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Direito de resposta: Na Iniciativa Liberal não levamos a mal

19 Março, 2018
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A pedido do João Luís Serrenho, Vogal da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal, publica-se o seguinte direito de resposta ao texto do Rui Albuquerque publicado ontem.

No bom espírito liberal, este artigo vem como contraditório, mas sempre visando a complementaridade, a um post neste blog por rui a., de 18 de Março de 2018.
Clarifico que não pretendo com esta resposta comentar ponto a ponto o artigo do rui a. sobre o Manifesto Portugal Mais Liberal, que se tornou a Declaração de Princípios da Iniciativa Liberal (IL) enquanto Partido – pretendo antes usar o artigo como veículo para clarificar um pouco a IL, as suas intenções, os seus objectivos para Portugal. Aliás, gostaria de começar por agradecer a rui a. a crítica que apresenta. Estamos comprometidos a incorporar todas as críticas construtivas, e aceitamos contributos de todos os que se queiram juntar a nós neste caminho para um Portugal Mais Liberal.
Queria no entanto começar com um par de desmistificações, se me permitem –
A IL não é, nem pretende ser, o espelho perfeito das ideologias liberais clássicas, ou libertárias, ou liberais sociais, ou anarco-capitalistas, ou *fill in the blank*. A IL é um partido liberal. Ponto. Dentro do partido temos liberais mais à direita, mais à esquerda, mais radicais, mais moderados. Mas com algo em comum – somos todos liberais. Significa isto que quem venha olhar à lupa com o objectivo de fazer um teste de pureza, sairá com certeza desapontado.
Adicionalmente, temos o desejo de combater o sistema vigente, mas com o objectivo de trabalhar para um Portugal Mais Liberal (note-se o “Mais”) – não desmontar a sociedade portuguesa e voltar a construir de acordo com os princípios deste ou aquele pensador. Neste sentido, é natural que haja pontos de acordo com partidos existentes no panorama político português, e também com a Constituição. Por exemplo, cremos que em termos de costumes a sociedade portuguesa é progressista, e fez muitas coisas bem. Podíamos decidir ignorar o ponto de partida, ou fingir que não concordamos com o que está bem feito, mas tal não seria honesto. Há muito para fazer, muito para melhorar, muito para desconstruir. Mas não estamos a começar um País do zero.
Neste sentido, o exercício de comparar o nosso Manifesto ponto a ponto com a Constituição e percepcionados programas de outros partidos parece-nos interessante de um certo ponto de vista, mas ultimamente pouco esclarecedor. O Manifesto não pretende elencar pontos de discórdia com o status quo, pretende ser uma declaração de princípios base para construção de propostas, essas sim, disruptivas. Se realmente não existissem diferenças, então o PS, PSD e CDS seriam já partidos liberais – creio que não haverá muitos a defender que o são. De resto, o Manifesto da IL foi largamente baseado no Manifesto de Oxford de 1947, que serviu como carta de princípios da Internacional Liberal. Se um liberal não se revê nestes pontos, então talvez a discussão seja outra.
No entanto, a crítica mais alargada entende-se e foi bem encaixada. A IL, de facto, ainda não avançou com propostas arrojadas que tenham permitido transmitir claramente a sua forma diferente de ver a sociedade portuguesa, e também a sua forma diferente de fazer e estar na política. Estamos convictos que somos diferentes dos actuais partidos tanto em forma como conteúdo, mas aceitamos que ainda não demos suficientes provas disso publicamente. Somos partido apenas desde Dezembro de 2017, e estivemos os últimos meses dedicados a construir a estrutura interna necessária para operar como tal. Não apresento isto como uma desculpa, mas antes como um momento charneira no percurso da IL e, esperamos, do liberalismo em Portugal – a construção interna acabou (por agora), e chegou a altura de agir. Assim, atrevo-me a desafiar os leitores que se considerem liberais (de qualquer estirpe) a participarem no nosso processo em curso de recolha de contributos para o programa político da IL. Basta clicar em agenda.liberal.pt.
É também aqui que a IL se diferencia de todos os partidos existentes na história da democracia portuguesa. Em vez de decidir manifestos e programas em grupos reduzidos à porta fechada, queremos construir com os contributos de todos os cidadãos interessados e motivados. Foi assim com o Manifesto, tem sido e está a ser com a Agenda que visa criar o Programa Político e será para programas eleitorais. Maior disponibilidade para o escrutínio não existe.
Seria mais fácil de outra forma? Talvez. Mas a iniciativa não é apenas nossa, a iniciativa é tua.

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17 comentários leave one →
  1. 19 Março, 2018 19:07

    ” Dentro do partido temos liberais mais à direita, mais à esquerda, mais radicais, mais moderados.”

    Os de direita, esquerda e radicais não são moderados, depreendo. Pode clarificar?

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  2. 19 Março, 2018 19:18

    “A IL não é, nem pretende ser, o espelho perfeito das ideologias liberais clássicas, ou libertárias, ou liberais sociais, ou anarco-capitalistas, ou fill in the blank. <—-Parei de ler aqui, e não foi necessáriamente pelo tédio do desenxabido texto a parecer aquelas cartas repostas à reclamação dos clientes.

    Vocês vão longe…

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  3. kapagrillos permalink
    19 Março, 2018 20:43

    A língua portuguesa é so yesterday.
    A sério, “preencher o espaço em branco”? mas somos todos Agustinas ou quê?

    Um bom liberal não obriga ninguém a falar nesta ou naquela língua.
    Para mais, Salazar escrevia (há quem diga bem) e falava em português, ok? .

    Parabéns pela iniciativa, pelo menos estão a tentar alguma coisa!

    “Só num comete erros quem faz sempamema coisa”
    O Miguel Gonçalves, aquele que impulsionava jovens, é um quadro a considerar.

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  4. 19 Março, 2018 20:44

    “É também aqui que a IL se diferencia de todos os partidos existentes na história da democracia portuguesa. Em vez de decidir manifestos e programas em grupos reduzidos à porta fechada, queremos construir com os contributos de todos os cidadãos interessados e motivados.”

    https://sol.sapo.pt/artigo/1370/psd-quer-receber-ideias-dos-cidadaos-na-net
    ps.pt/2017/11/16/grupo-parlamentar-do-ps-quer-dar-voz-aos-cidadaos-sobre-as-politicas-de-habitacao/
    noticiasaominuto.com/politica/946461/cristas-quer-ouvir-ideias-dos-cidadaos-para-elaborar-programa-eleitoral

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  5. Arlindo da Costa permalink
    19 Março, 2018 20:54

    Desde que este novo partido – Iniciativa Liberal – não vá recrutar nas actuais fileiras do PSD, PS e CDS-PP – acho muito bem que apareçam, pois já não há pachorra para aturar os «liberais» dos actuais partidos. Inclusive do BE que até são os mais liberais, nos costumes e nas causas ambientais e sociais.

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  6. Euro2cent permalink
    19 Março, 2018 21:28

    Por exemplo, cremos que em termos de costumes a sociedade portuguesa é progressista, e fez muitas coisas bem.

    Olha, mais uma agremiação progressista.

    Fazia mesmo uma falta do catano, como o milésimo elemento dum coro do Mahler.

    Liked by 1 person

  7. JMS permalink
    19 Março, 2018 22:20

    Quanto à IL ainda não tenho uma opinião formada, ainda não li o suficiente para saber ao que realmente vêm. Vou ter que esperar mais algum tempo para poder entender quem são e o que querem.

    Não sou, à partida, contra um partido liberal ou iniciativa liberal, como queiram. De maneira nenhuma. Estou absolutamente farto de tanto socialismo e de tanta vigarice associada a esse erro histórico que é… o socialismo e, concomitantemente, o papel do estado, melhor ainda, a ingerência do estado numa sociedade, na vida privada das pessoas no séc XXI.

    Portugal é um exemplo acabado desse problema; precisamente, usando o mote deste blog, pela bovinidade que o socialismo cria em algumas pessoas. Um número preocupante de pessoas. A “comunicação social” que temos, não ajuda em nada, dada a sua cultura marxista/maçonica, aquilo que realmente nos “governa”.

    Por outro lado, quando vejo impulsionadores da IL a apoiar comentários de, por ex Arlindo da Costa (não por aquilo que ele é mas por toda uma forma de pensar que ele representa), deixa-me algo preocupado e a pensar que não entendem nada, não têm a mais pequena idéia onde estão metidos, a fazer mais ou menos aquilo que o Rui Rio está a fazer ao PSD: a destrui-lo. Rui Rio e as suas brilhantes escolhas. Rui Rio, a primeira escolha de António Costa, do PS e dos “aventais” do PSD. Eles bem sabem porquê.

    Como tal, resta-me aguardar serenamente pelo desenrolar da situação, da evolução, ou não, da IL.

    Para já, não auguro nada de bom. E gostaria de estar redondamente enganado.

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  8. 19 Março, 2018 23:10

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  9. LTR permalink
    19 Março, 2018 23:20

    Esta iniciativa tá muito phishing 🙂

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  10. Procópio permalink
    19 Março, 2018 23:27

    JMS, precisamente “aquilo que o Rui Rio está a fazer ao PSD: a destrui-lo”.
    O executor e desajeitado como convém, e por trás?

    “Entendo que Rui Rio terá a vontade e a capacidade para reposicionar o PSD no lugar que lhe pertence, desde maio de 1974: o centro/centro esquerda do espetro político”, vincou Balsemão, numa nota enviada à agência Lusa. Novembro 2017

    Francisco Pinto Balsemão foi membro permanente do Clube Bilderberg, em 2004 estiveram lá José Sócrates e Santana Lopes, Nuno Morais Sarmento e José Pedro Aguiar Branco também já foram a uma reunião. Este ano de 2008 foi a vez de Rui Rio e António Costa.
    Há cozinhados que demoram tempo a fabricar. Serão os mais saborosos?

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  11. lucklucky permalink
    20 Março, 2018 01:43

    Este é um exemplo de um texto sem sentido. Critica-se a critica do rui a. e depois aceita-se a critica do rui a…

    É uma mera tentativa de ter o sol na eira e a chuva no nabal.

    Depois vai-se claro para “propostas arrojadas” para o tag “liberal” poder ser aplicado. Não há consistência alguma na forma de pensar.

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  12. 20 Março, 2018 06:02

    Que as ideias e medidas vêm já a seguir, vamos esperar para ver. Começaram pelo fim e negativamente, pois se for (e calculo que foram) ler os programas dos outros 13 partidos, alguns deles tão inuteis como a chuva na eira , iremos achar um abre- te sesamo teorico, claro. Agora passado o folclore vamos lá a trabalhar e claro liberais a incluir as criticas, o ponto forte dos nossos “pensadores” de pacotilha, à procura duma nova crença.

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  13. Procópio permalink
    20 Março, 2018 09:49

    Já pediram autorização à Trilateral?

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  14. carlos alberto ilharco permalink
    20 Março, 2018 13:25

    Li os comentários.
    São quase todos negativos.
    Estão portanto no bom caminho, quem incomoda assusta.

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    • 20 Março, 2018 19:48

      Aqui não teria muitos comentários positivos a Chávez. Nem a Estaline. Nem a Adolfo Hitler. Nem à Hilária Clintona. Eles incomodam e assustam.

      E não são coisa boa. Nenhum deles.

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  15. 20 Março, 2018 16:46

    Então se são liberais, podem definir onque é ser liberal?

    Pelo vosso programa, não há liberalismo na iniciativa liberal. Nem iniciativa. Há copipasta (grafia intencional!) da boçalidade acabada em que os parretidos vermilhóides e análogos perenemente chafurdam.

    Até que haja um partido que diga: o Estado tem de ser estado, a economia economia, e a sociedade sociedade, não acredito em iniciativas de mais do mesmo. Para cópias voto no original, que mais vale diabo que começo do que anjo sem trombeta.

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