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Rompe, rasga, quebra e torna a partir

24 Janeiro, 2020

Uma característica interessante de Portugal é a capacidade com que desfazemos o que custou a construir, tentando refazer várias vezes as coisas com a mesma pompa pueril de uma criança que julga ter descoberto a roda. Eu chamo-lhe o Princípio da IP5. A série de circunstâncias especiais que levaram Passos Coelho a primeiro-ministro naquela precisa altura, aparentando ser possível sedimentar alguma cultura de direita e originando frutos na vitória eleitoral subsequente, rapidamente se tornou num rude golpe aos esperançosos no início da evolução do país para algo menos patético. Mal o Partido Socialista e os companheiros na Geringonça tomaram conta da frágil situação, a direita tratou, de formas que variam entre o trágico e o cómico, de assegurar que não passaria mais de uma semana sem tentativa de suicídio.

Dos “jornais de direita” recheados de redacções marxistas aos carreiristas que saltam de partido em busca no novo ovo com o mesmo afinco com que um ciclista rapa as pernas, passando pelas sucessivas declarações “somos um partido de centro” como um feirante a anunciar que as calças de ganga são produto nacional e não chinês, o termo certo para este incómodo que leva a crises identitárias de eixos é o velho monstrinho verde da inveja. Inveja pela esquerda, que sabe federar-se mesmo quando diz que não o faz desde as famosas “forças de bloqueio”; inveja pelos lugares disponíveis para quem souber aguentar as virtudes da ausência de opinião própria; inveja pelo que poderia ser se a Suíça fosse aqui, apesar de não o ser. Multiplicando-se em novos partidos, como coelhos, cada um tem que deixar a sua marca pessoal, o seu estilo, a sua visão romântica e floreada para o desígnio único que consiste em apoderar-se do aparelho do estado.

Aparecem novas esperanças, alguém em quem ter fé, assimilando o velho espírito de que um Ronaldo há-de sempre aparecer num clube de quem, até então, ninguém ouviu falar. Afinam-se os discursos, mais -ismo para aqui, menos -ismo para acolá, como uma receita, um Kama Sutra ideológico que nos levará definitivamente a continuar frustrados por não ir a lado algum. Ruptura! Ruptura com o que ontem defendíamos e amanhã voltaremos a defender.

Um circo de marionetas, mas sem humor.

12 comentários leave one →
  1. 24 Janeiro, 2020 17:17

    “Inveja pela esquerda, que sabe federar-se mesmo quando diz que não o faz”

    Vamos lá ver – federações de direita: a AD, a candidatura presidencial de Freitas do Amaral. a coligação Força Portugal, a coligação PaF, e, pós-eleitoralmente, os governos de Durão Barroso, Santana Lopes e Passos Coelho

    Federações de esquerda: a segunda volta (e só na segunda volta) das presidenciais de 86 e a geringonça (pós-eleitoral). [bem, e a candidatura de Sampaio à Câmara de Lisboa, mas então também temos a candidatura de Caçorino à Câmara de Portimão a contar para as federações de direita]

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    • 24 Janeiro, 2020 17:23

      Miguel, o que é o Bloco de Esquerda?

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      • 25 Janeiro, 2020 05:12

        Bem, efetivamente é o resultado de uma federação de 2/3/4 partidos (conforme fizermos a conta) de esquerda, mas é (e sobretudo era, quando foi criado) uma parte infima da esquerda, enquanto que a AD e as “ADs” agrupavam quase toda a direita (ok, culpa minha – eu deveria ter escrito “federações da esquerda” e não “federações de esquerda”).

        E, sobretudo, para o PSR, UDP, PXXI e FER se terem fundido, antes teve que haver uma historial de faz-disfaz que levou à existência de esses partidos (praticamente só em 2019 é que a direita portuguesa adotou o hábito das cisões – até então penso que não tinha havido nada semelhante à cisão do PSR e da futura FER, ou a cisão da cisão do PCP que deu origem à PXXI, ou mesmo a cisão da OCPO face, primeiro à UDP e depois à FER).

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      • 25 Janeiro, 2020 08:07

        O Bloco de Esquerda é um sucesso na evolução natural das constantes cisões de grupos marxistas obtidos nas Internacionais no século XX. À medida que a afirmação de pureza ideológica foi caindo, foi ficando uma doutrina comum, menos afastada de dogmas, mais enraizada em princípios comuns. Mais acção, menos filosofia. O Bloco de Esquerda parece-me o resultado da abdicação de leninismo, estalinismo, trotskyismo em torno da ideia básica do socialismo, como “OK, não vamos tomar os meios de produção de forma violenta por revolucionária” e sim através do exercício da política pela legitimidade democrática.

        A direita está a fazer o caminho contrário, com “podemos federar diferentes concepções dos limites de intervenção estatal, mas só se for em torno da minha seita”. A direita está a realizar as suas Internacionais, a separar-se em múltiplos partidos tudo em torno de uma pureza ideológica que está, efectivamente, a tornar meras doutrinas em verdadeiras ideologias.

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      • Jornaleca permalink
        25 Janeiro, 2020 09:00

        Mas aqui está novamente o velho problema. O problema da definição. A ciência já não define assim, como copiou de Aristóteles. Ele enganou-se.

        O termo “direita” leva a muitos enganos no pensamento. Porque, qualquer ser humano inteligente, deve consultar agora o autor, e perguntar-lhe, como é que ele define, o que é que ele, o autor, entende como direita?

        Por que todos seres humanos tem uma visão diferente, do que significa a palavra “direita”. E leva a muita conversa, muito tempo perdido, a chegar a um acordo, que pouco provável será possível. Todos terão uma versão diferente do que é que é a tal coisa: direita. E ninguém quererá cedere ao outro. Todos sabem “tudo”, mas ninguém se entende.

        Assim passa o tempo, discussões sem valor, só para alçar e promover o próprio ego.

        Este país não precisa de conversas inutéis. Conversas nada vão mudar.

        O que este país verdadeiramente precisa, são pessoas honestas, que mantêm a palavra dada, que a querem manter, ,que respeitam o que os outros dizem, que fazem o que prometeram.

        Só o facto, de alguém, dizer que o CDS e o PSD são de direita, isso nada significa. Não é, nunca foi a propaganda que conta, mas os actos.

        Eu não vejo, onde é que o CDS ou o PSD sejam de direita.

        Uma definição, hoje, já não se lê da esquerda para a direita. Mas da direita para a esquerda. Falo claro?

        É só o conteúdo que define o termo. O conteúdo de qualquer definição está sempre à direita. E depois dá-se o rótulo apropriado. Para todos entenderem o que significa.

        Só se alguém manter os valores da direita, é que é da direita. Pregar água e beber vinho, não convence ninguém.

        Quem defender valores da esquerda putana, é da esquerda. Pode chamar-se como quiser. Não vale. é engano.

        Quantos aqui leram o discurso de Trump dem Davos, que é comprido e quase ninguém da esquerda tem paciência para o ler até ao fim?

        O discurso é uma prova dos valores da tal direita. Trump é excelente.

        Se aqui soubessem o que ele antingiu, por própria competência, muitos aqui morrariam de vergonha na cara.

        Trump fez mais pela liberdade, do que toda a esquerda putana o qualquer liberal.

        Trump criou muitos empregos. A esquerda não acreditava. Agora, com o trabalho de Trump, a esquerda perdeu mais credibilidade.

        Trump derrotou os fascistas chineses, que não respeitam os tais direitos humanos, NÃO QUEREM RESPEITAR!! UM CRIME!!!!

        Trump obrigou os chineses a respeitar o comércio internacional. Os chineses não queriam. É igual o que os jornalistas escrevem. Eles mentem, se não o dizerem assim, como eu.

        Trump agora vai atacar os idiotas e corruptos da esquerda putana na UE, que diz, serem piores que os comunistas chineses.

        Qual português é que sabe disto?
        E daqueles que teriam a obrigação de o saber e promover?

        Agora percebe-se, porque é que a tal esquerda putana, anda a mentir, a cometer crimes, contra Trump, já antes de ele ter sido eleito. É um crime, mentir sobre um trabalhador excelente. E Trump é mesmo isso.

        Eu sou independente, mesmo em Portugal, de toda essa canalha da esquerda. A minha vida não é afectada por essas putas. Nunca na vida. Eles vão empobrecer, comer esterco um dia, mas eu não.

        Eu sei conduzir a minha vida, com sucesso.

        Mais vale ser menos rico e livre, do que se meter com esse esterco podre da esquerda, que nada sabe do funcionamento e dos desejos do ser humano.

        É só roubar. A inveja leva a isto. E querem mandar nos outros.

        Mas em mim, nenhum cabrão socialista manda. Impossível.

        Eu sou a direita portuguesa e internacional.

        O resto é conversa para perder tempo.

        A direita existe, é só preciso praticar os valores da direita. É a esquerda que não quer justiça.

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      • 25 Janeiro, 2020 11:09

        Pode facilmente definir “a direita” por:

        Todo e qualquer ser que não sente necessidade de se afirmar de esquerda.

        Para mim, serve. Aliás, tem servido sempre para os eleitores.

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      • Jornaleca permalink
        25 Janeiro, 2020 12:58

        Caro @vitorcunha,
        falando assim, já se trabalha muito melhor. A sua proposta, a sua definição escolhida é uma boa base e tem uma certa elegância.

        Baseando-me na sua definição, que não é errada, nem “certa”, é uma descrição, uma base, um fundamento para pensar para a frente, eu pessoalmente, tenho só um partido em votar.

        E nenhum deles se chama CDS ou PSD.

        A minha desilusão começou o mais tardar com uma decisão no parlamento em Bruxelas, uns anos atrás. E eu fiquei chocado, como até deputados do CDS, não todos, mas alguns, e sobretudo muitos do PSD, quiseram votar.

        Depois, eu sei, que na Alemanha, quem não é da esquerda, segundo a sua valiosa definição, não se identificar com ela, já é perseguido.

        Ameaçam os donos de restaurantes, queimam os carros de todos que não querem ser da esquerda. Fazem protestos falsos. Os jornalistas mentem.

        Já não existe liberdade de expressão na Alemanha. Há tanto a dizer, e ninguém quer ouvir, escutar.

        A esquerda mente como quer. 98 por cento da comunicação social está corrupta, e nas mãos da esquerda radical e sem vergonha.

        E também partidos, que dantes eram da direita, hoje mudar de conteúdo. A única coisa em comum, com o passado, é só o rótulo da definição. Agora todos querem ser de esquerda. E quem o não é, eles já tem como o Hitler naquele tempo, a juventude preparada para usar a força.

        A lei obriga a demonstrar com a cara destapada. Quem o não fizer, deve ser castigado. Mas a juventude da esquerda faz o contrário, e (!) não é castigada. E se for, o que é muito raro, é para rir, para fazer troça.

        Dez anos atrás, ao actual ministro da finanças na Alemanha, escapou-lhe uma frase, de propósito ou não, não sabemos ao certo, mas mostrou a verdadeira cara da esquerda fascista: tirar, roubar o poder dos pais sobre os filhos e dar esse só ao estado fascista da esquerda. Isto é um crime.

        Mas esse filha da puta continouo no poder, nada lhe sucedeu.

        E agora aqui ao lado, em Espanha? Um conjunto de criminosos, socialistas, comunistas (um casal comunista com casa de mais de 600.000 EUR a norte de Madrid) e um partido terrorista, que mata seres humanos sem vergonha na cara, a exigir o mesmo e que o vão fazer: retirar o poder aos pais, na educação dos filhos.

        Isto é um acto de guerra. Mas, o que é que esses filhos da puta pensam que são? Isto já não é nenhuma democracia, Eles não respeitam leis, nenhuns compromissos e querem educar todos só à maneira deles?

        Quem guerra quer, guerra terá!!

        Muitos alemães altamente qualificados, estão a deixar a Alemanha. Quem sabe isto? E ao mesmo tempo a entrar só bárbaros muçulmanos.

        Não, eu não quero ter nada com este esterco, que não respeita o ser humano e não quer conviver comigo em paz, deixando-me em paz.

        Eu estou ao lado de Trump. Firmemente, sem ceder um milímetro.

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  2. MJRB permalink
    24 Janeiro, 2020 18:35

    O caos já está institucionalizado desde há anos e cada vez mais despudorado. Alegremente aceite e vivó disco óptico accionado pelo MCThomaz, pelo AC-DC e seus estafetas.

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  3. lucklucky permalink
    24 Janeiro, 2020 21:41

    A “direita” tem muito respeitinho pela Overton Window permitida pelo jornalismo marxista.

    Pois pensam pensam que para se promoverem = terem votos têm de ter uma secção fotográfica com ângulos artísticos de 4 páginas num jornal de cultura marxista tipo Expresso.

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    • Jornaleca permalink
      25 Janeiro, 2020 13:11

      Essa sua critica, não dever ser justa. O que você aqui chama, direita, defende valores da esquerda. É tudo a mesma porcaria.

      Um problema desta país, é a constituição, a nossa constituição, que dizem, é uma das dez piores deste mundo.

      Se houver direita neste país, ela terá que lutar e promover a mudança dessa, para podemos sair deste pântano.

      Enquanto a fábrica socialista e a esquerda fascista controlar a produção, só vão produzir seres humanos estúpidos, sem coração, que negam uma existência superior, porque eles próprios querem ser seres superiores, querem ser como deuses. Isto implica poder fazer o que cada um quer, sem qualquer respeito, perante o próximo.

      A esquerda fascista está muito melhor organizada, do que os adversários. Eles infiltraram tudo de relevante. Para chegar aqui.

      A ateísmo nunca prometeu justiça e não a quer. Todos que chegam ao topo da hierarquia nunca serão castigados, com castigos, que mereçam esse nome.

      O socialismo leva sempre a um estado no caos. Mais tarde ou mais cedo.

      Mas porque é que você pensa, que os gajos odeiam tanto o Trump? Eles sabem muito bem, que ele é muito melhor que eles. E assim uma grande ameaça. Et cetera.

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  4. Perigoso Neoliberal permalink
    25 Janeiro, 2020 02:02

    É posta atrás de posta baseada no mito da direita portuguesa…
    Os nomes não enganam:
    – Partido Social Democrata é meeeesmo isso, ou seja, um partido de centro ou centro-esquerda, conforme o ponto de vista.
    – Centro Democrático Social é meeeesmo de centro.

    Entender isto é simples e evita desilusões quando os ouvimos afirmarem ser aquilo que são, “de centro”, ou quando os vemos no governo a comportarem-se como sociais democratas.

    Não é defeito, é feitio.

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  5. lucklucky permalink
    25 Janeiro, 2020 11:43

    Errado.
    A direita morreu em 2005 quando o Governo Durão aceitou ser intimidado para não realizar o seu programa de Governo. Foi aí que também acabou a democracia. Hoje um governo de direita eleito nunca será permitido cumprir o programa sufragado.

    Não percebo a referência a Passos como se fosse exemplo de algo com algum significado político. Ele não mudou nada.

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