O responsável revelou que participaram no escrutínio 43.983 dos 77.090 militantes com quotas em dia, o que equivale a43 por cento dos militantes em condições de votar. (No Público)
De acordo com os dados do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, do universo de 77 mil militantes com as quotas em dia, e que podiam votar, cerca de 44 mil (43 por cento) exerceram o seu direito de voto. (No Correio da Manhã).
Da outra vez acertei na mouche, mas agora isto está muito imprevisível. O dobro dos candidatos, mais 14.000 eleitores, cerca de 12.000 indecisos, eleições a decorrer dutante o dia que pode trazer muitos militantes idosos a votar, constituem variáveis capazes de inverter qualquer sondagem, previsão ou simples “contagem de espingardas”, como se diz em “aparelhês”.
Duas ”certezas”, ambas relacionadas com os últimos: Patinha Antão terá entre 1% e 3%, seguindo-se-lhe Santana com um score entre 15% e 20%. Na memória dos militantes, ainda está fresca a “derrota vergonhosa” de 2005 que propiciou a 1ª maioria absoluta ao PS e isto ser-lhe-á fatal, provocando muito desvio de votos, mesmo à boca das urnas, de antigos fiéis. Terá a suas melhores votações no distrito de Braga, potenciada por uma grande concentração em Fanalicão e, eventualmente, no Algarve. Poderia um dia ter algumas veleidades se se dispusesse a uma longa “travessia do deserto” de alguns anos, mas isso é algo que a sua natureza rejeita: tudo o que seja estar mais de 2 meses sem palco torna-se-lhe insuportável.
Qualquer um dos outros candidatos poderá ser o vencedor e serão decisivos os cerca de 12.000 indecisos que se estimava haver ontem. Tratar-se-á, sobretudo, de militantes anónimos não enquadrados nos “sindicatos de voto”. Não há certezas sobre a distribuição etária daqueles, dado que pode ser relevante: quanto mais idosos, maior a propensão em votar em Manuela Ferreira Leite, que para eles simboliza o retorno a um cavaquismo disciplinador. Em termos distritais, Pedro Passos Coelho ganhará com alguma folga no distrito do Porto, MFL vencerá em Lisboa mas a pequena distância dos outros 2 contendores. Braga, Aveiro, Coimbra e Leiria, os distritos que se seguem em termos de nº de eleitores, irão ser decisivos. E nestes, a única débil certeza existente é que MFL ganhará em Coimbra, sendo total a incerteza nos restantes.
O meu palpite é que ocorrerá à última hora uma opção maciça daqueles eleitores indecisos por PPC ou MFL. Representarão, por si só, mais de 20% dos prováveis votantes, que estimo em cerca de 54.000, o que representará uma afluência da ordem dos 70%, mais 10 p.p. do que nas últimas Directas. Isto poderá representar para o vencedor uma percentagem da ordem dos 45%, deixando o challenger a cerca de 10 pontos.
Enfim, puros palpites, com base em parcas observações do PSD profundo. Daqui a 3 horas já se poderão apurar os desvios. Agora, vou votar.
A RTP2 acaba de passar um tempo de antena do Bloco de Esquerda, sobre o Maio de 68. Muito interessante. Gostei particularmente do senhor sociólogo que explicou que o falhanço no referendo sobre a constituição neoliberal europeia se deveu ao espírito persistente do Maio de 68. O Fernando Rosas também falou muito bem. É sempre bom termos todos os pontos de vista sobre um dado tema. Antes devem ter transmitido outras opiniões mas infelizmente só apanhei a última meia hora. O programa chama-se Universidade Aberta.
Perante as câmaras da SIC, num quartel de bombeiros, o permanente candidato-a-candidato a líder laranja, Rui Rio, avisou que “qualquer dia ainda vou ter de apagar uns fogos no PSD”. Não foi um descuido ou uma mera graçola privada. Estava-se numa cerimónia pública cheia de jornalistas. Rio é político profissional há mais de vinte anos e sabe muito bem como os media tratam estes temas – disse o que pretendia e para ser ouvido. Exibiu-se como o ‘macho-alfa’ dos barões laranja.
A três dias das directas do PSD, quis mostrar que só há uma solução final para a crise: ele próprio (segundo o próprio, claro). Poucas horas depois, Ferreira Leite estatelava-se num debate com os outros candidatos – ganhe ou perca amanhã, o sinal que Rio desejava está dado.
Faltam as musiquinhas. Antes de cada filme há 2 segundos de música. Todas elas têm algo a ver com o filme que se segue. É para identificar a música e a relação com o filme. Bom fim-de-semana.
Como da outra vez, 20 filmes em 3 minutos. As regras são as mesmas mas o Gabriel não pode participar. Nem o Gabriel nem nenhum blasfemo porque este post já está em linha desde ontem e os blasfemos podem ter espreitado. Na última vez ganhou o Gabriel nos filmes e o Pedro Quaresma nas músicas. Este deve ser um bocadinho mais difícil que o anterior. Boa sorte a todos.
O petróleo estava a subir mas os pescadores continuavam a ir ao mar e vai daí, nas lotas, a oferta não se alterava e vai daí, os preços do peixe não subiam e vai daí, os pescadores estavam a ganhar cada vez menos e vai daí, fizeram greve em muitos países ao mesmo tempo e vai daí, o preço do peixe sobe por aí acima e vai daí, os pescadores começam a ver que o preço do peixe é mais alto e já vale a pena ir ao mar e vai daí os pescadores voltam ao mar cheios de vontade e vai daí, a oferta aumenta outra vez e vai daí, o preço do peixe desce e vai daí, como nem todos voltam ao mar, talvez o novo equilíbrio se estabeleça um pouco acima e vai daí, o peixe fica mais caro e vai daí, começam os protestos pelo aumento do preço do peixe.
Porém esta teoria falha num ponto. Como a compra de petróleo como investimento financeiro implica que quem o compra não o consome, só estaríamos perante uma bolha especulativa se os stocks de petróleo estivessem a aumentar. Não estão. A subida do preço do petróleo deve-se à procura da economia real.
Todo o petróleo que existe está em stock. O que os países produtores fazem é gerir o stock. Alguns poderão estar a fazê-lo de forma intencional, outras como reacção aos preços e às suas necessidades políticas.
Quem compra futuros do petróleo está a comprar parte do stock que os árabes têm lá debaixo do deserto. Os especuladores que compram futuros fazem subir o preço do petróleo futuro. Se o preço do petróleo futuro sobe, os árabes têm um incentivo para adiar a extracção. Logo a oferta presente desce (ou desacelera) e o preço presente sobe até equilibrar o preço futuro. Isto não implica que estejamos perante uma bolha especulativa. Quer dizer apenas que a especulação que está a ser feita neste momento não afecta a procura presente mas sim a oferta presente.
Os especuladores não precisam de acumular stock próprio para fazer subir os preços no presente. Os especuladores constituem um stock virtual que resulta do abrandamento da produção presente e que fica fisicamente guardado nas próprias reservas dos países produtores. Pode-se considerar que parte da oferta actual está a ser desviada para esses stocks vituais.
A Comissão Europeia rejeitou a proposta de Sarkozy de estabelecer um limite ao IVA sobre os combustíveis
Há mais de um ano, fiz parte de um grupo que quis a apreciação da constitucionalidade das normas que autorizam a aplicação do IVA sobre o preço do combustível já ‘taxado’ com o imposto sobre produtos petrolíferos num caso típico de dupla tributação. Foi-nos dito que se tratava de direito comunitário – são estas regras que Sarkozy quer alterar.
Muitos políticos europeus estão contra. Em Portugal nem se fala: Sócrates, Ferreira Leite e Constâncio, devem estar horrorizados com a suposta leviandade do presidente francês. Para quem está formatado na crença de que os impostos nunca devem descer estas coisas já são matéria de fé.
Todos os representantes de diversos interesses que, com ampla cobertura mediática, têm berrado pela redução dos impostos sobre os combustíveis, inclusivé com apelos pungentes e serôdios ao PR, fazem passar a mensagem, comprada de imediato por muita classe média endividada, que aquela redução é indispensável ao controlo de preços de bens básicos, como os transportes, o pescado ou produtos agrícolas.
Pura ilusão. Trata-se de actividades que desde há muito têm os combustíveis subsidiados – gasóleos verdes e quejandos. Este tipo de empresas, habituadas desde sempre a incorporar inputs com preços artificialmente baixos, vivem numa cultura assistencialista e nunca foram incentivados a adaptar-se às oscilações do mercado, sendo a sua capacidade de reajustamento nula ou quase. Qualquer subsídio adicional sobre os combustíveis, irá integralmente para o reforço das respectivas margens e não se reflectirá em qualquer baixa nos preços ao consumidor.
Entretanto, muitos cidadãos desesperam actualmente, não por causa do preço da gasolina e do gasóleo, mas devido aos aumentos do pão e de outros bens alimentares, cuja causa principal está longe de ser o petróleo. Mas estes não aparecem na televisão…
Os especuladores têm as costas largas. Quando ocorrem variações bruscas nos preços de alguns bens, para cima ou para baixo, seja no petróleo, no café, no trigo, no imobiliário, a culpa é sempre daqueles seres sem rosto, egoístas e desprezíveis. O preço dos cereais andou baixíssimo durante anos? Culpa dos especuladores e das suas posições curtas. O petróleo está a níveis estratosféricos? Porra para os especuladores, que se encharcaram de posições longas!
Facto é que, se os especuladores actuassem como indicia a opinião publicada, eles simplesmente não existiriam, pois há muito que teriam falido. Não é preciso ser matemático para saber que comprar na alta e vender na baixa é ruína certa. Como aqui é dito, aquela rapaziada faz (ou tenta sempre fazer) exactamente ao contrário, provocando assim um alisamento dos preços. Fosse aquela “raça” exterminada como muitos gostariam e a volatilidade dos preços seria ainda mais brutal. Com consequências dramáticas na vida de todos nós e no próprio crescimento económico.
O João Mirandasugere que os portugueses comprem acções da Galp para partilharem os lucros resultantes da sua actividade monopolista. Acabar com ela, aparentemente, não é opção. Mas para os portugueses que já endividaram 129% do rendimento disponível tenho uma alternativa ainda melhor à opção, digamos assim, do investimento bolsista: o investimento em barris de petróleo.
Este comentário do Tiago é revelador. Neste post eu defendi que as pessoas numa sociedade capitalista têm opções. Claro que optar por comprar acções da GALP implica duas coisas: poupança e capacidade de antecipação. A poupança consegue-se através do trabalho e da abdicação de conforto e status. A capacidade de antecipação consegue-se através do cultivo da inteligência, do estudo, da consulta de informação relevante e de hábitos de trabalho e decisão rigorosos. Acho por isso interessante que o Tiago tenha optado por, numa discussão pública, ter vindo com a desculpa do endividamento dos portugueses. O endividamento resulta das opções de alguns portugueses, mas não de todos. Os portugueses que optaram por se endividar fizeram as suas escolhas e tiraram delas o respectivo proveito. O endividamento é agora uma responsabilidade pessoal de quem se endividou. Endividaram-se e não se preveniram para uma possível alteração da conjuntura económica? O que é que aqueles que não se endividaram têm com isso?
«Seis horas de espera fatal. Foi este o tempo que uma vítima de traumatismo craniano grave demorou até ser transferida do Hospital Central de Faro (HCF) para o Hospital de São José, em Lisboa, por não haverem ambulâncias com ventilador disponíveis e o INEM ter desaconselhado a evacuação de helicóptero, devido à situação clínica da paciente.»
Em primeiro lugar, em que consiste a actividade do especulador? Sem entrar em grandes detalhes, penso que todos concordam que o que move o especulador é o lucro. Para tal, ele compra (e armazena) um produto com o objectivo de vender a um apreço mais alto, quando estiver mais caro. É essa a sua forma de ganhar dinheiro.
Se compra quando está mais barato, quer dizer que nesse momento engrossa o lado da procura, fazendo aumentar o preço do bem. Se o vende quando está mais caro, então nesse momento engrossa o lado da oferta fazendo baixar o preço. Com isto a actividade do especulador contribui para diminuir a variabilidade dos preços.
Antes de se extraírem ilações apressadas acerca das perversidades psicológicas colectivas dos portugueses, supostamente na razão directa dos protestos contra os aumentos dos combustíveis, seria conveniente espreitar o que se passa para lá das nossas fronteiras: em França onde há refinarias cercadas; no Reino Unido onde os camionistas invadiram Londres e a revolta contra os aumentos dos combustíveis é enorme e o governo resolveu cortar impostos em campos de petróleo; já agora, no resto do Mundo, onde as reacções ao que se está a passar não diferem muito daquilo que por aqui se vê – ou melhor, por cá, em comparação, até anda tudo muito mais sereno.
The George W Bush administration plans to launch an air strike against Iran within the next two months, an informed source tells Asia Times Online, echoing other reports that have surfaced in the media in the United States recently. (Asia Times)
E o automóvel é um dos seus principais símbolos. Toda esta histeria à volta dos combustíveis tem essencialmente a ver com isso: a recusa de uma classe média que teve uma ascensão artificial, muito alavancada em endividamento e subsídios, em abdicar do carrinho.
Taxas de juro em ascensão, combustíveis e alimentação em subida exponencial, estão a dar cabo dos orçamentos familiares, sobrando cada vez mais mês no fim do dinheiro. Em casa, há muito que a mulher e os filhos deixaram de beber sumos e Coca-cola, ele teve recentemente de abdicar da cerveja, a dieta é cada vez mais à base de pão e lacticínios.
Depois de vários cortes e apertos de cinto, põe-se agora uma terrível opção: deixar de pagar a renda do leasing automóvel ou o combustível. Independentemente da escolha, o resultado prático será sempre a indisponibilidade da viatura.
E aqui começa a revolta a germinar, quando se ganha consciência que a ascensão social terminou e está em acelerada regressão. Vão-se escondendo as carências alimentares, mas ser visto a andar a pé ou a utilizar os transportes públicos é insuportável.
Henrique Raposoacha que o monopólio que a GALP detém na refinação em Portugal é relevante para os preços dos combustíveis praticados em território nacional. O problema desta tese é que o preço médio da gasolina praticado em Portugal está a cerca de 2 cêntimos da média europeia. Pode-se licenciar uma nova refinaria em Portugal para ganhar 2 cêntimos por litro, mas eu sei de uma bomba da Repsol onde se pode poupar 4 cêntimos por litro. Para alem de que vai abrir uma nova refinaria em Badajoz.
Três notas adicionais:
1. A existência de um monopólio ou de um cartel quanto muito poderia explicar o valor absoluto dos preços. Não serve para explicar a subida dos preços.
2. O mercado da gasolina é europeu. As refinarias europeias direccionam os seus produtos para onde eles tiverem mais procura (depois de considerados os custos de transporte). Logo, o número de refinarias a nível nacional é pouco relevante. E é por isso que os preços não variam de país para país.
3. Sendo as diferenças de preços entre Portugal e o resto da Europa tão baixo, não adianta insistir numa questão lateral. Um eventual aumento da concorrência teria um efeito muito baixo.
Daniel Oliveira sugere que o texto seguinte permite explicar o que é a especulação. Será que o texto consegue explicar o que é a especulação? Como é que os especuladores “empurram preços”? O que ganham com isso? Como é que aparecem preços que não resultam da oferta e da procura? O que é a “especulação exagerada”? Há excesso de oferta relativamente a quê? Qual é o mecanismo que torna infecciosa a crise imobiliária americana? Em que se baseia o autor para concluir que o investimento em petróleo é arriscado? Quer isso dizer que voltaremos ao petróleo barato (iiuuupppi !) ? Como é que distinguem os contratos detidos por especuladores dos contratos detidos por não especuladores? Os especuladores não fazem parte da procura? Porquê? Qual é a relevância do volume de trading? O que acontece ao petróleo que é comprado pelos especuladores? Eles bebem-no? Armazenam-no? E se a quantidade produzida representa um excesso de oferta, porque é que o ponto de equilíbrio tem subido tanto?
Aqui fica o texto. Espero que consigam responder às questões.
«Desenvolvimentos espectaculares parecidos já ocorreram quatro vezes nas últimas décadas: em 1973, quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) impôs um embargo pela primeira vez; em 1979, após a revolução iraniana; um ano depois, quando o Iraque invadiu o Irão; e em 1990, quando o Iraque invadiu o Kuwait.
O que nos leva a uma das perguntas mais provocadoras feitas hoje sobre a economia mundial: Por que os preços do petróleo estão a subir de novo? É tudo especulação?
Este bloco é mesmo que ainda há pouco tempo acusava todos os dias meio mundo de se mover por causa do “cheiro de petróleo”, de estar ao serviço dos “homens do petróleo”, de se moverem pelos “interesses do petróleo”…?
Manuela Ferreira Leite, Vítor Constâncio e o ministro Pinho juram o mesmo: não há condições para baixar os impostos! Neste momento “não há margem”, garantem.
Para os ‘estatistas’ convictos, nunca chegará a ocasião certa para descer os impostos – mas todos têm grande facilidade em justificar as constantes subidas. Os países que baixaram os impostos ficaram mais ricos. Por cá, persiste-se no modelo que coloca o Estado como centro de todas as coisas e os cidadãos como meros ajudantes da máquina administrativa.
Há um ano, escrevi neste jornal que o PS podia ser derrotado em 2009 apesar das sondagens. Mas José Sócrates nunca será vencido por quem defende soluções iguaizinhas às suas. Entre o que está e uma cópia mais fossilizada a escolha é segura.
Helder sobre a proposta de baixar o IVA para os combustíveis:
O alarido à volta da proposta do Sarkozy. Sim eu sei que ser cínico equivale a ser condenado às penas do inferno. À falta do diabo da religião elevam-se os cínicos ao estatuto. Carissimos, Sarkozy sabe, e nós também, que a hipótese de haver mudança no IVA dos combustíveis é quase zero (se não for mesmo zero) e toma os eleitores franceses por aquilo que provavelmente são: parvos. Quando a ideia for liminarmente recusada (precisa unanimidade dos 27) há-de dizer que foram os demónios neo-liberais (!!) da UE que impediram tão bela ideia de ir pra a frente. Entretanto em Portugal, o spin é parecido. Já não bastava a hilariante investigação ao cartel da gasolina ordenado pelo Ministro dos Salários Baixos também já alguém mandou um telegrama (isso) para a UE a propor parecido e o Min das Finanças veio dizer que bem, enfim, talvez, discutir, estudar, nhã, nhã, nhã, nhã, nhã, nhã…Moscas diferentes mas a mesma merda, portanto.
Manuela Ferreira Leite não esteve apenas pior do que no debate da TVI – hoje, na SIC, teve uma prestação muito má. Sem ideias e sem o conseguir disfarçar, atarantada pelo ataque de Patinha Antão, Ferreira Leite demonstrou – a quem ainda tivesse dúvidas – que sem um ambiente muito favorável (como o que lhe foi oferecido por Moura Guedes e Pulido Valente na TVI) é uma política baça, chata, que repisa temas e pseudo-soluções sem a mínima imaginação.
No conteúdo ninguém esteve bem. Na pose venceu Santana Lopes: calmo, seguro e acutilante q.b.. Patinha Antão foi o mais agressivo mas não se percebia ali um líder para o PSD e muito menos para o País. Passos Coelho melhorou bastante em relação ao anterior debate. Veremos se chega.
Forma socialista de lidar com o Peak Oil: Subsidiar os combustíveis fósseis e as alternativas aos combustíveis fósseis. O resultado é gasolina artificialmente barata e energia fotovoltaica com custos 10 vezes superiores aos da energia produzida pelas centrais a gás.
Método capitalista de lidar com o Peak Oil: Deixar os especuladores fazer reflectir nos preços presentes a escassez futura. Deixar outros especuladores aproveitar a subida de preço para apostarem o dinheiro deles nas melhores alternativas ao petróleo. O resultado é o alisamento da curva de produção de petróleo.
O Público de hoje dá conta de que a receita de IVA sobre os combustíveis tem vindo a baixar, apesar do aumento dos preços, por causa da redução do consumo. Para chegar a tão brilhante conclusão, compara os consumos de combustíveis em Dezembro de 2007 com os de Janeiro de 2008, fazendo as contas como se os consumos de Fevereiro a Maio fossem iguais aos de Janeiro. Esquecendo, desde logo, que Dezembro é um mês atípico (com grandes movimentações de pessoas nos vários feriados e de mercadorias, por razões óbvias), o Público deu um tiro no pé. À tarde, Teixeira dos Santos foi ao Parlamento dizer que a receita de ISP baixou cerca de 20 milhões de euros, mas que a receita de IVA sobre combustíveis subiu bem acima daquele valor e continua a crescer, por força do aumento dos preços e, consequentemente, da parcela do IVA nesses mesmos preços. Como referi aqui, o Estado também beneficia, em termos de receitas fiscais, dos aumentos dos preços.
No apanha-mosca:
…TAP alerta para o pior momento da aviação, e como é expectável que os preços dos combustíveis continuem a subir graças à brutal especulação capitalista, será de prever uma grande diminuição do tráfego aéreo.
Mas ainda mais grave, é que 69 milhões de euros desses lucros – que é o triplo do valor registado em 2007 (+228,6%), que foi de 21 milhões de euros –, resultaram da especulação do preço do petróleo no mercado internacional, de que a GALP e as outras petrolíferas se aproveitam para cobrarem aos portugueses preços de venda nos combustíveis excessivos e escandalosos. E isso resulta de um estranho sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis aos portugueses, que não se baseia nos custos efectivos suportados pela empresa, mas que tira partido directo da especulação do petróleo no mercado internacional, que é urgente alterar pois, caso contrário, como a especulação vai continuar, os portugueses serão obrigados a alimentar os lucros das petrolíferas resultantes dessa especulação.
Por mail, SMS e boca-a-boca, tenho recebido inúmeras notícias acerca de um boicote ao abastecimento de combustível nas principais companhias de distribuição em Portugal.
Não sou pessoa de alinhar em ‘frentes comuns’ embora já o tenha feito – só que me arrependo quase sempre. Em relação a esta iniciativa julgo que cada um deve avaliar a situação e decidir por si. Individualmente. Só não percebo é porque é que essa decisão se circunscreve a alguns dias apenas.
Há muito tempo que tomei a decisão de não me abastecer de combustível em nenhum dos postos das marcas que, na minha opinião, actuam em descarada prática concertada de preços – só vou a postos em hipermercados. Quando a necessidade obriga, excepcionalmente, posso abastecer nas principais marcas mas só a quantidade mínima suficiente que me permita deslocar até a um posto de hipermercado. A diferença de preço é substancial (confirmar aqui) e dá-me um gozo acrescido não mensurável em euros. E, claro, sempre que estou por perto, abasteço em Espanha. Onde, aliás, já faço bastantes das minhas outras compras.
Mas isto sou eu e a minha família. Cada um faça como quiser.
Há quem defenda que se deve baixar os impostos sobre os combustíveis porque com estes preços da gasolina Portugal fica menos competitivo que a Espanha. Há aqui um equívoco. A vantagem competitiva da Espanha em relação a Portugal não está no preço dos combustíveis. Se estivesse qualquer país poderia ser competitivo subsidiando os combustíveis. Como é evidente essa via para competitividade é uma ilusão. A competitividade é uma propriedade global de uma economia, não é uma propriedade que resulta de custos específicos como os dos combustíveis. Entre outras razões, a Espanha é mais competitiva que Portugal porque tem as contas equilibradas e nunca precisou de aumentar os impostos indirectos até ao nível em que Portugal teve que os aumentar. É só. Querem mais competitividade? Cortem na despesa pública. A competitividade vem a seguir.