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A infância

25 Abril, 2020

Um governo serve para gerir – diz-se – a vontade popular. Vai daí, a minha conclusão é que as pessoas querem que o governo as mande ficar em casa. Portanto, estamos na fase de desenvolvimento que normalmente se chama de infância. Quando chegarmos à adolescência bem que o papá pode mandar isto e aquilo na solidão das quatro paredes. Ah, a angústia da descoberta sobre o que aconteceu ao dócil menino que ainda há meses cumpria ordens. Felizmente, os portugueses ainda não são adolescentes. Se o papá manda, o português cumpre. É por isso que não gosto da comparação com corno manso: o português ainda não tem idade para pensar nessas coisas, quanto mais para cair em tentações.

18 comentários leave one →
  1. Mario Figueiredo permalink
    25 Abril, 2020 13:32

    Entretanto o Costa diz aos Portugueses que lá porque se vai levantar o estado de emergência os Portugueses têm de obedecer ao confinamento e o Governo têm os mecanismos para os obrigar a isso mesmo. Passou ao lado de muitos esta afirmação.

    No dia seguinte, quando alguém lá lhe deve ter dito que isto ainda é um estado de direito democrático e o governo não tem esses poderes coisa nenhuma, lá se lembrou então de estudar passar a situação de calamidade.

    Os tiques autocráticos.

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  2. 25 Abril, 2020 13:54

    Mario Figueiredo, o que está subjacente é a ilusão da Liberdade existir hoje numa qualquer “Democracia representativa”. Essa Liberdade talvez continue só a existir em UK, onde o modelo de escolha não é em listas partidárias mas num qualquer deputado concreto em cada circulo, e eles lá são do tamanho de um Concelho médio em Portugal.
    Assim o Parlamento tem, ao menos, um P grande, pois cada deputado, embora pertença a um partido, não depende do partido para concorrer, só assim é ele próprio Livre e responde directamente como pessoa concreta aos seus eleitores concretos.
    Cá, temos a palhaçada da “Democracia Social” Europeia, que tal como a CE ou UE, funciona por círculos concêntricos que filtram, por cada nível de Poder, representatividade até se chegar a um inner circle facilmente constituído pelos poderes que nada tem a ver com o Povo que, supostamente, mas nada sendo assim, os elegeu.
    Para isto, antes uma Acção Nacional Popular que só subsiste enquanto maioritariamente apoiada pela Nação.
    A propósito: Abaixo a Globalização!!!

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    • Zé Manel Tonto permalink
      25 Abril, 2020 15:42

      ““Democracia representativa”. Essa Liberdade talvez continue só a existir em UK”

      O que não impede que, deste lado do canal, o Governo tenha imposto um estado policial semelhante.

      Só não é pior porque, por circunstâncias felizes, o corona apanhou o uk numa fase em que o pêndulo eleitoral tombou para centro direita. Estivesse na fase canhota, como em Portugal ou Espanha, e isto era tão 1984 como aí.

      Eu pensei, durante bastante tempo, que um sistema como o UK, e mais ainda como nos USA, em que há um segundo nível no Senado com coesão territorial, poderiam ser melhores que o sistema mais usado na Europa Continental.

      Mas é uma ilusão.

      O problema não está no sistema. O problema está nos eleitores. Mais concretamente em quem tem direito de voto. Enquanto bastar ter nacionalidade de um país para votar, o melhor que um governo pode fazer é gerir a decadência.

      Porque se muitos podem votar para si o dinheiro de poucos, fazem-no.

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    • Filipe Bastos permalink
      25 Abril, 2020 17:31

      “Porque se muitos podem votar para si o dinheiro de poucos, fazem-no.”

      A lógica – i.e. a lógica direitalha – diria que sim; mas não o fazem, Zé Tonto. Não o fazem.

      Veja os resultados do PCP de 75 até hoje, ou até os resultados do Berloque, comparados aos do Centrão Podre.

      O povo teria todo o interesse na redistribuição, mas não vota por ela. Prefere votar no PS e no PSD, ambos fantoches da Banca e outros mamões – EDP, Golpe, grandes empresas.

      E noutros países é ainda mais assim: em muitos nem há esquerda ‘a sério’, só centro-esquerda. Embora haja muito mais pobres e remediados do que ricos, os votos, os governos e as políticas não reflectem isso.

      Porque acha que é assim, Zé Tonto?

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      • Zé Manel Tonto permalink
        25 Abril, 2020 23:44

        Filipe, olhe que não, como dizia o outro.

        Cerca de 50% da população paga nada de IRS. 15% pagam 85% do IRS. Quer redistribuir mais? Não é preciso PCP para redistribuir, a “direita” a que temos direito faz o trabalho.

        Até os partidos de dita direita são favoráveis à redistribuição.
        Por um motivo simples, a massa votante paga pouco e recebe muito.

        Qual é o governo na Europa que quer, nem digo terminar com, mas que mais não seja diminuir a despesa, com os serviços nacionais de saúde?
        Nem os republicanos nos states se atrevem a tocar no Medicaid.

        Segurança Social, algum governo propõe alguma coisa, nem digo de radical, mas de voluntária, algo como, quem quiser saltar fora, é livre de o fazer? Claro que não.

        Sufrágio Universal é um erro. Uma maioria vota para si o dinheiro de uma minoria. Se a minoria protesta, a maioria diz, é a democracia.

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      • Jornaleca permalink
        26 Abril, 2020 00:14

        @Zé Manel Inteligente

        O Filipe nada percebe de boa governação. Fazia-lhe bem uns anos na cadeia. Escutar o conselho de quem não sabe?

        Ele até desconhece os pormenores, que você acima acrescentou. Isto é para rir e aqui está um grande problema de Portugal.

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      • Filipe Bastos permalink
        26 Abril, 2020 01:06

        Quero, quero redistribuir mais, Zé.

        Permita-me não chorar ao pensar nos tais 15%: é que só pagam tanto, porque tanto têm. Quem paga pouco ou nada adorava pagar mais: era sinal que tinha mais.

        E os 15% hão-de ficar contentes com a redistribuição, pois deixarão de pagar tanto: passam a ter menos, logo vão pagar menos.

        Devíamos interrogar-nos, como sociedade, é porque têm eles tanto mais que os outros.

        E nenhum governo, diz v., propõe cortar na saúde pública ou na segurança social? Esqueceu-se da famosa austeridade, do TINA tão acarinhado pela direita?

        Ah, mas isso não lhe chega… era eu que me esquecia que v. defende a lei da selva, darwinismo social puro e duro. Desculpe, Zé.

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      • Zé Manel Tonto permalink
        26 Abril, 2020 09:48

        Filipe,

        “Quero, quero redistribuir mais, Zé.”

        Por haver muita gente que pensa assim, contribuindo com zero (~50% da população) é que o sufrágio universal é um erro.
        Muitos dos que pensam assim não lhes custa a redistribuição.
        Lembre-se apenas disto, há sempre alguém que vai achar que o Filipe é um rico (logo que pode pagar mais). Eu já ouvi uma amiga dos coitadinhos, da geração mais bem preparada de sempre, a dizer que quem ganha 1000€ é rico.

        Sabe porque é que eu sou contra impostos altos, ou mesmo impostos, ainda que só para ricos? Porque o conceito de rico é muito elástico.
        Taxa máxima de IRS, quando foi criada (~1910) nos USA, 7% para quem ganhasse (ajustado à inflação) mais de 11,8 milhões de dólares. 100 anos depois, taxa máxima 37% para quem ganhe acima de 466 mil dólares.
        A partir do momento em que há um imposto para os ricos, mais tarde o mais cedo o rico sou eu.

        “Esqueceu-se da famosa austeridade”

        Uma coisa é gastar menos quando não há dinheiro. Outra coisa é gastar menos quando há. E quando há dinheiro, as despesas ditas sociais do Estado só sobem.

        “v. defende a lei da selva, darwinismo social puro e duro”

        Acho hipócrita uma sociedade que ensina as teorias de evolução às crianças nas escolas, implementar sistemas que contrariam essa evolução. As classes baixas têm tantos ou mais filhos que a classe média.
        Já viu o filme Idiocracy?

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      • Filipe Bastos permalink
        26 Abril, 2020 17:27

        Zé Tonto,

        Lembre-se apenas disto, há sempre alguém que vai achar que o Filipe é um rico (logo que pode pagar mais).

        Eu sou rico, Zé, quando comparado a muita, muita gente. À larga maioria do país, quanto mais do planeta.

        Provavelmente o Zé também o é; apenas não tem essa noção. Ou melhor, não quer tê-la.

        Como conhece a história do IRS, saberá que nos anos 50/60 – o pós-guerra, a época mais próspera do Ocidente, quando o capitalismo ainda tinha rival e tinha de agradar à maralha – a taxa máxima andou sempre entre 70% a 90%. E isto nos EUA, a pátria do capitalismo.

        70% a 90%. Foi nesta altura que a qualidade de vida da maioria das pessoas deu o maior salto, com mais trabalho, mais segurança, melhores salários. O que é que isto lhe diz?

        Vi o Idiocracy. Como filme é assim-assim, mas o conceito é original e tem certa piada. Também defende a eugenia? Matar deficientes? Velhos? Pobres?

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  3. George Young permalink
    25 Abril, 2020 14:52

    Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
    Qué miran los poetas madrileños de ahora?
    Qué sienten los poetas portugueses de ahora?

    Liberdade
    que falta faz a liberdade
    Para qualquer idade
    Que sufoco viver sem liberdade

    Cantan con voz de hombre pero, dónde los hombres?
    Con ojos de hombre miran pero, dónde los hombres?
    Con pecho de hombre sienten pero, dónde los hombres?

    Calam-me a voz
    Em nome de todos
    Acobardo-me sem peito
    Sem raça
    Fico em casa
    Observando a desgraça

    Cantan, y cuando cantan parece que están solos
    Miran, y cuando miran parece que están solos
    Sienten, y cuando sienten parece que están solos

    Quem diz diferente
    Passa por incoerente
    Não posso cantar
    Através de um aparelho
    Há sempre alguém que canta
    Sem desafinar
    Insinuando baixinho
    Que me devo calar

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  4. Vasco Silveira permalink
    25 Abril, 2020 16:06

    caro Senhor

    desculpe a correcção: o “corno manso” não é tentado – é enganado; e vive bem com a situação…!

    Cumprimentos

    Vasco Silveira

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  5. Andre Miguel permalink
    25 Abril, 2020 16:28

    Entretanto em Espanha:

    https://www.abc.es/espana/catalunya/politica/abci-convocan-manifestacion-contra-confinamiento-pesar-estado-alarma-estan-quitando-derechos-202004241759_noticia.html

    E em Portugal? Estão a gostar da prisão domiciliária?

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  6. Filipe Bastos permalink
    25 Abril, 2020 17:46

    Um governo serve para gerir – diz-se – a vontade popular.”

    Não conheço ninguém que o diga: não conheço ninguém tão ingénuo, ou tão parvo, que acredite em tal coisa.

    Cada governo, seja PS ou PSD, só é eleito por 20% da população. Nas regras desta partidocracia é quanto baste.

    Ou seja – e meditemos neste número – 80%, quatro quintos da população, não escolheram o governo e nada indica que o queiram.

    Após ser eleito, nenhuma da decisão é objecto de consulta ou de validação popular. Nada. O mesmo vale para cada autarca e cada deputedo.

    Chamar-lhe infância é adequado: o que temos é uma cidadania infantil. O cidadão, o eleitor, o contribuinte, não são tratados como adultos. A sua opinião, a sua experiência, o que quer ou deixa de querer, valem zero.

    De anos a anos, mandam-no ir botar o botinho para validar a bandalheira e o saque. Alguns, praí metade, ainda vão. Ainda.

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    • Leunam permalink
      25 Abril, 2020 19:05

      Concordo consigo:
      “De anos a anos, mandam-no ir botar o botinho para validar a bandalheira e o saque.”

      Mas porquê? Mas porquê?

      Porque o Povo:

      Como aí acima se diz, é acarneirado.
      Não se ilustra, não pensa e não compara, não é crítico com sigo próprio nem com quem o governa, não é auto-disciplinado nem gosta de se auto-aperfeiçoar.
      Aceita toda a espécie de “albardas” sem dizer “nem ai nem ui”, teme as represálias, porque elas podem surgir a qualquer momento: a Santa Inquisição deixou marcas indeléveis!
      Nem toma partido se perceber que tem mesmo que se expor e lutar .
      Vê a política como quem vê um desafio de futebol.
      Aproveita o tempo livre para ir para a praia, no “dolce far niente”
      Não procura ter, por isso, um “Plano B”; resta-lhe a emigração ou a servidão.
      Não sabe o que quer para além das “Sopas e descanso”, do “Pão e circo”, do “P….e vinho verde”, do “Glorioso”, etc., etc.
      Espera sempre por um “D. Sebastião que nos venha governar”.
      E só depois de verdadeiramente “entalado” é que se resolve a defender uma causa mas, a maior parte das vezes, a pensar em si próprio e não no Bem-Comum.
      E quando aparece um governante que põe o País a funcionar dentro das “baias”, mas com bons resultados, “Aqui-d’el-rei” que não há liberdade, que é um ditador.
      A Liberdade e o Pão ganho com honestidade DÃO MUITO TRABALHO a conseguir e a manter.
      Por cá a Gratidão é, quase sempre, esquecida.

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      • Andre Miguel permalink
        25 Abril, 2020 19:35

        O português tem o “inho” entranhado. Tendo uns tostões para o almocinho, para a cervejinha e para o passeiozinho já é feliz. Enriquecer é diabólico. Rico é mamão ou mafioso. Quem não se conforma emigra.

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    • Filipe Bastos permalink
      25 Abril, 2020 20:19

      Leunam: concordo também com tudo que escreveu; tenha apenas cuidado com isso do “bem comum” – soa perigosamente perto dos comunas…

      André Miguel: rico não é sempre mamão ou mafioso; é-o apenas na maioria dos casos. No caso de um país pobre e trafulha como Portugal, praí uns 9 em cada 10. Com sorte.

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  7. Expatriado permalink
    25 Abril, 2020 18:41

    Conforme recebido, passo

    “Azar o deles versus sorte a deles

    19 de Abril de 2020 – Ficamos a saber que existem espalhados por “Hosteis” (nome pomposo baptizado pelos progressistas às antigas pensões), cerca de 1.000 jovens “refugiados”, afro muçulmanos, requerentes de nacionalidade portuguesa.

    Ficamos a saber ainda que estes jovens, só machos, robustos, pujantes, bem tratados são “refugiados” das “terríveis guerras” entre o Egipto e a Costa do Marfim e “tenebrosos conflitos” entre o Burkina Farso e a Eritreia. E que são transportados aos magotes, através de milhares de Kilómetros, pelas ONG’s esquerdistas e recebidos com estrondo pelos governos socialistas de alguns países ocidentais, na efectivação do Plano Kalergi, que mais não visa que a destruição da Europa e da civilização branca ocidental.

    20 de Abril de 2020 – Ficamos a saber que, num desses “hosteis”, situado na Rua Morais Soares, zona multicultural lisboeta, gaudio dos iluminados e superiores pensantes da nossa praça, viviam e eram sustentados com os impostos dos portugueses, cerca de 200 jovens “refugiados”, surgiu um infectado com o Virus Chinês.

    Alarme nas hostes. Impacto monumental. Zona interdita, dezenas de ambulâncias da Cruz Vermelha, Inem, Bombeiros, e 112. Policia. Protecção civil. Pessoal médico. Paramédico. Enfermeiros. Auxiliares. Radios, jornais e emissões em directo nas Televisões. De imediato testes de despistagem a todos os 200 jovens “refugiados”. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos.

    Ao fim de 3 horas resultados céleres dos testes. Afinal não era um, mas 138 positivos. De imediato tudo evacuado e separado com pompa e circunstância com a supervisão dos mais altos dignatários da Camara Municipal de Lisboa. Uns para a Mesquita de Lisboa. Outros para pousadas da juventude. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos

    Às janelas de uma das pousadas, na Rua Andrade Corvo, era vê-los em directo nas varandas, garbosos e aprumados, falando aos telemoveis e de auscultadores na cabeça, para gaudio das jornalistas das Televisões, deslumbradas e impressionadas com porte gracioso e esbelto dos jovens “refugiados”. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos.

    Decisões rápidas à quase velocidade do som. Requisição da Base Aérea da Ota. Todos os 138 infectados são mudados para a base, rapidamente e em força. Base preparada com todos os requisitos médico sanitários e de logística, para receber as importantes personagens de jovens “refugiados”. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos.

    Emissões em directo nas televisões a acompanhar as viaturas de transporte dos jovens “refugiados” de Lisboa para a Ota, onde foram recebidos pelos Majores e Coroneis. Sorte a deles não serem velhos portugueses utentes de Lares de Idosos.

    21 de Abril – Já se sabia dos tristes acontecimentos que tiveram lugar no Lar Nossa Senhora das Dores em Vila Real em que dezenas de portugueses idosos, abandonados pelo SNS, esperaram vários dias por testes e para serem evacuados, com o Vírus Chinês à solta entre os utentes e funcionários, sempre em convívio directo com a morte.

    Soube-se agora que em Gaia dezenas de utentes de lares estiveram 3 dias à espera de testes do SNS e que os mesmos só tiveram lugar com a intervenção directa da Camara Municipal da cidade. Os resultados do SNS chegaram ao fim de 5 dias. A morte chegou antes.

    Azar o deles não serem jovens “refugiados”.”

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