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Ó senhora acidentada, desapareça!

4 Dezembro, 2015

Quatro motivos possíveis para Soares abandonar a vítima no local do acidente, após ordenar ao motorista um decidido “abra-me aqui uma janela”:

as 50 sombras de garcia pereira

4 Dezembro, 2015
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Custa ler o artigo, ontem publicado na revista Sábado, sobre o MRPP e a zanga entre Arnaldo Matos e o seu obediente discípulo Garcia Pereira. O género de relações existentes no pequeno grupo de dirigentes de um partido que, em legislativas, ainda recolhe mais de 50 mil votos, faz lembrar mais as práticas de um grupo sadomasoquista hardcore do que as de um agrupamento político. Em breves palavras, o MRPP era (é?) dirigido, na sombra, por um dominatrix chamado Arnaldo Matos, tratado, com veneração e temor, pelo nome másculo de «Espártaco», ou, em alternativa, por «”O” camarada». Neste último caso, o artigo definido é colocado em maiúscula para afirmar devidamente o ascendente que aquele cujo nome não pode sequer ser dito mantinha e mantém sobre uma verdadeira horda de palermas chefiada, até há pouco, por Garcia Pereira, um sujeito que ensina Direito em várias Faculdades. Depois, como numa relação sadomaso de grau extremo, «”O” camarada” tratava mal os seus submissos, insultava-os, ameaçava-os, torturava-os psicologicamente e obrigava-os a trabalhar para o servirem pessoalmente, com sacrifício, dor e humilhação. O medo que os escravos tinham do dono era imenso e, mesmo quando ele não estava fisicamente presente, os mecanismos de submissão e sujeição total à sua personalidade dominadora não desapareciam. Por sua vez, quando “O” senhor queria castigar os escravos, e isto acontecia mesmo que eles nada tivessem feito para o merecer, obriga-os à «autocrítica». A «autocrítica» consiste num exercício de pura humilhação pessoal dos escravos de Matos, que, em resposta à voz do dono, confessam, publica e submissamente, as «faltas» que obviamente não cometeram, como aconteceu recentemente com Garcia Pereira, que, depois de um enxovalho público que lhe infligiu «”O” camarada», redigiu estas singelas palavras: «Camaradas, esta é a justa crítica que o camarada Arnaldo Matos me dirigiu (…) Tenho de conseguir reflectir seriamente em todas as minhas tarefas e responsabilidades», escreveu o pobre diabo, numa carta dirigida aos colegas de partido. O que é mais admirável nesta história toda não são tanto as relações de escravidão a que Arnaldo Matos submetia Garcia Pereira e os seus submissos. O sadomasoquismo é uma prática antiga como o mundo que atrai incontáveis adeptos e, numa sociedade livre, deve ser tolerada, desde que não afecte mais ninguém para além seus adeptos. Todavia, os cultores do sadomasoquismo mantêm relações consentidas, das quais retiram, quase sempre, prazer físico e sexual. Aqui, no MRPP, que se saiba, «”O” camarada» nem sequer ia com eles para a cama. É só mesmo apanhar porrada pela porrada.

spanking

Papas na língua? Tarde demais

3 Dezembro, 2015

A pior coisa que alguém com dois dedos de testa pode fazer, nos dias que correm, é sacar da pistola da boa educação do coldre da superioridade moral. Não me venham com moralismos amorfos compactados em normas de convivência pacificamente encharcadas do corrosivo politicamente-correcto. É perfeitamente legítimo ser sectário e não ter medo de o demonstrar. É indiferente se alguém é de esquerda, de direita, ou incapaz de se definir: toda e qualquer acusação de falta de decoro, educação ou moral perante o golpe constitucionalmente legítimo mas eleitoralmente badalhoco levado a cabo por António Costa e as suas apensas amebas treinadas para bater palmas é, em si mesma, uma demonstração de bestialidade fenomenal que deve ser respondida à letra e com a linguagem escorreita que redefiniram, durante anos, para atacar quem põe em causa este diletante parasitismo intelectual.

Bois devem ser tratados pelos nomes. O pedantismo socialista assim o quis. Repetita iuvant.

só se perde uma vez

3 Dezembro, 2015
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O respeito é como a inocência: só se perde uma vez e, uma vez perdido, é irrecuperável. Foi o que sucedeu, ontem, ao ministro Centeno, com a brilhante intervenção do deputado Miguel Morgado. A partir desse momento, Centeno só formalmente continuará a ser Ministro das Finanças, porque já ninguém, nem mesmo na sua bancada, quanto mais nas outras (o Bloco deve estar entusiasmado…) lhe reconhecerá categoria para tal. Um cadáver adiado a aguardar enterro breve. O velório foi ontem à tarde.

Centeno sem espinhas

3 Dezembro, 2015

Centeno-contorcionista

Hoje, nas redes sociais, só se fala da cabazada de demolição que o deputado Miguel Morgado administrou de forma intravenosa e acção fulminante no mais destacado dos desossados membros deste governo de matilha uivante, Mário Centeno, o Ministro das Finanças. Centeno, cabeça de cartaz do happening cultural que consiste na destruição intelectual da politizada Academia portuguesa, a começar pelo próprio e passando por todos os estultos que apoiam o golpe do bimbo da Caras, foi escolhido como o manequim de reduzido biquini na capa do magazine de uma espécie de Cientologia a que deram o nome de “programa do PS”, isto na esperança de transmitir uma credibilidade aos patos dos contribuintes que só querem ver esta gente devidamente estuprada por um urso com SIDA. A alegada credibilidade que um esbelto capa da Caras podia almejar, não sendo particularmente cómica, é – e sempre foi – uma má anedota, tão seca como a capacidade do país para aturar o culto de hienas que insiste em rebentar com isto tudo pelo menos uma vez por década.

Não menosprezando a excelente intervenção do Miguel Morgado, que considero um dos grandes trunfos parlamentares que o PSD apresentou para esta legislatura, o mérito é, em grande parte, do próprio Centeno, capaz de afirmar peremptoriamente que o que defendia academicamente era uma receita para o desastre. Centeno brilhou, abrindo caminho para justificar a sua acção governativa, daqui a uns tempos, como “defendi a receita para o desastre”: usando esta desculpa uma vez, pode ser usada sempre. É isto que caracteriza um ser invertebrado, a capacidade da enguia de se enrolar em torno de si própria, demonstrando que, realmente, este governo não é ideológico, só tristemente patológico.

Guia da traumatização infantil

2 Dezembro, 2015

Fiz um pequeno guia para ajudar à compreensão das coisas que traumatizam e que não traumatizam os vossos filhos.

 

Coisas que traumatizam crianças Coisas que não traumatizam crianças
  • Exames no 4º ano
  • Não gargalharem o suficiente nas aulas
  • Crucifixos
  • Religião e Moral
  • Comerem bife e beberem leite de vaca, que originam 51% mundiais das emissões de gases do efeito de estufa
  • Austeridade
  • Sal
  • Açúcar
  • Codea do pão
  • Prisão preventiva de José Sócrates
  • Comentários depreciativos sobre António Costa
  • Mãe chamada Igor
  • Serem co-adoptadas após morte da mãe por um senhor de barba ruiva, tatuagem de lágrima e e orelhas alargadas com um carreto de linha de coser
  • Pais numa relação poliamorosa
  • Senhoras de niqāb na escola
  • Simbologia de todas as religiões do mundo exceptuado cristãos
  • Alianças com comunistas
  • Dieta à base de soja
  • Xarope de milho
  • Professor analfabeto na aula a seguir à de um professor bom
  • Absolvição de Maria de Lurdes Rodrigues por colectivo que inclui juíza que fez campanha pelo candidato-marido do PS dando a entender que é perfeitamente legítimo usarmos os cargos públicos para contratarmos os amigos que entendermos.
  • Insultar o Cavaco, o Passos Coelho, o Portas, quem quer que seja do PSD, CDS ou voz discordante no próprio PS.

medo ao susto

2 Dezembro, 2015
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O que diria você a alguém que, conhecendo a elevada fiscalidade aplicada em Portugal, lhe dissesse que, para contrariar a falta de investimento, o governo deveria «aumentar os impostos de uma maneira que não afecte a economia», porque «com mais impostos pode-se investir nas pessoas, na tecnologia», já que «Se não se investir, não se vai crescer». Dependendo do seu temperamento e do perfil do interlocutor, se estivesse num dia mau talvez lhe chamasse «imbecil», virasse costas e fosse, irritado, à sua vida. Se o apanhassem num dia bom e o interlocutor lhe merecesse alguma consideração, quem sabe lhe explicaria que o dinheiro dos impostos é retirado às pessoas que de algum modo o produziram, e que, se calhar, o investiriam melhor do que burocratas e funcionários partidários alçados no governo e no estado, que não precisaram de se esforçar para o ganhar, nem serão responsabilizados pelo (mau) destino que lhe derem. E que é exactamente por as pessoas e as empresas não conseguirem acumular capital em Portugal, entre outras razões, porque o estado lhes leva muito do que ganham em impostos, que os nossos níveis de investimento são muito baixos.

Ora, isto que até uma criança consegue perceber, não é o entendimento da eminência parda que foi hoje almoçar com o dr. Costa, o eminente Nobel da Economia Joseph Stiglitz. Nele, o dr. Costa e o dr. Centeno devem ter encontrado uma alma gémea, um guru orientador da sua futura acção política. É de meter medo ao susto.

o nosso destino fatal

1 Dezembro, 2015
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Em Portugal ser «liberal» é um insulto à inteligência, à pobreza e, claro, à Constituição. Nos últimos anos, a pretexto de um governo cuja principal preocupação foi, precisamente, salvar o estado social (que, de resto, ainda por aí anda mais viçoso do que nunca), o termo «liberal» transformou-se em insulto corrente com que se adjectivaram os inimigos, a fazer lembrar o «fascista» doutros tempos. Hoje, para glória do regime e do seu lidador, o dr. António Costa, Joseph E. Stiglitz, esse notável economista a quem a Humanidade – e a Grécia – tanto devem, aterrou em Portugal para falar com os partidos do governo, a fim de que eles lhe expliquem «o que se passa em Portugal». Pois eu digo-lhe: Portugal é um pequeno país falido por décadas de políticas socialistas, que lhe foram depenando a classe média e a economia. Hoje, quando começava a dar frágeis indícios de que começava a recuperar e a perceber que do estado nada de bom lhe virá, o governo prepara-se para lhe despejar em cima mais uma dose de socialismo e de políticas de redistribuição de uma riqueza que não tem e que o estado tudo fará para que não possa vir a ter. É evidente que o «liberalismo» continuará a ser, pelo menos por mais algum tempo, o insulto preferido dos portugueses. Já chamar «socialista» a alguém é elogio que faz ruborescer as faces mais rudes. Afinal de contas, o preâmbulo da nossa Constituição diz que é esse o nosso destino fatal. Cumpramo-lo.

Conjecturas simples

1 Dezembro, 2015

Há uns tempos, apontei a imigração em massa para a Suécia como a causa principal para o declínio nos resultados do PISA. Na altura, fui devidamente apelidado de nazi pelos progressistas humanistas, incluindo alguns que agora chegaram ao governo e outros que gostariam de ter chegado mas ficaram a ver navios (não dá para todos), pessoas boas que achavam que o melhor que se podia fazer, em nome da sociedade, era cortar umas cabeças a uns ultraneoliberais fássistas sem coração.

Dou então a palavra a uma sueca para o efeito. (via Zero Hedge).

The injustice, the housing shortage, the chaos surrounding refugee housing units and the sharp slide of Swedish students in PISA tests – all these changes have caused the Swedes to become disillusioned. The last straw was that Prime Minister Löfven had nothing to say about the murders at IKEA.

Escola Viva gargalha em uníssono

1 Dezembro, 2015

Vamos por partes. Primeiro, toda a gente sabe que exames não são a melhor forma de aferir a aprendizagem de um aluno. A melhor forma é, obviamente, um interrogatório seguido de psicanálise que culmine na dissecação do cérebro do aluno; isto permite encontrar todas as sinapses estabelecidas para cada patamar etário. Este método permite uma aferição rigorosa e perfeitamente mensurável, de acordo com o trabalho notável levado a cabo pelo Dr. Mengele e a sua equipa de brilhantes académicos. Porém, esta precisão acarreta um custo um pouco elevado para alguns pais: com a morte necessária dos alunos a aferir, muitos poderão optar pelo ensino privado, colocando em risco a sustentabilidade do ensino público de qualidade.

catarina-martins-teatroSem dissecar o cérebro, uma forma menos rigorosa – mas, mesmo assim, dotada de maior precisão que um exame – é a contagem de gargalhadas. Criança feliz é criança que gargalha amiúde, nomeadamente enquanto outra esborracha a mona contra a parede de revestimento tartaruguinha. Seria fácil transformar a escola num local de gargalhada constante, bastando para isso a remoção de bueiros e a proibição opressora de manifestações culturais humanas como o arremesso de cadeiras, particularmente se os professores envergarem trajes de palhaço e maquiagem como a da imagem. A escola ideal foi descrita por Golding – apesar do nome que pode bem ser de um opressor do sionismo internacional – em “O Senhor das Moscas”.

Menos rigoroso que os métodos anteriores mas, mesmo assim, ainda melhor que exames, seria a caracterização sócio-económica dos alunos prévia ao exame informal. És cigano? 10 pontos de bónus. Vives no barraco? 15 pontos de bónus. Acumulas? Temos uma fórmula para isso. Curtes Monty Python mesmo que não percebas peva? 1500 pontos. És filho de um militante do Bloco? 5000 pontos. O teu género é indefinido? 10000 pontos. Claro, ao abrigo da igualdade, é suposto todos terem a mesma nota ou seja, nenhuma. Este método permitiria assegurar a igualdade de todos os alunos, incluíndo os imbecis diagnosticados, que, coitadinhos, também são filhos de Deus mesmo segundo o sistema retrógrado de crendice dos antigos.

À falta destes métodos, o facilitismo e a ignorância em ciências da educação da geração mais bem preparada de sempre que vota Bloco de Esquerda, utilizam-se exames, tentando colocar alunos num ranking maldoso e desprovido de significado. De que adianta ser o melhor aluno do país num dado ano se basta aos restantes alunos somarem as notas de forma a garantir que é o segundo classificado quem entra no curso pretendido? Numa verdadeira sociedade sem classes não são necessários exames, nem classes, nem professores e, convenhamos, nem sociedade.

Do perdão

30 Novembro, 2015

Mesmo que isso fosse verdade e temos de admitir que nessa matéria nem todos temos o mesmo entendimento, consegue perdoar «envelopes com garrafas» e perdedores de eleições transformados em primeiros-ministros?

Anúncio de emprego (M/F)

30 Novembro, 2015

ANÚNCIO (M/F)

Procura-se licenciado em medicina pela Faculdade da Felicidade e Alegria para a Unidade de Neurocirurgia. Irá operar pessoas progressistas. Remuneração bem acima da média.

Requisitos:

  • Ter sido muito feliz na Faculdade;
  • Não ter sido submetido a exames opressores;
  • Experiência a trinchar um peru ou outro paciente similar.

 

Catarina-Martins-Operar-por-alguem-feliz

Método Galamba

30 Novembro, 2015

Situação inicial

Armando Tosco produz caixinhas. Recebe 600€ de salário mensal líquido que, para simplificar, consideramos ser 60% do custo mensal deste empregado ao seu empregador, o aristocrata Barão Afonso de Sottomayor, que tem a despesa mensal de 1000€ para que Armando Tosco pague o IRS, Segurança Social e seguros variados para o risco de se produzirem caixinhas. Armando trabalha 22 dias por mês, 8 horas por dia, e produz, em média, 5 caixinhas por hora, perfazendo um total mensal de 880 caixinhas.

Do ponto de vista do Barão Afonso de Sottomayor, 880 caixinhas custam 1000€. Desprezando custos de inventário, armazenamento, logística, etc., cada caixinha custa 1,14€ a fazer. As caixinhas são vendidas por 2€ levando a que, grosso modo, uma vez que Barão Afonso de Sottomayor também tem que pagar impostos, amealhe 0,86€ de lucro por caixinha. Supondo que vende todas as caixinhas que Armando Tosco produz, o Barão Afonso de Sottomayor tem um lucro mensal de 756,80€.

Método Galamba

O método Galamba consiste em assegurar que Afonso Tosco recebe mais dinheiro mensalmente produzindo o mesmo número de caixinhas, algo que, magicamente, fará com que Afonso Tosco tenha mais dinheiro para iPads e, portanto, seja mais feliz. O método Galamba diz que deve haver um aumento de 10% no salário líquido de Armando Tosco, que passará a receber 660€ mensais. O Barão Afonso de Sottomayor passa a gastar mensalmente com Afonso Tosco 1100€, o que faz com que as 880 caixinhas mensais custem 1100€, ou, com valor unitário, 1,25€ por caixinha. Como queremos que Afonso Tosco tenha mesmo mais dinheiro para “o consumo” que queremos incentivar, não convém que o Barão Afonso de Sottomayor aumente o preço de venda das caixinhas (se aumentar o preço de venda das caixinhas, não se incentiva o consumo de caixinhas, que custam o mesmo para um trabalhador em percentagem do seu rendimento mensal). Assim, para manter o preço de 2€, o Barão passa a lucrar 0,75€ por caixinha ou, mensalmente, 660€ mensais em vez dos 756,80€. O Barão atingiu a igualdade com Afonso Tosco. Recebem ambos o mesmo porque o aumento salarial de 10% de Afonso Tosco originou uma perda para o Barão Afonso de Sottomayor de 96,8€ mensais, correspondentes a uma quebra de 12,8% do seu rendimento. A produtividade de Afonso Tosco baixou substancialmente, produzindo o mesmo número de caixinhas por um custo mais elevado. Segundo o método Galamba, isto é bom e vão vender-se paletes de caixinhas, apesar do Barão Afonso de Sottomayor já ter enviado o CV para uma fabrica de caixinhas para passar a ser ele próprio um empregado cujo consumo de caixinhas é incentivado pelo método Galamba.

Saudi Islamic State

29 Novembro, 2015

saudi

Governo Sócrates III

29 Novembro, 2015

RegiscontaHouve um Ministro das Finanças que, à revelia do seu Primeiro, lá telefonou, com o rabinho entre as pernas, expressão popular para o enrubescimento involuntário de se passar das cadeira de restaurante fino para a mendicidade à sua porta, pedindo a intervenção da Troika, na altura ainda designada simplesmente pela sigla de um dos demoníacos intervenientes, o FMI. O Expresso até fez chancela de capa com o célebre “O FMI já não vem”, linguagem de código que anunciava, a qualquer imbecil capaz de juntar ditongos, que o FMI vinha mesmo. O nome deste herói da revolução, que viria inadvertidamente a unir toda a esquerda sob a batuta do politicamente-pária Rui Tavares para o governo da Frente Popular que agora nos governa, é Teixeira dos Santos e, reza a história, foi responsável por um incidente tipicamente despesista do homem que curte bué de fotocópias, o tenebrosamente pateta provido de tese não passível de ser encontrada nos arquivos da famigerada Sciences Po, José Sócrates; o Formentera, designação para amigos, que, num acesso de raiva, terá atirado o telefone com tanta força contra a parede, parece que só com a intervenção de espadaúdo quiroprático moçambicano terá conseguido reduzir a dor do impacto da inserção umeral do manguito contra a borda do acrómio.

Ontem, noticiava-se que o mui urgente orçamento de que estávamos privados unicamente pelo revanchismo tácito de Cavaco Silva, seria, muito provavelmente, apenas apresentado em Março, quando a excepcional urgência fosse devidamente avalizada num imediato de um Presidente sem marquises. Hoje, noticia-se que Centeno afirma que “vai ser apresentado o mais depressa possível”. Aparentemente, diz o novo homem da mala, “não é desejável que o país esteja num prolongado período sem um dos mais importantes instrumentos de governação”.

Dou 6 pontos pelo esforço, mas saliento, sobretudo, a imensa dificuldade que é demonstrar que o governo Sócrates III é, efectivamente, mais original que o Sócrates II que o precedeu, descontando o período de vil opressão neoliberal do governo ilegítimo anterior.

Faz agora o que quiseres mas depois não te queixes

29 Novembro, 2015

Antes que a conversa azede vamos já combinar uma coisa: faz agora o que quiseres mas depois não te queixes. E sobretudo não culpes os outros. Sim. Não te faças desentendido. Quem? Tu, o gajo porreiro da esquerda…

Quando a “Morte aos traidores!” não era uma metáfora

28 Novembro, 2015

O que levou o MRPP a usar a tortura durante o PREC? – este é o tema do Especial que hoje publico no Observador.

Durante a última campanha eleitoral a expressão “Morte aos traidores” presente nos cartazes do MRPP chocou alguns ouvidos. Inquirida, a Comissão Nacional de Eleições tranquilizou o país: tratava-se de uma metáfora.

Mas em 1975 o MRPP levava a sério o mote de “Morte aos traidores!”:  militares como Marcelino da Mata e civis entre os quais um juiz conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo foram torturados pelo MRPP  dentro do quartel do RAL1. Houve também casos de detenção e tortura em cárcere privado. O que levou o MRPP a tais extremos? A luta interna entre a linha vermelha e a linha negra. Estaria ou não a linha vermelha feita com os  fascistas? A tortura foi o método utilizado para obter uma resposta.

 

 

Felizes ficam os donos dos colégios

28 Novembro, 2015

que sabem que a cada alteração destas aumenta o número daqueles que trocam o público pelo privado. A começar pela gauche caviar cujos filhos coitadinhos nunca têm pais com horários que lhes permitam frequentar o ensino público

Catarina Martins, sobre o fim dos exames: Este ano não veremos as crianças de 9 anos a entrar assustadas para exames de que não precisam. Que a escola seja um pouco mais feliz.

 

 

 

Os outros andam nas compras. Já acabou a fome, voltaram os sorrisos…

28 Novembro, 2015

Concentração da CGTP junta dezenas de pessoas em Lisboa

Já devia estar combinado, antes do fim da austeridade

28 Novembro, 2015

CGTP-manif-20151128

Fim da prova de professores

28 Novembro, 2015

Com o fim da prova dos professores todos os que reprovaram na prova anterior poderão dar aulas nos próximos anos.

ERC recebeu 175 queixas sobre o Correio da Manhã

28 Novembro, 2015

RÁDIO RENASCENÇA: Amblíope, cigano e negra. “O que interessa é a competência profissional”

CORREIO DA MANHÃ: Costa chama cega e cigano para o Governo

DIÁRIO DE NOTÍCIAS: Ana Sofia Antunes, a primeira governante cega em Portugal

EXPRESSO: Ana Sofia Antunes, a primeira secretária de Estado cega

TVI: Primeira mulher cega chega a secretária de Estado

EXPRESSO: O secretário de Estado cigano de pai

Isto já se aguenta

28 Novembro, 2015

O governo dura apenas há um dia e meio e já se conseguem observar melhorias muito significativas nas mais diversas áreas da vida em comunidade. Algumas são tão notórias que prometo não se repetirem enquanto o governo for bom, não radical, pensar primeiro nas pessoas e não as tratar como números. Um governo não subserviente aos mercados, não capacho da Merkel, sem radicalismos ideológicos e de centro-esquerda-democrática, a que não pertence à mais ignorante extrema-direita-radical-xeno-racista consegue, em 36 horas, que:

directório

27 Novembro, 2015
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Quem tivesse ilusões sobre a verdadeira natureza do governo que ontem entrou em funções deve tê-las perdido já hoje, com os adiamentos de votações da Assembleia da República para negociações entre PS, PC e Bloco. Efectivamente, este governo só formalmente é um governo do PS. Na prática, trata-se de um governo de directório de António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, por importância crescente

Fim dos exames do 4º ano

27 Novembro, 2015

Um sistema mastodôntico como o Ministério da Educação dificilmente consegue funcionar se centenas de escolas se mantiverem permanentemente sem avaliação externa. O exame do 4º desempenhou durante algum tempo esse papel. O que permitiu fazer rankings, identificar escolas problemáticas, premiar as boas e ajudar as más a resolver os seus problemas. Sem esses exames o sistema fica cego.

Outro papel dos exames é o de estabelecer um ponto de partida mínimo e comum para os alunos que entram no ciclo seguinte. Sem isso a transição entre ciclos continuará a ser desastrosa para muitos alunos.

Quem é prejudicado com isto? Os alunos pobres das escolas públicas, evidentemente. Nas escolas privadas há formas eficazes de compensar estes problemas.

Curioso que a luta contra os exames é uma causa de adultos que não gostam deles, ou por ideologia, ou porque, lá está, sendo professores e pais, não lhes agrada ver o seu trabalho educativos avaliado pelos exames.

Primeiro levaram os adjectivos, e eu não me importei

27 Novembro, 2015

Ontem ensaiou-se o mote para qualquer crítica a decisões judiciais em Portugal numa indignação típica sobre a forma como o Correio da Manhã descreveu duas pessoas – cega e cigano – independentemente de todos os outros jornais o fazerem sem serem alvo de críticas.

A partir de ontem, qualquer que seja o caso, faça a ministra da justiça o que fizer, terá salvo-conduto. Quer passe a existir pena de morte por roubar um pão no supermercado ou ausência de crime por violar crianças à guarda de instituições do Estado, quem se atrever a criticar a justiça será taxativamente rotulado de racista, tornando qualquer crítica como a ignomínia de um intolerante e fanático tresloucado. Abundarão as caracterizações de “nojo” e escrever-se-á mais uma página no processo de assimilação da estupidez colectiva que legitima o golpe de Costa rumo à deterioração irreversível da 3ª república.

por causa disto

26 Novembro, 2015
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O desrespeito com que a esquerda, em geral, tem tratado, nos últimos tempos o Presidente da República é mais um prego no caixão da 3ª República, eventualmente aquele que lhe será mais letal. O caso é de entendimento elementar: o regime instituído pela Constituição de 1976 e que, apesar de tudo, as revisões do texto mantiveram no essencial, desenhou, por razões históricas que não vêm agora à baila, um modelo de governo assente em dois pilares – o presidente e o parlamento -, vulgarmente conhecido por «semipresidencialismo». Ora, nunca nos quase quarenta anos da Constituição se assistiu a um tamanho desrespeito pela função presidencial, fazendo de contas que o presidente não pode ser mais do que a rainha de Inglaterra e que tem que aceitar tudo o que venha do parlamento, sem pestanejar. Contudo, é bem sabido que não é isso que diz a Constituição, a tal que a esquerda jura respeitar ao mais ínfimo pormenor. Nem foi essa a prática política dos últimos quarenta anos, onde sempre os presidentes, durante os seus mandatos, tiveram situações de tensão com os parlamentos de então, sem que nunca fosse posta em causa a legitimidade constitucional da sua actuação, como aconteceu agora com Cavaco. Quer Eanes, quer Soares, quer Sampaio colidiram, em momentos dos seus mandatos, com a Assembleia da República, sem que isso deixasse de ser entendido como o normal uso dos seus poderes constitucionais. Com Cavaco, com quem a esquerda tem velhas contas para ajustar, até um breve período de audiências para formar opinião sobre um governo minoritário que lhe foi proposto foi motivo de redução da função presidencial.

O problema está no facto de que se o Presidente da República passar a ser mesmo a rainha de Inglaterra, e nada leva a crer que Marcelo, Belém ou Nóvoa queiram, ou possam vir a ser, muito mais do que isso, o nosso sistema constitucional não estará habilitado para refrear os excessos do parlamentarismo a que assistiremos muito em breve. O sistema político de governo ficará absolutamente indefeso e não se lhe anteveem dias auspiciosos. A 1ª República morreu também por causa disto.

Legislação a granel

26 Novembro, 2015

DN: “Barriga de aluguer”. Será desta que a lei será aprovada?
O que está a contecer na AR é um processo legislativo a granel. Ao ritmo dos jornalistas com os seus “Será desta” e muitos “momento histórico” está a aprovar-se legislação que é pura engenharia social. O país discute ministros, governos enquanto a AR se assanha com a família.
Há coisas que nunca mudam.

A ascendência cigana

26 Novembro, 2015

Deixem-se de folclores: como se sabe que uns portugueses são ciganos e outros não? Porque dizem. Houve e há quem não ache relevante dar essa informação sobre si.No governo e na AR.

25 de novembro

26 Novembro, 2015
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O 25 de Novembro de 1975, que ontem apenas alguns celebraram, marcou uma viragem no processo revolucionário iniciado a 25 de Abril de 1974 e pôs cobro aos desmandos do PREC, o famigerado «Processo Revolucionário em Curso». Verdadeiramente, não foi um 18 de Brumário, porque nem Eanes tinha categoria para Bonaparte (embora o tentasse), nem a revolução terminou nesse dia, tendo sido mais um 9 Termidor, onde, como na França do Terror, se mudou alguma coisa para se conseguir salvar o essencial. E, do ponto de vista dos termidorianos portugueses, o essencial era manter o Partido Comunista na legalidade, como Melo Antunes imediatamente se prontificou a assegurar, poupando o partido de Álvaro Cunhal a um desfecho popular que lhe poderia ter sido muito desfavorável, evitar a reversão das nacionalizações e das expropriações, consolidar a descolonização, salvar a guarda pretoriana do regime, o que ficou assegurado, até 1982, pelo Conselho da Revolução e marcar a Constituição em gestação com a ideologia saída da revolução. Por consequência, ao invés do que se pretende divulgar, o 25 de Novembro estabilizou a revolução e pôs cobro aos desmandos do PREC, é certo, mas, por outro lado, salvou-a, a ela e aos revolucionários, no que lhes era essencial. Não se compreende, por isso, por que motivos provoca tanta animosidade à esquerda.

O que aí vem; ai vem, vem

26 Novembro, 2015

Racista! Xenófobo! Opressor! Beato!
Ladrão! Vigarista, Porco Fascista!
Não mais que u’Merkel no sapato,
Meu bandalho anti-comunista!

–Ouvido no elevador

A partir de hoje e durante vários meses ocorrerá a caça ao fásssssista. Carradas de memes sobre o que se imagina ter dito este, sobre a sexualidade daquele, sobre uma obscura conta bancária de outro, sobre o Cavaco, sobre o Portas, sobre o Passos Coelho, sobre a prima do Passos Coelho, sobre racistas, sobre xenófobos, sobre islamofóbicos, sobre refugiadofóbicos, sobre nazis, sobre liberais – os neo-, ultra- e hiper-mega-animais -, sobre a pequenez do Marques Mendes, sobre o peso daquele, sobre a falta de peso daquela, sobre o Novo Banco, sobre submarinos, sobre o Relvas, sobre misoginia, sobre insultos, sobre calúnias, sobre ignomínia da imprensa livre, sobre acusações vis a Sócrates, sobre anonimato nas redes sociais exceptuando Abrantes e Valupis, sobre avenças, sobre azia, sobre falsa democracia, sobre piropagem, sobre ladroagem, sobre a chantagem, sobre desvantagem, sobre imagem e espionagem com lavagem da percentagem que é miragem numa peritagem sem portagem da vadiagem pronta à vassalagem.

Sua Santidade anda nas nuvens não é?

25 Novembro, 2015

“O terrorismo nasce da pobreza”, disse Francisco aos quenianos

o governo iceberg

25 Novembro, 2015
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IcebergO governo de António Costa é um governo iceberg, do qual foi hoje apresentado apenas o vértice superior: na verdade, tão ou mais importantes do que os ministros e secretários de estado que amanhã tomarão posse são os que ficam debaixo de água, do Bloco e do PC, e que mandarão mais do que muitos dos outros. Resta saber quem encalhará primeiro.

costa vs. santana

25 Novembro, 2015
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Começam a ser mais do que muitas as semelhanças entre o recém-“indicado” governo Costa e o defunto governo de Pedro Santana Lopes. Assim:

1º Ambos foram/são presididos por ex-presidentes da Câmara Municipal de Lisboa, saídos deste pelouro para se habilitarem a essas funções;

2º Ambos contaram com a animosidade do presidente da República em funções no momento em que foram empossados;

3º Aos dois primeiros-ministros o Presidente da República impôs condições severas para aceitar a indigitação;

4º Nenhum dos dois chefes de governo ganhou eleições legislativas;

5º Ambos tiveram de aguardar semanas pela decisão presidencial favorável;

6º Os dois governos anunciaram o mesmo propósito de porem cobro à «crise» e o de Santana Lopes chegou mesmo a anunciar o seu fim. Presume-se que o de Costa só não fez ainda o mesmo por falta de tempo;

São os maiores governos, em número de ministros, da 3ª República.

Falta, apenas, estabelecer uma comparação: o governo de Santana durou pouco tempo. E o de Costa durará muito?

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25 Novembro, 2015

Seria suposto, como muita gente faz, que tentasse analisar os nomes do governo da Frente de Esquerda. Porém, os nomes são indiferentes, algo a que até António Costa terá anuído perante um “olha, pázinho, mete aí a minha filha” ou um “nomeie aí a minha mulher também, invente um ministério parvo como o mar, terra, fogo ou ar”. Pronto, pode dizer-se que o governo tem uma “não branca” (não se pode dizer preta, negra também não e african-american soa demasiado parvo em português), se é que isso é relevante para alguma coisa – por exemplo, admissões de que o governo até pode ser mau mas, ao menos (e “ao menos” é mortal que chegue) tem uma senhora cuja cor é diferente de rosa pálido-aveludado, por isso, brindemos!

A composição do governo é mais facilmente descrita como “metade esteve em governos Sócrates, outra metade gostaria de ter estado mas não teve oportunidade”. As únicas surpresas notórias, pelo menos para eles próprios e não para quem vê as tristes figuras na televisão, são a manutenção de João Galamba como torpedeiro parlamentar e Porfírio Silva como tonto da vila em sentido lato. De resto, tudo como dantes no quartel dos Abrantes.

Se o feriado do 1º de Dezembro for reposto

25 Novembro, 2015

Ainda vão a tempo de recordar a missa de corpo presente na Estrela e a impressionante presença popular no funeral dos comandos mortos na Calçada da Ajuda.

Tão importante quanto aquilo que fizeram a 25 de Novembro

25 Novembro, 2015

Foi aquilo que não fizeram a 26 de Novembro: retaliar.

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25 Novembro, 2015

25-Novembro

As coisas estão a voltar à sua ordem natural

25 Novembro, 2015

Sindicato satisfeito com nova ministra: “Van Dunem é sinal positivo. Melhor: muito positivo”

João Soares aceite por unanimidade

Nova ministra da Administração Interna satisfaz os sindicatos

Docentes e investigadores aplaudem com escolha de Manuel Heitor

uma crença

24 Novembro, 2015
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Este governo de António Costa tem uma crença: a de que as contas públicas se irão compor com a recuperação da economia e que a economia se recomporá com o regresso do consumo aos níveis anteriores aos do início declarado da crise. Se nada for feito para impedir a concretização deste fundamentalismo costista, serão necessários dois anos para termos eleições antecipadas: o primeiro, para gastar o que não temos para repor «o rendimento das famílias»; e o segundo, para introduzir no orçamento de estado as medidas necessárias ao reequilíbrio orçamental exigido por Bruxelas, que o PC e o Bloco jamais poderão aprovar. Caso estas últimas fiquem na gaveta, serão, então, suficientes apenas mais uns meses para o regresso da troika. É escolher à la carte.