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os resultados estão à vista

30 Janeiro, 2015
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«Na terceira pergunta em que os professores mais falharam, o dr. Crato agarrou nas considerações tristemente acéfalas de um cavalheiro americano sobre “impressão e fabrico” de livros. Esse cavalheiro pensa que há “livros em que a beleza é um desiderato” (ou seja, a beleza do objecto) e outros “em que o encanto não é factor de importância material” (em inglês, “material” não significa o que o autor da PACC manifestamente julga). E o homenzinho acrescenta pressurosamente: “Quando tentamos uma classificação, a distinção parece assentar entre uma obra útil e uma obra de arte literária”. A obra de arte pede beleza ao tipógrafo (ao tipógrafo?), a obra útil só pede “legibilidade e comodidade de consulta”. Perante este extraordinário cretinismo, a PACC exige que os professores digam se o “excerto” “ilustra” os dois termos de uma comparação, o primeiro, o segundo ou nenhum deles. Uma pessoa pasma como indivíduos com tão pouca educação e tão pouca inteligência se atrevem a “avaliar” alguém.»

Vasco Pulido Valente, A Estupidez à Solta, no Público de hoje.

Até ao dia de hoje, acreditei que a questão da avaliação dos professores do ensino público fosse apenas um folhetim insuflado e mantido por Mário Nogueira e pelos Sindicatos, com a conivência de alguns professores, para agitação política deste e do governo anterior. Parecia-me absurdo que tem tem por missão avaliar recusasse, ab initio, a sua própria avaliação. Depois de lido isto, a somar a essas causas está, e em primeiríssimo lugar, a indisfarçável estupidez da prova, de quem a fez e de quem é politicamente (ir)responsável por ela. O elevado nível de imbecilidade das perguntas que li e da forma como inclusivamente estão redigidas, desqualifica imediatamente a sua finalidade de avaliação de conhecimentos de terceiros. No fim de contas, tudo isto é resultado da dita «escola pública democrática», que na euforia pós-revolucionária optou por deixar de ensinar, como se esse fosse um acto de autoridade ilegítima, deixando as criancinhas à solta e entregues a si próprias. Hoje, uns são professores, outros avaliadores e outros ministros da educação. Os resultados estão à vista.

O que se pode concluir da PACC

30 Janeiro, 2015

O seleccionador nacional convocou 17 jogadores para o próximo jogo de futebol. Destes 17 jogadores, 6 ficarão no banco como suplentes. Supondo que o seleccionador pode escolher os 6 suplentes sem qualquer critério que restrinja a sua escolha, podemos afirmar que o número de grupos de diferentes de jogadores suplentes é [inferior/superior/igual] ao número de grupos diferentes de jogadores efectivos.

Esta pergunta foi feita por um advogado político. Sim, ajuda a separar o trigo do joio, os que identificam lero-lero dos que acham que António Costa tem propostas para o país; tirando isso, pouco avalia. Um dos problemas é a mania de formular problemas matemáticos recorrendo ao exemplozinho do mundo físico e real, reduzindo o raciocínio lógico à aplicabilidade serôdia da ausência de abstracção.

Uma questão destas deve ser formulada da seguinte forma:

Existem 17 elementos. Destes, seleccionam-se 6 aleatoriamente, formando dois grupos, o grupo A com 11 elementos e o grupo B com 6 elementos. Repetindo a selecção até formar todas as combinações possíveis para os grupos A e B, o número de grupos A obtido é [inferior/superior/igual] ao número de grupos B.

O mais provável neste caso seria que mais errassem mas, paciência, isso é a vida. O que aqui se evidencia não é tanto o critério de selecção de candidatos à docência – que pode ser o que o empregador quiser – e sim o que os espera, caso sejam aprovados: um sistema de ensino mais vocacionado para doutrinar modelos e suas aplicações que para o pensamento abstracto.

Se calhar já foi assim que aprenderam nos cursos. É o que dá a fé na igualdade: quando tudo é igual a tudo, tudo é igual a nada.

Está a gozar?

30 Janeiro, 2015

Depois dos ricos alemães que iam pagar a crise

30 Janeiro, 2015

o Syriza ameaça que quem lhes pagará acrise, o aquecimento grátis, os ordenados, as reformas, os programas de férias… serão nada mais nada menos que os russos. Os cidadãos russos cuja vida é um oásis de conforto e bem estar são apresentados como os possíveis pagantes do  estado social grego. E ninguém tem vergonha na cara?

Não me venham dizer que é bluff. Pq se é bluff então deixe-se Tsipras confrontar-se com o seu bluff e de mão vazia dizer aos gregos que os russos os vão sustentar (e outras coisas que agora não vem a caso referir). O que não vamos é fazer de conta que sabemos que é bluff mas vamos ceder um bocadinho ao bluff porque não se pode deixar a Grécia cair para o lado de Putin.

só duas?

29 Janeiro, 2015
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Ricardo Salgado fez uma revelação extraordinária à Humanidade: não que seja a segunda encarnação de Cristo, não que seja a besta do Apocalipse, nem sequer o Dono Disto Tudo. Ele anunciou que teve duas reuniões com Aníbal Cavaco Silva. Duas! Duas exactas. Nem uma, nem três, tão-pouco quatro ou cinco, mas duas, coisa extraordinária que faz ruborizar os nossos inocentes jornalistas! Por mim, para um sujeito que encabeçava o maior banco privado português em falência iminente, até acho pouco. Pelo andar da coisa, parece, contudo, que não levou nada. Mas já que se está com a mão na massa e em maré de insinuações, e considerando a disposição de Salgado em colaborar com as autoridades, não seria de lhe perguntar quantas reuniões teve com Mário Soares? Ou com José Sócrates? E, já agora, perguntem-lhe se também saiu dessas reuniões com as mãos a abanar.

Nem tudo é mau…

29 Janeiro, 2015

…no novo governo grego.

Ao menos não se deixam arrastar no conto do vigário relativamente à Russia.

Pasquim ou não pasquim, pergunta o Quim

29 Janeiro, 2015

Na redacção improvisada no T3, em cima do pechiché de ébano ensopado da bílis revolucionária procedente da revolta permanente, jaz cópia do Correio da Manhã com capa portadora de brilho labial no saudoso beiço socrático.

CM-20140129

Queixam-se que um jornal que faz deduções não passíveis de confirmação na sua capa não passa de um pasquim (o termo certo é nojo, é tudo um nojo, é pessoal muito asseado). Foi por isso que Deus criou a ERC.

grd-6a49

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