Embora as indicações das sondagens conhecidas sejam contraditórias, uma tendência parece clara: o campo do «não» tem crescido substancialmente á medida que a campanha chega ao seu fim. Ou seja, a hipótese de o Tratado de Lisboa ser chumbado pelos eleitores irlandeses é real.
E o que sucederá se, contra as expectativas, tal acontecer? Nada de especial.
A União Europeia continuará a funcionar como até aqui, em paz e sossego. O Tratado não entrará em vigor a 01.01.2009. Não é provável que os irlandeses sejam chamados a votar outra vez. A UE terá de desistir de vez ou adiar por vários anos a nova «arquitectura institucional». Daí virá algum mal ao mundo? Não me parece.
Recorde-se que inicialmente, era intenção da UE reformular os vários tratados existentes, por forma a serem simplificados e reunidos num só, mais curto, mais homogéneo e juridicamente coerente. Infelizmente, a dita «convenção» extravasando o seu mandato, para além dessa tarefa resolveu apresentar uma «constituição» e desenhar uma nova estrutura institucional, bem como reforçar uma série de novas competências, nomeadamente em matéria de diplomacia própria e forças militares. Com o chumbo de tais pretensões por dois dos países supostamente «mais europeístas», entendeu-se tentar ludribiar os europeus em geral e vender a ideia que aqueles eleitores tinham recusado a parte da reformulação dos tratados e não as inovações. Vai daí, insistiu-se na ideia da introdução de novas competências e figuras institucionais. Que, no caso dos irlandeses a chumbarem, dificilmente serão retomadas.
Ah e coisa e tal, e a dita «crise institucional» ? Qual crise? As instituições tem funcionado plenamente. «Pois, mas a ponderação de votos e…» E nada. A actual ponderação de votos entrou em vigor em 2006, resultado do Tratado de Nice. E se é verdade que o Tratado de Lisboa vinha alterar tais regras, o certo é que as mesmas só entrariam em vigor em 2017. Aceitar durante dez anos a manutenção das actuais regras, indicia claramente que as mesmas não pretendiam propriamente ultrapassar nenhuma «crise institucional»….Não. O que alguns pretendiam, isso sim, era dotar a UE de instituições diplomáticas e militares, transformando uma aliança de Estados num agente intervencionista a nível internacional. Imperialismo, puro e duro. Alguns povos que tiveram o privilégio de se pronunciar sobre a coisa recusaram. E os irlandeses parecem indiciar o mesmo caminho. Resta-nos agradecer-lhes.

12 Comentários
Vote NO 4 ME
http://criticademusica.blogspot.com/
Um video protagonizado por um dos mais celebres presos politicos da antiga URSS, Vladimir Bukovsky, um homem que passou 12 anos nas prisões do regime sovietico.
No video Vladimir Bukovsky compara o regime da antiga URSS com o futuro que actualmente os dirigentes da União Europeia lhe pretendem imprimir, indicando as principais semelhanças que detecta entre ambos.
http://en.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Bukovsky
Um doce virtual a quem descobrir 4 calinadas ortográficas no texto do Gabriel.
Nota: não é aconselhada a participação de comentadores diabéticos.
Gabriel tenstoda a razão .
Poder votar a dissolução do país é um previlegio e os Irlandeses vão mesmo votar não à ditadura de Bruxelas.
Mr. Hyde
homogeno, extravazando,
“Ludribiar”, “tem”.
Meio doce.
NÃO MIL VEZES , VEZES NÃO.
e um bushmills sff
passarei a torcer sempre pelo irish no torneio das seis nações
go lads , fuck those brussels bureocrats
a democracia é uma chatice, devem estar a dizer os eurocratas.
mas, garantem-me, o ‘sim’ vai ganhar.
O povo da Irlanda tb gosta mt de futebol, mas neste caso do referendo eles tem plena consciencia que o futebol nao é tudo e sabem que vão ser eles a voz de todo povo europeu…
O NÃO está cada vez mais forte!!!
…se o SIM ganhar, vai ser mt mais óbvio que este referendo é como esta democracia europeia, UMA GRANDE FRAUDE !!!
Aqui á dias encontrei um documentário bem informativo que merece toda a atenção de todos cidadãos ;
End of Nations – EU Takeover & the Lisbon Treaty
http://video.google.com/videoplay?docid=-4291770489472554607&hl=en
fuck those brussels bureocrats
que há imensos portugueses a favor do não sabemos nós. Não fazem é nada. até vão começar a beber cerveja irlandesa. Quo Vadis, portuguesas.
Excelente post.
Um Trackback
[...] Concordo plenamente com o Gabriel Silva, acerca do pretexto para este tratado: Qual crise? As instituições tem funcionado plenamente. (…) O que alguns pretendiam, isso sim…. [...]