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O muito inteligente

21 Outubro, 2014

Mário Soares, hoje no DN:

“Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu – de que é segundo responsável o nosso muito inteligente Vítor Constâncio -, tem feito o que pode para ajudar os países europeus que mais têm sofrido com a austeridade.”

“Noutros países, como a Itália dirigida pelo presidente Napolitano, a França do primeiro-ministro Renzi e, embora tenha grandes dificuldades, a Espanha do socialista Pedro Sanchez, líder muito inteligente do PSOE”

 

 

É indigno e imoral um partido falar de morte digna

21 Outubro, 2014

De vez em quando retorna a conversa sobre eutanásia, seguindo um ciclo inverso à publicação de fotos em bikini nas redes sociais pelas mesmas pessoas que conseguem ter ideias brilhantes para e por todos nós, graças a Zeus. Invariavelmente, é conversa atirada por gajos e gajas bonitos, com idades perfeitas entre os 30 e os 50, em forma, com todas as pernas e braços, pele viçosa, sem espinhas e eczemas embaraçosos, deformidades, comensais esporádicos em restaurante com estrela Michelin, com bicicleta de marca e tendo algum historial de férias caribenhas ou nas índias. Pessoas com a arrogância que a beleza e o pico do interesse sexual tendem a transformar em ídolos pop mascarados em escritores que ninguém lê, deputados que ninguém sabe ter elegido e agentes culturais cujos sazonais poios não passam o crivo de um bilhete parcialmente pago, quanto mais pago na totalidade.

Nunca se vêem paraplégicos acamados, com feias escaras, num quarto húmido decorado com crucifixo carcomido e desumidificador em saldo da Worten, que clamem por eutanásia. Nunca se vêem, sobre esse tema, os já viúvos no solitário caminho para a demência profunda, embaraçados em decrescentes momentos de coerência com o mijo que escorre para a sarjeta na momentaneamente eterna desconhecida paragem de autocarro. Quem fala desta problemática – porque para um progressista, outros morrerem é uma problemática – é sempre belo, educado, letrado, atraente, charmoso e dispensa Viagra. Tem o cabelo imaculado. A barba perfeitamente aparada. É uma besta cuja noção de sensibilidade termina na barreira de suor entre os corpos que copulam intelectos, entranhada no eu-eu-eu-eu instagramico que é palco da disjuntiva relação entre a vaidade e o bem-colectivo.

Nenhum destes abetumados néscios vê além de si próprio e do brilharete que origina a sua exímia e cultivada inteligência. Não imaginam que a percepção da eutanásia para o velho acamado é a do fardo, a do “não dar trabalho”, a do lastro que impede a plena realização dos familiares responsáveis pelo seu cuidado. Não imaginam que a esmagadora maioria dos velhos que pede para morrer está, quando crê falar a sério, a emanar altruísmo puro, a libertação de outros da carga que para esses é a própria existência alheia.

A morte é assunto demasiado sério e muito pouco compreendido para ser discutido por quem salta entre aborto livre, supressão de puberdade a crianças ditas transgénicas, cheias de Lisboa, tourada, efebofilia, mais-uma-linha-de-coca na urbe lisboeta a oeste de Marvila, amanhã-estou-na-SIC-Notícias, casamento entre plantas e a patológica crucifixofilia republicana do club des Jacobins.

Às vezes não Podemos

21 Outubro, 2014

podemos

Entretanto, em Espanha, o Bloco/Livre/Syriza/filhos-de-burgueses-estragados-pelo-ensino-marxista-e-excesso-de-acesso-a-iPads/envergonhados-do-PCP-que-preferem-zeitgeist-ya-meu/Protótipo-de-Daniel-Oliveira-antes-de-ser-absorvido-pelo-PSOE apresentou algumas medidas. Eis as mais cómicas/assustadoras/cassette/sou-tão-giro:

  1. Redução da jornada laboral para 35 horas e idade da reforma para 60 anos;
  2. Proibição de despedimentos em empresas com benefícios fiscais;
  3. Auditoria cidadã à dívida pública e privada. Reestruturação da dívida considerada legítima;
  4. Criação de uma agência europeia pública de notícias independente;
  5. Eliminação de privilégios fiscais e educativos concedidos à Igreja Católica;
  6. Fim das políticas anti-terroristas que violem, nomeadamente, o direito de livre associação;
  7. Abolição de designação de patologia a todas as opções sexuais e identidades de género;
  8. Garantia de acesso a emprego público a pessoas LGBT em risco de exclusão social;
  9. Re-nacionalização de todos os centros hospitalares privatizados;
  10. Aborto seguro, livre e gratuito na rede pública;
  11. Abolição de qualquer subvenção ou ajuda ao ensino privado;
  12. Electricidade, água e aquecimento a direitos humanos inalienáveis;
  13. Redução do IVA cultural para 4%;
  14. Fim das deportações;
  15. Reconhecimento da Palestina e devolução dos territórios ocupados por Israel;
  16. Abandono do tratado de livre comércio entre EUA e UE;
  17. Proibição da tauromaquia.

as contas da pt

20 Outubro, 2014
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Qualquer pequena média empresa que vá à falência está sujeita a um processo judicial de apuração das razões que motivaram o fim da sua actividade. O património sobejante responderá perante inevitáveis credores (estado, fornecedores e bancos, por via de regra), o mesmo sucedendo com o património dos seus administradores, que, para além do mais, podem ser criminalmente responsabilizados pelas dívidas e pelos destinos a que conduziram a empresa.

Ora, no caso da PT, a situação em que actualmente esta outrora importante empresa se encontra foi resultado de actos claros de gestão, com autores materiais e morais facilmente identificáveis. O estado, através da posição privilegiada que a golden share lhe concedia, tomou decisões para impedir a entrada de novos accinistas e manter o controlo no quadro de referência que acabou por levar a empresa à ruína iminente. Estes accionistas de referência terão, por sua vez, movimentado quantias astronómicas de dinheiro sem o consentimento, sequer o conhecimento, dos seus colegas da administração. E a estratégia brasileira, a tal que faria da PT uma empresa global, mais não foi do que uma leviana negociata política, cuja consequência foi a destruição quase total do valor da empresa portuguesa.

Neste estado de coisas, num país com tribunais pejados de pequenos e médios ex-empresários, arruinados pelas contingências do país em que vivem, a cargo com processos judiciais quase sempre de poucas centenas ou milhares de euros, que contas serão pedidas aos accionistas, e aos seus representantes legais, que levaram a PT à situação em que está?

Antecipação das eleições

20 Outubro, 2014

Podemos parar de fingir que o que está em causa não é a gestão do ciclo eleitoral? É óbvio que a oposição quer as eleições o mais perto possível do pico da austeridade e o governo quer o contrário. Acontece que as regras são conhecidas desde o início do jogo e nenhum governo arrisca medidas difíceis se não puder gerir os timings. Sem garantias mínimas de que os calendários eleitorais são cumpridos todos os governos passam a governar para o curto prazo.

Já tremem as pernas aos deputados do PS

20 Outubro, 2014

Dívida pública: PS não esclarece, para já só ouve

Homofóbicos e homofóbico-fóbicos

20 Outubro, 2014

A grande maioria dos pais espera que os seus filhos sejam heterossexuais. Não é uma questão de fobia, como os que se refugiam em reductio ad brutus pretendem passar: é uma questão óbvia de descendência e expectativa razoável de que, através de convencional relação heterossexual, os filhos lhes providenciarão a oportunidade de se tornarem avós biológicos. Isto antecede qualquer outra consideração de conflito e aceitação social, por muito chanfrado que seja o argumentador progressista que vos tente contrariar (normalmente insultando a vossa mãe). No entanto, ter filhos homossexuais tem as suas vantagens, como Jenny McCarthy pode atestar: para a radialista, um filho gay permite partilhar o prazer pelas compras ou o pragmatismo de penteados partilhados.

Há aqui um pequeno conflito de pontos de vista. O progressista permanentemente irado – característica excessivamente abundante em activistas para ser mera coincidência – já estaria pronto para disparar, graças à frase dos avós, pelo estereotipo de família dita convencional que, na sua imbecilidade, determinou ser o ponto deste post, não fosse a apresentação imediata de um exemplo de estereotipo ligeiramente mais aceitável, a do gay que gosta de compras e com tiques de cabeleireiro. No fundo, o problema não é o estereotipo e sim a levemente articulada bondade de quem o emite.

Progressivamente, a homofobia – termo cuja utilização disparou em 2011 – passa a dar lugar ao homofóbico-fóbico, a fobia em segundo grau que caracteriza pessoas com fobia a quem diagnosticaram taxativamente e solitariamente como homofóbicos. Qualquer um pode diagnosticar o que quiser, por isso tudo isto é normal: o progressista vive obcecado com o que ele próprio sente, que é tão-tão-tão importante em relação ao que os outros sentem que é mais que óbvio ser obrigação da sociedade aceitar as premissas de candura nas pretensões que pretende impor. É a essência do socialismo, seja moderno, seja o que for.

Tendência de busca de 'homophobic'.

Tendência de busca de ‘homophobic’.

A questão é muito mais simples: a grande maioria das pessoas é banal. Por isso mesmo, a grande maioria das pessoas nem se lembra de comentar o quão interessante seria ter um filho gay ou, cruzes, o quão um prontamente diagnosticado homofóbico devia ter um filho gay, como se a homossexualidade do filho servisse o propósito de punição para o pai.

Roger Ebert disse-o melhor a propósito de uma questão relacionada com o filme Brüno: I didn’t use the word “stereotype” in my review, and Brüno in my opinion is not a stereotype of any human being living or dead. Anyone who thinks he is “an average gay man” is a below-average average idiot.

Seria extremamente interessante que o progressista que se queixa de estereótipos começasse por deixar de estereotipar quem dele discorda. No entanto, a grande maioria dos progressistas é demasiado idiota para o compreender.

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