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Com que então, a sua filha gosta de princesas?

1 Setembro, 2017

Quando nascem, aparentam a tranquilidade de uma tela em branco, com futuros de possibilidades infinitas e múltiplas possibilidades para uma vida plena de felicidade. Porém, o tempo é traiçoeiro na sua sucessão contínua de momentos, podendo o leitor acordar um dia a descobrir que, por muito que tenha pensado ainda dispor de intervalo temporal, a sua filha já está corrompida pelo gosto por tudo que seja cor-de-rosa e princesas. Aos sete anos já é demasiado tarde para educar uma menina de forma a evitar esta catástrofe retrógrada por figuras monárquicas e vaidades decorativas em tons pastel, sendo que é nesta idade que se deveria preocupar com coisas mais adequadas ao seu desenvolvimento emocional, como combinar o casamento da sua jovem flor com um polígamo árabe na casa dos cinquenta.

Milhões de pais no planeta têm que enfrentar este flagelo diariamente, fruto de uma total ausência de formação para a educação de filhos nas escolas e universidades ligadas a áreas heteropatriarcais como as ciências e engenharias. Se a sua filha ainda não sabe falar, está no patamar ideal de desenvolvimento para que lhe possa assegurar um futuro sem opressão, livre e gargalhante como activista de esquerda. Tem que agir antes que seja tarde. Para o efeito, deixo alguns conselhos que deve adoptar quanto antes.

Comece por abolir peças de vestuário que possam ser atribuídas, no mundo antigo, a pessoas de um determinado sexo, quer no seu formato, quer na sua composição cromática. Não permita saias, padrões com flores, cor-de-rosa, vestidos, sandálias de tiras finas, exposição de ombros e decotes abaixo da traqueia. Padrões e estampas são possíveis, no caso de roupa em tons de cinzento, azul marinho ou vermelho, desde que representando ícones históricos como Guevara, nunca falsos ídolos da ficção orientada para a definição de género nos indivíduos, como o Superman ou o My Little Pony azul.

Substitua toda a alimentação fálica pelos seus equivalentes de soja e seitan. Cenoura, aipo, alho francês e espargos lembram pénis. Batatas, na sua forma natural, assim como nozes, lembram testículos. Ensine-a a comer figos da forma correcta, a que consiste em abrir a meio o fruto e lamber com vigor os seu suculento interior. Nunca caia na tentação de lhe oferecer um Calippo da Olá®, gelado que, sinceramente, deveria ser proibido.

Leve-a à nova Mesquita de Lisboa. Pendure uma reprodução de “A Origem do Mundo” de Courbet no seu quarto. No caso de o pai ter a infelicidade de ser casado com uma mulher, pode também optar pelas fotografias que lhe tirou há anos e deixou espalhadas na mesa para que tal chegasse aos ouvidos do arq. Saraiva, assim como a meia Lisboa antes dele. No Carnaval vista-a de camionista gorda ou guarda fiscal. Não permita que ouça música do Diabo, como o heavy metal ou hard rock: Ani DiFranco, k.d. lang, Janis Ian ou as Indigo Girls são boas opções, assim são as Rockbitch ou qualquer coisa que o Carlos do Carmo diga. Afaste-a do fado, do Quim Barreiros, de qualquer festa popular e de cantoras que andam vestidas como a Julia Roberts no Pretty Woman, filme que é, porém, recomendado pela temática de métodos de sucesso para carreiras políticas.

Inscreva-a num acampamento do Bloco e crie contas nas redes sociais só para seguir a Mariana Mortágua, Catarina Martins e Francisco Louçã. Sempre que necessitar de usar o termo “direita”, como em “o caderno de actividades unissexo à tua direita”, acrescente o termo “fascista”. Sempre que a levar de férias refira que há uns porcos fascistas que querem ganhar dinheiro a alugar casas só para destruir a possibilidade que ela tem de usufruir de bons hotéis. Fale do povo como conceito abstracto, desviando a conversa quando ela mencionar o cheiro esquisito do avô. Excepcionalmente, leve-a de biquíni (só parte de baixo) a uma igreja durante um funeral para lhe ensinar sobre a discriminação inerente do Cristianismo. Ensine tudo o que deve sobre sexo o mais cedo possível, por exemplo, que os homens brancos só querem magoar, furando-as de forma simbólica como colonizadores de terreno que, por direito, pertence a africanos e muçulmanos de meia-idade.

Espero que com este pequeno guia tenha contribuído para que pais incautos deixem de estragar as suas filhas. Deixo aos comentadores espaço para sugestões adicionais que depois poderão ser citadas como artigos científicos sobre estudos de género.

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40 comentários leave one →
  1. piscoiso permalink
    1 Setembro, 2017 11:25

    Não tenho qualquer desses problemas com a minha filha.
    Deve ser um problema seu.

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    • 1 Setembro, 2017 11:27

      Como está a sua pequenita Horácio? El@s crescem tão depressa.

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      • piscoiso permalink
        1 Setembro, 2017 12:02

        Ela já tem padrinho e cresce com o calendário.

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      • Colono permalink
        1 Setembro, 2017 23:48

        Usa burka como o papá?

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    • Democrata com larga experiência — Vende-se permalink
      1 Setembro, 2017 13:59

      Folgo em saber que, muito provavelmente, a menina não irá puxar ao pai.

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  2. 1 Setembro, 2017 11:32

    caro Vítor está a ver como o “mau gosto” pode ser uma útil ferramenta do humor?
    – tal como na pseudo-polémica do tenor careca de massamá –
    custa-me dizer-lhe isto porque o senhor tem por hábito escrever muita e cega parvoíce
    mas deste seu texto gostei muito

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  3. 1 Setembro, 2017 12:24

    ehehe

    Está delicioso mas não é tão fábula quanto poderia parecer há uma década atrás.

    No outro dia, um sujeito em conversa com a responsável pela Casa da Cerca, a propósito de uma treta qualquer de filmagem das mamas de uma fã do benfica (coisa de machismo, como ela classificou) disse uma coisa tramada:

    Que não era machista e achava isso uma vergonha, porque felizmente a mãe educara-o para ser um homem de esquerda.

    C’um caraças. Já se chegou a isto. Ela achou natural, como seria de esperar. Foi a primeira pessoa que conheci “poltiicamente correcta”. É uma simpatia mas é assim e eu ao princípio não percebia corno daquelas indignações a despropósito.

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  4. 1 Setembro, 2017 12:27

    Fiquei a pensar como seria a mãe do sujeito- uma cinquentona, provavelmente que “fez do bebé um “homem de esquerda”- para ser uma pessoa digna e não ser “machista”.

    O raio das ideologias são esta merda.

    Conseguem inverter tudo. Conseguem destruir um património moral por modas e índexes imbecis escolhidos pela escardalhada.

    E é por isto que a Esquerda é um nojo e perigosa. Porque vive da mania da “superioridade moral” e tem por finalidade “mudar o mundo” e “a mentalidade das pessoas”.

    Raios os parta.

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  5. 1 Setembro, 2017 12:29

    Mas o Vitor Cunha faz a única coisa a fazer- destroi estas merdas pelo gozo porque estas porcarias são uma palhaçada.

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  6. 1 Setembro, 2017 12:41

    Outra coisa que também fico a pensar é como são os “homens” – os pais e maridos destas sujeitas, quando os há.

    São à economista-anti-fóbico ou nem existem e, em existindo, são uma grande mentira.

    Nenhum homem sem ser soja, aguentava isto ou queria filhas e mulher assim- de género neutro.

    São mentira. São hipocrisia como em tudo o resto que é ideologia “anti-capitalista” e assim. Uma farsa de fariseus.

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    • Luis permalink
      1 Setembro, 2017 12:53

      Pois eu conheco um casal assim. Ela e professora e tem dois colegas gays no trabalho, vai com eles aos concertos da Madonna e companhia, e a noite do genero, e sabe tudo o que ha para saber dessas vidas. O marido e de uma familia muito catolica e conservadora do Norte, e como passa parte do ano no estrangeiro em trabalha ela fica com liberdade… sucede que o marido nem sabe nem sonha da vida dupla da mulher… sei que ela fez o mesmo no passado com um namorado, e quando o namorado descobriu as mentiras a relacao acabou e o fim foi muito feio…

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      • 1 Setembro, 2017 13:06

        Que raio de uma mulher normal pode encontrar atracção especial em maricas?

        Não sei. Ultrapassa-me. Acho que são fufas e disfarçam.
        Ter conhecidos e até alguma amizade, é uma coisa- andar na onda paneleira é outra.
        É panca.

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      • Expatriado permalink
        1 Setembro, 2017 13:26

        É mais uma categoria de ‘género’.

        “Dildo sharing”

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      • Aventino permalink
        1 Setembro, 2017 13:42

        Pois!

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      • sam permalink
        1 Setembro, 2017 14:17

        “Que raio de uma mulher normal pode encontrar atracção especial em maricas?”
        Têm muito jeito para escolher cortinados; e conhecem de cor todas as marcas de bolsas de mão; e não estão sempre a olhar para as mamas.

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    • Luis permalink
      1 Setembro, 2017 12:56

      Os maridos as vezes nao sabem o que elas andam a fazer nas redes sociais nem o que falam com as amigas… adaptam o discurso as circunstancias. Ha por ai muito comentador que ha 20 anos se escandalizava quando o BE falava em casamentos para gays e agora sao os defensores mais ferozes da coisa. Carneiradas…

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    • 1 Setembro, 2017 13:16

      Eu tenho uma filha de 3 anos que aproveitou muita roupa do irmão. Agora é difícil de convencer a usar coisas que não sejam rosa. Não há elástico que não sirva de pulseira. Ninguém fez nada por isso. A mãe não é de usar acessórios ou maquilhagem no dia-a-dia. As coisas são como são, mal era se não pensasse nela como uma menina, que é o que é.

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  7. Aventino permalink
    1 Setembro, 2017 13:20

    Boa Vitor; ainda bem que não diz “a minha filhota”!!!

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  8. Myrddin Emrys permalink
    1 Setembro, 2017 13:35

    A quantidade de putos do bloco que também queria ser princesa

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  9. Prova Indirecta permalink
    1 Setembro, 2017 13:59

    Zazzie , nao esquecer a estratégia ” falar fofinho ” para o engate . Vou substantivar com um exemplo na família:
    Tenho um sobrinho ” pequenino ” ( 1,60m de altura , por aí ) , com dezassete anos que enveredou pelo discurso pró lgbt para aumentar o sex-appeal próprio . Vim dar com ele – as primas e irmas – em cavaqueira com o irmao mais velho , a explicar-lhe ( ao mais velho ) como os homossexuais em Portugal sao discriminados .
    Ao que eu levantei o sobrolho do que estava a fazer e lhe perguntei se ele se estava a referir à paneleiragem que é desrespeitada pela ciganada ou se era à paneleiragem que nao frequentava a mouraria .
    Fez-se se um silencio e debandaram de imediato todos para a cozinha . À hora do almoco , vim dar com ele com uma lágrima no canto do olho , confortado em abraço pelo séquito feminino ( vegans pro fem ) – que relatizava que este tio era um “insensível” .

    🙂

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    • 1 Setembro, 2017 20:11

      Já não conheço esse mundo e, felizmente, não o tenho na família.

      Não tenho pachorra para esta tara de remake hippie- os vegan-coisos-anémicos-e-gordos.
      Aquela anormalidade faz engordar. Compensam nos doces.

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  10. carlos alberto ilharco permalink
    1 Setembro, 2017 16:12

    Deve ser um tormento para as Catarinas e Mortáguas verem na televisão aqueles bandos de garotas com a testosterona aos pulos quando o Bieber dá um concerto.
    E então quando colocam aquela trapalhada na cabeça para parecerem a Ariana Grande devem ir ás lágrimas.

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  11. Arlindo da Costa permalink
    1 Setembro, 2017 17:57

    A minha filha gosta da Gata Borralheira. Algum problema?

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    • 1 Setembro, 2017 17:58

      E a neta dela?

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      • Arlindo da Costa permalink
        1 Setembro, 2017 18:02

        Só daqui a três décadas saberei.

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      • 1 Setembro, 2017 20:11

        AHAHAHAHAHAHA

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      • carlos alberto ilharco permalink
        1 Setembro, 2017 21:51

        A neta?
        Mas há alguma neta que conheça essa história?
        O que a neta sabe é os nomes dos fulanos e fulanas da telenovela e dos artistas do rap que estão na moda e claro conhece toda a história dos gémeos pré fabricados do CR7.

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  12. Aventino permalink
    1 Setembro, 2017 20:10

    Tanto tempo? Assim serás o último a saber!

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  13. Colono permalink
    1 Setembro, 2017 23:54

    Na estória histérica dos livrinhos…

    É de condenar mais a atitude da Porto Editora: — Não teve tomates/vagina… para manda-los à mer***

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  14. Terry Malloy permalink
    2 Setembro, 2017 02:07

    Penso que muitas dessas tácticas pedagógicas se poderiam evitar com uma escolha sensata e em tempo sobre qual dos progenitores deverá amamentar a cria.
    Creio que v. Exa. intuiu isso mesmo aqui há uns dias.

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  15. Gabriel Orfao Goncalves permalink
    2 Setembro, 2017 12:48

    “O que as calças no homem ocultam, nas mulheres revela-o. E é por isso que elas as usam justas.”
    (atribuído a Vergílio Ferreira; citação amplamente encontrável na net; mas como não li isto em nenhum livro dele prefiro ser cauteloso)

    É mais uma coisa, Vítor Cunha, com que tem de se acabar. Agora as calças a mostrarem as formas de uma mulher! Só faz com que os tarados não olhem para outra coisa, mantendo a opressão machista. Acabe-se com isso. Venha a burka, que ademais é tão arejada.

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  16. The Mole permalink
    6 Setembro, 2017 16:13

    Help!!! Isso é muito bonito para quem tiver uma menina (ou melhor: descendente – ainda se pode dizer? – com vagina). E se for um rapaz (ou seja, se a cria tiver pénis e tomates no sítio)?? Como é que devo fazer?

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