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Tiro no pé II

19 Maio, 2011

Discutir metodologia quando o desemprego atinge os 12,4% é um tiro no pé?

Tiro no pé

19 Maio, 2011

Convocar, através dos serviços públicos, pessoas que passaram nas Novas Oportunidades para aparecerem num evento de campanha do PS é um tiro no pé?

“O que Passos já fez pelos portugueses?”

19 Maio, 2011

Derrubou o governo Sócrates.

A rotina tem destas coisas

19 Maio, 2011

Esta fotografia é da Puerta del Sol, em Madrid. Umas centenas de jovens mantêm-se aí acampados e dizem que ali permanecerão mesmo no dia de reflexão: a Espanha vai ter eleições a 22 de Maio. Este tipo de manifestações é um sinal de que a esquerda sente que não vai ganhar as eleições. É sempre assim e em Espanha é ainda mais: quando o PP é poder não faltam “colectivos ciudadanos”; “movimientos”, “acampadas”; plataformas, “caceroladas”… Nos tempos em que Aznar chefiava o governo e em que a Espanha era um caso de sucesso económico estes “colectivos” até fizeram um circuito de autocarro para mostrar aos jornalistas e demais interessados toda a desgraça e miséria que Aznar tinha criado. Zapatero ganhou as eleições e o os colectivos mais as caçarolas e os autocarros arrumaram a tralha. Às vezes vandalizavam umas igrejas, brincavam aos okupas, manifestavam-se contra Israel e transformaram numa barricada o sexo. Mas ficavam-se por aí.
O desemprego subia e quando muito os “liberados” dos sindicatos protestavam em Madrid, contra Aguirre, uma dirigente do PP que é presidente da Comunidade Autónoma de Madrid. Agora que o PSOE vive um clima de fim de ciclo a esquerda radical volta à rua. E vai ficar por lá até que alguém que considerem de esquerda volte a gritar “Vitória”.

Ps. Perante os manifestante da Puerta del Sol os jornalistas portugueses já começaram com o síndroma dos abraços. Nas manifestações pelas quais os jornalistas nutrem uma elevada simpatia os manifestantes abraçam-se muito e dedicam-se a muitas tarefas de limpeza. Foi assim na Praça Tahir no Egipto. Era só abraços e varridelas. Ninguém viu isto. Deviam estar entretidos a contar abraços.

O melhor candidato para o eleitor de direita

19 Maio, 2011

Tenho notado que há muita gente à direita que considera que Passos Coelho não deve criticar as Novas Oportunidades, ou porque consideram que as Novas Oportunidades são um bom programa, ou porque consideram que não se deve dizer a verdade em campanha porque a verdade é impopular (são os chamados “tiros no pé”). Mas se as Novas Oportunidades são um bom programa e se mentir é a melhor política, o melhor não é votar no Sócrates?

Visão simplista.

19 Maio, 2011
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Numa visão simplista e não científica, a votação no PS em eleições legislativas sofreria uma redução progressiva, entre 2005 e 2011, correspondente ao agravamento da situação económica, social e política do país, em paralelo com o intervalo de tempo decorrido. Ler mais…

A excepção portuguesa

19 Maio, 2011
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Fico à espera

18 Maio, 2011
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Em 2009 ia caindo o Carmo e a Trindade por Manuela Ferreira Leite ter andado umas centenas de metros na Madeira num carro do Governo Regional. Fico pois à espera que haja um verdadeiro terramoto na campanha depois de se saber que os centros públicos de Novas Oportunidades receberam pedidos de testemunhos de formandos para serem apresentados na sessão de campanha eleitoral do Partido Socialista que decorreu hoje em Vila Franca de Xira.

Infelizmente acho que vou esperar sentado…

Um apoio muito bem vindo

18 Maio, 2011

Depois do que afirmou ontem no debate com Passos Coelho sobre o facto do “Diário da Madeira” ser suportado com dinheiros públicos, Francisco Louçã certamente que vai apoiar a privatização da LUSA  e da RTP

“História de uma vigarice” *

18 Maio, 2011
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«O processo das Scut revela que a incompetência deste Governo está muito para além da redenção. E constituirá um exercício de cidadania ficarmos atentos, nos próximos anos, aos destinos profissionais daqueles governantes, pretensos defensores do interesse comum, que participaram nesta marosca deplorável.»

* Jornal de Notícias, 16.V.2011

Graças a Deus

18 Maio, 2011

Os reacendimentos desapareceram. Vivemos a administração Bush sob o espectro dos reacendimentos: o presidente norte-americano apertava a mão a um dirigente árabe e logo tínhamos a rua árabe reacendida. Era um inferno no sentido literal do termo. Agora que o Nobel da Paz despachou Bin Laden para o pé das 72 virgens  já não se reacende coisa alguma e na santíssima graça de Alá (não sei se Alá tb tem graça mas é de certeza socialista) ninguém presta grande atenção ao facto de ser muçulmana aquela senhora que, segundo a nossa comunicação social, foi alegadamente vítima do problema que Strauss Kahn tem com as mulheres  (não é por nada mas o patrão do FMI devia ter ido para um hotel gay friendly só com camareiros e assim já não tinha problema algum).

De igual modo os activistas dos racismos, discriminações e matérias quejandas tb estão quedos e mudos perante estas considerações dos advogados de Strauss Kahn: «la défense se penche sur la personnalité et la vie de la victime présumée pour tenter de prouver qu’elle aurait eu un intérêt matériel à se présenter en tant que telle. Les avocats auraient été surpris, lors de la comparution, de voir arriver une jeune femme très peu séduisante». Creio contudo que o prémio “Cala-te que só enterras mais o Strauss Kahn” vai para um psiquiatra e psicanalista francês, Robert Neuburger, que o PÚBLICO entrevistou e apresenta como especializado nas terapias de casal e familiares e autor de vários livros sobre o tema. Segundo o PÚBLICO «Robert  Neuburger diz-se indignado com a reacção “absurda, desproporcionada” da justiça norte-americana, num país onde “ninguém vai parar à cadeia por crimes ecológicos ou económicos“. » Aguardo com expectativa mais declarações deste psiquiatra e psicanalista  francês que deve ter chegado ontem da Coreia do Norte enquanto tento imaginar o que iria de reacendimentos por este mundo caso Strauss Kahn não fosse socialista e Obama não fosse presidente dos EUA. Por fim, Não sei se Strauss Kahn é ou não inocente mas tenho a certeza que este relativismo complacente em relação aos socialista na Europa explica porque são eles que surgem em diversos países envolvidos nos mais graves casos de delito comum.

O roto e o nu

18 Maio, 2011

Os reguladores financeiros apresentaram ontem um plano nacional de formação financeira. Os reguladores financeiros são o Banco de Portugal, a CMVM e o Instituto de Seguros de Portugal. Há dois conceitos que muito provavelmente vão ficar fora do plano. O primeiro é que o planeamento central não resulta. O segundo é que um país obcecado com o planeamento, o controlo e a centralização tende a desperdiçar recursos numa infinidade de instituições reguladoras redundantes.

A única auditoria necessária

18 Maio, 2011

Se as Novas Oportunidades dão equivalência ao 12º anos (ou ao 9º) não é lógico que os alunos façam os exames nacionais respectivos? Sempre se ficava a saber se mereciam a equivalência. Não há que temer esta forma de avaliação.  É o próprio governo que garante a qualidade dos diplomas. Se quiserem podemos marcar os exames para um Domingo.

dsk e o fmi

18 Maio, 2011
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Um artigo interessante de Guy Sorman sobre a (nefasta) actuação de DSK como director-geral do FMI.

Chave das PPP

17 Maio, 2011

Se alguém quiser fazer uma análise séria das parcerias público-privadas deve começar por comparar as “condições de reposição do equilíbrio financeiro” previstas na lei geral, na lei que estabelece as bases da concessão, no contrato de concessão e a aplicação prática dessas condições em cada caso.

Modelo para a educação em Portugal

17 Maio, 2011

Descobrimos hoje qual o modelo que o PS tem para a educação em Portugal: as Novas Oportunidades.

Puritanos de uma figa!!!

17 Maio, 2011
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Diz-se para aí que o DSK arrisca uma pena que poderá ir até 74 anos. Tamanha sanção para um simples pecadilho de alcova, diz tudo sobre o extremado puritanismo dos “gringos” em temas de costumes.

À semelhança do “nosso” Manuel Alegre e certamente de muitos outros aristocratas (da esquerda, entenda-se…), DSK terá tido a iniciação sexual com “uma criada lá de casa”. A solidão numa recôndita suite de um hotel de Manhattan, conjugada com a visão estimulante e quiçá provocadora da chambermaid em uniforme, ter-lhe-ão recordado a 1ª vez e reavivado a fogosidade lasciva da juventude. Tudo o resto, são as reacções a quente próprias da fraqueza da carne e que a frieza anglo-saxónica desconhece.

É evidente que a Helena não tem razão. Estamos garantidamente perante um demoníaco complot, visando enlamear a reputação de um promissor líder europeu. E claro que, relativamente a Wolfowitz, só temos de lamentar as que caem fora, pois não há que ter contemplações perante tal plebeu com requintes de pelintrice.

o dilema dos fernandos

17 Maio, 2011
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Fernando Nogueira é uma pessoa de grandes qualidades intelectuais e humanas, enorme inteligência, de honorabilidade inquestionável, sobre quem, em anos e anos de vida pública, nunca caiu o mais leve salpico de dúvida. Junta a estas excelentes qualidades pessoais o facto de ser um homem cordato, afável e educado, de quem os amigos dizem sempre o melhor.

Posto isto, há que reconhecer que, como político, durante o longo consulado cavaquista, Fernando Nogueira foi o ex-libris do cinzentismo e o símbolo maior do “aparelhês”. Durante anos e anos dançou com Manuel Dias Loureiro o Bolero do Aparelho, pelo domínio do qual os dois lutaram um combate sem tréguas. Nogueira dançaria cem vezes melhor do que o seu eterno rival, e o aparelho retribui-lhe a dedicação ao nomeá-lo, acefalamente, como sucessor do pater Aníbal Cavaco Silva.

Deste modo, por mais qualidades pessoais que se lhe reconheçam, Fernando Nogueira não pode ser nunca o paradigma político de um partido que se pretenda aberto à sociedade e independente das lógicas internas e das amarras do aparelho partidário.

Não há duvidas que, nestas eleições, Passos Coelho não acerta nos Fernandos.

Privatize-se já!

17 Maio, 2011
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Lusa demite chefe de serviços comerciais invocando “falta de confiança política”

já não é mau

17 Maio, 2011
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Na avaliação do sentido de voto numas eleições que escolham um governo, um liberal não deve esperar encontrar programas «liberais» nos partidos políticos. O liberalismo não é uma filosofia de governo e do estado, mas uma filosofia sobre o governo e o estado. Não explica como se deve governar, mas o que os governantes não devem fazer no governo. A soberania e o seu exercício, mesmo em democracia, são sempre limitadores da liberdade individual e, por isso, não servem para criar um mundo ideal onde a coacção pública não exista. O liberalismo é, assim, uma filosofia política que nos explica por que razão a sociedade deve conter o poder do governo e a actuação dos governantes. Esses limites são impostos por uma ordem jurídica constitucional que garanta, ao máximo, os direitos, liberdades e garantias individuais, que crie «checks and balances» que auto-limitem os órgãos de soberania, e, no dia a dia, por uma sociedade constituída por indivíduos (mais do que por «cidadãos») conscientes dos seus direitos face ao estado e ao governo. Deste modo, como várias vezes já o escrevi, na política partidária e de governo e do estado o máximo a que podem ascender as pretensões liberais é a de se casarem harmoniosamente com o conservadorismo político, esse sim uma doutrina de governo e do estado. Em Portugal, as ideias liberais têm vindo a fazer o seu caminho. Hoje encontramo-las, em doses maiores ou menores e sempre limitadas por quantidades consideráveis de estatismo conservador, nos programas do CDS e do PSD. Há meia dúzia de anos isto seria impensável. Se elas, ou algumas delas, num país há muito subjugado por um estatismo asfixiante, forem tidas em conta num futuro governo, já não é mau.

Duplos critérios

17 Maio, 2011

A propósito desta reacção alguém ainda recorda Paul Wolfowitz e as razões que levaram meio mundo a exigir a sua saída do Banco Mundial?

juízo

16 Maio, 2011
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É neste cenário que, a meu ver, PSD e CDS devem trabalhar nos dias que faltam para as eleições: está visto que Paulo Portas não será primeiro-ministro do próximo governo constitucional e que o PSD não terá maioria absoluta nas eleições de 5 de Junho. Se quiserem formar governo juntos, há duas condições a cumprir: o PSD tem de ganhar as eleições, nem que seja por um voto, e os deputados do CDS têm de atingir, somados aos do PSD, 116 mandatos. Com menos do que isto teremos o PS novamente no governo e José Sócrates a primeiro-ministro. Por conseguinte, vejam lá se afinam a pontaria e se percebem que só têm a perder com o espectáculo público dos últimos dias.

É impressão minha…

16 Maio, 2011
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…ou a última coisa de que se lembrariam  todas estas almas piedosas adeptas de teorias da conspiração, caso DSK não fosse um “homem de esquerda” e “grande figura do socialismo“, era de alimentar a tese da conspiração?

Almoços grátis

16 Maio, 2011

Imagine o leitor que é um empresário da área da restauração. Um dia, encontrou na segunda série do Diário da República um concurso público para a concessão de um restaurante, a instalar num concelho não muito povoado do Minho, cujas condições eram as seguintes:

– O concessionário tinha de construir de raiz o edifício do restaurante, procedendo ao pagamento do valor do terreno, das obras de construção e de todo o equipamento para o restaurante funcionar. O Estado financiaria 10% do investimento total. Ler mais…

as relações psd-cds

16 Maio, 2011
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Nas relações PSD-CDS, não não podem sobrar dúvidas de que, se alguém tem razões de queixa, é o segundo partido em relação ao primeiro. Na verdade, se descontarmos a AD feita, no fim da década de 70, por Sá Carneiro e Freitas do Amaral, essa relação tem-se pautado pela permanente intenção assumida do PSD de fazer desaparecer o CDS do mapa eleitoral, como quase ia sucedendo no período cavaquista com o célebre “partido do taxi”. Depois disso, na coligação governativa de 2002, o partido de Portas, para além de ter mantido sempre um comportamento institucional exemplar, assistiu à fuga de Barroso para Bruxelas sem fazer um sinal de desagrado (embora se saiba que todo o governo foi praticamente apanhado de surpresa), e ainda se prestou a viabilizar o governo de Santana Lopes, quando podia muito bem ter provocado eleições e responsabilizado, com inteira justiça, o PSD por elas. Na eleição que ocorrerá no dia 5 de Junho, onde devia ser um imperativo nacional remover o PS do governo, os dois partidos só não surgem coligados por decisão do PSD. E, em cima disto, o CDS e o seu líder ainda têm que aturar os remoques do pessoal dirigente laranja – do pretérito, do presente e do vindouro – pelo facto do partido estar a subir nas sondagens, obrigação que é, obviamente, a de qualquer partido que se apresente a eleições, e que, infelizmente, o PSD parece não estar a conseguir.

As obras ruinosas da Parque Escolar

16 Maio, 2011
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Estão aqui parcialmente retratadas. Nada é dito porém sobre a “(re)qualificação arquitectónica”, que fez de muitas delas edifícios faustosos, por vezes com requintes de luxo asiático. Outra megalomania socretina de que pouco se fala e que, à semelhança de todas as outras, cria fabulosos lucros em construtores e arquitectos do regime por contrapartida de défice e dívida.

o campeonato do segundo lugar

16 Maio, 2011
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O PSD faz pessimamente em centrar os seus ataques de final de campanha no CDS e em Paulo Portas (na verdade, mais em Portas do que no CDS, o que revela sintomas de uma traumatologia cavaquista de que Passos Coelho não tinha de ser portador). Se é verdade que, como lembra Passos, Portas não tem, pelo menos por enquanto, condições para poder vir a ser primeiro-ministro, também o seu PSD não tem qualquer hipótese de ir para o governo sem o CDS. Para além do mais, ao fazer de Paulo Portas o «inimigo principal», o PSD revela medo e fraqueza, e dá espaço ao Partido Socialista para conquistar o centro, o que lhe poderá ser fatal. E, em vez de demonstrar vocação para a vitória, faz lembrar o Benfica do meio do campeonato a lutar com o Sporting de Braga e o SCP pelo segundo lugar.

A ter em conta

16 Maio, 2011

DSK é socialista. Não é padre católico nem de direita. Logo não se vão exigir pedidos de desculpa aos socialistas franceses nem se vão fazer manifestações de intelectuais envergonhados com a imagem que DSK dá do seu país. Apesar de tudo DSK foi detido nos EUA coisa que altera muito as regras deste jogo com regras diferentes consoante a filiação política dos envolvidos. Em Portugal a carreira política de DSK estaria longe de acabada e passados estes dias de confusão já com tudo devidamente arquivado ou prescrito DSK poderia manter as suas aspirações a todo e qualquer cargo politico. Tanto mais que no caso de DSK ele é de facto um político brilhante. 

Obs. E em França tal como em Portugal afinal toda a gente sabia, toda a gente sabe e toda a gente faz de conta que não sabe. Até que um dia todosagritam que afinal sabiam para em seguida voltarem a fazer de conta que nada sabem. E os jornalistas sempre ao dispor.

A Câmara Corporativa errou

16 Maio, 2011

A Câmara Corporativa abomina a luta contra a corrupção. Compreende-se. Já não se compreende que esteja tão mal informado e diga que sou candidato a deputado pelo PSD no Porto. É apenas mentira, mais uma mentira. Isto começa a ser penoso…

o manifesto eleitoral do cds

16 Maio, 2011
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O Manifesto Eleitoral 2011 do CDS possui as características formais da clareza, objectividade e perceptibilidade, que são próprias do estilo pessoal de Paulo Portas desde os tempos em que era jornalista d’ O Independente. Isso é bom, já que este género de documentos costuma disfarçar as suas intenções atrás de linguagem técnica dificilmente perceptível pelo comum das pessoas, o que não sucede aqui. Esta clareza permite-nos, por isso mesmo, descortinar com facilidade o que o documento tem de bom e de mau.

 

Nessa avaliação há que ter em conta que o CDS é, em 2011, um partido mais democrata-cristão e recentrado ideologicamente do que foram o Partido Popular dos primeiros tempos do portismo-monteirismo e o CDS-PP por onde andava António Pires de Lima e a sua célebre «Ala Liberal». Desde o famoso Congresso de Braga que o levou ao poder no partido, Paulo Portas tem defendido que a «democracia-cristã» é uma marca forte, com potencialidades eleitorais, que não poderia ficar sem dono em Portugal, menos ainda pelo abandono puro e simples do seu proprietário original. Sempre considerei esta visão um erro, até porque, por sua vez, deixa órfão o espaço eleitoral verdadeiramente popular, de classe média ascendente, distante do estado e com instintos civis e liberalizadores, que o próprio PSD, entretido a ocupar o espaço do Partido Socialista, tem desprezado ao longo dos anos. E são estes partidos simultaneamente populares, liberais e conservadores que têm ganho, à direita, eleições na Europa. Se Portas julga que o sucesso do CDS se deve a esse recentramento ideológico comete um erro e diminui-se, já que ele é quase inteiramente devido às suas qualidades políticas pessoais.

 

O que tem o Manifesto Eleitoral 2011 de bom e o que tem ele de mau? Vamos a ver.

 

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resquícios d’ o independente

15 Maio, 2011
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Fernando Nogueira, segundo O Público: «se fôr inevitável uma coligação com o CDS, Paulo Portas terá que fazer alguns ajustes, nomeadamente ser “mais sensato, menos sarcástico e ter um ego mais reduzido”». (E, já agora, aproveitando o balanço, para o PSD a coligação com o CDS terá lugar se for «indispensável», como decorre das palavras de Nogueira, ou por ser desejável, como Passos Coelho tem vindo a dizer?)

Que raio de pergunta!

15 Maio, 2011

O José da Porta da Loja achou por bem interrogar-se: e se o caso Dominique Strauss-Kahn tinha acontecido ontem, em Portugal? Para lá das idiossincrasias portuguesas nesta matéria que o José descreve há que ter em conta que à luz de acordãos recentes o melhor seria a senhora deixar-se violar mas sobretudo o país revoltar-se-ia contra esta empregada de hotel que estava a importunar o homem de quem dependem vários ordenados, pensões, complementos de reforma etc… etc…  Rapidamente meio país aconselharia a senhora a desistir da violação que provavelmente não teria sido uma violação, quem sabe ela até é que o teria seduzido… e a desgraçada criatura ainda acabava a ter de ressarcir o FMI.

Obs. Nunca se viu um homem estar tão perto de poder ser presidente da França e deitar tudo a perder em tão poucos dias. Primeiro foi a foto do Porshe, depois esta acusação de violação caso que afinal tinha precedentes.

Programa da troika para a energia

15 Maio, 2011

O programa da troika para a energia é o oposto do programa de energia do PS. Lembro que este programa de energia do PS chegou a dada altura a ser consensual entre muitos comentadores à esquerda e à direita por causa da aposta nas renováveis. Claro que nenhum destes comentadores tinha alguma noção do que é uma análise custo/benefício. Ao longo destes 6 anos o PS negligenciou o desenvolvimento de mecanismos de mercado, manteve subsídios ao consumidor que promovem desperdício e atirou subsídios colossais para promover investimentos inviáveis. O programa da troika vai no sentido contrário: desenvolvimento de mecanismos de mercado, liberalização total do mercado de energia, fim dos preços regulados, integrações do mercado ibérico, eliminação de subsídios que promovem o uso irracional da energia, redução de subsídios às renováveis e renegociação dos contratos existentes.

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Algumas passagens relevantes:

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5.10. For new contracts in renewables, revise downward the feed-in tariffs and ensure that the tariffs do not over-compensate producers for their costs and they continue to provide an incentive to reduce costs further, through digressive tariffs.

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5.11. Decisions on future investments in renewables, in particular in less mature technologies, will be based on a rigorous analysis in terms of its costs and consequences for energy prices. International benchmarks should be used for the analysis and an independent evaluation should be carried out. Reports on action taken will be provided annually in Q3-2011, Q3-2012 and Q3-2013.

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.5.14. Based on the results of the review, modify energy policy instruments to ensure that they provide incentives for rational use, energy savings and emission reductions. [Q4-2011]

O que é um tiro no pé?

15 Maio, 2011

Tenho muita dificuldade em perceber o que é que na política portuguesa se entende por “tiro no pé”. Por exemplo, porque é que nenhum dos casos seguintes conta como “tiro no pé”?

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1. Líder partidário diz que não está disponível para governar com o FMI e depois candidata-se para governar com o FMI.

2.Partido de governo assina acordo com o FMI e no dia seguinte começa a fazer campanha contra medidas que constam desse acordo.

3. Partido que se diz de direita e que faz capanha para manter a RTP nas mãos do Estado (9 canais de televisão que custam ao contribuinte 250 milhões de euros/ano).

4. Partidos que fazem campanha manifestando a sua aposta na agricultura como actividade económica de futuro (agriultura representa menos de 2% do PIB nos países mais desenvolvidos).

Coligação à vista

15 Maio, 2011

O CDS está a fazer campanha contra a privatização da Caixa Geral de Depósitos. O PS também. O PSD não.

O CDS está a fazer campanha contra a privatização da RTP. O PS também.  O PSD não.

O CDS está a fazer campanha contra a baixa da TSU. O PS também. O PSD não.

(Scut) Paradigma de negócios do Estado?*

14 Maio, 2011
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As nossas indignações cívicas, por vezes, esmorecem muito rapidamente. (…). De todo o modo – e sem esquecer que, muitas vezes, somos inconsequentes na defesa dos nossos interesses – a questão das portagens nas Scut parecia estar relativamente esquecida pela imprensa e “engolida” pelos utentes. Alguns deles – é bom relembrá-lo – sujeitaram-se, resignadamente e em plena fase de contestação, a perderem horas intermináveis em filas para comprarem o “aparelho” que lhes permitiria pagar aquilo que não queriam!

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A ler

14 Maio, 2011

«Em democracia, o melhor é mesmo deixar a direita governar. Não pelos seus particulares méritos, mas porque é a única altura em que a esquerda não cala. » – Luciano Amaral

«No dia 4 ou 6 de Junho, vários jornalistas e analistas vão aparecer na TV a dizer que “ah, não se discutiu o essencial”. » Henrique Raposo e a cobertura destas eleições

Ora qui está um bela ideia

14 Maio, 2011

«Jacinto Serrão, lider do PS/Madeira, vai apresentar queixa à CNE contra Alberto João Jardim, caso o presidente do Governo Regional da Madeira não retire um texto de opinião que “ataca os socialistas” na página oficial do governo – http://pgram.gov-madeira.pt/. » No embalo Jacnto Serrão também pode processar o Governo do Continente por ter transformado o Portal do Governo numa página de apoio a José Sócrates?

O novo partido da despesa pública

14 Maio, 2011

O CDS está  a ter bons resultados nas sondagens porque se converteu no único partido com hipóteses de ir para o governo que pode defender mais despesa pública sem ser  questionado. Basta fazer uma pesquisa por “cds propõe” ou reler o programa eleitoral de 2009.  Há sempre uma ideia para gastar mais dinheiro.

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Para passar uma mensagem de facilitismo, o CDS usa um truque que funciona porque o eleitorado tem uma relação difícil com a matemática. O plano da troika tem uma medida que corta X na despesa. Aparece o CDS e diz: “nós vamos gastar X nisto, mas temos aqui esta medida (que inevitavelmente é a que está no plano da troika) que corta X na despesa”. Temos assim duas propostas:

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Plano da troika: cortar X

Plano do CDS: gastar X, cortar X –> cortar zero

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Um dos exemplos deste truque é relatado aqui pelo Vasco Campilho. O CDS não gosta do esquema de substituição de funcionários públicos “5 por 1” e por isso propõe-se pagar generosos indemnizações a quem quiser sair da Função Pública. Com que dinheiro é que o CDS pretende pagar as indemnizações? Parece que é com o dinheiro das privatizações. Ficaríamos assim com duas propostas:

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Plano da troika: dinheiro das privatizações reduz a dívida pública de uns 110% do PIB para uns 106% do PIB, regra de substituição reduz o número de funcionários públicos em X

Plano do CDS: dívida pública fica nos 110%  porque o dinheiro das privatizações é desviado para baixar em X o número de funcionários.

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Com o plano do CDS o Estado fica mais endividado.

o debate passos-portas

14 Maio, 2011
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Tive uma surpresa com o debate Passos-Portas. Vi-o em diferido, na SIC-Internacional, e tinha lido minutos antes o que sobre ele foi dito e escrito na net. Para mim, ao contrário do que li à maioria dos comentadores, Passos esteve muitíssimo bem e Portas, não tendo estado mal, não deixou de ser igual a si mesmo, o que me pareceu menos do que suficiente, considerando o bom momento por que o seu partido está a passar e as expectativas que sobre ele recaem. Passos foi afirmativo, mas equilibrado (exagerou quando ordenou a Portas que o olhasse frontalmente) e apresentou-se bem preparado nos temas, enquanto que Portas se manteve por questões de menor substância e foi mais genérico na forma como as abordou. Mas o facto da maioria dos comentadores dar a «vitória» do debate a Portas, significa que ele já é, inquestionavelmente, o homem destas eleições e que o seu partido está lançado para atingir um resultado histórico. Por seu inteiro mérito, diga-se em abono da verdade.

 

Por outro lado, pareceu-me transparecer do debate que não existe estima pessoal entre estes dois homens, havendo até alguma falta de consideração recíproca, o que não será o melhor cenário para que um eventual futuro governo de coligação PSD-CDS venha a ser uma verdadeira alternativa de direita e não apenas uma simples soma oportunista de mandatos parlamentares para sustentar um governo imposto pelos votos. De resto, se estes dois homens vierem a formar uma coligação de governo, ela terá de perdurar, pelo menos, por duas legislaturas, isto é, por oito anos. Menos do que isso significará que o governo e a coligação falharam e que, com o seu fracasso, falhou também o plano de recuperação do país. A sua responsabilidade é, por isso, imensa, razão pela qual é mais do que hora dos seus respectivos conselheiros contribuirem para os aproximar no plano pessoal e, obviamente, no plano político.

 

Assim, se o PSD e o CDS forem para o governo com resultados eleitorais expressivos e mais equilibrados entre si do que no passado, se conseguirem um bom desempenho governativo e se se mantiverem unidos por duas legislaturas, daqui por oito anos a direita terá uma forte probabilidade de ser representada por uma só formação eleitoral e não por dois partidos rivais, como pretendia Francisco Sá Carneiro há trinta anos.