A esquerda portuguesa tem, sobre o momento verdadeiramente dramático em que vivem os trabalhadores portugueses, uma tese exótica: os empregos, tal como os dinossauros pré-históricos, terão desaparecido, quase até à extinção, por factores politicamente exógenos, isto é, pelos quais ninguém é responsável na política nacional.
A explicação científica para o estranho fenómeno inspirar-se-ia, então, nas modernas teorias da flatulência dinossaurica, que, por sua vez, ajudam a perceber a extinção dessa robusta espécie: os empresários portugueses, pestilentos e intratáveis, ambiciosos e cegamente determinados pela avidez do lucro fácil e rápido, foram a razão da sua própria ruína, ao exalarem os vapores putrefactos da sua cupidez, que levaram ao quase extermínio das suas empresas. Estamos, como é fácil de perceber, em plena teoria marxista do fim do capitalismo pelas suas próprias contradições históricas. Uma bela teoria!
Perante a exactidão de tamanha ciência, de nada vale argumentar com a rigidez do mercado de trabalho, com as absurdas leis proteccionistas do falso emprego, com o socialismo de estado “incentivador” da economia, com a estupidez da elevada tributação em nome de uma redistribuição inexistente, com as políticas públicas para “criar” emprego, com os milhões gastos nos “estímulos” económicos das obras públicas e das ppp’s, etc. A tudo isto, a esquerda portuguesa permanece cega, surda e muda, e prefere continuar a crucificar os poucos empresários e as empresas que mantêm ainda o país e os portugueses de pé, a perceber que o modelo socialista e assistencialista em que apostou nas últimas décadas é a origem e a causa da situação em que todos estamos.