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A nova normalidade

4 Setembro, 2020

A expressão “nova normalidade” mete-me nojo. Se é normalidade é porque é velha, refinada ao longo de muitos anos, com origem em pontos perdidos no longo tecido do tempo; se é nova não é normalidade, é uma anormalidade até que comece a parecer tão normal que de anormal já nada tem.

Parece-me que a expressão é usada pelas pessoas que desejam assegurar que esta aberração histórica se perpetue no tempo. É bem possível que o consigam. A uma dada altura da minha vida apercebi-me que só vale lutar se soubermos de antemão estarmos destinados a perder. Por outro lado, as únicas coisas pelas quais lutar valem a pena são as que menos beneficiam com um perdedor.

Se no futuro estaremos todos mortos, no passado estamos todos de máscara, o hijab laico desse culto pelo Homem Novo, o que considera tudo uma mera construção social. A sorte disto é que a normalidade, a tal “nova normalidade”, é ela própria uma construção social. Portanto, de construção social em construção social lá avançaremos para o fim da construção.

Não é então de surpreender que a “nova normalidade” seja abraçada quer pela esquerda, quer pela direita, quer por socialistas, quer por liberais, quer por conservadores, quer por revolucionários. A nova normalidade é tão normal que não restam mais que uns velhos anormais.

Olho para as pedras do muro que estão cá há mais de 100 anos. Parece-me de granito normal. Não são. São de granito da nova normalidade. Se fossem de granito normal já teriam desistido de suportar o peso que têm sobre as costas.

11 comentários leave one →
  1. Andre Miguel permalink
    4 Setembro, 2020 18:28

    A esquerda vive de causas e conflitos, sem isso não tem razão de existir.
    Perdida a luta de classes, surgiu o ambiente, entretanto já desmascarado, depois as minorias, logo surgiu o racismo, como este também tem os dias contados vem com esta de criar um mundo asséptico, estéril, seguro e fofinho… a luta e o conflito é o alimento da esquerda. Se não há causas, arrajam-se, há sempre “vítimas” para “defender” e descerebrados que comem o que lhes metem no prato sem questionar.

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    • carlos rosa permalink
      4 Setembro, 2020 23:07

      Mas a Esquerda tem um líder natural em Portugal. Um estadista de gabarito. Um homem que com a ajuda do seu séquito está a elevar Portugal ao nível dos países mais desenvolvidos do Mundo.
      Um mobilizador das massas.
      Oiçam os seus discursos e comparem-nos com a apagada e vil tristeza dos discursos do Salazar, um reles governante que deixou Portugal de tanga, falido e endividado.
      Ainda há dias o nosso querido António Costa em Coimbra, fez vibrar a assistência de destacados militantes socialistas com mais um discurso à Sócrates, mobilizador dos portugueses mesmo em tempo de pandemia. É obra.
      Com aquela voz forte e segura de grande homem, anunciou mais investimentos que vão ser alavancas do progresso e do fim da desertificação do interior. Afirmou mesmo que vai acabar com o interior de Portugal construindo grandes ligações viárias junto à fronteira com Espanha. E concretizou na execução para breve das ligações Alguidares de Baixo /Caganita do Meio na Beira-Alta e ainda Cova Funda/Mina do Cascalho no Alentejo Central.
      Portugal agradece!

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  2. Pinto permalink
    4 Setembro, 2020 19:20

    Infelizmente também me parece que há pessoas felizes com esta vida. Normalmente são funcionários públicos (os professores deliram por dentro com a esperança da continuidade das escolas fechadas). Só darão conta quando um qualquer passos coelho lhes voltar a cortar o ordenado. Mas vão culpar essa pessoa sem entender que o dinheiro que lhes cai no bolso é a consequência da produção nacional.

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    • Zé Manel Tonto permalink
      5 Setembro, 2020 13:09

      Fossem só os funcionários públicos…
      A maioria das pessoas que conheço dos tempos da Universidade aceitam todas as medidas com entusiasmo. Alguns estão a viver em países que forçam o uso de máscara na rua, e aprovam.
      Tudo gente com formação superior, na casa dos 30.

      O Português sempre gostou de ser pau mandado.

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      • 5 Setembro, 2020 13:10

        Os mileniais sofreram imenso por nunca terem sido mandados para uma guerra. Como tal, não têm tomates.

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  3. P&V permalink
    4 Setembro, 2020 21:01

    Desconfio que o que estamos a ver é o começo do nosso holodomor/grande salto em frente.

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  4. 4 Setembro, 2020 23:50

    “Parece-me que a expressão é usada pelas pessoas que desejam assegurar que esta aberração histórica se perpetue no tempo.”

    Não é mais do que isto!
    Ao usar a expressão “novo normal” mais não estamos que a normalizar o anormal!
    Mijam-me em cima e dizem-me que está a chover!

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  5. 5 Setembro, 2020 04:20

    http://www.medicospelaverdadeportugal.com/manifesto

    Sei que sou um “negacionista”, mas em matérias de saúde, acho mais produtivo e constructivo ouvir médicos, em vez das máquinas de propaganda do regime e a tia desGraça!

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  6. Desalinhado permalink
    5 Setembro, 2020 10:15

    A nova normalidade tem tanto de escabroso como a normalidade nova.
    Num ou noutro sentido, o propósito visa a que nos cinjamos a uma espécie de teoria da habituação e de um certo fatalismo de que não se pode fazer nada.
    Tudo na vida, sobretudo o que nos é nefasto e maléfico, tem de ter um antídoto que o possa combater. A começar, sobretudo, pelos nossos próprios comportamentos.
    Eu acredito que este maldito vírus há-de ter um fim, quanto mais não seja para evitarmos que se ande indefinidamente com máscaras, viseiras e acrílicos a perturbar o nosso dia a dia, mas nesta fase de contingência tem que ser, e não podemos ser irresponsáveis a tal ponto, como alguns que por aí andam, a brincar às contaminações e a prorrogar no tempo o seu controle.
    Quero acreditar que a vacina, e eu faço questão de ter as vacinas todas em dia, seja a solução libertadora que nos irá devolver à nossa plena condição humana, de voltar encher os pulmões de ar e sentir os cheiros e as fragrâncias da natureza, sem qualquer estigma de outra ordem a condicioná-lo.
    Reconheço que quem não usava óculos e por necessidade passou a usar, que isso também lhe provoque um certo incómodo, não para a visão, obviamente, mas em ser mais um acessório que nos tem de acompanhar para todo o lado, e por isso, é normal que não queiramos mais acessórios estranhos a interferir nas nossas vidas.
    A nova normalidade, como eles dizem ou nos querem fazer crer, não é deixar passar em claro aquilo que se passou na China, onde teve a origem a pandemia, por muito que eles o neguem, e não haver um tribunal internacional que imponha sanções severas pelos prejuízos que estão a causar ao mundo e à humanidade.
    Ainda estou para perceber se isto foi um incidente ou uma coisa perfeitamente congeminada, porque já todos sabemos qual é o país que vai sair por cima e a beneficiar com tudo isto.
    A nova normalidade não pode ser o aumento do desemprego e da miséria, o estrangulamento das economias e a condenação à morte de idosos indefesos.
    A nova normalidade não é voltarmos a uma globalização desenfreada e autista, que só agora se deu conta da verdadeira dimensão dos seus inconvenientes e embaraços.
    A nova normalidade não é julgarmos que temos tudo por adquirido e que a única coisa que nos pode extinguir é o sol esquecer-se de pagar a conta da luz, de implicarmos constantemente com o penteado do Trump, de zombarmos com a postura do Bolsonaro ou de acharmos que a raça negra é sempre a única vítima de cada vez que aparece um polícia.
    Não, o que nos pode conduzir à extinção como espécie, são efectivamente os nossos comportamentos irresponsáveis, assentes numa espécie escola-madrassa que vai formatando os cérebros mais vulneráveis.

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    • Zé Manel Tonto permalink
      5 Setembro, 2020 13:17

      Mas qual fase de contingência? Isso já foi, há muitos meses. Lembra-se do aplanar a curva?
      Está mais que aplanada. Depois passou a ser diminuir o números de casos, agora continuam a noticiar diariamente, dois mortos, cinco, dez, três, isso é o quê? Nada.

      Para além de que a mediana das mortes nos homens é 80, face a uma esperança média de vida de 73. Nas mulheres os números são 85 e 80, respectivamente. Mais de metade dos mortos já viveram mais do que seria de esperar.

      O que é que se chama a um óbito de alguém que morre com uma idade superior à esperança média de vida, e com uma doença que não mata jovens saudáveis? Chama-se CAUSAS NATURAIS.

      Isto é ridículo. Durante a fase de mais casos, podia ir-se à rua sem máscara, agora há zonas que querem forçar o uso de máscara, com muito menos casos? Eu vivo no UK. Durante meses, com milhares de casos activos, podia-se ir ao supermercado sem máscara. Agora, com muito menos casos que no pico, é obrigatório máscara em todo o lado.

      Neste momento, toda e qualquer medida extra serve apenas para a escumalha politica testar quanto é que a carneirada está disposta a aceitar. E a maioria das pessoas falhou o teste.

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  7. Adelaide permalink
    5 Setembro, 2020 17:47

    Hoje ouvi, pela primeira vez, a canção do Sérgio Godinho “o novo normal”. Fraquinha. É pena.

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