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PL 246/XII

1 Setembro, 2014

Já está no Parlamento a proposta de alteração da denominada Lei da Cópia Privada. Embora o texto final seja ligeiramente diferente do aqui divulgado, mantêm-se integralmente as certeiras críticas tecidas aqui ou aqui.

Nunca é demais recordar o que está em causa: a “compensação equitativa” que a proposta de lei vem acrescentar a um sem número de equipamentos electrónicos não serve para combater a pirataria, mas apenas para, alegadamente, compensar os autores e os titulares de direitos conexos dos danos por estes sofridos pela realização, legal, de cópias das suas obras.

Como o próprio preâmbulo da proposta salienta, “caso se verifique a existência de dano significativo para os titulares de direitos, incumbe aos Estados preverem a criação de uma compensação equitativa“.

Ora, a existência de tais danos está, no caso português, longe de estar demonstrada – e esta demonstração é indispensável para poder afirmar-se que Portugal estaria a violar a directiva caso não alterasse a lei. Ler Mais…

Matrioshka de Antónios

1 Setembro, 2014

petrushka-joe

A harmonia musical em todo o cânone ocidental leva ao conceito de acorde, a sobreposição de duas notas a uma raiz (ou tónica) separadas por intervalos de 3ª, compondo um conjunto que pode ser definido por 1–3–5. Estes números, claro, pertencem à sequência de Fibonacci. Uma oitava musical representa a duplicação de frequência da nota original. Quer 8 (da oitava), quer o 2 (da duplicação de frequência) são número de Fibonacci. A cor de um acorde, se é “maior” ou “menor”, é determinada pela proximidade da 3ª à raiz: maior proximidade, maior a tristeza. “Longe da vista, longe do coração”, já diziam os antigos. O meio caminho entre uma e outra oitava (o intervalo cuja distância para a raiz e a sua oitava é igual) denomina-se por trítono, o som do Diabo. O acorde Petrushka, do bailado epónimo de Stravinsky, é obtido pela justaposição de dois acordes maiores (felizes) cujas raízes estão separadas por um trítono, gerando assim uma dissonância de duas cores “felizes”. Nesta obra, Petrushka é uma boneca tradicional que ganha vida e consequentemente emoções. Em boa parte, Petrushka é recriada como a hipersexualizada Joe no filme Nymphomaniac de Lars von Trier (em dois volumes). No fim, a audiência fica sem saber o quão de Petrushka (e de Joe) é real.

As eleições legislativas regulares em Portugal originam um trítono: entre o cumprimento das 4 sessões legislativas e a tomada de posse do novo governo é usual o alargamento do intervalo de 4ª para 4ª aumentada. Como em Petrushka, só no fim do mandato 2015–2020 ficará na audiência o sentimento de dúvida sobre a essência da realidade. Até lá, venha outro acorde maior, aparentemente feliz na sua inócua justaposição de números de Fibonacci, sempre previsíveis mas com dificuldade de cálculo acrescida a cada iteração. Os Antónios prometem o fim da austeridade. De forma circular, e como Joe disse em Nymphomaniac, “each time a word becomes prohibited, you remove a stone from the democratic foundation. Society demonstrates its impotence in the face of the concrete problem by removing words from the language”.

Falta pouco para o segundo acorde maior do Petrushka, o que lhe dará a dissonância. Muito em breve testemunharemos a abolição da palavra austeridade, em preparação para o evento. A dissonância será obtida pela disjunção entre o que será prometido e o que será efectuado. E tal como Nymphomaniac, a história é contada em dois volumes.

Muito nos conta senhor vereador

31 Agosto, 2014

Ao jornal I Sá fernandes declara a propósito dos brasões: “Não iremos destruir nada, porque o tempo já se encarregou disso. Não iremos acabar com nada, porque há 20 anos que não existem ali brasões.”

Ó almas santas quer isso dizer que durante 20 anos os 130 jardineiros da CML mais as empresas privadas contratadas para cuidarem dos espaços verdes da cidade resolveram por sua conta e risco não tratar dos jardins da praça mais visitada da cidade? Ou resolveram não tratar de buxos e só cuidar das begónias? Ou só tratam de buxos com formas que lhes agradem? E ninguém na CML deu por isso? Ou foi a CML que resolveu que não se cuidasse daqueles buxos e determinava que rosas ao pé do marquês de Pombal sim senhor mas os buxos do império nem vê-los e muito menos podá-los? 

Enfim a realidade é sempre supreendente. E na CML é mesmo um caso de literatura fantástica.

Mas qual é o problema?

31 Agosto, 2014

Para se terminar com esta pungente e indigente questão da falta de mulheres na Comissão Europeia – Martin Schulz alerta para risco de “chumbo” de Comissão Europeia com poucas mulheres –  proponho que os candidatos a comissários de declarem todos pessoas transgender, não confundir com  com os andróginos nem com os intersexos nem com as outras variantes todas em que os pretéritos e arcaicos homens e mulheres agora se dividem. Assim pelas minhas contas dá mais ou menos uma espécie de género, sub-género ou lá o que o que for por candidato a comissário.  Além do mais ganhava-se alguma animação  nas roupas e no calçado e quando fossem todos à Ucrânia a guerra parava de certeza.

 

Os Zés que fazem falta

31 Agosto, 2014

Os brasões da Praça do Império tema do meu artigo de hoje no Observador:  Sá Fernandes desgostoso com o Tejo que não lhe deu amêijoas nem corvinas, triste com a Tapada da Ajuda que não produzia azeite nem vinho, traído pelos ventos que não geraram energia, malquisto com o solo da capital que qual praga bíblica ora se desfazia em pó ora se fendia, virou-se para os buxos da Praça do Império. Não trata deles. E pronto! Desde que Gomes da Costa nos finais do século XIX resolveu adequar à sua visão da História os quadros dos vice-reis da Índia e demais notáveis da nossa História que ornamentavam o Palácio do Governo na Índia portuguesa que não se via uma coisa assim. O militar, que havia de chegar a Presidente da República, não satisfeito com as representações pouco grandiosas desses nossos preclaros antepassados, avançou de pincel para os quadros e, mais barba menos armadura, compôs-lhes as vetustas figuras com a mesma resolução que depois o notabilizaria na guerra e nos golpes de Estado. O resultado foi mais devastador para a memória do Império que o arranque dos buxos dos brasões que o senhor vereador se propõe agora levar a cabo: ao certo não se sabe quem é quem naquela sucessão de heróis que nos olha, severa e atónita com o despautério, em 75 painéis, 42 dos quais recriados a gosto por aquele que anos mais tarde se tornaria no marechal Gomes da Costa. Ora não há-de o senhor vereador ser menos que Gomes da Costa. Ele criou-nos um imbróglio histórico com as barbas de Afonso de Albuquerque e chegou a Presidente da República. O senhor vereador que por esse seu percurso também me parece talhado para mais altos voos quer alterar os brasões. Por mim, como lisboeta que sou, estou por tudo.

Falta pouco para o nirvana

30 Agosto, 2014

la-catrina

Debates entre Costa e Seguro decorrerão, perante as câmaras de televisão, nos dias 9 e 23 de Setembro. Haverá um outro mas, e devido ao carácter muito diferente dos candidatos, ainda não foi possível chegar a acordo no que à data respeita. As diferenças dos candidatos é patente em assuntos de fundo para a resolução da crise nacional tais como a duração dos debates: 45 minutos é a duração proposta para o álbum pelo incumbente, 25 é o tempo proposto para o single de lançamento do novo artista, também ele oriundo da boy band partidária.

É necessário lançar um concurso público para assegurar as pipocas a tempo.

Embora o assunto não seja muito popular nas redacções

30 Agosto, 2014

Leopoldo López líder da oposição venezuelana preso desde Fevereiro tem nova sessão de julgamento marcada para 10 de Setembro. O líder da oposição venezuelana tem tido as visitas supensas e o julgamento está longe de correr de uma forma jurídica aceitável. Dia 10 vai continuar e é bom que seja notícia.

 

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