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A casta, os carenciados e os desmancha-prazeres*

4 Fevereiro, 2011

O ensino público dividiu os portugueses em três grupos: a casta, os carenciados e os desmancha-prazeres. A casta do ensino público caracteriza-se por fazer discursos inflamados em defesa da escola pública; por em alguns casos gozar duma comparativamente boa condição profissional à conta dessa escola pública – o caso dos sindicalistas – e muito particularmente por não confiar durante a escolaridade obrigatória os seus filhos e netos ao ensino público, a não ser muito excepcionalmente nas chamadas turmas dos filhos dos professores.
Os carenciados são aqueles que colocam os seus filhos no ensino público e a quem dizem que ele é gratuito. É em nome deles que são feitas todas as reformas do ensino, sendo que são também eles as principais vítimas do insucesso dessas reformas. Arranjam frequentemente moradas falsas para que os seus filhos vão para uma escola pública que lhes disseram melhor e fazem telefonemas a professores conhecidos para que lhes arranjem uma turma sem problemas. Mas nunca assumem isso publicamente, porque tal seria imediatamente penalizado pelo discurso da casta que controla a escola pública e que garante que não é correcto procurar transferir os filhos duma escola pública para outra invocando outro argumento que não o da morada.
Estes dois mundos, o da casta e o dos carenciados, viveram em harmonia, sempre com o primeiro repleto de teses pedagógicas e sociais para experimentar nos filhos dos segundos. E com os segundos a nunca terem consciência de quanto custa o ensino dito gratuito.
Por fim, chegaram os desmancha-prazeres. Os desmancha-prazeres são os pais cujos filhos frequentam as escolas com contrato de associação. Eles vieram dizer o óbvio: não existe ensino gratuito. O custo real por aluno numa escola pública dita gratuita é provavelmente dos mais elevados do mercado. Que outro mérito não tivessem estes pais já tiveram o de explicar que não existe ensino gratuito.
O ensino, seja nas escolas com contrato de associação, seja nas escolas públicas, é pago pelos contribuintes portugueses. E é importante que se frise que são os contribuintes quem o paga e não o Estado, o Ministério da Educação ou o Orçamento. Nenhuma destas três entidades gera riqueza, donde não dão dinheiro a ninguém. Distribuem-no. E é aí que chegamos ao cerne desta questão: devem distribuí-lo a quais escolas? Parece-me ser óbvio que, durante a escolaridade obrigatória, o devem distribuir à escola que as famílias escolherem. O Estado português impõe vários anos de escolaridade obrigatória. Ou seja, impõe uma despesa que em boa parte os contribuintes suportam através dos seus impostos. Qual é o argumento para que se entenda que esse dinheiro deve ir para uma escola com contrato de associação ou para uma escola pública? A escolha das famílias. Porque as famílias têm o direito de escolher. E em geral escolhem bem, ou seja, escolhem aquelas escolas que acham que funcionam melhor, porque aquilo que faz de cada uma delas melhores ou piores escolas é sobretudo a forma como elas são geridas e não o QI que a casta insiste ser superior nas classes altas. (Há poucas coisas mais vergonhosas que a ideia enraizada na casta de que os resultados escolares dos filhos dos mais pobres são uma espécie de destino social e não tanto o resultado duma escola que funciona mal e desistiu deles.)
A escola pública tornou-se num factor de imobilismo social e a casta sabe disso. Daí a irritação social gerada pelos pais que têm protagonizado esta contestação das escolas com contrato de associação. Afinal eles assumiram como reivindicação aquilo que os outros calam, quando dão moradas falsas: a escola é importante para o futuro dos seus filhos. Muitos deles não têm apelidos sonantes e não têm fortunas significativas, logo a escola surge-lhes como um local onde depositam expectativas para os seus filhos. A casta sabe bem que a escola pode ser determinante, mas não tem de reivindicar nada: inscreve os seus filhos na escola certa. Quanto aos filhos dos outros a casta, espera que se comportem de forma adequada ao seu estatuto social: terão carradas de compreensão se espancarem professores e arranjam-lhes animadores culturais, em vez de professores de Matemática. Para o que a casta não tem paciência é para o desaforo daquela gentinha que pretende que os seus filhos frequentem escolas dirigidas doutro modo. (A casta pode estar descansada, porque inúmeros colégios nunca pretenderão aderir a este sistema que só lhes traz arrelias e ingerências estatais. Por exemplo, em vários colégios particulares os alunos foram poupados não na totalidade mas em boa parte às consequências daquele desperdício horário que dava pelo nome de Área de Projecto, que era tão importante, mas tão importante para a escola inclusiva, interactiva e de sinergias que agora desapareceu sem que se lhe desse pela falta.)
Aquilo que está agora em causa é saber se a escolaridade obrigatória implica frequentar uma escola que as famílias não querem, que não é mais barata e que não apresenta melhores resultados. Num país em que as reuniões de pais pecam pelas cadeiras vazias, milhares de pessoas mobilizaram-se para defender a escola dos seus filhos. E a resposta do Estado português é que esses alunos devem passar a frequentar a escola dita gratuita, porque o ministério resolveu duplicar e triplicar a oferta. Porquê? Apetece responder: porque o lobby dos empreiteiros pode muito, porque assim se justificam mais lugares nas direcções regionais e mais professores destacados em funções disto e daquilo. Mas infelizmente não é só por isso: uma família que no acto da inscrição acha que tem o direito de escolher as escolas, porque tem delas melhores referências, ou porque prefere o modelo de gestão que estas apresentam é uma família que se relaciona com o Estado de uma forma muito mais exigente daquela outra que é informada que os seus filhos vão para a escola A ou B, porque o ministério assim o determinou. E note-se que o ministério pode mudar de determinação a duas ou três semanas do início das aulas, como aconteceu no início deste ano escolar, quando entendeu por bem fechar 700 escolas, que nem sequer dizia quais eram e pré-avisando que não autorizaria a colocação de professores nas escolas que as famílias e as autarquias mantivessem abertas.
Esta guerra do Estado com as escolas com contrato de associação é portanto o reflexo de um Estado que deixou de se ver como um garante de direitos e foi capturado por uma casta que transformou o discurso da igualdade e do gratuito num dogma que assegura os seus privilégios e os dos seus filhos.

*PÚBLICO

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39 comentários leave one →
  1. Portela Menos 1 permalink
    4 Fevereiro, 2011 09:32

    Blasfémias ultimamente tem andado por Arruda dos Vinhos, Coimbra, Estocolmo … etc
    Cairo segue dentro de momentos!

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  2. tina permalink
    4 Fevereiro, 2011 09:36

    Quem fica a lucrar com isto tudo é a classe média-alta, que vive em áreas boas, com boas escolas públicas e tem os filhos na escola de “graça”. A educação dos pobres é uma piada de mau gosto, a escola não consegue oferecer-lhes mais nada senão um sítio para os “tirar das ruas”. É esta situação que os socialistas querem preservar.

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  3. Ricciardi permalink
    4 Fevereiro, 2011 09:36

    Tudo muito certo. Mas como explica que os melhores sistemas de educação do mundo são aqueles aonde a escola é publica?
    .
    Anyway, o seu raciocinio padesse de um mal. Parte do pressuposto que a liberdade de escolha é ilimitada. Que há concorrencia. Isso não é verdade. As escolas associadas são uma minoria que só está acessivel a uma pequnenissima percentagem da sociedade.
    .
    A haver racionalidade, não vejo como justificar aos contribuintes estarem a pagar um serviço a terceiros quando tem vagas suficientes mesmo ao lado. Mais o preenchimento dessas vagas, no actual modelo constitucional, prácticamente nem altera os custos. Os alunos são distribuidos por salas aonde existe disponibilidade e/ou profs com horario zero.
    .
    Quer dar liberdade de escolha usando o dinheiro dos impostos?
    .
    Na verdade parcerias publico-privadas são uma abominação, porque geram injustiças e distorcões.
    .
    Privatize-se todas as escolas públicas. Autonomize-se a gestão de cada escola. Promovam a concorrencia inter-escolas e depois financiem a escolaridade obrigatória.
    .
    Uma coisa ou outra, esta mania, bem portuguesa, de usar o dinheiro de todos para fazer a felicidade de uns poucos é chocante e admira-me que os liberais a defendam.
    .
    Embora de forma radical, o RUI A. é coerente com as teses que defende. Eliminar o Min.Educação privatizando tudo.
    .
    RB

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  4. antónio permalink
    4 Fevereiro, 2011 10:06

    “(..)melhores sistemas de educação do mundo são aqueles aonde a escola é publica?”

    pode indicar quais são esses “melhores sistemas de educação do mundo”!?

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  5. Lima permalink
    4 Fevereiro, 2011 10:09

    “Privatize-se todas as escolas públicas. Autonomize-se a gestão de cada escola. Promovam a concorrencia inter-escolas e depois financiem a escolaridade obrigatória.”

    Esta é a via correcta. Ensino privado, para todos. Cada um escolhe a escola para os filhos. E, claro está, a cereja em cima do bolo, a escola com prestígio, escolhe os alunos que quer ter. Porque neste momento muitos pais fogem com os filhos para o ensino privado, porque sabem que as escolas públicas da zona não podem escolher os alunos que as frequentam, e por isso, eles consideram que essas escolas, pura e simplesmente, SÃO MAL FREQUENTADAS.

    Uma escola cujo critério “inclusão social” se sobrepõe ao critério “prioridade ao alunos que querem aprender”, é uma escola que aos poucos está a escorraçar os bons alunos para o ensino privado.

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  6. JoseB permalink
    4 Fevereiro, 2011 10:09

    Viva a Revolução.
    E a 4ª República.

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  7. Lima permalink
    4 Fevereiro, 2011 10:28

    Porque isto tudo nasce de dois pressupostos muito importantes:

    1º Os filhos são espelho da própria família
    2º Muitos pais, pura e simplesmente despejam os filhos na escola, e esperam que esta faça o trabalho com os filhos que eles não fazem no seio familiar, e que é da sua única e inteira responsabilidade , mas que eles descartam.

    A consequência lógica disto, é a escola converter-se num lugar mal frequentado, e os pais dos alunos que querem realmente aprender colocam-nos numa escola onde a aprendizagem deles não colida diariamente com o problema da “inclusão social”.

    Claro que neste momento as escolas públicas debatem-se ainda com outro problema de imagem, que é a crescente inclusão das turmas do ensino profissional nos seus currícula, e que até agora estavam em escolas profissionais. Normalmente as turmas dos cursos profissionais incluem os alunos de pior rendimento escolar, que também estão normalmente associados aos problemas disciplinares. Ora a resolução dos problemas de comportamentos marginais dentro da escola é incompatível com o conceito de “inclusão social”.

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  8. Daniel permalink
    4 Fevereiro, 2011 10:31

    Por Coimbra:

    Colégio Rainha Santa Isabel ( Coimbra) – Média Exame 141,6 – Média interna – 16,5 Diferença – 2,3
    E.S. Infanta D. Maria ( Coimbra) Média Exame 137,0 – Média Interna – 14,8 Diferença – 1,1

    Sabendo que os alunos melhores na frequência são os melhor preparados para os exames, é estranho que a escola que tem “melhores alunos” seja aquela onde a diferencial é maior. ..
    Assim é fácil atrair alunos.

    Subimos a norte, e no Porto, em Braga e Guimarães o esquema é mesmo. 20´s a rodos… procura em alta.

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  9. António Parente permalink
    4 Fevereiro, 2011 10:34

    Grande artigo. Parabéns.

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  10. 4 Fevereiro, 2011 10:42

    Li no jornal de hoje que há dúvidas que a “esquerda sociológica” seja maioritária.

    Acho piada à expressão “esquerda sociológica” porque me lembra o iscte.

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  11. GLORIOSO SLB permalink
    4 Fevereiro, 2011 10:58

    este é tão bom que foi directo para o facebook!

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  12. balde-de-cal permalink
    4 Fevereiro, 2011 11:00

    a miséria é tão grande que uma professora da escola publica pediu-me um casaco e umas calças para um aluno que aparecia de t-shirt a tiritar de frio

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  13. campos de minas permalink
    4 Fevereiro, 2011 11:15

    casta? pelos vossos cânones e pela via código de manu, sou um tchandala que andou vionte e tal anos a chafurdar na escóla pública….

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  14. 4 Fevereiro, 2011 11:18

    Um excelente artigo, e de facto a palavra casta é bem adequada para caracterizar esta situação.

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  15. lucklucky permalink
    4 Fevereiro, 2011 11:21

    A Escola Publica que existe também para Destruir os bons alunos. É preciso lembrar esta sua função Ideológica bem importante.

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  16. votoembranco permalink
    4 Fevereiro, 2011 11:27

    helenamatos: tanto caractere do word para dizer uma coisa tão simples – os pais que ainda acham que têm como função educar e preparar os filhos para a vida têm muita dificuldade em porem os seus filhos a conviverem com os verdadeiros marginais que, em maior ou em menor número, frequentam os mesmos espaços que os seus filhos.
    Esses pais têm apenas duas alternativas: a primeira é desembolsarem uns milhares de euros anuais e porem os seus filhos numa escola privada por si escolhida e que esta, por sua vez, aceite os seus filhos.
    A segunda alternativa é organizarem-se enquanto cidadãos e, em conjunto com os professores, tentarem mudar a escola por dentro, ou seja, lugar na escola pública apenas para quem queira aprender.
    E o que é que acontece aqueles que não querem aprender nem ir à escola?
    Problema deles e dos seus pais pois quando o problema passar a ser da sociedade esta deverá ter leis e prisões onde eles, com escola ou sem escola, acabarão por lá ir parar.
    A alternativa de que fala é a alternativa da nomenclatura, à qual a helenamatos pertence, que tem como princípio “beber do fino” e ser o contribuinte a pagar.

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  17. tina permalink
    4 Fevereiro, 2011 11:47

    “segunda alternativa é organizarem-se enquanto cidadãos e, em conjunto com os professores, tentarem mudar a escola por dentro, ou seja, lugar na escola pública apenas para quem queira aprender.”
    .
    isto não seria necessário se houvesse cheques-escola, porque nessa altura também não haveria falta de escolas privadas para os alunos “que não querem aprender”. E muito provavelmente, seguiriam métodos mais adequados, tal como maior disciplina, turmas pequenas, etc. Lá porque o sistema público falhou para estas crianças, não quer dizer que devamos desistir delas.

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  18. Fincapé permalink
    4 Fevereiro, 2011 12:24

    O ensino privado dividiu os portugueses em três grupos: a casta, a pública e os carenciados.
    A casta do ensino privado, que goza do prazer de ter à mão uma escola, mais ou menos fechada, que pode aplicar regras vedadas ao ensino público. Pode, inclusive, impor condições aos EE e aos alunos, designadamente na selecção de alunos. E, provavelmente a maioria, pode até optar pela “sua privadinha”, tendo em atenção a localização geográfica, que dá jeito, independentemente da qualidade, como se pode ver pelos resultados dos exames nacionais. Estes, não sendo desmancha prazeres, gozam prazeres que os outros não podem ter assim à mão.
    A escola pública, que tem de se sujeitar a todas as burocracias, desmandos e sujeições, à má-educação de alunos e de muitos pais, a um controlo burocrático central que desconhece realidades e à impossibilidade de recusar os piores, que acabam por estragar todo o clima de escola e que têm de lá andar porque o ME assim impõe, ao contrário das privadas. Pelas públicas passarão, certamente, a larguíssima maioria dos futuros prisioneiros. Se não a totalidade.
    Por fim os carenciados, aqueles que são filhos de pessoas praticamente sem rendimentos, essencialmente colocados na escola pública e que, sem grandes perspectivas de vida, muitas vezes também não contribuem, infelizmente, para a sua melhoria.
    E assim, sem dizer nada que não seja a realidade, quanto aos factos, se podem apresentar argumentos mais razoáveis do que os da helenafmatos, e que eu gostaria de ver a rebater. Mas sem recorrer a invenções absurdas de quem, sobre o assunto, não tem grande noção daquilo que diz ou então… tem! Apenas um exemplo, retirado do post: “Arranjam frequentemente moradas falsas para que os seus filhos vão para uma escola pública que lhes disseram melhor e fazem telefonemas a professores conhecidos para que lhes arranjem uma turma sem problemas”. Se isto não é o suminho da demagogia, então, o que será?

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  19. 4 Fevereiro, 2011 13:02

    Por uma vez Helena Matos, estou básicamente de acordo.
    Também “lá” andei e é assim como disseste.
    Sugiro que essa imensa quantidade de semi-parasitas que existem nesse monstro que é o Ministério disso vão aos USA ver como o Robert F. Mager e outros nos anos 50 reformaram o ensino todo lá e o tornaram numa coisa relativamente eficaz e apetecida para gente de todo o mundo, até “tugas”…
    Mas não haja ilusões, a coisa custa $$$, e ou é paga duma maneira ou de outra.
    Não há bodo aos pobres ou almoços gratuitos.

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  20. Lima permalink
    4 Fevereiro, 2011 13:59

    “Lá porque o sistema público falhou para estas crianças, não quer dizer que devamos desistir delas.”

    Pois aqui é que está o nosso equívoco, enquanto decidirmos atirar as culpas do “fracasso destas crianças” para “o sistema”, supostamente este sistema deve ser a escola, ou a sociedade em geral, é que não vamos a lado nenhum. Chamemos os bois pelos nomes, o que está a falhar é o núcleo, é a família, ou a sua ausência. e a escola não tem obrigação nenhuma de colmatar essa lacuna. Por isso é que os profs das escolas públicas perdem uma grande parte do seu tempo a tratar de processos disciplinares sem saída, a tentar gerir comportamentos marginais de turmas inteiras, sem qualquer resultado, em vez de dedicarem o seu precioso tempo a fazer aquilo para que são pagos, que é ensinar, mas não, em vez disso fazem trabalho de amas secas.

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  21. Adriano Volframista permalink
    4 Fevereiro, 2011 15:46

    Helena F Matos
    Na Suécia existe um sistema de cheque ensino porque se considera que a educação é um dos deveres do estado. A propriedade dos mecanismos de fornecimento dessa gratuitidade é irrelevante.
    Parece que têm tido resultados assinaláveis.
    O contrato de associação é a prova que o ensino pode ser gratuito sem que as escolas o sejam. Enquanto a tribo desejar ser igualitária não podemos viver no capitalismo moderno e enfrentar a globalização.
    No séc XIX o exercício de poder tinha de ser acompanhado de uma demonstração do mesmo. Nas democracias mais educadas, esse execício é mais sofisticado e, curiosamente, mais perene.
    Mas, quando um país, em 2011, se revê em livros que um compatriota escreveu em finais do séc XIX, não é necessário concluir que o problema é: o país, ao contrário do mundo, não mudou
    Adriano

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  22. Jota permalink
    4 Fevereiro, 2011 16:51

    Para que se conheça um modelo alternativo, que acontece em Portugal:

    http://www.madeira-edu.pt/tabid/415/ctl/Read/mid/2175/NoticiaId/4103/language/pt-PT/Default.aspx

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  23. lucklucky permalink
    4 Fevereiro, 2011 17:47

    “e a escola não tem obrigação nenhuma de colmatar essa lacuna. ”
    .
    Resumindo a Escola não serve. Já sabíamos. É estranho no entanto que os Exércitos poderiam há 50 anos atrás ter milhares de pessoas…
    A Escola e a cultura de Esquerda que lhe está subjacente ajudam a incentivar essas ocorrências.
    De propósito o Ministério da desgraça ata as mãos dos professores.
    O objectivo é como já disse a mediocridade essencial ao Poder da Esquerda.

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  24. Des permalink
    4 Fevereiro, 2011 18:03

    «Na Suécia existe um sistema de cheque ensino porque se considera que a educação é um dos deveres do estado. A propriedade dos mecanismos de fornecimento dessa gratuitidade é irrelevante.
    Parece que têm tido resultados assinaláveis.»

    Indeed:

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  25. VSC permalink
    4 Fevereiro, 2011 18:14

    Apaludo de pé!

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  26. nmsalgueiro permalink
    4 Fevereiro, 2011 18:20

    O artigo só não é surpreendente porque estamos já habituados ao elevado nível da Helena Matos. Como sempre, uma análise clara, racional e sem condescendências a um mais um triste aspecto deste projecto de país. Parabéns.

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  27. Bulimunda permalink
    4 Fevereiro, 2011 20:20

    No futuro …

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  28. tina permalink
    4 Fevereiro, 2011 23:57

    “Chamemos os bois pelos nomes, o que está a falhar é o núcleo, é a família, ou a sua ausência. e a escola não tem obrigação nenhuma de colmatar essa lacuna. ”
    .
    Pois é. Estas crianças requerem muito mais atenção e disciplina do que as outras. E o ensino público não lhes dá, porque é um ensino generalizado, que não está orientado para as diferenças. Que mais se poderia esperar de um serviço estatal? Se com os casos normais já demonstram tanta ineficiência, quanto mais com estes. Mas o governo é obrigado a tentar fazer qualquer coisa, não é lavar as mãos de um problema sério e continuar a gastar balúrdios para nada.

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  29. PMP permalink
    5 Fevereiro, 2011 00:24

    “Chamemos os bois pelos nomes, o que está a falhar é o núcleo, é a família, ou a sua ausência. e a escola não tem obrigação nenhuma de colmatar essa lacuna. ”
    .
    Qual seria a instituição do estado, sem ser a escola, que deveria então ajudar as crianças cuja familia estará então a falhar com elas ?
    Então os filhos dessas familias são abandonados pelo Estado ?
    .
    Então para que serve o Estado para essas crianças ?.
    .
    Porque não podem ir para escolas associadas que as possam ajudar ?

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  30. Artur permalink
    5 Fevereiro, 2011 11:49

    Excelente post, excelente abordagem e alguns comentários também vão ao cerne
    das questões da eficiência educativa… a liberdade de escolha das familias deveria
    ser a alma do processo e o pagamento dos custos (via cobrança dos impostos) é que
    seguiria atrás da tal escolha… Seja cheque-ensino ou outro modelo…
    claro que quem quiser/ puder ir para os privados pode sempre ir….
    Não sou técnico desta área, mas a ideologia do igualitarismo, no acesso e na presença
    obrigatória na escola, como hoje vigora (já não há chumbos por faltas, penso) mais
    não fazem que destruir o ambiente daqueles que ainda se esforçam por aprender algo…
    Lembro-me bem dos meus tempos de secundário, por volta de 79 e 80, da incrivel
    perturbação que dois alunos conseguiam fazer e como a maioria dos profs não os conseguiam
    controlar, um acabou expulso da escola, o outro levava “tareias” regulares da mãe… Hoje
    os tempos são outros e aos miudos tudo acaba por ser permitido, chegámos ao ponto de
    propôr/pensar que o sistema judicial venha a “entrar” pela escola para existir mais
    disciplina… às vezes penso que tem mais autoridade o palhaço dentro do circo do que o prof
    dentro da escola… libertinagem é a regra!!!
    A teoria da “inclusão” repartindo alunos problematicos por diferentes turmas não funciona,
    até pela similariedade da inclusão europeia dos povos imigrantes que está a ser agora reconhecida,
    devia levar-nos a mudar este paradigma e tratar os “alunos problema” enquanto tal, DE PREFERÊNCIA EM TURMAS PROPRIAS ou mesmo em escolas/instituições separadas…
    A questão da desresponsabilização dos pais… é um ponto verdadeiro, penalizá-los de algum modo
    parece-me positivo, mas o mundo acelerado em que hoje vivemos já deixa muitos sem fôlego
    para acompanhar devidamente as crianças e ás vezes não é apenas o deixa-andar é mesmo incapacidade simples…
    A tina pelas 23:57 , define bem a situação… não poderia estar mais de acordo…
    Aliás vi esta semana (TVE1?) um programa sobre um instituto em Barcelona, que é um
    “fim de linha” para adolescentes problematicos, enfim os piores dos piores, que tem autonomia
    para “não cumprir programas” mas cujo principal lema/objectivo é “formar pessoas”.Àqueles jovens não vão ser os conhecimentos teóricos/técnicos que constituiem a principal mais valia, mas sim conseguir que aprendam regras, que tenham mais auto-estima e que vislumbrem alguma
    esperança para o futuro… Só vi parte do tal programa, mas aquele corpo docente era algo
    de excepcional (eu nem muito bem pago quereria aquilo!) e na escola havia ensino técnico e o
    mais convencional, canalizando as actividades dos alunos para onde funcionasse melhor para eles!
    Chega da normalização da escola, chega do CENTRALISMO, estamos fartos, maior autonomia
    para as escolas e para as familias já!!

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  31. Artur permalink
    5 Fevereiro, 2011 12:28

    Excelente post, excelente abordagem e alguns comentários também vão ao cerne
    das questões da eficiência educativa… a liberdade de escolha das familias deveria
    ser a alma do processo e o pagamento dos custos (via cobrança dos impostos) é que
    seguiria atrás da tal escolha… Seja cheque-ensino ou outro modelo…
    claro que quem quiser/ puder ir para os privados pode sempre ir…
    Não sou técnico desta área, mas a ideologia do igualitarismo, no acesso e na presença
    obrigatória na escola, como hoje vigora (já não há chumbos por faltas, penso) mais
    não fazem que destruir o ambiente daqueles que ainda se esforçam por aprender algo…
    Lembro-me bem dos meus tempos de secundário, por volta de 79 e 80, da incrivel
    perturbação que dois alunos conseguiam fazer e como a maioria dos profs não os conseguiam
    controlar, um acabou expulso da escola, o outro levava “tareias” regulares da mãe… Hoje
    os tempos são outros e aos miudos tudo acaba por ser permitido, chegámos ao ponto de
    propôr/pensar que o sistema judicial venha a “entrar” pela escola para existir mais
    disciplina… às vezes penso que tem mais autoridade o palhaço dentro do circo do que o prof
    dentro da escola… libertinagem é a regra!!!
    A teoria da “inclusão” repartindo alunos problematicos por diferentes turmas não funciona,
    até pela similariedade da inclusão europeia dos povos imigrantes que está a ser agora reconhecida,
    devia levar-nos a mudar este paradigma e tratar os “alunos problema” enquanto tal, DE PREFERÊNCIA EM TURMAS PROPRIAS ou mesmo em escolas/instituições separadas…
    A questão da desresponsabilização dos pais… é um ponto verdadeiro, penalizá-los de algum modo
    parece-me positivo, mas o mundo acelerado em que hoje vivemos já deixa muitos sem fôlego
    para acompanhar devidamente as crianças e ás vezes não é apenas o deixa-andar é mesmo incapacidade simples…
    A tina pelas 23:57 , define bem a situação… não poderia estar mais de acordo…
    Aliás vi esta semana (TVE1?) um programa sobre um instituto em Barcelona, que é um
    “fim de linha” para adolescentes problematicos, enfim os piores dos piores, que tem autonomia
    para “não cumprir programas” mas cujo principal lema/objectivo é “formar pessoas”.Àqueles jovens não vão ser os conhecimentos teóricos/técnicos que constituiem a principal mais valia, mas sim conseguir que aprendam regras, que tenham mais auto-estima e que vislumbrem alguma
    esperança para o futuro… Só vi parte do tal programa, mas aquele corpo docente era algo
    de excepcional (eu nem muito bem pago quereria aquilo!) e na escola havia ensino técnico e o
    mais convencional, canalizando as actividades dos alunos para onde funcionasse melhor para eles!
    Chega da normalização da escola, chega do CENTRALISMO, estamos fartos, maior autonomia
    para as escolas e para as familias já!!

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  32. victor permalink
    5 Fevereiro, 2011 21:47

    Como sempre a HELENA é brilhante, que pena não haver muitas cabeças como a dela, a arriscarem dar a sua opinião para que se possa construir no nosso país, uma verdadeira alternativa, genuinamente democrática e igualitária, a este reino dos porcos em que estamos atolados até á náusea.

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  33. artur permalink
    5 Fevereiro, 2011 22:46

    Aprecio o blog, mas “tá chato” não poder comentar…
    Têm o IP, têm endereço de mail, tb é
    preciso cartão do cidadão? ? Ainda se anda-se nos insultos
    como ás vezes se vê por cá…

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  34. Conde Venceslau permalink
    6 Fevereiro, 2011 11:36

    Este mundo está virado do avesso. O que a esquerdalha não entende é que o papel do estado é garantir direitos aos cidadãos mais desfavorecidos através do preenchimento das lacunas para as quais a iniciativa privada, por necessitar de lucro para subsistir, não consegue dar resposta. Exemplos disso abundam. Tratamento de doenças raras, serviços de transporte para regiões despovoadas, e no caso em discussão, escolas para populações escolares onde não é possível existir ensino de qualidade sem apoio estatal. A palavra chave aqui é “apoio” e “complementaridade”, i.e, o estado só deve construir e gerir escolas onde não haja alternativa, ora os nossos Xuxialista fazem precisamente o contrário e como tal recolhem os “benefícios” contrários ao que seria possíveis e desejáveis num modelo mais racional baseada no equilíbrio entre poder decisão dos pais, as leis de mercado de oferta e procura e a intervenção mínima do estado nas situações de desiquilibrio entre a oferta e a procura.
    O argumento esquerdalha clássico contra a privatização do ensino é de que as escolas passariam a “escolher” os alunos que queriam. Exactamente !!! É mesmo esse o objectivo. A escolha, palavra que causa alergia aos promotores da mediocridade, é o único método pelo qual se promove o mérito e esse mérito tanto existe nas classes ditas altas como nas mais baixas e ditas desprotegidas, desde que exista trabalho e dedicação não só dos alunos mas principalmente do meio familiar, que não se pode alhear da educação dos filhos. Para quem não estiver interessado em estudar, ficam as escolas que o estado tanto gosta de promover, e isso é bom, porque pelo menos nas outras, as tais que podem escolher (alunos e professores) quem tem mérito não é prejudicado pelos selvagens (também existem professores selvagens) que hoje em dia habitam nas escolas públicas e impedem os alunos interessados de progredirem e melhorarem as suas perspectivas de vida.

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