Saltar para o conteúdo

As gajas e o fugaz calor de Inverno

27 Fevereiro, 2019

A indignação, ou mais propriamente, a coisa do momento, é a luta de senhoras do CDS para determinarem o papel determinado para “a mulher” (mas, na realidade, todas — sublinho o todas) na sociedade em geral, mais ou menos como eu, quando procuro a batata de volume adequado para acompanhar o mui masculino bife grelhado.

Quer um artigo inicial, da Joana Bento Rodrigues, publicado no Observador, quer os artigos de opinião que opiniam sobre a opinião original, culminando (hoje, porque amanhã há mais) no artigo-resposta da Mariana França Gouveia (também no Observador) à opinião original e aos artigos-opinão dos que opinaram sobre a opinião do artigo original, seriam, para a população masculina em geral, mais proveitosos se as palavras tacitamente sacadas a livros de auto-ajuda tivessem sido substituidos por uma luta na lama em biquini. Estou a falar a sério, pelo que, naturalmente, terei que tirar da noção de população masculina aqueles tipos que, sendo homens, procuram estar em contacto íntimo — mental e físico — com o seu lado feminino, como os que escrevem no Expresso, à espera que isso os faça sacar mais gajas (talvez faça: algumas gostam de ver homens a fazer figuras tristes).

Eu é que sou uma mulher a sério.

Bem sei que ambas as senhoras disseram ser bem casadas, com homens muito bons. Não sei onde os arranjaram, mas suspeito que simplesmente não os conhecem assim tão bem, o que me parece positivo, quer para ela, quer para ele. Todos os casamentos têm uma aura de magia, e quem sou eu para a estragar? Mesmo assim, não deixo de pensar que ambas estão a competir pela atenção do leitor da mesma forma que, em tempos passados ou presentes se na casa de jornalistas namoradas de governantes, se exibiam dotes de trato e ancas parideiras em bailes de debutantes.

Não, isso diminui as mulheres. Mulher que é mulher é como eu.

Enquanto uma acha que a maternidade é bué da fixe com electrodomésticos inovadores da General Electric, como uma batedeira mágica azul turquesa que permite fazer apple pie, outra acha que limpar a casa retira tempo ao seu cargo de CEO-CFO-C-qualquer-coisa-O de empreendedora-inovadora-em cluster-estratégico-Quesado em plena integração com a felicidade da maternidade Dodot descartável. Para mim, tanto me faz, desde que possa ver o jogo de futebol em paz.

Essa cerveja não vai sair do frigorífico sozinha.

Isto já sou eu a imaginar ambos os maridos, muito bons, a assistirem a episódios antigos do L Word enquantos elas escreviam os artigos. E, se todos podemos viver na fantasia de que falar “das mulheres” serve para alguma coisa, também eu posso ter as fantasias que quiser.

E então, em que ficamos?

Ficamos como está. Falar sobre o que deve ser a mulher é como falar do tempo. É conversa de circunstância, para se dizer no elevador de forma a ninguém estar calado. Que o medo do silêncio (e sim, vejo a auto-crítica aqui contida) não se amplifique para outras descrições do que devem ser as coisas, como a descrição do caminhar como sendo um pé para a frente seguido do outro um pouquinhio mais à frente ainda.

E então, essa cerveja vem ou não?

Anúncios
7 comentários leave one →
  1. 27 Fevereiro, 2019 15:17

    pois, uma pessoa a achar que a sociedade já tinha maturidade para aceitar que cada um vive como quer e zás, uma data de gente a querer impingir modelos.

    Liked by 1 person

  2. JgMenos permalink
    27 Fevereiro, 2019 16:30

    O orgulho maior da besta sapiens é ignorar uns centos de mil milhões de anos de processos genéticos e reinventar-se… porque sim!

    Gostar

    • Jornaleco permalink
      28 Fevereiro, 2019 10:18

      @JgMenos

      Quem é o culpado, de toda a porcaria em Portugal? O socialismo.
      Quem é que destruiu o ensino em Portugal? O socialismo.

      O socialismo é a religião do ateísmo.

      Eu não sei por onde V. Exa andou, e se fica indignado, por tratar a você com respeito, mas, de ciências naturais, nada, nadinha percebe. Falta-lhe o pensamento exacto e correcto para chegar ao topo da dita ciência.

      A verdade crua e nua, JgMenos, é a seguinte. E pergunte aos padres, monges, frades e também às bruxas, da sociedade moderna, no caso que souber pôr perguntas rigorosas.

      Até hoje, até hoje, eu repito, não existe nenhuma prova disso. A ideologia mais trafulha, mais burra, é a do ateísmo. Sem dúvida nenhuma.

      Se percebesse algo dos métodos da ciência, conseguia seguir o meu pensamento.

      Mas nem no Restelo sabem as coisas. Nem lá. Quem desconhecer os limites do saber, não é inteligente e não percebeu nadinha da ciência. Nadinha!!

      E repetir afirmações puramente religiosas, da igreja do ateísmo, sem reflectir, é mesmo barato. Do mais barato.

      Até o idiota Immanuel Kant reconheceu um pormenor, a que ele não deu a devida atenção, porque no cabo, ele não foi mais que um burro. Um burro da classe dos ricos. Que o usaram para os seus interesses. Como hoje.

      Esqueça isso da genética, querido o não-querido. Como queira. Agora dar lições em ciência. Pare com essas tontarias. A genética comprova que o ateísmo mente. Claramente.

      Gostar

  3. MJRB permalink
    27 Fevereiro, 2019 18:18

    Post elementar, VCunha.

    Até já há quem não queira que chamem fulano tal homens nem fulana, mulheres, mas sim e unicamente “humanos”. Mais, querem que “humanos” sejam tartados como “pais” ou “avôs” de cães, de gatos…
    Se o vírus não for eliminado a tempo…
    Tudo o que está a acontecer, com a passividade deste desgoverno e do hipnotizador instalado em Belém.

    Gostar

  4. MJRB permalink
    27 Fevereiro, 2019 18:33

    Se essa perigosa e outras crescentes idiotices vingarem nas sociedades, dentro de 50 anos vai ser problemático um homem-macho(!) ou uma mulher elegante, feminina, apresentar-se, assumir-se como tal…

    Gostar

  5. 27 Fevereiro, 2019 20:40

    Vou falar a sério, como filho, marido e pai de mulheres que são profissionais, sem deixarem de ser mulheres. E como filho e irmão de homens que são profissionais sem deixarem de ser homens – perceberam o toquezinho igualitário, bem pensante e até modernaço?- associo estas polémicas à linha artística Mário Viegas, à linha política Sinhozinho Malta e ao escalão etário da pré puberdade.

    Did You Know What I Mean?
    Ah, pois.

    Pronto, animai-vos.

    Gostar

Trackbacks

  1. É uma espécie de férias | BLASFÉMIAS

Indigne-se aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: