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Revisionismos

7 Julho, 2008

O texto COLÔMBIA MAIS DISTANTE DA PAZ foi retirado do RESISTIR Pode contudo não só ser lido em toda a blogosfera como também aqui Contudo o RESISTIR continua a ter em link alguns textos bem interessantes sobre o caso dos reféns e muito reveladores das companhias em que o PCP anda na América Latina:

Retrato de uma mulher da elite

Não houve resgate

Nem sequer Ingrid Betancourt salvará o narco-presidente colombiano

Ps – Aproveitem enquanto é tempo para ler o GUERRILHEIRAS

Fala-se e escreve-se muito dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia — quase sempre para os caluniar — e pouco das guerrilheiras. A maioria dos europeus ignora que milhares de mulheres combatem nas 60 Frentes em que as FARC lutam naquele país.
Conheci muitas em 2001, nas semanas vividas num acampamento amazónico da organização revolucionaria. Como transmitir no breve espaço de uma crónica, o que em mim ficou do contacto com essas guerreiras de novo tipo?
Encontrei ali moças tão diferentes que seria redutor o esforço para esboçar o choque emocional provocado pelo descobrimento das combatentes das FARC. De comum entre elas apenas a coragem, a capacidade de adaptação a condições de vida duríssimas e uma confiança total na justiça da luta das FARC e na vitoria final, sem data.
No meu acampamento somente uma não tinha companheiro. Apenas Eliana ultrapassara os 40. A maioria não atingira os 25 anos. A ética da guerrilha impunha normas que eram respeitadas. Se dois namorados pretendiam estabelecer uma relação amorosa informavam o comandante. A infidelidade não era tolerada pelo código da guerrilha. A pareja era autorizada a dormir na mesma caleta, o estrado-cama que, sob um toldo de plástico, na grande floresta, fazia as vezes de casa. O regulamento proibia também que os guerrilheiros, homens ou mulheres, mantivessem relações sexuais com hospedes das FARC.
Mas não havia moralismo. Se um casal decidia pôr termo à relação comunicava essa decisão ao comandante. O gesto consumava a separação.
As mulheres realizavam os mesmos trabalhos que os homens, desde o treino militar à abertura das latrinas. Iguais direitos, tarefas idênticas.
O quotidiano dos acampamentos não permitia a privacidade a que hoje estamos acostumados na vida quotidiana. Na selva, infestada por transmissores de doenças perigosas, o banho diário é imprescindível à defesa da saúde. As mulheres banhavam-se no rio ao lado dos homens numa atmosfera de camaradagem e respeito que me impressionou. Elas de calcinhas, eles de cuecas. As normas do pudor, tal como as conhecemos, não podiam funcionar ali. Mas nunca, nem nos olhares nem nas palavras testemunhei atitudes da qual transparecesse um comportamento machista.
Elas, tal como eles, tinham diferentes origens sociais. Algumas tinham vindo de grandes cidades, outras dos llanos ou dos vales quentes, outras ainda das terras frias da Cordilheira. A origem social transparecia mais no diálogo do que no comportamento, porque raparigas de famílias camponesas haviam adquirido uma sólida formação ideológica.
Para surpresa minha quase todas eram bonitas.
Na Aula – o lugar onde à noite o colectivo da guerrilha se reunia para assistir a palestras e debater o tema com o «professor» convidado – tive a oportunidade de falar mais demoradamente com algumas que mal conhecia, como a Adriana e a Jenny.
O meu trabalho exigiu contactos muito frequentes com quatro: a Gloria, a Eliana, a Yurleni e a Isabel.
Glória era a secretária sem titulo do comandante Raul Reyes. De origem pequeno burguesa, adquirira uma formação marxista ampla, pouco comum. Era a responsável pelos computadores e pelas transmissões por radio, serviços instalados num «escritório» que se diferenciava das caletas apenas pela sua maior dimensão. Enviava mensagens codificadas e decifrava as recebidas. A sua intimidade com o mundo da informática fazia de mim um aprendiz bisonho.
Era muito bonita e nem o uniforme lhe afectava a feminilidade. Foi durante as lentas viagens para El Caguan, através de uma estrada imprevisível que rompia as matas da região- ela guiava carros pesados como uma profissional- que do seu passado soube aquilo que me contou. O suficiente para eu entrever nela uma personagem de novela que irradiava uma intensa alegria de viver.
Em Eliana encontrei uma revolucionaria de outro tipo. Responsável pela intendência, ocupava-se com zelo de tudo o que se relacionava com o abastecimento do acampamento. A sua beleza não era física. De meia idade, entroncada, brusca nos movimentos, alcançara o grau de subcomandante e o seu currículo de combatente dissipava duvidas sobre os méritos da guerrilheira. Era de poucas falas, mas, ao volante de um camião, respondia com rapidez e segurança às perguntas que eu formulava sobre a historia das FARC e a organização do acampamento.
Yurleni, a ranchera, projectava a imagem de uma jovem camponesa desinibida, faladora , com uma espontaneidade tocante. Passava o dia na cozinha preparando as refeições dos convidados. Quando apreciávamos um prato de caça ou uma especialidade colombiana reagia tão efusivamente que até comunicava o facto ao seu papagaio palrador, empoleirado num arbusto, ao lado do bidão da água, no terreiro por onde deambulavam galinhas e o quati, mascote da guerrilha. Yurleni tinha um companheiro, John, e dizia ser mais feliz do que algum dia pudera imaginar. Menina, tinha uma obsessão: ser soldado. Mas acabou nas FARC quando percebeu que era mentira o que delas contavam e que a guerrilha era, essa sim, um exército de heróis, como outro não existia .
Em Isabel, a historiadora, descobri uma romântica. Foi a ideologia, absorvida na universidade, que a empurrou para as FARC. Encontrava-se no umbral de uma vida de comodidades, já com um mestrado e trabalhando numa organização internacional que lhe garantia um salário mensal de quase 2000 dólares quando….
Ela hesitava ao chegar aí e eu interrompia, tentando descer às raízes da opção que a fizera mudar de rumo.
– O tempo de reflexão foi breve- respondia -. Eu sentia um nojo crescente pelo tipo de vida que se abria para mim. Não queria ser triturada pelo sistema. O apelo foi irresistível. Ajudada por amigos, vim parar às FARC, que eu admirava sem as conhecer…
Isabel mantinha longas conversas comigo. Os temas ideológicos fascinavam-na e encontrou em mim um interlocutor. Após um ano, sentia-se ainda uma iniciada. Cumpria exemplarmente todas as tarefas, verifiquei que atirava muito bem, mas a insegurança atormentava-a.
A beleza de Isabel chamava a atenção pela suavidade. Tinha uma pele muito branca, uns olhos enormes, luminosos e um corpo onde tudo parecia certo pela forma e a proporção. Do conjunto desprendia-se irrealidade.
Um dia perguntei-lhe porque, sendo tão bela, não tinha companheiro.
Levou tempo a responder:
– Sabes, isso faz-me sofrer. Mas não pelo que possas pensar. Alguns camaradas, já me perguntaram por que os recusei. Pensam que é uma atitude de classe, mas o motivo é outro. Eu faço uma ideia muito grande do amor e ainda não encontrei alguém que me abra ao amor…
Naturalmente Gloria, Eliana, Jenny, Adriana, Yurleni, Isabel eram nomes de guerra. Desconheço-lhes os nomes reais.
Na sede das FARC, em San Vicente del Caguan, conheci outra guerrilheira, a Nora, da qual conservo, nítida, na memória a lembrança de alguém que me apareceu como símbolo das mulheres das FARC.
Ela estava então na legalidade relativa da época e por isso publiquei-lhe o retracto numa reportagem. O companheiro tinha caído em combate pouco antes.
Nora atendia na recepção todos os estrangeiros que chegavam à Zona Desmilitarizada. Apareciam ali muitos jornalistas que pretendiam entrevistas com os dirigentes mais destacados das FARC, incluindo Manuel Marulanda, o legendário Tiro Fijo cuja morte fora anunciada vinte vezes por sucessivos governos. Era difícil a tarefa, mas Nora resolvia os problemas mais delicados. A voz e a doçura da guerrilheira desarmavam o protesto, quando os visitantes não obtinham o que pretendiam. Fundia uma suavidade tocante numa firmeza de combatente veterana.
Fechava-se quando as minhas perguntas incidiam sobre o seu mundo interior. Nunca me falou do companheiro perdido, mas a palavra tristeza subia na minha memória quando a escutava . No dia em que me despedi dei-lhe um par de botas e uma lanterna. Indispensáveis na selva , não teriam mais utilidade para mim.
– Podem ser úteis para algum camarada — comentei quase envergonhado.
Nora abraçou-me, sem uma palavra, e o seu gracias compañero chegou acompanhado do único sorriso que lhe vi esboçar naqueles dias.
Hoje, quando leio ou escuto calunias sobre as FARC, o meu pensamento viaja para as selvas e montanhas da Colômbia. No turbilhão de imagens que então me envolve não é sem comovida admiração que revejo as guerrilheiras que ali conheci. Aquelas mulheres aparecem-me como símbolo da confiança na transformação revolucionaria da vida 

48 comentários leave one →
  1. Alvaro's avatar
    7 Julho, 2008 11:16

    A Helena descobriu a pólvora… N sabia que os narco-traficantes mortos são heróis e os que foram raptados são filhos da burguesia? Mas isso aprendi nos manuais quando tinha 12 anos. A Helena sabe, até porque provavelmente é um pouco mais velha que eu, está é a fazer-se passar por ingénua.

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  2. Alvaro's avatar
    7 Julho, 2008 11:18

    de resto a Ingrid até deveria agradecer aos “guerilheiros” (são traficantes de droga mas enfim…) terem-lhe porpocionado aquelas belas férias na selva. Não são os europeus que pagam balúrdios parta fazerem digressões de poucos dias nas selvas sul-americanas e asiáticas? Já pensou quanto a Ingrid teria de ter pago por uma estadia de 6 anos?

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  3. jcd's avatar
    7 Julho, 2008 11:34

    Esta parte é fantástica:

    “Ela queria ir muito mais longe que a sua mãe e ser a rainha dos grupos em armas. Iniciou então ataques muito bem estudados contra as FARC e contra os paramilitares, ao mesmo tempo que concertava reuniões com dirigentes de ambos os grupos. Ou seja, queimava-se pelas duas pontas. Viveu anos tormentosos, porque apesar das suas decididas e “valentes” declarações, nem a matavam nem a sequestravam. Parece que há uma forte superstição entre os grupos de sicários e assassinos na Colômbia de que matar mulheres traz má sorte.

    Aqui destrói-se a personalidade:

    “É totalmente falso que queira os seus filhos, quase nunca os via. Também tinha muito claro: qualquer coisa menos ser mãe, dedicar-se ao seu lar asfixiava-a e diminuía-a. E teve razão, por esse caminho jamais teria sido o que é hoje, pois até o Papa a recebe… Nunca cuidou deles, nunca lhes trocou uma fralda, nunca lhes deu um biberão. Não tinha tempo para isso nem queria.”

    A estes velhos comunistas, o que têm a mais em ressabiamento falta-lhes em vergonha.

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  4. LPedroMachado's avatar
    7 Julho, 2008 11:35

    Gostei da expressão “hóspedes” das FARC! LOL

    Mas a parte mais comovente é talvez esta:

    «Um dia perguntei-lhe porque, sendo tão bela, não tinha companheiro.

    Levou tempo a responder:

    – Sabes, isso faz-me sofrer. Mas não pelo que possas pensar. Alguns camaradas, já me perguntaram por que os recusei. Pensam que é uma atitude de classe, mas o motivo é outro. Eu faço uma ideia muito grande do amor e ainda não encontrei alguém que me abra ao amor…»

    LOL! “Uma atitude de classe”!!! Isto contado ninguém acredita! 😀

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  5. Paulo Vaz's avatar
    7 Julho, 2008 11:36

    O Resitir dá 10-0 ao Blasfemias em assuntos económicos. Temos de facto que excluir as questões ideológicas e das FARC nesta análise.

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  6. Alvaro's avatar
    7 Julho, 2008 11:43

    “É totalmente falso que queira os seus filhos, quase nunca os via. Também tinha muito claro: qualquer coisa menos ser mãe, dedicar-se ao seu lar asfixiava-a e diminuía-a. E teve razão, por esse caminho jamais teria sido o que é hoje, pois até o Papa a recebe… Nunca cuidou deles, nunca lhes trocou uma fralda, nunca lhes deu um biberão. Não tinha tempo para isso nem queria.”

    É… revelador da inversão perversa que os “arautos do futuro” (cruzes canhoto!) fazem frequentemente. Com o Chostakovich fizeram o mesmo na União Soviética, ao ponto de ele ter mudado totalmente de estilo da segunda para a 3ª sinfonias. Na segunda foi o visionário que poderia ter aberto novas vias para a música. A partir daí tornou-se no “neo-clássico”, como ficou conhecido. Tem coisas muito boas e outras francamente menos boas. Não mudou foi nada e se, como exercício académico, o retirarmos da história nem sequer se daria conta no futuro. Ao contrário de um Debussy ou de um Varèse.

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  7. jcd's avatar
    7 Julho, 2008 11:44

    “O Resitir dá 10-0 ao Blasfemias em assuntos económicos.”

    Em assuntos económicos, o Resistir joga sozinho e mesmo assim é goleado.

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  8. Planetas's avatar
    7 Julho, 2008 12:39

    Quem diria…até o Fidel Castro (ou quem por ele se faz passar) é menos Ortodoxo que o PCP, por que El Comandante “terá” condenado as FACR pelos Sequestros.

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  9. CAA's avatar
    7 Julho, 2008 12:51

    Fiquei com tanto nojo que nem consegui acabar a leitura dos textos.

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  10. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    7 Julho, 2008 13:57

    Ora, ora, CAA, deixe-se disso; de certeza que já leu coisas piores. Quanto à Ingrid, é óbvio que a saida de alguém do cativeiro é sempre de saudar, digam o que disserem os gajos do PCP. Mas reconhecer isto, não me obriga a engolir as versões oficiais do governo colombiano sobre o salvamento heróico da senadora. Não devemos deixar que nem o Uribe nem Farc e aliados nos embotem o espírito crítico. Nenhum é flor que se cheire.
    Mas, como é óbvio, não espero aqui nenhum texto de algum dos blasfemos a questionar a versão oficial dos acontecimentos, vertida pelo gabinete de imprensa do governo colombiano. Os blasfemos não são livres disso; têm demasiado medo de terem o que quer que seja em comum com algo que seja dito pelos comunistas, por exemplo. Já vi que dizer qualquer coisa de diferente, será aqui desqualificado com o epíteto de “revisionista” ou “teoria da cosnpiração”. Só se enganam a vós próprios.

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  11. Desconhecida's avatar
    helenafmatos permalink
    7 Julho, 2008 14:30

    Calma aí: não faço a menor ideia do que é verdade ou mentira na operação de libertação dos reféns. Mas esse é um assunto. Outro assunto bem diferente é tentar pôr no mesmo nível o governo da Colômbia e as FARC e fazer assassinatos de carácter dos reféns para branquear as FARC.
    Os reféns eram isso mesmo: reféns. Podem ter estado na selva ou num spa. Eram reféns.

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  12. JC's avatar
    7 Julho, 2008 14:31

    “não espero aqui nenhum texto de algum dos blasfemos a questionar a versão oficial dos acontecimentos”

    Ó Caramelo, a “versão oficial dos acontecimentos” é simples:

    A Srª Ingrid foi aprisionada pelas FARC, mantida cativa contra a sua vontade e libertada há dias, contra a vontade das FARC.

    Qual a parte da “versão” que lhe “embota o espirito”?
    Em que parte do corpo é que lhe dói o cotovelo?

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  13. hkt's avatar
    7 Julho, 2008 14:56

    O PCP revela-se mais uma vez num perito de branqueamento do totalitarismo vermelho transformando a realidade numa espécie de “vie en rose”…

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  14. Planetas's avatar
    7 Julho, 2008 15:01

    Ó Caramelo,

    Como é que pode haver uma leitura dos factos tão divorciada da realidade?!

    sem mais considerações, 15 sequestrados foram resgatados das FARC pelo Exercito Colombiano, após 6 anos de cativeiro (naturalmente contra a sua vontade).

    qualquer outra questão relacionada com a Política da Colómbia, dos USA ou mesmo Mundial apenas poderá ser aludida com a finalidade de Minimizar o acontecimento, mas sobre tudo para fugir à condenação doa Terroristas.

    …tudo o resto é atirar areia para os olhos

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  15. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    7 Julho, 2008 15:07

    JC, eu sei que é “simples”. A versões oficiais, de todos os governos, são sempre simples. E há sempre quem as engula sem qualquer espírito crítico, como tu, os que abanam alegremente as bandeirinhas de todos os governos. E há quem tenha o péssimo hábito de desconfiar, sobretudo quando se trata de governos conduzidos por gajos com um curriculum sujo na américa latina, e tente saber mais. Olha o que eu descobri:
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u419133.shtml

    Helena, eu sei que eram refèns e nunca disse o contrário. E também sou contra assassinatos de carácter. Quanto ao governo da Colômbia… eu não confio mais em governos só por serem governos. Isso é uma visão legalista e formalista das coisas que eu não esperava de um blasfemo.
    Mas a própria Helena diz que não sabe onde está a verdade e a mentira. Não estou à espera que desenvolva, mas já revela algum espírito crítico, ao contrário do JC.

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  16. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    7 Julho, 2008 15:09

    O mesmo comentário serve para o Planetas, o gajo do “sem mais considerações” 😉

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  17. Desconhecida's avatar
    helenafmatos permalink
    7 Julho, 2008 15:24

    Ao contrário de Uribe as FARC não se sujeitam ao voto e muito menos à discussão.

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  18. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    7 Julho, 2008 15:28

    really, Helena? Que comentário tão interessante para um blasfemo! Imagino por aí alguns embaraços… E se as FARC se sujeitassem ao voto e ganhassem?

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  19. António Vilarigues's avatar
    7 Julho, 2008 15:37

    Cara Helena Matos,
    Sobre “por ao mesmo nível” talvez devesse ler isto: http://ocastendo.blogs.sapo.pt/326497.html.(há também um resumo por mês de meses anteriores)
    Sem presunção nem água benta talvez devesse fazer uma pesquisa no meu blog, quer por Colômbia, quer por FARC.
    Finalmente atrevo-me a sugerir-lhe a leitura do sítio do National Security Archive da George Washington University http://www.gwu.edu/~nsarchiv/ e que pesquise Álvaro Uribe. Se quiser poupar trabalho pode ir ao blog “O Tempo das Cerejas” que está lá muita coisa…
    Quanto à minha posição ela também está no meu blog e no Público (desde 2002…): terrorismo individual e reféns, sejam em nome de que ideais e princípios sejam, não resolvem nada, só prejudicam e desprestigiam esses mesmos princípios e ideais.

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  20. JC's avatar
    7 Julho, 2008 15:45

    “versões oficiais, de todos os governos, são sempre simples”

    Caramelo, vamos por partes.

    1. A srª Ingrid foi raptada pelas FARC. Aceita esta “versão”, ou prefere a versão de que foi um ovni?

    2. As FARC mantiveram a Srª Ingrid sequestrada contra a sua vontade. Aceita esta versão, ou prefere a versão de que afinal a Srª Ingrid não existe, não é real, estava só lá a acampar, a comer sandes de atum e na laracha com os “campesinos” das FARC?

    3. A Srª Ingrid foi libertada contra a vontade das FARC. Aceita esta versão, ou acha que foi o lobby judaico-sionista-bushista, alienígena, que a CIA meteu no Irão e através do Chavez, combinou com o Hezbolah e a maçonaria e depois afinal estava combinado com o Fórum de São Paulo e o Lula, que já havia dito não sei quê, para o Sarkozy espetar com o assunto e o Uribe sair por cima, e patati patatá?

    Enquanto pensa nas “versões”, dê uma espreitadela na Wikipedia e investigue o que é a Tesoura de Ockam e a teoria da conspiração.

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  21. Piscoiso's avatar
    Piscoiso permalink
    7 Julho, 2008 15:54

    Já repararam que é o 3º post da Helena e eu não disse nenhuma das minhas habituais imbecilidades?

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  22. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    7 Julho, 2008 16:28

    JC, as duas primeiras aceito. Quanto à terceira, há pelo menos suspeitas de que a Srª Ingrid foi libertada por vontade de ambas as partes, FARC e governo, na sequência de negociações que envolveram muito dinheiro. Eu, sabendo do que a casa colombiana gasta, incluindo FARC e governo, acho bem plausível. A própria Helena diz não saber onde está a verdade e a mentira. Tu, que és um gajo simples e aceitas as versões “simples” que o gabinete de imprensa do governo colombiano te quer fazer engolir, estás à vontade. Mas deixa lá a teoria do Okam, ou lá o que é isso, deixa lá a wikipedia, e pensa, rapaz, pensa. Olha que é um bom princípio questionar tudo, sobretudo tudo quanto os governos querem que nós acreditemos. Bem podias aprender com os blasfemos esta máxima, sempre perderias alguma ingenuidade.

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  23. JC's avatar
    7 Julho, 2008 17:02

    Ou, seja, as FARC libertaram a Srª Ingrid de espontanea e livre vontade, se bem entendi. Faz sentido.
    Marimbaram-se para o Chavez, fizeram ouvidos de mercador ao Castro e deram de mão beijada um triunfo real e mediático ao odiado Uribe.

    A sua perspicácia é arrasadora, meu caro.

    Ah, não sei se sabe, mas o Hitler tb não agiu de moto próprio..é tudo mentira. Como sabemos todos, os que estamos por dentro do segredo, um dos objectivos da conspiração era a criação do Estado de Israel, para servir de base avançada do imperialismo da CIA. Não é pois coincidência que essa criação tenhe tido lugar em 1948, logo após a guerra. A oração “para o ano em Jerusalém”, era afinal uma senha que ia muito para alem do seu valor religioso. Sabemo-lo agora.

    Para alcançar os seus fins, os judeus precisavam das potências ocidentais e para as manipular tinham de criar uma alavanca moral. Foi por isso que criaram o mito do holocausto, como chantagem psicológica, e espalharam as mentiras das camaras de gás. Para isso tinham de convencer a Alemanha a ir para a guerra, o que conseguiram causando o caos e levando Hitler ao poder.
    Para assegurar a derrota dos alemães, e evitar o acesso dos ocidentais aos campos de extermínio, instalaram um regime bolchevista na Rússia.
    Depois, pela crise financeira dos anos 30, que urdiram graças ao seu controlo dos bancos, criaram as condições para que o plano se realizasse.

    Faz sentido não faz?

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  24. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    7 Julho, 2008 17:26

    Ó JC, é negócio, ó pá! Tu sabes o que é um negócio? Uma coisa que envolve falar, trocar dinheiro por coisas, negociação, contrapartidas, etc… já ouviste falar? E quem é que está a falar do Hitler? Eu estou a falar das FARC e do Governo da Colômbia, ó santinho! Ou tu julgas que esta acção não foi precedida de longos contactos entre os serviços secretos de vários paises, o governo da Colômbia e os gajos das FARC? Ou tu és tão anjinho que achas que saiu tudo do nada, que tudo foi uma operação à super-herói Marvel ou à 007, com gajos a descer de helicóptero e a resgatar os reféns e a imobilizar os maus, ao som de uma ópera do Wagner? As coisas quase não se fazem assim, ó pá, vê se acordas. E no caso, há mesmo suspeitas de que as negociações envolveram dinheiro. O mundo é mais complicado do que tu pensas, JC, e um dia, quando te deres conta disso, vais apanhar uma decepção que ficas deprimido vinte anos.
    Mas tu viste pelo menos a peça da rádio suiça, ou aquilo também é um bando de maulcos do bloco de esquerda que querem destruir o teu mundinho organizado?

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  25. JJ Pereira's avatar
    7 Julho, 2008 17:29

    Que saudade que os sempiternos imbecis úteis têm dos tempos gloriosos do Kominform…

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  26. Uribe's avatar
    Uribe permalink
    7 Julho, 2008 17:42

    helenafmatos 7 Julho, 2008 às 10:51 am : 14 valores

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  27. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    7 Julho, 2008 17:43

    é verdade, ó JJ… já houve “tempos gloriosos” em que quase todos engoliam tudo o que qualquer governo ou organização central de poder diziam para o exterior, kominform ou outro… O estranho é que haja ainda, nestes tempos em que se estimula a critica e o raciocínio, quem engula de forma tão alegre as versões dos gabinetes de imprensa de qualquer ministério de defensa sul americano… mas não sejas demasiado duro com o JC. “Imbecil útil” é chato.

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  28. Ellcaseiimunitates's avatar
    Ellcaseiimunitates permalink
    7 Julho, 2008 18:10

    Assim se vê que por aqui tambem há Mugabes apesar de antigamente os irem comprar a Espanha.

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  29. JC's avatar
    7 Julho, 2008 18:40

    Caro Caramelo, vejo que está a par do que “realmente aconteceu”.
    Mas aqui no mundo real, onde não temos a visão abrangente que só está ao alcance de quem vive na estratosfera e que vê claramente vistas, em tempo real, todas as conspirações, achamos que as explicações mais óbvias são as mais prováveis.
    Claro que pode ter sido o dinheiro.
    Pode tb ter sido o Capitão Marvel, o Demolidor, a Federação Galáctica, o Fantsminha Brincalhão, e uma s+erie de outros poderes.
    POde ter sido tudo isso e ainda mais aquilo que a imaginação nos ditar ( e pelos vistos a sua dita-lhe demasiadas coisas)
    Mas no fim, regressamos sempre ao Padre Ockam e à sua Tesoura.

    Aquela que me diz que se cai um vaso na sala e só lá estava o gato, pode ter sido o fantasma sem cabeça, o vento divino, o ET, pode sim senhor, mas o mais provavel é que tenha sido o gato.
    Que você queira defender o gato, fica-lhe bem, mas é estúpido.

    Já agora, esta sua visão paranóica dos acontecimentos, à Chomsky, explica tb que de facto os israelitas não libertaram reféns em Entebbe, os alemães tb não os libertaram em Mogadíscio, os franceses nao apanharam os piratas do Corno de Africa, etc,etc.
    Queira então explicar-nos o que “realmente aconteceu” e deixe-se e caramelices.

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  30. JJ Pereira's avatar
    7 Julho, 2008 18:41

    Caramelo :
    Deve conhecer (talvez por razões de ofício) a velha e respeitada máxima da agremiaçãozinha da sua simpatia : “Quando os factos desmentem a teoria, nega-se a realidade aos factos”.
    Tomo a liberdade de lhe sugerir a (re?)leitura de “O Arquivo Mitrokhine” ,para refrescamento desses princípios básicos…
    Cpmts.

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  31. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    7 Julho, 2008 19:55

    JC e JJPereira, quem sabe o que aconteceu, quem fala em “factos” são vocês,não eu, e portanto… O comunicado oficial relatou os “factos” e vocês engolem, não é? Ó meus amigos, vão em frente… eu limito-me a desconfiar e a achar plausível a hipótese da negociação. Vocês, sabe-se lá porquê, acham tal coisa absurda. Ainda estão na idade mental em que acham essas coisas (negociações entre governos, corruptos ou não, e grupos terroristas) feias e absurdas. A Helena Matos, que não é nada parva, ainda tem o bom senso de desconfiar, mas vocês… Querem que vos faça o quê? Olhem, Deus vos conserve assim, que são mais felizes.

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  32. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    7 Julho, 2008 20:03

    Só uma última para o JJ: eu tenho de facto o péssimo aco de questionar a “realidade dos factos”, sobretudo quando vêm de organizações pouco credíveis, seja o governo da Colômbia, sejam as FARC. Você, pelo contrário, tem essa coisa atávica dos portugueses: tudo o que sai em “jornal oficial”, você engole. É uma qualidade que tem. Dessa forma, nunca se mete em sarilhos.

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  33. JC's avatar
    7 Julho, 2008 20:29

    Caramelo, você fala demasiado de si e das suas fantásticas qualidades.
    Como já devia ter percebido, isso não interessa a ninguém, a não ser a si.

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  34. Ellcaseiimunitates's avatar
    Ellcaseiimunitates permalink
    7 Julho, 2008 21:42

    Bem vos digo ..vão a Espanha ..ainda os há.

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  35. simon's avatar
    simon permalink
    7 Julho, 2008 23:13

    Até porque,
    a falar verdade,
    nem resgate houve,
    só roubo.

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  36. simon's avatar
    simon permalink
    7 Julho, 2008 23:16

    E o que era pa ser resgate deu roubo:

    http://resistir.info/colombia/isa_conde_04jul08.html

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  37. A. R's avatar
    A. R permalink
    8 Julho, 2008 00:05

    São todos uns santos. Este também era:
    http://exteriores.libertaddigital.com/articulo.php/1276235073

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  38. JJ Pereira's avatar
    8 Julho, 2008 00:13

    Caramelo

    “Jornais oficiais”,desconheço – mas a minha ignorância é vasta.
    Suponho que essa sua expressão corresponda a um condicionamento mental , dos tempos em que se traduziam as verdades universais e definitivas…originalmente escritas em cirílico.
    Como, por exemplo, a verdade acerca das fossas de Katynia ; ou do desaparecimento de Andrés Nin ;ou da genialidade do “Konkordski”…
    Cpmts (e dê uma vista de olhos ao Mitrokhine).

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  39. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    8 Julho, 2008 09:20

    O JJ desconhece o que sejam “jornais oficiais”? São os boletins oficiosos dos gabinetes de imprensa do governo, aqueles que você aceita como “a realidade dos factos”. Está aí, para você, “a verdade universal e definitiva”, à semelhança do desaparecimento do Andrés Nin, etc. Eu, como lhe disse, tenho o péssimo hábito de questionar. A sua linha é de facto muito mais segura.

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  40. JC's avatar
    8 Julho, 2008 10:43

    “Eu, como lhe disse, tenho o péssimo hábito de questionar. ”

    Caramelo, pare lá de falar das suas extraordinárias virtudes. Já fez saber repetidas vezes que é um tipo do caraças, e essas coisas.
    É um pouco constrangedora essa necessidade de se auto-elogiar.

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  41. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    8 Julho, 2008 11:17

    JJ, mas você fica constrangido com isso? Não percebi. E quanto ao resto?

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  42. JC's avatar
    8 Julho, 2008 12:46

    Quanto ao resto, o que se extrai da sua vanitas, é que escolhe não acreditar nas explicações mais óbvias e mais simples, e prefere teorias da conspiração, porque provavelmente acha qye isso o define como pessoa extraordinariamente inteligente, a léguas dos pobres coitados que são incapazes de ver as transcendências que você pensa que vê.
    Na pratica define-se a si mesmo como uma elite pensante e , para o fazer, necessita de reduzir os que não pensam como você a uma espécie de proletariado intelectual.
    Um episódio da luta de classes, afinal.
    Há sempre patéticas vanguardas revolucionárias de cromos que acham que os outros têm forçosamente de ver o mundo da maneira que eles o miram.

    Regresso à Matrix…o mundo não é o que é, é o que os caramelos acham que é.

    Matrix reloaded

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  43. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    8 Julho, 2008 13:34

    Bom, mas esta nossa amável troca de impressões já serviu pelo menos para o pôr a pensar, não foi? Vá lá.

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  44. JJ Pereira's avatar
    8 Julho, 2008 13:39

    Caro sub-produto de confeitaria :

    Os tipos que põem a circular as teorias de conspiração em relação ao caso Bettencourt , pertencem ao mesmo “clube” que, nos idos de 30,forneceu as “verdades oficiais” quanto a Nin (parto do princípio que tudo isto é do seu conhecimento); o mesmo quanto aos oficiais polacos ,etc.
    E tudo isso nos oficialíssimos pasquins em que V. diz não acreditar…
    Assunto encerrado.

    PS. Chato e repetitivo , insisto no Mitrokhine. E, já agora,no” Spain Betrayed”, Cpmts

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  45. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    8 Julho, 2008 14:32

    Ó JJ, quem tem sempre aqui defendido com unhas e dentes a “verdade oficiais”, és tu, camarada. Tudo o que te cheire a coisa diferente é “teoria da conspiração”. Noutras latitudes chama-se “dissidência” e dá cadeia. Deixa lá as “verdades oficiais” e pensa, pensa.
    E deixa lá o Mitrokine, que te faz mal. Em todos os comentário, metes Mitrokine. Come antes uma peça de fruta.

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  46. Desconhecida's avatar
    caramelo permalink
    8 Julho, 2008 16:07

    Aprende mais alguma coisa:

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u420214.shtml

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  47. Desconhecida's avatar
    O Calejado permalink
    8 Julho, 2008 19:33

    Dasse!!! verdades oficiais ou oficiosas à parte, uma coisa é certa o PCP é pro-FARC. É ou não É? É ou já foi?

    Outra coisa… Mulher Negar sexo a um homem é coisa de pequeno burguês e logo classista!!!! Já percebi porque é que a malta ainda lá milita… Aquilo na Soeiro Pereira Gomes deve ser cá uma festa…

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  48. Ellcaseiimunitates's avatar
    Ellcaseiimunitates permalink
    9 Julho, 2008 08:07

    Percebi perfeitamente que a farc são de extrema direita nas declaraçoes de Ingrid.(por recomendação anterior)
    Ou seja…o nosso PCP a fazer fé nestas declaraçoes se pensasse um bocadinho anda a convidar para a festa organizações de extrema direita.

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