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Do bom gosto e da má fé

30 Junho, 2019

O que está em causa no edifício Coutinho não é se gostamos ou não do edifício. Note-se contudo que se o critério para o “bom gosto” for o  “enquadrar na paisagem” ou o  gigantismo  derrubaremos este moderno edifício 65306193_10213929651825809_1885165466675052544_n

Ou este bem mais antigo

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O que está em causa é cada um de nós poder ser corrido da sua casa, casa essa legalmente construída, pela qual pagou todas as contribuições, taxas e licenças devidas e cumpriu os vários regulamenros, unicamente porque um primeiro-ministro, um ministro ou um presidente de câmara não gostam dela. O edifício Coutinho não tem de ser demolido para ali passar  uma estrada ou fazer algo que especificamente só pode ser construído naquele local. Trata-se sim de ordenar aos residentes que desamparem  a loja  porque quem manda não gosta do que vê.

 

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22 comentários leave one →
  1. Luis permalink
    30 Junho, 2019 16:12

    Mas isto já vem acontecento há muito tempo pelo país. Os jornalistas é que não querem saber. Conheço dois casos de proprietários de restaurantes no Algarve que têm tudo legal e com licença, gastaram lá dinheiro em obras há anos e recentemente a Câmara propôs demolir tudo para «reconverter». Depois de «reconverter» metem lá um mamarracho de madeira que é arrendado em concurso público por dez anos com uma renda exagerada e uma série de obrigações. Os donos dos restaurantes recusaram e ameaçaram com tribunal, só que entretanto a câmara está falida e recuou. Mas aconteceu na praia ao lado há uns 12 anos, demoliram os restaurantes, não deram indemnização e os proprietários ainda tiveram que pagar as limpezas dos entulhos. Nas tais «requalificações» metem centenas de metros de passadiços em cima das dunas a acompanhar a linha da costa, como se toda a vida as pessas não tivessem caminhado na area, que custam um fortuna. Aliás pelo andar da carruagem caminhamos para sermos os campeões dos passadiços, que se tornaram as novas rotundas de Portugal. Não conheço país na Europa com tanto passadiço em madeira. Quando a moda passar, seria útil percebermos quanto custou a brincadeira e quanto custará manter os tais passadiços.

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    • Carlos Rosa permalink
      1 Julho, 2019 01:11

      O Edifício Coutinho até tem uma construção Robusta. Os moradores deviam era requerer na Câmara a alteração da licença de utilização para castelo. Depois os moradores só precisavam de adquirir armamento para a sua defesa.

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  2. Luis permalink
    30 Junho, 2019 16:14

    Já agora, o que é feito daquele proprietário em Lisboa cujo edifício ia ser demolido? O tal que quis fazer obras que não foram autorizadas por o edifício ter paredes anteriores ao terramoto, mas que agora poderá ser demolido para ser feita uma mesquita à força que pelos vistos nem os praticantes querem? Por que carga de água os jornalistas não dão voz à indignação de quem lá mora e vai ficar sem casa?

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  3. MJRB permalink
    30 Junho, 2019 16:26

    Post na mouche !

    Aqueles dois edifícios na Linha não podem ser demolidos porque estão “na linha” de interesses cinzentões e habitados por gente com bastante poder económico, político, futebolístico, empresarial e até judicial. Inquestionáveis e intocáveis para sempre.
    O Convento de Mafra safa-se porque o clube de futebol local já tem estádio e os militares estão bem instalados. Mas a sua fabulosa biblioteca, pinturas, esculturas e restante património não está a salvo se um qualquer ministro dos santos entender alugá-lo ou vendê-lo a chineses ou árabes para a massaroca pagar uma arena comercial e de espectáculos (com o nome do edil, caso em Elvas) mesmo ao lado. Ou vender esculturas para a artista do regime valorizá-las envolvendo-as com rendas e penduricalhos para encanto dos seus amigos e compinchas AC-DC, MCThomaz e não só.

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  4. Luis permalink
    30 Junho, 2019 16:27

    A xuxalha admira o aventaleiro Marquês de Pombal com veneração. O Marquês é pai de tudo isto, só que os tempos são outros e o sistema refinou-se e moderou-se. Quando os pescadores de Monte Gordo recusaram abandonar as cabanas de madeira para ir ocupar as casas recém terminadas em Vila Real de Santo António o Marquês ordenou que as cabanas de madeira fossem incendiadas. Os pescadores fugiram para La Higuerita, onde fundaram a cidade de Isla Cristina, do outro lado da fronteira. A cidade de VRSA foi fundada para que uma companhia tivesse o monopólio das pescas na região. Os pescadores locais vendiam o peixe da costa do sotavento do outro lado do Guadiana, onde os impostos eram muito mais baixos.

    Mas há mais. O Marquês de Pombal enriqueceu como ninguém no cargo com corrupção, com a venda ilegal de uvas da Estremadura das suas terras e de terras da região à Companhia do Alto Douro. Este foi o mesmo homem que permitiu a condenação à morte de muitos dos que participaram na revolta popular contra o encerramento das tascas no Porto e a criação do monopólio dos vinhos.

    O Ratton descreve as empresas e companhias como ninhos de nepotismo, de gente analfabeta que não percebia nada do assunto e esta lá por compadrio. O ouro entrou em abundância até ao final do século XVIII e o Marquês governou, diga-se, com vacas gordas. É talvez o grande pai do estatismo e do modelo socialista aventaleiro em Portugal.

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    • MJRB permalink
      30 Junho, 2019 16:33

      Porque refere o Marquês, lembrei-me daquele mamarracho que parece vai ser construído no Largo do Rato…

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    • André Miguel permalink
      30 Junho, 2019 20:27

      Diga-se também que o Marquês foi o primeiro a condenar o Alentejo à idade média proibindo a produção de vinho e obrigando a culturas com menor produtividade (cereais), Salazar continuou com a imbecilidade, o PREC afundou ainda mais a região, e foi preciso a UE para dizer o óbvio. Conclusão: hoje o Alentejo tem 50% da quota de mercado dos vinhos em Portugal. Douro? Protegido desde sempre pelo poder político, bastou este terminar para mostrar a realidade.

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      • Luis permalink
        30 Junho, 2019 21:36

        Muito bem visto. Mas o problema já vem da Idade Média. Era mais lucrativo para os lavradores ter oliveira, vinho e carne, e exportar para o Norte da Europa. Por isso apareceu a lei das Sesmarias com o D.Fernando, pois os senhores eram pagos em cereais e não ganhavam com o comércio. Isto entra numa luta que vem da Idade Média entre o país que trabalha e produz e o país dos senhores. Hoje os senhores são os membros dos partidos e os seus aios são os funcionários públicos. E o sector privado são os mercadores, lavradores e cristãos-novos do passado.

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    • JPT permalink
      1 Julho, 2019 10:16

      Quando o Lavoura e a/o Zazie são as referência de sanidade e senso num blogue está tudo dito.

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  5. Luís Lavoura permalink
    30 Junho, 2019 16:46

    O problema não é cada um de nós poder ser expulso de sua casa. Isso não é um problema terrível, dado que se é indemnizado. As pessoas do prédio Coutinho foram indemnizadas, supostamente com um valor justo.

    O problema é ser gasto dinheiro dos contribuintes a comprar uma coisa para a demolir.

    De qualquer forma, esse foi um problema do passado. O dinheiro já foi gasto e pago. Agora já não é tempo de discutir isso. Agora o prédio tem que ser desocupado, uma vez que quem lá permanece está na ilegalidade.

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    • 30 Junho, 2019 18:26

      Pela primeira vez em décadas de blogo, estou de acordo com as lavouradas.

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    • 30 Junho, 2019 18:29

      Isto é cretino porque há décadas que andam a travar a demolição para conseguirem ainda mais pipa em troca.
      É ciganice e mais nada.

      Como as democracias são assim, frouxas, depois temos este lindo espectáculo em directo.
      A lei permite deitar abaixo com os tipos lá dentro.

      A lei não permite ir lá tirar os malucos cá para fora.

      E ainda o Velho de Restelo me vinha com a treta da moral ser o consenso da maioria.

      Então não é. A lei é esta palhaçada.

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    • 30 Junho, 2019 20:20

      NÃO ESTÁ ILEGAL, COISA NENHUMA, POIS NÃO ACEITARAM AS INDEMNIZAÇÕES, NEM ASSINARAM QUALQUER VENDA….

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    • Miguel Dias permalink
      30 Junho, 2019 23:23

      “As pessoas do prédio Coutinho foram indemnizadas, supostamente com um valor justo.”

      Quem é que determinou nesta situação o valor justo? Alguma entidade imparcial? E se algum proprietário não desejar vender?
      As pessoas que ainda vivem no referido Prédio não receberem qualquer indemnização, recusaram-nas portanto não estão a ocupar território que não lhes pertença.

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  6. maria permalink
    30 Junho, 2019 18:11

    XUXA não engana ninguém, está sempre no contra

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  7. 30 Junho, 2019 18:19

    E derrubava bem o primeiro. O segundo, por mim, idem, mas a patine do tempo já o preserva da implosão.

    O Coutinho ontem já era tarde. Acho que só por novo-riquismo tuga se construíram tantos coutinhos, impunemente.

    O que detesto de Portugal está espelhado neste tipo de falácias argumentativas.

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  8. 30 Junho, 2019 18:26

    Pagaram e há 20 anso que andam com a fita a fazer render o peixe e não “deslargam”.

    Fuçanga. Por 230 mil largar aquilo é sorte grande, Mas há povão assim, com esta ganância no sangue.

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  9. MJRB permalink
    30 Junho, 2019 19:12

    “Pensado bem”, afinal na primeira foto eu se autarca, mandaria derrubar o histórico palacete à frente e outras formidáveis vivendas com oitenta ou cem anos, espaços ajardinados, tudo, mesmo tudo o que estivesse à volta dos edifícios “do futuro”. Mandava a arquitectura “da Linha” às malvas e viva o dinheiro (qual a origem e parte do destino não interessa) mais os carreiras incultos e a roseta na cabeça da lista.

    Na segunda foto, mantinha o que está, nada venderia nem alugaria e mandava construir à frente e pegado (com entrada directa para o convento) um centro comercial/arena com o nome da minha amante.

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  10. Velho do Restelo permalink
    1 Julho, 2019 10:56

    Helena, subscrevo na totalidade!
    Essas presumidas autoridades da “estética” e do “bom gosto” não passam de INVEJOSOS que nunca tiveram casa própria, e tal como o tio Celito defendem que viver em casa alugada é que é bom!
    Por isso nunca poderão entender o desespero de alguém que investiu toda a energia duma vida para ter uma certa casa ( sim não é uma casa qualquer ao gosto dum pulha qualquer, é aquela e pronto), e no fim, quando já não tem força para lhes fazer frente, vêm os abutres cheios de autoridade “moral”, com uma orda de invejosos por tráz, expulsar velhos da sua casa!
    Onde está esse grande interesse público que justifica tamanha indignidade ?
    Na questão das florestas, o Costa explicou que entre o valor da propriedade (florestal) e a vida, obviamente optava por defender a vida! Dá para entender o conceito …
    Mas agora os valores em causa são diferentes :
    » Em vez da propriedade florestal temos a “habitação de pessoas” !
    » Em vez da vida temos o quê ? O bom gosto da Zazie ? Porra, basta ver o profile aqui do Blas…

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    • Velho do Restelo permalink
      1 Julho, 2019 11:05

      correcção : “…orda de invejosos por trás…”

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  11. Daniel Ferreira permalink
    1 Julho, 2019 11:16

    Não sei do que se queixam, esta gente noutros países tira os inquilinos que sempre lá moraram com um arma apontada à nuca e com as “TV’s” a dizerem que os coagidos é que são os terroristas…
    A Palestinização dos tugas continua, full speed ahead

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