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Agradecimento aos Abrantes

2 Março, 2015

O uso precoce em Fevereiro da arma secreta abrantina programada para Setembro “é, mas o Passos não pagou um dia inteiro de subsistência parisiense do animal socrático à Segurança Social” permite trazer destaque à terrível situação de confusão geral que é o sistema de obrigações contributivas para trabalhadores independentes.

O processo de contribuições para a Segurança Social é arcaico e propenso a incumprimentos inadvertidos que se arriscam a perpetuação graças à fantástica capacidade do serviço em não detectar anormalidades durante 5 anos. Felizmente, com este destaque, presume-se que será encontrado um pacto de regime entre os maiores partidos portugueses que permita a simplificação do procedimento contributivo para recibos verdes, trabalho este tão necessário como o Casa Pronta, que permitiu acabar com estes pequenos deslizes no imobiliário e que até vitimaram pessoas sérias como António Costa.

É bom ver o PS sem gravata a trabalhar em prol do país. Obrigado.

nem só de chineses vive a amizade

2 Março, 2015
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Desconheço os contornos reais deste novo «caso» de Pedro Passos Coelho sobre um eventual incumprimento das suas prestações para a Segurança Social, que terá ocorrido entre os anos de 1999 e 2004. Parece que o malandrim terá ficado a dever cerca de 4 mil euros aos cofres daquela benemérita instituição, o que já provocou a repulsa cívica do Partido Socialista, que, de modo circunspecto e grave, exigiu a Passos uma «explicação cabal» dos factos. O episódio valeu-lhe também uma pesada acusação de «evasão contributiva», esta a cargo de Edmundo Martinho, ex-Presidente do Instituto da Segurança Social, lugar a que foi guindado pela sua indiscutível competência profissional e por um invejável curriculum, atributos que não passaram despercebidos ao então chefe do governo José Sócrates, que em momento feliz o lá colocou. Desconhecendo, em absoluto, a realidade dos factos, há, contudo, duas conclusões que se podem imediatamente retirar:

1ª A absoluta inépcia dos serviços dirigidos por Edmundo Martinho, que permitiram que um contribuinte relapso tenha estado cinco anos seguidos sem pagar as suas contribuições, tendo as dívidas prescrito;

2º Que Pedro Passos Coelho não era amigo de Carlos Santos Silva, porque, se o fosse, certamente que este lhe teria acorrido nesse momento de aperto financeiro. Porque, no fim de contas, não são só os chineses que são nossos «amigos» e que se «chegam à frente» nestas «ocasiões». Nestas e noutras.

titanic rosa

1 Março, 2015
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titanic afundandoAntónio Costa anda à rasca com as sondagens e o mais provável é que as coisas continuem sem lhe correr de feição. Por culpa inteiramente sua, diga-se.

De facto, Costa conseguiu, em pouco mais de 100 dias de liderança, a assinalável proeza de desbaratar o valioso capital de nulidade política que António José Seguro lhe legara e que lhe permitia brilhar com pouco esforço, conseguindo fazer ainda menos e pior do que o seu antecessor.

Como foi isto possível, num homem manifestamente inteligente como ele parece ser? Por um erro de avaliação táctica e pelas más companhias de que se deixou rodear.

O erro de percepção do que deveria ser a táctica do PS foi trágico: Costa convenceu-se que o descontentamento do país com o governo de Passos reverteria a favor de uma radicalização política à esquerda, e convenceu-se que se tinha de encostar a nulidades políticas como o Livre de Rui Tavares e o moribundo Bloco de Esquerda para satisfazer os eleitores. Com isto, ignorou que os descontentes com Passos são essencialmente a classe média do funcionalismo público, que está pouco predisposta a aturar meninos da esquerda-caviar e que quer é que lhe digam como é que vai recuperar o poder de compra perdido nos últimos anos. Ao andar a passear de braço dado com a extrema-esquerda chique indígena, António Costa desprezou a velha lição de Mário Soares, que desde 1977, com a aliança como CDS, e mais tarde, com o Bloco Central com o PSD, explicou que, em Portugal, as eleições ganham-se e o país governa-se ao centro, porque o que os eleitores querem é pagar as contas ao fim do mês.

Quanto às companhias, bom, o problema aqui é que Costa não renovou minimamente o pessoal dirigente do partido e se faz representar por quem teve responsabilidades de topo na gestão de José Sócrates. Em tempos escrevi aqui um post em que dizia que seria interessante ver quem seria o número 2 de Costa, porque daí se poderia perceber o rumo que ele iria dar à sua liderança. A questão é que se passaram os dias, as semanas e os meses, e não se viu uma única cara nova no PS que levasse a acreditar nalguma renovação do partido, quer em relação a Seguro, quer, sobretudo, em relação ao estafado pessoal político de Sócrates. Ora, se a companhia dos socráticos já era complicada pelo facto do eleitorado os identificar com a falência do país, depois da prisão do chefe é completamente suicida. É que as pessoas têm memória e, por mais descontentes que estejam com Passos, sabem muito bem que ele só chegou ao poder porque antes de si governou José Sócrates. Aliás, no espaço de uma década os eleitores não mudam substancialmente, e os que puseram Passos no poder tinham lá antes posto Sócrates, sendo que muito dificilmente lá porão quem se revele pouco mais do que um sucessor do primeiro-ministro que chamou a troika. Isto, ao menos, tinha sido claramente percebido por António José Seguro. Parece que não tanto por António Costa.

Vitor Gaspar versus Varoufakis

1 Março, 2015

Um país que entrou em bancarrota tem os seguintes problemas:

1. Despesas têm que ser reduzidas e os impostos aumentados.

2. A falta de liquidez do Estado impede a gestão racional dos bens, empresas e departamentos públicos. Actividades que poderiam beneficiar de um reforço de capital mantêm-se num limbo de improdutividade e ineficiência.

3. O sector bancário fica sem crédito. Investidores não emprestam a bancos de países em bancarrota porque estes são alvo fácil por parte do Estado falido em caso de necessidades urgentes de fundos.

4. O sector privado fica paralisado, por falta de crédito bancário e devido ao risco de o Estado recorrer a medidas extorcionárias para resolver os seus problemas.

A estratégia de Vitor Gaspar visou resolver todos estes problemas. Vitor Gaspar fez o seguinte:

1. Reduziu a despesa do Estado cortando nas pensões e aumentou impostos, focando-se nas reduções com efeitos distorcidos (e.g. IVA da restauração e energia).

2. Utilizou a transferência das pensões para pagar dívidas de curto prazo do Estado e para reforçar o capital de instituições públicas.

3. Aplicou um programa de capitalização da banca, reforçando a confiança os investidores estrangeiros e dos depositantes nacionais nos bancos portugueses. Esta medida permitiu ainda reduzir o tempo em que o sector privado ficou sem crédito.

4. Lançou um programa de privatizações rápido e transparente (ao melhor preço, sem outras preferências) de forma a atrair investimento estrangeiro (ligações empresariais, novas vias de acesso ao crédito) e a captar dinheiro reforçar a liquidez do Estado.

5. Medidas direccionadas a tornar o país mais atractivo, as empresas mais competitivas e reduzir o crescimento do desemprego. Essencialmente medidas de desvalorização interna e liberalização do mercado de trabalho.

6. Resistiu a todas as pressões para fazer um default externo mesmo que encapotado (caso das propostas de impostos sobre as  PPP) de forma a preservar a imagem de país que respeita o investimento externo.

6. Procurou criar uma imagem externa, perante os investidores internacionais, de país cumpridor, nunca tendo ameaçado publicamente com defaults nem com ataques ao investimento externo.

Resultados: Portugal voltou aos mercados dentro do prazo pretendido e crédito à economia está normalizado.

Por  contraste, o governo do Syriza está a fazer o seguinte:

1. Insultar os credores oficiais.

2. Ameaçar cancelar privatizações e não fazer mais nenhuma.

3. Ameaçar com default.

4. Colocar a banca grega a financiar o Estado desviando crédito da economia.

5. Prometer aumentos do salário mínimo  e outras alterações que revertem a desvalorização interna.

6. Sugerir um imposto sobre os ricos no momento de fuga dos depósitos para o estrangeiro.

7. Criar um ambiente de incerteza para investidores externos e empresas gregas.

8. Vedar o acesso dos bancos gregos ao crédito mais barato do BCE.

Resultados: não sabem como se vão financiar em Março

Alexis, Alexis… Quem és tu?

1 Março, 2015

Começo a simpatizar com aquele moço tolinho, o Tsipras, da mesma forma com que simpatizo com criacionistas ou outros chanfrados como aqueles maluquinhos que associam a condução de automóveis a violações ou austeridade a escolha política: com a admiração de quem, mediante tamanhas limitações no desenvolvimento intelectual, conseguiu – ou, vai-se a ver, talvez por isso – chegar a uma posição encarada como de prestígio.

O Tsipras vê um eixo de poderes malévolos em Portugal e em Espanha que o quer aniquilar politicamente, como se ele não fosse perfeitamente capaz de tamanha façanha sozinho. Algumas pessoas dirão que é mesmo assim, é só política, não é para levar a sério; dirão que se dizem coisas tolas por votos e popularidade mesmo não acreditando; não creio ser o caso de Tsipras, o comuno-burguês do voluntarismo de associação de estudantes, que se vê como o líder de um movimento que adoraria poder colocar na Península Ibérica fantoches não muito diferentes dos colaboracionistas do Estado Helénico na Segunda Guerra Mundial. Pessoas como o Tsipras, tal como Jim Jones ou Slavoj Žižek, não são perigosas; perigosos são os membros do culto, dispostos a pregar a boa nova com a força de metralhadora. Em Portugal devem ser pelo menos uns seis.

Felizmente para todos, com o caso de Tsipras podemos estar descansados: mais cedo do que tarde acabará a queixar-se, sozinho, da traição do seu povo, essa cambada de covardes que capitulou perante a triste realidade. Com alguma sorte acabará a publicar as ignomínias num jornal durante o curtíssimo período em que a sua historieta tem interesse voyeurístico para a massa de groupies. O verdadeiro perigo, como se sabe, vem sempre na segunda vaga.

O destrambelho

1 Março, 2015

Tema do meu artigo de hoje no Observador: O PS criou um gigantesco problema a si mesmo: está a dar como adquirido que considera 2011 melhor do que a actualidade, coisa tecnicamente impossível de conseguir enquanto o video de Sócrates a fazer o pedido de ajuda externa não for retirado da internet em nome do direito ao esquecimento. O país não está bem, longe disso, mas está de facto diferente e diferente para melhor quando se compara com 2011.

A diferença entre António Costa e Passos Coelho

1 Março, 2015

António Costa a gabar-se de que cortou a dívida da CML em 40%:

 “O primeiro-ministro, na tal entrevista ao Expresso, resolveu comparar a sua acção governativa com a anterior acção governativa do PS. Sejamos práticos. Quer comparar o que fez com a dívida, eu comparo o que fiz com a minha. Eu reduzi a dívida que herdei em 40%, o senhor aumentou em 18% a dívida que herdou. Esta é a diferença entre nós e esta é a diferença entre quem gere bem e quem gere mal”

Algumas notas:

1. Quando o governo central vendeu a ANA, a CML recebeu uma compensação pelos terrenos do aeroporto que eram propriedade da câmera.  Neste negócio o governo de Passos Coelho pagou 43% da dívida da CML. Se António Costa diz que a dívida da CML só desceu 40%, então faltam 3%.

2. Foi uma das tão criticadas privatizações que permitiu a Costa descer a dívida. Duvido no entanto que seja possível baixar a dívida do país em 40% com uma privatização.

3. António Costa é crítico do Tratado Orçamental, por este prever um corte de dívida excessivo (menos de 2% por ano). António Costa, nos seus mandatos na CML, gaba-se de baixar a dívida 6% ao ano e imagina-se que esperaria que o governo fizesse o mesmo.
4. O aumento da dívida do Estado Central em 18% corresponde ao somatório dos défices nos últimos 4 anos. Neste período tanto o PS como António Costa defenderam défices maiores e portanto uma dívida maior.

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