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O rumo e o destino da Direita

27 Maio, 2018
Post de convidado: Paulo Milheiro da Costa

 

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Respondendo ao amável desafio do Blasfémias e da Oficina da Liberdade, alinho aqui algumas breves reflexões sobre o rumo e, decerto imprudentemente, o destino da Direita em Portugal.

Estas linhas são escritas ainda sob a influência do que ouvi na passada sexta-feira, no Grêmio, da boca de Vasco Pulido Valente e de Adolfo Mesquita Nunes. Em particular, VPV foi arrasador para com a Direita actual. E eu concordo, aquilo que passa por Direita em Portugal hoje é lamentável, para ser simpático. Não há ideias, não há rumo, não há pessoas (AMN é por enquanto uma boa promessa, mas nada mais).

Mas o tema não é o estado actual da Direita portuguesa, é o seu futuro. E em politica, parafraseando uma frase famosa, o futuro é um país estrangeiro. Ou seja, pode ser muito diferente do que se imagina ao simplesmente projectar nele a realidade actual.

Para clarificar, se é esse o termo, uso a palavra Direita para designar o conjunto de eleitores que estão ou estarão disponíveis para votar em partidos que não sejam declaradamente socialistas. O primeiro problema da Direita é esse, tais partidos não existem ou são dirigidos pelas pessoas erradas, incapazes de um discurso que seja distinto do discurso socialista e, simultaneamente, vendável ao eleitorado português. Muita gente, julgo que a maioria, não acredita que o não-socialismo seja vendável em Portugal, porque o eleitorado está maioritariamente dependente do Estado e portanto é socialista, por interesse. Eu não acho nada que isso esteja demonstrado – é simples falta de imaginação e uma inclinação para o conformismo vitimista e auto-desculpabilizante – que há boas razões para pensar que, a um prazo razoável, digamos dez anos, a Direita tem hipóteses.

Primeira razão: metade, ou perto disso, do eleitorado não vota. E da metade que vota, pelo menos 40% vota no PSD e no CDS. Isso significa que a esquerda pode bem não ter a maioria social. Mesmo hoje, com todo o populismo de esquerda, não existe essa maioria de esquerda no eleitorado, longe disso. Claro, a Direita precisa de ter cabeça ou seja ideias e discurso claros para tirar partido disso. Hoje não tem. Mas onde está escrito que nunca terá?

O que me leva à segunda razão: pouco a pouco, têm vindo a surgir novos partidos ou projectos de partidos. Com erros, com defeitos, certamente, tendo para mais de enfrentar os puristas liberais ou conservadores instalados, sim, mas o ponto é que são vários e que são novos. De entre ele eles, é perfeitamente possível que surjam caras e ideias que consigam cativar o eleitorado que se desinteressou, em parte pelo grau ostensivo de corrupção e incompetência que começa a colar-se à geringonça. E há os jovens.

Que leva à terceira e última grande razão para não estar tão pessimista como é moda entre os meus amigos. O poder, mesmo o poder ardiloso e mentiroso dos socialistas, desgasta. Esse desgaste, por si só, é (devia ser) uma fonte de esperança para a Direita. Aliado aos escândalos de todo o tipo associados à governação da esquerda e às razões apontadas acima, custa a perceber o derrotismo de tanta gente à Direita.

Eu acredito que nos próximos anos muita coisa vai mudar que pode por sua vez mudar para muito melhor as perspectivas da Direita. Não será, claro, com os protagonistas baços e falhos de ideias como temos desde 2015 (sim, Passos incluído, deixem o homem em paz, deixem-se de sebastianismos). Será com novos políticos, novas caras, novas ideias e novos eleitores. Mas confio que o socialismo não pegou de estaca em Portugal. Isso é conversa de derrotados da vida.

Paulo Milheiro da Costa
Alfragide

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21 comentários leave one →
  1. 27 Maio, 2018 19:11

    Olhe que nem você, nem o Adolfo, nem ninguém é a ultima bolacha do pacote. Direita??? Isso existe?

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  2. Arlindo da Costa permalink
    27 Maio, 2018 20:25

    Em Portugal a Direita, como é entendida na Europa (Ocidental, Central, Norte e Leste…) não existe.

    A «direita tuga» é eminentemente socialista. Gosta de viver à sombra do Estado e dos contribuintes.

    Divirto-me com as «reflexões» da direita. Mas continuem…

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  3. Lucklucky permalink
    27 Maio, 2018 20:48

    É um bom texto.

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  4. Lucklucky permalink
    27 Maio, 2018 21:10

    Claro que o que não está dito é que com jornalismo marxista que temos nunca existirá direita.

    Se a direita não tiver canais de TV, jornais, escolas onde exponha as ideias não vai a lado algum.

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    • carlos alberto ilharco permalink
      27 Maio, 2018 21:30

      Está aqui tudo dito.

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    • 27 Maio, 2018 21:41

      Nuna tinha visto tanta Holding “marxista”…

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    • BandoDeCorruptos permalink
      28 Maio, 2018 01:54

      O jornalismo marxista, que tem sido a fonte de poder da esquerda, que começou por sustentar o corrupto mário soares, tem origem num pretenso político de direita, o balsemão.
      Esse lacaio dos chefes dos aventalados começou por esconder a morte do Sá Carneiro e até primeiro-ministro foi para garantir que nada se sabia e enquanto ajudava o gordo labrego soares a corromper totalmente as instituições e a nada se saber, levava os meninos que queria arregimentar ao bilderberg. O riacho porco e nojento foi ao mesmo tempo que o costa e agora é o seu lacaio em tudo, desde substituir a PGR para safar a máfia socialista até promover a morte de todos aqueles que lhes interessse, à espera de um qualquer tacho que já está prometido. O paulo rangel foi e quando foi para o parlamento europeu tornou-se “tão federalista como o soares”, a manela ferrera leite é apoiante activa do costa, etc, etc, etc.
      O que estes canalhas não querem é que lhes faltem os tachos. Direita ou esquerda? as mesmas famílias que estiveram com o salazar, dos moreira cujo paizinho teve orgulho no salazar e agora tem na burra da filha, aos louçã, ou aos salgado, vai servindo o poder totalitário do momento e com isso vão-se servindo dos cofres do estado que rouba o nosso trabalho.
      A única diferença é que o salazar não roubou nada para eles e os de agora roubam tudo o que podem e mais algum que já não lhes cabe nos bolsos e acaba por se ver. 3 bancarrotas em 44 anos e a quarta ainda vem antes dos 48.

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      • BandoDeCorruptos permalink
        28 Maio, 2018 01:57

        o salazar não roubou nada para ele, não eles. Mas para a corja dona do balsemão e afins também não, nem pensar, por isso e não por ser ditador o não gramame com ele se desculpam. Em muito já temos mais ditadura do que naquele tempo e na comunicação social isso é mais que evidente e graças ao balsemão e seus lacaios.

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      • BandoDeCorruptos permalink
        28 Maio, 2018 03:38

        Já agora alguém sabe o que faz outro jornalixo pulhítico dito de direita, paulo portas, quando vai à socapa ao gabinete do jorge da casa pia sampaio? Eles deviam odiar-se e o canalha tentava entrar lá sem ser percebido, acompanhado dum gajo de 20 e tal, 30 anos (bem mais velho do que os meninos de que ele abusou em Angola) num Opel preto de matrícula 64-RR-25.
        Este porco também foi levado ao bilderberg pelo balsemão, em conjunto com o tozé seguro e mal chegou tentou deitar o governo, de que faziia parte, abaixo.

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    • 28 Maio, 2018 21:19

      Lucklucky,

      O jornalixo marxista vai definhando. Pouco a pouco, os homens e mulheres deste país e dos países do Ocidente vão desconfiando dos avençados. Um a um, cada vez mais vão a blogues como este receber as notícias.

      Portugal até está a demorar nesta mudança. Basta porém ver a tiragem dos principais jornais ditos de referência, aliás de deferência, para perceber que não muito passará até que O Público deixe de figurar nas bancas e tenha o sítio às moscas.

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  5. Mario Figueiredo permalink
    27 Maio, 2018 21:46

    Concordo com a ideia geral que não é possível baixar os braços e que falta demonstrar a adesão da sociedade ao pensamento de direita, que poderia até surpreender. Mas o pessimismo é perfeitamente justificável face ao país dos últimos 44 anos e face ao que se testemunha a todo o momento serem os próximos 44.

    Não é à toa que os partidos fundadores do regime, PCP, PS e PSD a todo o momento se pronunciam de boca cheia contra a direita em Portugal. É que não hajam dúvidas que um partido de direita no nosso país terá que fazer a travessia do deserto antes sequer de aspirar a ter 10% do eleitorado, quanto mais formar governo. Vai ter ultrapassar todas as barreiras e armadilhas que estes lhe colocarem quando virem que lhe começam a ameaçar o Saco Azul a que por conveniência chamam 25 de Abril. De acusações de fascismo e extrema-direita até ter de enfrentar uma comunicação social hostil, condicionada e comprada, o tal partido da direita terá de enfrentar tudo e todos.

    Portanto, não vou muito pela cantiga da esperança. Este socialismo não permitirá nunca que nenhum partido de direita se sente no Rato. Acredito, isso sim, é que ainda serão precisas muitas bancas rotas, mais corrupção e mais sofrimento da população portuguesa para que a imensa máquina socialista formada à sombra do aproveitamento de uma liberdade que por duas vezes foi planeada, executada e conquistada por militares, envelheça e lhe tire a força inquestionável que tem hoje. Ou seja, ainda muita lágrima é preciso derramar neste país. O socialismo em Portugal para lá caminha, mas ainda não fez as vitimas suficientes.

    Desculpe lá qualquer coisinha. Mas com pouco mais de 50 anos, eu simplesmente sei que já não vou ver um partido de direita em Portugal a disputar eleições legislativas, quanto mais formar governo.

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  6. 27 Maio, 2018 22:20

    Não foi editado um meu comentário, também não vou repeti-lo.
    Resumindo-o: a direita (assim assumida) em Portugal não tem hipóteses de governar nas próximas duas décadas.

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  7. procópio permalink
    27 Maio, 2018 22:44

    Para o tuga os de esquerda são amigos dos pobrezinhos e os de direita estão com os empresários exploradores, é só! Nem sequer imagina o que é uma sociedade sem empresários e muito menos o que acontece aos desgraçados a vegetar em sociedades desse tipo.
    O tuga desconhece o abc da política tal como a maior parte dos que lá se metem. A carreira da política é uma forma de chegar ao poder, é natural, mas para 99% representa apenas uma forma de enriquecer a qualquer custo. Nem sequer há forma de avaliar os resultados da acção política a nível individual ou partidário e muito menos de ver penalizadas infracções, fraudes e roubos descarados.
    O livro recente de Helena Garrido é uma excepção.
    https://eco.pt/2018/05/23/pre-publicacao-quem-meteu-a-mao-na-caixa-a-historia-que-envergonha-gestores-e-politicos/
    Como Mário Figueiredo anotou os merdia estão captados por tipos cheios de dinheiro que fazem o jogo da esquerda. Existem oligarcas estão feitos com aberrações. O caso do ddt é paradigmático. Para dominarem sociedades pueris tudo vale, arranjar narcisos peritos em oferecer falsas escolhas ideológicas e fazer promessas avulsas, é bagatela.
    Tipos como márinho e o nº 1 passam como sendo de esquerda, o que é de bradar aos céus tendo em vista as suas atitudes e as fortunas acumuladas, longe da vista de curiosos.
    Há por fim um reflexo condicionado tipo Pavlov. Em vez do cão salivar quando toca a sineta, o tuga fica escandalizado quando ouve a palavra direita. Resulta.
    Se um dia libertarem os animais da experiência ignóbil talvez o comportamento normalize. Não é para serem de direita ou de esquerda, é para serem AUtÓNOMOS, exigirem uma sociedade LIVRE, terem em conta a REALIDADE e serem capazes de pensar pela sua CABEÇA. Já estou a pedir demais.

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    • 27 Maio, 2018 23:31

      “merdia estão captados por tipos cheios de dinheiro” Está a falar dos Capitalistas ? Só pra saber, que aqui a malta da “direita” os tem em tão alta estima…

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    • BandoDeCorruptos permalink
      28 Maio, 2018 01:37

      O Livro da Garrido fala do assalto ao bcp com o dinheiro da caixa? Não fala, pois não?

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  8. 27 Maio, 2018 22:50

    Só mais isto e pergunto ao convidado Milheiro: por que raio o PPCoelho tem de estar politica e partidariamente “em paz” ? Já se esqueceu do que aconteceu entre 2011 e 2016, e quem venceu as recentes legislativas, a PaF ?

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  9. procópio permalink
    27 Maio, 2018 23:43

    Nada mais estúpido que aceitar cantigas de embalar, esquerdas e direitas. Não me apego a ideologias, nem me deixo levar por elas, evito o ridículo.
    Há muito me livrei desses atilhos. Procuro respeitar-me a mim e ter a certeza que respeito os outros. Observo-os atentamente quando se trata de políticos. Inquieto-me quando descubro vendilhões. .
    MJRB, ninguém no sítio governa, hoje ou nas próximas duas décadas. Gere-se mal por conta de outrem e pagam-se cada vez mais impostos.
    O poder vem de fora cada vez com mais força, repare nos Bancos e nas Companhias de Seguros. Tropeçamos, queixinhas, para uma dependência triste sob o aparente comando de ardilosos trapaceiros. Divirta-se com a dissimulação dos comparsas da geringonça traída por tiques aleivosos. Registe-se a deslealdade e a perfídia para memória futura.

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    • 28 Maio, 2018 00:27

      De facto governar isto de modo competente, linear, honesto, é cada vez mais difícil. Pelas imposições externas, pelos desvarios internos e pela patetice, ignorância e bovinização de muitos tugas.

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  10. 28 Maio, 2018 10:44

    “Mas confio que o socialismo não pegou de estaca em Portugal”. Verdade!

    Tem raizes muito profundas. Depois de 46 anos de socialismo de direita (corporativismo) e 43 e três anos de socialismo de esquerda, é natural que os Portugueses pensem que só existe socialismo. E, mal por mal, sempre preferem o de esquerda porque até agora lhes deu miséria mas em liberdade.

    Na tradição Portuguesa é necessário mais de um século para mudar de rumo. Por exemplo, foi necessário mais de um século de permanente guerra cívil, no século XIX e ínicio do século XX, para os Portugueses apoiarem um novo Pombal na pessoa de Salazar.

    Não quero ser pessimista, se esperarmos pelo final do ciclo habitual ainda nos faltam cerca de 40 anos para que o país mude. No entanto, os jovens poderão mudar este nosso fatalismo se discutirem as virtudes do capitalismo de mercado e da democracia representativa sem complexos de esquerda ou direita.

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