por disponibilidade às concessionárias.
«As concessionárias passaram a beneficiar de rendas Avultadas», denuncia o Tribunal de Contas. Na sua própria previsão, a Estradas de Portugal vai cobrar 250 milhões de euros de portagens em 2011, mas terá de pagar rendas de 650 milhões. Resultado: 62% de prejuízo. O Estado, para cobrar portagens, assumiu ele o risco de tráfego. Com a crise e o previsível aumento do preço dos combustíveis, menos carros vão circular nas antigas Scut. O Estado receberá menos dinheiro, mas as empresas estão a salvo porque recebem avultadas rendas fixas, suportadas pelos contribuintes e pelos automobilistas, que financiam a EP com uma parte do imposto sobre combustíveis.
O Tribunal de Contas quantifica o ganho dos consórcios privados com cada estrada. O consórcio Ascendi, liderado pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo tem garantidos, independentemente do número de carros a circular, mais 2532 Milhões de rendas pela da Beira-Litoral e Alta, mais 891 Milhões na Costa de Prata, mais 1977 milhões na concessão Grande Porto. Já o consórcio Euroscut, liderado pela Ferrovial, ganhou direito a um adicional de 1186 milhões pela concessão Norte Litoral.
A renegociação visou desorçamentar a despesa com o ambicioso Plano Rodoviário do Governo, criando «receitas» para a Estradas de Portugal, que permitissem apresentá-la à Europa como mais dependente do mercado do que do orçamento de Estado. O objectivo, falhado, levou à renegociação dos contratos que já antes tinham portagem.»
razão e coração
Para analisarmos a natureza de um governo e os resultados da sua actuação, convém atender ao que dizem os seus Ministros das Finanças, algum tempo após terem cessado funções. Os Ministros das Finanças são, no modelo do Estado Social, uma espécie de velhinhos caquéticos casados com intrépidas e lascivas trintonas, que tentam preservar as economias de uma vida e o dinheiro da reforma, sem resistirem, contudo, aos cantos da sua sereia. Nos governos mais importantes do regime actual, atenda-se ao que deles disseram Miguel Cadilhe, ministro do governo de Cavaco Silva, Sousa Franco, ministro do governo de António Guterres, Manuela Ferreira Leite (o que disse, insinuou e escusou-se a dizer), ministra do governo de Durão Barroso, o que disse Campos e Cunha e o que dirá por daqui a algum tempo (não custa muito imaginar) Teixeira dos Santos, ministros dos governos de Sócrates. Em todos os casos encontra-se sempre uma constante: a paixão e a dedicação terminam sempre em traição e desilusão. É de fazer chorar as almas mais insensíveis.
mudar o regime
José Sócrates e o Partido Socialista são responsáveis pela situação em que o país se encontra. É uma evidência cuja demonstração se basta no facto de o governo lhes pertencer há seis anos. Mas isto não significa que o país estivesse bem antes de Sócrates assumir o governo. O país já estava mal, a dívida pública (que Sócrates praticamente duplicou) era já imensa e galopante, e o precipício começava a estar à vista. Na verdade, o estado português já gasta acima das suas possibilidades desde, pelo menos, o segundo governo de Aníbal Cavaco Silva, que lançou a agora tão censurada “política do betão”, promoveu obras faraónicas e fez crescer o funcionalismo público muito para além do necessário. António Guterres agravou drasticamente este cenário com os “rendimentos mínimos”, a sua “paixão pela educação”, os “jobs for the boys” com que ele prometera terminar, a criação das famosas e inúmeras “fundações” do regime, os “Euros” da bola, e, genericamente, com um dramático aumento da presença do estado na vida das pessoas. Durão Barroso, que prometera acabar com isto, fugiu do governo ao fim de dois anos e meio e depois de ter lançado algumas medidas saneadoras que não corresponderam à necessária reforma do estado português. Mesmo antes de migrar para Bruxelas, Barroso já tinha desistido de mexer a sério no estado quando nomeou Deus Pinheiro para presidir à sua suposta reforma.
Daqui se deve concluir que não bastará mudar de governo e receber o dinheiro do empréstimo para recuperar o país. Pelo contrário, se a oposição – que se presume suceda no governo ao Partido Socialista – se convencer que basta mudar as pessoas e o estilo da gestão e não o próprio regime, isto é, o modelo socializante em que temos vivido, agravaremos mais ainda a nossa situação e o país não terá salvação nas próximas décadas.
Guia para ignorar a campanha eleitoral IV
José Sócrates tornou a mentira descarada num lugar comum da política portuguesa, o que até tem bastante aceitação entre 1/3 do eleitorado. Enquanto Sócrates se mantiver na política é absurdo analisar em detalhe qualquer proposta política, qualquer manipulação ou qualquer incongruência dos candidatos. Enquanto o eleitorado não punir nas urnas quem mentiu descaradamente a discussão sobre propostas políticas é académica. Nada daquilo se espera que seja para cumprir.
Na apresentação da sua recandidatura no final de Fevereiro Josá Sócrates declarou: «“Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI”, afirmou Sócrates, que falava na apresentação da moção de recandidatura como secretário-geral do Partido Socialista (PS), no Porto.
Fez esta afirmação para se distinguir do líder do PSD, Passos Coelho, que José Sócrates disse já se ter mostrado várias vezes disponível para governar nessas circunstâncias.
Reafirmou-o mais à frente, no mesmo discurso, ao referir o que significa, na sua opinião, uma intervenção do FMI.
Sócrates disse que “a agenda do FMI e da ajuda externa levaria o país a suportar programas que põem em causa não só o nosso estado social mas também o que é a qualidade de vida de muitos portugueses”.
“Eu não estou disponível para isso”, repetiu, reafirmando também que “Portugal não precisa de nenhuma ajuda externa.»
Guia para ignorar a campanha eleitoral III
Sócrates é um mentiroso compulsivo. Para quê discutir acusações que ele inventa como se fossem parte legítima do debate?
Guia para ignorar a campanha eleitoral II
Portugal entrou em bancarrota. Qualquer discussão que não incorpore este facto deve ser ignorada.
Guia para ignorar a campanha eleitoral I
Pergunta que deve ser feita em relação a qualquer medida contestada pelos partidos: está no plano da troika? Se está, PS, PSD e CDS comprometeram-se a executá-la. Os últimos 2 dias foram passados a discutir medidas que estão no plano da troika como se não existisse já um compromisso para as executar.
A redução da Taxa Social Única só peca por tardia
o programa eleitoral do psd
O Programa Eleitoral do PSD tem coisas boas e tem coisas más. Não é, decididamente não é, um programa liberal (nem o poderia ser, por muitas e variadas razões), mas é um programa liberalizador em diversos aspectos. Noutros, infelizmente, mantém o paradigma do estatismo que nos tem governado e empobrecido nas últimas décadas, e não chega aonde devia chegar.
O melhor tempo de antena do PSD para estas legislativas
Óptimo! Ele precisa mesmo de ser desmantelado.
Jorge Lacão acusou hoje o PSD de querer desmantelar o serviço público de televisão e rádio.
(…) Lacão sublinhou ainda que a privatização de um dos canais do Estado poderá ser prejudicial para os operadores privados, por trazer para o mercado mais um operador a disputar a publicidade. (…)
Isto realmente é muito engraçado. A lógica subjacente é que não deve haver mais concorrência para não prejudicar os instalados. Que conluios haverá entre o Estado e os ditos operadores?
À atenção da PGR…
Centralismo democrático
Uma das piores propostas avançadas pelo PSD diz respeito ao projecto de diminuição de deputados para 181. Para além do evidente toque populista que lhe está subjacente («ficam caros», «não fazem nada»), tem o efeito maléfico de ainda piorar as coisas. Grande parte dos deputados são hoje, naquele ou noutro qualquer partido, designados directamente pelo chefe de serviço, pelos queridos líderes que ali colocam «os notáveis» e «figuras gradas». A diminuição de lugares apenas agravará tal tendência centralizadora. Acresce que tecnicamente, o actual rácio de deputados/eleitores é perfeitamente razoável, cerca de 40 mil, o qual será bastante mais elevado se aquela alteração for avante. Outra consequência muito negativa é a imediata inviabilização da introdução dos círculos uninominais (com circulo nacional conjunto), uma absoluta necessidade por forma a responsabilizar directamente o deputado representante face ao eleitor representado.
Se de facto os líderes partidários entendem que os deputados são meras correntes de transmissão – como este projecto é mais um indício – que são ovelhas obedientes ao voto decidido pela cúpula iluminada – como a prática quase unânime tem demonstrado – então têm razão e 181 são até demais. Bastará cinco líderes parlamentares em que cada um se levantará nas votações com uma placa onde esteja indicado o número de deputados que representa. É a melhor forma para se acabarem as dissidências, as correntes de opinião, os ismos e os istas internos de toda a espécie.
E meteu discurso?*
Há dias que vasculho a imprensa online de Cuba com o objectivo de apurar se Carlos Carvalho, o representante da CGTP na celebração do 1.º de Maio naquele país, discursou. E se, tendo discursado, condenou os despedimentos, pois certamente que o representante daquela central sindical não foi daqui a Cuba com o propósito de participar num “vasto programa de actividades do qual se destacam intercâmbios com o movimento sindical cubano, a participação no acto central do 1.º de Maio e no Encontro Sindical Internacional de Solidariedade com Cuba” sem fazer pelo menos uma declaração de viva solidariedade com o meio milhão de funcionários despedidos dos ministérios cubanos da Indústria do Açúcar, da Agricultura, da Construção, da Saúde Pública e do Turismo. Ou quiçá teve uma audiência com os representantes dos outros 800 mil funcionários que segundo o Governo socialista cubano serão despedidos nos próximos anos. Pelo menos Carlos Carvalho deve ter aproveitado para se informar sobre o sistema de remunerações adoptado naquele país para os funcionários públicos e que torna os respectivos salários dependentes da produtividade. Alguma coisa há-de ter dito.
*PÚBLICO
A ver e ouvir
O debate entre José Sócrates e Paulo Portas. É sintomático que Sócrates se tenha apressado a declarar que ganhou o debate. Esta é uma declaração interessante porque a fazer fé na imprensa portuguesa os candidatos de esquerda ganham em geral sempre os debates em Portugal. Só há divergência nesta matéria entre esquerda e esquerda. tipo Cunhal-Soares. No resto estamos esclarecidos logo à partida. No que a José Sócrates respeita a narrativa da sua invencibilidade nos debates faz parte da propaganda do PS.
Obs1. É curioso que Paulo Portas afivele um ar irónico no debate com Sócrates. Ar esse que não usa nem ousa nos debates com Jerónimo de Sousa.
Obs.2 O recurso à pasta vazia foi uma jogada muito arriscada que podia ter corrido bem a Sócrates mas acontece que Paulo Portas reagiu muito fortemente, usando o verbo mentir
O populismo dos anti-populistas
O simples facto de existir um partido chamado “Verdadeiros Finlandeses” tem sido de uma enorme utilidade para o discurso europeísta politicamente correcto. Tem sido muito útil, por exemplo, para iludir o facto de os socialistas finlandeses também serem contra o baillout a Portugal. A culpa se alguma coisa correr mal já está atribuída: é da extrema-direita xenófoba.
Claro está que ninguém sabe o que realmente pensa essa extrema-direita xenófoba. Que, por acaso, não pensa nem propõe aquilo de que é acusada. Vale por isso a pela ler o artigo que o líder dos “Verdadeiros Finlandeses” publica hoje no Wall Street Journal, Why I Don’t Support Europe’s Bailouts. Algumas passagens:
“A symbiosis has developed between politicians and banks: Our political leaders borrow ever more money to pay off the banks, which return the favor by lending ever more money back to our governments. In a true market economy, bad choices get penalized. Instead of accepting losses on unsound investments—which would have led to the probable collapse of some banks—it was decided to transfer the losses to taxpayers via loans, guarantees and opaque constructs such as the Ler mais…
Pouco ambicioso
O programa de governo do PSD propõe-se baixar a despesa pública até 40% do PIB. Intenção louvável, mas objectivo muito pouco ambicioso. Tudo o resto constante, isto daria, grosso modo, para equilibrar o orçamento. Mas o País precisa de um excedente. Para poder baixar os impostos e começar a reduzir a dívida. Ou seja, no mínimo mais 10 p.p. de corte na despesa.
o povo é sábio…
A três semanas de umas eleições legislativas onde se escolherá um governo que substituirá o que nos levou à bancarrota, não é ainda claro que os eleitores prefiram mudar de protagonistas. Pelo contrário, todas as sondagens apontam para uma tendência de empate técnico entre o partido do governo e o partido que lidera a oposição. Para além dos méritos e deméritos mediáticos dos líderes políticos e de alguma vantagem na instrumentalização da opinião pública que quem está no governo sempre tem, isto é devido ao facto dos portugueses não vislumbrarem uma verdadeira alternativa à direita, como era sua obrigação apresentar e não lhes foi apresentada. Na verdade, o PSD ofereceu ao país um programa sonso, com coisas boas e outras francamente más, mas que em circunstância alguma se pode considerar uma proposta de mudança profunda em relação ao paradigma estatizante que nos tem governado, enquanto que o CDS continua a ser um partido em que o seu programa e a sua ideologia são o seu presidente. Ora isto, por mais esforço que se faça, não sossega ninguém, menos ainda os eleitores que já perderam a esperança nos políticos e na política, isto é, quase todos. Sendo, todavia, verdade que o país precisa de mudar de governo e de governantes, que o PS tem que ser castigado pela sua comprovada irresponsabilidade e que a direita não se conseguiu entender numa alternativa consistente, o melhor que nos poderia acontecer seria um governo de coligação PSD/CDS, em que os dois partidos tivessem resultados eleitorais mais próximos do que o habitual, de modo a obrigá-los a um esforço conjunto, equivalente e continuado para se manterem no poder com um governo que faça alguma coisa pelos eleitores. Uma transferência razoável de votos do PSD para o CDS poderá, assim, ser de alguma utilidade. E, segundo a maioria das sondagens, tudo indica que é o que irá acontecer. Sem fazer do CDS aquilo que ele não é, mantendo-o como o segundo partido da direita, será um aviso solene ao PSD, e obrigará os dois partidos a encontrarem conjuntamente uma alternativa séria ao socialismo, que eles não procuraram antes das eleições. O povo é sábio, não há dúvida!
Portugal não tem emenda
Loucura: Ministério Público abre inquérito ao comportamento das agências de “rating”
Sentido de oportunidade: Túnel na Penha de França para desviar trânsito da Baixa
Ficção: Ferro Rodrigues: PSD cumpriu “ameaça” de radicalizar acordo com troika para desmantelar Estado Social
Vergonhas Nacionais
No Financial Times:
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“José Sócrates, prime minister, has chosen to delay applying for a financial rescue package until the last minute. His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession.
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You cannot run a monetary union with the likes of Mr Sócrates, or with finance ministers who spread rumours about a break-up. Europe’s political elites are afraid to tell a truth that economic historians have known forever: that a monetary union without a political union is simply not viable. This is not a debt crisis. This is a political crisis. The eurozone will soon face the choice between an unimaginable step forward to political union or an equally unimaginable step back… “
Vinte anos depois, o Partido da Solidariedade Nacional voltou. Já não fala dos reformados nem dos idosos. Claro que também já não é liderado por Manuel Sérgio. Para trás ficou também aquela oratória num português que ressoava a Aquilino Ribeiro do antigo líder do PSN. Agora o neo-PSN trata dos jovens e na verdade não se chama PSN mas sim Movimento Geração à Rasca, Movimento 12 de Março, M12M, etc., que nesta matéria juvenil as siglas abundam. Ler mais…
Em 2009 e 2010 milhares de pessoas acreditaram nisto
O Conselho de Ministros, reunido hoje extraordinariamente por ocasião dos 100 dias de Governo, no Centro Cultural de Belém, aprovou o seguinte diploma: Decreto-Lei, hoje aprovado na generalidade, que cria a «Conta Poupança-Futuro» para permitir a concretização dos projectos dos jovens e incentivar o cumprimento da escolaridade obrigatória e a poupança.A «Conta Poupança-Futuro» é um plano de investimento e de poupança a longo prazo, especificamente concebido para crianças/jovens, estimando-se abranger com esta medida 100 mil crianças, ou seja o número de crianças que anualmente nasce em Portugal.
Elementar bom senso
A recusa do PSD em formar governo com o PS. Não se pode chamar para guardar a casa o ladrão que a roubou e destruiu. Só espero que PPC se mantenha firme e não dê amanhã o dito por não dito.
De resto, o programa do PSD até tem coisas interessantes e reformas que vão para além do “programa de governo” da Troika. Entre elas, a privatização da CGD e da RTP e a paragem (será cancelamento definitivo?) do malfadado TGV. Isto são temas muito fáceis de defender e de comunicar e o PSD só ganhará em defender convictamente estas propostas, contra tudo e contra todos se necessário e sem qualquer tergiversação.
Jornalismo zarolho (726)
Quem tenha lido notícias na imprensa portuguesa sobre as eleições locais em Inglaterra, referendo sobre sistema eleitoral britânico e regionais na Escócia ficou a saber apenas duas coisas: que os Liberais-Democratas tiveram pesada derrota nas locais e no Referendo e que os nacionalistas escoceses uma grande vitória no parlamento local.
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Poderá dizer-se, é verdade. Sim, é. Mas muito, muito parcial. Se lerem bem, em lado nenhum se diz esta coisa simples: o Partido Conservador do primeiro-ministro Cameron ganhou por larga margem as eleições locais. Ou: o Partido Trabalhista teve pesada derrota no referendo uma vez que defendia o sim juntamente com os Lib/Dem. Nem é dito que os Trabalhistas tiveram pesada derrota na Escócia. Ou sequer o simples Cameron ganha referendo. O leitor português tem de ir à internet verificar os resultados e tirar as suas conclusões: Não pode confiar nos jornais portugueses.
Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar
A média do crescimento económico é, em Portugal, a pior dos últimos 90 anos. A dívida pública é a maior dos últimos 160 anos. A dívida externa é, no mínimo, a maior dos últimos 120 anos (desde que o país declarou uma bancarrota parcial em 1892). O desemprego é o maior dos últimos 80 anos. Voltámos à divergência económica com a Europa, após décadas de convergência. Vivemos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos. E temos a taxa de poupança mais baixa dos últimos 50 anos.
Pois é. As verdades são duras como pedras. E antes de passarmos a um novo capítulo nas nossas vidas, por mais piedosos que sejam as recomendações para não procurar culpados, a verdade é que há responsáveis por termos chegado até aqui e políticas erradas que não devem – não podem – ser repetidas. É por isso que é muito útil ler o mais recente livro de Álvaro Santos Pereira, Portugal na Hora da Verdade. Economista “exilado” na Universidade de Vancouver, no Canadá, português optimista quanto baste – como demonstram as suas obras anteriores, O Medo do Insucesso Nacional e Os Mitos da Economia Portuguesa – arriscou-se a traçar um panorama global da nossa situação actual. As frases com que iniciámos este texto são dele. Os gráficos que o ilustram foram por ele construídos. A evidência que reuniu ao longo de quase 600 páginas é esmagadora.
Pode-se não concordar com todas as soluções que Álvaro Santos Pereira propõe para “vencer a crise nacional” – mas se este livro tem, neste exacto momento, uma virtude, é que ninguém poderá dizer que não sabia. Não teremos todos a mesma culpa, mas somos todos eleitores e há realidades que não podemos ignorar.
Público, 6 de Maio de 2011
O Primeiro-Ministro que conduziu o país à bancarrota poderá ser reeleito dentro de um mês.
o seu a seu dono
Como pensam os portugueses:
“74% diz mal ou muito mal do actual Governo, contra apenas 20% que o acham “bom””, o que é mérito inequívoco do governo de Sócrates.
Mas “55% considera que nenhum partido faria melhor do que o PS se estivesse a governar”, o que é mérito inequívoco da oposição.
Os finlandeses da questão
Perante esta desatenção sobretudo aos socialistas só se pode concluir que as notícias sobre a esquerda e a direita na Finlândia andam um bocadinho omissas para não dizer falsas.
