A esmagadora maioria dos “comentadores” críticos das afirmações de Isabel Jonet não ouviu os seus comentários na SIC Noticias, numa emisão lá para as 10 e meia da noite. Não imagino aquela estação com uma tão grande audiência por parte desses “”esquerdelhistas” de meia tijela, armando ao pingarelho fingindo serem muito progressistas. Creio mesmo que àquela hora, deviam estar antes a ver atentamente a casa dos segredos da TVI.
Esses ditos “comentadores” comentam pelo que ouviram dizer o primo ou a prima, ou o cunhado da prima, ou o periquito da prima; ou pelo que leram nuns quaisquer blogues pechisbeques, que por sua vez trancrevem o que leram escrito nos numerosos blogues dos psicólogos, sociólogos, antropólogos, politólogos, animadores culturais, agentes culturais, licenciados em relações internacionais e em ciências da comunicação que por aí vão vegetando a contar irem mamar nas tetas do Estado. Em geral, “licenciados” por alguma universidade privada como a Independente ou a Lusófona….
A questão é que a senhora disse, em publico e em português corrente, aquilo que vocês dizem em privado ou em politiquês: que os pobrezinhos devem conformar-se com o azar que têm e ficarem muito agradeçidos com as esmolinhas das senhoras piedosas.
A esmagadora maioria dos “comentadores” críticos das afirmações de Isabel Jonet não ouviu os seus comentários na SIC Noticias, numa emisão lá para as 10 e meia da noite.
Pois Manuel, concordo consigo, a maioria não ouviu, nem você ouviu. Porque se tivessem ouvido tudo, seria muito pior, a senhora foi pior ainda do que o resumo que fizeram.
António …não enfie a carapuça com o meu comentário, fica-lhe mal.
Se de facto “a senhora foi pior ainda do que o resumo que fizeram”, ´como diz, então é porque esses tais comentadores “treinadores de bancada”, com os quais o António parece emparelhar, não ouviram mesmo as palavras da senhora. Eu vi e ouvi em directo, e portanto não percebo como foi possível levantar-se tamanha berraria de uns tantos “anti fascistas” de 26 de Abril…
Endoidar!!!! Enlouquecer! Ficar mentalmente afectado! Tudo isso! Para depois depararmos com notícias “bestiais” como a do militar que queimou o filho recém-nascido e o escondeu na Base! Mundo louco mesmo!
As declarações de Isabel Jonet não foram “um mau passo”. Pelo contrário, são consistentes com as alarvidades que a banqueira alimentar não perde oportunidade de tonitroar, com os modos de quem se dirige à criadagem, sempre que tem tempo de antena. Quem não se lembra das vezes em que a senhora apareceu, pressurosa, ao lado de Ricardo Salgado, para caucionar a cristianíssima visão do mundo que os próceres do BES propõem? Quem não se lembra de páginas inteiras do Expresso, verdinhas de publicidade do banco das “lavagens”(não, não é comida para animais),em que a dra. Jonet perorava sobre as virtudes do capitalismo selvagem e da sua válvula de escape de eleição, a mega-esmola? Etc. Na mundividência jonetiana, a condição de privilegiado é uma condição natural, ungida pelo Além, um destino caucionado por decreto divino, tal como, de resto, a inversa condição de pobre. A justiça não passa da máquina judiciária e a esmolinha, uma oportunidade para exaltação da condescendente benevolência dos “bem-aventurados”.A economia e a organização social devem, pois, nesta prometedora visão, ser deixadas ao brutal jogo de forças do mercado, já que o sobrepujamento da complacência dos felizardos tudo rematará na perfeição das decoradoras de interiores. É neste contexto que surge o banco da dra. Jonet, como ela não se cansa de explicar: o Estado, quer dizer, uma solução estrutural para a pobreza concretizada pelas instâncias representativas de toda a sociedade, só estorva, deve afastar-se para dar espaço à roda livre do banco alimentar e dos bailes da Cruz Vermelha.
Deveria ser óbvio que isto nada tem de cristão. A vocação da Igreja não é a filantropia, aspiração vulgaríssima entre ricos. Pablo Escobar,o famigerado traficante de drogas, também dirigia uma organização sócio-esmoleira, só não consta que lhe chamasse “banco”.A Igreja é depositária da Palavra de Cristo e Cristo veio pregar a pobreza aos pobres, que esperavam outra coisa. Cristo convida-nos, pois, como diz Georges Bernanos, a olharmo-nos na pobreza como num espelho, porque ela é a imagem da nossa decepção fundamental, o lugar do Paraíso Perdido, o vazio dos nossos corações e das nossas mãos. Este vazio que só pode ser preenchido pelo mistério do amor de Deus é, nesse instante, a Cruz, a Caridade. A relação entre quem dá e quem recebe é uma relação de igualdade, mutuamente agradecida através de Deus. A Igreja, guardiã da Palavra, é defensora da honra da pobreza. A vocação da Igreja é a Caridade, que não se confunde com a esmola. A sede e fome de Justiça dos que seguem a Cristo, o Justo, não pode deixar de buscar, como de resto ensina a doutrina social da Igreja, a redenção de toda a sociedade humana. O discurso ideológico que a dra. Jonet não perde ocasião de matraquear, é, no fundo, um discurso irmão dos discursos dos Mitts Romney, Miltons Friedman, Pablos Escobar, ou Ricardos Salgado deste mundo. O discurso político de Isabel Jonet, no qual ela assenta a razão de ser do seu banco alimentar, é um discurso pornográfico e obsceno. Pornográfico, porque é a macacada de uma coisa séria. Obsceno, porque oferece uma“solução” completamente fora de cena para as reais questões que a pobreza suscita. É verdade que perante situações de fome sem solução à vista é necessário acudir urgentemente com comida, e esse trabalho é meritório. Mas defender a desnecessidade de acorrer às raízes da injustiça e propor a normalização da esmola em grande escala como solução social é repugnante. Como católico, considero vergonhoso, revelador da distância a que nos colocámos do Evangelho, que a destrinça entre esmola e Caridade não seja óbvia para os cristãos. Como católico, considero lamentável que o senhor bispo do Porto tenha sobre esta questão apenas a dizer que Isabel Jonet pretendeu somente propor uma reequação da distribuição da riqueza. Precisamente.
Então lamento muito, Manuel. Se viu e ouviu tudo, e em directo, então o problema é outro, que tem mais a ver com “compreender” o que se vê e se ouve. E esse problema normalmente não tem cura. Há uns que compreendem, outros que não. E dentro destes que compreendem ainda há o subtipo dos que não querem compreender e não querem ouvir aqueles que compreendem.
Clap, clap, clap, Caro Rui!
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O mais engraçado é que, para dizer que não fala de Isabel Jonet, veio falar de Isabel Jonet.
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Que giros! Que queridos!
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Eh, você diz a grossa, amazona, casca dura? E está rija até para sua ti-i-i-ia .
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6 minutos de gloria sao 360 segundos de gloria. Nao é nenhum moco de perú…
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A esmagadora maioria dos “comentadores” críticos das afirmações de Isabel Jonet não ouviu os seus comentários na SIC Noticias, numa emisão lá para as 10 e meia da noite. Não imagino aquela estação com uma tão grande audiência por parte desses “”esquerdelhistas” de meia tijela, armando ao pingarelho fingindo serem muito progressistas. Creio mesmo que àquela hora, deviam estar antes a ver atentamente a casa dos segredos da TVI.
Esses ditos “comentadores” comentam pelo que ouviram dizer o primo ou a prima, ou o cunhado da prima, ou o periquito da prima; ou pelo que leram nuns quaisquer blogues pechisbeques, que por sua vez trancrevem o que leram escrito nos numerosos blogues dos psicólogos, sociólogos, antropólogos, politólogos, animadores culturais, agentes culturais, licenciados em relações internacionais e em ciências da comunicação que por aí vão vegetando a contar irem mamar nas tetas do Estado. Em geral, “licenciados” por alguma universidade privada como a Independente ou a Lusófona….
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Então, hoje a tralha não cita a opinião de VPValente no vosso inimigo de estimação (Público) ?
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A questão é que a senhora disse, em publico e em português corrente, aquilo que vocês dizem em privado ou em politiquês: que os pobrezinhos devem conformar-se com o azar que têm e ficarem muito agradeçidos com as esmolinhas das senhoras piedosas.
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A esmagadora maioria dos “comentadores” críticos das afirmações de Isabel Jonet não ouviu os seus comentários na SIC Noticias, numa emisão lá para as 10 e meia da noite.
Pois Manuel, concordo consigo, a maioria não ouviu, nem você ouviu. Porque se tivessem ouvido tudo, seria muito pior, a senhora foi pior ainda do que o resumo que fizeram.
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António …não enfie a carapuça com o meu comentário, fica-lhe mal.
Se de facto “a senhora foi pior ainda do que o resumo que fizeram”, ´como diz, então é porque esses tais comentadores “treinadores de bancada”, com os quais o António parece emparelhar, não ouviram mesmo as palavras da senhora. Eu vi e ouvi em directo, e portanto não percebo como foi possível levantar-se tamanha berraria de uns tantos “anti fascistas” de 26 de Abril…
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Endoidar!!!! Enlouquecer! Ficar mentalmente afectado! Tudo isso! Para depois depararmos com notícias “bestiais” como a do militar que queimou o filho recém-nascido e o escondeu na Base! Mundo louco mesmo!
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As declarações de Isabel Jonet não foram “um mau passo”. Pelo contrário, são consistentes com as alarvidades que a banqueira alimentar não perde oportunidade de tonitroar, com os modos de quem se dirige à criadagem, sempre que tem tempo de antena. Quem não se lembra das vezes em que a senhora apareceu, pressurosa, ao lado de Ricardo Salgado, para caucionar a cristianíssima visão do mundo que os próceres do BES propõem? Quem não se lembra de páginas inteiras do Expresso, verdinhas de publicidade do banco das “lavagens”(não, não é comida para animais),em que a dra. Jonet perorava sobre as virtudes do capitalismo selvagem e da sua válvula de escape de eleição, a mega-esmola? Etc. Na mundividência jonetiana, a condição de privilegiado é uma condição natural, ungida pelo Além, um destino caucionado por decreto divino, tal como, de resto, a inversa condição de pobre. A justiça não passa da máquina judiciária e a esmolinha, uma oportunidade para exaltação da condescendente benevolência dos “bem-aventurados”.A economia e a organização social devem, pois, nesta prometedora visão, ser deixadas ao brutal jogo de forças do mercado, já que o sobrepujamento da complacência dos felizardos tudo rematará na perfeição das decoradoras de interiores. É neste contexto que surge o banco da dra. Jonet, como ela não se cansa de explicar: o Estado, quer dizer, uma solução estrutural para a pobreza concretizada pelas instâncias representativas de toda a sociedade, só estorva, deve afastar-se para dar espaço à roda livre do banco alimentar e dos bailes da Cruz Vermelha.
Deveria ser óbvio que isto nada tem de cristão. A vocação da Igreja não é a filantropia, aspiração vulgaríssima entre ricos. Pablo Escobar,o famigerado traficante de drogas, também dirigia uma organização sócio-esmoleira, só não consta que lhe chamasse “banco”.A Igreja é depositária da Palavra de Cristo e Cristo veio pregar a pobreza aos pobres, que esperavam outra coisa. Cristo convida-nos, pois, como diz Georges Bernanos, a olharmo-nos na pobreza como num espelho, porque ela é a imagem da nossa decepção fundamental, o lugar do Paraíso Perdido, o vazio dos nossos corações e das nossas mãos. Este vazio que só pode ser preenchido pelo mistério do amor de Deus é, nesse instante, a Cruz, a Caridade. A relação entre quem dá e quem recebe é uma relação de igualdade, mutuamente agradecida através de Deus. A Igreja, guardiã da Palavra, é defensora da honra da pobreza. A vocação da Igreja é a Caridade, que não se confunde com a esmola. A sede e fome de Justiça dos que seguem a Cristo, o Justo, não pode deixar de buscar, como de resto ensina a doutrina social da Igreja, a redenção de toda a sociedade humana. O discurso ideológico que a dra. Jonet não perde ocasião de matraquear, é, no fundo, um discurso irmão dos discursos dos Mitts Romney, Miltons Friedman, Pablos Escobar, ou Ricardos Salgado deste mundo. O discurso político de Isabel Jonet, no qual ela assenta a razão de ser do seu banco alimentar, é um discurso pornográfico e obsceno. Pornográfico, porque é a macacada de uma coisa séria. Obsceno, porque oferece uma“solução” completamente fora de cena para as reais questões que a pobreza suscita. É verdade que perante situações de fome sem solução à vista é necessário acudir urgentemente com comida, e esse trabalho é meritório. Mas defender a desnecessidade de acorrer às raízes da injustiça e propor a normalização da esmola em grande escala como solução social é repugnante. Como católico, considero vergonhoso, revelador da distância a que nos colocámos do Evangelho, que a destrinça entre esmola e Caridade não seja óbvia para os cristãos. Como católico, considero lamentável que o senhor bispo do Porto tenha sobre esta questão apenas a dizer que Isabel Jonet pretendeu somente propor uma reequação da distribuição da riqueza. Precisamente.
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Então lamento muito, Manuel. Se viu e ouviu tudo, e em directo, então o problema é outro, que tem mais a ver com “compreender” o que se vê e se ouve. E esse problema normalmente não tem cura. Há uns que compreendem, outros que não. E dentro destes que compreendem ainda há o subtipo dos que não querem compreender e não querem ouvir aqueles que compreendem.
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