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Erro de percepção mútuo

14 Fevereiro, 2017

Diogo procurava mulher que lhe preenchesse a solidão de mais uma noite fora de casa. Na zona da cidade dedicada ao aluguer de amor, encontrou Nikita, uma linda mulher com ar de ter sido dispensada por excesso de beleza do KGB. Já no motel, ao som de Elton John, Diogo percebe que se trata de um homem, pelo menos a julgar pelo vistoso pénis. Diogo acabou com a solidão e outros vazios devidamente preenchidos. Foi um erro de percepção mútuo.

* * *

Reinou na Suécia entre 1751 e 1771. Adolf Fredrik, num dia de Janeiro, decidiu comer lagosta, caviar, chucrute e arenque com champagne e 14 porções de fastlagsbulle com pasta de amêndoa e empapados em creme de leite. Morreu enfartado. O cozinheiro ficou muito triste, mas foi um erro de percepção mútuo.

* * *

O programa Centeno, apresentado com pompa e circunstância, permitiria a Portugal acabar com a austeridade através de uma política que consistiria em fomentar o consumo. Este consumo geraria um crescimento natural que permitiria reduzir o défice, aumentar salários e retomar o investimento público para níveis pré-crise e que induziria (capacitaria?) ainda mais crescimento (foi um electricista quem inventou esta terminologia). Afinal, não foi implementado. Foi um erro de percepção mútuo.

* * *

Fernanda Câncio chegou a almoçar com Miguel Abrantes, que não era nada um pseudónimo para indivíduos que faziam pela vidinha a enaltecer as qualidades do seu namorado. Miguel Abrantes era mesmo uma pessoa real, jurava a activista chic e directora não-oficial de recursos humanos do Diário de Notícias. Afinal… bem, foi um erro de percepção mútuo.

* * *

O menino não chumbou no exame. É verdade que não fui explícito no teste, esquecendo-me de afirmar que todas as questões deveriam ser respondidas. Também é verdade que o menino não respondeu a nenhuma, mas estas coisas acontecem, foi um erro de percepção mútuo.

* * *

Nunca houve casos de pedofilia na Casa Pia. O que se passou é que o miúdo meteu-se naquela posição a brincar e o Carlos Cruz tropeçou no embaixador Ritto ao sair do duche. Como ninguém protestou na altura, pensaram que não tinha mal continuar. O Ferro Rodrigues até se esteve cagando para o segredo de justiça em telefonemas para o nosso Primeiro. Na altura parecia uma escandaleira, mas foi só um erro de percepção mútuo.

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24 comentários leave one →
  1. Alain Bick permalink
    14 Fevereiro, 2017 10:19

    admira
    porque centeno é ‘adiantado’ mental

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  2. LTR permalink
    14 Fevereiro, 2017 10:21

    TSF: 70% dos “ouvintes” acham que ficou tudo esclarecido. João Soares fica.

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    • carlos alberto ilharco permalink
      15 Fevereiro, 2017 01:03

      Que risota.
      Quando a TSF diz sim é porque foi não, e vice-versa.

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  3. Juromenha permalink
    14 Fevereiro, 2017 10:40

    Reminiscências do Ega : uma imensa latrina…

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  4. Alain Bick permalink
    14 Fevereiro, 2017 10:46

    « en la Comedia Nueva, donde aparece con unas características bien definidas, como un charlatán que se da aires de persona importante, intentando esconder con ellos su propósito de sacar de las casas donde trabaja todo lo que pueda. ..Eufrón un cocinero aconseja a su ayudante que sea un ajndrofovno” con un cliente tacaño e incluso lo amenaza: ei[ se mismo … recoge los elogios del maestro por la habilidad con la que el discípulo ha conseguido lo que deseaba

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    • 14 Fevereiro, 2017 15:08

      “La poca exigencia de esta época en materia gastronómica, que hacía que en
      muchos hogares ni siquiera hubiera una cocina propiamente dicha4
      , llevaba a que
      con frecuencia fuera el dueño de la casa el encargado de cocinar o, en su caso, de
      dirigir el trabajo culinario de los esclavos. Así sucede ya desde Homero: es el propio
      Aquiles quien se encarga personalmente de preparar la comida que ofrecerá a
      Fénix, Ayante y Ulises, cuando ellos vayan a verlo para convencerlo de que vuelva
      al combate (Il. IX 206-217)…”

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  5. Rão Arques permalink
    14 Fevereiro, 2017 10:50

    Nota final para começo:
    Acresce que o PR não pode comportar-se como chefe das lavadeiras do tanque publico atirando para o cesto dos desperdícios o art. 191º da constituição.
    Atingido o limite da promiscuidade:
    O governo deixa nas mãos de um escritório de advogados de um candidato a preparação de uma lei á medida.
    O PR contacta um administrador do banco público já fora de funções para avaliar documentos existentes.
    O governo deixou na gaveta durante mais de um mês uma lei promulgada sem que ao que parece tenha dado conhecimento desse congelamento a Marcelo.
    O ministro das finanças confessa que apesar de todos os alegados cuidados durante meses não terá havido das partes a perceção de ter ficado clara a necessidade de apresentação de rendimentos.
    Chega!
    Que daqui chegue ao Dr. António Domingues o pedido de esclarecimento sobre a alegada falta de entendimento adiantada pelo Dr. Centeno, ou se tal nem pode ser alegado caso tenha sido devidamente considerada e firmada essa condição.
    Grato.

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  6. 14 Fevereiro, 2017 10:53

    Excelente.

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  7. Lufra permalink
    14 Fevereiro, 2017 11:38

    “Erro de percepção mútuo” tradução: Desculpem lá a mentira!

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  8. ABC permalink
    14 Fevereiro, 2017 12:43

    Destes episódios, o meu favorito é a Fernanda Câncio ter almoçado com um tipo inexistente.
    É espectacular a coragem dela em não se atirar a um poço com vergonha da incrível mentira. É lamentável que o estado da sociedade permita que semelhante personagem continue a ser publicada, e é de um tipo ter vontade de se atirar a um poço por viver num país onde ainda há quem acredite no que ela escreve.

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  9. 14 Fevereiro, 2017 12:46

    ehehehe

    Mas, atenção, na cena dos abrantes ela foi mais matreira. Apenas pegou na palavra “assessor” tal como todos que andavam ao mesmo. Mas uma vez disse a frase fatal: “conheço, sei como se chama, onde trabalha e tenho o telefone.

    Foi aí que lhe perguntaram como é que conhecia o Miguel Abrantes e sabia o nome. E ela disse que Miguel Abrantes é um pseudónimo

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    • 14 Fevereiro, 2017 12:47

      Se calhar disse a verdade. Almoçaram numa mesa cheia para 10 e podem ser todos contactados no mesmo número.

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      • 14 Fevereiro, 2017 12:50

        Acho que houve uns que aldrabaram outros com a identidade do que se apresentava como Miguel Abrantes.

        O Luis M Jorge foi aldrabado e saltou fora.

        O detalhe que ainda estou para morder é como é que a bruxa da urticária o ensinou a blogar
        ahahahahah

        Porque este Abrantes foi contratado por outro que já andava na blogo…

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    • LTR permalink
      14 Fevereiro, 2017 13:23

      Como diria o Matheus, em vez de jantar com o Abrantes, ela não terá jantado com o Pseudónimo? 🙂

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      • 14 Fevereiro, 2017 13:57

        Jantaram todos mas o nome Miguel Abrantes existia como chefe das Finanças onde estes melros trabalhavam.
        O Câmara Corporativa aparece em 225- altura em que é financiado pelo 44 mas já existia antes e o dito Miguel Abrantes até escreveu que apagou os posts, porque só a partir dali interessava.

        É um tanto estranho ter escolhido para nick o nome do chefe do departamento, juntamente com o jumento

        eheheheh

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      • 14 Fevereiro, 2017 13:59

        Aparece em 2005. Portanto, bem antes do Simplex em que militaram mais palhaços.

        como é que a bruxa da urticária diz que foi ela que ensinou a blogar o Abrantes quando aquilo já existia antes, é outra coisa estranha.

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  10. 14 Fevereiro, 2017 12:48

    Ela é demasiado cínica para não se proteger. Sabia quem era, devia saber que era remunerado, até menos que ela que ganhou casa, mas apenas pegava na treta de não ser assessor do governo.

    Eram mais, com ligações directas ao cu de galinha

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  11. 14 Fevereiro, 2017 13:02

    Mas o seu post está excelente.
    eheheh É só “erros de percepção mútua”.

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  12. LTR permalink
    14 Fevereiro, 2017 13:26

    Esta coisa da perceção aplicada ao caso Marquês dos “envelopes”, das “fotocópias” e “daquilo que eu gosto” dava absolvição com indemnização à vítima na certa.

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  13. Tiro ao Alvo permalink
    14 Fevereiro, 2017 15:10

    Mesmo nos contractos de papel assinado entre apenas duas criaturas podem ambas estarem “mutuamente equivocados sobre o conteúdo desse contrato/acordo”. Não é assim no casamento? Não é por causa disso que existe o divórcio? E as anulações, quando o acto não é consumado?
    Eu acho que o nosso Presidente, por ser católico, anda a evitar o divórcio. Fica-lhe bem.

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  14. Arlindo da Costa permalink
    14 Fevereiro, 2017 16:23

    O erro de percepção mútuo abrange também vossa douta cogitação.

    Neste caso diria que foi um erro de percepção colectiva.

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  15. 14 Fevereiro, 2017 18:23

    VCunha,

    óptimo post.

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  16. A. R permalink
    14 Fevereiro, 2017 23:29

    Eh, Eh …. muito bom! Acho que todo este governo é um erro de percepção.

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