Saltar para o conteúdo

O erro dos críticos de Rui Rio

18 Janeiro, 2019

Conhecido o resultado do Conselho Nacional do PSD da madrugada de hoje e correndo o risco de passar por um Zandinga da análise política, diria que esta foi a pior votação possível para a Direita.

A meu ver o PSD terá um mau resultado nas Europeias, mas independentemente de quão mau seja, ninguém exigirá de novo a demissão do presidente do partido e muito menos Rio estará disponível para sair pelo seu pé. A má performance será justificada pela clima de guerrilha interno criado e cavalgar-se-á a onda do “deixem-me trabalhar!”.

A 26 de Maio a Direita atomizar-se-à. O CDS subirá. A Aliança e Iniciativa Liberal aproveitarão o melhor momento que têm disponível para maximizar o peso dos seus votos. O PSD definhará.

Uma vez feito o desafio por Montenegro à liderança e, em consequência, convocado o “parlamento” do partido, a melhor atitude que os críticos de Rio poderiam ter desenvolvido, fosse a votação em braço no ar ou secreta, teria sido a de apostar numa vitória folgada e, se possível, unânime do actual presidente. Paradoxalmente esse seria o único resultado que não daria desculpas a Rui Rio para não sair após as Europeias. Estou até em crer que, fosse esse o resultado no Conselho Nacional, Rio sairia já esta noite de líder uma vez que não suportaria o cinismo dos adversários internos e ficaria de tal forma surpreendido com o resultado que o deixaria ainda mais desorientado.

O problema e o maior erro dos críticos de Rio foi (ou é) não acreditarem que o PSD poderia ser o partido mais votado nas próximas Legislativas. Não tiveram incentivo a exporem-se e dar desde já o corpo às balas ao desafio que teriam pela frente. Rui Rio chegará às Legislativas como presidente e será ele o candidato do PSD a primeiro-ministro.

Pena. Porque assim penso que a Geringonça vai vencer tranquilamente as eleições Legislativas, empurrando o PS com a barriga, o mais possível, as más notícias que a economia do país inevitavelmente trará, apresentando a factura apenas após Outubro.

Por outro lado estou convencido que o candidato presidencial de facto do PS será Marcelo, ainda que os socialistas apresentem um nome próprio, para inglês ver. No fundo, interessa a Costa continuar a ter Marcelo na mão.

Portanto, após as Legislativas, quando os sinais de crise forem já inevitáveis, fôr clara a  continuação do concubinato Costa-Marcelo e se perspectivar uma nova intervenção da Troika, aí a Direita olhará de novo para Passos Coelho como o seu último reduto e este poderá sentir que é sua obrigação (apesar de contra-vontade) avançar já para a Presidência. Por exemplo, dependendo do grau em que a crise económica estiver em Janeiro de 2021 só PPC (e não MRS) poderá ter força suficiente para vetar novos  impostos sobre o património e as poupanças.

Se esta minha especulação relativa ao cenário político que se avizinha estiver certa, mesmo assim não é nada certo que Passos vença Marcelo, pelo que nem com um Presidente os portugueses que trabalham e criam riqueza poderão contar.

995864_a101-11632223-1060x594

*

 

Anúncios
9 comentários leave one →
  1. André Miguel permalink
    18 Janeiro, 2019 12:18

    PPC a Presidente? Acredita mesmo nisso?! Depois do enxolhavo de que foi alvo acredita mesmo que se sujeitará a tamanhas figuras? Ainda por cima depois de um Presidente popularucho e que o povo adora… Espere sentado.
    Permita-me a opinião: limite-se à economia, onde ainda manda uma postas interessantes, e deixe a análise política para outros escribas.

    Gostar

  2. Manuel permalink
    18 Janeiro, 2019 12:38

    Novos impostos sobre património e poupanças? Mas vem aí o comunismo ou quê? Passos devia avançar já para candidato à presidência, Marcelo deve ser posto no seu lugar.

    Gostar

  3. Paulo Valente permalink
    18 Janeiro, 2019 12:40

    Costa tem Marcelo na mão? Esta é para rir? Qualquer Presidente da Rewpública é eleito com mais de 50% dos votos. Só este facto dá-lhe um poder e uma legitimidade que nenhum primeiro-ministro algum dia terá. O primeiro-ministro não é eleito, e este facto faz com que o seu poder resulte de uma delegação de poderes da Assembleia da República e da sua nomeação pelo próprio PR. Obviamente que há sempre o idiota de serviço que continua a não perceber porque é que o PPC não é primeiro-ministro.

    O CDS a subir? Pedro Santana Lopes a obter uma votação exppressiva ( Aliança é apenas o PSL rodeado por alguns amigos)? Por favor… Os eleitores conhecem o CDS e o Pedro Santana Lopes de 1974. Nem um nem outro algum dia tiveram apoio popular.

    PPC a PR? Um primeiro-ministro pode necessitar de somente 40% dos votos para ser eleito, mas um PR necessita de 50%. Ao contrário de Cavaco Silva que quando foi eleito tinha o apoio de todo o PSD, PPC não contaria decerto com o apoio sequer de 100% do PSD, e o seu apoio entre o eleitorado do PS seria nulo. Quem iria eleger PPC? O eleitorado do Pedro Santana Lopes. O mais provável é que o PSL não resistir à tentação de ser também ele candidato.

    Gostar

    • Martim Moniz permalink
      19 Janeiro, 2019 10:56

      Infelizmente a situação é muito mais sinistra e preocupante(do que a possibilidade do sr Marcelo estar na mão do “cigano”) pois o dito cujo Marcelo faz e diz tudo por convicção(e representa uma espécie de nova-ideologia que integra o socialismo e neo-francisquismo,lembram-se do beija-mão em Roma logo a seguir a ser empossado?E quando o dito Chico veio a Fátima quem lá esteve(para além dos devotos é claro)??

      Gostar

  4. weltenbummler permalink
    18 Janeiro, 2019 17:59

    rio morreu afogado

    Gostar

  5. 18 Janeiro, 2019 19:15

    “Com um poder político fraco,como aquele que actualmente este regime proporciona,não é possível melhorar o país.A crescente perda de governabilidade e o fortalecimento dos interesses corporativos pressupôem que o interesse público é mal defendido.O regime que estamos a viver já tem muito pouco de democrático.O regime está a ir borda abaixo e o que se seguirá pode ser pior do que uma ditadura,a anarquia completa.” – Rui Rio na Revista Visão de 27-10-2011

    Gostar

  6. lucklucky permalink
    19 Janeiro, 2019 00:38

    Aqui temos um excelente exemplo do discurso tecno-tacticista.

    Ideias nada.

    Gostar

  7. Martim Moniz permalink
    19 Janeiro, 2019 10:58

    “O caso do dr. Rio – de que o longo mas desnecessário texto acima serve de introdução(ver o artigo inteiro no Observador por Alberto Gonçalves) – é mais grave. Por norma, os políticos desfilam incultura para favorecer a sua agremiação. Aqui, é ao contrário. O dr. Rio passou pelo Colégio Alemão, pela Faculdade de Economia e pela vida em geral e, não obstante, conseguiu chegar aos 60 anos convencido de que o PSD é um partido de esquerda. Pior: todos os “notáveis” apoiantes do dr. Rio acham que o PSD é um partido de esquerda, que pertence à exacta esquerda representada pelo PS e que não deve obter nenhum voto que não se destinasse originalmente ao PS, cujo eleitorado aliás não desejam beliscar.
    No fundo, o dr. Rio e o seu séquito não imaginam qual a utilidade do partido que conquistaram e, depois de reflectidamente renunciarem a constituir-se alternativa ao socialismo, concluem que a utilidade é nula. Não exagero: divagando em nome desta extravagante seita, a célebre pensadora Ferreira Leite prefere que o PSD encolha para valores residuais do que mereça a simpatia dos dois ou três milhões de reaccionários que o têm sustentado desde 1975. Não me lembro, em toda a História Universal dos Projectos Obtusos, de uma rapaziada tomar conta de um partido com o propósito de o afundar de seguida.”

    Gostar

  8. 19 Janeiro, 2019 11:40

    Eia, eia, eia…! Já cá faltava o chavão da moda!… Bolas!
    Ei-lo, portanto:

    «[…]não é nada certo que Passos vença Marcelo, pelo que nem com um Presidente os portugueses que trabalham e criam riqueza poderão contar.»

    Ora aqui está um discurso que afasta muitos dos portugueses que também trabalham e que, por via disso, também criam riqueza, do PPD e, portanto, até do PSD.

    É este tipo de sound bites que constantemente são ouvidos e lidos da boca e ‘da pena’ de muitos liberais cá da praça, de conhecidos empresários agarradíssimos ao estado e às suas benesses e de conhecidos advogados de 4 ou 5 escritórios de Lisboa, que cria fortes anticorpos ao PPD.

    Ainda não percebi -ou recuso-me de forma visceral a querer perceber- quem são, para estes tribunos e articulistas, os portugueses que criam riqueza. Ou, dito de outra forma: quem é que são, afinal. os portugueses que não criam riqueza?
    Os militares criam riqueza? os juízes criam riqueza? os professores criam riqueza? os médicos criam riqueza? os enfermeiros criam riqueza? os funcionários públicos criam riqueza? Não?! Bolas! Então, irra! que haja coerência e acabe-se-lhes com a raça. Já!
    E façamo-lo enquanto cantamos a Maria da Fonte e peroramos os sacanas dos Cabrais. (De todos os Cabrais, os de ontem e os de Hoje! Abaixo o Estado, pá!)

    Fica um incontornável senão: este tipo de discurso já foi o do PCP de há umas décadas a esta parte e os resultados são os que se têm visto: 10/15%… E, mesmo assim, os camaradas ainda se atiravam para os intelectuais. (Ui, e que intelectuais que se deram a conhecer por aí…, um espanto!)
    Pois, é este o erro do PPD quando se quer dirigir a uma insigne casta de eleitos. ‘Mutatis, muntandis’, onde havia oprimidos, trabalhadores e intelectuais; contabilizam-se agora, profissionais liberais, empreendedores e empresários. (:Ui, e que empreendedores e pagadores exemplares de impostos que se dão a conhecer por aí…, um espanto -outro espanto, portanto).

    Um PSD refém deste tipo de ‘liberais’, um PSD refém deste PPD, refém deste discurso nunca será governo. (O Passos, nunca teve este tipo de discurso nos moldes em que ele se ouve por aí…). Nunca será governo, enquanto os seus arautos quiserem descortinar quem são os portugueses que valem a pena e os portugueses que não valem a pena. É da vida…

    No comentário a outro post deste blog, um leitor comentou que o PSD precisa de saber quem são os seus eleitores. Comentou também que os seus eleitores se sentiram sempre preteridos pelos lobbys. Tem toda a razão.

    O PPD, de há uns 20 anos a esta parte tem tratado como inimigas, classes profissionais ligadas à Função Pública que são respeitadas pela sociedade, que se dedicavam ao seu trabalho e que se orgulhavam do que faziam.
    Nos meios mais pequenos, era a elementos destas classes sócio-profissionais que o PPD/PSD recorria para conseguir quadros para as listas autárquicas, que usava como influenciadores e fazedores de opinião, que acarinhava e a quem suportava.

    Com uma sanha espantosa, nos media cá da praça, pela mão dos seus comentadores de serviço, têm-se empurrado para o PCP e para o Bloco todas estas pessoas. Chegou-se tão longe, que é difícil que todas estes portugueses com real influencia no seio das suas famílias e no seio das suas comunidades, voltem a acomodar-se (irra! que palavra esta: ‘acomodar-se’!) sob as três setinhas da social-democracia.

    Por outro lado, também não foram estes os militantes que criaram cidades onde a vida é impossível, em que os horários são inumanos, o ordenamento territorial caótico e o desrespeito por quem trabalha campeia. Não foram estes militantes que atiraram a classe média para fora de qualquer suporte estatal para as suas vidas. Não foram estes militante que arruinaram o SNS, nem o sistema de ensino, nem saldaram a EDP ao PCC, nem os CTT…

    Convinha ao PPD e ao PSD, de facto, saber quais são os problemas dos seus eleitores antes de se atirarem com um rol de soluções para problemas que as pessoas não têm.

    Gostar

Indigne-se aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: